Amor Por Contrato - Delena
3 Capítulo 3 - Segundas Intenções.
Notas iniciais
– Vá logo Elena! — Bonnie disse lhe empurrando gentilmente, tentando encorajá-la.
– Calma, estou indo! Não me apresse… — disse respirando fundo.
– Você já cansou de levar café pra ele, que tem de diferente agora?
– Eu vou estar sozinha! — ela rebateu alisando a franja que caia em seus olhos.
Era o primeiro dia que ela “trabalhava” sem a ajuda de Bonnie.
Já havia levado, um ou dois cafés na sala de Damon, porém Bon sempre estava por perto, e desta vez não. Estaria sozinha.
Durante uma semana inteira, Bonnie lhe ajudou, mostrando como funcionavam as coisas, lhe apresentando pessoas. Porém agora estava sozinha.
Foram poucas as vezes que vira Damon durante a semana, já que ele estava tendo alguns “problemas” estritamente confidenciais e profissionais, como Bonnie havia lhe dito.
– Ora, deixe de bobagem. Leve isso logo. — a morena disse lhe empurrando a bandeja com duas xícaras e um bule.
– Tudo bem. — ela disse equilibrando tudo – Está tudo sob controle! — ela disse se acalmando.
– Vá logo, tenho que voltar a recepção. – Bonnie avisou já se virando e sumindo no corredor.
Estava tudo sob controle. Não tinha com o que se preocupar. Muito pelo contrario, tinha que erguer e cabeça e se acostumar com isso. Era seu trabalho agora.
Respirando fundo novamente, ela virou-se na direção da grande e pesada porta do escritório de Damon.
Ele não a intimidaria. Não mesmo.
Colocou o seu melhor e mais simpático sorriso no rosto, e bateu gentilmente na porta.
– Pode entrar. — ela o ouviu dizer bravo do outro lado.
Sem deixar de sorrir ela abriu a porta e encontrou Damon e Klaus, sentados frente a frente.
Tinham as expressões sérias e pareciam acabar de sair de uma tensa discussão.
– Bom dia Elena. – Damon Salvatore disse forçando um sorriso simpático
– Bom dia Lena. – Klaus a cumprimentou logo depois.
– Bom dia Damon, bom dia Klaus – ela disse tentando não demonstrar o nervosismo – eu trouxe o café. — ela anunciou achando a informação estúpida — Obrigado. — Damon disse esperando que ela os servisse – Então como está o seu primeiro dia sozinha? Muita confusão? — ele perguntou reclinando-se na cadeira
– Não. Está ótimo. — ela afirmou enchendo as xícaras de café.
– Pelo menos alguém aqui esta tendo um dia razoável. – Klaus disse com ironia
– Cale a boca. – Damon disse entre os dentes
– Bom, — ela disse largando as xícaras já cheias na frente de cada um – vou indo, vejo que atrapalhei um momento muito amigável entre vocês – ela disse brincando – Qualquer coisa é só chamar. Girou os calcanhares o começou a andar na direção da porta agradecida que nada de mais havia acontecido.
Damon tomou um gole de café e esperou a porta bater para comentar:
– Ela esta aqui há uma semana e vocês já estão se tratando por apelidos… — ele disse torcendo nariz – Imagine na semana que vem.
– O que você quer dizer com isso? – Klaus perguntou se engasgando com o café.
– Não finja que não está mais do que interessado na minha secretária.
– Não estou interessado em ninguém. – Klaus rebateu largando a xícara – Elena, só é uma pessoa incrível. Muito fácil de relacionar.
– Você disse relacionar… Está interessado. – Damon disse rangendo o maxilar
– E se tiver? – Klaus o desafiou – Você me parece estar meio que preocupado de mais.
– Não invente. – Damon quase gritou — Elena veio do interior, deve ser bastante ingênua. — e completou deixando bem claro — E você esta querendo se aproveitar.
– Ah sim claro. Virei o lobo mau. — Klaus disse revirando os olhos
– E você sabe que não proíbo, mas também não gosto de relacionamento aqui na empresa. – Salvatore disse tomado um longo gole de café.
– Ah, você se preocupa com a empresa? – Niklaus perguntou irônico — Então que tal começarmos a pensar, em como não perder mais acionistas?
