Olá meninas, fevereiro está já batendo na porta e logo vou voltar a estar sumida por conta de meus deveres acadêmicos, mas já bolei um plano para não ficar muito tempo sem atualizações por aqui e ainda praticamente na reta final da história. Eu vou seguir só postando Amor Sem Medidas (essa fic) até encerrá-la e depois vou pegar outra minha em andamento para fazer o mesmo. Não adianta eu estar com mais de uma história ou iniciando outras se não tenho o mesmo tempo livre de quando comecei a escrever. É isso. Fiquem com o capítulo e obrigada por estarem por aqui ainda.

Inês saiu do banho. Tinha uma toalha enrolada no corpo e os cabelos presos de forma frouxa. Caminhando em passos lentos, ela procurou Victoriano pelo quarto. Não o achando, ela andou até a cama deles quando viu algo que chamou sua atenção. Havia um ramo de rosas vermelhas acima dos travesseiros. E ela não hesitou em ir busca-las.

Inês pegou com cuidado as rosas envolvidas em um plástico bonito, quando então algo caiu dela. Ela então mirou seus pés descalços vendo uma chave entre eles.

Ela deixou as rosas novamente onde antes estavam, se abaixou e a pegou. Não era uma chave qualquer era a chave de um carro que ela tinha na mão. Inês a olhou atentamente notando que não parecia ser a de Victoriano, além do mais havia uma fita nela vermelha como se ela fosse um presente.

Inês então fechou a mão com a chave em sua palma, quando ouviu passos vindo até ela. Que sabendo quem chegava, ela sem olhar, disse baixo.

—Inês: Me deu um carro também?

Ela então se virou. Victoriano vestia outra roupa, cheirava bem e tinha os cabelos grisalhos, úmidos. Estava também elegante, vestia apenas uma camisa branca social, sem gravata e uma calça do mesmo estilo, preta e nos pés um sapato da mesma cor e que brilhavam.

Vendo que Inês por fim descobrira o presente que ele tinha mencionado momentos antes, ele disse.

—Victoriano: Sim. Ele chega na segunda-feira. Comprei para que volte a dirigir, penso que já pode fazer isso, afinal não só nossa filha merece ter seu momento de liberdade.

Quando o ouviu, Inês não soube o que dizer. Por isso seus pensamentos apenas a levaram no motivo que ela não dirigia mais e em como pensou recentemente voltar a fazê-lo quando dirigiu ao lado de Artêmio, o que a lembrava também quando contou a Victoriano seus planos e ele pareceu não gostar muito.

Assim então ela o olhou fixamente ainda com a chave nas mãos quando desconfiou de algo, dizendo.

—Inês: Está me dando um carro por nossa conversa essa manhã?

O conhecendo, Inês sabia que ele poderia ter sido afetado por sua revelação. Deixá-la insatisfeita na cama não era algo que ele superaria logo, apesar dela saber que seguia do mesmo modo, mesmo depois de terem feito amor no banheiro e ela ter tido aquilo que ele não havia sido capaz de dar. Com isso para ela era mais que válido suas suspeitas de que ele tinha lhe presenteado um carro como um pago da falta de orgasmos e não por ter realmente mudado seus conceitos.

Victoriano apenas fez que não, caminhou para estar mais à frente dela quando disse.

—Victoriano: Não, mas também isso é algo que deixei a desejar, mas que pensei que as rosas seriam mais simbólicas. O carro foi por essa manhã quando estive com Constância e as meninas e eu ter pensado em você, morenita.

Ele a tocou no rosto. Inês suspirou e baixou a cabeça sentindo que toda frustração que antes tinha dentro de si depois que ele a deixou no banheiro, ia embora junto com suas dúvidas dos reais motivos daquele presente. Afinal, Victoriano era bom com as palavras, sempre havia sido.

Ele assim levantou o rosto dela com a ponta dos dedos, quando voltou a dizer.

—Victoriano: Estamos recomeçando as buscas por nosso filho, por que não também você possa recomeçar ser a mulher qual me casei antes do sequestro dele, hum? Sei que pode voltar a dirigir, morenita.

Inês deu um sorriso. Gostava das palavras dele e gostava ainda mais do voto de confiança. Tal coisa significava tanto. Significava que ela estava conseguindo demonstrar o quanto estava melhorando.

—Inês: O que te fez mudar de ideia?

Antes mesmo de pensar em sua pergunta, ela o questionou como que algo no fundo dela necessitasse de mais certezas e de mais confiança que vinham dele.

