Amor Por Aluguel
11 ღ Tudo Para Te Conquistar ღ
Notas iniciais
Anastásia Steele
Encaro Christian, sem saber o que dizer, bem... nunca foi um segredo Maria ser minha filha, mas ele nunca se importou com nada disso. Ele é somente o homem que me pediu em casamento para ter mais negócios e boas imagens. Por que de repente parece que ele quer saber tudo agora? Ele se importa mesmo?
—Isso interessa? —Murmuro depois de alguns segundos. Ele me olha surpreso, mas não responde. —Christian, eu fui rude, e pedi desculpas.
—Não você escondeu algo de mim. —Christian diz se aproximando.
—Escondi o que? Que a Maria é minha filha? Eu nunca escondi isso. —Murmuro calmamente. —E isso nunca pareceu te importar.
—Mas é claro que importa.
—Por quê? Você vai me mandar embora por que eu tenho uma filha? —Murmuro cruzando os braços. —Ah, entendi, está com medo das pessoas pensarem que a Maria ou a Lana são sua filha? Seria vergonhoso para o grande empresário ter filhas?
—Eu não tenho filhas, Anastásia! —Christian grita, e isso realmente me pega de surpresa. Por que ele está gritando.
—Ainda bem, não é mesmo? Eu sentiria pena das crianças. —Digo sem pensar. —Olha, isso acaba aqui, ok? Eu não vou ficar discutindo sobre ter ou não filhas, sim, a Maria é a minha filha, a minha vida, e eu tenho o maior orgulho dela. Agora se você já cansou de gritar, eu tenho que ver a minha filha!
—Não ouse me dar as costas! —Christian diz quando passo por ele, carregando a bandeja, mas apenas o ignoro. —Anastásia!
Entro no quarto e vejo Maria sentada na cama, olhando assustada para a porta. Coloco a bandeja na cômoda e tranco a porta com a chave, depois levo a sopa para Maria e Lana. Sento-me ao lado delas e logo minha mais nova se aproxima, com a boquinha aberta. Começo a dar a sopa para ela, mas a mais velha ainda se recusa a comer.
—Maria, vamos lá. Só um pouquinho? —Ofereço e ela balança a cabeça, mexendo nas orelhinhas de Fifi. —Querida, você não pode ficar sem comer, é importante.
Maria se afasta e se encolhe abraçando Fifi. Suspiro e encaro Lana com a boca aberta, coloco um pouco de sopa e ela sorri.
—Lana, o que você acha? A Maria deve comer? —Pergunto e Lana sorri, ela vira para irmã e gargalha.
—Mamá. —Lana diz e eu paro, boquiaberta.
—Ah. —Grito assustando as duas. —Maria, ela disse seu nome, ah meu Deus!
Maria me olha rindo e parece mais feliz.
Ah, eu não acredito. Não acredito que Lana falou sua primeira palavra, e não acredito que foi o nome de Maria, isso não poderia ter sido melhor, não poderia.
—Você ouviu, Maria? —Pergunto e Maria ri. —Ela falou seu nome, filha.
—Lana... —Maria sussurra baixinho e meu coração para, tenho que me virar para não derramar a sopa.
Ah, não! Não. Elas não podem fazer isso sem me preparar. Não. Não. Eu não sei lidar com isso.
—Você falou, Maria? —Pergunto e ela nega rindo. —Você quer me deixar, louca, não é? Mas eu sei que você falou. Ah, sua voz é tão linda.
Maria ri e se vira, jogando-se para trás. Ela ri colocando a mãozinha na boca, para não fazer barulho, e sei que ela está assim por causa de Christian, é só ao lado dele que ela dá as melhores gargalhadas. Coloco a bandeja de sopa no chão e me aproximo de Maria, deitando ao seu lado.
—Você falar de novo? —Pergunto, mas é Lana quem responde com mais ‘Mamá’. Sorrio e olho para ela, completamente apaixonada, puxo-a para meus braços e ela deita. Torno a encarar Maria, ela está com os olhinhos marejados.
Eu queria tanto que ela me falasse o que sente. Tudo o que sente, para eu poder tratar da sua dor.
