Amor Submerso
1 Capítulo 1: Chegando em Fernando de Noronha
Notas iniciais
Espero que gostem muito do que estou fazendo, é com carinhos sz. Aos leitores que também leram minha fic "Simplesmente" espero que consiga fazer algo a altura.
Finalmente, FINALMENTE férias! Por Deus, eu não pensei que fosse sobreviver a mais um final de semestre na universidade. Era sempre assim, um verdadeiro massacre ao seu espírito e vida social, fazendo com que todos os estudantes universitários anseiem com todas as suas forças o período de férias. Apesar do calendário acadêmico geralmente ser um caos e contra os feriados normais, dessa vez o período de dois meses seria de janeiro a fevereiro. Em pleno verão e carnaval, era o que todo santo da UFRN almejava. E isso incluía a mim, uma humilde estudante de biologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
-Nanda! Vem aqui me ajudar com essa mala ou perderemos a lancha!
Revirei os olhos e sai do meu quarto. Assim como a maioria, eu morava em uma república. Dividia a casa com Lorena, uma simpática nativa de Natal e com Rodrigo, um paulista que mais parecia um legítimo alemão do que brasileiro.
-Eu não pedi para deixar tudo arrumado desde ontem à noite? – reclamei assim que entrei no quarto ao lado do meu – Justamente para que não acontecesse isso, mas não, preferiu ficar de agarração com o Rodrigo até às duas da manhã.
-Ah Fernanda, não enche, não tenho culpa se você está sozinha e carente – Lorena rebateu com um sorriso maroto – Agora me ajude aqui vai.
Resmunguei baixo e comecei a organizar alguns produtos que estavam espalhados pela cama de solteiro. Lorena era como a irmã que eu nunca tive, apesar de bem diferentes em aparência, era quase como gêmeas em termos de gosto. Ela tinha uma pele morena, uma verdadeira mulata, de cabelos lisos e curtos e em um tom escuro igual aos de seus olhos. Era um palmo mais alta que eu e de um sorriso branco digno de um comercial da Colgate. Já eu? Tinha a pele muito branca, cabelos loiros lisos e bem ondulados nas pontas além de ser pintado em estilo californiana em cor azul. Isso mesmo, azul. Eu nunca gostei de um estilo muito normal, então extravasava minha necessidade de ser diferente pintando as pontas de meu cabelo em tons inusitados. Isso começou quando eu tinha 16 anos e tive um surto de adolescente em querer chamar a atenção e pintei as mechas de rosa. O problema é que eu tinha me acostumado com as cores e mesmo que não tivesse mais a crise juvenil ainda mantinha meu cabelo pintado. Meus olhos eram castanhos em um tom de âmbar, a cor não era o mais importante, mas sim o jeito que meus olhos se expressavam.
-Meninas, estão prontas? – uma voz masculina gritou da sala.
-Não porque sua namorada é incompetente com os horários – gritei de volta para Rodrigo.
-Ei! É culpa dele, eu avisei que tinha de arrumar as coisas e ele veio cheio da sedução pro meu lado! – Lorena tratou de se defender, fechando por fim a sua mala – Agora eu só vou tomar um banho, é rápido!
Apenas acenei com a cabeça e sai do quarto dela descendo as escadas para chegar a sala onde Rodrigo estava. Ele era um garoto extremamente alto, se não me engano tinha um metro e noventa e seis. Mas isso apenas fazia daquele garoto desastrado mais fatalmente atrapalhado do que já o era por natureza. Rodrigo tinha descendência alemã, seus cabelos eram loiros bem claros e os olhos azuis escuro, robusto e de um corpo definido. Assim que ele me viu abriu um sorriso enorme exibindo suas covinhas nas bochechas.
-Legal de seu tio ter convidado a gente, sempre quis conhecer Fernando de Noronha – Rodrigo mais uma vez comentava sobre isso.
-Relaxe Roh, você só não foi antes porque não era namorado oficial da Lorena – fiz um gesto com a mão do tipo “deixa para lá” e me joguei no nosso sofá velho e verde – Espero que tenha comprado o protetor solar fator 200.
-Muito engraçadinha... Comprei o 100, serve? – ele olhou para os próprios braços brancos – É muito castigo eu gostar de praia e ter essa pele.
-É a justiça divina – brinquei com ele e desviei de uma almofada voadora que ele arremessou.
Antes que eu pudesse revidar o meu celular tocou. Olhei para o visor do smartphone e sorri ao ver a foto de Eric e o seu número no visor. Fiz um gesto pondo o dedo indicador nos lábios pedindo por silêncio. Rodrigo deu de ombros e subiu as escadas indo provavelmente para seu quarto.
