Amor Proibido
11 Sofrendo as consequências
Notas iniciais
QUINN'S P.O.V
Acordei com um fecho de luz batendo diretamente no meu rosto. Mesmo sabendo que era de manhã, deixei meus olhos fechados, sentindo minha cabeça latejar apesar da pouca bebida que tinha ingerido.
Só depois de um tempo tentando me recompor, pude sentir um corpo quente e nu colado ao meu. Meus braços estavam enroscados fortemente em torno de sua cintura delgada — que eu reconheci ser feminina — e meu corpo estava moldado em suas costas, mais ou menos em uma posição de conchinha.
Ainda de olhos pensados pensei se seria possível que meu maior sonho tivesse se tornado realidade. No segundo seguinte eu já soube a resposta: Eu sem dúvida ainda estaria sonhando. Então eu teria que aproveitar muito bem cada minuto do meu sonho, certo?
Passei minhas mãos por sua barriga definida, subindo lentamente aos seios, sentindo-a arrepiar e aquecer com o meu toque.
- Hum... Para com isso, Q... Tá abusando de mim...
Levei um susto tão grande ao ouvir aquela voz sonolenta que me desiquilibrei e caí da cama.
Quem estava deitada ao meu lado não era Rachel Berry, quem eu tinha imaginado, e sim a vaca da Santana.
- S-Santana! O-o que você...
Uma luz se acendeu da minha cabeça e eu me lembrei de toda a noite anterior, corando logo em seguida.
Merda, o que eu estava pensando para dormir com a vadia da minha melhor amiga?
- Você que deveria me responder! Não me lembro de nada! — Ela se sentou, revelando os gêmeos perfeitos.
Passei tempo demais olhando para aquela parte de seu corpo, e ela me pegou no flagra.
- Vai ficar aí olhando que nem uma idiota ou vai se levantar do chão?
Rapidamente eu me levantei e puxei o lençol para me cobrir. Santana também se enrolou na coberta e eu me sentei ao seu lado.
- A gente tranzou ontem, não é?
- Nãão! A gente se sentou e tomou um cházinho! — Ironizei e recebi um olhar furioso em troca.
Passamos alguns instantes em silência, como há muito tempo não passavámos.
- Vamos continuar amigas, certo? — Perguntei receosa.
- Claro. Nós só dividimos um orgasmo alucinante e tocamos intimamente o corpo uma da outra. Nada demais.
Pela primeira vez eu não soube dizer se aquilo foi uma ironia ou apenas uma resposta.
Eu olhei para as minhas vestes espalhadas pelo chão e começei a me lembrar da noite anterior, mas antes que eu pudesse ficar absorta demais com essas lembranças, um alarme apitou na minha mente.
- Caramba, Santana! — Gritei me levantando em um pulo.
- Que foi, sua doida?
- Hogwarts! Nós tinhámos que ter voltado para lá ontem, junto com todo mundo!
Ela abriu e fechou a boca em espanto, para depois pular da cama e começar a procurar suas roupas. Peguei as minhas ao mesmo tempo em que ela achou as suas, e ficamos nos encarando por algum tempo.
Nunca tinhamos tido problemas em se trocar uma na frente da outra, mas depois daquela noite as coisas pareciam muito mais estranhas.
- Hã... Eu vou... Banheiro... — Ela disse meio sem jeito, apontando para a porta do banheiro.
- Hã? Ah... Certo...
Ela seguiu até lá e fechou a porta, mas eu só consegui me trocar quando ouvi o clique da fechadura. Uma coisa normal tinha se tornado estranha para nós em apenas uma noite, então como serão as coisas daqui para frente? Senti meu coração se apertar ao imaginar a hipótese de quem jamais teríamos a amizade de antes.
- Onde estão minhas vestes, Q?
Me lembrei do quanto ela tinha ficado sexy me chamando daquela forma na noite anterior. Mas agora ela parecia só a velha Santana de sempre. Então por que diabos eu não poderia esquecer isso e me concentrar só na latinha chata e irritante que ela era?!
- Sei lá, você também não estava com elas ontem, depois que voltou para a mesa.