—Você não vai falar para mim, filha? —Pergunto acariciando seu rosto e ela nega com a cabeça. —Não importa, certo? Eu vou esperar, o tempo que for, eu te amo, muito, muito.
Maria sorri e acaricia meu nariz, ela se levanta um pouco e deposita um beijinho em meus lábios, depois deita virada para o outro lado. Deixo-a descansar enquanto dou mais sopa para Lana, que adorou sua nova palavra e não para de falar. Eu acho que esse é sem dúvidas o dia mais especial. Minhas meninas falaram, falaram para mim. Eu sou uma mãe de sorte, muita sorte. Não sei o que seria de mim sem elas. Não sei mesmo.
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Quando me levanto, na manhã seguinte, eu já estou mais calma. Ponho Lana no berço e vou até o quarto de Maria pegar seu uniforme, faço várias trancinhas em seu cabelo e ela parece adorar isso, principalmente os elásticos coloridos que ponho nas pontas. Ajudo-a a vestir seu uniforme, e ainda não consigo parar de sorrir lembrando da sua voz. É a mais doce do mundo.
Ela me ajuda a fazer o café, na verdade ela faz chocolate quente para todos, com marshmallow.
—Hm, cheirinho ótimo. —Elliot sussurra, ele se aproxima e tira Maria do balcão sentando-a na cadeira, ela ri e pega um marshmallow pondo na boca dele.
—Bom dia, Elliot. —Murmuro sorrindo quando ele vem me dar um beijo na testa.
—Bom dia, Ana. —Elliot diz logo ao se sentar, ao lado de Maria, em segundos toda a tropa está descendo, falando alto.
—Ei, eu adorei isso. —Mia diz mexendo nas trancinhas de Maria logo ao sentar do seu outro lado. Maria ri e balança a cabeça.
—Eu também quero, Ana. —Lulu diz.
—Seu cabelo está lindo, querida. Nós podemos fazer amanhã. —Digo dando um beijo em sua testa. —Bom dia, crianças.
—Bom dia. —Todas gritam rindo.
—Ana, o que você tem? —Katherine pergunta, e sei que ela notou que algo está diferente.
—A Lana falou ontem. —Sussurro sorrindo e encaro Maria.
—Ah, o que ela disse? —Emma pergunta animada.
—Mamá. —Digo olhando para Maria que sorri. —Ah, mas não foi só isso, a Maria também falou.
—O quê? —Todos gritam juntos e Maria gargalha, e isso me deixa tão feliz.
—Você falou, Maria? —Sophie pergunta e Maria nega, rindo. —Isso é tão legal.
—Ei, onde está o Christian? —Mia pergunte e Maria para de sorrir.
—Eu não sei. Ele deve estar dormindo. —Murmuro. —Ou já deve ter saído.
—Eu posso ir chama-lo. —Sophie diz. Maria a olha e começa a apertar seu pão, esmagando-o.
—Ei. —Elliot diz puxando o pão da mão dela e ela o pega de surpresa estapeando sua mão.
—Maria. —Chamo sua atenção. Ela me olha, respirando alto, então empurra a xícara da mesa, quebrando-a ao cair no chão. —Maria, eu não acredito nisso.
Pego-a pela cintura e a tiro da mesa, enquanto todos olham assustados. Ela realmente não está nada bem, ela nunca fez isso, e agora... agora ela faz esse tipo de coisas.
—O que você está pensando? —Murmuro segurando seu braço. —Querida, você não pode bater em ninguém, muito menos quebrar as coisas.
Maria me olha, ainda com a respiração acelerada, então ela me empurra e sai correndo, mas para no meio da sala ao ver o novo cachorrinho, ele corre na direção dela que se encolhe apavorada, então nesse momento Fifi entra correndo na sala e parte para cima do cachorro.
—Não! Fifi não. —Elliot grita saindo da mesa, ele e Katherine correm e começam a separar os cachorros. Fico apavorada ao ver que Fifi machucou o cachorro.
—Não. —Sophie diz descendo da mesa. —Olha o que essa sua cachorra boba fez!
