Amor Por Aluguel

8 ღ Um Mar De Tempestade e Sentimentos ღ


Notas iniciais
Meninaaas, olá, aqui estou novamente, espero que gostem ♥ Boa Leitura rs ♥ PS.: Se houver bastante comentários, até as sete posto outro capítulo, beijos ♥

Anastásia Steele

Apoio-me no balcão ao ver Christian entrando na sala, agora com seus cabelos cor de cobre de volta. Ele me encara e parece estar furioso, mas tudo foi tão divertido. Realmente divertido. Ele continua me olhando, e eu tenho que morder os lábios para não ri.

—Você acha engraçado, não é? —Ele diz se aproximando e meu coração dispara.

—Ei. Eu não sei do que você está falando. —Digo tento ir para trás, mas esqueço do balcão, e quando percebo ele está me prendendo, com um braço de cada lado.

—Continue rindo Srta. Steele. —Provoca.

—Não posso, você está roubando todo o meu ar com tanta proximidade. —Retruco começando a soltar pequenos risos.

—Quer que eu me afaste? —Sussurra se aproximando mais.

—Nem vem. —Digo rindo e o empurro correndo para o outro lado do balcão. —Distância, por favor.

—Por que eu ficaria perto? —Christian murmura com um sorrisinho malicioso. —Eu nem gosto de você.

—E eu não gosto de você. —Arqueio as sobrancelhas e ele balança a cabeça rindo. —Você não estava atraso? Por que ainda está de pijama?

—Porque eu já perdi mesmo minha reunião. Eu não vou trabalhar hoje. —Christian diz se recostando no balcão. Ela cruza os braços e me encara.

—Então dono da empresa só trabalha quando quer? —Provoco arqueando a sobrancelha.

—Sim, porque ele pode. —Christian diz calmamente. —Eu não quero bagunça hoje. Que horas eles saem?

—Ás sete e meia. —Murmuro e em segundos as crianças estão descendo as escadas correndo, conversando e rindo alto, mas no meio de tudo noto os olhares de raiva entre Mia, Elliot e Katherine.

Mia e Elliot se aproximam e sentam em frente ao balcão, enquanto as minhas meninas ficam paradas, elas cruzam os braços e ficam encarando Christian. Ele me olha preocupado e encara Maria, que também está olhando com raiva para ela. Ué... até Maria? O que elas fizeram com a minha filha?

—Andem, para a mesa. —Exclamo e elas suspiram indo para o balcão, e por incrível que parece, todos sentam distantes de Elliot e Mia.

Christian nota isso. Ele nota muito, e não para de encarar Maria que está fingindo não o ver.

—Quem vai me contar o que houve? —Pergunto impaciente. Olho para Christian ainda parado e ele começa a se afastar indo em direção ao seu quarto. Ele parece chateado por Maria, mas eu realmente não sei. —Vamos, eu quero saber.

—Sua irmã não sabe agir como uma pessoa civilizada. —Elliot murmura encarando Katherine que gargalha.

—Elliot, isso não foi gentil. —Digo surpresa.

—Falar que nós estamos sem ninguém, também não foi. —Mia diz chateada.

—Katherine Steele, você disse isso? —Pergunto encarando minha irmã e ela balança a cabeça, mas não me parece arrependida.

—Ele me insultou primeiro.

—Eu só disse que ela estava com ciúmes, e que era rebelde. —Elliot diz tentando se defender.

—Elliot, querido, você nunca vai ganhar uma briga contra uma mulher, principalmente Katherine. —Murmuro e Katherine semicerra os olhos para mim. —Não adiante me olha assim, Kate, eu sei do que falo. Eu realmente espero que vocês se resolvam logo, vocês não querem o abraço da paz, querem?

—Ah, não! —Katherine diz. Ela revira os olhos e encara Elliot e Mia. —Me desculpem. Eu não deveria ter falado aquilo.

—Só isso? —Pergunto e ela me olha brava.

—Certo, eu realmente não deveria ter falado, eu sei o que é estar sozinha, até mesmo quando sua irmã mais velha que deveria te proteger, fica fingindo que tudo está bem. —Ela me diz me pegando de surpresa. Katherine ameaça se levantar, mas eu não deixo.

