Amor Proibido

2 Lembranças


Alice P.O.V

2 horas depois, voltei para casa, durante o caminho, via imensas pessoas, algumas com um ar apressado, outras calmas, outras estavam tristes e outras contentes… É uma sensação tão boa para mim observar como às vezes as localidades urbanas podem ser tão lindas… As decorações das casas eram muito bonitas também, assim como os chafarizes no centro da praça, onde estavam velhinhos sentados nos bancos a dar de comida aos pombos.

Andei na rua com muita sede e com vontade de ir a um café, mas como já era tarde (18:34h) e hora de jantar, resolvi continuar o caminho, estava a ficar frio, por isso apressei-me para chegar a casa.

Quando cheguei, cumprimentei a minha mãe e o meu pai com um beijo e fui mudar de roupa, estudei um pouco a bíblia e chamaram-me para o jantar.

Durante o jantar, o meu pai perguntou-me:

— Como correu o teu primeiro dia de aulas, filha?

— Correu-me bem, porquê? – respondi rapidamente.

Ele olhou-me desconfiado, pois sabia que quando eu respondo assim tão agitada, posso estar a não querer puxar o assunto. Se eu contasse que eu achei uma rapariga bonita, provavelmente irão-me castigar. Oh Alice, não sejas pessimista, provavelmente podes estar a exagerar, mas o mais certo é evitar qualquer coisa, qualquer obstáculo.

Quando acabei de jantar, fui para o meu quarto, deitei-me e tapei-me, olhei para o teto e comecei a pensar “ Amanhã estará tudo esquecido”, perdi-me nos pensamentos e adormeci, eu adormeço cedo, bem, os meus amigos dizem que eu adormeço cedo, acho que 20:30h é uma hora razoável para dormir, odeio deitar-me tarde, parece que estou a desrespeitar as regras. Um bom estudante deve sempre deitar-se cedo! E acordar cedo também. Eu acordo por volta das 6:30h, a minha mãe já está a sair de casa, e o meu pai ainda a dormir. O meu pai trabalha como camionista, ganha bem, mas no fim-de-semana a agenda dele está totalmente preenchida, a minha mãe, não sei se servir de cantora no coro da igreja é emprego, e nem sei se ela ganha dinheiro com isso. O meu irmão vive longe de nós, a uns 400 km de distância, e quando telefona, ou é a desejar boas festas ou “ feliz aniversário” , raramente vem, e quando vem, pensa que a casa é toda dele e está-se a foder para todos. Acho isso estúpido, acho que ele está numa Universidade qualquer… Ele pouco partilha sobre a sua vida escolar e universitária, e quando conta, são assuntos que importam muito mesmo.

Fico a pensar às vezes “ Como tenho 2 amigos?” , impressiono-me cada vez mais a cada dia que passa, a Elizabeth e o Logan nunca me abandonaram… É incrível, eu acho-me tão estranha e oculta, já fui chamada de “ betinha” “ puta” “ vaca” “ desatualizada”, eu já sofri bullying, se não fossem os meus amigos a defender-me eu já estaria numa depressão. Eu sofri bullying no 6ºano, era numa época onde era pouco madura e infantil, muito mais envergonhada que agora, uma fraude, acreditava em centenas de criaturas místicas, contava para os meus amigos as novidades que descobri, e os agressores ouviam detrás da parede, usavam isso como argumentos e atacavam-me, também me atacavam porque eu tinha e sempre tive um estilo diferente das pessoas que são “atualizadas” e não posso não conhecer várias notícias que mudaram o mundo, ou novas modas, o que sofria não era bem “ bullying”, era apenas agressão verbal, só me agrediram fisicamente uma vez, e foi um rapaz rufia, ele tinha sido expulso.

Flashback ON

— Alice, achas mesmo que vais conseguir chamar esse tal “ monstro da floresta”? Estamos aqui neste mato deserto há quase meia hora, e nada de nenhum monstro! – reclamou Elizabeth – Tens a certeza que o que viste naquele site não era mentira?

— Calma, tem de haver alguma verdade, eu sei que ele está aqui. – disse eu, num tom que queria ser esperançoso, mas notava-se que já estava no desespero.

— Aaai, tenho medo disto! E se apareceram homens maus? – questionou Logan, numa voz extremamente fofa e inocente, com medo.

— Vão procurar aí, vocês os dois, ele deve estar a dormir! – ordenei a Elizabeth e a Logan.

Eles foram procurar, enquanto eu procurava em outra área, de repente ouço uma voz reconhecível:

— Que surpresa agradável, mais uma cabrita! Hahahahaha – disse Xavier, um rufia da minha antiga com os seus camaradas: Ed e Carlos. – Vamos brincar, rapazes?