Maria olha assustadas para todos, ela pega Fifi e sai correndo com ela, para o meu quarto, eu acho.
—Ana, ele está sangrando. —Sophie diz começando a chorar.
—Tudo bem, ele está bem. —Digo assustada. Eu não sei o que me assusta mais, a reação de Maria ou de Fifi, eu sei que a cachorra não fez por mal, ela deveria estar querendo proteger Maria, mas... eu não entendo. —Elliot, por favor, vá com Katherine, leve ele até o veterinário.
—Está bem Ana. —Elliot diz tomando o cachorro de Sophie, ele está chorando um pouco, e ainda sangra.
—As outras, vão, vocês podem ir para o colégio agora. Taylor irá levar vocês.
Mia se levanta junto com Emma e Lulu, elas pegam suas mochilas e saiam com Sophie. Elliot e Katherine saem logo em seguida, levando o cachorro, e eu vou atrás de Maria. Ela está no meu quarto, sentada num cantinho abraçando firmemente sua cachorrinha, enquanto olha apavorada para os lados, aproximo-me e ela se encolhe, tentando esconder a cachorra de mim.
—Querida. —Sussurro me abaixando. —Eu não vou machucá-la, nem tomá-la de você, está tudo bem. Eu só quero te ajudar.
Maria se encolhe mais, ela está envergonhada, eu sei, mas ela também está apavorada, e deve estar pensando mil e uma coisas, mas ela não me diz. Ela não diz nada. Ela fica nessa bolha e eu simplesmente não sei como agir. Eu quero que ela converse comigo, que ela me fale seus medos, mas ela simplesmente não o faz. Ela só... foge de mim.
Sento-me no chão e começo a chorar. Cansada de tudo isso, fecho meus olhos e puxo minhas pernas contra meu peito, abraçando-as. Eu estou tão cansada. Cansada de tudo. De todo dia ter que lidar com uma fase nova, com uma briga nova com Christian, com as crianças, entre as crianças. Sinto os bracinhos de Maria me cercarem, mas a afasto, não por mal, eu só não quero que ela me veja assim. Eu quero ficar sozinha.
—Não. —Digo afastando-a. —Eu não quero.
Levanto-me e dou as costas para ela, sentindo meu coração se partir. Eu não quero fazer isso, mas eu também canso, eu posso não ser uma criança, mas eu choro. Eu fico exausta. Eu não passo o dia inteiro brincando, eu passo o dia me preocupando, fazendo planos para eles, e não para mim. Não há ninguém cuidando de mim. Ninguém faz nada por mim.
—Mamãe...
Paro e fecho meus olhos, sentindo as lágrimas me tomarem de forma mais dura, então eu caio de joelhos no chão, logo seus braços estão ao meu redor, sua cabeça deitada no meu ombro, seu cheirinho por todos os lados.
—Eu amo a mamãe. —Maria sussurra e isso faz toda a dor passar.
—A mamãe ama você. —Sussurro puxando-a para meus braços. Aperto-a com todas as forças, com todo meu coração. Sinto algumas lambidas no meu braço e olho para o lado, vendo uma Fifi com os olhinhos super tristes. Puxa para o meu colo também. —Eu sinto muito, eu fui dura com você, querida, você pode me desculpar?
Maria balança a cabeça e me abraça novamente, fazendo carícias no meu cabelo. Fifi começa a lamber meu queixo, e acho que esse é seu pedido de desculpas. Abraço-a também, para ela também ter certeza que eu não estou brava com ela. Eu nunca ficaria.
Depois das emoções mais calmas, eu deixo Maria e Fifi na minha cama e vou limpar toda a bagunça. Nisso consto que realmente Christian já saiu. Eu sei que... que ele não sente nada por mim, mas de uma certa forma eu me preocupo com ele. Eu queria ao menos que fossemos amigos, isso não seria difícil se ele não fosse tão cabeça dura.
Suspiro cansada e sento-me no sofá, olhando tudo em volta, agora limpo.
Essa casa que parecia tão grande quando eu cheguei, agora parece tão pequena.
