Amor Proibido
3 Nova Etapa
Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=QpbQ4I3Eidg
No capítulo anterior:
As lágrimas salgadas faziam o corte que eu tinha na cara arder. Eu não acredito que meu próprio pai me tinha batido.
Em vinte minutos chego na casa da Lanie. Ela vivia com os pais. Por isso, mandei uma mensagem para que fosse ela a me abrir a porta. Eu não iria ficar aqui por muito tempo, apenas esta noite e amanhã eu iria decidir o que fazer.
Lanie é rápida a abrir a porta.
—Kate…! – Ela olha a minha cara assustada. – O que aconteceu?
—Meu pai me bateu, Lanie… — Nisto começo a chorar.
—Vamos… entre! Os meus pais já estão a dormir.
Pov Castle
Quando parei de escrever eram duas horas da madrugada. Cheguei na cama e Gina dormia de costas para mim. Eu queria fazer alguma coisa para esquecer este dia, mas eu não conseguia.
Esperava que isto não passasse de uma alucinação da minha cabeça.

Pov Castle
Me levantei bem cedo, mas Gina já não estava na cama. Talvez tivesse ido para o escritório mais cedo.
Instantaneamente me senti mal por ontem. Como assim eu tinha rejeitado a minha própria mulher?
Decidi ir até á cozinha e preparar o meu café da manhã.
Sinto meu celular vibrando e vejo Roy me ligando. Estranho, mas decido atender.
—Olá, Roy, bom dia. – Eu falo.
—Peço desculpa ligar tão cedo, Castle, mas a turma A está precisando de um diretor de turma… Estava pensando em você.
—Eu adoraria! – Eu aceito de imediato, sem mesmo saber explicar o motivo.
—Ótimo, nos vemos na escola daqui a pouco tempo. Abraço!
Desligo a chamada. Estava entusiasmo e decido ligar para Gina para contar as novidades. Ela não atende.
Decido deixar mensagem.
Pov Kate
Lanie me acorda e sinto minha cara dorida.
Começo a chorar ao lembrar do episódio de ontem.
—Desculpa, Lanie…
—Shiu, garota. Você ficará por aqui por uns tempos e depois vamos ver como iremos fazer. Eu já falei com os meus pais. Eles sabem a sua situação e não há problema. – Ela fala rápido para que eu não pudesse dizer nada.
—Lanie, não. – Eu falo mais rápido ainda. – Eu ainda hoje irei arranjar um part-time e alugo um quarto enquanto estudo.
—Kate, nem pense! Assim você irá desistir da escola de novo! – Ela me contradiz.
—Lanie. – Eu a olho nos olhos. – Isso não irá acontecer. Eu te prometo. – Eu beijo a sua testa e depois me levanto e vou até ao espelho ver o machucado. Nada que uma maquiagem leve conseguisse disfarçar. Era apenas um corte.
—Eu posso dar um jeito. – Ela sorri. – Você vai conseguir ultrapassar tudo isto, girlfriend.
—Eu espero ter força para isso, Lanie. – Eu respiro fundo.
—Você vai. – Ela sorri. – Vamos nos preparar? Nossa primeira aula é com o professor gostosão!
Eu rio. Lanie sempre me conseguia fazer rir.
Tomamos o pequeno-almoço e depois Lanie tentou disfarçar o meu machucado o máximo que conseguiu. Ela me prometeu não contar nada para ninguém e eu sei que podia confiar nela.
A manhã passou rápido. O professor Castle deu matéria e depois de ontem a manhã seguiu normal. Eu agradecia mentalmente por ninguém ter reparado no machucado.
Poucos minutos antes de dar o toque de saída, o professor anuncia que seria o nosso diretor de turma. Eu não consigo desviar os meus olhos dele. Ele era tão charmoso e a voz dele era bem macia e grossa.
Me sentia uma parva. Estava me sentindo atraída por um homem bem mais velho que eu e não estava sabendo lidar com isso. Desde que a minha mãe se foi não me lembrava sequer de me sentir atraída por algum garoto, mas assim que vi o professor de inglês foi quase momentâneo. Poderia ser a minha paixão secreta. Sorri com aquele pensamento. Nunca passaria disso, nem eu deixaria.
Depois de inglês tivemos mais duas aulas e pausa para o almoço.
Como sempre eu, Lanie e os garotos almoçamos juntos.
Da parte da tarde teríamos apenas mais três, a última seria de novo com o professor Castle, mas sendo como diretor de turma.
