Amor Selvagem!

19 Capítulo 19 PASSIONE...


Notas iniciais
Aproveitando que as ideias estão fluindo, mais um capítulo! Bjs e boa semana!!

Saga havia procurado Kanon, durante à tarde, mas acabara encontrando outras pessoas e bebendo com eles no clube. Ao anoitecer, voltara para casa e encontrara o irmão. Os olhares se cruzaram e Kanon considerou suas opções. Podia fingir que nada tinha acontecido ou enfrentar tudo de uma vez. No entanto, antes que abrisse a boca, Saga veio em sua direção com o olhar contrito.

Perdoe-me... Sei que fui um crápula, um animal, naquela noite. Eu estava transtornado, acho que exagerei com o Absinto. Mas, deixe-me reparar isso. — disse ele segurando o rosto de Kanon e tomando-lhe os lábios em um beijo apaixonado.

Kanon cedeu, seu corpo tenso sentiu o toque das mãos ávidas de Saga e se permitiu corresponder. Sentia raiva de si mesmo, mas o amor e o desejo que sentia falavam mais alto.

Quando os lábios se afastaram, Saga olhou-o e sorriu.

June sugeriu-me ir ao Cabeça Cortada. Gostaria de acompanhar-me?

Surpreso, Kanon quase engasgou.

— M-Mas é claro que sim! Eu nunca pensei que você fosse querer.

Saga beijou-o, novamente, murmurando entre os lábios do irmão:

Eu desejo ser um homem melhor para você.

— Eu te amo, Saga. – disse Kanon abraçando-o.

Saga fechou os olhos ao sentir o corpo quente e receptivo, em seguida, abriu-os e havia um brilho maquiavélico neles... Devagar, ele mordiscou a orelha de Kanon e, em seguida, desceu os lábios, roçando-os no pescoço dele, fazendo-o gemer baixo.

— Eu também te amo, Kanon... muito mais que você possa imaginar. Venha, os criados estão ocupados e nós ainda temos muito tempo até a hora de sair. — disse ele, enquanto começava a despir o irmão, ali mesmo.

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Uma fila de carruagens que transportava desde a elite até os menos abastados desfilava em frente ao Cabeça Cortada. Mais de trezentas pessoas logo encheriam os salões, onde a bebida fluiria com o mesmo borbulhar das conversações da noite.

— Façam suas apostas, senhoras e senhores!

A frase dita com uma entonação apropriada abria, oficialmente, os jogos no Cabeça Cortada. Os jogos consistiam em uma maratona intensa de todo o tipo de jogatina: cartas, roleta e dados.

O salão preparado para o evento possuía mesas cuidadosamente selecionadas para receber os jogadores e altas somas de dinheiro eram ganhas ou perdidas num passe de mágica, exigindo ordem e segurança impecáveis.

O segredo da ordem e da legalidade dos jogos era mantido por um único homem, o jovem crupiê conhecido como Mu. De aparência exótica e olhos de águia era ele quem supervisionava outros crupiês e conduzia as jogadas que exigiam especial atenção aos golpes e fraudes.

A roleta, os dados e as cartas sempre causavam frisson e era ele quem recolhia as apostas da preferida da maioria, a roleta e pagava os ganhos de forma que não havia chance para mal-entendidos, nem reclamações. Quem observava de fora parecia não entender como um jovem de aparência doce podia ser tão firme e observador, assim como implacável na descoberta das trapaças. No entanto, duas vezes no mês, era ele quem orquestrava 24 horas ininterruptas de jogos, o que rendia uma boa quantia de dinheiro ao Cabeça Cortada.

Aiolia, Saga, Kanon e June chegaram ainda a tempo de jantar, uma opção oferecida em um pequeno e aconchegante salão. Kanon estava mais solto e contente, embora tivesse que permanecer com o cachecol para esconder as marcas em seu pescoço. Havia feito amor com Saga e estava extasiado com o prazer que ele lhe oferecera. Tinha sido muito diferente da noite fatídica, mas mesmo assim ele estava mudado... Não que estivesse reclamando, o novo Saga se mostrava mais passional, menos contido e se esforçava para agradá-lo.

