Amor Submerso

14 Capítulo 14: A primeira batalha


Notas iniciais
Gente, não aguentei, esse capítulo é mega importante! Então, ai tem romance, tem ação, tem desespero. Eu preciso saber se ficou compreensível principalmente a parte da batalha, porque eu preciso fazer essas coisas de uma forma que todo mundo entenda, o que é muito complicado já que em minha mente tudo é muito claro, mas por isso em palavras fica meio complicado ><' então espero que vocês curtam esse momento tenso da fic =3

Mais antes de tudo, dedico esse capítulo a Mary Melo, deixei ela curiosíssima sobre a troca de energia kkkkk'

Uma semana e dois dias haviam se passado. Muita coisa havia mudado em meu cotidiano e até mesmo em mim. Todos os dias pela manhã eu saia com Nathan para treinar na Ilha Prometida, às vezes também passávamos à tarde por lá, porém em outras se fazia necessário retornar para o arquipélago de Noronha para passar um tempo sendo vistos. Se sumíssemos todos os dias isso iria começar a levantar suspeitas – mais ainda – e preocupar meus tios. Mas ainda assim, maior parte do tempo senão praticamente todo o tempo, meu meio-irmão estava comigo. Durante a noite ele me deixava estudar o livro de Lynn ou então eu o levava para conhecer o mundo humano, mesmo que ali em Fernando de Noronha não fosse muito bem o símbolo de civilização humana, era um ponto turístico. Sabia que aquele tritão iria surtar em sua curiosidade caso fosse parar em uma capital como Natal.

Os nossos treinos ficavam cada vez mais intensos. Em um sábado eu estava em plena TPM, o que meu pobre irmão não sabia era que mulheres humanas nesse estado tendiam a ficar perigosas, sensíveis e a flor da pele. Logo eu estava cansada e irritada com qualquer coisa, a ponto de ficar pirraçando ele. Fazia as coisas de qualquer jeito ou então o enchia de perguntas bobas apenas para vê-lo no limite. Mas foi quando eu joguei um verdadeiro jato de água nele quase o derrubando no mar que Nathan se descontrolou um pouco. Ele contra-atacou criando um tubarão feito de água em pleno ar que avançou assustadoramente em minha direção me causando certo pânico, mas tudo o que aconteceu foi que a água se chocou com força contra meu corpo e me fez cair quase a um metro de distância. Vingativa, comecei a criar bolas do tamanho das que se usava em uma antiga brincadeira chamada queimada e comecei a jogar nele com força. A cada bola que acertava no corpo do tritão um pequeno estrondo acontecia e ele quase caia. No fim, acabamos realmente brincando de tentar acertar o outro mesmo que gerasse alguns machucados. Ele me venceu quando fez com que um polvo gigante envolvesse seus tentáculos em mim me prendendo no chão da areia. Gritei que desistia e comecei a rir finalmente relaxada, Nathan sorriu soberbo, mas ofereceu a mão para que eu levantasse.

Com o livro de Lynn eu aprendi algumas magias sozinha, algumas eram tão complicadas que necessitava conhecimento de algumas outras pequenas magias se formando em combinações. Acabei por ler o livro todo, mesmo que não fosse usar nem mesmo um terço ainda do que estava escrito ali.

Era uma noite de lua cheia, eu estava na sacada de meu quarto, apoiando meu corpo no parapeito enquanto observava as estrelas ainda sentindo aquela sensação de cansaço por causa do treino matutino. Mas ainda assim eu notava que meu espírito estava mais forte e ágil. Meus sentidos estavam mais apurados mesmo que eu não estivesse mexendo em meu fluxo de energia. Alguém bateu na porta de meu quarto, estranhei um pouco e pensei que poderia ser Amanda ou qualquer outro amigo da ilha, já que meus tios e Eric usavam a chave magnética mestra. Antes mesmo de abrir a porta eu senti um cheiro conhecido e suave, realmente gostoso e feminino. Mas assim que eu abri a porta descobri o porquê de ter gostado tanto do cheiro que impregnava todo o local. Dianna estava de braços cruzados, o rosto expressando raiva e antes mesmo que eu conseguisse acalmar meu coração pela surpresa ou dissesse algo, ela adentrou o meu quarto em uma verdadeira invasão.

