Amor Problemático
1 Capítulo 01
— Nunca houve nada entre mim e Ino! Já perdi a conta de quantas vezes tive de esclarecer isso para você! — o tom vocal de Shikamaru elevou-se o bastante para que fosse ouvido com clareza do lado de fora do cômodo do quarto. E por um instante, ele quase esqueceu-se completamente que áquela hora da noite todo Clã Nara já encontrava-se dormindo. Porém Shikamaru sempre punha-se irritadiço somente a simples menção ao boato que recentemente teve grande repercussão entre os ninjas mais jovens de Konoha de que ele e sua colega de time estariam secretamente se relacionando.
— Não sou estúpida, Nara! Já vi e ouvi o bastante para saber que vocês estão tendo um caso! — Temari rebateu à altura, igualmente despreocupada com o fato de que seu diálogo exaltado com o Nara desencadearia situações constrangedoras se alguém acordasse e os apanhasse nus na cama dele.
— Se está se referindo às fofocas que essas garotas fúteis andam espalhando pela aldeia, está perdendo seu tempo! São mentiras!! Nada além disso.
Shikamaru sequer conseguia se lembrar como e/ou por quê Temari desatou a falar sobre isso.
— Não precisei ouvir o que elas têm a dizer. Você está apaixonado pela Yamanaka. Eu sei que sim! Acha mesmo que nunca notei a forma como você olha para ela?!
— E se isso for mesmo verdade, mudará algo entre nós?!
Ela nada disse por alguns instantes.
— Como é...? — Temari evidenciou um misto de espanto e tristeza.
— Não estamos namorando, Temari. Nunca nem sequer chegamos perto disso. Fazemos sexo casualmente, mas isso não nos prende um ao outro. Não estou comprometido com você. Somos livres para fazermos o que quisermos!
Silêncio intensivo arrastou-se de modo incômodo pelos minutos seguintes no recinto cujo a única iluminação era fornecida pela amarelada e fraca chama de uma lamparina acessa sobre a cômoda de madeira escura. Shikamaru não pôde ver o rosto de Temari com clareza. E parte de si estava grata por isso; ele não queria contemplar a tristeza estampada nas feições dela.
— Você está certo, Nara. É claro que está. Você sempre está certo.— Temari suspirou pesadamente.— Bom, eu...eu honestamente não sei por que estamos discutindo isso. Não somos namorados. Se você está realmente tendo um caso com ela, isso não diz respeito à mim.
Temari deixou o colchão encoberto por amontoações de lençóis amassados e úmidos de suor, e levantou-se rapidamente. Ainda nua, ela moveu-se com pressa de um canto para outro pelo quarto, catando suas roupas jogadas pelo assoalho. Shikamaru a observou por um momento antes de suspirar alto e jogar a cabeça para trás, esfregando as têmporas com força ao dar-se conta de que havia acabado com a noite que até presente momento estava sendo perfeita.
— Temari...me escute. Por favor...
Ela o cortou bruscamente:
— Eu já vou indo. Tenho estar de volta à Aldeia da Areia até o amanhecer. Odeio quando Gaara pede ao Kankuro que venha até aqui apenas para me escoltar de volta.
— Você não tem de ir agora. Por favor...fique. Vamos conversar.
— Já tivemos sexo por hoje. Não há o que conversar. Não temos absolutamente nada a dizer um ao outro.— depois de vestida, Temari apanhou alguns de seus pertences pessoais sobre o criado-mudo esquerdo e os lançou no interior desorganizado de sua mochila.
— Temari...
— Tchau, Nara! — gritou ela por sobre o ombro ao abrir a porta e sair para o corredor escuro e silencioso em direção à porta da casa.
(...)
Temari o avistou próximo à varanda da casa. Cabisbaixo, a perna esquerda estava flexionada sobre uma das colunas que compunham o conjunto responsável por sustentar o telhado da residência Nara.