— Então os jogos são isso, diversão ininterrupta! — falou Saga sorrindo de braços dados com June e abraçado com Kanon.

June sorriu, produzida e bela em seu vestido prateado com um decote generoso. O penteado e a maquiagem estavam perfeitos e ela sentiu uma pontada de tristeza ao lembrar-se da cena matinal. Perdera um bom amante e esta noite não terminaria como costumava terminar. Não teria Máscara da Morte em sua cama e custaria encontrar outro à altura. Paciência! Homens eram como carruagens, perdia-se uma, mas em seguida outra estaria disponível...

Máscara da Morte recebia a todos, ao lado de Afrodite e ela percebia o olhar que ele direcionava ao sócio. Ele o ama! Todo esse tempo e só agora ele percebeu. Não sei como os homens podem dominar este mundo sendo assim tão cegos...

Sorridente, o moreno vestia um terno escuro que moldava seu corpo e havia penteado os cabelos de forma que seu rosto anguloso e viril se destacava, completando todo aquele belo conjunto.

Já Afrodite vestia uma túnica branca que aderia, perfeitamente, ao corpo esguio e havia trançado os cabelos longos que lhe acentuavam a beleza diáfana e a aura mágica e misteriosa de seu olhar.

— Sejam bem-vindos à noite dos jogos, senhoras e senhores! Sintam-se em casa para apostar e se divertir! – disse Máscara da Morte.

— Oferecemos o que há de melhor, em jogos e diversão. Apenas, reintero que nenhuma briga ou falta de cortesia será aceita, assim como trapaça ou tentativa de roubo, tanto por parte da banca, quanto por parte dos jogadores. Então, divirtam-se! – completou Afrodite.

Assim que os dois terminaram sua fala, os jogadores foram se encaminhando para as mesas de sua preferência.

Kanon, Saga, June e Aiolia foram até a mesa onde estava a roleta, a atração mais esperada. Aiolia estava achando tudo divertido, mas estranhara a falta de Camus.

— Será que ele não vem? – perguntou, olhando para os lados e depois para Kanon.

— Ele pode ter desistido ou... vai chegar, daqui a pouco. – respondeu Kanon.

Ou estar na cama com o delicioso Milo. — disse Saga rindo, fazendo os olhares se direcionarem para si.

Porém, antes que alguém o questionasse, Aiolia ouviu a voz suave, porém masculina anunciar:

— Últimas apostas, mesdames e messieurs! O primeiro lance é de 100 libras.

Suspirando, o conde levou a mão à carteira e, em seguida, olhou para os amigos com uma visível excitação.

— Bem, vamos lá! – disse ele.

Porém, quando tornou a olhar para o crupiê, algo aconteceu. Foi como se tivesse sido enredado em uma rede mágica e não pudesse mais se mover. Havia, naqueles olhos intensamente verdes, um magnetismo que fez o estômago de Aiolia se contrair. Lentamente, ele passou dos olhos à pele e, em seguida, aos lábios finos e adoravelmente bem desenhados que murmurava algo... Algo que ele não conseguia ouvir direito, porque seu coração disparou e parecia bater em seus ouvidos.

Atordoado, Aiolia retirou a carteira, sacando algumas notas que nem chegou a contar.

Monsieur? Vai apostar em qual número? – insistiu Mu.

—Hã... Quinze. – respondeu ele dizendo o primeiro número que lhe veio à cabeça.

Mu recolheu as fichas. Alguns espectadores ficaram ansiosos, June sorriu e bateu palmas, Saga pediu mais uma bebida e Kanon indagou:

— Vai apostar 300 libras em um só número? Você nunca jogou, não é?

