Amor Selvagem!

21 Capítulo 21 SEGREDOS MORTAIS...


Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários, a atenção e o carinho!
Bjs e bom fim de semana!!!XD

O inspetor estava nervoso, já era a segunda vez que procurava o duque, mesmo tendo a certeza que ele não tinha nada a ver com tudo aquilo. Seus instintos diziam que alguém tentava prejudicar o rapaz e ele desejava muito saber o porquê. Camus era discreto, de moral irretocável, nada se sabia dele que justificasse inimizades a este nível.

– Inspetor. – falou Camus, acompanhado de Milo e Jonas, adentrando a sala devagar, cada passo retumbando dentro da cabeça.

Sua Graça... – suspirou Simon. – Sinto ter que incomodá-lo, novamente, mas... Espere, o que lhe aconteceu? – falou apontando para o curativo na testa de Camus.

– Um ferimento que adquiri, após sofrer uma tentativa de assalto. Aliás, pedi ao Dr. Simon que o avisasse.

– E ele o fez, quando estávamos vindo para cá, após recebermos uma denúncia anônima sobre alguém ter atacado o duque Standiford. Primeiramente, fomos até lá e o encontramos morto. E na cena do crime, junto ao corpo, estava isso! – falou o Inspetor mostrando um cortador de papéis.

Camus franziu o cenho. O cortador afiado e com cabo de marfim, continha as iniciais DMC que eram a abreviatura de Dégel Montesquieu Chamberlain, seu avô. A lâmina ensanguentada estava envolta em um lenço branco de linho, acentuando o contraste entre a brancura do tecido e o vermelho vivo do sangue.

– Esse cortador ficava em meu escritório. A única pessoa estranha que entrou em minha casa foi o cocheiro ao ajudar Milo a carregar-me para dentro. Eu fui atacado quando voltava para casa.

O inspetor olhou para Milo e depois retornou para o duque. O jovem mostrara-se vigoroso e um tanto agressivo. Havia um brilho intenso e selvagem naquele olhar que só abrandava quando ele olhava para Camus...

– E o senhor? Onde estava? – perguntou Simon encarando o jovem.

– Eu? Bem, eu estava deixando a mansão quando me deparei com a carruagem de Camus sendo atacada, quero dizer, a carruagem do duque.

Simon possuía um bigode bem aparado e, cada vez que analisava uma situação, levava a mão até ele e o torcia. O nível de intimidade que esse rapaz tem com o duque me parece muito além da relação professor-aluno. Pensou ele.

– Diga-me, senhor Milo... Por acaso o senhor tem algum inimigo?

Milo encarou o inspetor como se ele tivesse dito alguma asneira. Depois mordeu o lábio inferior e pensou em Jamian.

– Não, não tenho. – respondeu por fim. – Por que a pergunta?

– Especulações, meu caro senhor. Temos que analisar todas as possibilidades, já que estes contratempos começaram após a sua estadia aqui. A solução de um crime é como montar um quebra-cabeça, cujas peças, muitas vezes, acabam ficando ocultas em algum lugar.

As palavras do inspetor fizeram Milo refletir sobre tudo e dar-lhe razão em alguns pontos.

Camus ouvia as palavras, mas sua cabeça latejava, horrivelmente. A silhueta das pessoas foi ficando distante, o duque empalideceu e moveu os lábios como se quisesse dizer alguma coisa, mas não emitiu nenhum som. Então, de repente, fechou os olhos e foi, somente a rapidez de Milo que o impediu de desabar.

– Camus! – chamou Milo ao pegar o duque nos braços com um olhar aflito.

Jonas chegou junto dos dois, também preocupado.

– Ele não devia ter levantado. – murmurou o empregado.

Simon também se apresentou, porém Milo e Jonas já o haviam sustentado e o duque ameaçava voltar à consciência. O inspetor viu a angústia nos olhos e atitudes do jovem que tocava, gentilmente no rosto do duque. Esses dois tem algo... Afirmou para si mesmo, enquanto Camus era levado aos seus aposentos e acomodado, novamente, na cama.