Fico alguns minutos sentada, sozinha, tentando aliviar o cansaço que sinto, mas esse cansaço parou de ser físico. Ouço o interfone tocar, mas acho que Taylor o atende, minutos depois ele entra na sala, com um papel em mãos.
—Srta. Steele, é para você.
—O que é, Taylor? —Pergunto confusa, sem me mover.
—É uma carta. Lilian Steele.
—Minha avó? —Sussurro confusa, ele se aproxima e me entrega a carta. —Obrigada.
Taylor se retira e eu abro a carta rapidamente, sem entender. Minha avó já morreu, mas... tudo fica claro quando vejo o símbolo do banco, mas por que ela deixou isso guardado, para me entregar agora? Há duas cartas dentro, numeradas, abro a número um. As lágrimas surgem quando vejo a letra de vovó, então começo a ler.
“Cara Anastásia, se você está lendo isso, eu sei que nós não estamos mais juntas, e isso já faz alguns dias; imagino como deve estar sendo complicado cuidar de todas as meninas, sozinha. Eu sei que deveria estar aí com você, mas a vontade de Deus reinou mais uma vez. Eu prometi que cuidaria de você, mas meu tempo na Terra cessou, e o criador veio me fazer descansar. Mas eu precisava te lembrar algumas coisas. Precisava te lembrar de sempre sorrir, de sempre dar os abraços e os beijos nas meninas, elas adoram isso, elas adoram você. Se você estiver muito cansada, sente-se, respire fundo três vezes e vá fazer algo que você gosta. Se você se sentir incapaz, pense em todos os motivos que te fizeram chegar até aqui, se você sentir que está regredindo, não tem problema, comece de novo, nunca é tarde para recomeçar. Eu imagino que nesse momento você deve estar na casa do Sr. Grey, e fico feliz que tenha seguido o que pedi, imagino também que meu advogado entrou em contato com você, falando sobre a quantia que deixei para você, e imagino que se você não correu ainda para pegá-la e ir embora com as meninas, é porque tem um bom motivo para estar aí. A outra carta não deve ser lida agora, eu quero que você a guarde, e esqueça dela, você é bom em esquecer essas coisas. Apenas abra-a quando sentir que seu chão acabou. Querida, Anastásia, não se desespere, você é forte, você é educada, decidida e muito guerreira, você teve ótimos motivos para sempre seguir em frente, sorrindo, e você sempre terá. Você teve pais que te amaram muito, e uma avó que sempre, sempre te amará, seu sempre vou estar com você, querida, minha querida, Anastásia”.
Aperto a carta contra meu peito e começo a enxugar as lágrimas, numa tentativa inútil. Elas não param de cair.
Ah, vovó, muito obrigada. Muito obrigada por sempre ter cuidado de mim, e mesmo quando você partiu, eu... eu sei que você ainda está cuidando de mim.
Enxugo as lágrimas, depois de bons minutos, quando estou mais calma. Pego a outra carta e suspiro, eu não vou ler, eu sei que se você decidiu assim é porque ela tem ótimos motivos, e eu acho que há muito chão a percorrer ainda. Vou até o quarto e vejo Maria dormindo e Fifi jogada em cima dela, cubro-as e vou até meu closet, pego uma caixinha de madeira, onde eu guardo algumas fotos e cartas, guardo as outras duas cartas lá e volto ao quarto, vendo Lana em pé no berço, tentando chamar Maria. Sorrio e vou atendê-la.
Quando volto a sala, e me sento no sofá, com Lana em meus braços, ouço as vozes de Katherine e Elliot, e eles parecem estar rindo de algo. Os dois entram na sala, Elliot carregando o cachorro e Katherine carregando os casacos, eles se jogam no sofá, ainda rindo.
—Ana, esse cachorro é maluco. —Katherine diz rindo. —Ele desmaiou na hora que a veterinária estava enfaixando a pata dele.
—Ah, meu Deus. —Digo começando a rir.
—Não foi nada sério, a Fifi só machucou a patinha dele. —Elliot diz ofegante de tanto rir.
