Amor & Preconceito
11 Capitulo X - Estudos, toques e gemidos
Notas iniciais
Agora eu posso dizer a delicia que é ter os lábios beijados, e mais do que isso, posso confirmar as afirmações que já ouvi de outras pessoas, a quentura, a cócega, a sintonia. É tudo tão real, com Valentina foi real. É difícil explicar o que eu estou sentido, talvez, seja cedo demais para afirmar qualquer coisa, mas não tem duvidas, eu estou apaixonada pela garota de olhos intensos e cabelo cor de ouro. Estou ansiosa para sentir novamente o toque dos seus lábios macios e seu halito fresco. É estranho, mas me seria muito clichê se dissesse que me tornei dependente do seu beijo? Exagero, talvez. Mas se um dia você beijar os lábios de Valentina você vai me entender – risos – os lábios dela me desperta a melhor sensação que já experimentei. A sensação de estar apaixonada.
– O que tanto escreve ai? – Comenta Valentina enquanto desvia o olhar da direção para espionar minha caderneta.
Abro um sorriso e a fecho antes que ela pudesse olhar qualquer coisa, em um tom brincalhão digo:
– Se você lesse, eu teria que te matar.
Valentina solta um riso e volta sua atenção para direção do carro.
– Então é um diário confidencial?
Abro um sorriso me ajeitando no banco do seu carro.
– Quase isso. – Concordo com um sorriso descontraído.
Encosto meu rosto em seu ombro e Valentina afaga meu cabelo de forma carinhosa, abro um sorriso e passo a observar o percurso em silencio.
Era bom ter de volta sua companhia, era como se tivesse recuperado algo muito valioso, que trouxe uma energia renovada para meu dia, mais ou menos era isso que Valentina despertava em mim. Um sentimento bom que me fazia sorrir a cada segundo.
Chegamos ao estacionamento do colégio no horário habitual, aquela hora da manhã a maioria dos alunos também estavam chegando para mais um dia de aula, enquanto descia do seu carro pegando meu material posso ouvir uma voz gritar do outro lado do estacionamento.
– Veja só se não é o mais novo casal do colégio – Belinda parecia se divertir com as provocações – acho que esse ano terá duas rainhas do baile.
Risadas.
Por um momento penso em voltar para o carro e implorar para Valentina sair daqui, mas ao encarar a figura loira que me fitava já do lado de fora do carro, eu não tive duvidas que as provocações de Belinda não faziam a menor diferença.
Com um leve sorriso eu acenei para Belinda e respondi suas provocações com um simples cumprimento:
– Bom dia para você também, Belinda.
A garota pareceu ficar sem jeito, talvez, não fosse isso que ela esperava, ainda mais estando ao lado do seu mais novo grupo de amigas, o mínimo que queria fosse me ver esbravejar por conta de suas palavras ofensivas, mas ao invés disso apenas segui com Valentina para dentro do campus escolar.
Estava pronta para mais um dia de aula, me sentia revigorada, e devia tudo isso a minha coragem de assumir o quanto queria Valentina.
***
– Sua amiga é irritante. – Comenta Valentina.
– Eu sei – Concordo – no fundo eu sei que ela faz só faz isso para chamar atenção. Belinda sempre precisou ser o centro das atenções.
Suspiro.
Estávamos em nosso horário de almoço, sentadas em uma mesa da cantina, uma encarava a outra com um sorriso, mesmo o assunto sendo Belinda e sua falta de senso, o sorriso estava estampado em nossos lábios.
– Talvez devêssemos arrumar um namorado para ela – O tom de sua voz era brincalhão – só assim para nos deixar em paz.
Solto um riso enquanto beberico meu refrigerante.
– Ela gosta de alguém. Mas, ela nunca foi correspondida – suspiro enquanto mexo em meu taco – Brandy Scordie é a paixão de Belinda desde o fundamental. É estranho, mas ela parece ser a única que não nota o quão insignificante ela é para Brandy.
– Aposto que Brandy sabe o tipo de pessoa agradável que Belinda é. – O tom de sua voz era irônico.
Abro um meio sorriso.
Por mais babaca que Belinda estivesse sendo em relação a mim e Valentina, era desconfortável falar sobre ela, até mesmo que fosse uma brincadeira. Eu estava chateada por todas as coisas que ouvi da garota que um dia fora minha melhor amiga. Mesmo assim, não conseguia odia-la, e tampouco desconsiderar a grande amizade que tínhamos antes de sua implicância com Valentina.
Quando sinto a mão de Valentina tocar a minha por de baixo da mesa desvio minha atenção de qualquer pensamento e passo a encara-la com um sorriso. Era visível o quanto apaixonada estávamos, e mesmo que a nossa “relação” fosse às escondidas, era bom partilhar desse sentimento com ela.
