Amor Proibido

7 No Que Isso Resultará?


Eu não aguentava mais vê-lo me seguindo e apenas correr, que não pude conter meu desejo incontrolável de usar minha verdadeira forma (sim, afinal, eu sou uma demônio). Sem hesitação alguma, eu mostrei-lhe minha verdadeira aparência, a visão que ninguém tinha de mim, uma estudante do 2º ano do Ensimo Médio. O meu perseguidor maníaco, o rapaz por quem eu sentia imensa repulsa e que acabara de entrar para minha escola, mais precisamente em minha classe, disse que, por eu ter-lhe mostrado minha real aparência de demônio, deveria ele também, revelar sua verdadeira forma a mim.

- Mas que diabos é você? — perguntei enquanto uma luz muito brilhante o envolvia — Você é um demônio? Não... — parei pra refletir — Se você fosse um demônio, eu não sentiria essa repulsa toda que sinto por ti. — eu continuei

- Demônio, eu? Ora, não me classifique como uma criatura tão vil e baixa como os demônios.

- Se você não é um demônio, então, o que você é?

- Um anjo. Nunca pensou na possibilidade disso?

Eu fiquei com tanta raiva dele quando o mesmo havia mencionado que nós demônios somos seres inferiores. Eu cresci sabendo de minha condição, de minha superioridade perante os normais humanos, e agora vem esse cara, um completo estranho pra mim e diz que eu sou inferior? Ora, quem pensa ele que é?

A luz que o envolvia sumiu, revelando assim, sua verdadeira aparência. Era algo como: terno e gravata brancos, asas enormes de anjos (afinal, ele é um), sapatos sociais brancos. Sua real forma era de uma formalidade nunca antes vista, tendo em mente que ele é um anjo jovem.

Eu não quis nem saber se essa era sua forma ou não, simplesmente, voei em sua direção e comecei a atacá-lo com minhas garras. Era algo como se eu o estivesse arranhando. Ele, é claro, revidou. Mexeu suas mãos, de modo como se estivesse a pegar algo. Desse movimento, saiu uma espada parecida com as espadas dos livros que contam histórias da Era Medieval que os ocidentais tanto procuram para ler. Visto o tamanho de tal arma, recuei por um instante, um pequeno momento de tempo. Ele então, falando sem sair som de suas palavras, ficava repetindo que não me deixaria escapar. Voou até minha direção e tentou acertar-me com sua espada. Mas, por eu ter um raciocínio rápido, não permiti a ele me causar dores, simplesmente, me pus a recuar. Eu havia percebido que, se eu continuasse a recuar, ele viria atrás de mim, e com certeza, me mataria. Então, visto minhas condições, continuei a recuar, mas não com a intensão de fugir, mas sim porque teria de esperar por um determinado período de tempo, enquanto meu poder carregava uma determinada magia, para poder contra-atacá-lo. Continuei recuando, fazendo-o pensar que minha intensão era fugir e me ver livre dele. E, quando ele chegou perto de mim, eu havia conseguido tempo suficiente para liberar tal magia que aguardava tempo para mostrá-la. Quando ele percebeu, já era tarde demais e não dava para fugir. Eu consegui pará-lo por um tempinho.

Mas, por eu ter usado muito a minha energia, eu também sofri alguns danos. Então, tratei rapidamente de esconder minha verdadeira aparência, pois, meu poder gerou um grande brilho naquela região do parque, e eu sabia que mais cedo ou mais tarde, pessoas iriam até o local para saber o que acontecera, afinal, é isso que meros humanos fazem diante de situações como essa. E eu, para não ficar exposta (eu sou muito conhecida por causa do trabalho de meu pai), saí dali, correndo pelas sombras, como uma gata andarilha procurando um lugar para se esconder dos ferozes cachorros da rua. Continuei a correr, e a correr, até que cheguei em frente à minha casa. Entrei, e estavam todos preocupados com a minha pessoa.

- Eu estou bem. Só um pouco cansada por ter andado muito. Com a permissão de todos, vou dormir. — eu falei antes que alguém me perguntasse algo.

Como ninguém se opôs ao meu desejo de ir dormir, eu subi as escadas e fui para meu quarto. Lá, fiquei pensando:

"Será que isso que fiz, essa luta que acabei de provocar, está certa? Será que esse reencontro de anjos e demônios, não está servindo para unir ambas as raças, inimigas declaradas desde tempos remotos?"