– Não vou me amarrar a ninguém. – Damon declarou.
– Então como vai mudar essa imagem que as revistas pintam sobre você? – Klaus perguntou atirando a ele uma revista.
Damon pegou-a e analisou.
Na capa ele e Clarke se beijavam com volúpia, enquanto ele tinha uma mão lhe apertando as nádegas.. Clarke… a loira da semana retrasada.
O enunciado da noticia dizia: “O jovem empresário Damon Salvatore realmente parece não tomar jeito. Sua irresponsabilidade pode acabar afetando o andamento das Empresas Salvatores, empresa que herdou dos pais, depois do acidente de carro onde os ambos morreram. A pergunta é.. Quando ele vai tomar juízo?”.
Se não fosse pela expressão séria de Niklaus, ele teria rido. Com certeza ele teria caído na gargalhada.
– Você entende a gravidade disto Damon? – Klaus perguntou – Estamos perdendo acionistas! A empresa vai acabar falindo... Acorde!
– Não exagere Klaus. — ele rebateu bravo – Perdemos dois acionistas.
– E vamos perder mais sem sombra de duvidas. — ele disse batendo o punho na mesa bravo – Sou seu advogado, não sei fazer mágica. Estou realmente preocupado.
– Não vamos perder mais ninguém. — ele disse dando de ombros
– E se perdemos?
– Não vamos!
– E se perdemos? – Klaus falou lentamente
– Se perdemos, e o motivo seja realmente minha “irresponsabilidade” — ele disse fazendo sinal de aspas com as mãos – aceito pensar na sua sugestão.
– De se casar?
Antes de Damon responder a telefone tocou:
– Sim. — ele disse com o telefone no ouvido.
– Sr. Salvatore, o Sr. Donovan quer vê-lo. Posso deixá-lo entrar? — a voz apressada de Elena mostrava que o homem devia estar bravo.
– Sim. Deixe-o entrar. — ele disse revirando os olhos e largando o telefone no gancho
– O que houve? — Klaus quis saber.
– Você vai saber… — ele disse escondendo a revista na gaveta.
A porta se abriu com força e Matt Donovan entrou cuspindo fogo. Elena vinha logo atrás aflita.
–Damon Salvatore, precisamos conversar.
– Sente-se, por favor. — ele disse calmo
– Estou bem assim.
– Ótimo. Senhorita Gilbert, pode nos trazer mais um café para o Sr. Donovan?
– Não quero café. — o homem gritou – O que pensa que esta fazendo Salvatore? — ele perguntou
– Estou trabalhando, na minha sala. — ele disse gesticulando com as mãos para o seu redor.
– Não basta você se aventurar fora da empresa agora quer começar a trazer suas, suas… aventuras para cá? — o homem disse transtornado de raiva – E você se cuide, — ele disse apontando para Elena que arregalou os olhos – não é a toa que ele contratou uma moça tão bonita assim, sem ter segundas intenções. A ultima secretária dormiu com ele e foi despedida depois que ele se cansou dela. Se cuide. — o homem lhe alertou deixando-a chocada
–Senhorita Gilbert, — Damon disse ao ver o quanto ela estava chocada – poderia se retirar? Isso pelo jeito não será uma conversa para damas.
– Oh pode apostar que não vai ser. – Matt disse bufando.
– Claro. – Elena disse engolindo seco – Com licença.
Assim que a porta se fechou Damon rugiu:
– Pode me explicar o que é isso Matt?
– Eu estou saindo, é isso que esta acontecendo. Não sou mais acionista desta empresa.
Klaus quase mutilou Damon com o olhar.
– Vamos conversar? — Klaus sugeriu – Porque o Senhor está se desvencilhando da empresa?
– Como por quê? Esse… moleque esta destruindo o que o pai dele demorou anos para poder erguer!
– Não fale do meu pai. – Damon disse avançando para cima dele.
– EI! – Klaus se meteu entre os dois – Vamos conversar!
– Não se tem o que conversar. Esse imbecil esta levando à empresa a ruína, e eu é que não vou ficar aqui esperando para ver tudo desabar, perdendo o meu dinheiro.