—Não ouse! —Murmuro sem paciência. —Você vai terminar seu café.

—Eu não estou com fome. —Katherine murmura me olhando brava.

—Eu não perguntei, termine seu café. —Ordeno e ela se ajeita na cadeira. —O que você quiser me dizer, você vai me chamar em particular e conversar, não ficar expondo na frente de outas pessoas só para seus shows. Certo, Katherine?

—Certo, Anastásia. —Minha irmã murmura parecendo triste.

—Lulu, o que eu disse sobre pegadinha? —Pergunto olhando minha irmã mais nova. Ela encolha os ombros e encara Katherine. —Eu não quero saber quem mandou, você está de castigo. Eu quero toda as suas coisas, e você sabe do que eu estou falando.

—Não é justo. —Luiza diz encarando Katherine depois me encara. —Você mente para nós, e eu fico de castigo?

—Luiza! Eu não admito você falando assim comigo! Suba para o seu quarto agora e vá pegar suas coisas.

—Não vá, Lulu! —Katherine diz segurando o braço da irmã.

—Não, você não está fazendo isso. —Digo surpresa ao ver Katherine me contrariando.

—Você está mentindo para nós. Eu tenho todo o direito de fazer o que eu quero.

—Não! —Exclamo elevando o tom, assustando até mesmo Elliot e Mia. —Você não tem. Luiza, vá ao seu quarto agora e pegue todas as suas coisas de pegadinhas e seja o que for, traga agora, e você Katherine, eu quero o seu celular, agora.

—Você não pode fazer isso. —Ela diz ofendida.

—Posso sim, eu ainda sou sua irmã mais velha, e você vai me obedecer. Todas vocês estão de castigo, ouviram? —Digo perdendo o resto da minha paciência agora. —Levantem, agora mesmo!

As meninas levantam e começam a sair uma por uma em direção as escadas, mas Katherine me olha. Eu estou tão... frustrada com ela. Não acredito que ela está fazendo isso comigo. Eu cuido dela há sete anos e ela faz isso comigo? Como ela tem coragem. As coisas não são difíceis só para ela. Para eu também. Eu estou exausta. Cansada, me dou tanto por elas e é isso que ganho?

—Ana... não fique triste. —Mia murmura encolhendo os ombros.

—Eu não estou, Mia. Eu lido com isso há sete anos. —Falo calmamente. —Terminem o café, eu volto já.

Saio da cozinha rapidamente e subo as escadas para falar com Katherine. Entro em seu quarto e a encontro sentada na cama segurando seu celular.

—Você está sendo má. —Murmuro e ela me encara. —Eu cuido de vocês desde que a mamãe o papai se foram; e você faz isso comigo? Sabe de quantas coisas eu tive que abrir mão? Eu sempre largo tudo por vocês. Eu deixo minhas coisas de lado, deixei até mesmo a faculdade, tudo por você, pelas suas irmãs. E é assim que você agradece? Me desafiando e achando que estou mentindo?

—Me desculpe, Ana. —Katherine murmura fungando e agora noto suas lágrimas. —Eu sou muito grata por tudo que você faz por nós.

—E por que você não me conta o que te incomoda?

—Você não fala mais comigo. Você não me conta nada. Eu sinto falta da nossa casa.

—Eu também sinto, mas aqui é nosso lugar agora. Você tem seu quarto, sua privacidade.

—Mas eu não ligo para isso. Eu preferia nossa casa, no nosso quarto. Vendo filmes até mais tarde. Eu sinto falta disso.

—Eu também sinto, querida, mais do que você imagina. —Aproximo-me e sento ao seu lado segurando sua mão.

—Por que você está com ele, Ana? Ele não gosta de nós.

—É meio complicado. Não é que ele não goste, ele apenas... não sabe lidar com isso. É como a Maria.

—Como a Maria?

—Sim, desde que o papai dela se foi, ela não fala. Ela prefere manter as pessoas distantes, para ela não falar ajuda.

—Então para o Christian, ficar distante de nós ajuda?

—É acho que sim.

—Mas até de você? Vocês nem dormem no mesmo quarto.