— Oi.— sussurrou ela quando próxima dele. Shikamaru não moveu um único músculo.
— Eu soube sobre o Asuma.— Temari prosseguiu após passado alguns instantes de silêncio.
— Todos souberam.— disse ele por fim, ríspido.
— Eu realmente sinto muito pela sua perda.
Ele suspirou
— Eu estou bem.
— Eu sei que não está. Esperava poder fazê-lo se sentir melhor.
Shikamaru nada disse por um momento.
— Não quero transar agora, Temari.
— Não estava me referindo à isso. Pensei que talvez...pudesse preparar um chá de camomila e te fazer companhia enquanto seus pais cuidam dos preparativos para o enterro dele.
Ele mostrou-se brevemente intrigado quanto ao fato de ela saber sua preferência por ervas de chá.
— Como sabe que gosto de chá de camomila?
— Eu sei mais ao seu respeito do que você imagina.
Novamente, ele apenas suspirou alto.
— Eu agradeço pela consideração. Mas apenas quero ficar sozinho.
— Quando eu der as costas, você vai fumar uma cartela inteira de cigarros enquanto chora até pegar no sono? — sua indagação mais pareceu uma afirmativa repreensiva.
Shikamaru ergueu a sobrancelha esquerda, os olhos ainda fixos no isqueiro pertencente à Asuma enquanto o girava entre os dedos. Ele atiçou sua pequenina chama incontáveis vezes apenas para voltar a apagá-la novamente.
— Provavelmente.— ele enfim respondeu num longo arfar, embora estivesse perfeitamente ciente de que a pergunta foi retórica.
O rosto de Temari era um misto ilegível de emoções incoerentes.
— Bom — ela estava incerta sobre o que dizer em seguida — quero ficar aqui e livrar seu corpo de mais uma dose de arsênico(1).
— Por que você se importa? — Shikamaru não conteve a rispidez excessiva em sua voz, que até alguns instantes atrás foi contida num tom vocal moderado. Ele ergueu a cabeça e mirou as íris esmeraldinas marejadas e ligeiramente arregaladas de Temari com intensiva cólera.
Ela pareceu desconcertada por um momento, e quando falou ,sua resposta foi vacilante:
— E-eu...eu apenas pensei que poderia gostar de companhia. Não fará bem à você ficar sozinho num momento como esse, e...
Ela a cortou tão violentamente quanto uma decapitação por foice.
— Você é uma mulher inteligente, Temari. O bastante para que perceba que eu não poderia estar menos preocupado com o que fará bem à mim ou não!
Ela arfou, e mesmo sob a débil iluminação perolada da Lua, Shikamaru pôde acompanhar o momento em que sua expressão endureceu. Os lábios de Temari tremeram por um instante, mas não havia nada em seu rosto que indicasse que estava prestes a desabar em prantos.
— Shikamaru...
Mas ele não quis saber de ouvi-lá falar.
— Por que se importa tanto com o meu vício em cigarros? Por que quer me consolar pela morte do Asuma? POR QUE?! — tanto as feições transtornadas, quanto a notória tensão nos músculos de seus ombros e costas, explicitavam o quão emocionalmente descontrolado Shikamaru estava. A sucessão furiosa de perguntas derramadas por ele mais pareciam pensamentos acidentalmente ditos em voz alta do que de fato indagações reais.
Ela abaixou o olhar por um momento, um suspiro tristonho escapou dos lábios finos. Embora parte de si quisesse loucamente ceder ao ímpeto incontrolável de irromper numa série de berros irados, a cruel grosseria com a qual Shikamaru a tratou fora como uma torrente d'água sobre o pavio acesso do explosivo dentro de si. A tristeza sobrepôs a raiva de Temari. Os olhos da Sabaku eram esferas verdes nubladas quando ela reergueu o rosto para Shikamaru, e disse num murmúrio falho:
— Você foi claro o bastante ,Nara. Vou deixá-lo sozinho agora.