Victoriano respirou fundo. Não se surpreendia em vê-la duvidando de suas palavras. Ele mesmo quando havia pensado em tal hipótese quando saiu de casa escolhendo não voltar apenas com rosas nas mãos, se questionou se de fato permitir que Inês dirigisse como antes, fosse um passo confiável a se dar. Se debateu com um medo primeiramente de algo ruim com ela atrás de um volante, voltasse a acontecer e ele não estando presente e com o fato que ela já havia passado muito tempo sem enfrentar tal medo. Via ela lidando bem com a decisão que haviam tomado de buscar Fernando outra vez, então um carro não poderia ser um gatilho forte a se temer.

Por fim das contas, ele temia mais a esposa dirigindo outra vez do que sua filha com os recém 18 anos cumpridos fazer tal coisa.

Que torcendo que tinha tomado uma boa decisão, ele reafirmou com sinceridade.

—Victoriano: Já disse que pensei em você quando Constância vislumbrava o carro novo dela, e acho que você também merecia ter o seu. Claro que sabe que poderia você mesmo comprar um sem que eu o fizesse, mas dei esse passo antes e espero que tenha gostado morenita.

Dessa vez ela sorriu mais e agora revelando um sorriso genuíno. Seu peito se encheu de amor e alegria. Victoriano lhe presentear com um carro, realmente era muito mais simbólico de com as rosas. Para ela era sim um voto de confiança dado a ela, era ele acreditando que ela era capaz, que estava de verdade melhor e que poderia voltar a ser completamente saudável. Aquele presente era mais significativo, porque dizia que ele acreditava na capacidade dela. Com isso, ela também poderia acreditar em si mesma que teria a coragem de dirigir sozinha o carro que ele a presenteava.

Assim então, ela ficou na ponta dos pés quando o abraçou pelo pescoço, deu um selinho rápido nele e depois disse em euforia.

—Inês: Eu amei! Eu amei o presente querido e prometo que vou tentar passar por cima dos meus medos para dirigi-lo!

Ela descansou a cabeça no peito dele. Victoriano a abraçou pela cintura e ficou ali calado com ela em um tempo nos braços. Sentiu que tinha acertado nos seus presentes e que de fato suas justificativas eram sinceras, porém não podia esquecer que tinha feito algo que era como dizer que ela não era capaz de dirigir. Para ele, ela não era capaz de ter outro filho. Era incapaz e ele provou isso com laudos médico.

Entretanto, dirigir um carro não era como gerar um filho e depois não o amar como deveria. Inês não tomava mais tantos remédios assim e sua crise havia acontecido porque tinham Bernarda em casa e ele fora dela, isso ele acreditava e reconheceu quando regressou, seu erro. As duas mulheres não poderiam conviver muito tempo sob o mesmo teto. Com isso poderia acreditar que Inês seria capaz de voltar a dirigir sim, mas isso se ela superasse seus medos o que o deixava feliz de ser ele ajudá-la.

Ele então beijou o topo da cabeça dela. Depois se afastou segurando-a pelos braços e disse.

—Victoriano: Eu vou ter que descer, logo irá anoitecer e teremos jovens por toda a parte. Tenho que ver se está tudo como deveria estar, morenita.

Inês sorriu revelando os olhos marejados de lágrimas. Ela tocou então em um lado de sua bochecha onde escorria uma delas e disse.

—Inês: Eu sei e espero que essa noite seja tão boa como está sendo esse entardecer.

Ela o beijou. O beijou levando as mãos acima do peito dele. Victoriano a abraçou pela cintura aproximando os corpos e o dela bem evidente que só tinha uma toalha cobrindo sua nudez. Ele suspirou no beijo e em seguida a afastou quando sentiu o calor do desejo do corpo dela tomando o seu.

Depois agora tocando-a nos braços, ele disse.

—Victoriano: Você anda fogosa demais, morenita. Ainda não temos tempo para resolver isso, hum, mas na primeira oportunidade prometo que subiremos e nos trancaremos aqui até o amanhecer.

Inês suspirou enquanto mirava um sorriso brincalhão nos lábios de Victoriano. Ela o queria mesmo. Queria por não ter superado ainda e suprido o suficiente da ausência dele e ainda antes dessa ausência, eles não estarem fazendo amor e quando voltaram ela não estava ficando satisfeita como gostaria. Todos os fatos só a enchia de mais desejo e tudo porque ela sabia o homem que ele era na cama. Um homem que podia dar muito mais a ela como mulher do que ele estava dando desde que um preservativo chegou entre eles.

