Amor Selvagem!

25 Capítulo 25 DECIFRA-ME OU DEVORO-TE!


Notas iniciais
**♥**Oi, galerinha amada!!! Espero que tenham tido um Natal especial e que 2014 chegue repleto de alegria, amor, paz, fics e tudo de bom! **♥** Espero que gostem do capítulo, pois a fic está acabando!! Bjs, XD

— Não, Saga, você não é um monstro e eu jamais vou abandoná-lo. Eu te amo... – irrompeu a voz grave e emocionada de Kanon.

Abalado pela surpresa e pela culpa, Saga voltou a atenção para o rosto de Kanon. Suas pálpebras pareciam pesadas e ele fechou os olhos por um momento, tentando reaver o controle sobre si mesmo. Sua voz soou baixa e rouca:

— Kanon, você voltou...

O gêmeo mais novo assentiu e engoliu em seco ao perceber a palidez do irmão e as olheiras profundas no rosto bonito. Aproximou-se, inicialmente com receio, mas depois buscou o corpo de Saga e abraçou-o com força.

— Estou aqui... Estou aqui e não vou deixá-lo, nunca mais.

Kanon sentiu o estremecimento de Saga e a fraqueza em que ele se encontrava.

— Está se alimentando?

— Não preciso... Seu amor me alimenta.

Kanon sacudiu a cabeça e olhou para Camus. O ruivo levantou-se, entendendo a mensagem.

— Vou deixá-los às sós e pedir que o mordomo traga algo para Saga comer.

— Obrigado, Camus.

— Não agradeça a mim e sim à June que defendeu, bravamente, a permanência de seu irmão nesta casa. – disse o duque tocando o ombro de Kanon.

No instante em que seu nome foi citado, June entrou com uma bandeja com café, pães e frutas. Sorridente, ela se aproximou da cama e abriu as perninhas da bandeja para acomodá-la sobre o colo de Saga.

— Achei que estaria com fome, não comeu nada o dia todo. Agora que seu irmão está aqui, você vai melhorar, não é? – perguntou ela sorrindo.

Saga se empertigou mais na cama.

— É só o que eu desejo...

— Pedi que fizessem aqueles rolinhos de canela que tanto gosta. E este café vai lhe trazer um novo ânimo. – falou June.

— Bem, eu vou deixá-los. Tenho algo importante para cuidar, mas, por favor, me mantenham informado. – disse Camus.

— Eu o farei. – disse Kanon apertando a mão do duque.

June acompanhou o ruivo e o sorriso desapareceu de seu rosto.

— Acha que o médico virá logo? – perguntou ela.

— Creio que sim, por quê?

— Essa melhora é momentânea. Temo que Saga tenha outra crise.

— Não se preocupe, Kanon o deixará estabilizado por um tempo. Shion logo estará aqui.

June sorriu e quase abraçou o duque. Porém, conhecia Camus e sabia que ele não era dado a estas manifestações de afeto. Fez uma mesura e logo voltou para dentro da mansão, tendo o cuidado de dar um tempo para que os gêmeos pudessem conversar e se entender...

No quarto, Kanon havia levantado e observava Saga beber o café, em pequenos goles. Queria perguntar, mas temia cansar o irmão. No entanto, foi Saga que iniciou o assunto.

— Algo muito errado está acontecendo comigo, Kanon... Gostaria de explicar tudo o que fiz, mas não consigo.

— June me disse que já chamaram o doutor Shion. Vamos ver o que ele vai dizer. Por enquanto, descanse.

— Eu estou com medo, Kanon. Pela primeira vez, eu sinto um medo intenso...

— Eu estou aqui... Vamos superar isso, juntos.

Ainda se sentindo envergonhado, Saga olhou dentro dos olhos de Kanon.

— Eu... te machuquei! Machuquei a pessoa que eu mais amo. Não quero que isso se repita, Kanon! – disse ele e lágrimas escorreram pelo rosto pálido.

— Isso já passou. – disse ele aproximando-se da cama, novamente, e sentando ao lado do irmão e acariciando o seu rosto.

