Amor Proibido
28 Dia emocional
Notas iniciais
No capítulo anterior:
—Kate, por favor… — Eu imploro, seguindo atrás dela. – Você não pode me deixar.
Eu me sinto vencido pelas lágrimas.
—Porque não?! – Ela se vira para me encarar.
—Porque eu te amo, Katherine Beckett! – Eu falo olhando nos seus olhos.
Ela fica estática e por momentos ficamos nos olhando em silêncio. As lágrimas misturavam-se.
—Você devia ter pensado nisso antes. – Ela limpa as lágrimas. – A gente termina por aqui.
Vejo ela se afastando e eu não consigo mais reagir.
Eu queria gritar, correr atrás dela, mas eu não tinha força para isso.
E no momento em que vejo Kate ir embora, me sinto um verdadeiro lixo.

Pov Kate
Só eu sei o quanto estava me sentindo destruída por dentro – Castle tinha olhado nos meus olhos e falado que me amava.
O vento secava as minhas lágrimas, mas elas insistem em cair. Meu coração estava doendo.
Tudo isso não apagava o que ele tinha feito, mas vê-lo tão sincero tornou toda a nossa despedida ainda mais dura.
Decido ligar para Lanie.
—Oi girlfriend! —Ela fala animada.
—Podemos nos encontrar em sua casa? – As lágrimas não paravam de cair e me impediam de falar direito.
—Kate o que se passa?!
—Eu e Rick terminamos…
—Nos vemos aqui.
Eu desligo a chamada sem mesmo conseguir falar. Nunca pensei que terminar um relacionamento fosse tão difícil – era como se eu estivesse com uma ferida enorme dentro de mim.
Todo segundo era momento de lembrança da declaração de Castle e sempre que me lembrava a minha vontade era confrontá-lo – porque ele foi sair para beber? Porque ele foi para casa com aquela vagabunda?
Porquê? Porquê que eu não conseguia gerir isto? Seria mesmo o nosso amor impossível…?
Tudo aquilo me faz desabar em lágrimas de novo e ainda mais quando vejo Lanie me receber de braços abertos.
Este dia seria longo. Eu tinha certeza disso.
Pov Castle
Me ajoelho no chão, desfeito em lágrimas, percebendo que tinha deitado tudo a perder com Kate.
Depois de todas as dificuldades que nós enfrentamos, não merecíamos acabar desta forma.
—Castle… — Eu ouço Jim se aproximar.
Eu me levanto. Limpo as lágrimas e vou embora sem me despedir – só me interessava que Kate acreditasse em mim e mais ninguém.
Sinto meu celular tocar e não reconheço o número. Atendo.
—Oi. – Minha voz estava embriagada pelas lágrimas.
—Sua mãe está no hospital – você precisa de vir! — Eu reconheço a voz de Hunt no momento.
—Estou indo. – Eu corro para o hospital, preocupado.
Dirijo rápido pensando no que teria acontecido – nesse momento eu sinto que devo me comportar como um homem que era e cuidar de minha mãe, esquecendo o que tinha acontecido.
Que direito eu tinha de querer interferir na vida dela?
Ela sempre me apoiou mesmo quando eu me apaixonei por Kate – porque nosso amor parecia impossível e minha mãe sempre me deu força para lutar por nós. Porque eu não podia pelo menos tentar fazer o mesmo por ela?
Pov Kate
—Eu me sinto mal, Lanie… — Eu assoava o nariz, enquanto as lágrimas molhavam o meu rosto.
—Você já questionou sequer que Gina pode mesmo ter drogado Castle? – Ela segura as minhas mãos.
—Mas mesmo que tenha, Lanie… Porque ele me abandonou para ir beber? E como ela foi lá parar?
—Talvez ela estivesse esperando pelo momento certo…
—Eu cansei de lutar por nós dois, Lanie… Talvez eu seja imatura demais, mas eu não posso mais. Eu preciso sair de Nova Iorque e começar uma nova etapa da minha vida. E porque ele foi falar que me amava quando sabia que eu ia embora? – Eu bufo, continuando chorando. – Ele não tem o direito de brincar comigo desse jeito!
—Foi sincero? – Ela pergunta.
—Foi e isso é o que me custa mais…
—Sabe do que você está precisando? – Lanie abre um sorriso.
—Não! – Eu rio ao ver a cara dela, como se lhe conseguisse ler os pensamentos.
—Pode crer! – Ela se levanta do sofá com sua barriga enorme e vai colocar um filme. – Se você vai estar chorando – vamos chorar todos juntos!
—Quem vai chorar junto? – Esposito aparece e eu limpo as lágrimas.
—Não precisa limpar as lágrimas, eu sei que esteve chorando. – Espo beija a minha testa e se senta do meu lado. – Se precisar conversar, estou aqui.
—Desde quando você ficou tão atencioso? – Eu rio.
—Desde que descobri que vou ser pai. – Ele sorri, tranquilo.
—Chega de conversa! – Lanie se aproxima de nós. – Javi, chama o Ryan e a Jenny… Eles precisam estar connosco!