—Bem... —Mordo o lábio e suspiro. —Nós estamos tentando deixar as coisas mais confortáveis para vocês, entende?

—Acho que sim. —Katherine suspira. Ela levanta o celular e eu a encaro.

—Pode ficar com ele. —Sussurro. —Apenas não faça o que fez de novo, e, por favor, tente não brigar com Elliot e Mia, eles também precisam de mim.

—Mas você é nossa irmã.

—E nunca vou deixar de ser, mas eu tenho amor o suficiente para todos.

—Até para o Christian?

—Sim. —Suspiro e encaro minha irmã. —Agora vá terminar seu café, chame as meninas, eu vou ver a Lana.

—Ana... —Katherine sussurra segurando minha mão. —Me desculpa por ser tão boba, eu amo você.

—Eu também te amo, Kate. —Sussurro dando um beijo em sua testa. —Você deveria tentar ser amiga de Mia e Elliot. Eles também precisam de você, e da Lulu, Sosô e Maria.

—Mas e Christian?

—Hm... talvez ele mereça mais umas pegadinhas. —Digo antes de sair do quarto.

ღღღღ

Horas Mais Tarde...

Já faz algumas horas que as crianças foram para o colégio, e desde o café Christian está no quarto, ele não saiu para absolutamente nada, ao menos eu fico mais tranquila ao saber que tem um banheiro lá. Viro-me na cama e arrumo meu sutiã e depois minha blusa. Pego Lana com cuidado e me levanto, mas ela acorda, como sempre. Suspiro pesadamente e saio do quarto com ela. Aproximo-me da porta do Christian e bato, e por algum motivo Lana acha isso engraçado e começa a gargalhar, ele não abre, então bato de novo e de novo ela gargalha.

—O que vocês querem? —Christian diz abrindo a porta e nesse momento Lana se joga para trás gargalhando, sinto meus braços fraquejarem, mas Christian é mais rápido e se abaixa um pouco segurando-a. —Por Deus, sua monstrinha.

Novamente minha bebê gargalha com a voz dele.

—O que ela tem? —Christian pergunta enquanto ela continua a gargalhar.

—Eu queria entender. —Digo rindo. —Vai, me devolve minha...

—Filha? —Christian pergunta e de repente minha voz some. —Acha que eu não percebi o cheiro de leite? Ou ela gungunando ‘mama’ toda vez que te vê?

—Isso importa? —Pergunto tomando minha filha de Christian.

—Não, a filha é sua. —Christian diz.

—Tecnicamente, dentro de alguns dias, ela passa a ser sua também. —Murmuro provocando-o. —Ou você esqueceu que nós vamos nos casar?

—Não, Anastásia, não. —Christian diz balançando a cabeça. —O que você queria?

—O almoço já está pronto, e nós temos que conversar, muito sério. —Digo enquanto andamos até a cozinha. Coloco Lana em seu caldeirão e vou pegar os pratos.

—Sobre o que? —Christian pergunta curioso.

—Nós não estamos convencendo ninguém. —Murmuro enquanto coloco seu almoço.

—O que você quer dizer com isso?

—Que as crianças estranham o fato de dormirmos em quartos separados. Que elas estranham seu jeito indiferente. E que as pessoas lá foram devem pensar o mesmo.

—O que você sugere? Que eu durma com você?

—Claro que não, nós só temos que estar no mesmo quarto até elas dormirem. —Digo revirando os olhos. —E quanto as pessoas, eu não sei. Você deveria tentar sair com uma das meninas, até mesmo Elliot e Mia, ninguém via acreditar que você é um homem que morre de amor quando nunca é visto com alguém da sua família.

—Acho que eu posso fazer isso. —Christian murmura, mas não tenho certeza.

—É melhor você fazer as refeições conosco.

—Por quê?

—Porque imagina se alguma delas comenta por aí que você não fica perto delas nem na hora da refeição porque não gosta delas. Logo todo mundo iria saber que é mentira.

—Tudo bem, Anastásia. Eu faço então. —Christian murmura suspirando. —Mas não me venha deixar milhares de brinquedos espalhados pela casa, e não pense que eu vou sair abraçando e beijando elas.

