Amor Universitário
11 Capítulo 11 - Hora da virada.
Notas iniciais
POV KUROKO
– Kagami, você vai ser papai, estou grávida. – Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça, como assim Kagami vai ser pai?
– O QUEEEEE? IMPOSSIVEL, EU NEM FUI PRA CAMA COM VOCÊ! – Kagami gritou apontando um dedo para a rosada, e eu fiquei ali, estático sem saber o que fazer. – Não acredite nela Kuroko!
Todos gritavam com a novidade de Momoi, extremamente felizes, como eu não percebi isso? Kagami só brincou comigo, desde o começo, por mais que ele mal tratasse a mim e Midorima sempre achei que ele poderia ter um bom coração, que apesar de toda a loucura que o perturbava, ele poderia ser bom. Porém todos estavam certos, eu apenas me enganei todo esse tempo, quando vi que seria o colega de quarto do ruivo meu coração disparou, isso nunca tinha acontecido comigo, mas quando comecei a andar com Midorima e Kise eles me falaram das coisas horríveis que ele fazia não quis acreditar, pensei que por trás daquilo tudo havia um Kagami legal. Eu estava errado para variar, depois do que ele fez no dia que fomos ao necrotério, pensei ter atingido o coração dele, mais um erro. E ainda teve a nossa noite, realmente tudo devia ter sido um plano para me levar para a cama, ou melhor, para o sofá. Ele estava certo eu realmente fui a putinha da escola no momento em que pensei em me entregar para ele, mas agora as coisas vão mudar, não serei mais aquele Kuroko indiferente que aguenta tudo! Vou me transformar naquilo que Kagami mais vai odiar, vou ser como ele. Vou acabar com ele, ninguém me ilude e sai arrumando filhos por ai, mais agora isso vai mudar, vou me transformar no pior pesadelo de Kagami, vou fazê-lo sofrer como ele me fez, agora é a hora da virada, não sou fácil de irritar mais quando isso acontece é como assinar seu atestado de óbito.
Sai daquele local tendo que ser rápido para não trombar em nenhuma pessoa que dançava, fui seguido de perto por Kagami que me gritava a todo momento, quando estávamos do lado de fora, fiquei de costas para o ruivo que não parava de dizer desculpas tolas.
– Não sei como isso aconteceu, nem me lembro como isso aconteceu! – Não me virei para olha-lo, as lagrimas já faziam arder meus olhos. – Kuroko olha para mim, a gente vai superar isso! Se o filho for mesmo meu eu assumo e continuo com você só não me deixe.
Me virei lentamente, e canalizei toda a mágoa, raiva, frustração e dor em um único tapa que acertou a face de Kagami em cheio.
– Não vou ser feito de trouxa por você de novo, acabou nunca mais vou me entregar em seus braços!
As lágrimas rolavam livremente, não tentava segura-las mais, fui forte por tempo suficiente, sai correndo e desta vez Kagami não me seguiu, dei uma pequena olhada para trás, ele estava parado com a mão aonde eu tinha atingido-o, com o olhar perdido. Segui em frente sem olhar para trás novamente, agora será assim, um novo Kuroko para um velho e imudável Kagami.
Não queria ir para o quarto e vê-lo novamente, não consigo encara-lo hoje, fiz o caminho até um outro dormitório tão frequentado por mim até alguns poucos dias atrás, bati na porta sendo atendido após pouco tempo de espera por um Midorima sonolento.
– Kuroko o que faz aqui? – coçou os olhos por trás dos óculos.
– Preciso de você! Cadê o Kise? – Entrei no quarto sem ser convidado.
– Saiu, acho que vai passar a noite fora. – Os dois eram colegas de quarto. – Mais o que aconteceu com você?
– O idiota do Kagami para variar! – Sentei na cama que pertencia à Midorima.
– O que ele fez desta vez? – O maior rangeu os dentes sentando ao meu lado.
– Ele vai ser pai, aquela vaca da Momoi ta grávida dele! – Rosnei com raiva de volta.
– Eu sabia que ele não valia nada. – Não se deu o trabalho de esconder o sorriso vitorioso, continuando com uma voz rouca. – Então você veio aqui procurando esquecer ele?
