Amor Universitário

29 Capítulo 28 - De volta a universidade.


Notas iniciais
Olá leitores e leitoras *----------------------*' Queria realmente agradecer a quem vem deixando seus reviews, isso incentiva muito *-*' E hoje sem nenhum atraso o capitulo novo u_u' Boa leitura seus lindos e lindas *-------------*'

–POV KAGAMI-

–Vamos! Acorde! – Uma enfermeira emburrada me chacoalhou me acordando.

– O que foi? – Virei para o lado fechando os olhos novamente, tentando voltar para o meu sonho.

– Você vai receber alta! – Isso foi o suficiente para que eu rapidamente me sentasse na cama, recebendo uma dor nos dois locais dos tiros, fiz uma careta.

– Tenha calma! Daqui a pouco o doutor vem aqui e então você poderá ir. Agora coma. – Retirou-se em seguida.

Olhei para o lado e tinha uma bandeja com o café da manhã, peguei o suco, tomando-o devagar. Preciso me acalmar, agora começa uma nova luta, enfrentar o mundo que está do lado de fora destas paredes protetoras, tentar me encaixar novamente em uma rotina que já me esquecera, respirei fundo soltando o ar devagar, minhas mãos tremiam, não sei se por ansiedade ou medo, talvez os dois.

Comi o resto do café da manhã, meu olhar totalmente perdido, assim como a minha mente, simplesmente queria que tudo voltasse a ser como era, e poderiam ser, caso eu não estivesse preso a um par de muletas, os meus ex-companheiros de time com certeza me olharam com compaixão, como se eu fosse um inválido, e sabe o que dói? É saber que eles estão certos.

Cerrei meus punhos, todos me olharam como um animal novo no zoológico, sem falar das perguntas idiotas “Como é levar um tiro?”, “Você desmaiou na hora?”, “Foi Midorima que fez mesmo isso?”, “Vai ter que usar as muletas para sempre?”.

Pela primeira vez, nesses dias, eu não quis sair desse hospital, olhei para a janela, o céu estava totalmente limpo, bem diferente do que minhas emoções que estão totalmente nubladas, a beira de uma tempestade.

Respirei fundo pela milésima vez, uma batida firme na porta e logo o médico adentrava o local, foi diretamente até mim com um sorriso.

– Como se sente? – Sorri com a ideia de despejar todos meus medos naquele pobre homem.

– Bem.

– Então vamos te examinar. – Me examinou por completo, dando uma atenção especial aos ferimentos, a do abdômen nem curativo eu usava mais, já estava quase completamente cicatrizado, já o da coxa ainda usava uma faixa enrolada no local, ele também olhou alguns exames. – Pode ir embora, mas você ainda vai ter que tomar alguns cuidados, com a alimentação principalmente assim como você não poder fazer muito esforço, me visitará a cada quinze dias e vamos ver qual a melhor forma de fortalecer sua perna está bom?

– Sim, daqui a quinze dias estarei aqui. – Sorri, sendo acompanhado pelo outro.

– Seu amigo já está do lado de fora te esperando, arrume suas coisas e boa sorte, se precisar temos uma ótima terapeuta aqui. – Terminando de falar saiu do quarto, deixando a porta aberta, depois de poucos instantes Kuroko entrou no cômodo, um sorriso estampava seu rosto.

– Bom dia, animado para voltar? – Iniciou o diálogo.

– Sim. – Foi o que minha boca falou, porém eu não sentia aquilo, abri um sorriso.

– Então vamos! – jogou uma sacola em minha direção, não a tinha notado até agora, ao abri-la tinha uma muda de roupa. – Se troque.

Tirei o avental, Kuroko pegava minhas roupas de quando cheguei no hospital, elas estavam em um pequeno guarda roupa, jogou rapidamente em uma outra sacola, mas deu para ver as marcas de sangue, arrepiei-me por completo, fingi que não tinha visto. Terminei de me vestir, calcei o tênis e peguei as muletas, o menor já me esperava na porta.

– Preciso ir ver uma pessoa antes! – Falei lembrando-me de Yamato.

– Vou com você, também quero vê-lo. – Sorriu genuinamente o que causou uma agitação no meu peito.

Saímos do quarto, devido ao fato de eu estar preso a essas muletas demoramos mais tempo do que o necessário, ao chegar à ala que o garoto estava internado, fomos diretamente ao quarto dele, batendo levemente na porta, a mãe do menor a abriu.

– Olá! – Saudou animada, porém as olheiras em volta dos seus olhos denunciavam que passara a noite acordada. – Yamato seus amigos estão aqui! – entramos no quarto, o menor estava deitado, sua aparência não havia melhorado.

– Bom dia! Como está? – Perguntei enquanto beijava a sua testa.

– Estou bem! – Sorriu mesmo naquelas condições.

– Olá Yamato. – Kuroko beijou-lhe varias vezes, ficando de pé ao meu lado.

– Oi Kuroko! Você vai ter alta? – Encarou-me.

– Vou sim, mas pode deixar que vou voltar para te visitar! – O menor pareceu animar-se e sentou-se.

– Que bom que está bem Kagami! – Me abraçou, ficamos abraçados durante um tempo, eu queria que ele viesse comigo, totalmente curado, mas tudo é complicado, ainda mais câncer. – Quando me visitar vai me ensinar a jogar né?

– Lógico! Eu cumpro o que prometo! – Ele olhou para as muletas, fiquei inseguro, talvez ele também perceba que não dá para eu ficar sem elas, pelo menos por um tempo, mas logo me olhou nos olhos.

– Eu sei! Você vai conseguir! Agora vá logo reencontrar seus amigos! – Me abraçou novamente, assim como a Kuroko.

A despedida não durou muito, ao sairmos vimos uma enfermeira pronta para buscar Yamato, provavelmente para mais exames ou coisas do tipo. Saímos em silencio do hospital, ao estarmos do lado de fora, paramos um pouco para que eu recuperasse o fôlego e também para que eu analisasse tudo isso, observei essa paisagem durante muito tempo de dentro do hospital, agora tudo mudou, estava em uma perspectiva diferente, senti os aromas da cidade, agora finalmente fazendo parte dela e não sendo apenas um espectador, então caminhamos até o ponto de ônibus, sentei-me no banco e percebi que Kuroko não fez nem menção de fazer o mesmo.

– Está doendo muito? – Perguntei já imaginando o motivo.

– Um pouco... – Sua voz fraquejou, não deve ser uma dor tão branda assim, me levantei, beijando-o, atraímos alguns olhares de desprezo, apesar de eu não dar a mínima para isso.

– Desculpa. – Sussurrei quando nossos lábios se separaram.

– Fui eu que quis. – Sorriu minimamente, olhou para algo que estava atrás de mim e logo falou – Vamos, o ônibus chegou.

Subimos no veiculo, por sorte ele estava vazio, sentei-me e novamente Kuroko ficou de pé, conversamos sobre banalidades, a minha ansiedade só crescia, e ela chegou ao seu auge quando chegamos na frente da universidade.

Mil e uma coisas passavam pela minha cabeça, porém não conseguia as organizar de forma a ser algo coerente, entramos, parei novamente para observar aquele jardim que a muito não via, lembro-me ainda do ultimo dia que estive aqui, quando levei os tiros, não tinha alunos ali, apenas alguns funcionários apressados, devagar e com mais algumas paradas finalmente chegamos ao nosso quarto, Kuroko abriu a porta, o que vi ali dentro, nunca mais esquecerei.