Amor Quebrado

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Não esqueçam de comentar com opiniões sobre o texto. Realmente desejo o feedback de vocês. Boa leitura.

A noite estava quente e abafada. Os dois corpos se batiam com violência, mas os sons que escapavam das gargantas de ambos eram suaves. O atrito fora reduzido pelo suor, mas se abraçavam mais apertado a cada segundo, como se o corpo de cada um implorasse pelo corpo do outro mais próximo sempre, mais sem nunca estarem satisfeitos.

Um queria que seus corações ficassem tão próximos a ponto de se fundirem, tornando-se um. O outro sabia que seria impossível para seu coração se juntar com um tão gentil.

Cada sorriso falso tornava mais difícil se livrar da própria prisão. Fay estava preso ao seu passado, às suas tristezas, à sua dor. Essa prisão avançava cada vez com mais força pelo seu presente, rumo ao seu futuro. Toda vez que olhava o espelho, sentia-se cercado por muros que erguiam-se cristalinos, parecendo tão puros e transparentes, resplandecendo ao incidir a luz fraca do sol. Entretanto, mesmo com a feição plácida, pura e gentil, só ele sabia do quanto sua alma fora manchada pela cor rubra e o cheiro metálico do sangue.

Lavou o rosto na pia do banheiro precário e procurou esquecer-se daqueles pensamentos por enquanto. O grupo de viajantes tinha arranjado um lugar pra ficar com muita sorte. Assim que se descobriram em um novo mundo, uma grande quantidade de frutas redondas e vermelhas estavam rolando morro abaixo em suas direções. Por coincidência, a presença deles ali, naquele momento, impediu que as frutas caíssem no pequeno lago que se encontrava no fim do morro. Uma mulher madura e simpática foi correndo com dificuldade atrás das frutas que havia derrubado e, encontrando eles ali com suas frutas, trocaram algumas palavras e permitiu que ficassem em um cômodo nos fundos da casa que usavam como depósito, se fizessem o favor de o limpar, já que ela estava chegando numa certa idade e trabalhos assim fazia sua coluna doer.

O quarto era simples, mas para viajantes que não tinham sequer um centavo daquele mundo, a oportunidade de dormir embaixo de um teto já era uma grande coisa.

- Bom dia, Kuro-pon! – Falou animado, sorrindo. – Onde estão os outros? – Disse ao perceber que apenas o homem se encontrava no ambiente.

- Saíram com os donos da casa. Falaram algo sobre um local que vão toda semana, Sakura se empolgou e quis ir, Syaoran e Mokona foram junto... Não parecia muito interessante, então fiquei.

- Hm...

Fay sentou em uma cadeira virada para kurogane e para a grande porta de correr, feita em madeira, assim como a parede. Kurogane estava escorado na porta com metade do corpo dentro do quarto e a outra metade sobre o corredor que percorria o cômodo pelo lado de fora. Os pés estavam sobre um banco de madeira e os braços cruzados, observava o jardim sendo banhado pelo sol da manhã e alguns pássaros que pousavam sobre a terra e procuravam comida. O loiro esticou a mão e pegou uma fruta de um cesto que estava por perto e começou a descascar com os dedos. Era uma daquelas frutas vermelhas, pareciam ser bem populares naquele mundo.

- Quer que eu descasque uma pra você também?

- Não precisa

- Mas essa fruta é uma delícia! – Disse e mordeu – hm... qual era o nome dela? Começava com P...?

Fay olhou para Kurogane, o último não prestava atenção, apenas olhava para fora seriamente. Pensava em como começaria a falar o que queria, não era bom com as palavras nem com os sentimentos. Estava tão confuso e seu coração doía tanto. Fazia séculos desde a última vez que havia sentido uma dor parecida, mas não gostava de se lembrar da ocasião.

Por vários dias tentou escapar dos pensamentos que percorriam sua mente, mas não tinha para onde correr. Cada vez que fechava os olhos lembrava de suas mãos percorrendo a pele do corpo esguio do loiro, e dos sons que ele deixava escapar, e quando inclinava sobre seu ombro, com a boca perto de seus ouvidos, falando todas aquelas coisas, mas nunca falando sobre amor.

Esse sentimento de dor vinha do amor. Amar uma pessoa que te vê apenas como um objeto para fugir do tédio era doloroso, e era essa a impressão que Fay dava para Kurogane. Parecia que o loiro queria só se divertir às suas custas, quando chamava-o por todos os apelidos idiotas e quando aparecia sob a luz da lua com aquele sorriso falso.

Aquele sorriso o incomodava tanto... era aquele sorriso que provocava toda a dor e a confusão que sentia. Se, ao menos, conseguisse falar sobre isso... se conseguisse olhar pros olhos azuis sem desviar...