A visão do corpo forte e do amor refletido no verde intenso daqueles olhos levou Saga direto ao passado, à primeira vez que tinham feito amor... Ele tentou sorrir e refugiar-se nas sensações que vivenciara. Havia sido tão profundo e intenso o que sentira, mesmo que a culpa viesse no mesmo pacote. Segurou-se naquelas lembranças e foi resistindo, tentando silenciar a outra voz que o cerceava como um predador faminto...

— Eu te amo e sempre vou amar. – disse Kanon e as bocas se uniram em um beijo terno e delicado.

— Eu também... — sussurrou Saga e aprofundou o beijo que era a sua salvação.

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Hades mantinha Valery segura pelo braço, enquanto ela se debatia jurando inocência. O inspetor torceu o bigode, antes de solicitar que o conde a soltasse. Os empregados fingiam discrição, enquanto se escondiam atrás das cortinas para observar melhor a cena. Apenas o mordomo permaneceu com sua expressão inalterada, embora estivesse se remoendo de curiosidade.

— Pode deixar, senhor conde. Tomarei as providências agora. Senhora, eu peço que nos acompanhe. – disse Simon. – E os senhores também. – completou olhando para Hades e Minos.

Valery estava transtornada, porém se recompôs e olhou para o inspetor de forma dramática. Com os olhos cheios de lágrimas e fungando, ela ainda tentou sua cartada final fitando Simon de maneira sedutora.

— Foi tudo um engano, um mal-entendido. – disse ela chorosa.

— Esclareceremos essa e demais situações na delegacia, minha senhora. – respondeu o inspetor.

Alheio à movimentação, Minos acariciava a cabecinha do macaquinho morto. Hades se aproximou ao notar-lhe a ausência. Ele não dissera uma palavra, até então.

— Minos, precisamos ir até a delegacia.

O jovem olhou-o e deixou o corpo sem vida sobre uma bergére. Seu semblante estava por demais abatido, o que fez Hades ficar ainda mais preocupado.

— Você bebeu algo mais servido por ela? Está pálido!

— Não, nada. Só estou... Ah, não sei o que pensar. – disse Minos. – Me sinto responsável.

Hades olhou para frente, onde Simon já conduzia Valery para a carruagem. Colocou as mãos nos ombros de Minos e encarou-o.

— Você não tem responsabilidade nenhuma, neste caso. Essa mulher é uma desvairada e vai pagar pelo que fez! Deixe que eu responda as questões e tome conta desta situação.

— Mas, eu... Nós...

Colocando um dedo nos lábios de Minos, Hades o interrompeu.

— Conversaremos depois, agora vamos até a delegacia. Deixe tudo comigo.

O jovem concordou, porém em seu íntimo algo o incomodava. Depois que Radamanthys o procurara para reaver as telas que pintara, tendo Pandora como modelo, ele refletira sobre suas ações. Nunca pensara em ninguém, além de si mesmo e essa novidade não lhe era nada agradável. Suspirou e acompanhou o amante que o observava sem compreender a razão daquela mudança.

Interiormente, Hades fervilhava com a atitude de Valery, havia sido uma traição horrenda que ele faria questão de fazê-la pagar. De vez em quando olhava para Minos que perdera a vivacidade, o jeito espontâneo e juvenil que alegrava o seu coração. Somente isso já bastava para desejar vê-la balançar na forca.

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O lutador retornou para as sombras onde permanecera por horas até que o conde voltasse ao lar. Seu olhar malévolo oscilou entre o alpendre e a janela do quarto, tentando decidir onde seria o local mais adequado para dar cabo da sua missão.

Esperaria o desfecho da ação do homem que parecia nervoso e então daria continuidade ao plano, livrar-se da pedra que ameaçava o sossego de sua amante e receber uma boa quantia em dinheiro que o faria rico por algum tempo.

Jamian estava angustiado e temeroso, Valery o escorraçara, como sempre. Ela o usara para fazer o serviço sujo e agora lavava as mãos e o deixava desamparado. Como ela ousava tratá-lo como se fosse um cão sarnento?

Entrou na mansão a passos largos, sentindo a garganta seca e a cabeça latejando.