-Você não tem o direito de interferir tanto em minha vida! – ela disse alto, não gritando obviamente por causa de um autocontrole.

Ela estava realmente dizendo aquilo para mim? Durante todos os dias, mesmo quando eu propositalmente tentava esbarrar nela seguindo com meu primo para os lugares, Dianna me evitava. Tudo bem, eram bem raros os momentos que eu estava sem Nathan, mas em todos eles aquela garota ocupava meus pensamentos de alguma forma. Confusa, fechei a porta já esperando por uma discussão, afinal de contas queria entender o que estava acontecendo ali.

-Dessa vez acho que não tenho culpa, não vejo nem você há dias – comentei calma, como faria minha mãe.

-Mas você não precisa estar nem perto Fernanda! Como você pode fazer aquilo?! – Dianna questionava como se falasse de algo muito sério, acusando-me com um olhar irado.

O cheiro dela foi trago novamente por uma brisa suave que veio da sacada. Por via das dúvidas, segui em direção à sacada para ficar a favor do vento. Apoiei meu ombro na porta, cruzei os braços e cair na besteira de olhá-la. Dianna usava um lindo vestido, com as alças caídas nos braços deixando os ombros morenos expostos. O vestido era branco e chegava a altura do joelho, mas também era solto nas pontas o que fazia o tecido mover-se a qualquer movimento dela. Por alguns segundos eu me perdi na beleza dela, no jeito em que os cachos chocolates do cabelo estavam bem definidos e até um pouco maiores do que me lembrava. Em seu olhar esverdeado transtornado, em como andava de um lado para o outro como se assim pudesse se controlar.

-O que eu fiz? – questionei por fim, não poderia me render ou iria acabar fazendo uma besteira da qual tinha certeza que não iria me arrepender.

-Tudo! – dessa vez Dianna parou e quase gritou – Eu estava discutindo com o Eric, perguntando para ele onde estava o homem que me fez uma surpresa certa noite. E o que ele deixa escapar? Que você o ajudou! Que planejou tudo para que ele me afetasse em cheio! No fim o melhor dia que tive com Eric foi culpa sua!

Então meu primo foi tolo o suficiente para deixar escapar uma coisa dessas. Mas então descobri que aquele olhar dela era mais do que raiva, ela estava confusa e um pouco magoada. Eu ia abrir minha boca para falar, mas ela explodiu novamente:

-E ai todo mundo fica comentando que você está saindo com um garoto. Como isso é possível?! Você não é lésbica? Então seja uma! E para completar ele tinha de ser muito lindo!

A surpresa foi tão gostosa e grande que eu desencostei da porta. Ela estava com ciúme do Nathan! E isso a transtornava a ponto de fazê-la me mandar gostar de garotas? Mordi o interior de minha bochecha para não rir. Sinceramente? Eu estava cada vez mais agitada de um bom jeito com aquela explosão de sentimentos dela. Eu ainda a afetava, ela ainda pensava em mim. Porém as reclamações apenas continuaram:

-Eu nem vou mais ao mirante da Baía dos Golfinhos, com medo de te encontrar lá e não ter o que fazer! Todos ainda comentam que você cuidou da Nina. Porque Fernanda? Se você quer sair de minha vida, porque continua tão presente nela?!

A confusão dela, o desespero... Eu a estava fazendo sofrer com a situação em si. Soltei um suspiro e me aproximei, a cada passo que dava eu notava como ela estava tremendo e ficando cada vez mais dentro de um surto conflituoso. Dianna não parecia notar que eu estava me aproximando, pois ainda despejava tudo o que a angustiava.

-Até mesmo a noite quando eu vou olhar pras estrelas eu me lembro de você! Eu amava as estrelas, eu já conhecia todas as constelações que me mostrou, mas feito uma boba estava gostando do seu jeito e... e...