— Hã... Não, nunca joguei. – respondeu Aiolia elevando a taça de champanhe que tinha em mãos e constatando que tremia.

— Conserva a aposta, monsieur?— perguntou Mu.

— Claro! – respondeu Aiolia forçando um sorriso.

Kanon esperou a primeira rodada, como sempre fazia e sorriu para Saga que bebia champanhe olhando-o com uma expressão divertida.

Mu recolheu as fichas e girou a roleta. O modo com fazia, a postura do corpo, a serenidade dos gestos, o olhar intenso e transparente, tudo provocava em Aiolia uma constrangedora excitação.

Meu Deus o que é isso? Eu nunca... Nunca fiquei assim por um... homem! Será que virei a casaca e nem me dei conta? Só pode ser isso! Deuses, o que eu faço agora? Respire, Aiolia, respire fundo e se acalme.

Os pensamentos confusos de Aiolia foram interrompidos por gritos entusiasmados que ecoaram quando a roleta parou de girar. Kanon e Saga bateram em suas costas e June beijou-o no rosto.

— Você ganhou! – exclamaram os três.

Aiolia esboçou um sorriso estranho e fez um brinde. Olhou para Mu que continuava a organizar as fichas, enquanto pagava a aposta ganha.

— Deseja apostar, novamente, monsieur?— perguntou o crupiê.

— Sim, aposto no quinze, já que me deu sorte! – disse Aiolia e Mu elevou, discretamente, a sobrancelha.

Oui, monsieur! — falou Mu e perguntou aos demais quais números seriam escolhidos.

— Vai jogar no mesmo número? A chance de ele se repetir é muito remota. – disse Kanon.

Aiolia olhou para Mu e, mentalmente, disse para si mesmo: Se eu ganhar, é porque estava em meu destino me sentir atraído por um homem. Se eu perder é por que... porque estou sob o efeito contagioso das minhas amizades e vai passar assim que eu deixar esse lugar!

— Continuo com o quinze! – falou Aiolia quase gritando.

Mu manteve a expressão serena, embora já tivesse notado aquele homem. Como sempre, evitava qualquer olhar ou atitude que denotasse algum interesse pelos clientes. Era profissional e sabia muito bem como era a sociedade londrina. Recolheu as apostas e olhou para Aiolia, sentindo a intensidade e o nervosismo dele.

— Apostas encerradas! – disse ele e girou a roleta.

Quando a bolinha girou e girou caindo, exatamente, no mesmo número, Mu entreabriu os lábios e olhou para Aiolia. O jovem conde quase teve um colapso, mas ainda assim manteve a postura, enquanto era abraçado pelos amigos.

— O número quinze vence. A banca paga a aposta. – disse o crupiê e algo dentro de si estremeceu.

— Obrigado. – disse Aiolia recebendo as fichas e por alguns segundos, os olhares se fixaram um no outro.

Fazendo um cumprimento com a cabeça, Mu voltou-se para os outros apostadores, tentando dissipar as sensações que o sorriso daquele homem lhe despertava. Era estranho, desconfortável, até. Sempre fora mestre das suas emoções e agora um simples olhar o fazia estremecer como se fosse um adolescente. Recolheu as fichas e tornou a anunciar a próxima rodada, torcendo para que aquele homem deixasse a mesa.

Agora é a minha vez de apostar. – disse Saga. – Gosto do 24. Vermelho 24...— completou, enquanto apertava o joelho e subia a mão pela coxa de Kanon, fazendo-o ficar vermelho.

June percebeu a carícia feita por baixo da mesa e sorriu, um tanto aliviada. Saga estava se esforçando para ser um homem mais solto e parecia que Kanon estava gostando. Depois olhou na direção de Máscara da Morte que continuava recebendo os clientes. Viu quando uma morena sedutora, usando pingentes de rubis e um vestido provocante se aproximou dele. Certamente, era uma cortesã apadrinhada por algum nobre mais velho a julgar pelo que mostrava de seu corpo...