-Fala primo – cumprimentei assim que atendi a ligação.
-Espero que já estejam vindo! – Eric exclamou do outro lado – Eu estou com muitas saudades de minha pequena.
-Sei, está é esperando por meu trabalho escravo, você sempre me obriga a te ajudar no trabalho quando vou para Noronha – acusei e sorri – Como estão os tios?
-Ansiosos, faz quase um mês que você não vem para ilha então se prepare para a festa que eles vão fazer.
Acabei rindo do tom tedioso de Eric, sabia que isso era puro ciúme de um filho mimado. Apesar de me amar, sempre houve essa pequena tensão implícita entre nós. Fui criada por meus tios desde pequena, meus pais haviam sofrido um acidente e morrido então meu tio Saulo, irmão de seu pai, adotou-me e me criou como um verdadeiro pai faria. Desde cedo eu sempre soube a verdade, tive minhas crises por causa disso, mas agora dava graças a Deus por ter uma família tão peculiar. Tio Saulo era dono de um hotel em Fernando de Noronha, o bom nível dava uma estabilidade econômica muito boa para a família e permitia a tia Rita, esposa de Saulo, a fazer o que amava sem se preocupar: era professora do fundamental. Apesar deles dois morarem na ilha praticamente desde sempre, eu e Eric passamos um bom tempo longe deles. Estudei meu ensino médio inteiro no Rio de Janeiro e foi nessa época que descobri meu gosto refinado por mulheres.
Foi um verdadeiro escândalo na época. Tio Saulo foi compreensivo, mas Rita e Eric demoraram a aceitar que eu era homossexual. Tenho de aguentar até hoje algumas piadas de meu primo, mas sempre o rebaixava quando parava para dizer que tinha pegado mais mulheres do que ele. Triste realidade para meu amado e odiado primo.
-Então finalmente vou conhecer a sua garota? – perguntei puxando assunto.
-Ela também está ansiosa para te conhecer, Saulo não falou de outra coisa a semana inteira – Eric respondeu e eu podia imaginá-lo sorrindo do outro lado – Dianna é um amor de pessoa.
Desde o mês passado volta e meia o nome de Dianna aparecia nas conversas entre nós dois. Meu primo estava evidentemente apaixonado, eu só não sabia se a garota também. Ela trabalhava no novo parque temático que abriu ano passado em Fernando de Noronha. Foi um verdadeiro rebuliço desde que o Santuário do Mar foi anunciado como projeto. Líderes ecológicos reclamaram dizendo que poderia agredir a natureza uma construção de tamanho porte, enquanto outros diziam que era necessário para ajudar a preservar e valorizar a fauna da ilha. A situação da natureza era realmente cada vez mais frágil. Mas no fim o parque foi aberto, com direito a oceanário e shows aquáticos com golfinhos e até mesmo uma baleia orca que foi trazida de outro parque dos Estados Unidos. Até onde sabia, Dianna era a treinadora principal. Apesar de brasileira, trabalhou no Miami Seaquarium e se formou por lá em biologia marinha.
-Ok, estou pronta! – Lorena e Rodrigo desceram as escadas já trazendo as malas.
-Pronto Eric, avise por ai que daqui uma hora e meia no máximo estou chegando – avisei ao meu primo e desliguei.
Peguei minhas próprias malas, que já estavam prontas e no canto da sala e fomos até a Ranger prata de Rodrigo. Desde que passei no vestibular para a UFRN minha vida se dividia entre a cidade de Natal e a ilha de Fernando de Noronha. Passava quase sempre qualquer tempo de descanso por lá ou então viajava para o Rio para rever meus amigos cariocas. O fato era que eu sempre amei o mar e não me importava de passar quase o meu tempo inteiro perto de praias ou ilhas. Rodrigo dirigiu diretamente para o cais da cidade onde iriamos pegar uma lancha em direção a ilha. Era mais barato e rápido seguir para Noronha pelo mar, apenas 50 minutos enquanto que de avião seria mais caro por ser um destino incomum e em alta nessa época do ano. Sem contar que eu odiava aviões.
A viagem em si foi tranquila, quase sempre eu ficava ao lado do Capitão Lucas, ele não era de verdade um capitão, mas desde pequena o chamava assim já que era ele quem realizava o translado entre Noronha e Natal. Ele tinha me ensinado tudo o que eu sei sobre pilotar lanchas e algumas vezes até deixava eu no comando da Imperatriz, o nome de sua embarcação. Tio Saulo tinha suas próprias lanchas para a comodidade de seus turistas, mas eu não iria quebrar a tradição de vir com Lucas. Era como um ritual que eu gostava de seguir. Como havia pensado, chegamos mais cedo que o previsto.