Finalmente ela notou o quão perto eu estava. Dianna tentou correr, mas eu fui mais rápida e dei um passo largo para acabar drasticamente com a distância entre nós. Minha mão foi em direção as suas costas e a puxou sem muita delicadeza, fazendo com que o corpo moreno se chocasse suavemente com o meu. A outra mão foi em direção à nuca dela e finalmente fiz nossos lábios se juntaram em um beijo. Aquilo poderia ser considerado um longo selinho, já que nossas bocas ficaram apenas encaixadas. Mas para mim? Era como se todo meu corpo vibrasse, cada célula minha entrasse em combustão de felicidade. O sabor dela dominava o meu sentido de tato aguçado, o cheiro delicado invadia meus pulmões e eu podia escutar nossos corações disparados em ritmos totalmente desregulares. Afastei a boca apenas alguns centímetros, nossos lábios entreabertos deixava escapar nossas respirações arfantes que se mesclava em uma só. O clima ao nosso redor estava carregado de uma química só nossa, forte, poderosa e com uma eletricidade que puxava uma para a outra.

Foi algo sincronizado. Abracei a cintura dela ao mesmo tempo em que Dianna envolvia o meu pescoço e juntas nos beijamos com mais intensidade. Nossos corpos colaram de tal forma a não passar nem mesmo ar, transmitindo um calor intenso de um para o outro. Entreabrimos nossos lábios e deixamos que o ritmo ficasse rápido, desesperado em sanar toda a vontade contida por dias, semanas. O beijo era urgente, devorador, avassalador. Eu sentia todo meu corpo aceso, mais que isso, minha energia circulava mais rápido do que nunca me deixando ainda mais sensível a cada toque, a cada movimento de língua dela de encontro a minha, a cada roçar de nossos seios e tocar de quadris pressionados um no outro. Não havia descrição ou culpa, era apenas nós duas em um momento mágico e só nosso. Eu a sentia estremecer em meus braços, colocar uma de suas mãos em meu cabelo, deixar que os dedos se perdessem em meus fios louros fazendo carinhos e por vezes puxando de forma a me enlouquecer.

Depois de pouco tempo eu precisava de mais. Comecei a subir a barra do vestido dela e logo minha mão espalmava na parte detrás da coxa, bem abaixo das nádegas tentadoras. Mas assim que toquei aquela parte macia, de uma forma natural deixei que meu fluxo de energia se guiasse para ela. Pude senti quando uma quantidade suavemente escapou e adentrou o lugar que eu toquei, a energia pareceu entrar em combustão dentro dela causando um prazer literalmente mágico. O resultado foi o mais gostoso possível, Dianna tremeu de corpo inteiro, gemeu alto contra minha boca e puxou minha língua para sugar de uma forma absurdamente excitante. Se estivesse tendo o mínimo de pensamento possível em meu raciocínio saberia que naquele momento era o que minha mãe havia descrito como o prazer do Povo do Mar. Apenas um beijo, apenas um toque e parecia que tudo iria explodir em uma supernova do mais puro e intenso prazer.

Mas então meus ouvidos captaram o som de alguém praticamente esmurrando a porta de meu quarto. Demorei a escutar que era Nathan que me chamava em um tom urgente. Separei nossas bocas fitando a porta com raiva, mas lembrando de segurar Dianna pois ela estava com as pernas bambas. Literalmente derretida por causa do beijo.

-Fernanda! É urgente, se não abrir essa porta eu vou forçar! – Nathan exclamava com certo desespero na voz.

-Eu preciso atende-lo – murmurei e me afastei um pouco.

Dianna fitou-me mais séria, quando comecei realmente a me afastar ela agarrou meu braço e presenteou-me com um belo olhar de súplica. Eu não precisava ter empatia com a morena para entender que ela estava pedindo para que ficasse ao seu lado, que deixasse Nathan. Mas eu não podia, eu nunca o vi tão agitado e para não ter derrubado a porta ainda deve ter percebido que eu estava acompanhada. Suspirei e puxei meu braço com delicadeza, virando de costas para não enfraquecer com o jeito que ela iria ficar. Abri a porta e Nathan invadiu o quarto agitado.

-Fernanda, é algo bem sério! – ele exclamou reclamando de minha demora.