—Lanie, por favor! – Eu peço. –Eu não quero assistir filme para chorar, quanto mais fazer o mesmo nos outros…
—Você não tem opção querida. – Ela sorri amarelo me fazendo rir, pois eu sei o quanto ela é teimosa. – Eu já falei se é para chorar, choramos todos juntos!
—Sim. – Espo, concorda. – É para isso que os amigos servem!
—E eu tenho os melhores amigos do mundo! – Eu agradeço e logo depois Esposito liga para Kevin.
Pov Castle
Cheguei no hospital e de imediato vejo Hunt.
Dou umas passadas grandes até ele.
—Onde está a minha mãe? O que aconteceu? – Eu opto por perguntar logo sem rodeios.
—Nós estávamos almoçando e ela desmaiou. Eu a trouxe logo. – Ele tenta estabelecer o olhar, mas eu evito.
Sei que já tinham passado muitos anos, mas eu não conseguia confiar nele. Eu sempre achava que ele carregava segundas intenções e, normalmente, minhas ideias nunca me enganavam, por isso eu preferia manter a distância.
—Obrigada. – Eu falo.
—Só fiz o que devia ser feito. – Acabo por me sentar do seu lado. – Você esteve chorando?
—Isso não é da sua conta. – Eu falo.
—Ok, você está no seu direito. – Ele baixa a cabeça. – Eu fui um pai de merda mesmo.
Nesse momento eu o encaro.
—Porque você voltou? – Eu pergunto. – Passado tanto tempo?
—Eu senti a vossa falta. – Ele me olha.
—Você está mentindo. – Eu continuo encarando-o. Eu conhecia muito bem o meu pai e sabia que ele piscava os olhos duas vezes sempre que mentia.
—Em metade estou em outra não. – Ele fala e sei que agora estava dizendo a verdade.
—Explique. – Eu peço.
—Se você não prometer fazer perguntas. – Ele me olha sério.
—Eu não estou percebendo. – Eu franzo o sobrolho.
—Você precisa prometer que não vai fazer perguntas. – Ele parece nervoso.
—Tudo bem. Eu prometo. – Eu falo.
—Tudo bem. – Ele suspira, como se estivesse procurando pelas palavras certas. – Depois que eu vi Kate nos Hamptons eu tive uma visão e naquele momento…
—A minha Kate? – Eu começo estranhando ainda mais tudo isto.
—Sim. – Ele responde.
—Continue. – Eu peço.
—Eu assim que vi Kate eu vi a mesma cara que Johanna Beckett e eu não pude deixar de pensar se elas teriam algum grau de parentesco…
—Você conhece a mãe de Kate?! – Eu estava cada vez mais confuso.
—Você prometeu que não faria perguntas… — Ele me olha sério.
—Porque eu não pensei que tivesse haver com a mãe de Beckett! – Eu falo a verdade.
—Então você confirma que Johanna é mãe de Kate? – Ele parece assustado.
—Sim, é. Como você a conhece? – Eu sinto meu coração acelerar.
—Isso não é relevante. – Ele fala, visivelmente perturbado.
—Como assim não é relevante?! Ela morreu assassinada! – Eu me exalto.
—Morreu?! – Ele leva as mãos ao peito e nesse momento eu vejo as lágrimas surgirem nos seus olhos.
—Você vai ter que me falar como conhece a mãe dela… — Eu o encaro.
—Quem são os familiares da senhora Martha Rodgers? – O médico alto e loiro se aproxima.
—Nós dois temos de conversar depois. – Eu olho Hunt mais uma vez e ele acena que sim.
Nos levantamos para ir ao encontro do médico.
—E então, doutor como a minha mãe está? – Eu antecipo-me a perguntar.
—Ela está bem, mas eu preciso de dizer o que está acontecendo. – Ela nos olha. – A sua mãe está correndo uma gravidez de risco.
—Gravidez?! – Eu e Hunt falamos ao mesmo tempo.
—Sim – ela está grávida de quase um mês. – O médico explica.
Eu fico perplexo.
Não sei o que pensar. Olho para Hunt que me olha da mesma forma.
—Qual o risco para ela em ter essa criança? – Hunt pergunta.
Eu continuava estático. Como assim a minha mãe estava grávida com 46 anos?
—Pode sofrer um aborto espontâneo ou até mesmo falecer durante o parto caso Martha queira ter esse bebé. – O médico explica.
—Ela não pode ter essa criança… — Eu falo, pensando na saúde da minha mãe.
—Só a senhora Martha é que pode decidir isso. – O médico me avisa.
—Eu posso falar com ela? – Eu pergunto, desesperando.
—Sim, mas por favor, com calma. Martha está muito fragilizada. – O médico fala.
—Tudo bem. – Eu concordo e depois sigo as indicações do médico.
Sem dúvida que este dia ia ser muito comprido e eu só dava tudo para ter Kate aqui comigo.
Eu não estava acreditando em tudo aquilo que estava acontecendo comigo hoje.
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