Amor Universitário
17 Capítulo 17 - Reviravolta.
Hoje voltei a acordar no mesmo horário de sempre, é o primeiro dia que o menor vai voltar para as aulas, fiquei encarregado de leva-lo na hora certa, acabo de tomar banho, Kuroko estava se arrumando, ao observa-lo dava para ver que ele estava tremendo e um pouco tenso.
– Calma, vai dar tudo certo. – Tentei encorajá-lo.
– Estou com medo. – Admitiu encolhendo os ombros.
– Vou estar do seu lado, Kise e Midorima também. – Pus a mão sobre o ombro dele, ele recuou sob meu toque.
– Sobre ontem...
– Vamos esquecer aquilo está bem? Quando você não estiver confuso a gente tenta conversar sobre o assunto. – Interrompi-o não aguentaria vê-lo dizer que não significou nada.
– Posso te pedir uma coisa? – O seu tom era tão baixo que quase não fui capaz de ouvir.
– Qualquer coisa.
– Me leva no tumulo dos meus pais? – Abaixou a cabeça tentando esconder as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
– Levo sim. – Abracei-o, ele tentou recuar, mas me não o deixei sair de perto de mim, aos poucos ele aceitou e correspondeu. – Vamos, não quero que se atrase.
– Não quero ir. – Apertou-me mais forte.
– Você precisa ir, se quiser você sai no meio da aula, mas pelo menos vá. – Soltei-me dele, meu coração apertou-se por ter me afastado daquele que tanto me importo.
– Então vamos.
Segurei-o pela mão, ele não se desvencilhou, apenas aceitou, fomos até a sala de aula, Kise e Midorima já nos esperavam na porta.
– Bom dia Kuroko. – Midorima falou fazendo questão de separar nossas mãos enquanto me ameaçava com o olhar.
– Bom dia. – O azulado segurou a própria mão totalmente sem graça.
– Bom dia Kurokocchi! – Kise fez aquele escândalo enquanto abraçava o menor.
– Bom dia pra vocês dois, caso esqueceram que existo. – Forcei um sorriso usando toda a minha calma que não era muita para não socar o quatro olhos maldito.
– Não esqueci de você não Kagamicchi! – O loiro agarrou meu pescoço.
– ME SOLTA SUA BICHA LOUCA! – Tirei-o de perto de mim.
– Kagamicchi você é muito mal. – Forçou uma cara de magoado.
– Sou mesmo, agora vamos entrar logo! – Puxei Kuroko junto comigo para dentro da sala, sentamos um do lado do outro enquanto Midorima ficou do lado do azulado e Kise do meu.
Tinha uma mulher ao lado do professor, ela era loira, os cabelos longos e também usava óculos, também estava à diretora do outro lado do professor, não me lembro de ter nenhuma palestra hoje.
– Bom, alunos hoje não terá aula. – A diretora começou o que causou uma pequena comemoração dos alunos. – Porém terão que passar com a nossa psicóloga.
– O QUE? TENHO MAIS PARA FAZER DO QUE FICAR NO PSICÓLOGO! – Aomine gritou dando inicio a onda de reclamações.
– CALEM A BOCA! – A diretora continuou todos ficaram quietinhos. – Vocês vão passar pela psicóloga sim, querendo ou não, vão ser chamados um por um, pode iniciar doutora.
– Obrigada diretora, sou a doutora Alex, todos vão se dirigir à sala ao lado quando forem chamados e depois vão poder ir para seus dormitórios. O primeiro será Kuroko Tetsuya. – A mulher se dirigiu para fora da sala sendo seguida pelo menor.
– Coitado do Kurokocchi, aquela loira parece uma doida. – Kise pronunciou baixinho.
– Se eu fosse você, se preocuparia com si mesmo porque ela não parece flor que se cheire. – Comentei olhando fixamente para a porta que a alguns instantes a doutora e Kuroko haviam saído.
– Não é tão ruim assim. – Midorima disse enquanto fechava os olhos e parecia tentar cochilar. – Me avisem quando for minha vez.
– Midorimacchi como pode ficar tão calmo? – A vadia loira continuou a choramingar.
– Cala a boca. – Respondeu de forma grossa.
Demorou algum tempo até que Alex retornasse.
– Ryota Kise – Chamou enquanto o loiro levantava-se hesitante.
Fiquei em silencio, o quatro olhos parecia dormir, apenas fiquei esperando a minha vez.
