Amor Universitário
36 Capítulo 35 - A ultima despedida.
Notas iniciais
POV TERCEIRA PESSOA
Após pronunciar tais palavras, completou sua fuga sem olhar para trás, seus olhos cheios de lágrimas, sua mente tentava assimilar o que acabara de fazer, tirara um vida em nome do seu amor, essa não foi a primeira vez que fizera algo de ruim em nome do seu Shin-chan, perseguiu Kagami no dia do sequestro e estava pronto para fazer o que fosse preciso para agradar seu amado, até mesmo matar, como fez agora.
Dirigiu-se para a casa que usava como esconderijo, era próxima a mansão de Midorima, porém não com o mesmo luxo, Takao abandonou a sua família por causa desse amor tão obsessivo, agora vivia em uma casa de dois cômodos pequenos e apertados, a fachada da casa não era nada agradável, quando as pessoas viam aquela casa, torciam o nariz e até mesmo achavam que ali tinha algum tipo de maldição. As crianças tinham medo de Takao, movido pelos alertas dos pais, mas o moreno não ligava realmente, apenas queria estar o mais próximo possível do seu amor.
Esta paixão começara no primário, mesmo que no princípio ele entendesse apenas como uma grande amizade, mas quando completou seus quatorze anos, percebeu que aquilo era muito mais que amizade, movido pelo impulso e a coragem momentânea, declarou-se para o maior no final da aula, ele lembrava perfeitamente, como se tivesse acontecido a algumas horas atrás.
Tinha gritado o maior para que o esperasse, e quando o alcançou, despejou todos os seus sentimentos sobre o outro que apenas ficou em silencio, mas depois de alguns minutos, bagunçou os cabelos do moreno, falando que tudo bem e que eles poderiam continuar sendo amigos, desde então Takao luta pela aceitação de Midorima, luta para poder ser somente seu, guardou-se durante todo esse tempo, nunca tivera relações sexuais com outras pessoas, nem mesmo beijou outras pessoas, com o passar do tempo, sua família percebera que Takao não era mais o mesmo, se irritava por pouco, caso se quer falassem do outro em sua frente ele se descontrolava.
Movido pelo temor a saúde do filho, o pai do moreno, o internou durante um ano em um hospício. Naquele local o esqueceu quem o tirou de lá foi Midorima, aumentando ainda mais o amor insano que nutria. Nunca mais vira seus pais, apesar de eles terem tentado fazer contato, ele não os julgava mais como sua família.
Durante muito tempo viveu com o maior, que cuidara de si, o protegeu de tudo, agora se sentia no dever de ajudar Midorima que passava por uma situação difícil, acreditando que quando tudo acabasse os dois viveriam juntos e felizes para sempre, como nos contos de fadas que ouvia quando era criança.
Entrou dentro da casa, deitou-se na cama e se encolheu o máximo possível, seus pensamentos estavam confusos, não sabia o que fazer muito menos o que pensar. Sentia que estava enlouquecendo, virou-se para o outro lado, uma fotografia de quando ele e seu amado eram crianças, então tudo ficou claro, enxugou as lágrimas, sentou-se na cama, sua expressão mudara de confusa foi para determinado.
– Nada é mal ou ruim demais se for pelo Shin-chan.
UNIVERSIDADE TEIKO
O telefone de Kagami tocou, virou-se na cama tampando os ouvidos com o travesseiro, Kuroko o cutucou com o celular, indicando que era para o maior atender, em meio a resmungos finalmente o atendeu.
– Alô – Praticamente rosnou como quem se diz “O que faz me ligando essa hora?”.
– Kagami? – Do outro lado da linha era uma voz conhecida, era a mãe de Yamato, sua voz era fraca, devido ao choro.
– Sim, o que aconteceu? – Sentou-se na cama, já prevendo um pouco o que acontecera.
– O Yamato... O Yamato... Ele... M-morreu. – Ao dizer a ultima palavra, não conseguiu segurar o choro, assim como Kagami, que olhava para o nada, de seus olhos saiam lágrimas sem que ele percebesse, deixou o celular cair de sua mão, caindo no colchão.