Ela então tocou em um lado dos cabelos se afastando também dele. Quando disse.

—Inês: Esperarei ansiosa a chegada desse momento que ficaremos só nós juntos, Victoriano.

Ele a puxou por um braço sem poder resistir e a beijou novamente. Deu mais que um beijo e quando sentiu novamente o desejo falar mais alto entre eles, ele a soltou e a deixou no quarto prometendo que se veriam quando ela se juntasse a todos.

Passados longos minutos. Já tinha anoitecido. Inês do quarto já podia ver sons que vinham do pátio da fazenda, sons de ajustes de instrumentos musicais e conversas. Constância tinha avisado que quase sua escola toda estaria na festa dela, além de ter escolhido uma banda musical que fizesse o som ao vivo para todos na festa.

Ela então suspirou de frente a um espelho. Em outro momento Inês poderia lembrar que fugiria da multidão que encontraria em sua casa. Estaria presente sim em mais um aniversário de suas filhas como sempre esteve, mas nunca cem por cento. Sempre tinha algo que a chamava para longe como que temesse que sua tristeza e transtornos passassem para alguém. Dessa vez sentia que estaria mais em paz e confiante, e com isso poderia dar para Constância sua presença não por obrigação, mas porque queria fazer parte daquele festejo, da comemoração de mais um ano de vida de sua menina.

18 anos haviam passado tão rápidos como os 22 anos que também a marcavam. No final das contas o nascimento de Fernando e de Constância a marcaram, e não só na parte da mulher que vira mãe ao dar à luz. Era mais que isso.

Fernando veio ao mundo para despertar nela uma dor jamais sentida e que ela jamais desejaria a outra mãe, quanto Constância para lembra-la que essa dor seria sua sombra, como um fantasma sempre presente. Ambos filhos haviam sido gatilhos para sua alma já na mira da insanidade antes mesmo deles nascerem.

Ela alisou o vestido preto que usava. Ele era todo liso, não tinha decote mas tinha um bico caído em um de suas pernas revelando as meia-calça da mesma cor que o vestido que ela usava. Nos pés usava um salto também preto, os cabelos estavam soltos e mais enrolados na ponta, o batom nos lábios, eram vermelhos e na frente do peito tinha uma joia, um colar prata e com uma pedra valiosa ao meio.

Ela segurou na mão ainda olhando seu reflexo no espelho. Estava feliz que não tinha temores nas mãos, que não se sentia nervosa para nada que pudesse vir àquela noite.

Enquanto se olhava, Inês ouviu alguém bater na porta. Com a porta aberta, ela apenas a olhou. Constância estava na porta escancarada, longe por Inês estar mais próximas da cama do que do lado do quarto que a levava a saída.

Inês suspirou olhando-a. Constância também vestia preto. Mas vestia um vestido de estilo mais despojado, mais curto também e um decote mais presente que antes ela usava. Tinha os cabelos loiros soltos, os olhos bem verdes e uma maquiagem lhe destacando os olhos e tirando o peso do tom preto que ela já vestia. Estava linda e Inês teve um choque de realidade que aquele momento sua filha havia crescido.

Constância era uma adulta e de nada precisaria dela se não quisesse. Ela poderia até viver longe que como mãe Inês sabia que nem ela como Victoriano poderia impedi-la.

E ela então temeu. Temeu o dia que isso passasse, se lamentou pelo tempo que foi rápido demais e não a esperado reconhecer mais cedo seus erros. Ainda que poderia lembrar que Constância ainda criança era alvo de seus exagerados atos de proteção, e tudo por culpa. A culpa então foi crescendo e as separando e Constância sentindo a menos querida entre as irmãs. O que nunca foi verdade. Errou quando voltou a cair, em seu nascimento e seu processo de se reerguer não havia sido fácil, mas consciente nunca teria deixado de amamentá-la. Um erro tão grande e pesado quando ela lembrava.

Inês piscou. Piscou mais de uma vez quando soube que começava a chorar de onde estava. Havia marcado Constância por ter se entregado a dor de perder um filho que lhe foi tirado a força quanto ela mesma anos depois fez o mesmo com outro filho.

Inês levou uma mão na bochecha segurando a lágrima molhada ali, respirou fundo e tentou dizer.

—Inês: Por favor, entre filha.

Constância só naquele momento que tinha o valor de buscar a mãe. O que não contava era que de novo fosse impactada por emoções distintas. Um amor que gritava como adoração pela mãe junto com rancores por pensar que não tinha sido adorada igual.