— Isso não vai ficar assim! – esbravejou antes de servir-se de conhaque e beber de um só gole.

Nesse meio tempo, a velha governanta que possuía olhos esbranquiçados devido à catarata, adentrou o salão.

— Precisa de mim, meu senhor? – perguntou ela.

— Não, pode ir se deitar. – respondeu Jamian bebendo mais um gole e sentindo o efeito relaxante do álcool.

A governanta obedeceu e deixou o conde espalhado em uma poltrona de couro. O líquido ambarino acabou em pouco tempo e, passados alguns minutos, ele pegou outra garrafa, agora de uísque se levantou e subiu as escadas em direção ao quarto. Ao entrar viu que a janela estava aberta, trazendo o ar frio da noite para o aposento. Colocou a garrafa sobre a penteadeira e fechou a janela. Começava a retirar as roupas quando ouviu um ruído.

— Quem está aí? – perguntou já um tanto estonteado pelo conhaque.

Não houve resposta, então Jamian pensou estar imaginando coisas e voltou a desabotoar a camisa quando sentiu algo envolver o seu pescoço, fazendo-o ofegar e arregalar os olhos. No entanto, o suplício não durou mais que um minuto e outro som, agora de uma arma sendo engatilhada se fez ouvir.

— Solte-o ou eu estouro a sua cabeça! – disse Milo.

O lutador estancou. Com a respiração em suspenso, tentava pensar em algo, porém, uma segunda voz acabou com qualquer esperança que o homem possuísse.

— É melhor fazer o que ele diz ou acabará morto. Pense bem e faça o que é certo. Coloque as mãos na cabeça e bem devagar. – falou Camus.

Jamian suava, tossia e tremia quando foi solto.

— Q-Quem é e-esse h-homem? – perguntou esfregando o pescoço que exibia uma marca avermelhada por conta da corda que quase o asfixiara.

— Vamos saber agora, não é mesmo senhor? – questionou o duque.

— Não vou falar nada! – vociferou o homem.

Milo sorriu e Camus notou o brilho malévolo nos olhos do jovem. Tentou adivinhar o que se passava na cabeça de seu pupilo, porém logo descobriu que ele aprendera com êxito as lições que tivera.

— Bem, falando ou não, invadiu a propriedade alheia e foi pego em flagrante. E, mesmo que tenha tentado assassinar um traste, ainda assim ele é um nobre o que o deixa em vantagem e o condena à forca só por este simples ato. – disse Milo.

Jamian arregalou, novamente, os olhos, mas agora pela indignação.

— Meça suas palavras, garoto! Como ousa me desrespeitar em minha própria casa?

— Está se sentindo desrespeitado? – perguntou Milo rindo. – Ora, faça-me o favor! Você é um, escroto como esse aí ou até pior!

— Milo, deixemos as ofensas de lado e vamos ao ponto principal. – disse Camus interrompendo a conversa e observando, cuidadosamente, o lutador que ainda estava sob a mira das armas.

O homem se remexeu e Milo franziu o cenho.

— Fique quieto que meu dedo está coçando... – falou o loiro.

— Jamian, independente da confissão deste homem nós só estamos aqui, porque o vigiamos e juntamos os fatos. Sabemos do seu envolvimento com a condessa Valery que, há esta hora, deve estar sendo interrogada pelo inspetor de polícia e creio que ela está tentado livrar-se de alguns incômodos capazes de incriminá-la. Então, meu caro, creio que está na hora de alguns esclarecimentos. – disse Camus.

A expressão de Jamian mudou para o terror, assim como a do lutador também. Ambos se olharam e logo tornaram a encontra os olhares inquisidores de Camus e Milo.

— E-Eu n-não s-sei do que está falando eu...

— Bem, Milo, creio que nos enganamos. Deixemos estes dois resolver as suas pendências... – falou Camus.

Milo moveu a arma na mão e fez menção de guardá-la quando Jamian gritou:

— Como assim? Vão me deixar com este bandido?

— Eu não sou bandido! – gritou o lutador.

Milo revirou os olhos.