– O que foi Kagami? – O menor perguntou mesmo já imaginando o motivo daquela expressão no rosto do maior.
– O Yamato... – Não teve força para completar a frase, não foi necessário, Kuroko já tinha entendido.
Ambos ficaram ali, parados, sem falar nenhuma palavra, Kuroko segurou as lágrimas, teria que ser forte para dar apoio à Kagami. Pegou o celular que tinha caído ao seu lado, discou o número da mãe de Yamato, que atendeu prontamente.
– Quando vai ser o enterro? – Kuroko perguntou, se esforçando para fazer sua voz sair firme.
– Às dez da manhã, no cemitério municipal. – Soluçou.
– Qual foi à causa da morte?
– Os aparelhos pararam de funcionar. – Sua voz saiu um fiapo, quase não foi possível de ouvi-la.
– Eu e Kagami estaremos lá, meus pêsames. – Desligou o celular, voltando-se para Kagami que se recompôs um pouco.
– Que horas será? – Encava suas mãos, as lágrimas tinham parado de cair, mas o sentimento que faltava algo nele não se foi.
– Dez da manhã. – O azulado encarou o relógio, que marcava exatamente 05:55. – Falta bastante tempo ainda, vamos dormir um pouco. – Mesmo sabendo que nenhum dos dois conseguiria encontrar o sono que fugira para bem longe, era melhor pelo menos descansar um pouco.
Sem nenhuma palavra adicional, Kagami deitou novamente, virou-se para o lado, evitando o olhar do outro, não pregou os olhos, seus pensamentos eram direcionados a apenas uma única coisa, ou melhor, uma única pessoa.
Lembrou-se da primeira vez que ele apareceu no seu quarto, de como o ajudou a sair das vistas da enfermeira e de como o convenceu a voltar e fazer a quimioterapia, um sorriso tomou forma em seus lábios ao relembrar de quando havia saído da fisioterapia e foi direto para o quarto do menor, tinha levado chocolate e refrigerante para os dois comerem, aquele dia foi algo mais que especial para o ruivo. Lembrou-se também da ultima vez que o viu, as fracas palavras que foram ditas, o sorriso se desfez, dando lugar a tristeza, o aperto que sentia em seu peito, o fez levar a mão até o local, sua visão embaçou, era o sinal que mais lágrimas caíram, era inevitável, por mais que tentasse segurar elas caiam, ele se permitiu chorar, entendeu que não adiantava tentar segurá-las.
O Sol estava aparecendo aos poucos, Kagami levantou-se e ficou admirando aquela imagem linda, aos poucos o Sol ia rompendo toda a escuridão com seus raios quentes, aquela imagem o confortou, aquilo era uma metáfora perfeita para a relação dele e do garoto. Ele se via como a noite, que por muito tempo fica na escuridão total, porém, aos poucos vem o Sol, iluminando-a, até que por fim, ela se dissipasse por completo. Yamato foi o seu Sol, tirando-o da escuridão que ele mesmo havia criado, prometeu para si mesmo que, a partir de hoje, quando visse um amanhecer tão gracioso como esse, lembraria de como Yamato rompeu sua escuridão com sua luz própria, como uma estrela, mas ele era ainda mais brilhante que o próprio Sol.
Quando a escuridão já tinha abandonado o céu, restando apenas o brilho radiante e majestoso do Sol, saiu de perto da janela, Kuroko o encarava, nenhum achou que precisasse de palavras, então apenas trocaram sorrisos fracos.
Kagami foi para o banheiro, tomou um banho realmente demorado, quando saiu sua pele estava até mesmo enrugada, o outro entrou no banheiro assim que ele saiu. Secou-se lentamente, abriu o guarda-roupa, vestindo primeiramente uma cueca, seguida de uma calça jeans e, por ultimo, uma camisa social preta.