Franziu o cenho quando viu o moreno afastar-se bruscamente da bela mulher, mas tornou a sorrir maliciosa quando percebeu a razão de tal mudança de comportamento. Quem diria que o garanhão italiano se apaixonaria por nada mais, nada menos que o homem conhecido com a Rosa Venenosa...

Afrodite circulava vigilante, sempre atento a qualquer incidente ou descontentamento. Estava belíssimo e chamava a atenção pela postura aristocrática unida a uma sensualidade natural, porém sempre distanciada e até um pouco arrogante.

Depois que fizera sociedade com Máscara da Morte, acabaram-se os amantes e a efervescente vida social. Tornara-se um empreendedor e deixara o passado para trás, tudo por amor... Um amor que guardara a sete chaves e que agora não conseguia mais esconder.

Olhou para Máscara, vendo-o olhar em sua direção e sorrir. Como aquele italiano era belo e como fazia arder a paixão em seu corpo e em seu coração. Um sorriso dele iluminava seu dia, um toque de suas mãos fortes, despertava sua pele...

Ignorando o assédio feminino que sofria a cada passo dado, Máscara da Morte andou na direção de Afrodite e, pouco se importando com a reação dos demais, tomou a mão dele na sua, assim que chegou perto o suficiente.

— Eu vou esperar você o tempo que for necessário. – disse ele levando a mão do loiro aos lábios.

Instintivamente, Afrodite tentou puxar a mão, mas Máscara a reteve na sua e continuou olhando-o de forma intensa, como se somente os dois estivessem ali.

— Os clientes... – balbuciou o loiro.

— Estão jogando e se divertindo. É para isso que vieram e é isso que nós oferecemos. O resto pertence somente a nós dois e estou me lixando para o que pensam. – disse o moreno.

Afrodite respirou fundo ao sustentar o brilho dos olhos azuis que o invadiam. Tentou dizer algo, mas as palavras, surpreendentemente, ficaram presas em sua garganta.

— Preciso... Estamos trabalhando. – disse por fim.

— Eu sei. Continuaremos nossa conversa mais tarde.

Os gritos entusiasmados de uns e os desesperados de outros reforçou o encontro com a realidade e os dois se separaram e foram cuidar dos seus respectivos trabalhos.

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— O médico acabou de chegar. – cochichou Jonas, assim que Milo abriu a porta do quarto do duque.

— É você, Jonas? – falou Camus. – Entre e fale comigo, estou acordado.

O empregado entrou e aproximou-se da cama. A gata continuava perto do duque e agora cochilava, mas a cada movimento ela abria um dos olhos verdes e ficava à espreita.

— Vejo que já recuperou a consciência, senhor duque. Isso nos deixa mais aliviados.

— Obrigado, Jonas. A polícia já chegou?

— Não, senhor. Somente o doutor Simon.

Camus franziu o cenho. Estranhava o fato de o Inspetor ainda não ter chegado. Tentou levantar-se, mas sentiu dor.

— Ei! Calma aí, Sua Graça! Volte a deitar e deixe o médico examiná-lo. – disse Milo.

Antes que Camus respondesse, o Dr. Simon entrou no quarto e já foi se aproximando, enchendo o duque de perguntas, sem ao menos dar-lhe boa noite.

— Sente náuseas ou dor de cabeça? Vomitou? Enxerga meus dedos? Quantos têm nessa mão? Quem fez esses pontos? Foi você, Jonas?

— Fui eu. – disse Milo.

Os olhos do médico eram pequenos e amendoados como os dos asiáticos. Ele fitou Milo com atenção e depois suspirou.

— Fez um excelente trabalho, meu jovem. Onde aprendeu? Está estudando para ser médico, por acaso?

— Eu? Médico? Não, claro que não! – disse Milo rindo. – Trato de animais, por isso sei dar pontos em ferimentos e estancar o sangue.