– Você está linda. – Murmurou ela.
Abro um sorriso completamente sem jeito e abaixo meu olhar sentindo meu rosto corar.
Valentina me fazia bem.
Assim que terminamos nossa refeição, deixamos o refeitório do colégio aonde à maioria dos alunos ainda faziam suas refeições e seguimos para área aberta do colégio, o dia ensolarado estava perfeito para ser aproveitado.
Sentamos na grana embaixo da sombra fresca de uma grande copa de arvore, Valentina ajeitou-se ao meu lado e encostou suas costas no grande tronco da arvore.
A maioria das pessoas aproveitavam seu tempo livre para conversarem ou estudarem, cada um com seu perspectivo ciclo de amizades.
Sinto a mão de Valentina tocar a minha e mesmo que seu gesto fosse inocente, eu pude observar olhares curiosos e maldosos vindo em nossa direção, por um momento eu penso em soltar as nossas mãos, mas respirei fundo e apenas ignorei os olhares e foquei minha atenção em Valentina.
– Oi, Norinha. – A voz que surge me faz soltar automaticamente a mão de Valentina, e por um momento me sinto culpada pelo movimento.
Mas para minha sorte, Valentina não pareceu se importar, ergo meu olhar e posso perceber Alec. Ele vestia o uniforme do time de futebol, trazia em uma das mãos o seu capacete e sua postura de campeão. Detestável.
– O que você quer, Alec? – Reviro meus olhos.
– Não vai me apresentar sua nova amiga? – Os olhos de Alec desviam para Valentina e naquele momento sinto-me nervosa.
Será alguma espécie de castigo? Primeiro Belinda, agora Alec?
– Valentina Hentz. – O tom de Valentina era sério, provavelmente ela sentiu-se incomodada com a presença de Alec.
Mas ao contrario do que esperava Alec apenas apertou a mão de Valentina e a beijou em forma de cumprimento.
– Eu vou dar uma festa no sábado. Vê se aparece, vai ser legal.
Alec e sua maldita festa! Penso irritada.
– Ela não quer ir. – Começo ríspida.
Os dois me olham e Valentina trás no rosto indagação.
Engulo a seco e tento reformular minha frase:
– Quer dizer, ela não conhece quase ninguém... Então.
Alec dá de ombros e tira um convite do bolso entregando-o para Valentina.
– Uma festa é a ocasião perfeita para conhecer, não é mesmo? – Alec sorri para mim e depois para Valentina.
Ele se afasta se ajuntando com os outros garotos do time.
Sinto meu estomago revirar.
Qual o problema daquele garoto? Ele podia ter qualquer garota daquele colégio, e por qual motivo ele resolveu me perseguir?
– Você não precisa ir... Alec é um babaca. – Posso sentir o nervosismo em minha voz, e por um momento tenho medo que Valentina também percebesse.
– Ele me pareceu até legal – Valentina guarda o convite no bolso da calça – tem algum problema se eu for?
Encaro Valentina.
Sim. Todos os amigos de Belinda e Belinda estarão lá. Tirando o fato que Alec e toda a sua família são praticamente da minha família e as chances de descobrirem sobre a nós duas só aumentam, o que relativamente falando é um problema. Já que ainda não contei para meus pais que eles têm uma filha lésbica!
– Não. Claro que não. – Abro um meio sorriso.
Valentina parece não notar meu nervosismo e apenas sorri concordando, o que foi um alivio. A última coisa que precisava era que ela desconfiasse da minha crise de covardia.
Quando o sinal tocou Valentina inclinou-se e beijou minha bochecha, mas antes de se afastar murmurou baixinho em meu ouvido:
– Na minha casa depois da aula?
Pisco algumas vezes até me lembrar de que tínhamos o trabalho para resolver, concordo com um sorriso e então nos despedimos cada uma indo para suas aulas.
***
Assim que chegamos à casa de Valentina, liguei para mamãe e avisei que não chegaria para o jantar, já que estaria ocupada nos preparativos do seminário.
Estávamos sozinhas em sua casa, Paul, segundo Valentina tinha ido até outra cidade comprar material para obra que começaria na igreja, e provavelmente chegaria tarde da noite. Por algum motivo eu gostei de saber que estaria sozinha com ela, me sentia mais a vontade assim.
– Sabia que temos muitas coisas para resolvermos do seminário? – Murmuro abafado enquanto recebia os beijos de Valentina.
Valentia sorri e seu corpo está deitado ao lado do meu sobre sua cama, suas mãos tocam a minha cintura e passam a fazer uma caricia lenta e gostosa, fecho meus olhos e me limito apenas sorrir.
– Eu posso parar se quiser. – Murmura Valentina em meu ouvido.