0000****0000****0000



O amanhecer trouxera a necessidade de uma pausa na maratona de jogos. Os jogadores e curiosos foram encaminhados ao salão com desjejum à base de frutas, pães e café. Lá fora, nuvens escuras cobriam a luz dourada do sol e, por um momento e Afrodite virou-se, encarando o olhar intenso de Máscara da Morte.


– Preciso descansar um pouco. – disse Afrodite.

– Eu também. Que tal... descansarmos juntos?

Um sorrisinho malicioso pousou nos lábios desenhados do loiro e ele estendeu a mão para o italiano e puxou-o, pelo amplo corredor. Ao adentrar o aposento, os dois se olharam e o ar pareceu ficar carregado da excitação que percorria o corpo de ambos...

– Quer dançar comigo? – perguntou o italiano, fazendo Afrodite sorrir.

– Sem música? – retornou o loiro.

– Feche os olhos... – disse Máscara se aproximando e tomando-o nos braços. – Apenas ouça. – completou fazendo-o encostar o ouvido em seu peito.

Afrodite ouviu o bater forte e ritmado do coração de Máscara da Morte, assim como as mãos grandes e quentes estreitando-o contra si. Ficaram um tempo movendo-se como se, realmente, estivesse dançando até que, aos poucos, os corpos estancaram e os olhares mergulharam dentro um do outro.

Máscara acariciou a face alva e bela com carinho. Não mais sorria e sim, encarava sério aquele rosto que o fascinava e desconcertava, ao mesmo tempo.

– Você é tão belo, tão perfeito... É quase como se fôssemos o Belo e a Fera.

Um riso gostoso escapou dos lábios de Afrodite.

– Viu, até você concorda. – disse Máscara.

– Não, não concordo. – falou o loiro quase sem fôlego, pois os lábios sensuais de Máscara estavam tão próximos dos dele que até podia sentir-lhe o hálito quente.

– Então porque está rindo? – perguntou o italiano, enquanto afagava uma mecha do cabelo loiro do sócio.

– Porque você é um filho da puta com muito magnetismo e jamais poderia ser associado a algo feio ou grotesco como a Fera dos contos. Sua sensualidade exala por cada poro desse seu corpo perfeito... Ah! – exclamou o loiro, fingindo arrependimento. – Diga-me que não falei isso tudo tão alto como soou para mim.

– Você não disse tão alto que sou um filho da puta com muito magnetismo e que jamais poderia ser associado a algo feio ou grotesco como a Fera dos contos e minha sensualidade exala por cada poro desse meu corpo perfeito. – repetiu ele divertido, dando um sorriso malicioso.

– Eu o odeio, sabia? – disse Afrodite fazendo uma careta divertida.

– Então venha me odiar mais de perto... – convidou Máscara, a voz já rouca e baixa.

Impetuoso, Máscara da Morte o puxou para si e Afrodite sentiu o coração bater acelerado. A cama estava muito perto e logo Afrodite se viu aprisionado contra os vários travesseiros macios. Um dos braços fortes do italiano o enlaçava, segurando-o pelo ombro, enquanto com a mão que estava livre ele lhe acariciava a coxa direita.

Inclinado a cabeça em direção aos lábios entreabertos de Afrodite, Máscara da Morte sussurrou:

– Eu nunca senti com outra pessoa o que sinto ao tê-lo junto a mim... – e com um tom sensual na voz ele completou – Quero você mais que qualquer coisa em minha vida.

Olhando para o brilho quente dos olhos azuis, Afrodite se sentiu aturdido e cerrou as pálpebras para conter o desejo desenfreado que começava a dominá-lo. Sonhara tanto com aquele momento que podia sentir a garganta ressecar e o corpo estremecer ao antecipar o que seria...

Ainda envolto na atmosfera do sonho que se realizava, ele gemeu baixinho quando Máscara suavemente mordiscou-lhe o lábio inferior para em seguida aprofundar-se num beijo enlouquecido e voraz.

Ao sentir sua língua ser sugada e tocada com tanta paixão, Afrodite livrou-se de qualquer amarra que ainda o prendia e levou as mãos aos cabelos negros de Máscara da Morte, atraindo-o para si.

– Você tem um gosto diferente... Jamais senti isso num beijo. – murmurou o italiano quando as bocas se afastaram um pouco para puxar o ar.