Os sapatos dela então foi o único som que se ouvia no quarto enquanto ela caminhava em direção da mãe.

Inês esperava em agonia também cheia de medo por não poder ver mais uma menina indo em direção dela e sim uma mulher. E não pôde mais esperar quando a encontrou no caminho se lançado nela, a abraçando com força e desespero como que se no abraço pudesse mantê-la ali para sempre encostada contra seu peito de mãe.

Constância chorou. Chorou de uma forma que não foi silenciosa. Chorou pelo abraço que nenhum dinheiro seria capaz de compra-lo e ainda assim, podendo ser mais valioso do que tudo que ganhou e ganharia toda a noite.

Nunca havia pedido muito para família. Tinha todos ao redor dela, todos vivos e vivendo uma vida confortável o suficiente para não se preocupar com algo material que lhe pudesse faltar, entretanto, faltava o que ela buscava por toda sua adolescência quando começou entender que algo acontecia quando Inês tinha dificuldade de estar com ela por bastante tempo, quando muitas vezes desviava os olhos dela ou vinha com conversas que demonstravam arrependimentos que ela desconhecia e apenas entendia que esses momentos eram mais frequentes com ela e não com suas irmãs mais velhas.

Inês afagou os cabelos dela com uma mão enquanto a outra lhe alisava nas costas. Fazia isso sentindo o abdômen de Constância se contraindo demonstrando seu choro intenso. Ela apenas gostaria de acalmá-la. Gostaria de não ser ela a causadora daquilo ainda mais em um dia especial. Um dia que ela gostaria que sua filha caçula apenas se divertisse entre os amigos enquanto festejava a vida: A vida dela.

Ela então respirou fundo sabendo que também chorava. Tinha lágrimas descendo em suas bochechas evidenciando tal fato.

—Inês: Constância, meu amor, não chore assim, por favor.

Inês então se esforçou para falar com a voz embargada e com o coração aos pulos, depois viu Constância levantar a cabeça e mirá-la.

Os olhos verdes dela estavam bem mais claros pelas lágrimas. Os tons deles eram como os olhos de Victoriano. Era um verde mais claro, fato que apenas ela e Fernando tinham os mesmos olhos do pai. Inês podia lembrar do menino bebê na sua fase de mudança de um recém-nascido para um bebê de meses, e depois ter constatado isso na única foto que o viu um pouco mais velho. Ela então sorriu. Sorriu chorando percebendo que Constância não poderia ter vindo para lembra-la de sua dor e sim suprir como Cassandra, um buraco a menos nela.

Inês então começou a limpar as lágrimas da filha. Enxugou as bochechas dela com a palma da mão mesmo, depois que fez, buscou uma mão dela para leva-la até a cama.

—Inês: Vamos sentar ali, querida.

Quando tocou a mão dela, com os dedos ao alisar seu torso ela sentiu um anel. Baixando o olhar, Inês pôde ver que Constância usava seu presente, e ela então riu feliz por ele não ter sido desprezado.

Juntas caminharam e sentaram na ponta da cama. Uma de frente para outra então suspiraram e depois um sorriso nasceu em ambos os lábios. E Inês falou primeiro.

—Constância: Feliz aniversário filha. Feliz aniversário, querida.

Depois de falar Inês não pôde não se sentir impulsionada a abraçar Constância outra vez. Por isso não hesitou quando seus braços a puxou para o outro abraço.

Constância sentiu daquela vez aliviada. Como que se ao soltar seu choro lhe tivesse tirado duzentos quilos de suas costas, como que se o choro tivesse lavado sua alma, levado para longe parte de sua dor e raiva.

Inês se afastou do abraço com gentileza. De um modo cuidadoso para que não fosse interpretado de outra forma, e com isso pensou que se ela era o calcanhar de Aquiles de Victoriano tratada como um cristal que pudesse ser quebrado a qualquer momento, Constância havia se tornado o dela. Se tornado a bastante tempo, mas sem que ela pudesse reconhecer de cara tal fato. Constância era seu ponto fraco entre as filhas.

—Constância: Obrigada, mamãe. Ah, e eu estou usando o anel que me deu. O achei lindo.

Ela tinha mexido no dedo que tinha o anel. Girou de um lado e outro sem olhar mais Inês.

Inês então tocou na mão dela, deu um riso quando pensou que compartilharia com ela um segredo. Algo que não pudesse levar Constância mais uma vez ás lágrimas.

Ela assim então.