—Nem se você quisesse, elas provavelmente iriam fugir de você. —Murmuro. —E outra, elas também não têm muitos brinquedos, uma boneca ou outra. Era só eu e vovó sustentando a casa. Não são todos que têm dinheiro como você, Christian.

—Me desculpe. —Christian diz envergonhado. —Eu não sabia.

—Claro, apenas coma e fale menos. —Murmuro sorrindo. Sento-me e começo a comer e dar sopa para Lana. —Não se preocupe, elas sabem que não podem ter tudo que querem.

—Mas você daria...

—Sim, eu daria todo o mundo se pudesse, elas são tudo para mim.

—Entendo. —Christian murmura.

ღღღღ

Já à noite...

Christian teve que sair por volta das quatro, ele me disse que tinha alguns assuntos do trabalho para resolver, mas eu só não entendi porque ele estava me dando satisfações. Você até engraçado. Mas agora, faltando alguns minutos para as crianças voltarem da escola, eu estou pondo a mesa e espero que Christian chegue a tempo para o jantar, é a primeira vez que vou usar sua sala de jantar e não o balcão da cozinha.

Ouço altas vozes e risadas vindas da sala e vou ver o que está havendo. As crianças estão entrando. Mia e Katherine conversando parecendo animadas. Elliot carregando Lulu nas costas enquanto Sophie lhe faz várias perguntas e Emma e Maria estão rindo de algo. Olho surpresa ao ver eles tão... bem. Eu não sei o que houve, mas obrigada Deus.

—Eu estou com muita fome. —Luiza diz quando desce das costas de Elliot.

—O que houve? —Murmuro encarando Katherine.

—Está tudo bem agora. —Elliot diz calmamente e Katherine sorri. —Nós apenas conversamos um pouco.

—Certo. Andem, vão lavar as mãos e guardar as mochilas para o jantar.

As menores saem correndo na frente e Elliot vai atrás com Mia, mas Katherine continua parada me olhando.

—Sabe, até que ele é legal. —Ela diz rindo e sobre correndo.

Balanço a cabeça sorrindo e volto a cozinha para terminar de pôr a mesa.

ღღღღ

Christian ainda não chegou, nós acabamos de começar a jantar e as crianças parecem bem animadas, o assunto por acaso é o cabelo azul, e Mia parece se divertir enquanto Sophie e Luiza conta como colocaram tinta no shampoo de Christian enquanto ele dormia.

Garotas danadinhas.

—Boa noite. —Todos ficam em silêncio quando Christian entra na sala de jantar, ele caminha em minha direção e dá um beijo na minha boca. Olha surpresa, mas apenas sorrio.

—Uh... —Luiza e Sophie dizem juntas e todos riem. Christian senta em seu lugar e eu lhe sirvo um pouco de salada e bolo de carne.

—Qual era o assunto? —Ele pergunta tentando interagir, mas tudo que as meninas fazem é rir.

—Deixa para lá. —Sussurro segurando sua mão, mas o choque que sinto me faz soltar rapidamente. Desvio meus olhos para qualquer lugar, mas eles param em Maria que nem tocou na comida ainda. —Ei, querida, o que houve? Você está bem?

Maria me olha e suspira, depois encara Christian, ela apoia os braços na mesa e depois abaixa a cabeça. Levanto-me rapidamente e corro até ela, assusto-me ao tocá-la e ver que ela está com muita febre.

—Ana, o que ela tem? —Emma pergunta e noto que todos estão preocupados.

—Ela está com febre, continuem aqui, por favor. —Murmuro tomando Maria em meus braços. —Eu vou dar um banho nela.

Saio rapidamente da mesa, mas antes posso ver o olhar preocupado de Christian, não sei se preocupação com Maria ou o fato de ter que jantar sozinho com as crianças. Subo as escadas rapidamente e chego ao quarto da minha filha, coloco-a na cama e começo a tirar sua roupa enquanto ela geme, acho que de dor. Se ela ao menos falasse onde dói. Deixo Maria apenas de calcinha e vou até o banheiro para encher a banheiro com agua morna.

Christian está com Maria quando volto, ele está tentando falar com ela que está de costas para ele.