Dito isso, Temari novamente suspirou e deu as costas à ele, caminhando para a saída dos jardins que rodeiam o território da residência do Clã Nara. Por razões ás quais Shikamaru desconhecia, vê-la partir contribuiu somente para tornar ainda maior seu desolamento interno. Seu coração já não pôde suportar o peso esmagar do caldeirão fervilhante de sentimentos devastadores soterrados ali por conta da morte de Asuma. E numa explosão de total desorientação psíquica e emocional, Shikamaru agarrou firmemente o pulso direito de Temari e puxou-a sem quaisquer vestígios de gentileza contra seu peito. Espantada com o movimento abrupto, Temari gemeu alto ao chocar-se contra o tórax dele. Nara soltou desajeitadamente o isqueiro de Asuma sobre o piso de madeira da varanda para que suas mãos fossem levadas ás laterias sinuosas da silhueta feminina de Temari. Tão rápido quanto seus reflexos podiam acompanhar, Shikamaru a empurrou de encontro à parede mais próxima e a ergueu do chão sem dificuldades. De maneira quase intuitiva, Temari fechou suas pernas ao redor do quadril masculino. Shikamaru pressionava com força seus lábios contra os dela; parecia tão necessitado de provar de seu gosto ácido e ligeiramente açucarado quanto estava de tragar uma generosa dose de nicotina para o interior de seus pulmões em chamas. As mãos mornas de Nara apalpavam vigorosamente os seios, coxas, nádegas de Temari—ou o que quer que estivesse ao seu alcance. Inconscientemente, ela correspondia à ele. Temari marcou o pescoço cálido com as pontas das unhas, para logo em seguida levá-las à nuca arrepiada dele e arranhá-la. Temari gemia e ofegava sobre os lábios úmidos e um tanto inchados do Nara. Suas mãos trêmulas deslizaram ao longo do peito musculoso até o cóx da calça de Shikamaru. Mesmo através do tecido pesado, sua ereção pulsante era tão perceptível quanto estaria se estivesse nu. Temari desafivelou o cinto, porém não o livrou das calças. À este ponto, Shikamaru já havia desisto de procurar por um maneira de despi-lá do quimono. Uma de suas mãos escorregou para o interior da longuíssima saia do quimono e percorreu apressadamente a extensão de suas coxas saradas até sua intimidade úmida. Shikamaru puxou a calcinha para o lado apenas o suficiente para que conseguisse penetrá-la.
Enquanto trilhava um caminho de beijos molhados ao longo do pescoço alvo e perfumado de Temari até seu colo, Shikamaru desencostou-a da parede e a carregou para dentro de sua casa.
(...)
— Já não posso suportar isso, Nara. Chega.— o sussurro proferido por Temari indicava tristeza.
Com o corpo nu envolto por mantas de algodão fino, ela fitava inexpressivamente um ponto qualquer na parede forrada por tecido em tons variados de preto e verde. De costas para o Nara, Temari tinha-se tão distante dele quanto o espaço do colchão permitia-lhe.
— O que? — Shikamaru expeliu a fumaça tóxica do cigarro através de seus lábios entreabertos e narinas, e o manteve preso entre os dedos até a próxima tragada; os olhos perdidos no teto do quarto. A nuvem malcheirosa e torpe que encobria o cômodo fazia Temari franzir o cenho em vertigem.
— Isso, essa...promiscuidade, esse comportamento... — Temari fez uma breve pausa para suspirar pesadamente e fechar os olhos por um instante — eu sequer sei qual termo utilizar para definir o que há entre nós agora. Isso já foi longe demais, Nara. Sugiro que procure outra garota para se aventurar.
Shikamaru virou o rosto para as costas delgadas e nuas de Temari. Ele passou os dedos ao longo da espinha dorsal até a base do quadril dela, realizando uma carícia sútil.