— Querem saber, vamos parar com esta conversa de doido e começar a falar sério! O que você fez com aquela sua prima safada, heim? – disse Milo encarando Jamian e depois olhando para o lutador com malícia. – E você? Andou ciscando no terreno da madame? Aquela mulher é uma viúva-negra, meu caro, mata o macho depois de ir prá cama com ele...

Foi a vez de Camus franzir o cenho com a fala de Milo e pigarrear, antes de falar.

— Bem, vamos ao que interessa. Acho melhor irmos todos para a delegacia.

— Está bem, eu falo. – disse Jamian. – Mas têm de me prometer que...

— Sem acordos, Jamian. Você está envolvido na morte de Standiford? – questionou Camus.

— Sim, mas eu não o matei, quem o fez foi Valery!

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Aiolia olhou-se no espelho oval. Vestia uma elegante casaca bordô, uma camisa branca impecável e uma gravata escura que contrastava com seus cabelos acobreados. Apesar de achar-se bonito, estava nervoso como nunca estivera. Sempre fora consciente de sua presença, um leonino nato como dissera uma vidente, certa vez. Agia com orgulho e nunca recuava diante de um desafio.

No entanto, o desafio atual era completamente desconhecido: apaixonara-se por um homem e não sabia muito bem como lidar com isso. O que agradaria Mu? Ele parecia um jovem educado, simples e discreto. Devia mandar-lhe flores? Lavanda, talvez, para combinar com seus cabelos exóticos? Não! Ele era um homem, não uma donzela!

— Posso ajudá-lo em alguma coisa, senhor? – perguntou a criada notando que seu patrão corria os dedos pelos cabelos.

— Hã... Selena... Se você quisesse mostrar a um homem o seu interesse, o que faria?

A criada estranhou a pergunta, mas pensou alguns segundos e respondeu.

— Eu mostraria interesse no que ele gosta de fazer.

— E se você desconhecesse, totalmente, os gostos dele?

— Bem, eu faria algo romântico como um piquenique ao luar... Com bastante comida e champanhe.

Aiolia franziu a testa e, em seguida, abriu um sorriso largo.

— Obrigado, Selena! Mande preparar uma cesta para mim.

A criada fez uma mesura e deixou-o. Aiolia olhou-se, novamente, agora com mais confiança e ensaiou, mentalmente, o que diria ao jovem que virara a sua vida de cabeça para baixo...

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No Cabeça Cortada, Mu preparava sua mala quando Afrodite entrou no quarto.

— Perdoe-me por não bater, mas a porta estava entreaberta.

— Tudo bem. – disse Mu com um sorriso. – Estou deixando as minhas coisas arrumadas.

— Tem alguém aí querendo vê-lo. – disse Afrodite com um tom malicioso.

Mu engoliu em seco. Era ele!

— Eu sei que disse que ele tinha uma chance, mas... agora não sei se é uma boa ideia.

— Ora, ora... O mais sagaz e famoso crupiê de Londres com medo de um encontro? – provocou o loiro.

O jovem ergueu os olhos, os cílios longos e escuros se moveram devagar, revelando um olhar angustiado.

— Ele é diferente, Afrodite. Tem algo nele que mexe comigo e eu não sei lidar com isso.

Afrodite sorriu e se aproximou de Mu, tocando-o no rosto.

— Você sabia que um dia isso iria acontecer... Está apaixonado e não há vergonha nenhuma nisso.

Mu suspirou. Sim, ele sabia. Mas, não esperava que fosse por um nobre, nem que acontecesse de maneira tão rápida, de forma que parecia um adolescente vivenciando o primeiro amor. Sentia frios na barriga e um tremor interno cada vez que fitava o belo rosto do conde.

— Venha, vamos vestir uma bela roupa e encontrar o conde. Aja, naturalmente e não fique pensando muito. Deixe seu coração guiá-lo. Aiolia não é um nobre, somente no título, ele tem um coração generoso e atitudes dignas. Confie, meu amigo e se permita ser feliz.

— Está bem, você venceu, mas vou mostrar-me como sou, nada de roupas extravagantes. – disse o jovem.