—Inês: Sabe aquele anel que achou lá no pátio? Era de um ex-namorado meu. Fiquei brava no momento que o vi com ele porque ele estava ali porque seu pai jogou com ciúmes.

Constância a olhou, depois um riso discreto mostrou nos lábios dela.

—Constância: Meu pai faz coisas como essas?

Ela então perguntou interessada na fofoca da vida dos pais. Inês deu de ombros enquanto imagens do dia lhe vinham na mente, e então ela disse.

—Inês: Seu pai tem dificuldades de raciocinar quando ele está com ciúmes. E sabe que esse meu ex-namorado do passado é pai do namorado de Diana. Motivo qual o deixa assim, fora de si só porque guardei um bobo anel que me lembrava minha juventude. Esse foi o motivo de não o querer em seu dedo, então me desculpe se fui grossa.

Constância olhou novamente seu novo anel e disse.

—Constância: Bom, esse aqui é mais bonito.

Ela agora olhou para o rosto de Inês. Inês sorriu assentindo e a respondeu.

—Inês: Sim, ele é.

Ela ainda seguiu sorrindo e por um tempo as duas ficaram apenas se olhando. Quando Constância disse.

—Constância: A senhora está linda, também parece diferente.

Inês sorriu quando disse.

—Inês: Você também está linda, meu amor. Não tive tempo de falar isso quando entrou. Mas você está tão linda e tão já mulher que me assustou quando te vi.

Ela deixou de falar e suspirou. Constância sentiu ela lhe tocar nos dedos da mão, e a observando ela disse.

—Constância: Se assustou por quê?

Inês deu de ombros enquanto pensava nas melhores palavras que pudesse falar, para que nenhuma ressoassem o quanto ela ainda se arrependia como agiu quando ela ainda era uma menina.

Depois a olhou e disse.

—Inês: Você cresceu rápido. Já não precisa de mim nem do seu pai se optar por exemplo nos deixar e viver sua vida.

Constância suspirou agora ela buscando os dedos da mãe para tocá-lo em uma singela caricia. E disse.

—Constância: Cassandra e Diana não deixaram a casa mesmo com suas maioridades.

Inês agora segurou na mão dela com suas duas mãos e a respondeu.

—Inês: E eu espero que faça o mesmo, filha. Quero que ainda esteja em todo lugar dessa casa. Ainda precisamos resgatar o que nos foi roubado.

Ela beijou agora o torso da mão da filha, quando voltou a falar lhe mirando os olhos.

—Inês: Eu te amo minha filha e sempre vou precisar que esteja presente onde eu estiver, querida.

Victoriano deu a mão para Vicente que estava chegando com Diana Maria. Os homens riram à frente da casa, depois se tocaram em um cumprimento masculinos com tapas nos ombros.

—Victoriano: Só assim para que venham em minha humilde residência.

Ele riu e Vicente fez careta quando disse.

—Vicente: Somos sócios há pouco mais que duas décadas, te vejo o suficiente homem, preciso evitar seu mau-humor longe do escritório.

Diana Maria que estava de braços dado com o marido, riu dizendo.

—Diana Maria: Eu vou procurar por Inês. Vou deixar que se entendam.

A mulher passou por eles, quando fez, Victoriano não ria mais, estava sério quando disse.

—Victoriano: Você não contou a ela sobre minha cirurgia, não foi? Sabe que ela pode contar a Inês.

Vicente encarou seu sócio, amigo e compadre de cara feia, quando disse.

—Vicente: Agora virei marica que faz fofocas, Victoriano? Claro que não contei homem!

Agora Victoriano voltando ao seu humor de antes, tocou no ombro do seu sempre e fiel amigo quando disse.

—Victoriano: Vamos beber, Vicente. Vamos beber e comemorar, hum.

Os homens sorriram um para o outro e então começaram a caminhar para entrada da casa.

A festa já com convidados se concentrando onde ela aconteceria, começava a dar seus sinais de aglomeração ainda que a aniversariante não apareceu entre eles.

Emiliano que chegou antes que os pais, levou suas mãos aos bolsos da calça e caminhou se desviando de quem via.

Robby que recebia todos. Á vontade o garoto se sentia como dono do lugar, mas Emiliano não poderia negar que ele fazia aquilo com satisfação e aparentemente para agradar a Constância que era sua namorada já há bastante tempo, o que ele não contava, mas pensava que estava durando muito por pensar que sua mais que amiga uma irmã, podia ser capaz de tolerar. Constância era instável e mudava de opiniões e gostos rapidamente. Com isso aquele tempo de namoro o surpreendia.