Simon o olhou, depois voltou a examinar Camus.

Sua Graça deve estar sentindo dor. O ferimento foi bem tratado, mas precisa descansar. Vou dar-lhe um pouco de láudano para que descanse e durma. Está com um início de febre, portanto todo o cuidado é pouco. E você, cavalariço, devia investir na medicina. Gente, animal, é tudo a mesma coisa!

— Eu estou bem, Dr. Simon e dispenso o láudano. Preciso de um favor seu, por favor, assim que voltar informe à polícia que sofri um assalto. – disse Camus tentando disfarçar o mal-estar que sentia.

— Polícia? Mas o homem que me procurou disse que o senhor tinha sofrido um acidente a cavalo.

— O quê? – falou Milo olhando, surpreso, para Camus.

Camus piscou, aturdido, a cabeça começando a latejar. Milo aproximou-se dele, preocupado.

— Resolvemos isso mais tarde, agora descanse. – disse o loiro.

O médico pegou o vidro com láudano e despejou em uma colher de prata que sempre trazia consigo.

— Beba e durma. Só assim vai se recuperar mais rápido. – disse ele enfiando a colher na boca de Camus quando ele se preparava para falar.

O duque fez uma careta, mas não teve outra escolha a não ser beber. Em seguida, viu o médico prescrever todos os cuidados necessários e deixar o aposento. Assim que ele saiu, tentou falar, mas sua voz estava pastosa e sua visão embaçada.

Milo acomodou-o nos travesseiros e beijou-o no nariz e nos lábios, ficando ao seu lado até senti-lo relaxar. Não demorou muito para os seus olhos se fecharem e ouvir Milo sair do quarto e fechar a porta mansamente. Tudo ficou escuro, silencioso e um tanto úmido quando uma pequena e áspera língua lambeu-o no rosto...

A gata percebeu quando Camus adormeceu e se aconchegou ao lado dele, vigiando-o e cuidando para que nenhum mal lhe acontecesse...

Ainda pensando no que acabara de ouvir, Milo foi até a sala, encontrando Jonas com a mesma expressão.

— Tem coisa errada nessa história, Jonas.

— Totalmente, senhor Milo. O cocheiro não fez o que disse que ia fazer.

— Ou ele teve medo de ir à polícia ou está escondendo alguma coisa. Esse assalto foi muito estranho e aqueles homens eram muito atrapalhados para serem bandidos.

— Alguém tramou uma cilada para o duque! Só pode ser isso. E esse cocheiro deve estar envolvido. – falou Jonas.

— E eu até já sei quem foi. – disse Milo franzindo o cenho.

— O senhor acha que... foi Standiford?

— Quem mais teria motivos? Camus não tem inimigos, a não ser esse escroto! E é bem típico de um covarde mandar outros fazerem o serviço por ele.

Antes que Jonas concordasse, os dois ouviram batidas na porta. Quando o empregado abriu, Aiolia entrou com visível nervosismo e falando sem parar.

— Onde está Camus? Por que vocês não foram ao Cabeça Cortada? Aconteceu alguma coisa? Jonas, por favor, eu preciso de uma bebida forte!

Jonas cuidou de servir o conde, enquanto Milo olhava para Aiolia estranhando-lhe a agitação.

— Então? Quem vai me colocar a par dos fatos? – continuou Aiolia sorvendo um gole de uísque.

Milo serviu-se de uma dose da bebida, depois contou tudo que tinha acontecido, deixando Aiolia exasperado.

— Parece que tudo resolveu acontecer esta noite! Meus amigos são atacados por bandidos e eu sou atacado por uma homo interesse sapiens aguda que me fez ficar de queixo caído por um... um igual! Deuses do Olimpo! Se eu não fosse ateu eu faria uma peregrinação à Grécia e... sei lá, faria uma oferenda para saber razão de tudo isso e o porquê dessa armadilha do Destino, tanto para mim, quanto para vocês .