– Não! – Exclamo.
Trago seu corpo para mais perto e quando percebo Valentina está sobre mim, toco em sua coxa por cima de jeans e sua língua toca o céu da minha boca, suspiro baixinho e passo a acariciar seu quadril.
Uma quentura gostosa toma conta do meu corpo, um arrepio constante me causa pequenos tremores.
Quando os lábios de Valentina se afastam dos meus por um momento eu penso em implorar para permanecerem ali, mas quando sinto a quentura de sua boca tocar meu pescoço, traçando uma trilha de beijos e passo a sorrir.
Seu toque era delicioso.
Mordo meus lábios e sinto meu corpo arder, Valentina tinha o poder de me deixar quente.
Eu nunca estive com alguém daquela forma, era estranhamente bom sentir seu corpo tão próximo ao meu, sua pele alva e macia me fazia querê-la mais.
Mesmo com a minha total inexperiência em relação a isso, eu apenas seguia seus gestos como em uma musica calma. Valentina sabia exatamente o que fazer, em quais pontos tocar, beijar... Sua experiência era clara como água. E aquilo me deixou desconfortável.
– Com quantas garotas você já esteve? — Posso notar quando Valentina se afasta e me encara, sinto-me uma idiota por ter tocado no assunto.
Era desnecessário. Eu sei.
– Sei lá – Valentina dá de ombros – eu não costumo contar, sabe?
Meu rosto ardia de vergonha.
– Mais de dez? – Pressiono meus lábios torcendo para resposta ser um “não.”
– Sim. – A sinceridade de Valentina é cortante.
Mexo-me na cama e por algum motivo estranho sinto ciúmes de Valentina, eu sei que é bobeira, antes de me conhecer ela tinha uma vida. Mas eu não podia ignorar que eu sentia-me estranho. Afinal, aquela era a minha primeira experiência amorosa, já Valentina teve outras garotas.
Desvio o olhar, e Valentina percebe meu desconforto.
Tocando meu rosto ela diz:
– Não importa com quantas pessoas eu estive antes de você, Norah. O que realmente importa é que estou com você.
A sinceridade que Valentina trazia na voz foi o suficiente para me fazer sorrir, era confortante ouvir suas palavras.
Ela sorri e inclina seu corpo novamente para frente, sussurrando:
– Você é especial para mim, Norah.
Abro um largo sorriso e nossos lábios se encontram, seguro sua nuca e dou inicio a um beijo lento e cheio de paixão, era gostoso sentir o gosto dos seus lábios, e por mais que houvéssemos nos beijado há poucos minutos, a sensação que tinha era que aquele era nosso primeiro beijo. O frio na barriga, as mãos tremulas, a quentura na pele, tudo era tão intenso.
Tão Valentina.
– Precisamos estudar. – Murmuro.
Valentina abre um sorriso e desliza seus lábios para meu pescoço, era completamente frustrante o efeito que ela tinha sobre mim, ela me deixava derretida com cada pequeno toque. E ela sabia do seu poder sobre mim, por isso usava e abusada das provocações.
E eu gostava. Gostava muito.
Valentina descia seus beijos, tocava meu ombro, afastando a manga da minha blusa para poder tocar minha pele, suas mãos adentravam minha blusa e posso sentir seus dedos dedilharem minha pela.
Respiro fundo e solto um gemido involuntário.
Valentina fica surpresa e sorri.
Eu sabia que ela tinha gostado.
Foi quando ouço a batida na porta, e logo depois ela sendo empurrada, tento me desvencilhar de Valentina, mas com seu corpo por cima do meu fica difícil fazer qualquer movimento brusco.
Logo noto a figura de Paul nos encarar um pouco surpreso.
Percebo meu rosto arde feito pimenta, e diferente do ardor anterior, agora, ele era de vergonha.
Nunca imaginei ser pega em uma situação no mínimo... Embaraçosa.
– Eu só queria avisar que cheguei. – O sorriso perplexo de Paul revelou a surpresa que sentia em ter nos pego.
Valentina desliza seu corpo sentando ao meu lado na cama, encarando seu pai com um olhar do tipo “pode sair” ela diz:
– Tudo bem, pai. Vamos estudar agora.
Paul concorda e antes de bater a porta diz:
– Fica para o jantar, Norah?
Afirmo com um meio sorriso.
Paul sai nos deixando sozinhas.
– OK. Agora vamos estudar. – Anunciei ajeitando minha roupa e cabelo.
Valentia sorri de uma forma descontraída, como se divertisse com a situação, ela beija meus lábios.
Abro um sorriso.
– Estudar... – Murmuro séria.
Valentina meneia a cabeça em um gesto teatral e então começamos a nossas pesquisas para nosso seminário.
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