Amor Universitário
42 Capítulo 41 - Consequências
Notas iniciais
Quando meus ouvidos recuperaram-se do barulho causado pelo disparo, minha primeira reação foi levar a mão à coxa. Constatei que não havia sangue ali, nem no resto do meu corpo, a dor havia sido apenas como se eu tivesse precipitado a possível ação de Takao. Espere ai, se o tiro não foi em mim então quer dizer... Olhei para frente, não acreditando no que meus olhos viam, Midorima estava caído, suas mãos apertavam sua barriga, o sangue ensopava suas mãos, Takao estava ajoelhado ao lado de Midorima, acariciando seus cabelos.
– Me desculpe Shin-chan, tudo isso foi por você... – As lagrimas dele pingavam em Midorima que ainda tinha uma feição de surpresa.
– Você... Você... Atirou em mim... – Sua voz saiu um pouco mais alta que um sussurro, aproximei-me dos dois, meu coração disparado, não pode ser! Por mais que o outro tivesse feito mal a mim, não queria vê-lo morrer ali, apanhei meu celular, liguei para a emergência, falaram que uma ambulância estava a caminho.
Olhei para os lados, desesperado, eu tinha que fazer alguma coisa! Meu coração martelava forte em meu peito, levei uma das mãos ao meu cabelo, puxando-o desesperado, até que novamente a voz de Midorima se fez presente, atraindo toda a minha atenção.
– Quem diria... O rei foi traído por seu próprio cavalo. – Encarou o teto do local, um pequeno sorriso formou-se em seus lábios, seus olhos se fecharam. – Mais uma vez, você me salvou de mim mesmo... – Sua voz saiu um pouco mais firme.
– É nisto que consiste o amor, fazer o que for preciso. – Takao continuou a acariciar as madeixas de Midorima, como se fosse um ultimo adeus e de fato era.
– E você Kagami... Cuide bem dele... – Fez uma careta de dor, fiquei ao lado oposto onde o moreno estava, fiz um esforço para ajoelhar-me ao seu lado. – Ele sempre preferiu você... Agora verei... Se existe vida após a morte...
Seus olhos se mantinham fechados, seus músculos foram relaxando, até que a mão que estancava o sangue caiu ao lado do corpo. O moreno com os olhos mareados levantou-se, ficou de costas para mim que ainda estava ao lado do corpo.
– Agora irei sumir, serei um foragido, nunca mais irá me ver. Só lhe peço uma ultima coisa, providencie um enterro descente para ele. – Suas falas pareciam que foi ensaiada, a voz dele permanecia firme, porém distante.
– Está bem. – Foi o que consegui falar, minha cabeça não raciocinava direito, acabei de ver um cara ser morto! E agora estou concordando em deixar o assassino fugir? Será que deixei meu bom senso lá na universidade? Talvez fosse gratidão, sei que se não fosse ele, seria eu que estaria estirado ali no chão.
As sirenes da ambulância começaram a ecoar, chegariam em alguns míseros minutos, Takao correu para fora da construção, tudo havia acabado? De uma vez por todas? A porta foi invadida por meia dúzia de policiais e depois três enfermeiros, estes se apressaram a checar a pulsação de Midorima, não encontraram nada, os policiais me afastaram do corpo, algemaram-me e me levaram para a viatura. As coisas pareciam tão impossíveis que nem sequer protestei, apenas fui em silêncio.
Um policial entrou na viatura com a arma dentro de um saco de evidências, assim dois policiais me levaram para a delegacia, chagando lá Monroe me recepcionou.
– O que ele fez? – Dirigiu-se aos outros policiais, uma expressão surpresa reinava em suas feições.
– Suspeito de assassinato. – O homem respondeu enquanto me arrancava da viatura sem qualquer carinho.
– Não é possível! Assassinato de quem? – Monroe acompanhou-nos enquanto o policial me guiava com as mãos apertando as algemas.
– Midorima Shintarou, o fugitivo. – Ouvi o detetive murmurar algo, no mesmo instante parou de nos acompanhar, ficando para trás.