Ao virar-se, Kuroko já estava pronto, apenas observando-o sentado na cama, não se assustou, já tinha se acostumado com essa mania do menor, colocou um tênis, pegou as muletas e finalmente os dois saíram do dormitório.
Depois de algum tempo, já estavam no ônibus a caminho do cemitério, que não ficava muito perto e nem muito longe, os dois não pronunciaram nenhuma palavra sequer, o azulado achou melhor respeitar o espaço do seu amado. Quando finalmente chegaram, saíram do ônibus, atravessaram a rua e ficaram de frente com o portão do cemitério, tentaram deixar o lugar menos mórbido e triste, pintando-o com clores claras, algo que não ajudou.
Atravessaram os portões, procuraram brevemente até acharem uma tenda preta em meio às lápides, sabiam que era ali que acontecia o velório, passaram pela grama, Kagami teve dificuldades, pois constantemente a muleta afundava em uma parte mais fofa da terra.
A mãe de Yamato chorava ao lado do caixão, já o seu marido estava sentado em uma cadeira, sendo consolado pelo seu irmão, toda a família do pequeno estava ali, todos pararam para encarar Kagami e Kuroko quando chegaram, o ruivo sentou-se para recuperar o fôlego, enquanto o outro foi diretamente para o caixão, abraçou a mulher, que o agarrou enquanto chorava em seu ombro.
Kagami então finalmente foi ao caixão, que estava aberto, observou o rosto sereno do menor, passou suas mãos tremulas pelo rosto daquele que não mais habitava esse mundo, suas lágrimas foram instantâneas, finalmente a ficha havia caído, ele nunca mais veria o sorriso daquele anjo em forma de criança novamente. A mãe do garoto o abraçou, Kagami retribuiu o abraço, ambos estavam chorando, o ruivo de forma mais controlada. Chegou uma outra mulher que a abraçou, largando assim Kagami, usando as muletas voltou para uma das cadeiras, sendo acompanhado por Kuroko, logo chegou um padre para fazer a cerimônia religiosa.
– Estamos aqui hoje reunidos, para velar o corpo de um ser de luz que deixava esse mundo mais bonito e iluminava tudo a sua volta com seu sorriso inocente... – A cerimônia seguiu sem nenhum contratempo e então o padre falou – Agora vamos chamar um amigo de Yamato para dizer algumas palavras, Kagami venha até aqui. – Os olhos do ruivo se arregalaram, o pai de Yamato manejou a cabeça em sinal que era para ele ir, mesmo sem saber ao certo o motivo, foi.
– Não sei muito que falar, todos aqui presentes, tiveram a chance de conhecer esse pequeno garoto, que mesmo em meio às dificuldades, não parou e não tirou o sorriso do rosto. Eu sou muito grato por um dia ter tido a oportunidade de conhecê-lo, para os que não sabem, nos conhecemos no hospital, quando ele estava se escondendo para não fazer a quimioterapia, a partir desse momento, ele se tornou alguém muito especial na minha vida. Tudo dura o tempo necessário para se tornar inesquecível, e isto aconteceu com Yamato. Para sempre, ele será meu raio de Sol. – Ao terminar, seus olhos estavam marejados e sua voz saiu fraca, chegou mais perto do caixão, colocou um chaveiro de uma bola de basquete, simbolizando a promessa que ele havia feito.
Depois de mais duas pessoas falarem, a cerimônia chegou ao seu termino, o caixão foi tampado e desceu lentamente, todos choravam sem se controlar, começaram a jogar a terra dentro do que seria o tumulo de Yamato, o ruivo não aguentava mais ver aquilo, foi embora, sendo seguido por Kuroko, não pararam de andar, até que estivessem a duas quadras do cemitério. Kagami não sabia o que fazer, apenas abraçou o outro, não queria perder aquele que é tão especial para si.
PRESÍDIO DE SEGURANÇA MAXIMA
– E tudo está seguindo de acordo com o plano. – Midorima falou com um sorriso diabólico enquanto ajeitava seus óculos.
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