Amor Universitário

13 Capítulo 13 - O Recomeço.


Notas iniciais
Bem gente, capítulo novo *-*' Espero que gostem, Boa Leitura :3

Corri até Kuroko, ele estava desmaiado, muito sangue jorrava de um machucado na parte posterior da cabeça do mesmo, o motorista estacionou o veiculo e veio até nós.

– Como ele está? – Perguntou nervoso, coloquei o ouvido perto do nariz do menor, ouvindo uma fraca respiração.

– Ele está respirando! Chama uma ambulância! – Gritei desesperado, minhas mãos manchadas pelo sangue. Finalmente Midorima se juntou a mim.

– Meu Deus... Kuroko, Kuroko! – Ele tentava inutilmente acordar o outro.

– Não adianta, ele está desacordado! – Minha voz sai fraca e embargada, o motorista voltou para perto.

– Eles estão a caminho. – Informou o homem ainda preocupado.

Após alguns minutos que mais pareceram uma eternidade ouvimos a sirene anunciando a chegada da ambulância, que estacionou perto do acidente, logo veio um enfermeiro prestar socorro.

– O que aconteceu? – Dirigiu-se a mim.

– Ele.. Foi atropelado... – Demorei um pouco para responder.

Chegaram outros dois enfermeiros com uma maca, imobilizaram Kuroko e colocaram-no na maca, levando-o para a ambulância. Sentei-me ao lado do azulado que tinha uma mascara de oxigênio presa ao rosto, as portas foram fechadas, a sirene ligada e sem demora começamos o trajeto até o hospital mais próximo.

Ao chegar não permitiram que acompanhasse o atendimento, tive que esperar a contra gosto na recepção. Não demorou muito até que Midorima chegasse, não perguntou nem falou nada para mim, apenas se sentou e ficou em silencio. Andei tanto de um lado para o outro que achei que abriria um buraco sob meus pés, a única coisa que conseguia pensar era que iria ficar tudo bem com o menor, eu queria acreditar que ele não morreria ali, amanhecia quando o médico finalmente veio nos dar alguma informação.

– Quem é acompanhante de Kuroko Tetsuya? – indagou.

– Eu! – respondi juntamente com o quatro olhos, nos aproximamos do doutor Brian Watt segundo o crachá que levava pregado ao bolso, o seu sotaque revelava que era americano.

– O quadro clinico dele está estável porem... – Deixou a frase no ar, meu coração apertou.

– Não enrole doutor! – Midorima estava quase pulando no pescoço do médico.

– Bem... – Continuou Brian. – Ele sofreou um forte traumatismo craniano, devido a isso encontrasse em estado de coma...

– Mas ele vai acordar? – Interrompi.

– Vai sim.

– Graças a Deus. – Eu e Midorima respiramos aliviados.

– Mas, isso não tem previsão para acontecer.

– Como? – Indaguei sentindo o aperto voltar.

– Ele pode acordar daqui uma hora, um dia, uma semana, um mês ou um ano. Não dá para saber. – Suspirou após completar a frase, as lágrimas já enchiam meus olhos.

– Posso vê-lo? – Pedi baixinho tentando manter a voz firme, sem sucesso.

– Claro, venha eu te mostro o quarto. – Eu e o doutor Watt fomos a caminho do quarto, deixei Midorima sozinho na recepção, paramos no quarto número 277 do terceiro andar. – Vou deixa-lo um pouco sozinho com ele.

Entrei no quarto vendo tudo o que menos desejava, Kuroko estava deitado em uma cama desacordado, vários aparelhos o rodeavam, com a cabeça enfaixada e uma mascara de oxigênio ainda se fazendo necessária. Uma enfermeira monitorava os aparelhos, ao me notar se retirou com um aceno.

– Sentei-me em uma poltrona ao lado do azulado, não consegui segurar mais, as lagrimas corriam livremente, segurei a mão do outro lembrando-me da noite que tivemos.

– Não era para ser assim.. Não era para terminar assim! Era para a gente estar acordando para ir a aula e eu dizendo como era bom te ter ao meu lado... – Fiquei ali, chorando do lado daquele que muito importava para mim. O pior era saber que, por causa do meu egoísmo ele estava ali, em estado de coma.

Se eu não tivesse o perseguido, se eu não tivesse o pressionado, se eu não fosse esse idiota, nada disso teria acontecido. Eu fui quem mais o machucou, quem mais o maltratou, quem mais o magoou...

– Me perdoe Kuroko. – repousei minha cabeça na cama ao lado do braço dele, deixei-me levar pelo esgotamento mental e apaguei não muito tempo depois.

–x- 4 meses depois, POV TERCEIRA PESSOA.

Pelas semanas que se seguiram, Kagami tinha um rotina fixa: acordava cedo, ia para a aula, treinava e seguia para o hospital onde passava a maior parte de seu tempo, tinha feito amizade com os funcionários de tanto que frequentava o lugar, sentava-se na mesma poltrona, e pegava um diário em cima da mesa perto do leito de Kuroko aonde escrevia nas muitas horas que duravam a sua estadia.