Aiolia esperava impaciente quando Mu surgiu. Vestia uma camisa branca e uma calça justa de cor escura. Optara por não usar casaca, queria que Aiolia soubesse como era e percebesse que seus gostos não eram extravagantes, nem guiados pela moral social. Era autêntico e, embora isso sempre afastasse as pessoas, arriscaria novamente com o homem que fazia o seu coração bater mais rápido.

O olhar de Aiolia foi de pura admiração. Mu o encantava pela simplicidade e pela beleza que dispensava acessórios ou roupas caras. O leonino abriu um sorriso franco e estendeu a mão.

— Prazer em revê-lo, Mu. Eu gostaria de levá-lo a um passeio, espero que goste.

O jovem sorriu e assentiu com a cabeça, enquanto Afrodite espiava e sorria, também.

O lugar escolhido por Aiolia foi um jardim secreto em uma de suas propriedades. A grande extensão de grama verde e a lua cheia compunham um cenário belo e mágico. O leonino estendeu a toalha vermelha e começou a retirar o que trouxera na cesta: pães doces recheados de frutas, pães salgados com ervas e especiarias, uma torta de creme com morangos, uvas pinot noir e champanhe Chardonnay de uma safra especial.

Mu sorriu e Aiolia sentiu-se recompensado. Quando iria imaginar-se pleno de contentamento por obter um sorriso...

— Eu o trouxe aqui, porque podemos conversar e apreciar a noite sem todo aquele burburinho. Embora não o conheça, você parece tranquilo demais para ficar permanentemente sob as luzes. – disse Aiolia abrindo a champanhe e servindo as taças, cuidadosamente, acondicionadas na cesta.

— Tem razão, eu prefiro a quietude quando não estou trabalhando.

— Eu gostaria de saber mais sobre você, seus gostos, o que pensa. Até agora eu tenho intuído algumas coisas e tentado adivinhar outras.

Mu olhou-o sério, antes de beber mais um gole de champanhe.

— O que tem em mim que o atrai, Aiolia?

— Sua autenticidade. Não o vejo fazendo nada para agradar ou sendo afetado para chamar a atenção. Em minhas relações amorosas eu sempre esbarrei em jogos de sedução e creio que me acostumei a desempenhar papéis específicos. Ora eu me comportava como um cavalheiro, ora como um patife. Acho que nunca fui eu mesmo, como estou sendo agora.

— E quem é você? – devolveu Mu.

— Apenas um homem. Um homem perdido por sentir coisas que jamais experimentou, mas que não se importa com isso e deseja viver esse desafio.

A franqueza de Aiolia pegou Mu desprevenido. Ele desviou o olhar tomado por sensações que oscilavam entre o desejo e um sentimento novo e intenso de intimidade.

— E então? Passei no teste? – falou Aiolia procurando ocultar a ansiedade.

Mu sorriu.

— Não é um teste, apenas uma pergunta.

— Uma preliminar, você quer dizer?

O jovem mordeu os lábios e os olhos de Aiolia lhe pareceram quentes e brilhantes, mesmo que não enxergasse com muita clareza. Sem pensar muito no ato, levou a mão e tocou a face do leonino. O cérebro de Aiolia se esvaziou com aquele toque. Era simples, terno e, mesmo assim, despertou-lhe um desejo atroz misturado com uma emoção nova, quase assustadora.

— Beije-me, Aiolia...

A voz sussurrada e trêmula de Mu fez seus olhos ficarem escuros e as pupilas se expandirem. Aiolia ainda fitou os olhos ardentes de Mu, sentindo a respiração se alterar e então, suas bocas se encontraram, abertas, quentes e o leonino teve a sensação de ter passado a vida inteira à espera daquele homem...

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Os dois estavam de cabeça baixa e Jamian suspirou antes de olhar para a garrafa de uísque que colocara sobre a penteadeira.

— Preciso de uma bebida. – disse ele.

O lutador passou a mão na testa suada e, logo em seguida, nos cabelos negros e revoltos.

— Eu também.

Milo, que continuava com a arma apontada para ambos, olhou para Camus.