— Não quero outra garota. Quero você; e apenas você.— ainda que belas, suas palavras eram vagas.
— Somente sexo não basta para mim.
Shikamaru deu de ombros no escuro.
— Isso é tudo que posso te dar.
— Eu sei. E jamais pedirei que me dê mais do que consegue. Por isso esta foi a última vez que transei com você.
Nara engoliu em seco.
— Temari...
— Nara, por favor, não diga nada. Em dois meses, já tive o bastante dessas discussões ridículas e banais com você.
Ele suspirou.
— Se eu a tratei mal, se eu disse ou fiz algo que a magoou, me diga. E o quer que tenha sido, eu prometo que vou me redimir.
Temari soltou um alto riso debochado. Colocando-se de pé num pulo, ela trouxe para junto de si algumas das mantas espalhadas pela cama para esconder sua nudez juvenil, embora Shikamaru a tenha visto nua mais vezes do que era capaz de se lembrar.
— Não foi algo que você fez à mim, Shikamaru. Foi o que eu fiz à mim mesma! Eu não acredito em como fui tão estúpida à ponto de não perceber que você...! Que jamais haveria qualquer possibilidade de...!
Temari não pôde prosseguir. Suas palavras morreram no ar.
— Esqueça. Não importa. Nunca importou, de qualquer maneira.— concluiu ela por fim, visando aparentar indiferença.
Shikamaru desesperou-se ao ver-se prestes a perdê-la novamente. Ele ergueu o tronco nu e sentado, observou impassível enquanto ela buscava por suas roupas pelo quarto e as vestia rapidamente.
— Temari, por favor, vamos apenas conversar sobre isso. Quer dizer, nós...
— Nós? Nunca houve "nós", Shikamaru.— disse ela, de costas para ele.
— Eu preciso de você. Nunca houve nenhuma outra mulher com quem eu...digo, você é...eu quero estar com você.
Nara atrapalhou-se na escolha das palavras. Ele próprio sequer sabia o que intenciona dizer à ela através do que somente pareceu ser uma patética tentativa de realizar um discurso suficientemente comovente e capaz de convencê-la a ficar.
Temari calçava suas sandálias quando de repente interrompeu-se. Ela não se virou para Nara, mas somente o fato de ela ter parado para ouvi-lo com atenção trouxe certa esperança à ele.
— Você me ama, Shikamaru?
Temari aguardou por longos momentos, porém não obteve resposta alguma.
— Foi o que imaginei.— disse por fim ao abaixar os ombros num gesto exaustivo.— Adeus, Nara.
Depois de vestida, Temari não virou-se para trás e deixou a casa dos Nara, certamente, pela última vez.
•••
Meses Depois...
— Você.Literalmente.É.O.Único.Verdadeiro.E.Legítimo.Rei.Dos.Babacas! — exclamou Ino pausada e lentamente, o olhar incrédulo e arregalado fixo em Nara.
À sua direita, Chouji aproveitou-se da momentânea distração da amiga para sútil e sigilosamente arrastar seu prato de batatas fritas embebidas em creme cheddar e pedaços de bacon para mais perto de si. Com sua atenção totalmente voltada para Shikamaru, Ino sequer notara quando Chouji encheu a boca com generosas porções da batata frita que ela própria mal havia tocado desde que o prato fora trazido à mesa pela garçonete.
Shikamaru soltou o ar pelas narinas infladas e apoiou o cotovelo esquerdo na mesa, inclinando-se para frente somente o bastante para apoiar a testa na palma estendida.
Rei dos Babacas...
Embora nada tivesse dito em resposta à ela, Shikamaru fechou a cara e mesmo muito à contra-gosto, reconheceu que certamente não poderia haver melhor adjetivo para descrevê-lo."Babaca" é o xingamento mais sútil que eu poderia receber agora...,pensou ele. Sua expressão era apática ao encarar o piso de azulejo encardido da lanchonete.
— Shikamaru, como pôde fazer isso com ela?!