– Hoje não, estou totalmente fora do clima, só quero deitar aqui com você e dormir. – Desabafei com uma voz manhosa, as lágrimas ameaçando cair novamente.
– Tem certeza? – Mordeu meu pescoço causando-me um arrepio.
– Tenho hoje não Midorima talvez outro dia. – Deite-me na cama, sendo seguido pelo outro, repousei minha cabeça no peito do maior.
– Esta bem, lembre-se de uma coisa, ele não merece suas lágrimas. – Beijos o topo da minha cabeça murmurando um “Boa Noite”.
Fiquei ali, de olhos fechados tentando não ceder ao impulso de voltar para meu quarto, deitar-me com Kagami e falar que tudo estava bem, que a gente iria superar aquilo, e que eu não ligava se a vadia estava grávida, mas não posso fazer isso, não vou seguir esses sentimentos, amanhã quando amanhecer vou ser um novo Kuroko e Kagami vai ficar ajoelhado aos meus pés, adormeci depois de um bom tempo.
–x-
Acordei com o despertador de Midorima, ele ofereceu-me uma roupa para que eu não tivesse que ir ao meu quarto, recusei e fui até o meu quarto, parei na frente da porta, demorando alguns segundo para girar a maçaneta, pedindo mentalmente para que o ruivo estivesse desmaiado como sempre nesse horário, graças a todos os deuses foi isso que aconteceu, Kagami estava espalhado em sua cama roncando escandalosamente, sem fazer nenhum barulho, dei comida para o cachorrinho que ainda não escolhi um nome, tomei um banho, me arrumei para a aula e me retirei apressadamente.
Ao chegar na aula fui como sempre para o mesmo lugar, Midorima já me esperava no lugar ao lado, o professor logo chegou então nem nos falamos, dado o início da aula foi como sempre, eu entendia as matérias facilmente não tinha que me esforçar muito, ao fim da aula fui para o refeitório juntamente com Midorima, pegamos nossos almoços e sentamos em uma mesa.
– Já viu ele? – Ele começou a conversa sobre o ruivo que assolava minha vida.
– Ele estava dormindo, vamos mudar de assunto? – Não queria remexer naquilo, não era necessário.
– Esta bem, o que acha de ir apoiar Kise no próximo jogo? – Ele tentava desesperadamente manter minha atenção presa nele.
– Pode ser. – Brincava com a comida, sem estar com fome, até que ouvi uma voz atrás de mim, uma voz tão conhecida, uma voz que me arrepiou.
– Kuroko, posso falar com você? – Kagami pronunciou baixo.
– Não tenho nada para falar com você. – Respondi de forma grossa.
– Mais eu tenho! – Levantou o tom de voz, não aguentei, fiquei de pé de frente para o ruivo enquanto fuzilava-o com o olhar.
– Não venha querendo falar alto comigo, seu cabeça de fósforo! Não sou sua namoradinha que quando você estala os dedos vai correndo atrás abanando o rabinho! – Gritei em um acesso de raiva.
– Não quis dizer isso... – Diminuiu o tom, porém era tarde demais, já tinha me tirado do sério.
– Quis sim, e meu queridinho, se você acha que pode me tratar assim está muito errado! Agora vai lá com a vadia que você chama de namorada e me deixa em paz. – Virei-me pronto para sentar de volta no meu lugar, mais Kagami segurou meu braço, nessa altura tínhamos toda a atenção do refeitório.
– Vamos conversar, tem como superar isso...
– Mais eu já superei isso, eu não quero mais falar com você! E espero que você me faça um favor... SUMA DA MINHA VIDA! Entendeu? – Ele muito assustado abaixou a cabeça e saiu de perto de mim.
Todos olhavam assustado para mim, até mesmo Midorima, eu nunca fui de brigar ou fazer escândalo, mas agora é assim, o velho Kuroko está morto e enterrado, agora sou um novo Kuroko que não leva desaforo para casa, e principalmente, vou fazer aquele ruivo maldito querer se matar por ter me enganado e me feito sofrer!
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