Afrodite inspirou o ar com força ao sentir um calafrio a percorrer-lhe o baixo-ventre e seu falo enrijecer de imediato. As mãos másculas e bronzeadas adentravam a sua calça, acariciando seu membro intumescido e arrancando mais gemidos que agora pareciam ainda mais ansiosos.

Os cílios escuros do italiano roçavam a face enrubescida de Afrodite enquanto a língua traçava os contornos dos lábios do loiro que estavam semiabertos. Depois, com a ponta dos dedos, Máscara traçou uma linha na curvatura do pescoço e levou os lábios até ali, sugando a pele, enquanto começava a despi-lo devagar...

Quando o tórax de Afrodite ficou exposto, Máscara pressionou os lábios no abdômen perfeito e foi fazendo uma trilha de beijos até chegar aos mamilos que já estavam rijos.

– Sua pele é tão macia, tão perfumada... – murmurou ele.

Curvou o tronco e fechou os lábios em um mamilo, enquanto acariciava o outro. Lambeu, vagarosamente, percebendo a cada toque as reações de prazer que fazia Afrodite gemer e entrelaçar os dedos em seus cabelos, puxando-o, trazendo-o cada vez mais para perto do seu corpo.

Afrodite arqueou o corpo, os quadris indo de encontro ao corpo daquele que amava e seus lábios se abriram em gemidos profundos... Sentia a densidade do corpo vigoroso de Máscara da Morte, assim como a ereção dele pressionando-o através das roupas. O ar quente que exalava da boca do italiano o fazia ansiar por mais, queria senti-lo sem nenhuma barreira...

– Eu... quero sentir você... – disse o loiro de um jeito ofegante e estrangulado.

Máscara sorriu e desvencilhou-se da camisa que usava. Os músculos do abdômen de Afrodite se contraíram quando ele observou o corpo másculo e definido despindo-se, devagar...

As calças foram retiradas e quando o loiro vislumbrou o falo ereto, passou a ponta da língua nos lábios e sentiu faltar o ar. O italiano sorriu, orgulhoso e Afrodite ficou ainda mais ofegante quando ele o segurou pela cintura e puxou-o, fazendo-o ficar contra o quadril dele, agora nu.

– Você é tão lindo... – sussurrou Afrodite ao mesmo tempo em que passava as pontas dos dedos no tórax forte de Máscara que se contraía graças à forte respiração dele.

O loiro beijou um dos ombros fortes, fazendo círculos com a língua e sentindo o gosto da pele do italiano.

– E tem um gosto bom... – murmurou, enquanto continuava a beijar-lhe a pele.

O membro rijo de Máscara roçou contra o seu e Afrodite deixou escapar um gemido e arfou com ansiedade. Ambas as respirações aceleraram e as bocas tornaram a se devorar, enquanto Máscara acariciava as coxas perfeitas e se introduzia entre elas, movendo o quadril como se o estivesse penetrando, arrancando ofegos desesperados do loiro.

Ele continuou com os olhos fixos nos de Afrodite e devagar, começou a afastar um pouco mais as coxas do loiro. Lentamente, ele levou o falo à entrada do amante e começou a se introduzir, arfando ao sentir a resistência...

No mesmo instante, Afrodite gemeu e levou a cabeça para trás. Fazia muito tempo que estava sem um amante e a dor da invasão se fez presente, fazendo-o apertar os braços vigorosos. Máscara percebeu e a expressão de seu rosto mudou. Porém, apesar da dor, Afrodite estava imerso na sensação maravilhosa que sentia com Máscara penetrando-o para poder pensar em outra coisa.

O italiano estancou os movimentos e tornou a olhá-lo, fazendo força para controlar-se, esforço notado por Afrodite que estava enlouquecido de desejo e não queria que ele parasse. Quando Máscara fixou o azul profundo do olhar nos olhos cristalinos de Afrodite, o loiro implorou:

– Não pare agora... Não importa a dor... fique dentro de mim.

Máscara obedeceu, se aprofundando ainda mais e quando tocou nas profundezas do corpo quente de Afrodite, ofegou e gemeu, sentindo um prazer que jamais vivenciara. De imediato, os corpos se moveram sincrônicos e sedentos um do outro. As mãos de Máscara acariciavam as costas alvas e macias, movendo-as para cima e para baixo ao mesmo tempo em que aumentava o ritmo das estocadas, arrancando gemidos extasiados e ofegando pela sensação de ser engolfado e pressionado tão intensamente.