Levaram-me para uma sela, todos me encaravam com escárnio. O policial retirou as algemas e me jogou dentro do cubículo. Esfreguei com as mãos os meus pulsos que foram machucados pelas algemas.
– Vai aguardar aqui até a hora do seu interrogatório. – O homem falou e logo se retirou. As palavras entalaram na minha garganta, meu corpo estava em estado de choque.
Sentei-me na cama que ali havia, minhas mãos tremiam, meu coração pulsava fortemente, não sabia o que fazer. Não sabia se gritava e alegava minha inocência ou se apenas ficava ali quieto esperando a hora certa de falar. Por falta de escolha e por chegar a conclusão que a primeira opção apenas me faria gastar energia, permaneci sentado, com o barulho dos meus pensamentos.
Relembrei mais uma vez o barulho, o grito, todo o sangue. Dos meus olhos começaram a sair lagrimas sem cessar. Então é nisto que consiste a vida? Algo tão insignificante e ínfimo que a qualquer momento podem tirá-la de você? Se existe algo maior do que nós, por que permite tal coisa? Os homens têm direto de julgar seus semelhantes e decretar que estes são culpados ou inocentes e com suas próprias mãos aplicar a pena de morte? Se fosse eu estirado naquele chão sem chance de viver mais um dia, o que teria deixado como contribuição para esse mundo? Seria apenas o atleta infeliz que fora assassinado, lembrariam durante uma semana e depois cairia no esquecimento total.
Somos tão frágeis quanto uma formiga, tentamos conquistar o mundo com nossas mãos, porém não vemos que quanto mais nos erguemos mais o mundo nos apequenará, nos mostrando nossa insignificância e como uma pequena e indefesa formiga acaba conosco.
Não queria que fosse meu fim, queria voltar para os dias tranqüilos, que a rotina chata da universidade era a única coisa a me atormentar, olhei para o teto, meu rosto banhado em lágrimas, muitos pensamentos me atormentavam tudo vindo como um turbilhão, toda a força que demonstrara até ali se extinguiu totalmente, me sentia como uma criança indefesa, talvez eu realmente fosse.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, uma voz preencheu o silencio torturante.
– Vamos, está na hora. – Abriu a cela, me algemou e me levou para a sala de interrogatório.
Já havia estado ali, mas não na posição de interrogado, entrou um homem alto e robusto, provavelmente não mandaram Monroe pelo nosso envolvimento.
– Olá Kagami. – Tentei responder, mas minha voz não saiu então o homem continuou. – Sou o interrogador White, quer me contar o que aconteceu? – Seu tom era manso, estava tentando conseguir minha confiança.
– Não fui eu. – Minha voz saiu como um urro parecia que não falava a dois anos completos.
– Então quem foi Kagami? Só tinha você e a vítima no local.
– Arma... A arma tem as digitais. – Agora soou um pouco mais firme.
– Então está tão confiante a ponto de confiar nas provas? Mas tenho que lhe avisar, suas digitais foram encontradas na arma. – Um blefe, estava tentando me fazer confessar algo que não fiz, ergui as mãos que estavam algemadas em meu colo, coloquei-as sobre a mesa.
– Pode procurar pólvora. – O homem dirigiu-me um olhar irritado e saiu da sala, voltando minutos depois acompanhado de uma mulher loira que carregava uma maleta, esta tirou um liquido de lá, molhou algo que parecia um papel ou um tecido muito fino, passou em minhas mãos e encarou o material.
– Sem pólvora. – Guardou o que havia tirado de sua maleta.
– Não é possível! Faça mais uma vez! – O detetive mostrava irritação.
– Se tivesse pólvora, o papel adotaria uma coloração rosa, se não indicou pólvora na primeira vez, é inútil fazer novamente. – Retirou-se da sala, White sentou-se irritado.
– Como fez isso em garoto? Como se livrou da pólvora?
– Não atirei em Midorima, sou inocente já falei. – Encarei a mesa, ouvi o homem bufar.
– Se não foi você, então quem foi?
– Não confia em seu departamento? Já falei, as digitais estão na arma, agora façam o seu trabalho e descubram. – Levantei-me indo até a porta, esperei um policial surgir e levar-me novamente ao cubículo que chamavam de sela.
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