Amor Universitário
14 Capítulo 14 - Duvidas e inseguranças.
Notas iniciais
POV Kuroko
Acordar naquela cama de hospital e não saber de nada foi horrível, e em vez de ter os meus pais ao meu lado tinha um rapaz com cabelos esverdeados e óculos que me abraçou como se fossemos íntimos, depois aquele ruivo também apareceu, por motivos que desconheço, meu coração disparou quando o viu, mas também ficou apertado, algo me diz que esse Kagami é de muita importância na minha vida, agora eu estou aqui, nesse quarto de hospital sozinho, o doutor forçou todos a irem embora alegando que eu precisava descansar, e que os eventos de hoje foram demais para mim, não discordo dele totalmente, realmente estava com uma dor de cabeça imensa, que nem os remédios conseguiram cortar, apesar de estar sonolento por causa dos sedativos mesmo assim ainda não consigo dormir, apenas fico aqui com o diário que Kagami se deu ao trabalho de me escrever, apesar de eu não lembrar de nada a o fato de ter algo para me falar destes quatro meses que fiquei aqui nesse hospital me da ainda mais vontade de me lembrar de tudo o que aconteceu e tenho certeza que o ruivo vai me ajudar.
Pelo o que eu li, somos colegas de quarto, não vejo a hora de poder voltar para essa universidade que, pelo o que me falaram é a melhor da região, realmente dedicar todo o meu tempo aos estudos me ajudou em alguma coisa, apesar de não ter a lembrança do meu primeiro dia de aula, nem de nada a respeito. Após um tempo, cedi ao efeito dos remédios e apaguei.
–x-
– Kuroko... Hora do café da manhã. – Uma enfermeira disse fazendo uma voz melosa, abri os olhos me arrependendo em seguida, as persianas estavam abertas, deixando o quarto iluminado até demais. – Vamos Kuroko, daqui a pouco o médico vem te ver.
– Esta bem. – Sentei-me na cama me espreguiçando, tinha uma bandeja com aquela comida deliciosa de hospital, se é me entendem.
Comecei a comer aquilo sem muita vontade, acho que era um mingau de aveia ou algo de tipo, só sei que nunca comi uma coisa tão ruim.
– Bom Dia Kurokochi! – Falou o loiro de ontem quase arrombando a porta.
– Fala baixo seu idiota estamos em um hospital! – O mesmo rapaz de cabelos verdes que pelo o que sei chama-se Midorima entrou atrás.
– Você também esta gritando quatro olhos maldito! – Kagami entrou em seguida, o que gerou um reboliço dentro de mim, em suas mãos estava um buquê de margaridas.
– Todos vocês estão gritando! – A enfermeira falou segurando o riso.
– Que seja... Bom dia Kuroko! – Midorima abriu um pequeno sorriso.
– Bom dia. – Respondi simplesmente.
– Como você está se sentindo? – Kagami se aproximou, com um olhar urgente.
– Estou melhor, apesar de eu não lembrar de nada... Seu diário me ajudou. – Sorri.
– Que bom que não está mal Kurokochi! – Kise me agarrou, fiquei sem graça.
– Larga ele seu idiota! – Midorima puxou o loiro de cima de mim.
– Seu bando de idiotas! E alias Kuroko... Essas flores são para você. – O ruivo corou e virou o rosto, enquanto estendia as flores para mim.
– Obrigado, isso é muito gentil. – Peguei as flores cheirando-as, sentindo o aroma doce.
Os três ficaram ali por um bom tempo até que o doutor me tirou da sala para fazer uma ressonância, ele falou que, se não indicar nenhum tumor ou algo do tipo eu voltarei para a universidade em dois dias! Aquilo me deixou em um estado de euforia, finalmente sairia daquele lugar e tentaria continuar com a minha vida.
Voltei para o quarto e agora só tinha Kagami a minha espera.
– Cadê os outros? – Perguntei.
– Foram embora. – Me respondeu sem olhar-me diretamente.
– Kagami, me diga uma coisa, porque meus pais não vêm me visitar? – O outros arregalou os olhos e em seguida cerrou os punhos.
– Depois te explico tudo ok? – Ele forçou um sorriso, aquilo não me convenceu muito.