-Vou deixa-los a sós – Dianna disse em um tom completamente frio.

-Não, espere, precisamos conversar Di...

-Não precisamos, você já tomou a decisão há muito tempo atrás – ela me cortou seca.

A passos largos ela saiu do quarto e eu segui o meu impulso de segui-la, mas Nathan se interpôs em meu caminho o bloqueando. Resmunguei exasperada. Eu a tinha em meus braços! Completamente entregue e me beijando de volta... E agora a deixei fugir.

-É bom que seja o fim do mundo! – gritei com Nathan sem esconder a minha frustração.

-Pode ser similar, eu senti a presença de um espectro do Povo da Sombra – ele finalmente revelou – Você tem de ficar atenta o máximo possível, tem de deixar ela ir, se ficar perto de você pode acabar ficando em sérios perigos.

Meus olhos se abriram e todo o fogo de minutos atrás se transformou em algo gélido o suficiente para congelar todas as minhas veias. Alguém do Povo das Sombras?! Havia treinado, havia conhecido minha outra família e de alguma forma eu esperava que continuasse apenas nisso. Que aqueles seres que Nathan e Lynn tanto temiam ficassem longe de minha realidade para sempre, o que se provava uma tola esperança.

-Ele pode estar rastreando o seu fluxo de energia. Alguns seres podem sentir a presença do outro através disso. Graças aos deuses, ele parece ser do tipo fraco e fácil de encontrar, eu irei atrás dele e preciso que fique em segurança aqui, criei uma barreira protetora no hotel – Nathan prosseguiu sério.

Apenas acenei com a cabeça, ainda assustada apenas com a simples possibilidade de que o perigo real estivesse ali tão perto. Nathan não esperou que eu me recuperasse, saiu rapidamente de meu quarto batendo a porta atrás de si. Do jeito que eu estava simplesmente cai sentada na cama ainda em estado de choque. Esse povo matou o pai de Nathan e sumiu com o meu, o que iria acontecer depois? Ao que parecia nossas histórias estava sempre destinada a acabar nas mãos do lado negro da força. E se eles pegassem Dianna...

Foi então que meu coração falhou várias batidas. Meu irmão havia dito que aqueles seres estavam rastreando o meu fluxo, porém algum pouco tempo atrás eu de alguma forma havia aplicado um pouco de energia em Dianna! Tudo bem que foi sem querer, por instinto pulsante pelo prazer. Mas ainda assim minha morena poderia estar sendo rastreada com aquele resquício de energia minha.

Ela estava em perigo.

Meu coração voltou a disparar de uma vez só, frenético e descompassado, o desespero quase me fazendo parar de pensar. Dianna. Correndo risco. Eu precisava fazer algo! Nem mesmo hesitei ao sair do quarto o mais rápido que minhas pernas podiam correr. Isso resultou em um belo esbarrão em uma camareira com seu carrinho. Cai no chão e ignorei toda a dor que senti em minha perna, girando e levantando para correr novamente. Cheguei ao hall de serviços, pulei a portinha que separava o público do local de dentro e catei de forma bem desastrada as chaves de algum carro.

-Nanda, você está bem?! – Joana, a recepcionista da noite, me perguntou preocupada.

-Pretendo ficar – murmurei tentando esconder meu desespero, achei a chave, virei meu corpo e segurei a garota pelos ombros – Se meus tios me procurarem, diga a eles que eu volto ok? É um momento difícil, mas que eu volto, você promete?

-Sim, claro... Mas tome cuidado!

Fiz que sim com a cabeça e pulei para fora novamente correndo para a garagem encontrando o carro que tinha pegado a chave. Assim que entrei, dei a ré ao mesmo tempo em que tirava do bolso do meu short o meu celular para ligar para Dianna. Caiu na caixa. Liguei novamente... “O celular encontra-se fora de área ou...” desliguei antes que a mensagem acabasse. Bati a mão no volante com força sentindo toda a frustração corroer minhas veias. Eu precisava encontra-la, mas não podia perder tempo procurando! Foi então que uma ideia louca passou em minha mente, girei o volante guiando o carro para o encostamento, respirei fundo tentando me acalmar e abri o porta-luvas. Minhas mãos estavam tremendo, o que não ajudava em nada em meus movimentos. Peguei dali de dentro um mapa que sempre ficava guardado em todos os carros do hotel e um pequeno cantil de água. Abri o papel geográfico e pousei sobre minhas pernas, liguei a luz do teto do automóvel e abri o cantil.