– Nada esta em ruínas Sr. Donovan, não de bola para o que as revistas falam, é pura fofoca.. – Klaus tentou apaziguar
– Oh, por favor, Niklaus. — o homem disse revirando os olhos – Nisso nem você acredita. Você também deveria cair fora, ou vai cair junto com Damon. Tudo o que as revistas andam falando é verdade. Esse projeto de homem não passa de um moleque brincando com o dinheiro. Com o nosso dinheiro. Essa empresa esta caindo cada vez mais no abismo, e ele só quer saber de farra e mulheres. A secretária nova é uma prova bastante concreta de como ele leva os negócios. Aposto que já esta planejando de como a levará para cama.
Damon apenas escutava com os olhos cheios de raiva, enquanto Klaus o segurava.
– Que preocupações ele tem se nem sequer família tem? Não é como nós, que temos que sustentar esposa e filhos. Ele tem que sustentar a si mesmo e só. — o homem gritou – É um irresponsável. Não sabe o que compromisso. Somente no dia que ele se casar, ele vai saber o que é ser um homem. Um homem de família, não um homem que vive em puteiros!
– Orá seu… — Damon começou mais Klaus o interrompe
– Sr. Donovan, pense melhor, esta nesta empresa há muitos anos, tem certeza que quer sair assim?
– Tenho. Eu ajudei o seu pai a construir boa parte desta empresa, — ele disse apontando o dedo na cara de Damon – Seu pai devia ter me nomeado presidente, e não a você que nem sequer sabe o significado da palavra responsabilidade.
– Se você falar mais uma vez do meu pai… — Damon alertou entre os dentes
– Falar o que? Que ele deve estar se revirando na cova de tanto desgosto, e vergonha que esta sentindo do se único herdeiro?
– Ah seu desgraçado! – Damon empurrou Klaus e acertou um soco na boca de Matt, que tentou retrucar com um chute. Klaus, tentando separá-los, segurou Damon o puxando para trás, permitindo por descuido que Matt, acertasse dois socos na face de Damon. Um no olho e outro no maxilar.
Damon conseguiu livrar da mão que Klaus o segurava, e acertar outro soco na face de Donovan, desta vez no nariz.
– Saia daqui agora Matt! – Klaus gritou voltando a segurar Damon
O homem levou a mão no nariz gritando de dor. Seu nariz estava quebrado.
– Isso não vai ficar assim! — ele anunciou antes de abrir a porta e sair correndo. Elena assim como os outros funcionários que estavam ali perto ficaram chocados ao ver o homem sair correndo enquanto seu nariz jorrava sangue.
Em pulo se levantou e foi até a porta do escritório de Damon, vendo este gritando bravo, enquanto Klaus tentava acalmá-lo.
– O espetáculo terminou pessoal. — ela disse para o bando de curiosos que se aproximavam – Voltem ao trabalho.
Falando isso ela entrou na sala de Damon e fechou a porta:
– Alguém pode me dizer o que houve aqui? — perguntou brava fazendo ambos encará-la sem reação — Isso é sangue? — ela disse apontando para Damon, sem dar tempo para eles lhe responderem a pergunta anterior – Oh me Deus é claro que é sangue! — ela disse levando a mão até a boca histérica.
–Elena, — ele disse calmo – poderia se retirar? Agora não é um bom momento.
– É claro que não é um bom momento… — ela disse sem obedecê-lo – Vou ver o que eu acho para limpar todo esse sangue. — ela falou antes de sair da sala a procura de uma maleta de primeiros socorros
– Você não devia ter feito isso. – Klaus o repreendeu – Vou ver se consigo arrumar a sua bagunça! — ele gritou antes de sair da sala deixando Damon sozinho.
Ele bufou. Ninguém mandou aquele idiota ter falado tudo aquilo.
A porta se abriu e Elena reapareceu aflita:
– Aqui, — ela disse abrindo a sua bolsa – sempre tenho álcool gel e algodões. Deve servir… tem que servir! — ela disse nervosa
– Esta tudo bem pode voltar ao trabalho. — ele disse frio
– E você pode ficar quieto e me deixar limpar esse sangue. — ela disse de nariz empinado
Damon sorriu diante a tal afronta.
