Amor Universitário
37 Capítulo 36 - O rapto.
Notas iniciais
POV MIDORIMA
Soaram as sirenes indicando que era à hora de levantar, sentei-me na cama, que era basicamente uma placa de cimento coberta por um colchão fino, se é que chamam aquilo de colchão, meu companheiro de cela, um assassino estuprador que cumprirá prisão perpetua, desceu do beliche ficando prontamente na grade, logo os agentes carcerários iriam passar deixando o que eles chamam de café da manhã, se baseavam em pão com manteiga, às vezes sem a manteiga e também uma caneca com suco ou água, eles não faziam à mínima questão de tratar bem seus detentos.
Levantei-me de vez, fiquei ao lado de Clowney, não sei se era o real nome dele, porém era como o chamavam. Vimos no final do corredor os homens trazendo o café da manhã, o pão ficava em um saco transparente que um deles carregava no braço, o outro se ocupava com o suco, que era armazenado em um pequeno tambor que era levado com um carrinho, ele parava na frente da sala, pegava duas canecas, as enchia e entregava para os detentos.
Não demorou a chegaram a minha cela, peguei o suco e o pão, sentei-me na cama novamente, tinha uma pequena mesa na cela, porém Clowney deixara claro que não gosta de dividi-la.
Comi em silencio, meu companheiro me observava a todo instante, como se eu fosse tirar uma arma e matá-lo, isso nutria meu ego, ser temido até por um dos mais perigosos criminosos.
Passaram-se cerca de uma hora, então as celas foram abertas por um mecanismo eletrônico, todos os presos saíram caminhando devagar até o pátio, não fiz diferente, éramos observados pelos agentes carcerários e também por câmeras que monitoravam cada um dos nossos passos.
O banho de sol durava em média uma hora, ficávamos no pátio enquanto guardar armados nos observava, eles eram orientados que ao menor sintoma de briga eram para atirar sem piedade.
Sentei em uma mesa isolada do resto do pátio, tinha um pedaço de papel pregado em baixo dela com um pedaço de fita, olhei em volta, nenhum detento prestava atenção, arranquei-o, deixando sobre o meu colo, com letras caprichadas estava escrito “O passo um foi executado com sucesso, partirei para o passo dois e então ficaremos juntos Shin-chan”.
Aquele apelido bobo, nunca gostei dele, porém aquele idiota insistia em chamar-me assim. Eu devia me sentir mal por usar Takao desta forma... É eu deveria, porém o que sinto é um eterno vazio, ele é apenas uma das engrenagens para que meus planos sejam executados, assim que essa engrenagem não for mais útil, o passo mais obvio é eliminá-la. Farei isso sem um pingo de remorso, afinal quem ama esta disposto a morrer pela outra pessoa não?
Amassei o papel e coloquei em meu bolso, mais tarde jogaria na privada eliminando assim a sua existência. Às vezes me pego imaginando, o que me fez virar esta pessoa que sou, se foram meus pais, a vida ou até mesmo aquele casal desprezível formado por Kagami e Kuroko. Mas como não sei, vou agradecer a todos, não tem nada melhor que uma vida sem amor, uma vida egoísta, uma vida em que você é o centro e nada mais, sem se preocupar com outra pessoa a menos que ela seja uma peça em meu jogo de xadrez, logo me verei livre desta prisão, terminarei o que comecei e então, eliminarei todas as peças desnecessárias.
Ao julgar pela posição do Sol, a parte dois do plano já entrou em prática...
POV KAGAMI
Fomos embora em total silencio, querendo ou não, os últimos acontecimentos me abalaram muito, por um só momento eu queria poder tirar esta mascara que vesti, esta mascara que parece que não me afeto por nada, esta mascara que agora mais parece um fardo a ser carregado, um fardo pesado demais para ser carregado.
Estávamos passando na frente da praça do centro da cidade, apertei o botão que avisa para o motorista que era para parar no próximo ponto, fui até a porta, Kuroko me acompanhou, apenas olhei para ele e balancei a cabeça negativamente, queria ficar sozinho com meus pensamentos. A porta se abriu, desci e não fui seguido pelo azulado, que apenas encarou-me da janela do ônibus, assim que este partiu, analisei o local, estava cheio de crianças e pais que observavam a distancia os filhos, olhei para os lados procurando um banco para sentar, achei um bem afastado, parecia que todos evitavam aquele local.
Quando finalmente cheguei, sentei-me deixando as muletas entre as pernas, apoiei a cabeça nelas, cerrei os olhos, como estou sendo dramático! Se isso fosse a alguns meses atrás eu apenas ignoraria e fingiria que não era comigo, assim que superei todas as coisas que meu pai fez, assim como tudo que acontecia na minha vida, tudo era ignorado e eu conseguia manter a pose de impenetrável, que nada atingia o meu coração, até que veio Kuroko, ele me descascou como uma cebola, camada por camada, ele quebrou cada uma das minhas defesas que tanto julguei serem impenetráveis.
Mas agora não adiantava mais, todo o estrago estava feito, sem ele a vida parece um erro, eu que priorizava a falta de sentimentos, fui totalmente arrebatado pelo amor, que antes associava a sofrimento, mas não é a verdade. O amor por si só é um sentimento puro, sem maldade, é algo que nos ajuda a melhorar e atingir nossa excelência, são as pessoas que o fazem virar algo que causa sofrimento, quando na realidade, amor é o que acaba com o sofrimento.
Assim como Yamato, ele foi um ser cheio de amor, acabando com meu sofrimento, o amor é a luz que só ilumina quem permite, aos poucos entendi isso. Uma lagrima teimosa escapou, morrendo ao tocar na muleta, um garoto que deveria ter a minha idade sentou-se do meu lado, ficou um tempo olhando para o lado oposto em que eu estava, abriu e fechou a boca algumas vezes procurando algo para falar.
– Oi. – Ele iniciou um dialogo, seus cabelos eram pretos e bem cortados, tinha um belo sorriso, ainda evitava encarar-me.
– Olá.
– Você ama alguém? – Entranhei a pergunta, porém assenti. – Você faria qualquer coisa por ela?
– Já levei dois tiros por ele. – Encarei minha perna. – Então acho que sim.
– Então entenderá o que estou fazendo. – Aproximou rudemente um pano do meu nariz e da minha boca, emanava um cheiro muito forte, me debati, tentei gritar por ajuda e tentei resistir, porém não foi suficiente, senti meus sentidos me deixando, assim como a minha consciência, tudo ficou escuro.
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