— É, acho que vamos deixá-los aproveitar os últimos momentos antes da forca. – falou o loiro.

Jamian o encarou com raiva, mas não havia nada a fazer. Talvez se contasse tudo ainda tivesse uma chance.

— Eu não vou arcar com tudo sozinho. Apenas fiz o que Valery mandou.

— Eu só gostaria de saber a razão de ter nos envolvido no meio de tudo isso. – disse Milo.

Um gole, seguido de outro suspiro, e Jamian falou:

— Valery é ardilosa como uma serpente e sempre gostou de dominar as pessoas. É assim desde criança. Até mesmo em suas brincadeiras ela era cruel e dominadora. Vocês foram, apenas, mais um desafio que ela cismou em se autoimpor.

— E você, como é um covarde e idiota, desde pequeno, resolveu entrar na brincadeira. Por que a ajudou, mesmo sabendo como ela é? – questionou Milo.

— Não me julgue, garoto. Quando chegar à minha idade vai ver que nem tudo na vida são flores. Eu tenho muitas dívidas, o que ela me pagou deu para sanar algumas delas.

— Cavou sua própria sepultura, Jamian. Sua vida desregrada e sua ambição o levaram a isso. Não creio que haja escapatória, mas ao se entregar à justiça, poderá obter alguma clemência. – disse Camus.

— E eu? O que vai acontecer comigo? – perguntou o lutador.

— Vai para a cadeia com o seu amiguinho aí. – respondeu Milo.

— Eu não quero ser enforcado... – gemeu o homem colocando as mãos no rosto.

— Ninguém mandou tentar me matar. – falou Jamian, irritado.

— Não briguem crianças! Vai acabar que os dois vão balançar juntos... – disse Milo.

Os dois o olharam com raiva e então Jamian passou a garrafa ao seu agressor que aceitou no mais absoluto silêncio.

Camus ouviu as fortes batidas na porta, já sabendo do que se tratava. Desde que deixara a mansão de Saga, havia se encontrado com Jonas e Milo que vigiavam a mansão de Jamian, certos que Valery haveria de querer livrar-se do primo. Ao constatar que havia um suspeito rondando a casa, ordenara que Jonas fosse até a delegacia, enquanto ele e Milo tomavam conta da situação.

— Creio que os policias chegaram. – disse o duque.

O mordomo abriu a porta e dois homens uniformizados se apresentaram. Logo, Jamian e o lutador foram conduzidos, enquanto O duque e seu pupilo os acompanhavam em uma carruagem própria.

Jamian olhou para a mansão sentindo um aperto na garganta, enquanto o lutador tentava se manter firme, afinal, era um homem e não um rato qualquer. Entretanto, ao saber que Valery os acompanharia no infortúnio, desfrutaram de um breve contentamento. Afinal, não seriam os únicos a pagar caro por tudo o que havia sido feito...

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O luar emprestava sua luz pálida ao momento íntimo que acontecia ali.

Mu fervia em sensações, cônscio de Aiolia em cada nível possível. Do calor do corpo, da intensidade do beijo, da forma como introduzira a língua dentro da sua boca.

Ele respirava o perfume másculo da pele do leonino e sentia o roçar da barba que já se insinuava no rosto bonito.

Gemeu faminto, fazia tanto tempo que não se entregava, que não sentia aquela urgência sem questionamentos ou barreiras. Jamais experimentara um desejo tão ardente e, provavelmente, se pensasse, teria duvidado que fosse possível. Mas agora estava na iminência de se entregar por completo e tudo que Aiolia fizera fora beijá-lo, porque ele mesmo pedira.

O leonino ofegava e interrompia o beijo só para mergulhar, novamente naquela boca macia e exigente que se oferecia a si. Por um segundo se perguntou se não estava indo longe demais e então Mu arfou e puxou-o para mais perto de si. Ouviu-o sussurrar que o queria por inteiro e seu mundo explodiu em cores e desejo.