Pov Castle
Aproveitei bem o tempo e decidi ir almoçar em casa. Com sorte, apanharia Gina. Ela não havia respondido ás minhas mensagens nem ligações e eu começava a pensar que ela estava realmente chateada comigo.
Isso me incomodava, mas não me estava deixando preocupado. O que me fazia repensar no meu casamento pela primeira vez em dez anos. Porque isto estava acontecendo?
Assim que chego a casa percebo que Gina está pelo cheiro forte de seu perfume.
Ela estava almoçando na sala de jantar.
—Oi, querida. – Eu beijo a sua testa.
—Oi. – Ela fala fria.
—Tudo bem? Você não respondeu ás minhas mensagens nem retornou as minhas ligações. – Eu falo direto.
—Desde quando você é escritor, Rick? – Ela me olha nos olhos. Eu fico confuso com a pergunta.
—Que pergunta é essa? – Eu franzo o sobrolho.
—Eu li aquilo que você escreveu no laptop até as tantas da madrugada… — Ela me olha com frieza. Algo que eu detestava em Gina. Ela sempre conseguia ser fria quando era preciso.
—Você andou a mexer nas minhas coisas? – Eu começo a me aperceber.
Ela vai até á mala que usava e tira um papel de lá.
—“Desde que a vi que meu coração mudou…” – Ela começa citando o que eu tinha escrito ontem.
—Gina! – Eu falo alto e ela me olha perplexa. Talvez tenha sido a primeira vez que eu tinha gritado com ela. – Desde quando você mexe nas minhas coisas?! – Aquilo que enervou. Ela não tinha permissão para vasculhar as minhas coisas.
—Desde que somos casados…? – Ela parecia incrédula com esta discussão.
—E o facto de sermos casados permite você fazer tudo o que você quiser? – Eu estava nervoso, mas estava me tentando controlar.
—Eu não acredito que ao fim de dez anos você está me impedindo de ver as suas coisas! – Ela me acusa.
—Eu só estou pedindo privacidade! – Eu falo um pouco mais alto do que desejaria.
—Privacidade…? – Ela ri. – Quem é a vagabunda de quem você está falando naquele texto?!
—Ninguém, Gina… É apenas um texto. – Eu sinto o suor escorrer pelas minhas costas. As palmas das minhas mãos também suavam e eu me sentia nervoso.
—Você está me traindo, Rick?! – Ela pergunta diretamente.
—Não! Claro que não! – Eu respondo sem dúvida nenhuma.
—Eu acho melhor que você não pense nisso se quer! – Ela me ameaça.
—Eu acho que a gente está conversada! – Aquela conversa me enoja e eu saio sem mesmo me despedir dela. Estava precisando de apanhar ar.
Decido ir comer num restaurante perto da escola e fazer tempo até minha última aula que seria com a turma de Kate.
Como é que desde que ela apareceu estou tendo problemas no meu casamento? Devo estar doido mesmo.
Pov Kate
As outras aulas passaram rápido e eu só queria que o dia acabasse para que eu pudesse procurar um trabalho e pudesse começar a juntar algum dinheiro para puder ir para um quarto alugado. Tudo bem que não seria o mesmo que estar em casa, mas pelo menos eu não precisaria de viver á custa dos pais de Lanie.
O toque bateu e o professor Richard estava um pouco atrasado. Esperamos por ele em silêncio.
Passado um tempo ele estava na aula. Parecia bem chateado na verdade. A sobrancelha franzida dele deixava isso transparecer.
Ele nem sequer me olhou. Não que tivesse que olhar, mas a gente sempre se acaba entreolhando não sei bem o porquê.
Ele se desculpou pelo atraso e começou imediatamente dando aula. Falando sobre assuntos da classe e depressa a aula se passou. O toque bateu.
—Todos podem sair com a exceção de Kate, por favor. – Eu engulo em seco. Lanie me olha rapidamente e fala qualquer coisa como "nos vemos em casa". Espero que ele não tenha notado nada.
Todos saíram. Ele fica em silêncio me olhando.
Se levanta da cadeira e fecha a porta. A sala parece maior do que realmente é quando estamos sozinhos.
Ele me assusta por momentos. Parecia tão furioso. Aproxima-se de mim.
—Pode me explicar que machucado é esse na sua cara? – Ele me olha nos olhos e eu engulo em seco de novo. Estava ferrada.
—Eu caí ontem. – Eu minto.
—Ótimo. – Ele fala, sarcástico. – Agora diga isso olhando nos meus olhos.
