Amor Sublime
11 Capítulo Final: O Sentido Sublime
Notas iniciais
— Eu juro para você... se eu soubesse que você existia, eu teria ido atrás de vocês sem pensar duas vezes — Edward completou, a voz falhando. — Achei que Bella estivesse magoada demais para me ver. E, depois de um tempo, me convenci de que eu seria apenas um peso morto na vida dela. Ela merecia alguém que pudesse amá-la por inteiro, não alguém que exigisse cuidados pelo resto dos dias.
Meus olhos embaçaram até que o rosto dele se tornasse apenas um vulto pálido. Antes que eu pudesse processar, meus braços já estavam ao redor do seu corpo magro. Um choro estridente, que parecia guardado há quinze anos, rasgou meu peito. A culpa me atingiu como uma avalanche. Se eu tivesse sido mais paciente... se eu tivesse ouvido o silêncio da minha mãe em vez de gritar contra ele...
Edward nunca teve escolha. Ele foi uma vítima do destino tanto quanto nós. E tudo o que eu conseguia fazer era soluçar contra o seu ombro.
— Eu sinto muito — consegui dizer entre os soluços. — Sinto tanto.
— A culpa não é sua, Nessie. Nunca foi — ele sussurrou, e eu senti o leve roçar de seu rosto contra o meu. — Eu me arrependo todos os dias de não ter lutado mais. Ela deve carregar o mundo nas costas achando que é a responsável por isso.
Afastei-me o suficiente para segurar o rosto dele. Sequei suas lágrimas com as pontas dos dedos, notando cada detalhe: o cabelo ralo, as olheiras que falavam de décadas de insônia. Ele era meu pai. E ele estava sofrendo sozinho há tempo demais.
— Não é culpa de ninguém — afirmei, com uma convicção que nem eu sabia que tinha. — Mas isso acaba agora. Temos que falar com a minha mãe. Temos que explicar tudo. Agora!
Levantei-me de um salto, a adrenalina correndo nas minhas veias como fogo.
— Carlisle! Carlisle! — gritei, correndo para o corredor.
— Ele não está em casa, Nessie — Edward avisou, o som do motor da sua cadeira me seguindo. — Ele teve um compromisso na cidade hoje cedo.
Parei por um segundo, o cérebro trabalhando a mil por hora. Eu não ia esperar mais nenhum minuto. Quinze anos já tinham sido o bastante.
— Eu levo você! Minha mãe me ensinou o básico, eu consigo dirigir!
Edward arqueou uma sobrancelha, um brilho divertido — quase jovem — surgindo em seus olhos.
— Deixe-me adivinhar... você não tem carteira de habilitação, tem?
Balancei a cabeça, sentindo um riso nervoso escapar.
— Detalhes técnicos! Mas espera... o Jacob! — Corri para a janela. — O Jacob pode nos ajudar. Você tem aquela van adaptada para a cadeira, não tem?
— Renesmee, o Jacob é só um garoto e...
— Ele sabe dirigir e tem habilitação — cortei, sem deixar espaço para protestos. — Não pense nos detalhes, pai. Já perdemos tempo demais em silêncio.
Antes que ele pudesse inventar qualquer obstáculo, comecei a guiar sua cadeira em direção à porta da frente. Para meu alívio, Jacob estava no jardim, cuidando das plantas sob a luz suave da manhã.
— Jake! Ainda bem que você está aqui. Preciso da sua ajuda! — gritei, tropeçando nas palavras pela pressa.
— O que aconteceu? — Jacob largou as ferramentas, os olhos alternando entre mim e Edward com preocupação. — Está tudo bem, senhor Cullen?
— Ele está ótimo. Mas preciso que você nos leve até a cidade. Agora!
— T-tudo bem — Jake respondeu, ainda confuso, mas já se movendo em direção à garagem. Ele não fez perguntas; ele viu nos meus olhos que o mundo estava mudando.
Enquanto Jacob buscava o carro, o silêncio entre mim e Edward mudou de tom. Não era mais o silêncio do hospital ou do abandono; era o silêncio da expectativa. Olhei bem no fundo daqueles olhos que eram tão parecidos com os meus e deixei a verdade sair, livre de qualquer mágoa.
— Eu te amo, pai.
O sorriso que se abriu nos lábios dele foi a resposta mais sincera que eu já recebi na vida. Não importava a distância, a cadeira ou o tempo perdido. Naquele momento, o vazio no meu peito foi preenchido por algo sublime. Amar um pai é algo que não se explica com lógica, apenas se sente. E eu amava Edward Cullen com cada batida do meu coração.
— Eu também amo você, minha querida — ele respondeu, a voz finalmente firme.
Apertei a mão dele, sentindo o calor retornar aos nossos dedos unidos. Enquanto o carro de Jacob apontava na alameda, eu sabia que a estrada à nossa frente seria longa e difícil, mas, pela primeira vez na vida, nós a percorreríamos juntos.
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