—Está tudo bem, eu resolvo isso. —Sussurro, mas ele não me deixa pegá-la, ele se levanta e a pega. Maria se aconchega nos braços dele e essa cena acaba comigo completamente. Christian fica balançando-a cantando baixinho enquanto eu vejo que ela está melhorando.

—Tudo bem, eu estou aqui. —Christian sussurra embalando-a. Logo ela dorme, mas ele não a coloca na cama continua segurando-a firmemente em seus braços, e nesse momento noto a presença das minhas irmãs e ‘cunhados’ na porta do quarto.

—Está tudo bem. —Sussurro para eles. Aproximo-me e olho para eles. —Ela dormiu. Vocês podem ir assistir um pouco se quiserem.

—Eu mostro onde. —Elliot murmura pegando Sophia no colo.

—Ela está bem mesmo? —Katherine pergunta e enquanto se abaixa para pegar Luiza que parece nervosa.

—Está sim. —Digo olhando para Christian e Maria. —Katherine...

—Tudo bem, eu não vou mais tentar afastar ele dela... —Katherine murmura e sorrio mais aliviada.

—Andem, vão logo assistir, nós já vamos também.

Fico na porta até as crianças saírem e depois me viro para Christian, ele caminha até a cama com Maria e olha em volta, avista seu pijama na poltrona e paga para vesti-la

—Ela não tomou banho ainda. —Murmuro cruzando os braços.

—Ela não precisa tomar agora. —Christian murmura enquanto põe sua camisola com o maior cuidado do mundo.

. Encosto-me no batente da porta e o encaro enquanto ele cobre Maria e ajeita seu travesseiro. Pop sobe cama e deita do lado dela. Ele se aconchega de um jeito diferente. Fica cheirando-a, depois repousa sobre o peito de Maria. Olho para seu pote de ração e vejo que ainda tem comida.

—Eu acho que ele não está bem. —Murmuro olhando para Pop.

—Ele deve ter sentindo ela mal, talvez seja isso. —Christian murmura levantando-se.

—Não, eu não sei, talvez eu deva leva-lo no veterinário amanhã.

—Tudo bem, você quem sabe. —Christian se aproxima e dá um beijo na minha testa, depois sai andando pelo corredor e eu fico parada sem entender.

—Que? —Murmuro baixinho. —Louco.

ღღღღ

Saio do meu quarto depois de um longo banho. Já são dez horas. Lana acabou de mamar e dormir. As crianças já dormiram há algumas horas, e Maria ainda não acordou, mas a febre já passou. Eu ainda estou confusa com Christian e tudo que ele fez com ela, foi tão estranho... e depois aquele beijo, tão carinhoso. Tão esquisito. Tão Christian.

Chego a sala e me surpreendo ao ver Christian sentando no sofá, lendo um livro. Aproximo-me e sento ao seu lado, ele sorri e vira a cabeça encostando no sofá para me olhar. Sorrio de volta, mas desfaço meu sorriso ao ver Maria descendo as escadas, os olhinhos cheios de lágrimas. Rapidamente levanto-me e corro até ela.

—Ei, o que aconteceu? —Pergunto preocupada, ela me puxa para um abraço e começa a dar pequenos solavancos enquanto chora.

—Maria. —Christian diz vindo até nós. —O que houve?

Maria olha para ele e depois para mim, ela segura minha mão e começa a me puxar, então sei que ela quer me mostrar algo. Ela vai subindo na frente enquanto a seguimos. Entramos no seu quarto e ela vai até a cama onde Pop dorme. Maria o pega e ele não acorda, ela o balança e ele... não acorda.

—Ah, não... —Sussurro me aproximando, ela me entrega seu gatinho e fica esperando que eu faça algo. —Ele não vai acordar, querida... sinto muito.

Ela me olha, seus olhos repletos de lágrimas e eu me sinto a mãe mais inútil do mundo, mais inútil por não poder tirar sua dor, por saber que ela só tem seis anos e está tendo de lidar com uma perda tão ruim e dolorosa. Isso é... horrível. Esse gatinho era a coisa mais importante para ela, e agora ele se foi.