-Por favor, por favor, dê certo! – implorei com todas as minhas forças, em minha mente rogava até mesmo para Anfritite, a deusa do mar – “Deíxe mou ti eínai krymméno.”

Pela primeira vez na vida havia acertado toda a entonação e pronunciação de uma magia. Despejei uma pequena quantidade de água sobre o mapa e fiquei pensando o tempo inteiro em Dianna lutando para que o desespero não acabasse com minha concentração. Meu coração bateu aliviado quando a água se acumulou em um ponto só, mostrando onde estava a pessoa em que eu procurava. Aquela era uma magia de localização que tinha no livro de Lynn, e ao que parecia Dianna estava chegando perto da Baía dos Golfinhos. Ela estava indo para o mirante!

Joguei as coisas para o lado, liguei o carro novamente e sai cantando pneus. Estava dirigindo de uma forma perigosa e rápida, mas o que importava? Se eu não fosse rápida ela poderia ficar em muito perigo. O tempo todo a minha mente se focou apenas em um objetivo: alcançar Dianna e leva-la para o hotel. Nada mais importava além disso! Então assim que cheguei perto do penhasco parei o carro no meio do nada e sai correndo para subir o lugar. Escorreguei, tropecei, mas nada disso importou. Mesmo no escuro minha visão me permitia um vislumbre ótimo do caminho.

Estava ofegante quando cheguei ao topo, meus pulmões queimavam pela falta de oxigênio correndo por meu corpo e o gasto de energia corporal. O suor escorria fazendo com que minha blusa colasse em meu corpo e o cabelo grudasse em minha nuca. Mas nada disso pareceu importante quando vi Dianna parada próxima da beirada do penhasco, ela estava tensa, segurando um braço como se consolasse. Andei a passos largos até ela e sem me importar em ser delicada a puxei pelo braço para longe do precipício.

-Fernanda? Mas o que...? Solte-me! – Dianna ficou confusa e com raiva pelo modo em que a puxei.

-Você tem de vir comigo – disse dura, a puxando ainda mais.

-Não!

Ela se soltou bruscamente. Virei meu corpo e só então percebi que os olhos verdes tinham traços vermelhos denunciando um forte choro. Engoli em seco sem conseguir imaginar o estado em que ela estava por dentro. Toda a confusão, o beijo, Nathan, a traição a Eric. Respirei fundo tentando me acalmar, eu já a tinha encontrado, o resto poderia vir mais fácil não é? Aproximei e ela recuou, então ergui a mão em sinal de paz.

-Por favor, Dianna eu não posso te explicar – tentei falar com calma, mas o desespero me impedia – Eu preciso te levar para um lugar seguro. Por favor, me deixe levar você até o hotel, só isso, você poderá ficar em um canto e eu em outro.

-O que está acontecendo? É uma dessas coisas que você tem mantendo segredo? – Dianna logo deduziu – Porque eu deveria acreditar em você? Porque não vai proteger o Nathan ou a sua Amandinha? Deixe-me!

Eu perdi a paciência quando ela se afastou ficando de costas para a beirada do penhasco, ficando mais afastada de mim. Avancei e segurei ambos os braços dela a fitando de uma forma intensa, irritada e inteiramente preocupada.

-Eu não posso explicar, você fugiria de mim. É algo muito sério Dianna! Você tem de vir comigo por que...

