Amor Proibido
31 Coincidência ou destino?
Notas iniciais
No capítulo anterior:
…
Assim que chego em vejo que tenho uma gravação de voz no celular e acaba acedendo ás chamadas perdidas. Não conhecia o número, mas acabo ouvindo a mensagem.
Oi, Kate
Eu me arrepio de imediato quando ouço a voz dele e as lágrimas caem-me como se fosse a primeira vez que estivesse a ouvir a voz de Rick. Ele me ligou?
Me desculpa estar ligando a esta hora, mas eu só queria que você soubesse o quanto eu sinto a sua falta. Talvez esta ligação tivesse sido um erro, mas eu só precisava desabafar tudo isto que estou sentindo. Eu te amo acima de qualquer coisa, Kate.
Eu acordo sobressaltada do sonho e não volto a dormir.
—Sou mesmo burra! – Eu bebo a água de um gole só e vou até á lista telefónica. Eu ainda tinha o número dele gravado.
Abano a cabeça e acabo ligando para Royce. Precisava falar com alguém e tentar seguir em frente.

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Pov Castle
Eram quase 3 horas da madrugada e o sono não vinha. Eu segurava o celular, esperando uma ligação dela. Em vão. Ela não ligaria. Porque deveria? Ela pensa que eu a trai…
—Mas que merda! – Eu bufo, jogando o celular para longe.
Nós dois lutamos contra um amor tão impossível e como foi capaz de uma coisa tão pequena nos ter separado? Eu não podia, nem tão pouco conseguia me conformar.
Acabo ligando a TV e eu era a primeira notícia.
“Richard Castle, o famoso autor da saga Nikki Heat anda envolvido em confrontos…”
Decido mudar de canal.
“Quem será a mulher que faz o coração do autor Richard Castle bater…?”
Bufo, irritado e mudo de canal.
“O famoso escritor do romance Nikki Heat foi visto com uma morena…”
—Porra! – Eu acabo desligando a TV, farto de ser notícia por todo o lado.
O que Kate estaria fazendo agora? Será que já se tinha conseguido formar e encontrado o assassino da mãe? Será que tinha seguido em frente?
Sempre dava uma angústia no meu peito, imaginando-a com outra pessoa – inclusive, ficava enojado com essa possibilidade.
Eu gostava de falar com Jim para saber como ela estava, mas ele nem sequer consegue olhar para a minha cara. Tudo isto foi culpa de Gina. Ela armou para mim e eu deixei.
Nesse momento o meu celular toca e eu caminho para atender.
Era Sophia. Uma “amiga”. Uma morena de cabelos pretos encaracolados e uns olhos castanhos. Por vezes, ela me ajudava a passar um tempo – era apenas sexo. Não sentia nada por ela e das poucas vezes que dormimos juntos, eu sempre imaginava Kate. Isso era doentio, eu sei.
—Alô. Acordada a esta hora? – Eu pergunto, sentado no sofá.
—Eu sei que você sofre de insónia, então eu pensei ligar.
—Você acertou… — Eu falo.
—Está se sentindo sozinho? — Ela fala, provocante.
—Sophia… Hoje não. – Eu falo.
—Tudo bem. A gente fala depois.
Eu desligo sem mesmo me despedir. Não me apetecia falar agora.
…6 meses depois…
Hoje eu teria a minha apresentação do meu livro mais recente.
Teria de me vestir á altura.
Hoje era o meu aniversário, eu completaria o meu 33º aniversário.
Kate já deveria ter 20 anos neste momento e eu adorava ver como ela estava – com fardamento policial. Apesar do ano e meio que estavamos afastados eu continuava fantasiando com ela.
Será que ela se lembrava que eu fazia anos hoje?
Decidi ir almoçar com os meus pais. Assim aproveitava e estava um pouco com Alexis. Ela tinha crescido muito e já estava até a tentar começar a falar.
Era bom puder acompanhar o crescimento dela. Eu ficava grato por isso.
Decido acabar de vestir meu terno e me preparar para sair – dentro de duas horas teria a minha apresentação e estaria lá imensa gente.
Pov Kate
Eu acabo de fazer as minhas malas – hoje voltaria para Nova Iorque.
Eu não estava feliz aqui em Washington DC e não podia ficar mais aqui.
—Eu espero que tudo corra pelo melhor. – Royce, sorri. Eu sei que ele estava triste com a minha partida, mas eu não podia fazer nada.
—Obrigada, Royce. Por tudo. – Eu seguro as suas mãos.
—Não precisa agradecer. – Ele me abraça e beija a minha testa. – A gente se vê em Nova Iorque quando eu passar lá.
—Eu fico á espera. – Eu sorrio e acabo de fechar as malas.