–x-
Após metade de a sala ir inclusive Midorima, chegou a minha vez, quando fui chamado levantei seguindo a doutora, na sala ao lado tinha um divã, sentei-me enquanto a loira se sentava em uma cadeira.
– Então Kagami, como vai a sua vida? – Começou, ela me encarava com olhos atentos, que não deixaria nada passar.
– Bem, apesar de alguns transtornos. – Respondi, não vou deixar ela mulher me passar para trás! Ela não vai saber nada sobre mim.
– E que transtornos seriam? Por acaso seria sobre a sua sexualidade?
– CLARO QUE NÃO! – Me exaltei.
– Então é um gay convicto? – Um pequeno sorriso nasceu nos lábios dela.
– NUNCA! – Não estou gostando disso.
– Pelo o que me disseram você já agarrou alguns por ai, e também vai ter um filho.Isso é conflitante.
– Não é nada! Eu sou homem com H maiúsculo! E se falaram se já sai com algum cara é mentira! – Corei completamente.
– Não precisa mentir Kagami. – Alex continuou. – Não há nada de errado em gostar de pessoas do mesmo sexo.
– Bem... Pensando assim... Talvez eu tenha tido um caso com algum cara... – Relaxei um pouco, ela era boa.
– E você ama esse cara? – Ela prestava atenção em até como eu tencionava o ombro com suas perguntas.
– Não! Só tenho compaixão, ele está passando por momentos difíceis...
– Tem certeza? Sua linguagem corporal diz o contrário. – Arregalei os olhos, ela pareceu satisfeita com a minha reação.
– Não sei se o amo. – Suspirei derrotado, não adianta tentar engana-la.
– O que te impede de ama-lo?
– Tenho medo. – Entrelacei meus dedos evitando olha-la nos olhos.
– Medo do que? – Ela cruzou as pernas e anotava no bloquinho de folhas amareladas.
– Ele é um homem... É errado.
– Quando se ama nada é errado ou imperdoável, deve-se apenas falar as três palavras mágicas. – Seu tom era maternal.
– Por favor e obrigado? – Perguntei mesmo sabendo que essa não era a resposta, Alex riu um pouco antes de continuar.
– Não, as palavras certas são “eu te amo”. – Sua voz estava tão aveludada que estava me convencendo.
– E se eu for rejeitado? – Minhas inseguranças estavam claras como a água.
– Não será caso seja sincero. – Meus argumentos caiam um por um.
– Mas...
– Não tem mas, não tem porém, se não se arriscar como será feliz? Alias, o que te causa felicidade? – Pensei em todos meus últimos momentos de felicidade, todos eles ao lado da mesma pessoa, e por acaso essa pessoa era um baixinho de cabelos azulados.
– Ele me trás felicidade, por isso não quero perdê-lo! E se ele nunca mais olhar na minha cara? – Eu parecia uma menininha com seu primeiro namoradinho.
– Como dizia um filósofo, estamos condenados a liberdade, temos que escolher a todo o momento, e agora você terá que escolher, se arriscar e ser feliz ou continuar assim, mas lembre-se, somos reféns de nossas escolhas, terá que encarar as conseqüências independente do que escolha. – Alex concluiu.
– Você está certa, obrigado vou fazer o certo, vou fazer o que meu coração está mandando. – Levantei-me saindo correndo porta a fora.
Continuei a correr, ao chegar nos dormitórios, segui logo para o que dividia com Kuroko, ao abrir a porta, Kise Midorima e Kuroko estavam lá, Kuroko com sua indiferença, Kise batendo palminhas sem parar e por incrível que pareça Midorima estava sorrindo, ignorei tudo isso pronto para dizer tudo o que sentia por Kuroko.
– Kuroko não fale nada só escute! Eu sei que sou um idiota insensível que arranja briga com tudo e todos, sei que meu temperamento não é dos melhores e sei também que não sou o melhor para você, porém você tem meu coração só para você! Quando estou com você, tudo fica melhor, quando você estava em coma o mundo era tão sem graça, foi a melhor emoção da minha vida quando fiquei sabendo que tinha acordado e constatei com meus próprios olhos! – Olhava-o com um sorriso terno enquanto despejava todos meus sentimentos sobre ele que mantinha a mesma indiferença. – Sei que não se lembra de nada e que está sofrendo por descobrir dos seus pais, mas eu preciso de você Kuroko, mais que tudo! Kuroko... Eu te amo!
Midorima riu, e depois de secar as lágrimas causadas por tal ato falou:
– Não adianta Kagami, Kuroko recuperou a memória, ele se lembra de tudo o que você fez com ele.
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