— O que é que vocês querem? Também vão procurar o monstro connosco? – questionei inocentemente. – Se forem vão para a esquerda procurá-lo.

— Olha, os únicos monstros que estão aqui somos nós. – disse Xavier apontando para si, para o Ed e para o Carlos – e tu serás a vítima assustada do filme de terror.

— Esperem, vocês vão-me bat-- — fui interrompida por um soco, logo desatei a chorar, foi com tanta força, que nem conseguia correr.

Só ouvia os risos deles, onde estão a Elizabeth e o Logan nestas horas? Ah, estão a procurar o monstro da floresta, porque mandei-os ir pela direita? Sou burra e parva, nunca devia ter feito isso.

— Logan, Elizabe-- — fui interrompida, não sei o que me fizeram, mas doeu imenso na barriga, tentei correr, mas estava a coxear, e a tentar chamá-los, procurando-os. – Elizabeth, Logan, ajudem-me! – e os rufias seguiam-me.

Elizabeth P.O.V ( dentro do flashback)

Ouvi uma voz, mas quase nem se ouvia , parecia da Alice, mas quis escutar mais de perto.

— Logan, palhaço, anda daí! – reclamei.

-Já vou, mandona!

Corremos por todos os lados, até a voz se tornar cada vez mais perto, parecia mais fraca, mas cada vez mais perto, era da Alice, estava a pedir ajuda, foi daí que acelerei o passo, o Logan já ia arrastado de tanto correr, credo, este rapaz é um preguiçoso, a nossa amiga está em possível perigo e ele resolve dormir, excelente raciocínio, Logan.

Finalmente encontrei Alice, abracei-a , ela estava com uma negra na bochecha e com sangue a escorrer pelo nariz, atrás dela estavam uns rufias que conheço muito bem.

— Seus cabrões, o que fizeram com a Alice? – questionei furiosa.

-Nós? Nada, somos inocentes, essa piranha pequena é que se meteu connosco. – mentiram os rufias.

— Eu conheço a Alice desde o 4º ano escolar, e sei bem que ela não iria chatear pessoas mais velhas que ela. Filhos da puta, sei que no fundo vocês são inseguros e cobardes. Por isso ficam a bater em toda a gente, não é? O meu pai é professor de JUDO. E eu aprendi um pouco com ele, se quiserem, posso vos mostrar uns troques que aprendi. Querem deixar um testamento antes disso?

Os rufias caíram em gargalhada, eles não sabiam com quem estavam se metendo.

— Logan, ajuda a Alice a caminhar, temos que pôr gelo nessa cara, senão ela vai piorar bastante, eu fico a cuidar destes cobardes.

Fiz posição de luta, eles eram apenas 2 anos mais avançados que eu, não faziam diferença nenhuma para mim. Foi que então um avançou e eu agarrei-o e deixei-o cair, esse era o Carlos. Xavier e Ed com medo, nunca mais se meteram comigo nem com a Alice e o Logan, pois eles tinham que se ver comigo e com o meu pai.

Ajudamos a Alice a andar para a minha casa, pois se os pais a vissem naquele estado e CONNOSCO, com certeza nós não nos veríamos mais. Pusemos gelo na negra da cara dela, limpamos o sangue seco do nariz, e esperamos até que ela “ acordasse” para a vida.

Alice P.O.V ( Flashback)

Só me lembro de ver a Elizabeth a deitar abaixo um dos rufias, e o Logan a olhar para mim com cara de preocupado, e quando olhava para a Elizabeth ele ficava “ Uau”. Quando acordei para a vida, vi que estava na casa da Elizabeth.

— Obrigada, Elizabeth e Logan, vocês são os meus verdadeiros e únicos amigos, vamos permanecer juntos.

— Sim. – disseram os dois ao mesmo tempo, com um sorriso na cara.

Eles sabiam que eu era indefesa, e ajudaram-me, devo muito a eles.

Flashback OFF

Quando lembrei-me disto, claro que me escorreu uma ou duas lágrimas da cara, mas não foi nada. Foi só apenas nostalgia…

Acordei, tive de repetir a minha rotina como sempre: Tomar o pequeno-almoço, tomar um duche rápido, vestir-me, lavar os dentes, secar o cabelo, pentear-me e fazer as necessidades.

Como sempre fui para a escola a pé, tenho vestido uma camisola de manga comprida preta e calças de ganga e sapatos básicos, e claro o meu terço. Como sempre Deus ao meu lado.

Era aula de Português, que seca. Eu não parava de olhar para a Chloë, não consigo evitar isso. Só não olhava quando era para copiar a matéria do quadro.

Mais uma aula passada, a campainha tocou e lá se vai um recreio…

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.