Christian se aproxima de Maria e apega no colo, ela chora, chora em silêncio enquanto ele a consola. Deixo pop na cama e caminho até sua cama, pego sua manta e o enrolo. Eu também choro nesse momento, ele não era só o gatinho de Maria, ele era da família. Todos estávamos acostumados com ele, e isso dói, dói muito. Mas era a hora dele, ele já estava velhinho, mas pensar assim não torna as coisas menos doloridas.

—Fale com Taylor. —Christian murmura. —Diga para preparar o carro e arrumar uma cesta.

—Certo. —Sussurro chorosa.

Deixo Christian e Maria e levo Pop para fora do quarto, surpreendo-me ao ver Katherine acordada.

—O que aconteceu? —Ela pergunta olhando meus braços, onde carrego pop. —Ele morreu?

—Sim... eu sinto muito.

—Não... —Katherine sussurra começando a chorar.

—Nós vamos leva-lo. Acorde as meninas, elas devem se despedir.

Deixo Katherine e desço com pop, coloco-o no sofá e vou atrás de Taylor, converso com ele por alguns minutos e depois volto a sala, onde encontro as meninas em volta do gatinho, todas chorando. Christian nesse momento desce as escadas com Maria, ela ainda está com sua camisola branca, mas está de casaco, luva, touca e botas.

—Sr. Grey, o carro está pronto. —Taylor diz entrando na sala, ele se aproxima e me entrega uma cesta.

—Obrigada, Taylor. —Murmuro. —Meninas, vocês precisam se despedir.

As meninas começam a se despedir, e agora noto Mia e Elliot na escada, encarando a cena com compaixão. Christian se aproxima e me entrega um casaco. Agradeço e me abaixo pegando Maria no colo. Ela deita a cabeça no meu ombro e encara seu gatinho.

—Kate, você olhar a Lana? —Pergunto e minha irmã balança a cabeça.

Quando as crianças se afastam, Christian se aproxima e pega o gatinho de Maria pondo-o na cesta. Maria olha tudo muito emocionada, ela está chorando ainda e me abraçando. Olho para Christian e ele suspira, balanço a cabeça e nós saímos levando pop e Maria. Já no carro, ele põe a cesta no banco de trás, abre a porta para mim e eu vou na frente com Maria nos meus braços. Ele dirige e Taylor nos escolta. Não conheço o lugar, mas é um terreno, um terreno grande e imagino que seja dele.

Saímos do carro e eu vejo que já algumas pessoas no lugar, e há também um pequeno buraco no chão, cavado na terra. Maria pede para ir a chão, está chovendo um pouco, mas ela não se importa, ela caminha até o buraco e depois olha para Christian, ele suspira e caminha até lá com a cesta, de dentro tira Pop e o coloca. Taylor se aproxima com uma rosa, ele entrega a Maria e ela dá um mínimo sorriso antes de jogar a flor para seu gatinho. Essa é sua despedida, depois de toda sua vida ao lado dele, ela se despede do seu melhor amigo.

ღღღღ

Já Em Casa...

Caminho pela sala com Christian, ele está segurando Maria, ela ainda não dormiu, e chora um pouco, por isso quero que ela fique comigo essa noite, mas quando entro no meu quarto não há muito espaço na cama. Katherine e Mia está dormindo para cima com Emma e Sophie, e Elliot está dormindo para baixo com Luiza colada nele.

—Não os acorde. —Christian sussurra. —Você pode ficar no quarto comigo.

—Certo... —Sussurro e vou até o berço pegar Lana.

Apago a luz do quarto e sigo Christian, ele entra no seu quarto e caminha até a sua cama onde coloca Maria com o maior cuidado do mundo. Ele vem até mim e pega Lana a coloca ao lado de Maria e me encara, depois encara o espaço vazia. Fico meio sem jeito, mas caminho até a cama e me sento ao lado de Maria, começo a tirar sua bota, touca e luvas.

Christian dá a volta na cama e tira seu casaco em seguida a blusa, ele deita atrás de Lana e vira de costas, depois apaga o abajur. Levo algum tempo para deitar. Até mesmo porque é a sua cama, mas quando deito eu pego no sono, pego no sono pensando que ele não é nada do que dizem, ele tem sim um coração, apenas coberto pela dor, mas ainda há um coração.