Enlouquecido, Máscara da Morte podia sentir a cavidade úmida e quente ceder, aos poucos, e seu falo pulsar dentro de Afrodite, enquanto o loiro passava a língua em seu queixo e movia as unhas para cima e para baixo em suas costas suadas, gemendo e sorrindo...

Vigoroso e quase chegando ao clímax, o italiano continuava adentrando as profundezas do corpo apertado, o falo buscando o ponto prazeroso, enquanto sua boca continuava a beijar e morder, deixando Afrodite cada vez mais perto do orgasmo.

Os músculos potentes de Máscara ondularam e retesaram ao chocar-se com o corpo esguio de Afrodite, as bocas arfaram juntas e palavras roucas escaparam em meio ao suor e gemidos, cada vez mais altos. Os quadris avançavam e recuavam, trazendo espasmos de prazer... As peles brilhavam com o suor que brotava em meio ao bailado erótico dos corpos que pareciam fundir-se em um só.

Máscara da Morte sentiu os tremores abaixo de si, a força do corpo de Afrodite engolindo-o, apertando-o... Em meio ao furor de todo aquele prazer, os olhares tornaram a se encontrar e Afrodite gritou o nome do italiano em um tom quase doloroso. Depois, gritou novamente quando o orgasmo o envolveu e seu corpo começou a estremecer violentamente a cada espasmo crescente e seu sêmen molhou seu corpo e o do amante...

Então, um grito abafado e rouco escapou da garganta de Máscara da Morte ao ser sacudido pelo orgasmo violento do outro. Seus lábios estavam próximos e Afrodite engoliu o som, apertando-o junto a si, enquanto ainda arfava e sentia seu corpo estremecer com o clímax.

Os dois ficaram abraçados por um momento, com as batidas do coração aceleradas e as faces quentes. O rosto de Afrodite estava afogueado e, ainda mais belo aos olhos de Máscara da Morte que agora retirava alguns fios loiros da testa suada e acariciava-o como se quisesse memorizar aquela cena para sempre.

O loiro sorriu e fechou os olhos suspirando. Máscara também sorriu e ficou em silêncio por alguns segundos, sem saber, exatamente o que dizer de tudo aquilo. O italiano levou as mãos ao rosto e pressionou os dedos contra as pálpebras, completamente atônito pela experiência que acabara de vivenciar. A sensação que tinha era que toda a sua vivência sexual havia sido um embuste, um pálido reflexo do prazer profundo que havia compartilhado com Afrodite.

– O que foi...? Você está arrependido? – perguntou Afrodite percebendo a inquietação do italiano.

– De certa forma, eu estou. – disse ele.

Afrodite franziu o cenho e sentiu um aperto no estômago. Fez menção de levantar quando Máscara pegou uma das mãos dele e colocou-a entre as suas.

– Estou arrependido de não ter descoberto antes o quanto eu amo você. – falou Máscara puxando-o, novamente, para si.

Um sorriso iluminou a bela face de Afrodite e, em seguida, ele socou Máscara da Morte no peito.

– Seu malvado! Pensei que...

– Eu jamais me arrependeria de tê-lo em meus braços. O que vivi aqui, hoje, apaga tudo o que veio antes. Mas isso sou eu. Agora eu quero saber se prá você eu...

O italiano não conseguiu concluir a frase. Afrodite se apossou dos lábios carnudos e prendeu-lhe o lábio inferior entre os dentes antes de invadi-lo com a língua furiosa. Não foi um beijo gentil, mas eroticamente possessivo quase brutal em sua intensidade.

Com um arrepio de surpresa, Máscara correspondeu ao beijo, abrindo mais a boca e buscando a língua de Afrodite com a sua. Quando estavam, novamente, ofegantes, o loiro abandonou os lábios do amante e olhou-o num misto de ternura e seriedade.

– Você é o homem que eu amo e que sempre amei... Nunca duvide disso. – disse ele voltando a beijar, ardorosamente, a boca de Máscara da Morte.