As roupas foram tiradas e repousaram espalhadas pela grama, como testemunhas daquele momento delirante. Abraçaram-se com sofreguidão e Aiolia se acomodou sobre o corpo esguio de Mu, reprimindo um gemido ao sentir-lhe a pele e a ereção pulsante... Respirou fundo, pois se não tomasse cuidado, chegaria ao êxtase antes de penetrar-lhe o corpo, tanta era a excitação que o tomava diante daquele momento inédito em sua vida. Buscou o rosto dele e o segurou entre as mãos macias.

— Tem certeza...? – murmurou com a respiração alterada.

Mu sorriu e moveu as mãos pelas costas nuas de Aiolia, amando a sensação de carne quente e músculo sólido. O conde tinha um corpo forte e bem cuidado. Mas o que o cativara fora o olhar seguro e franco. Não havia sombras naquele verde sedutor, assim com sua boca não fora talhada para mentiras...

— Tenho... – gemeu ele em resposta e afastou as pernas, facilitando o encaixe perfeito de seu corpo com o de Aiolia.

O leonino experimentou uma alegria poderosa e um poder que o chocava pela veemência com que abarcava sua pele, ossos e sangue... Não havia receio, nem confusão no olhar de Mu. Era pura entrega e confiança, uma força masculina que os unia sem meias verdades ou padrões moralmente aceitos...

Sentiu os mamilos intumescidos de Mu e desceu os lábios para tomá-los na boca e sugá-los com voracidade, ato que fez o jovem arquear o corpo e gemer com o prazer agudo que assolou seu corpo. Aiolia sussurrou algo e continuou a usar os lábios e a língua, enquanto movia os quadris num ritmo tentador e com a maestria que nem sabia possuir.

Mu perdia o frágil controle sobre as sensações que o leonino lhe proporcionava. Agora era incapaz de perceber qualquer outra coisa que não fosse a implosão de calor que retesava seus músculos e queimava a sua pele, o elo entre seus mamilos e sua virilha que se colava ao corpo de Aiolia, ansiando para que ele o tomasse e o fizesse sentir o prazer rascante do preenchimento...

Sem pensar, Mu afundou as unhas curtas nos ombros nus e apertou as coxas em torno dos quadris rijos de Aiolia. O leonino compreendeu o pedido mudo e levou seu falo à entrada de Mu, enquanto beijava-o e deslizava as mãos por baixo das coxas torneadas até chegar às nádegas e levantá-las, enquanto se movia para dentro dele, embalando-se numa graduação excruciantemente lenta.

Mu levantou os quadris para apressá-lo e foi recompensando com um gemido sensual e rouco de extremo prazer. Músculos ondularam e retesaram e então Aiolia arremeteu forte e seu rosto ficou crispado ao sentir-se totalmente dentro do corpo do ariano.

Mu o abraçou estarrecido pelo choque de prazer e dor, enquanto Aiolia o preenchia. O leonino emaranhou os dedos nos cabelos arroxeados e travou a boca nos lábios de Mu, olhando-o com extrema atenção e começando a se mover forte e profundo, arrancando gemidos dos lábios entreabertos...

Os corpos se tocavam e a fricção das peles os fazia ofegar e vivenciar uma intimidade que os levava a um deleite que nenhum dos dois achava possível vivenciar. Aiolia movia-se com fúria e posse, rompendo a barreira da dor e dando a Mu um prazer maravilhosamente selvagem e transcendente. O ariano sentiu que o clímax não demoraria a vir, tão inclemente era a possessão do falo que o golpeava nas profundezas do corpo.

— P-Posso sentir você... por toda a parte... – deixou escapar num tom baixo e temeroso, porque nunca pensara que pudesse ser assim, uma mistura sagrada de luxúria e paixão genuína.

Aiolia foi tomado por uma revelação e continuou a penetrá-lo num ritmo forte, frenético e rápido. Quando Mu gozou alto, ele engoliu o grito com a sua boca, beijando-o e acolhendo os tremores e ofegos em seus braços. Ele o abraçou tão forte que Mu se sentiu parte dele, o sêmen quente aninhando-se entre as peles e, em seguida a estocada derradeira que cedeu a vez à Aiolia, fazendo-o vivenciar o orgasmo de forma tão intensa que ele arqueou o corpo e grunhiu, demoradamente.