Emiliano observou a equipe de buffet já andando pelo território servindo bebidas, e andou em busca de uma. Ia se juntar aos jovens dali que iriam se embriagar até a última gota de álcool acabar ou seu padrinho os expulsarem. Tal parte o fez rir desejando fortemente aquilo.

Inês descia com Constância. Ambas sorriam, e os vestígios das lágrimas não estavam mais em seus rostos já retocados por maquiagens.

Abaixo, Inês viu suas duas filhas mais velhas, lindas joviais como eram em suas mocidades, mas também viu Diana Maria ao meio de sua sala. Ela que a ligou pela manhã confirmando sua ilustre presença.

—Diana: Já íamos busca-las.

Diana rápido disse sorrindo, mas ao mesmo tempo apressada para levar a aniversariante para o meio de sua festa.

Era claro a felicidade no rosto das duas mulheres que chegavam, com isso as 3 que sobravam a olhavam sorridentes.

—Constância: Estávamos conversando coisas nossas.

Constância que chegou até o meio da sala com os braços dado à Inês, se soltou para cumprimentar Diana Maria que ela e suas irmãs a viam como tia legitima.

Se cumprimentaram enquanto Inês dava atenção para mais velha. Seus olhos pararam em Cassandra que estava perfeita e sorriu para ela com amor.

—Inês: Você está linda querida.

Com a mão no rosto de Cassandra, Inês disse, deu uma carícia na bochecha dela e depois a ouviu dizer.

—Cassandra: A senhora também mamãe, está belíssima.

Diana Maria antes que Inês pudesse responder, disse.

—Diana Maria: Está linda mesmo Inês. Deveria usar mais batom vermelho.

As jovens concordaram com a opinião da tia, até que Diana outra vez disse afobada.

—Diana: Vou levar Constância para o lado da festa dela, mas antes temos convidados ainda vindo. Meu namorado e o de Cassandra por exemplo, e isso estou dizendo para que cuide do papai, mãe ainda mais por Alejandro. Não queremos vexames.

Inês suspirou agora séria e entendendo aquele pedido, quando Cassandra acrescentou.

—Cassandra: Alejandro vem com aquele amigo dele, o médico de Constância.

Agora Constância e Inês olharam ao mesmo tempo para Cassandra. Constância se sentia feliz por saber da novidade que de fato seu psicólogo viria a sua festa, quanto Inês pensava que ela poderia sim cuidar de Victoriano referente a presença do genro indesejado, mas não sabia quem cuidaria dela e seus impulsos quando Carlos Manuel chegasse. Tinha tanta saudade dele que seu coração acelerou mais alegre em saber que voltaria a vê-lo e depois de crer que poderiam ter mais intimidade com ela todos os dias na clínica. Planos e expectativas que foram por água abaixo quando Santiago resolveu beija-la.

Não demorou muito para as duas adultas ficarem sozinhas na sala.

Inês então sentiu o braço dela sendo tocado, quando Diana Maria percebeu que a mente dela tinha saído dali ao vê-la olhar fixamente um canto qualquer de onde estavam.

—Diana Maria: Tudo bem, Inês?

Inês assentiu rápido agora se concentrando nela.

—Inês: Sim. Vamos para o lado da festa também. Têm umas mesas reservadas especialmente para nós.

Quando viu Diana Maria assentir e começar a segui-la, as duas pararam ao som da voz de Victoriano. Viram então seus maridos vindo de uma direção que Inês sabia que era o escritório.

Ambos tinham um copo grosso com uísque e gelo na mão. E Victoriano quando viu Inês de frente, parou. Parou medindo ela com os olhos. Olhou as pernas dela mostrando pele demais, demais para qualquer pessoa que a via constantemente usando calças, finas meias transparentes, vestido e um batom vermelho sangue desenhando perfeitamente os lábios dela.

Ele ainda sustentava o copo. Não saiu dali mesmo quando viu Vicente encontrar sua esposa e beijá-la em seguida como que já sofresse de saudade. Inês que foi ao encontro de Victoriano, parou à frente dele. Ele apenas moveu os olhos baixando eles para mirá-la melhor em sua frente e sentiu depois o copo dele ser tirado da mão dele.

Inês pegou o uísque vendo que Victoriano ficou com a mão ainda como se segurasse o copo. Ela sorriu de lado e depois tomou um gole da bebida dele. Ela não fez careta apreciando a sensação do gosto forte na sua boca e o queimar na garganta, depois entregou o copo a ele e lambeu com a ponta da língua uma pequena parte de seus lábios. Isso para garantir que a bebida não ficasse entre o batom.