Sem saber se fora a frase, ou o corpo ardente, ou os dois, Máscara se viu excitado novamente e estreitou Afrodite em seus braços com uma paixão enlouquecida que, ao mesmo tempo, o chocou e agradou...


0000****0000****0000



A pequena cabana nos fundos da mansão era o lugar perfeito. Ali se encontravam algumas obras de Minos e outros artefatos que ela gostava de colecionar. Longe do ambiente pomposo em que recebia seus convidados, aquele lugar lhe trazia boas lembranças... Lembranças do tempo em que era jovem e se permitia vivenciar o proibido em qualquer lugar.


– Senhora? – a voz feminina chamou ao entrar no aposento iluminado por uma pequena lamparina.

Quando a porta se fechou, a luz desapareceu e a morena voluptuosa ficou na escuridão sentindo o coração disparar. A iluminação que passava pelas cortinas era pouca e tudo conspirava para deixar um clima de suspense.

– Estou aqui. Seguiu direitinho as minhas instruções? – falou a voz, num tom seco.

– Fiz tudo o que me ordenou. Todos pensarão que o conde Jamian estava no Cabeça Cortada.

– Ótimo. Aqui está o seu pagamento. Saia da cidade e fique um bom tempo fora. Seis meses é o ideal. Se eu a vir antes disso, saiba que tenho poder suficiente para acabar com a sua maneira de obter renda.

– S-Sim, senhora.

Assim que a morena saiu, Valery sorriu, perfidamente. Como era fácil lidar com pessoas ambiciosas e sem moral. Quando se tratava de dinheiro, ninguém se importava com as consequências dos seus atos.

Jamian seguira as suas instruções e presenteara Standiford com uma garrafa de uísque envenenado. De resto, só sobrara a árdua tarefa de espetar a garganta do duque, enquanto ele estremecia e sufocava pela ação do veneno, deixando a arma do crime caída, propositalmente, próximo da mesa.

Menos um otário nesse mundo! Pensou ela, enquanto sorvia uma taça de champanhe. Logo a seguir, acrescido de um sorriso malévolo, ela murmurou para si mesma: E você, meu caro e bonitão ruivo... vamos ver como se sai dessa. É tão irritantemente inteligente que terei muito prazer em ver como reagirá ao deparar-se com a probabilidade do encarceramento!

– Acha que podemos confiar nela? – perguntou Jamian que estivera o tempo todo escondido nas sombras, atrás de uma pequena coluna estilo jônico.

– Confiar? Ora, meu caro não estamos falando de confiança e sim de dinheiro. Ela fará o que mandei ou sofrerá consequências bastante desagradáveis. Quando começarem a investigar os parceiros de jogo do finado Standiford, você terá o seu álibi.

– Eu tenho uma pequena curiosidade. Por que tramou tudo isso?

Valery olhou-o com frieza, e sorveu o último gole de champanhe. Depois, tornou a sorrir daquele jeito um tanto insano e respondeu:

– Porque eu quis! Você se viciou no jogo de cartas e eu, acho mais excitante jogar com vidas. Standiford não fez nada direito em sua vida miserável e ainda arriscava incriminar-me com aquela boca grande que tinha! Quanto aos demais, vai me dizer que também não está sentindo prazer em colocar aquele duque arrogante e seu pupilo no lugar que merecem?

Jamian puxou de um pequeno cantil de metal contendo uísque. Encostou nos lábios e sorveu um pequeno gole. Depois, olhou para Valery e respondeu rindo:

– Minha cara, quero morrer seu amigo!

Valery emitiu uma pequena gargalhada, ao mesmo tempo em que alguém batia timidamente na porta.

– Senhora, perdoe incomodá-la, mas o conde Hades está aí e deseja falar-lhe com urgência. – disse a criada sem abrir a porta.

Com o cenho franzido, Valery pensou no quê trouxera Hades até ela. Depois, relaxou e sorriu. Ver Hades era sempre um prazer!

– Conversamos mais tarde, Jamian. Agora estou louca para saber o que Hades quer de mim!


0000****0000****0000



Aiolia acordou com uma terrível ressaca. Gemendo, levantou-se e lavou o rosto com água do jarro de prata junto à cabeceira. Olhando-se no espelho notou que estava com uma aparência amassada. Bebera demais aquele chá com conhaque e depois o resto da bebida pura.