—Qual é mesmo o nome dele? —Pergunto olhando a bola de pelos.
—CG. —Elliot diz soltando risos.
—O Christian sabe disso? —Pergunto e os dois gargalham, fazendo Lana rir.
—Não... foi a Katherine que sugeriu. —Elliot diz e Katherine franze o nariz, sorrindo.
—Combina, dramático. —Katherine sussurra.
—Certo. O que vocês vão fazer agora?
—Bom... não sei. —Elliot diz rindo. —Nós poderíamos levar a Lana e a Maria para um sorvete.
—Vocês podem levar a Lana, acho que eu quero ficar um pouquinho com Maria.
Olho para o lado e por falar nela, lá está Maria, segurando sua cachorrinha e olhando envergonhada para Elliot e Katherine.
—Ei, vem aqui, pestinha. —Katherine chama a ela começa a se aproximar, indo para o seu colo. —O que você acha da Fifi e o CG fazerem as pazes?
Maria balança a cabeça e força um sorriso, ela sai do colo de Katherine e lhe entrega Fifi que vai de mau-gosto. Elliot senta no chão com CG e Katherine faz a mesma coisa com a cachorrinha, ela rosna para CG que se joga de barriga para cima, fazendo minha Maria rir.
Fifi começa a se aproximar, estranhando CG, que está apavorado, ele o cheira e deixa ele cheirá-la, então ela dá um pulo e os dois começam a correr, brincando feito loucos enquanto Maria gargalha de forma muito alta.
—Acho que isso foi um tratado de paz então. —Katherine murmura sorrindo.
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Depois que minha irmã e Elliot levaram Lana para um sorvete, eu fiquei um pouco com Maria na sala, lendo para ela. Mas agora nós estamos no seu quarto, arrumando a bagunça que ela fez ontem. Maria está juntando as roupas que Fifi espalhou e eu estou limpando a tinta do chão.
—Ei, olha isso. —Digo rindo ao ver uma foto de Maria caída no chão, ela deveria ter uns dois aninhos, e está com o pai dela. —Onde você achou isso, querida?
Maria dá de ombros e continua recolhendo as roupas, encaro-a, mas prefiro não perguntar mais nada, apenas dobro a foto e guardo no meu bolso, ela me olha e suspira, mas continua fazendo suas coisas.
—Você... sente falta dele? —Pergunto e ela me olha surpresa. —Sabe... de estar junto com ele, de quando ele te chamava de filhinha, ou princesinha do papai, ou bebê?
Minha filha me olha por alguns segundos e respira fundo, ela caminha até a cômoda e pega uma pasta, então abre e vários desenhos do seu pai caem no chão. Surpreendo-me, eu não sabia que ela fazia tantos desenhos dele.
—Você nunca esqueceu ele, não foi? —Murmuro e ela balança a cabeça negando. —Eu sinto muito, por isso.
Ela balança a cabeça e me abraça.
Eu queria pode mudar as coisas. Eu sempre quis que fosse diferente. Que Maria tivesse crescido ao lado do pai, que ela fosse... uma criança falante, digamos assim, mas ela sempre gostou muito dele, ela sempre foi muito ligada a ele, sua primeira palavra foi ‘papai’, e isso não poderia dar outra coisa, ela com certeza sofreu com a ida dele. Acho que é difícil para uma criança entender sobre a perda, entender que alguém partiu e não vai mais voltar. Quando você é adulto, por mais difícil e doloroso, você tem uma noção daquilo, tem noção que aquele é o fim, mas e os filhos, como falar para eles que um pai ou uma mãe não vai mais voltar?
Ninguém deveria passar por isso.
Não faço mais perguntas a Maria, apenas terminamos de arrumar tudo e dou um banho nela, ela pede para pôr uma de suas camisolas, e eu deixo, depois abro as janelas de sua varanda e fico observando-a. Nós colocamos uma música, uma antiga, que o pai dela adorava dançar com ela, mas... agora ela dança sozinha.
Fico assim por mais de uma hora, apenas observando minha filha, minha menina de quem tenho tanto orgulho.

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