Prevendo o quase certo escândalo histérico que Ino faria após ele contar-lhe tudo que houve entre ele e Temari desde o momento em que estiveram juntos pela última vez, Shikamaru por pouco arrependeu-se de ter confiado este relato pessoal à amiga que, mesmo sem saber, fora por muitas vezes o motivo das constantes discussões entre ele e Temari.
— Como você disse:"Babaca!"— disse ele com um suspiro pesado ao finalmente erguer os olhos para ela.
— Não apenas "Babaca", mas sim o rei dos babacas!! Você foi mais babaca do que qualquer outro babaca que exista no mundo!
Shikamaru bufou
— Valeu, Ino. Não faz ideia de como isso faz eu me sentir melhor...— ele revirou os olhos
Ino o ignorou
— Shikamaru, você é inteligente o bastante até para perceber quando as pessoas tentam esconder seus verdadeiros sentimentos. Então, como não pôde notar que ela estava apaixonada por você? Como não pôde perceber que ela não estava apenas afim de sexo casual?
— Nunca disse que achava que Temari estava apaixonada por mim.
Ao arquear a finíssima sobrancelha loira, Ino semicerrou os olhos para o colega de time.
— E ainda tem quaisquer dúvidas em relação à isso mesmo depois de tudo que ela disse para você?!
Shikamaru quedou a coluna sobre o encosto do assento.
— Ino, posso ser o ninja estrategista mais habilidoso que há em Konoha, mas isso não significa que eu seja um especialista em amor! Antes de Temari, eu nunca estive com garota alguma. E eu nunca pude ter certeza sobre o que ela realmente sente por mim. Havia momentos em que ela era extremamente carinhosa; mas em outros, era como se eu fosse a pessoa menos relevante do mundo para ela.— novamente, ele bufou.— Isso tudo é tão...problemático...!
— Bom, agora saiba:uma mulher pode ocasionalmente ter bruscas mudanças de comportamento, mesmo que não haja motivos para isso!
— Isso, eu pude perceber. Se houvesse um concurso que elegesse a garota mais bipolar do mundo, Temari venceria sem precisar se dar ao trabalho de se inscrever para participar!
Ino apoiou o cotovelo na mesa e segurou o queixo delicado entre os dedos, direcionando ao Nara um olhar analístico.
— Arrã. Reparei em como você é bom em apontar os defeitos mais notórios dela. Mas enquanto à você? Você é o"Sr.Perfeição?"
Ainda completamente alheio ao assunto discutido pelos colegas de equipe, e claramente desinteressado em participar do mesmo, Chouji havia acabado com as batatas fritas de Ino e agora concentrava-se em seu próprio prato.
Nara abriu um sorrisinho debochado.
— Mas é claro que não!
— Então, se realmente a quer de volta, têm de começar a pensar sobre o que há de errado com você também ao invés de somente ressaltar o quanto você acha a personalidade da Temari..."problemática."— Ino gesticulou, fazendo o sinal de aspas no ar. Ela fez uma curta pausa antes de prosseguir:— Você a quer de volta, certo?
— Mas é claro! Só tenho pensado nela nos últimos meses. Eu não durmo, não como, e mal pude concluir uma única missão sem receber um sermão da Hokage pelo meu desempenho deplorável. Desde a última vez que vi Temari, eu não tenho sido eu mesmo.
Ino apenas o fitou ininterruptamente pelos próximos segundos. Seu rosto era uma onda crescente de expectativa.
— Você a ama?
Shikamaru fixou seu olhar perturbado na loira sentada à sua frente, esforçando-se para engolir o que quer que estivesse entalado em sua garganta. Quase que intuitivamente, ele enrijeceu a postura antes relaxada sobre o estofado desconfortável do banco. Fora como se Ino tivesse-lhe feito uma pergunta num idioma totalmente desconhecido. Pelo o quê pareceu o tempo de toda uma vida, Shikamaru simplesmente não soube o que dizer.