Onde estou? Pensou por alguns segundos até lembrar que estava no quarto de hóspedes da mansão de Camus.

Merda! – exclamou para si mesmo ao sentir a dor de cabeça típica pelo excesso de bebida.

Como se tivessem combinado, Jonas abriu a porta no exato instante em que Aiolia ia fazer o mesmo.

– Perdoe-me, senhor Aiolia. Pensei que ainda estivesse dormindo. – disse o empregado.

– Ah, Jonas... Não há o que perdoar. Tenho é que agradecer a gentileza de ter cuidado de mim, apesar dessa situação toda. Como está Camus?

– Ele forçou demais e teve uma recaída, está no quarto com o médico.

– Como? Mas o que aconteceu? – perguntou Aiolia, agora ainda mais aflito.

– O inspetor esteve aqui. O duque Standiford foi assassinado e... a arma do crime foi um cortador de papel com as iniciais do avô do senhor Camus.

– O quê?!

– Sim, senhor Aiolia. Estamos todos um tanto atônitos. Não sabemos ainda como isso aconteceu, mas desconfiamos que o cocheiro roubou o artefato quando trouxe o duque ferido, junto com o senhor Milo.

– O cocheiro... Temos que encontrá-lo, então. – disse Aiolia batendo uma mão fechada na palma da mão e fazendo uma careta por conta da dor de cabeça.

Milo que se aproximava dos dois, olhou para Aiolia muito sério.

– O Inspetor quer me fazer algumas perguntas na delegacia. Mas, eu estou preocupado com o Camus e não quero deixá-lo até ter certeza que ele está bem. – disse o jovem.

O conde olhou para Milo, percebendo a inquietude dele e tentou sorrir.

– Camus é um homem forte, meu caro Milo. Nunca fez excessos e sempre foi disciplinado. Ele vai sobreviver, fique tranquilo. Eu vou com você até a delegacia e assim a gente busca mais informações sobre esse assassinato. Você se lembra do rosto do cocheiro, não? Vamos procurá-lo, se é que ele já não deixou a cidade. Algo me diz que tem muita coisa sinistra por trás disso tudo. Nós pensávamos que Standiford era o inimigo e agora isso... Temos que nos adiantarmos e descobrir quem quer prejudicar o ruivo.

Milo franziu o cenho, pensando por alguns segundos. Depois suspirou e tornou a fitar Aiolia.

– Tem razão. Eu quero ver o corpo de Standiford e depois podemos procurar pelo cocheiro.

– Por que quer ver o corpo? – perguntou Aiolia.

Jonas os olhou, um tanto confuso, mas em seguida, Milo falou:

– Como cavalariço eu sempre quis saber a causa da morte dos cavalos. Tem aqueles que morrem por ingerir plantas venenosas, outros pelo esforço demasiado do coração. Aprendi muita coisa observando-os e anotando, sabe? Quero ver como ele foi assassinado.

– Ora, mas que interessante. Você será de grande valia, mesmo que Standiford não possa ser comparado a um cavalo e sim com uma mula morta. Quem sabe você não descobre algo que nos ajude... – falou Aiolia.

Milo sorriu e Jonas emendou:

– Eu creio que o Dr. Simon tem razão, senhor Milo. O senhor daria um excelente médico.

O jovem balançou a cabeça, negativamente, e riu. Depois vestiu seu casaco e foi dar uma última olhada em Camus que dormia, profundamente.

A expressão do duque e a sua aparente fragilidade mexiam com as entranhas de Milo. Sorriu para si mesmo ao constatar que também possuía aquele instinto protetor e de posse. Faria tudo para descobrir algo que ajudasse seu amado.

– Durma e fique bom logo, meu ruivo. No que depender de mim, farei tudo para ajudá-lo. – disse ele beijando, suavemente, os lábios do duque.


0000****0000****0000



Kanon descia as escadas a passos largos. Quando chegava ao fim, do último degrau, viu Saga com uma expressão séria.


Onde você vai? – perguntou ele.

– Estou deixando esta casa. – respondeu Kanon, sem olhá-lo.