– Esta bem, eles estão em viagem? – Insisti.
– Depois eu te explico. – Repetiu, com um pouco de rispidez na voz.
– E porque não agora?
– Porque agora você tem que dormir. – Levantou-se e se dirigiu até a porta. – Até amanhã.
– Mas... Volta aqui! – Gritei, porém ele não voltou mais, fiquei desconfiado, será que meus pais se mudaram e ninguém os avisou? Amanhã tirarei tudo a limpo com o ruivo!
Peguei o diário na mesa, olhei pela janela e o por do sol já pintava o céu com tons de rosa e laranja, abri-o, começando a ler na página que havia parado.
“ Hoje a Momoi fez um escândalo, e o Aomine ajudou-a, falando que eu era um cafajeste e que não valia o chão que pisava. Percebi que Aomine estava mais falando aquilo por eu estar rejeitando-o do que pelos sentimentos de Momoi, ele realmente não prestava! Depois ainda queria ter um relacionamento comigo!” WHAT? Kagami era gay? Como assim? Isso é possível? Ele me pareceu tão másculo, do tipo que adora peitos e não vive sem eles, mesmo atordoado continuei a leitura “ Hoje me peguei lembrando da nossa noite... De como foi especial, queria ter mais um milhão delas com você...” OI? EU SOU GAY? Pera ai, eu sei que sempre reparei nos músculos dos homens e até já tinha beijado meu melhor amigo quando criança, mais fazer amor com um homem? Isso é imensamente errado! Ai o que seria de mim se meus pais descobrissem? Será que sou o namorado do ruivo? Será que é por isso que meu coração dispara quando o vejo? Acabei dormindo em meio a tantas perguntas sem respostas.
–x-
– Acorda preguiçoso! – Ouvi Midorima gritar enquanto abri as persianas sem nenhuma delicadeza.
– Sai daqui! – Falei baixinho cobrindo minha cabeça com a coberta.
– Vamos Kurokochi, está um lindo dia! – Kise me descobriu.
– Hey, devolve isso aqui! – Aumentei o tom de voz, isso realmente está me irritando.
– O deixem em paz! Coitado! – Kagami gritou repreendendo os outros, ao direcionar o meu olhar para ele corei instantaneamente.
– Ui, esta bom mandão – Kise mostrou a língua em um gesto infantil.
– Me falaram que amanhã você vai receber alta! Não é ótimo? – Midorima parecia realmente animado.
– É sim.
Ficamos conversando, ou melhor, Kise Midorima e Kagami brigando e eu apenas concordando e fingindo rir quando se fazia necessário, o ruivo percebeu que eu não estava totalmente a vontade, e lançava olharem discretos a mim, que demonstravam sua preocupação. Eu por minha vez, os evitava sempre. Era por volta das cinco da tarde quando Midorima e Kise foram embora, Kagami ficou alegando que queria conversar um pouco comigo.
– Está tudo bem com você? – Perguntou deixando transparecer toda sua preocupação.
– Sim, eu só preciso te fazer algumas perguntas... – Corei, e fiquei a olhar para as minhas mãos.
– Pode falar.
– Primeiro você é gay? – Kagami deu salto na poltrona, realmente ele não esperava por isso, suas bochechas coraram, ele estava vermelho feito um tomate.
– Bem... Então... É CLARO QUE NÃO! – Respondeu mais sem muita firmeza.
– Segundo, a gente... Bem... A gente namora? – Agora o tomate era eu, o ruivo arregalou os olhos.
– NÃO É CLARO QUE NÃO! – Falou com indignação fingida.
– E a ultima, eu sou gay? – Agora ele não se assustou tanto.
– Ai só você pode se responder. – Abandonou o quarto sem mais uma palavra.
Ele não me ajudou muito, mas pelo menos sei que não sou o namorado dele, mas se isso é tão bom porque meu coração está tão apertado e meus olhos se encheram de lágrimas? Será que sinto algo reprimido por aquele ruivo que tanto se importa comigo?
Deitei-me, apenas queria que amanhã chegasse logo e eu fosse para a universidade, porém ao mesmo tempo estou com tanto medo, o que será que me aguarda na Teiko? Mesmo com medo, amanhã um novo velho mundo me espera.
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