Nesse momento eu me lembro que Castle faz anos hoje. Hoje ele iria fazer uma apresentação do seu livro mais recente que eu adorei ler. Na verdade, eu li todos. Ele realmente tinha o dom da escrita.
Royce me leva até ao aeroporto e eu o abraço antes de partir. Ele foi muito paciente comigo e apesar de eu não me ter conseguido entregar completamente, ele nunca desistiu de mim. Eu só esperava que ele encontrasse alguém que o fizesse feliz.
O meu pai estava me esperando no aeroporto, bem como Lanie e o seu filhote. O seu nome era André e ele devia ser lindo –Lanie passava o tempo me falando que ele era muito parecido com Javi. Eu estava muito feliz por eles.
Por outro lado, eu estava triste, nunca mais tinha falado com Martha e isso me entristecia. Ela foi como uma mãe para mim e eu sentia falta das nossas conversas.
Em uma hora eu estava de volta a Nova Iorque e isso era um sentimento quase inexplicável.
Jim, Lanie e o pequeno André vieram de imediato ao meu encontro.
Eu os abraço com força e de imediato minhas lágrimas rolam. Era bom estar de volta.
—Como vai, senhorita policial?! – O pequeno de Lanie, fala e eu rio.
—Você é muito sabido, não é? – Eu pego o pequeno ao colo como se o conhecesse á muito tempo e a ligação é logo estabelecida.
—Nossa! Ele é a cara do Javi… — Eu falo para Lanie.
—Minha mãe diz que isso é mau… — O pequeno fala, despoletando uma onda de gargalhada entre todos.
—Como você está? – Eu beijo a testa do meu pai e ele me abraça com força.
—Olha só para você! – Ele me abraça emocionado.
Eu não os via há muito tempo e era normal que as saudades se sobrepusessem ao resto.
—Eu realmente gostava de estar com vocês, mas tenho de ir para a esquadra conhecer a Capitã Gates e eu já ouvi que ela é durona, por isso, eu não vou arriscar.
—Quer que eu leve as suas malas? – Meu pai, pergunta.
—Por favor. – Eu aceno, agradecendo. –Nos vemos mais logo?
—Assim espero. – Ele sorri, despedindo-se de mim.
—E vocês dois… — Eu olho para Lanie e para o pequeno André. –A gente pode almoçar amanhã.
—Boa, tita! – O André fala, fazendo-me sorrir.
—Tia! – Lanie, corrigi-o.
—Tita é mais bonito! – Ele cruza os braços, amuado.
—Tudo bem. Amanhã a gente almoça e precisa conversar também. – Lanie se despede de mim e eu mando um beijo ao olhar o relógio e vendo que estava atrasada.
Eu estava ansiosa por começar na minha nova esquadra e conhecer meus colegas.
Apressei-me para chegar e assim que chego me sinto em casa.
Os policiais andam apressados de um lado para o outro, atarefados.
—Senhorita Beckett? – Uma mulher negra me olha. O seu ar é duro, mas os olhos são meigos.
—Sim. – Eu respondo, deduzindo que seria a Capitã Gates.
—Ao meu gabinete, por favor. – Ela pede e eu assim o faço.
Entro no local e a Capitã Gates coloca os óculos e olha umas folhas.
—Muito bem, senhorita Beckett… — Ela olha cada detalhe do meu rosto, desviando os olhares das folhas. – A mulher mais nova e com as melhores provas a se formar policial.
—Eu sou muito determinada. – Eu argumento.
—Já vi que sim. – Ela concorda, olhando as folhas de novo. –Já esteve em acção? – Ela, pergunta.
—Não, Capitã. Apenas patrulhei ruas. – Eu falo a verdade.
—Tudo bem, vou destaca-la hoje, pode ser? – Ela me olha nos olhos.
—Ótimo! Para onde? – Eu pergunto, curiosa.
—Para vigiar o evento da apresentação do livro do autor Richard Castle.
E nesse momento, o meu mundo parou. Não podia ser coincidência. Assim que chego a Nova Iorque a primeira coisa que me pedem é que “proteja” Richard Castle?
—Sério? – Eu pergunto para ter certeza que tinha ouvido bem.
—Algum problema? – Ela me encara.
—Nenhum. – Eu tento disfarçar.
—Ainda bem. – Ela fala. – Agora venha comigo. Vou te mostrar o seu fardamento.
—Ok. – Eu a sigo, mas ainda não estava em mim. Como eu iria reagir quando o visse? Como ele iria reagir? Será que estava com alguém? Será que me ia ver?
Nossa, neste momento um turbilhão de pensamentos estavam passando pela minha cabeça.
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