Eu o olho nos seus olhos e não consigo mentir.
—Droga! – Eu falo, revoltada.
—Você levou uma surra, Kate? – Ele me pergunta. Agora o seu rosto era de preocupação.
—Não. – Eu falo a verdade desta vez.
—Então? – Ele insiste.
—Não interessa. – Eu me afasto.
—Interessa sim. – Ele retorque.
—Porquê que você se preocupa tanto comigo? É pena?! – Eu me enervo.
—Eu já falei que não tenho pena de você! – Ele se altera e me olha nos olhos.
—Então qual o motivo da preocupação?! – Eu me levanto e me aproximo novamente dele.
—Você é da minha direção de turma, se você se meteu em encrenca eu tenho o dever de te ajudar! – Ele responde.
—Você quer me ajudar? – Eu tomo coragem.
—Sim. – Ele responde de imediato.
—Você pode me arranjar um trabalho para depois das aulas? – Eu pergunto.
—Só se você me explicar o que é esse machucado na sua cara. – Ele joga comigo mentalmente.
—É minha vida privada. – Eu respondo, nunca deixando de o olhar. – Parece que não me pode ajudar então. – Eu calculo e me preparo para ir embora lhe virando as costas.
Sinto sua mão grande me prender e me fazer olhar para ele de novo.
—Talvez eu possa te ajudar. – Ele me olha e me pede para aguardar dois minutos. Pega no celular e disca o número de alguém.
Pov Castle
No momento em que falo me arrependo no momento.
Eu sabia que minha mãe estava precisando de alguém para o café dela, mas não sei se seria bom ela conhecer a minha mãe.
Minha mãe sempre fora atriz e sempre ganhou muito dinheiro. Com esse dinheiro investiu em cafés e restaurantes. Neste momento ela estava precisando de alguém para servir ás mesas.
—Oi, querido! — Ela fala alegre.
—Mãe, você ainda está precisando de gente para trabalhar no café? – Eu pergunto direto.
—Sim, Richard! Você conhece alguém? — Ela parece entusiasmada.
—Sim, o nome dela é Kate e está bem em frente a mim. – Eu respondo. Vejo os olhos de Kate brilharem. Isso me deixa feliz.
—Ótimo! Ela pode vir até aqui agora?
Eu desvio o celular do ouvido e falo para Kate.
—Você pode ir até lá agora? – Eu pergunto e ela acena que sim.
—Mãe! – Eu volto á chamada. – Dentro de quinze minutos ela está ai.
—Fico a aguardar, querido. Beijo.
Desligo a chamada e encaro Beckett.
—Obrigada. Pode me dar as direções do café? – Ela pergunta.
—Eu te levo até lá. – Eu falo.
—Acho que isso não é boa ideia. – Ela fala.
—Porquê? – Eu não vejo qual o problema.
—Porque você é professor e eu aluna. Não me apetece muito ouvir comentários no dia seguinte. – Aquilo parece óbvio.
—Ok… — Eu ainda não me dou por vencido. – Eu te apanho na esquina da terceira rua.
—Senhor Castle… — Ela fala. – Eu não acho boa ideia.
—Apenas aceite, Beckett. – Eu digo.
—Ok. – Ela baixa a cabeça. – Obrigada.
Assim fazemos. Durante a viagem, apesar de curta, não falamos sobre nada. Era meio estranho ter uma aluna no carro, mas não era mau de todo.
A deixei na porta.
—É ali. – Eu aponto.
—Sua mãe é a Martha Rodgers?! – Ela surta e eu acabo rindo.
—Qual é o espanto? – Os cafés e restaurantes de minha mãe eram bem conhecidos.
—Ela é ótima! Eu devia ter vindo com outra roupa! – Ela resmunga.
Eu olho a sua roupa e fico em silêncio observando o seu entusiasmo.
—Você está ótima assim. – Eu falo e posso ver ela corar pelo canto do olho.
—Obrigada. – Ela coloca uma mecha de seus cabelos fortes atrás da orelha e eu acho aquilo adorável.
—Bem… — Eu mudo de conversa. – Boa sorte!
—Obrigada! Mesmo! – O seu sorriso faz o meu dia. Eu via o quanto ela estava feliz. Ela sai do carro e eu finjo que me vou embora. No fundo, eu iria esperar por ela escondido. Sei que o que estava fazendo não era o correto, mas eu tinha que descobrir o que tinha acontecido com o machucado de Kate.
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