Espere aí, depois da nossa conversa eu pensei que...

Pois, pensou errado. Não tenho condições de viver sob o mesmo teto que você.

Kanon, eu estava bêbado!

Não ouse subestimar minha inteligência! Você estava aos beijos com aquela mulher e aquele homem estava... estava te chupando! E em público!

Foi somente sexo! Nenhum dos dois significou mais que um instante de prazer! Qual é, Kanon? Não era você que sempre dizia que eu não era ousado? Por que tanto drama?

O olhar que Kanon lançou ao irmão era uma mistura de dor, raiva e mágoa profunda. Ele não sabia o que dizer, só desejava sair dali e ir para bem longe.

– Saia da minha frente, Saga! Antes que eu... diga ou faça uma loucura!

A percepção da dor daquele que amava, fez Saga manifestar-se e a batalha interna recomeçou.

Olha o que você fez! Você o magoou! E agora ele vai me deixar!

Ele não tem coragem! Ele me ama!

Você estragou tudo! Ele está sofrendo e a culpa é sua!

Cale-se! Deixe-me cuidar disso!

Não! Saia de mim! Deixe-me!

Você não pode comigo! É fraco, certinho e patético!

E você é tudo que eu sempre odiei! Um egoísta imoral e sem nenhum princípio! Saia de cena! Eu não permitirei mais que magoe aquele que eu amo!

Levando a mão à cabeça, Saga sentiu uma forte dor e Kanon aproveitou a hesitação dele, tomando o rumo da porta.

– Kanon... Por favor, me escute... – disse Saga num fio de voz.

Entretanto, Kanon já batia a porta com força e entrava na primeira carruagem que passava. Quando o gêmeo mais velho tentou segui-lo, uma dor forte inundou sua mente, fazendo-o dobrar-se em sofrimento.

– Pare! Saia da minha cabeça! – gritou Saga sem conseguir abrir a porta.

O criado ouviu os gritos e tentou ajudá-lo.

– Senhor... Venha, vou levá-lo para os seus aposentos. Precisa descansar.

– N-Não, eu posso comigo. Vá atrás de Kanon e... traga-o de volta. – implorou ele.

– Eu o farei. Prometo. Agora me acompanhe, por favor. – disse o homem.

Saga apertou os olhos com força. Em sua mente, a voz de Ares pedia passagem e ele resistia, agarrando-se à imagem sofrida de Kanon. Não vou deixar que me domine! Deixe-me em paz!

Eu posso trazê-lo de volta! Deixe-me tentar!

Não... Nunca... Mais!

Após aqueles preciosos segundos em que resistiu, Saga sentiu-se fraco e extenuado. O duque mal se aguentava em pé. Entretanto, não podia relaxar e dormir. Se o fizesse, Ares retornaria para magoar aquele que mais amava...

– Traga-me um café bem forte e... Por favor, mande alguém chamar a senhorita June.

– Imediatamente, senhor.

Assim que o criado deixou o aposento, Saga atirou-se na poltrona de couro e fechou os olhos. Cada vez que fazia isso, parecia ver-se fora do corpo. Era uma sensação estranha e, ao mesmo tempo, familiar. Abriu-os ao ter a sensação que ficar acordado e atento podia manter Ares longe de si.

Você não pode me destruir, Saga... Sou parte de você e sabe disso. Eu faço aquilo que não tem coragem, mas que gostaria.

A voz rouca continuava a martelar-lhe a mente, mas ainda assim ele resistiu, bebendo com vigor o café trazido pelo criado e buscando forças no amor que sentia por Kanon.

Tem razão, Ares... Você é parte de mim, mas eu posso escolher a luz, mesmo tendo de abraçar as sombras.

Notas finais
Estou atrasada para responder aos reviews, mas quem me conhece sabe que eu sempre respondo!!! Obrigada, mais uma vez pelo carinho, pelos comentários, pelo silêncio, pela energia boa de cada uma!!!
*** Próximo capítulo:
**A reação de Valery ao saber das intenções de Hades.
**Enquanto Milo e Aiolia investigam a morte de Standiford, Camus fica à mercê de mais um perigo inusitado... Isso e muito mais! Fic se encaminhando para o desfecho!!!! Bjs e até lá!!!XD