— Com licença, Nara-san?
O Time 10 desviou sua atenção ao mensageiro mascarado de baixa estatura que surgira repentinamente do nada à lateral da mesa ocupada pelos três amigos. Ele fez uma breve reverência e entregou à Shikamaru um pergaminho, anunciando rapidamente:
— A Godaime requisita sua presença imediata no escritório dela. Parece tratar-se de uma nova missão.
Shikamaru suspirou, lendo atenta e rapidamente o conteúdo descrito do pergaminho.
— Obrigado. Estarei lá em instantes.
Feito um sinal de compreensão, o mensageiro desapareceu tão rápido quanto surgiu.
Ino suspirou, evidenciando aborrecimento por ter tido sua conversa com o amigo bruscamente interrompida. Shikamaru lançou-lhe um sorrisinho condescendente, e vasculhou os bolsos traseiros das calças por um instante. Antes de se levantar, ele deixou algumas notas amassadas sobre a mesa pelo pagamento da refeição que ele mal ingeriu.
— Se tiver oportunidade, venha falar comigo antes de partir em missão. Ainda temos muito o quê conversar.
— Tudo bem. Obrigado por tudo, Ino.
— Boa sorte, Shikamaru! — desejou Chouji com a boca cheia de comida.
— Valeu, Chouji. Até mais, pessoal.
Shikamaru virou-se e andou ás pressas para a saída da lanchonete.
— Chouji! Você comeu toda a minha batata frita?! — exclamou Ino perplexa ao enfim dar-se conta do prato vazio diante de si.
Chouji apenas riu.
•••
— Entre — ordenou a habitual voz autoritária de Tsunade após três leves e rápidas batidas serem desferidas contra a porta de seu escritório. Shikamaru pediu licença ao adentrar de modo sútil à grande sala. Ele postou-se diante da mesa que o separava da Hokage.
— Estou à sua interia disposição, Hokage-sama.
Tsunade cessou a caneta com a qual escrevia sobre um longuíssimo papiro japonês. Ela desviou seus olhos do parágrafo ainda não finalizado para o rosto sereno de Nara.
— Tenho uma nova missão para você, Nara. E espero que desta vez seus resultados sejam no mínimo descentes.— disse ela, referindo-se indiretamente ás últimas missões fracassadas realizadas por ele.
— Sim, senhora.
— Na verdade trata-se de algo muito simples. Uma família de nobres do oeste interessada em firmar uma aliança comercial com o País do Fogo, estava a caminho de Konoha até ontem à tarde. No entanto, ocorreu um imprevisto no decorrer da viagem e eles tiveram a carruagem que os trazia saqueada por ninjas renegados. Felizmente, a família e sua comitiva passam bem, e puderam encontrar refúgio numa pousada no País das Ondas. Um mensageiro enviado por eles avisou-me que eles pedem que ninjas da Folha o encontrem na pousada e os escoltem até Konoha. E é de vital importância que eles cheguem a salvos aqui em no máximo três dias.— a Godaime faz uma pausa.— Dúvidas?
— Não, senhora.
— Ótimo. Vamos apenas aguardar que sua acompanhante chegue, e eu os liberarei para a missão.
A porta se abriu num rompante, revelando uma loira eufórica que atravessou o recinto em passos rápidos e postou-se diante de Tsunade, exclamando freneticamente:
— Mil perdões pelo atraso, Sra.Tsunade. A caravana que deveria ter me trazido para cá pela manhã atrasou quase uma hora e meia. Espero ter chegado à tempo para...
Temari calou-se abruptamente quando enfim deparou-se com a presença do Nara ali. Seus olhos arregalados fixaram-se na face igualmente espantada dele.
— Nara...?! — Temari não pareceu ter notado que sua voz subira algumas oitavas.
Shikamaru sentiu como se estivesse nu sob uma nevasca brutal.
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