Victoriano já segurava o copo na mão com seus olhos que não tiraram sequer seu olhar dos lábios dela. Quando piscou por ver os lábios quietos, sua língua dentro da boca também, ele disse baixo.

—Victoriano: Por que não me preparou para vê-la assim, morenita? Você está linda. Eu, eu não vou suportar ficar tanto tempo nesta festa sem te levar ao nosso quarto.

Ele ao deixar de falar, baixou os olhos aos lábios dela outra vez. Ele pensava maldades com eles naquele tom e a língua rosa que saiu discretamente exibida para ele.

Inês reconheceu o desejo nos olhos dele que brilharam demais. O único problema era que a tal ansiedade que ela tinha de voltar ao quarto havia passado. Tinha bons motivos para ficar mais tempo na festa. Estava muito bem com Constância e Carlos Manuel estava a caminho.

Assim então ela o tocando sobre o peito, disse baixo também.

—Inês: Saiba que você também está lindo meu amor, mas não tenho mais tanta pressa. Á noite só está começando, querido.

Ela deu dois beijinhos nos lábios dele com ele voltando ao seu estado de paralização. Até que ela o chamou para o lado da festa e se virou.

Victoriano então pegou em um braço dela, agora com eles percebendo que Vicente e Diana Maria tinham ido na frente, e então ele disse.

—Victoriano: Que beijo foi esse, Inês? Me beija direito, mulher.

Ele a puxou para mais perto enquanto não queria largar ela nem o copo. Mas Inês levando outra vez as mãos ao peito dele agora para afastá-lo, disse.

—Inês: Vai tirar meu batom. Depois, meu amor. Depois nos beijamos.

Ela se afastou e Victoriano então a observou andar. Ele bebeu do resto de sua bebida e depois a seguiu com pressa.

A primeira hora da festa de Constância havia passado. Em um espaço ao pátio do lado de fora da casa, tinha música alta, bebidas, falatório vindo dos jovens, mesas e garçons servindo mais bebidas com alimentos para acompanha-los.

Em uma mesa, Inês observava os movimentos e ao mesmo tempo conversava com Diana Maria. Á sua frente tinha um copo de Gin. A bebida tinha gelo, color rosa e um gosto doce ainda que um doce forte revelando seu teor de álcool. O que tudo contido na bebida, agradou a Inês que a bebia à espera dos convidados que ela já não pensava que viriam.

Victoriano de pé longe da mesa, bebia também. Mas estava de frente de Vicente com isso, ele desviava sempre que podia seu olhar para o lado que Inês estava.

Não conseguia ficar nunca à vontade quando a via beber. Ficava inquieto e preocupado por isso já pensava em estar próximo dela, quando Vicente disse alto para perpassar o som da música.

—Vicente: Victoriano, deixa de olhar Inês como se fosse a babá dela.

Victoriano bufou. Tinha na mão uma bebida mais casual para a ocasião. Cerveja. Vicente também bebia do mesmo. Assim então ele virou a ponta da garrafa média na boca e depois disse.

—Victoriano: Não consigo. Inês não sabe beber porque ela não é acostumada.

Agora foi Vicente que bufou quando disse.

—Vicente: Sabe quem não é acostumada a beber também por antes não fazer, ao menos não na sua frente? Constância! Ela sim deve se preocupar, já que ela é sua filha. Então deixa disso, Santos. Não sufoque minha comadre por hoje.

Ele tomou a cerveja dele. Victoriano fez o mesmo olhando Inês e com raiva das palavras certas de Vicente que o calaram, e ainda mais o chamando de Santos o que o fazia lembrar de Loreto que o chamava do mesmo modo.

Não demorou muito para ele ver quatro convidados a mais chegarem. Victoriano reconheceu três, desconhecendo apenas um. A um era uma moça jovem e alta. Quanto os outros três eram todos conhecidos e rapazes. Alejandro que tinha o DNA de Loreto o fazendo presente ali, Ivan que ele sabia que estava se relacionando com Cassandra o único até então de seu agrado ali presente já que o terceiro de braços dado à uma moça vestindo vermelho, também não era de seu agrado. Carlos Manuel não deveria estar ali, mas estava.

Dentro da casa, Bernarda já presente e solitária andava até a cozinha.