– Você sabe quem manda aqui, não sabe? — ele perguntou irônico
– Você disse que não queria empregados puxa saco. — ela respondeu umedecendo o algodão com o álcool – Então D., olhe para cima e me deixe te ajudar. Ou você quer que todos os outros empregados vejam que você também levou uns socos? — ela disse sorrindo
Damon não ouviu nada mais do que ela falará depois do “D.” ela o havia chamado por seu apelido.
Ela estava sorrindo e por um momento ele teve que pensar o que tinha mesmo que fazer.
Ela levou a delicada mão até seu queixo, o levantando. Ele não protestou. Gostou do toque delicado das mãos macias dela.
– Bom garoto. — ela o elogiou – Então, o que ele te falou para você bater nele? — ela perguntou largando o algodão no ferimento
– Como você sabe que ele me falou alguma coisa? — ele perguntou sentindo uma pequena ardência
– Você não me parece o cara mau que bate nas pessoas. — ela sorriu – Já ouviu aquele ditado, cão que ladra não morde? Você não parece ser do tipo que morde.
Ele ficou em silencio por um tempo, e então brincou:
– Esta chamando seu chefe de cachorro?
Ela riu uma risada que mais parecia sinos angélicas tocando. Foi impossível ele não sorrir.
– Em teoria. — admitiu continuando a limpar o ferimento perto do olho.
Ele continuou em silencio. Não precisava contar para ela. Mas ao mesmo tempo, ele queria contar pra ela. Conversar com ela... Ele suspirou e falou:
– Matt Donovan é um de meus acionistas, veio aqui para deixar a empresa. Em meio a nossa discussão ele acabou falando do meu pai e.. eu bati nele. — ele suspirou – você não deve entender...
– Eu entendo. — ela disse calma – Também não admito que falem dos meus pais. — ela disse seria e ele pode jurar ver uma sombra de sofrimento nos olhos dela – Muito menos da minha mãe.
– Eles já morreram? — ela negou com a cabeça – Os meus já.
– Sinto muito. — ela disse sincera.
O silencio entre eles ficou pesado. E ela trocou de algodão e começou a limpar o pequeno corte da sua boca.
Mas não era uma boa ideia tê-la tão perto. Ele engoliu seco e procurou não olhá-la.
– Então... — ele disse nervoso – seu primeiro dia esta um tanto excitante?
Ela riu, e ele quase se desculpou pela escolha totalmente errada das palavras.
– Não sei o que tem de excitante em limpar o sangue do rosto do chefe. — ela disse divertida – Mas o dia está bastante movimentado. — ela admitiu.
– Esta assustada?
– Não. Estou curiosa. — ela admitiu com um sorriso travesso nos lábios.
– Curiosa sobre o que? — ele não pode deixar de perguntar
– Sobre trazer suas aventuras para cá e o seu caso com a última secretária.
Damon sorriu torto. Ela estava lhe dando mole?!
– Rebekah, a ultima secretária, era muito bonita e vivia dando em cima de mim, e você sabe, eu sou homem... — ele disse cheio de malicia e ela o interrompeu
– Já conheço sua fama. — ela admitiu sorrindo — Porque você a despediu?
– Ela ficou obcecada por mim. Me seguia nos eventos, e começou a me sufocar. Eu não queria um caso com ela, eu queria uma noite com ela. — ele torceu o nariz – Fui obrigado a despedi-la.
– E quanto a mim? — ela perguntou ainda limpando seus ferimentos – Me contratou com segundas intenções Damon?
Ele pensou em lhe mostrar a lista de qualidades que havia feito dela no primeiro dia e que se encontrava em sua carteira, mas achou melhor não.
– O que você acha? — ele perguntou malicioso enquanto ela pegava outro algodão.
– Eu acho, que se você me contratou com segundas intenções, perdeu seu tempo. — ela disse séria – Eu e você não vamos rolar.
O sorriso de Damon sumiu. Em seu rosto agora, a expressão seria mostrava o quanto ele estava bravo.
Jogando os algodões sujos fora, ela saiu da sala levando sua bolsa e deixando Damon sozinho.
Quem ele pensava que era? Ele havia lhe contratado apenas com o intuito de transar com ela?!
Oh, ele devia pensar que a pobre Elena do interior, é virgem e não tem malicia.
Ela sentou-se em sua mesa e suspirou. Ele realmente não a conhecia se pensava isso! Não mesmo.
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