- Merda... Vem, me ajuda a procurar! — Ela gritou, saindo do quarto.
Fui atrás dela e imediatamente notei a diferença. Toda a decoração da noite passada tinha sido retirada. As mesas tinham se multiplicado e sido colocadas em seus lugares. Tudo estava tão arrumado que quem passasse lá naquele momento duvidaria que tivesse acontecido uma festa no dia anterior.
Quando cheguei lá embaixo Santana terminava de enrolar o cachecol em volta do pescoço, já usando as vestes de Hogwarts. O barman não era o mesmo e nos olhou de forma estranha, mas deu de ombros e nos deixou ir embora sem mais perguntas.
- Merda, e como vamos entrar no castelo agora, Fabray?!
- Tenho uma ideia! Puck me disse algo sobre uma passagem secreta na Dedosdemel, podemos entrar por lá!
A neve estava ainda mais alta do que no dia anterior, deixando nossa corrida muito mais difícil. Como se estivessemos correndo na areia ou com água até os joelhos.
Entramos rapidamente na Dedosdemel e procuramos pela Sra. Flume.
- Oh, olá garotas... Espera, você não tinham que estar na escola?
Foi nessa hora que nos desesperamos e contamos tudo o que tinha acontecido (não em detalhes) na noite anterior, choramingando no meio do relato e engolindo a vontade de chorar. Quando acabamos eu pude ver que a mulher estava com tanta pena da gente quanto nós mesmas.
- Tudo bem, mas não contem isso para ninguém...
Ela nos levou até o depósito e nos mandou para a passagem secreta de Hogwarts. Com muito esforço passamos pelo lugar estreito, já que tivemos que passar juntar, pois nenhuma das duas quis ir atrás da outra. O que não teria sido um problema um dia atrás.
Santana espiou por detrás do lugar onde tinhámos saído, vendo se era seguro.
- Barra limpa.
Apressadamente nós duas saímos de trás do que eu reconheci ser a estátua de uma bruxa corcunda. Começamos a caminhar naturalmente pelo corredor, como se nada tivesse acontecido.
- Que fazemos agora?
- Que tal ir para a aula, gênio?
- Que horas são? — Ela perguntou olhando para o pulso sem nada.
- Onze e quarenta. — Respondeu uma voz ao meu lado.
- Obrigada. — Agradeceu Santana.
Logo em seguida paramos e ficamos estáticas no mesmo lugar, completamente imoveis, como se aquilo pudesse fazê-la ir embora.
- As duas senhoras não acham que saíriam impunes dessa, não é? — Perguntou a Profa. MacGonagall, nos olhando seriamente.
Fudeu.
SANTANA'S P.O.V
Depois de muito sermão chato do diretor da nossa casa e da diretora, finalmente fomos mandadas de volta para nossas aulas, com enormes castigos de quatro meses.
Bem, não faria diferença. O almoço já tinha acabado e todos os alunos estavam voltando para suas aulas, ou seja, passaríamos o resto do dia com fome.
No entanto, quando atravessamos os corredores naquele dia todos nos olhavam diferente. Não com medo do jeito que estavámos acostumadas, mas com repulsa e outros com desejo.
Tudo bem que eu era muito gostosa e estava acostumada com a segunda opção, mas como aqueles adolescentes retardados ousavam me olhar com nojo?
- Fabray, qual é a dessas pessoas olhando estranho pra gente? — Perguntei lançando meu olhar mortal em direção a um grupo de estudantes, fazendo-os olhar para o outro lado.
Titia Snixx, a perversidade mandou beijos.
Cominhamos mais um pouco e eu já ia gritar com a vadia por me deixar esperando por uma resposta, mas percebi que ela não caminhava mais ao meu lado. Me virei e a observei encarando a parede com uma expressão chocada no rosto.
Ela era retardada de nascença ou fazia um esforço?
- Que foi, Fabray?
Como não obtive resposta, olhei na direção que ela olhava para conseguí-las sozinha.
Eu tenho certeza que minha expressão tinha ficado tão retardada quanto a que Quinn estava fazendo.