Minha voz morreu no meio da frase. Meu sangue gelou e meu raciocínio desligou-se dando lugar ao mais puro instinto. Se ela não tivesse se virado eu não teria visto que entrando na área do mirante estava um ser medonho. Alto, usando um terno todo escuro, pele cor de carvão e com algo se movendo como fogo por todo o seu corpo debaixo da pele. O rosto era terrível, com cicatrizes e espinhos no maxilar, seus olhos eram de um vermelho sanguinário e a cabeça careca era cheia de tatuagens vermelhas. Assim que meus olhos cruzaram com os dele, aquele ser obviamente não humano esticou uma mão e vi suas palmas ficarem tão vermelhas como se fossem brasas. Era um ataque! E foi assim que agi por puro impulso, minhas mãos que seguravam Dianna a empurraram para o lado ao mesmo tempo em que aquela coisa jogava uma bola de fogo. Eu tinha gasto toda a minha oportunidade de reação livrando Dianna do golpe, o que significava que minha guarda estava inteiramente baixa.

A bola de fogo atingiu meu ombro e as chamas penetraram minha pele queimando-me de dentro para fora de um modo anormal. Cai de joelhos gritando em plena agonia, eu podia sentir mais que meus músculos se queimando, era como se tivesse atingindo toda àquela área, destruindo cada célula, cada molécula de meus ossos e corroendo minhas veias e fluxos.

-FERNANDA! – Dianna gritou bem alto.

Aquele ser escuro virou o corpo para Dianna que estava caída a quase um metro de distância de mim. Apontou ambas as mãos e novamente as vi ficarem ardentes, prontas para lançar fogo em direção a minha garota. Então eu senti o mais puro e intenso medo. A adrenalina suprimiu qualquer dor fazendo-me levantar e correr para frente de Dianna novamente. Foi puro instinto, minha energia circulou fortemente dentro de mim sendo guiada pelo medo de que perdesse a pessoa mais importante de minha vida.

Minha mente seguiu um raciocínio absurdo. Lynn podia controlar as moléculas de água do ar. Então tudo o que eu desejei com todas as minhas forças foi que uma barreira de água surgisse a nossa frente. Queria proteger Dianna a todo custo, se isso não desse certo o meu corpo seria o meu escudo. Porém de uma forma milagrosa, os traços cheio de curvas delicadas cobriram todo o meu braço brilhando em um intenso azul-esverdeado, minhas palmas ficaram cheias de tatuagens tribais e uma barreira de água simplesmente surgiu a minha frente em um tempo perfeito, pois exatamente um segundo depois um jato de fogo acertou a minha criação aquosa. O som de água fervendo e se transformando em vapor mal foi notado por mim. A minha energia inteira estava sendo concentrada em acumular mais água para que a barreira não evaporasse. Era como se eu estivesse segurando algo e empurrando com todas as minhas forças.

O fogo acabou e eu cambaleei para o lado. Estava ofegando, porém me sentindo mais forte do que nunca. Se existia um sentimento tão poderoso quanto o amor, era o medo de que este fosse perdido. Não havia lógica no que tinha acabado de fazer, mas se deu certo uma vez daria mais outra. Deixei que o medo se mesclasse a raiva, podia sentir meu corpo inteiro sendo coberto por uma verdadeira tatuagem brilhante cheios de traços que variavam entre delicadas curvas e outros mais fortes que lembrava desenhos tribais. Eu não esperei por um novo ataque, afinal de contas diziam que a melhor defesa era partir pra cima. Ou algo assim. Então como se eu tivesse no mar, murmurei a magia de moldar a água e imaginei o mesmo tubarão que Nathan usou contra mim, mas dessa vez desejei com todas as minhas forças que aquele tubarão feito de água nadasse até aquela coisa negra e o devorasse. Moldei a água dessa forma e a fiz avançar como em um verdadeiro ataque daquele predador do mar. Quando aquela boca enorme e cheias de dentes se abriu para atacar, nem mesmo o fogo que o cara lançou serviu para evaporá-lo. Pelo grito sinistro e quase inumano que ele soltou, aquela mordida foi bastante real.

-Dianna! – chamei quase sem voz – Temos de pular.

-O que está acontecendo?! – Dianna finalmente levantou, ela estivera provavelmente em choque com tudo o que estava acontecendo – O... O que está havendo com você?!

-Dianna! Escuta-me caralho, pula na porra da água!

