Amor Universitário
38 Capítulo 37 - Cativeiro.
Notas iniciais
Uma forte dor de cabeça me atingiu fortemente, parecia que alguém tinha pisoteado minha cabeça, tentei levar a mão à cabeça, porém algemas me impediram, abri os olhos assustado, tentei mover-me novamente, não obtendo sucesso, uma corda prendia meus pés próximos um do outro, olhei em volta, estava em um pequeno cômodo, estava escuro, não vi muito mais do que um criado-mudo que ficava ao lado da cama que eu estava preso, minhas mãos estava preso por algemas na cabeceira de metal da cama, aos poucos consegui lembrar do que acontecera, tinha sido aquele garoto! Ele tinha falado comigo com aquele assunto estranho de amor e o que eu faria por causa deste sentimento, cerrei os olhos tentando enxergar melhor, não ajudou muito.
Respirei fundo, fechei os olhos, tinha que me manter calmo, qualquer deslize com aquele cara poderia resultar em um final trágico, acalmei meus batimentos cardíacos, tentei pensar em uma saída lógica e sem riscos, não havia nenhuma. Fiquei um pouco de lado, constatando que meu celular estava no meu bolso ainda, o fato do aparelho ainda estar comigo, mostrava que ele não era experiente em sequestros, qualquer sequestrador (ou qualquer pessoa que tinha visto filmes policiais) sabia que tem que retirar qualquer forma de a pessoa se comunicar de perto dela.
Tentei mover-me de modo que o celular caísse para fora do bolso, quando pude enxergar minimamente que ele sairia, a porta se abriu devagar com um longo rangido, me virei violentamente para o outro lado, o celular voltou para o fundo do meu bolso, a luz foi acesa. Pisquei varias vezes enquanto me acostumava com a claridade.
– Então você já acordou? – Sua voz saiu calma, ele trazia consigo uma cadeira que a colocou ao lado da cama, sentou-se em seguida.
– Quem e você? – Ri internamente, era sempre a mesma pergunta feita nos filmes.
– Não sei se isso realmente importa. – Sorriu.
– Por que está fazendo isto? – Novamente a pergunta dos filmes.
– Amor. – Encarou o chão, seu sorriso morreu.
– Se é amor, não precisaria fazer estas maldades! Quem ama não usa o amor com maldade. – Seus olhos se arregalaram, encarou-me confuso.
– Não... Não importa... Tudo pelo Shin-chan. – Desviou o olhar, encarou suas mãos. – Eu já fiz demais... Não posso abandoná-lo, não agora que estou tão perto de tê-lo...
– Quem é este Shin-chan? – Enrolar ele é minha única opção agora.
– Você o conhece... – Ainda encarava suas mãos.
– Shin-chan... Shin-chan... Shintarou... Midorima Shintarou... Espera ai! É do Midorima que estamos falando? – Devagar consegui completar o raciocínio, tudo se iluminou como uma árvore de natal em minha cabeça, agora tudo se encaixava.
– Sim... O meu Shin-chan – Sorriu fraco.
– Você sabe que está fazendo o papel de dama apaixonada pelo vagabundo? Justo o Midorima? – Revirei os olhos.
– Ele é uma boa pessoa! Mas por causa daquele idiota de cabelos azuis e de você ele mudou. – Suas feições mudaram, transmitia seu ódio na forma mais pura.
– Eu levo o tiro, quase morro, sou atormentado e sequestrado! Ainda acha que eu sou o vilão? – Não desviei o olhar dos seus olhos, meu tom era de deboche.
– Cuidado com as suas palavras. – Se aproximou, enquanto falava, não parecia o mesmo garoto de antes, levantou e abandonou o cômodo, batendo a porta as suas costas.
Desta vez ele deixou a luz acesa, olhou em volta, o cômodo era arrumado, demonstrava uma compulsão por limpeza, no criado-mudo havia uma fotografia, de dois garotos, um de cabelos verdes e óculos que estava emburrado enquanto um garoto moreno abraçava-o pelo pescoço. Não tinha dúvidas de quem eram.
Recomecei a me agitar na cama, tentando fazer o celular sair do meu bolso, depois de muito esforço, metade dele estava para fora, em mais um movimento ele caiu ao lado da minha cintura, olhei em volta, tentando imaginar alguma forma de trazer ele para perto do meu rosto. Devido as algemas e a corda, meus movimentos eram limitados, dobrei um pouco a perna, meu tornozelo foi ainda mais apertado pelas amarras, com o joelho empurrei o celular um pouco para cima, esticando minha perna novamente diminuindo o aperto.
Olhei em volta procurando algo que me auxiliasse, um cabide se encontrava próximo, em cima do criado mudo. Forcei meu pulso contra a algema, cortando a pele superficialmente, mordi o lábio inferior, a dor só aumentava enquanto eu forçava ainda mais, toquei a ponta do cabide, com mais um pouco de esforço segurei-o com as pontas dos dedos, o trouxe para cima da cama, tentei alcançar o celular com o cabide, não obtive sucesso, forcei novamente a perna contra as amarras, com o joelho consegui empurrar o celular mais para cima, então tentei novamente com o cabide, com mais esforço consigo trazê-lo ate a altura do meu peito, ouvi passos se aproximando, joguei o cabide a onde havia pegado, deitei-me em cima do celular no mesmo momento que a porta foi aberta. O outro entrou no quarto, trazendo um copo de água e um sanduíche, colocou sobre o criado mudo e abriu a algema.
– Não pense em tentar nada, te mato antes de ter chance de gritar. – Uma faca cintilava em sua cintura. Massageei os pulsos, principalmente onde as algemas haviam machucado. – Coma.
Em silencio fiz o que era mandado, fingi que ia massagear minha perna ferida e aproveitei para esconder o celular debaixo do travesseiro. Terminei de comer o sanduíche de pasta de amendoim, tomei todo o conteúdo do copo e ofereci meus punhos para serem presos novamente, ele fez um aceno que era para eu me deitar, sem demora obedeci, após me prender novamente saiu do quarto.
Esperei um pouco para ter certeza que ele não entraria novamente, movi a minha cabeça e com esforço joguei o travesseiro no chão, ajeitei o celular para que ficasse do lado do meu rosto, usei o queixo para apertar uma tecla qualquer, após a luz do visor acender, apertei a tecla com o número um, automaticamente apareceu o numero de Kuroko, com um pouco mais de esforço apertei a tecla verde, depois de dois toques ele atendeu.
– Kuroko, estou em apuros, um cara me sequestrou, não tenho ideia de onde esteja, avise a policia, não posso falar.
– Você está bem? – O desespero estava presente.
A porta se abriu, revelando aquele cara novamente, ele estava com um sorriso no rosto, um sorriso psicótico.
– Você aprontou demais Kagami. – Aproximou-se com rapidez, posicionou a faca em minha garganta.
– Kagami... Kagami! – Conseguia ouvir a voz de Kuroko do outro lado da linha, o outro tomou o celular com a mão livre.
– O Kagami não está disponível agora. E talvez nunca mais esteja. – Terminou a ligação.
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