Amor Proibido
4 Você É...
De manhã, eu acordei normalmente... Ops... Digo, digo... Minha mãe me acordou como sempre faz. Levantei-me de minha cama, tomei um banho, vesti o uniforme da escola e desci as escadas para tomar o café junto com todo mundo. Essa hora foi uma mesmisse: café com torradas e omelete pra mim e pro meu irmão, cereais com leite para minhas primas, um suco com sanduíche natural pra minha tia e meu pai, uma xícara de chá pra minha vó, e meu pai só tomou uma xícara de café. Eu, meu irmão e minhas primas fomos pra escola com o papai.
Na escola, logo que cheguei encontrei a Akiko trocando os sapatos de rua pelos de dentro da escola (isso é um ato bem comum nas escolas aqui do Japão). Cumprimentei-na, troquei meus calçados também e fomos até a sala de aula. Sentamos em nossos lugares e ficamos esperando o Terada-sensei entrar na classe. Eu normalmente fico quietinha no meu canto, mas dessa vez, ficamos, eu e a Akiko, conversando sobre as atividades do nosso clube:
- Será que vai realmente ficar legal o Café Cosplay Sobrenatural pro festival da escola? — Akiko me perguntou
- Se der, deu. Se não der, não deu. — eu fui seca — Mas tomara que dê tudo certo. Todos os membros de minha família (os que moram comigo, claro. Até porque, nem conheço os outros) viram, então, se alguma coisa sair errado, vão me criticar até alguém lá errar de novo.
- Nossa... Sua família é bem rígida. — Akiko estava surpresa
- Eu nem ligo. Já até me acostumei — respondi secamente de novo — O que mais se pode esperar de uma família de demônios? — eu sussurrei
- Poderia repetir? Eu não ouvi a última palavra — Akiko é assim mesmo, avoada
- F-família da alta sociedade — eu fiquei nervosa. Ainda bem que ela não ouviu o que disse antes.
- Hihi... Eu estudo com você desde o ginasial e você nunca ficou nervosa. — ela sorriu. Um sorriso inocente, mas que me provocava angústia. Porque, por eu ser um demônio, não posso ser verdadeira com os outros. Meus sorrisos são tristes. Mas nem ela, nem ninguém entenderiam o porquê disso, afinal, não passam de meros humanos.
- Poderia parar de rir por favor? Desse jeito até parece que você quer zombar de mim — eu fui fria
- Está bem... Mas você já tentou ser mais amável com as pessoas? Tenho certeza que dessa forma você teria amigos. Parece que as pessoas que lhe são próximas só estão na tua lista de amizade porque também gostam do sobrenatural.
- E uma amizade não é formada por pessoas com um assunto em comum? Então... Eu sou amiga de quem gosta de coisas sombrias, sobrenaturais. Por que acha que estou no mesmo clube que você? — eu continuei sendo fria
- Está bem... Está bem... Não falo mais nada — virou-se pra frente e ficou quieta.
Olhei em volta e vi que a sala estava cheia. O Terada-sensei entra na classe e anuncia a entrada de um novo aluno em minha turma. Entrou o indivíduo. Ele tinha cabelos pretos, usava o uniforme, mas parecia não gostar da cor da calça. Mas por que motivo odiar a cor da calça da escola? Preto é uma cor tão linda.
- Prazer, minna ! Eu me chamo Hinka e é um prazer poder estudar com vocês. — ele não parava de sorrir. Aquele sorriso dele me irritava.
Eu o conhecia de algum lugar... Não sabia de onde, mas sei que já o conheço. Ele foi se aproximando e sentou-se atrás de mim. Eu fiquei quienta na minha, claro.
- Então, você é mesmo a descendente dos demônios, não? — ele sussurrou em meu ouvido.
Você é... você é aquele rapaz de ontem na praça... Como... Como eu te odeio. E como você sabe que eu sou um demônio? Como ele percebeu isso, se só nos vimos duas vezes, e meus colegas de classe, que convivem comigo há anos nunca nem sequer pensaram na possibilidade de tais seres da minha raça existirem.
Quem é você e como sabe quem sou?
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