Fotos estavam colodas em todas as paredes do corredor, mas não eram fotos quaisquer. Nelas eu estava de costas para a Fabray, esfregando-me contra ela e passando suas mãos da minha cintura até meus seios, com nossos lábios muito próximos e olhar de desejo evidente. Flashes começaram a invadir minha mente, me fazendo recordar de toda a noite anterior.
Quando tornei a olhar ao redor, todos os alunos estavam lá e também encaravam as fotos na parede. Automaticamente meu olhar procurou pela minha Britt — que provavelmente nunca mais seria minha depois dessa — e logo a achou. Seus olhos se encontraram com os meus e estavam quase transbordando por conta das lágrimas, seu lábios estavam formados em um biquinho que eu teria achado adorável se não indicasse que ela estava prestes a chorar.
Eu queri correr até ela, abraçá-la e dizer que ela era a única pessoa que eu tinha amado verdadeiramente em toda a vida. Queria apertá-la tão for em meus braços que ela nunca mais poderia escapar. Mas ela foi mais rápida, e saiu correndo dali antes que eu tivesse chance de fazer qualquer coisa.
Passeei com olhos marejados por todas as pessoas que estavam lá, mas me detive no único cadeirante da escola. Artie estava mais ao fundo, e por alguns segundos eu pude jurar que vi uma sombra de um sorriso passar em seu rosto feio.
Talvez investigar o rodinhas não diminuísse o ódio que Britt sentia por mim naquele momento, nem minha culpa por ter ficado tão bêbada na noite anterior, ou nem mesmo a dor que eu sentia por estar perdendo-a de vez; mas talvez fosse um bom recomeço em obter um perdão da agora não tão minha Britt-Britt.
QUINN'S P.O.V
Eu e Santana tivemos muito trabalho para retirar todas as fotos do corredor, mas finalmente tínhamos conseguido ir para a aula.
Na verdade, ir para a aula que eu teria junto com Rachel Berry era tudo o que eu menos queria naquele momento, mas fazer o que, né? Ela já estava me ignorando antes, então não podia ser pior.
Me sentei ao seu lado e começei a organizar as coisas que teríamos que fazer para o trabalho daquela semana.
- Oi, Rachel. — Tentei puxar assunto.
Sem sucesso. Será que ela tinha visto as fotos do corredor? Aff, é claro que ela tinha visto, toda a escola também tinha.
- Hum... E tá tudo bem com você?
Nada de resposta. Eu estava começando a ficar irritada com todo aquele silêncio, quando tudo o que eu mais precisava era de alguém ao meu lado.
- Ah, não vai responder de novo?
Ela nem sequer olhou em minha direção. Foi a gota da água.
- Que droga, Rachel! — Bati meu punho contra a mesa, fazendo todos olharem em nossa direção. — Até quando vai ficar com esse seu joguinho ridículo?
Ela suspirou.
- Será que você não pode me deixar em paz e se contentar em comer sua "melhor amiga"? Ou ela não está mais te satisfazendo e você teve que recorrer a mim?
Meu sangue gelou nas veias.
- Hein?
- Acha que eu não percebi que você ficava me espionando todos esses anos, Quinn? Acha que sou uma idiota que não reconhece uma maníaca de longe? Então me deixa em paz e vai arrumar outra pessoa para perseguir!
Eu me levantei, e sem me importar com todos os risos da classe em minha direção, saí correndo da sala.
Não consegui impedir que as lágrimas caíssem. E eu desejei ter sido mais forte e tê-la respondido do jeito que ela merecia. Mas eu não era forte.
Tudo o que eu queria naquele momento era me jogar na cama com Santana e passar a noite abraçando-a, chorando e reclamando da vida como vinhamos fazendo durante esses sete anos. Mas de repente, até mesmo esse gesto normal entre nós tinha se tornado estranho.
E eu soube que pela primeira vez desde meus três anos, eu passaria a noite chorando sozinha, tudo por causa de uma festa idiota.
Notas finais
Beijos e obrigada pelos comentários *--* E pelas 51 leitoras! Eba!
Aviso: Amanhã eu não sei se conseguirei postar, pois vou estar fora, mas prometo que farei o possível para não deixá-las sem capítulo.
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