As bocas ainda estavam próximas e ofegantes, enquanto Aiolia se deixava desabar sobre Mu. Os corações batiam acelerados e os dois sorriam sentindo uma mistura de sensações dentro de si.

— Eu sei que parece loucura, mas... eu nunca vivi algo assim e... nunca me senti tão completo...

— Eu também não. – disse Mu tocando os lábios de Aiolia com seus dedos longos.

O leonino podia sentir o coração de Mu martelando, o rosto afogueado que parecia uma pintura bela e exótica. Aproximou-se dos lábios dele e o beijou, para depois roçar os lábios no pescoço alvo e sugá-lo, marcando-o como seu. Não parou para pensar naquele ato primitivo de posse, apenas agiu e tornou a buscar a boca e a língua de Mu com uma urgência explícita de provar que não era momento, nem apenas luxúria. Quando o beijo findou, ele olhou bem dentro dos olhos semicerrados de Mu e disse com terna seriedade:

— Por Deus, Mu... Eu não posso sequer imaginar ficar sem você.

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Chacoalhando na carruagem, Marin olhava com entusiasmo quase infantil a paisagem que se descortinava ante seus olhos vivos. O dia amanhecera cinzento e uma garoa fina cobria a cidade.

Dohko e Shion estavam sentados lado a lado e de mãos dadas. A jovem sorriu para os dois e logo avistou os prédios e casas londrinos.

— Nem consigo acreditar que estou aqui! – disse ela, sorrindo.

— Pois se acostume, logo estará frequentando a sociedade. – disse Dohko.

Marin sorriu ainda mais.

— Estou louca para encontrar o Milo. Imagino a cara que ele fará, ao me ver aqui.

— Eu também estou com saudades dele. Será que já arranjou uma pretendente?

— Se me permite a ousadia, senhor... Milo não é... Bem, ele não aprecia somente as mulheres.

Dohko franziu o cenho e olhou para Shion.

— Não? Quer dizer que...

— Quer dizer que seu filho postiço puxou ao senhor. Não estranhe se ele estiver enrabichado por um homem! – disse Marin.

Uma gostosa risada escapou dos lábios de Dohko. Se fosse verdade, seria mais um presente que o universo lhe oferecia. Apertou de leve a mão de Shion que lhe devolveu o olhar cúmplice.

— Veremos.

Seguiram caminho conversando sobre amenidades quando a carruagem passou frente a uma bela mansão. Marin colocou a cabeça para fora da carruagem e suspirou extasiada.

— Que lugar bonito!

Dohko ficou sério. Aquela mansão era sua e ele a deixara para Pandora. Rezou para que não a encontrasse, porém o destino tinha planejado outra coisa para si. Antes que deixasse o local, uma figura que estava nos jardins correu até a cerca viva e acenou.

— Ei, aquela mulher, acenando não é a senhora Pandora? – perguntou Marin.

Com um suspiro, Dohko ordenou que a carruagem parasse e Shion percebeu-lhe a expressão de contrariedade.

— Paciência, um dia isso tinha que acontecer. – disse ele.

— Não podemos ignorar? Não quero que se altere muito. Ainda está sob observação. – falou Shion.

Pandora deixou a mansão e correu até a carruagem.

— Eu custei a acreditar em meus olhos! É mesmo você... – disse ela para o conde.

— Sim, Pandora, sou eu.

— Não imagina o quanto isso me deixa feliz! Eu rezei para que tivesse uma oportunidade de agradecer e me desculpar... Por favor, entre um pouco.

Dohko franziu o cenho e Shion ficou, apenas, observando.

Marin olhava para os três e sua curiosidade pulsava com tanta intensidade que ela ousou manifestar-se em meio aquele diálogo estranho.

— Eu estou com sede e preciso ir ao banheiro... – disse ela.

Notas finais
♥ Obrigada a todos que me acompanharem durante este ano, aquelas que comentaram, favoritaram, recomendaram, leram no celular, pediram a postagem, enfim, minha gratidão por cada gesto, seja ele qual tenha sido. Bjs e muito amor para vocês. XD♥