-Ei alemão! – chamei Rodrigo do convés superior – Bem vindo ao paraíso!
-Sim, e a uma vida de protetor solar, venha cá que eu já vou passar um pouco – Lorena completou já pegando a sua bolsa.
Ri da careta que o enorme garoto fez e de como ele teve de se abaixar para que a mulata pudesse passar o protetor pelo corpo extremamente branco dele. Lucas avisou que já iriamos atracar no porto da ilha e não demorou mais que quinze minutos para que pisássemos em terra. Peguei meu celular e rapidamente disquei o número de Eric.
-Já chegamos – anunciei animada – Venha logo!
-Certo, daqui quinze minutos estou ai! – ele avisou e desligou.
Fomos para uma barraquinha que tinha ali perto, um lugar com sombra e água de coco. Rodrigo parecia uma criança em um parque de diversão, olhava para tudo e perguntava sobre tudo. Fernando de Noronha era um lugar mágico, eu não poderia culpa-lo, até mesmo o ar dali parecia diferente. Ficamos aqueles minutos planejando as coisas que iriamos fazer durante a semana e logo tínhamos um pequeno roteiro de coisas que iriamos realizar antes de voltar para Natal. Mas logo o jeep wrangler amarelo do hotel Estrela do Mar estacionava ali por perto. Atrás de seu volante saltou um garoto também alto, não mais que Rodrigo, e com um enorme sorriso no rosto. Eric sempre foi charmoso com seu cabelo castanho claro e olhos azuis, além de um físico definido e magro. Levantei rapidamente, corri em sua direção e me joguei em seus braços abertos.
-Ok, já pode parar de me esmagar! – Eric comentou me pondo no chão e logo reclamando de meu abraço forte.
-Saudades mata, quem há de negar isso? – brinquei e logo fiz um beicinho – Porque demorou tanto? Já faz quase meia hora desde que liguei!
-Ah acho que a culpa foi minha – escutei uma voz atrás dele.
Eric pareceu se iluminar. Ele sorriu mais ainda, se isso é possível, e virou um pouco o corpo para exibir a dona da voz... Que por ventura era a mulher mais linda que eu já tinha visto de perto. Ela era dona de um corpo que não seguia os padrões de magreza ditados pela mídia, não, tinha curvas e carne onde deveria ter, mas uma cintura e seios de dar uma inveja a qualquer mulher. O cabelo era castanho escuro, a cor perfeita do chocolate, e tinha cachos bem definidos e soltos chegando a uma altura abaixo dos ombros. A pele era morena clara provavelmente por causa de um bronze natural do sol, mas seus olhos... Eram de um verde que se destacava ainda mais por causa da tez e cabelo escuro. Meus olhos se prenderam no sorriso dela, um jogo de dentes perfeitos e brancos eram exibidos em uma boca de lábios cheios e muito bem desenhados. O nariz era fino e os olhos com cílios grandes.
-Prima, essa é a Dianna – Eric apresentou orgulhoso, logo ficando ao lado da morena e passando um braço em sua cintura – Dih, essa é Fernanda, minha prima-irmã.
-Caramba, você é muito mais bonita do que nas fotos – falei sem pensar, logo ficando extremamente vermelha – Desculpa, as fotos não mostram bem a realidade.
-Ah, então já não sou mais bonita? – ela perguntou provocando com um sorriso.
-É sim, eu só... digo, claro que é e tipo não é como era... Entende? – me atrapalhei completamente com as palavras.
-Mas é claro – Lorena ficou ao meu lado rindo – Que não. Não liguem, ela fica toda atrapalhada quando pressionada. Eu sou Lorena e esse é meu namorado, o Rodrigo.
-Muito prazer – Rodrigo logo tratou de cumprimenta-los.
-Vamos para casa? Mamãe está fazendo os coquetéis especiais dela – Eric lembrou.
Suspirei em derrota, felizmente Dianna seguiu no banco da frente ao lado de Eric. O trajeto inteiro eu fiquei olhando pela janela em um esforço mental extremo para não ficar babando pela namorada de meu primo. Eu tinha sido pega de surpresa e isso me incomodava, eu odiava ser pega de guarda-baixa e ela era linda demais para ser ignorada. Definitivamente algo dizia que aquele verão seria diferente dos outros.
Notas finais
PS: como faz para por uma imagem em um link? Seria na opção inserir link? se alguém puder me dar uma luz sobre isso eu iria agradecer bastante!
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