Ao ver o olhar fixo de Milo e o constrangido de Jonas, Aiolia interrompeu sua fala e verteu mais uma dose dupla de uísque em seu copo. Depois se atirou em uma das poltronas da sala e levou a mão aos cabelos acobreados.

— Vocês devem estar me achando louco. Mas, a verdade, é que eu também acho que enlouqueci. Completamente. Mas deixemos esse assunto para outra hora. Como Camus está? Eu posso vê-lo?

Milo aproximou-se de Aiolia e tocando-o no ombro, deu um meio sorriso, batendo com seu copo no dele.

— Camus está dormindo. Sofreu um ferimento na cabeça, mas o médico disse que ele se recupera rápido. A questão é que armaram prá ele. Não foi, simplesmente, um assalto. Alguém mandou aqueles homens para atacar o Camus.

— O único com motivos é o imbecil do Standiford, mas... ele seria muito imbecil de fazer os acertos, pessoalmente. Deve ter mais alguém envolvido nisso. – disse Aiolia. –E como você entrou nessa história?

— Eu estava deixando essa casa, foi uma coincidência nos encontrarmos no caminho. – disse Milo bebendo todo o uísque que ainda havia em seu copo.

— Você estava indo embora? Não me diga que você e o Camus brigaram.

— Nós não brigamos, mas...

— Ele assumiu toda a responsabilidade e o deixou de fora. Eu entendo como se sente, mas dê um desconto ao ruivo. Ele é louco por você e se acha mais velho e experiente. Camus sempre foi muito responsável por tudo e por todos, está no sangue dele.

— Eu sei, mas ele também tem que entender que eu sempre soube e continuarei sabendo cuidar de mim.

— O caso, Milo, é que a sociedade tem mecanismos que você desconhece. A crueldade e a perversão parecem andar de mãos dadas na Corte e Camus sabe disso muito bem, porque sofreu na pele. Porém, apesar de tudo, ele resgatou o nome da família e se tornou respeitado. Tenho a mais absoluta certeza que ele deseja o mesmo prá você.

Milo suspirou e pegou outra garrafa de uísque. Estava tenso e preocupado. Agora, não mais pela forma autoritária com que Camus agia e sim com a própria vida do ruivo. Sentiu-se na pele dele, pois sua maior preocupação, nesse momento, era protegê-lo e fazer pagar quem ousara feri-lo.

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A carruagem parou em frente à mansão e Pandora sentiu-se apreensiva. Durante todo o trajeto, mantivera-se calada, sem saber o que dizer e Radamanthys respeitara o seu silêncio, apenas segurando a sua mão e apertando-a, de leve.

Uma bruma insinuava-se pela noite úmida, depositando orvalho nas flores e arbustos como se fossem pequenas lágrimas...

— Está em casa e segura. – disse ele.

— Eu... não sei o que dizer.

— Não diga nada. Conversaremos em outro momento.

A forma firme, porém terna com que ele lhe falava mexeu com suas emoções. Ela olhou-o, bem dentro dos olhos e disse:

— Não quero ficar sozinha...

Radamanthys tocou-lhe o rosto.

— Ficarei um pouco, até que se sinta melhor.

Quando adentrou a mansão, Radamanthys percebeu a solidão estampada naquelas paredes. As obras de arte, os lustres e mobiliário, nada revelavam sobre a verdadeira Pandora. O ambiente era apenas um reflexo de quem ainda não sabia quem, realmente, era e isso, ele entendia muito bem. Também tivera sua época de cegueira onde achara que a malícia o protegeria da dor.

— Me espere aqui, vou trocar de roupa. Esse maldito espartilho me tira o fôlego. – disse ela subindo as escadas.

Radamanthys assentiu, e seus olhos percorreram as escadas, detendo-se em um quadro. Era um retrato de Pandora quando menina, cujo fundo mostrava uma paisagem com um longo caminho.