Já tinha sido cumprimentada pelas filhas de Victoriano, dado seus presentes para a aniversariante e até sido levada a uma mesa. Mas seu intuito não era se divertir ou relaxar. Estava mesmo presente para demonstrar que sempre estaria para Constância, mas também para impor sua odiosa presença á Inês.

Na porta da entrada da cozinha, ela viu logo uma bagunça generalizada com uma equipe do buffet entrando e saindo dela e andando para todo lado, e ali entre eles a velha que ela odiava, dando ordens. Adelaide que não morria e nem se aposentava.

Adelaide entregou um saco de gelo a um moço uniformizado quando viu Bernarda.

Ela limpou suas mãos em um avental amarrado no corpo e protegendo sua roupa de festa. Já que naquela noite não era para ela estar trabalhando e sim na festa, o que Adelaide pensava ser impossível ela deixar a cozinha dela na mão de desconhecidos. Com isso estava ali para garantir que a coisas saíssem bem do seu jeito.

Bernarda então com sua bengala, chegando mais próximo, ela disse.

—Bernarda: Por que você ainda não morreu, sua velha?

Adelaide mediu a mulher em sua frente tão velha que usava bengala e ela não, ainda que sua mão estava apresentando falhas motoras por sua já avançada idade também.

Assim então depois de uma leve comparação, ela disse.

—Adelaide: Não sou eu que estou usando bengala, não é mesmo, Bernarda. Com isso eu ganho de você.

Bernarda revirou os olhos, andou ao redor de uma larga mesa de mármore com muitas bandejas de bebidas que via os garçons deixando elas vazias e levando as cheias.

Assim então ela disse.

—Bernarda: Vim pegar uma bebida. Só estão me oferecendo água e refrigerante.

Adelaide deu de ombros e disse.

—Adelaide: É isso que oferecem a velhas como você. Mas pode pegar o que quiser e deixe minha cozinha. Não é bem-vinda aqui.

Adelaide tirou o avental, depois saiu pela porta do fundo da cozinha.

Cassandra, Diana, Constância e Emiliano se encontraram em um círculo quando viram quem havia chegado.

Constância tinha largado a mão de Robby o namorado quando viu seu médico. A atitude seguinte foi um estranho abraço que ela deu nele.

A convidada morena que Carlos Manuel trazia, ficou de lado quando viu a jovem abraçando-o. Ela mediu de cima abaixo a cena que assistia, enquanto também era medida por Diana e Cassandra. Ambas juntas de seus namorados.

Assim então Constância largou Carlos Manuel notando só depois que o tinha abraçado forte demais.

E por isso deu dois passos para trás, dizendo.

—Constância: Que bom que veio!

Carlos Manuel segurava um presente embrulhado e deu a ela, com um sorriso.

—Carlos Manuel: Feliz aniversário, Constância.

Ela pegou o presente, quando sentiu, ela soube que era um quadro. Ela não entendeu o porquê daquele presente tão aparente insignificante, mas apostava que vindo dele teria algo a ver com as terapias.

—Diana: E você quem é?

A voz de Diana se ouviu fazendo agora Constância olhá-la.

Diana olhava a convidada de Carlos Manuel que agora o agarrava pelo braço também. Ela deitou a cabeça no ombro dele, esticou um braço estendendo a mão, e a respondeu.

—X: Sou Montserrat, a namorada de Carlos Manuel.

Carlos Manuel quando a olhou se surpreendeu por entender que estava namorando antes de ser notificado do fato.

Inês da mesa olhava ansiosa a cena, depois ainda olhando tomou de um gole de um novo copo de bebida.

Diana Maria olhava para o mesmo lugar que ela, sabia quem Inês olhava com tanta ansiedade, quando então ela disse.

—Diana Maria: Inês é melhor maneirar na bebida na presença desse rapaz.

Diana Maria fez que ia tirar um copo dela, mas Inês puxou o copo rapidamente, dizendo.

—Inês: Eu estou bem, Diana Maria, não faça como Victoriano também, por favor.

Diana Maria suspirou se rendendo, quando disse.

—Diana Maria: Desculpe, Inês. Todos nós te amamos e só queremos te ver bem.

Inês suspirou também. Mas querendo respirar longes dos olhares de Victoriano que ela sabia que tinha e agora de Diana Maria, ela disse.

—Inês: Eu vou dar uma volta.

Ela então se levantou junto do copo, e saiu com ele.

Diana Maria levou ar ao peito, ergueu a mão chamando por um garçom e depois pediu para ele deixar dois copos de bebidas na mesa, e os dois eram claramente para ela.