No diário, detalhava tudo o que acontecia na universidade Teiko, para que quando o menor acordasse, soubesse de tudo que ocorreu no período em que ficara desacordado, um dia por semana Kise e Midorima também faziam visitas à Kuroko. Nestes dias, o ruivo evitava ir visitar Kuroko devido as várias discussões que teve no decorrer dos meses com Midorima.

Sempre antes de partir, Kagami deixava flores novas em um vaso na mesa ao lado do leito, geralmente margaridas, e o diário logo ao lado, tal que tinha na sua capa escrito “Leia-me quando acordar”. O ruivo sempre chegava ao quarto com a esperança que Kuroko estivesse sentado na cama com o diário em mãos lendo-o atenciosamente, porém a cada dia que se arrastava suas esperanças diminuíam, até que chegamos ao dia atual. Dia da visita de Midorima e Kise, consequentemente Kagami estava bem longe dali, no campus para ser exato.

Os visitantes de Kuroko encontravam-se em perfeito silencio, o loiro encarava as flores que Kagami outrora deixara ali, enquanto o outro fitava a janela, cada um imerso em seu mundo particular, até que uma coisa anormal aconteceu. O rapaz desmaiado abriu os olhos, espantando os demais presentes no quarto.

– Onde... Estou? – O menor perguntou olhando ao redor.

– Está no hospital, que bom que acordou! – Midorima atirou-se em Kuroko, imaginava varias vezes aquela situação, porém agora não sabia ao certo o que fazer. – Chame o médico Watt Kise!

O azulado se desvencilhou do outro.

– Quem é você? – Indagou ao maior.

– Sou eu! Midorima! Não se lembra de mim? – O rapaz começava a ficar desesperado, exatamente quando o médico chegou.

– Afaste-se dele. – O médico ordenou antes de começar a fazer uma série de checagens no paciente.

– Ligue para o Kagami. – Midorima falou para o loiro assim que ele entrou no quarto.

– Acabei de fazer isso, ele está chegando. – Informou.

Não demorou muito e um ruivo sorridente invadiu o quarto.

– Ele acordou? – Achou a própria resposta quando viu Kuroko sentado na cama. – Ainda bem.

– espere Kagami! – Doutor Watt tentou evitar porém o ruivo já tinha abraçado o menor sem conter as lágrimas.

– Me solta! – Kuroko afastou-se do maior. – Quem é você?

– Não brinca comigo! – Kagami abriu um sorriso, vendo que Kuroko não o acompanhou olhou desamparado para o médico.

– Parece que ele não se lembra de nada dos últimos meses antes do acidente. Não sei se vai recupera-la, agora vamos lá fora conversar melhor.

Todos se retiraram deixando apenas o pequeno Kuroko atordoado que, sem alternativa deitou-se novamente, ao reparar na mesa ao lado, percebeu as flores e o diário. O que estava na capa chamou-lhe a atenção, abriu-o lendo a primeira pagina.

Hoje foi mais um dia chato, mas você adoraria a matéria que nos foi ensinada, provavelmente entenderia em um minuto, enquanto eu, em uma hora não tinha a menor ideia do que se tratava...” Aquilo arrancou uma pequena risada do azulado que continuou com a leitura “Bem, na hora do recreio teve uma briga, dois nerd disputavam o títulos de mais inteligente, tenho certeza que você ganharia deles facilmente, hoje teve também o primeiro jogo do torneio especial, ganhamos por um placar de 47 a 48, isso nunca tinha acontecido antes, isso nos motivou ainda mais. Adoraria te ver na arquibancada torcendo por mim...”.

Enquanto isso do outro lado da porta uma discussão sobre Kuroko era travada entre Midorima e Kagami, Kise tentava apartar inutilmente, os dois só se calaram com o barulho da porta sendo aberta revelando Kuroko que abraçava fortemente o diário contra o peito.

– Volte para o quarto mocinho! – Uma enfermeira gordinha falou com a voz melosa.

– Não. – Respondeu Kuroko.

– Mas você precisa. – Insistiu a mulher.

– Eu volto, com uma condição. – O azulado fez um biquinho feito uma criança mimada.

– E qual é? – A enfermeira deixava transparecer sua impaciência.

– Quero ver Kagami jogar! – Aportou ainda mais o diário contra si, aquilo pegou todos de surpresa, arrancando um sorriso de Kagami.

– Isso você pode fazer depois. – Ela tentava arrasta-lo para o quarto, ele não se movia nem um centímetro.

– Me leva no seu jogo! – Dirigiu-se a Kagami que se aproximou do pequeno.

– Eu te levo, assim que tiver a chance, agora volte para o quarto.

O ruivo sorria, as lágrimas lavavam seu rosto, porém estas eram diferentes das outras. Eram de felicidade.

– Okay?

– Okay.

Notas finais
Cena fofa usando uma pequena parte da famosa conversa de A Culpa é das Estrelas :v