Não chega a ser uma obra de arte, mas o artista soube captar-lhe a essência. No fundo, Pandora continua sendo uma menina em um corpo de mulher. Disse a si mesmo, enquanto tocava a imagem feliz e inocente.

Quando ela retornou, vestia apenas um robe que revelava as formas perfeitas de seu corpo esguio. Os cabelos negros estavam soltos e ela caminhava um tanto hesitante.

Simples, sensual e linda... Eu poderia fazê-la minha, dar-lhe prazer e colocar-me no mesmo patamar de Hades. Pensou Radamanthys. Porém, algo dentro de si o impedia de agir dessa forma. Seria um canalha se a tratasse como mais uma das amantes que tomava para si. Quando ela se aproximou, ele desviou o olhar para a obra de arte.

— Essa pintura... Quem a fez? – perguntou ele.

— Meu avô materno. Ele adorava pintar e fez meu retrato quando eu tinha doze anos.

— É a única marca sua, nessa casa.

Pandora sentiu que ele a evitava, então olhou para o quadro e sorriu, sentindo as lágrimas escorrer pelo rosto.

— Não sei o que estou fazendo. Nunca me senti tão perdida. Deve estar me achando uma... leviana. – disse ela.

— Venha cá. – chamou Radamanthys, sugerindo que ela se sentasse ao seu lado na chaise.

Pandora se sentou, encolhendo as pernas e deitando a cabeça no ombro do jovem barão. Ele tomou-lhe uma das mãos dela na sua e a enlaçou num abraço carinhoso.

— Todos nós temos os nossos demônios. Desde que eu a vi, quis estar com você e agora, aqui estou. – disse ele acariciando seu rosto. – Relaxe e não pense em nada. Não seja tão dura consigo mesma. Feche os olhos e seja, novamente, aquela menina retratada por seu avô.

As palavras de Radamanthys penetraram fundo na alma de Pandora e ela se surpreendeu com a ternura com que ele a tratou. Sabia do desejo que ele sentia e, mesmo assim, ele continuava abraçando-a como se ela fosse ainda aquela menina do retrato.

Eles ficaram conversando por horas... E ela lhe revelara coisas que jamais ousara dizer a ninguém. Quando o convidara para entrar, pensara que ele a seduziria e que, mais uma vez, seria na cama que saciaria a sua fome de amor. No entanto, Radamanthys havia lhe proporcionado algo melhor do que sexo. Intimidade e respeito.

Quando o sono finalmente chegou, ela adormeceu nos braços fortes do barão sentindo um contentamento interior que jamais havia vivenciado em seus vinte e dois anos.

Radamanthys acariciou os cabelos perfumados e fechou os olhos, deixando-se levar pelo calor suave do corpo aconchegado ao seu. Quando os abriu, a figura imponente de Hades junto com Minos estava a sua frente.

— Que cena mais tocante... Já tenho a inspiração para minha próxima obra: Eros, Morpheus e a bela adormecida! — disse Minos com um sorriso malicioso, enquanto Hades permanecia sério e imponente, os olhos frios fixados em Radamanthys que também o encarava e em Pandora que continuava adormecida.

— Minos, leve o senhor Radamanthys até a saída. Eu e Pandora temos muito a conversar. – disse Hades com um tom calmo e seco.

— Creio que a conversa envolve a nós todos. – retrucou Radamanthys sem demonstrar nenhum constrangimento. – Já é hora de colocarmos todas as cartas na mesa, meu caro Hades.

Notas finais
****O meu muito OBRIGADA a todas pelo carinho, pela presença, pelo silêncio e pelas palavras! Bjs, XD ***mesdames e messieurs! * senhoras e senhores ou damas e cavalheiros! (essa fala de Mu é um charme a mais! *risos) ***Crupiê - quem comanda as mesas de jogos, aceitando e pagando apostas.