Eu havia perdido completamente a paciência, a empurrei com toda a força que me restava e mesmo que a sentisse tentando fugir, minha força era maior. Assim quando chegamos à beirada eu a segurei firme e saltei junto a ela. Ela gritou em puro desespero e medo da queda, afinal de contas eram 70 metros de altura! Nossos corpos iam ganhando mais velocidade e a força do vento me separaram dela. Do jeito que ela estava, de barriga apontada para a água, o impacto da queda iria machucar seus órgãos internos e ela poderia morrer. Resmungando alto apontei minhas mãos para a água que estava cada vez mais próxima e a manipulei para que se criasse uma espécie de tobogã para amparar a queda de Dianna... O que significava que não deu tempo de esticar a água para que também pudesse me amparar.

Cai no mar de um mau jeito que poderia ter me matado, porém tudo o que consegui foi um belo ombro deslocado, o que não foi atingido pelo fogo. A superfície acima de nós começou a iluminar todo o oceano adentro. Aquele maldito estava lançando fogo, Dianna não respirava debaixo da água e assim que subisse por causa do susto e desespero se queimaria. Minha missão ali ainda não havia acabado, nadei contando com apenas um braço em direção a Dianna que impulsionava os pés para o alto como eu havia previsto. A puxei, segurei firme em sua blusa e colei a minha testa a dela assim como havia feito Lynn no nosso primeiro encontro. Joguei toda a minha energia naquele contato, queria que meu fluxo invadisse o corpo dela e envolvessem seus pulmões permitindo que ela respirasse debaixo da água. Só notei que deu certo porque os olhos dela se abriram assustados, Dianna levou a mão a boca e nariz e me olhava como se a coisa mais inacreditável estivesse acontecendo.

“Precisamos sair daqui” – falei em sua mente e novamente ela quase se debateu embaixo da água, e de pensar que eu fiz quase a mesma coisa no inicio disso tudo – “Se... Se acalme e não se assuste, vou chamar a cavalaria”.

Pensei no Flash, assoviei duas vezes e o cavalo metade peixe não tardou a aparecer. Empurrei Dianna na direção dele e a fiz montá-lo. Fui logo atrás, prendendo minhas pernas nele e segurando nela com meu braço. Flash não demorou a empinar suas pernas de cavalo e a dar uma batida com sua barbatana na água dando inicio a sua corrida alucinada em direção à caverna. A velocidade machucava meu ombro deslocado constantemente, o fogo ainda ardia dentro de minha pele se tornando cada vez mais intenso. Mas não gritei ou protestei, minha mente não processava a dor por completo, estava ocupada repetindo para mim mesma que tinha de por Dianna em segurança primeiro.

Porém por mais que eu quisesse ser forte meus sentidos começavam a falhar. Minha mente estava cansada, meu corpo machucado profundamente. Não prestei atenção quando o hipocampo adentrou a caverna e parou bruscamente. Como toda a lei de movimento, meu corpo foi jogado para longe batendo em uma das paredes. Dessa vez era meu quadril que quase foi arrebentado.

“Filha?!” – Lynn apareceu ao meu lado – “Pelos deuses, você está machucada!”

“Espere, não!” – afastei as mãos de minha mãe e procurei com minhas vistas cansadas e cada vez mais escurecida por Dianna – “Dih? Onde ela está? DIANNA!”

“E-estou aqui” – ela nadou para o lado de minha mãe, pálida e trêmula, mas bem.

“Que bom...” – meus olhos prenderam-se nos dela. Ela estava bem, apesar de estar toda em choque, meu foco ia diminuindo cada vez mais, porém um sorriso fraco brincou em meus lábios – “Que bom que consegui te proteger, agora eu posso dormir um pouco, estou tão cansada...”.

Então eu me permitir sentir tudo o que estava realmente acontecendo. A dor foi tão forte que não evitei uma careta de dor antes de apagar em um desmaio. Nada mais importava além de que ela estava bem.

Notas finais
Para aqueles que se ligaram na troca de energia como a forma do prazer do povo submerso (já que eles não transam literalmente), imaginem as duas no futoro, oh yeah -q kkkkkkkkkkkkkkkk não resisti, sorry tirei um cochilo que me deixou feliz u.u