Foi despertado abruptamente dos devaneios ao sentir algo na bochecha. Levou um susto e assumiu uma posição ereta, como se estivesse pronto para um combate. Olhou pro lado e viu Fay agachado ao seu lado, com uma mão apoiando o chão e a outra levemente flexionada perto de sua cabeça. O loiro, então, recolheu a mão da tentativa de carinho frustrada e sorriu.

Kurogane franziu o cenho e olhou pra qualquer outro local que não fosse o rosto que emoldurava aquele sorriso.

- No que está pensando?

Kurogane abriu a boca, mas não saiu nenhuma resposta. Estava se esforçando. Mexeu os lábios, como se tentasse falar algo, mas nenhum som saiu. Antes que pudesse tentar outra vez, a boca fora invadida pela língua do outro, que passava uma das pernas sobre o corpo do moreno.

Por um momento deixou se levar pela tentação e fechou os olhos enquanto a língua estranha brincava dentro de sua boca. Mas, antes de corresponder o beijo, empurrou o outro que caiu sentado sobre as pernas de Kurogane, com feição de surpresa.

Gesticulou, ia falar algo, mas Kurogane foi mais rápido.

- Eu... eu estou farto dessas brincadeiras. Não suporto mais receber suas provocações sem saber se você está rindo da minha cara... e esse sorriso, eu odeio esse sorriso falso – Agarrou a mandíbula do loiro com uma mão, fez força, mas apenas o suficiente para fixar o rosto do outro, não queria machucá-lo. – Pare com isso de uma vez por todas... com esse sorriso... – O abraçou, apoiando a cabeça sobre o ombro, trouxe sua boca perto do ouvido de Fay e disse, sussurrando – Não brinque mais com meus sentimos, pois... pois eu te amo.

Fay levou um mão até a cabeça de Kurogane e acariciou suavemente, a outra pousou nas costas.

- Kurogane... eu...

Parou de falar e de acariciá-lo.

- É isso que você sente? Você acha que eu estou brincando com seus sentimentos?

Os dois se separaram e encararam um ao outro. Kurogane apertou os olhos e desviou o olhar, corado. De repente se deu conta do que tinha falado e ficou com vergonha. Fay inclinou-se e beijou-o na testa.

- Perdão...

Os olhos carmesim assustados encontraram os azuis tristes. Fay sentiu que iria sorrir mais uma vez, então mordeu os lábios.

- Perdão por te fazer sofrer... eu... eu não estou brincando com seus sentimentos... eu também... – Fay se moveu e saiu de cima das pernas de Kurogane. Sentou-se ao lado e olhou em direção ao jardim. Não conteve o sorriso dessa fez. – Desculpe. Esse sorriso... é o único que consigo fazer.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo, apenas observando os pássaros que cantavam nos galhos das árvores, o vento que acariciava a grama. Nesse tempo, Fay tentou começar a falar diversas vezes, mas nenhum sucesso. Também estava sofrendo.

- Eu não consigo me libertar... do meu passado, da minha prisão. – Disse, enfim. – Você é gentil, Kurogane, e eu... eu sou um desperdício pra sua gentileza. É injusto que eu receba o seu amor quando tudo o que eu posso te oferecer é...

Fay parou de falar e fechou os olhos. Virou o rosto para baixo. Ficaram em silêncio por um tempo e, quando Kurogane percebeu que ele não continuaria a falar, perguntou:

- O quê?

- Tudo o que posso te dar em troca, é o meu amor... o meu amor quebrado. Meu coração impuro. Minha alma manchada de sangue... Kurogane, eu também te amo... desculpe por ser tão imprestável, desculpe por não conseguir ser sincero...

- Eu aceito – Disse enquanto segurou o pulso do outro – Eu aceito seu amor quebrado. Se você quiser, eu posso te ajudar a consertar. — Lágrimas começaram a escorrer dos olhos azuis. – Eu aceito sua alma, seu passado. Eu aceito você do jeito que é... porque o que sinto por você não é tão fraco que o sangue, a morte, possa desfazer.

O rosto de Fay já estava cheio de lágrimas que desciam pelas bochechas. Kurogane inclinou-se sobre o corpo do menor, fazendo com que ele deitasse no chão lentamente. Estava apoiado com os cotovelos no chão, fitava o outro com um olhar apaixonado.

- Eu te amo. Eu preciso de você, não importa o que você pense de você mesmo. Eu preciso de você, do seu calor.

Fay fechou os olhos enquanto escutava aquelas palavras. Sentia-se infinitamente feliz.

- Eu quero... – Ergueu os braços e abraçou o outro com força. – Eu quero que você me conserte. Eu quero ser seu pra sempre...

Notas finais
Olá, pessoal! Lanosa aqui *-*
O que acharam da minha fanfic? Ahh, eu sou nova no site e eu realmente queria participar desse mundo de fanfiction mesmo meu tempo sendo tão curtinho :'(
Por favor, enviem um comentário com o que acharam, é realmente importante pra mim justamente por eu estar começando nesse site e eu to curiosa pra saber o que pensam ♥
Espero que tenham gostado, beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!