Amor Por Aluguel
22 ღ Sedredos de Avó ღ
Notas iniciais
Dias Antes Do Contrato...
Lilian Steele
Hoje foi mais um dia como os outros, fora o que tenho sentido nos últimos dias, essa certeza que tudo para mim acabará logo, mas isso é o que acontece quando você chega a minha idade; você simplesmente sabe que uma hora irá morrer. Eu não me sinto triste por isso, sei que fiz tudo o que tinha que fazer, mas há algumas coisas ainda.
Ponho minha pequena bisneta no berço, foi difícil fazer essa menina dormir, mas eu tenho meus truques.
—Vovó?
Viro-me e sorrio ao ver Maria parada na porta.
—Olá, querida, entre. —Sussurro e ela se aproxima, ela sorri e senta sobre a cama. Olho para ela e balanço cabeça. —Sua mãe iria adorar ouvir você.
—Vovó. —Maria diz rindo. —A mamãe... não fala sobre o papai, você sim, ela nunca toca no nome dele.
—Eu sei, querida, mas você acha que já não é hora de falar? Você já tem seis anos.
—Eu vou falar... —Maria diz insegura.
Anastásia não sabe que nós temos conversado, eu nunca contei também, há alguns segredos entre avó e neta que não se devem ser quebrados.
—Quando você irá falar?
—Eu não sei. Eu estou falando agora. —Maria murmura.
—Com a sua mãe. —Murmuro e ela ri.
—Vovó... você acha que meu pai virá aqui de novo. Eu acho que a mamãe sabe que eu o reconheci. —Maria murmura deitando-se. —Ela sabia que o cartão dele estava comigo.
—Sua mãe te conhece. —Digo enquanto ajeito algumas roupinhas de Lana.
—Mas será que ela sabe que eu ouvi tudo que o papai disse? —Maria sussurra recebendo seu gato em seus braços.
—Eu também ouvi. —Murmuro e ela sorri.
—Bisavó, eu acho que a mamãe não vai aceitar. —Maria diz encarando pop. —Mas, o papai foi cruel. Por que ele simplesmente não disse que a queria de volta?
—Querida, você sabe que seu pai não reconheceu a sua mãe, ou você.
—Eu sei, ele pensa que nós estamos mortas. —Maria diz suspirando. —Vovó, o que nós vamos fazer?
—Você acha que deveríamos fazer algo?
—Sim, é claro que sim! —Maria diz como se fosse óbvio. —É a única chance de o papai saber que nós estamos vivas, e tem a Lana, ela precisa de um pai.
—Você acha que o Christian, esse Christian que veio aqui, propôs algo horrível para a sua mãe, pode ser pai da Lana?
—Ela não é filha dele, mas ele pode gostar dela.
—Querida, isso não seria justo com a Ana, ela iria sofrer.
—Não, não é justo com ninguém. Mas o papai é uma boa pessoa, eu sei disso, eu sei que ele vai reconhecer a mamãe, e vai me reconhecer.
—Maria, você tem que me prometer algo, então. —Sussurro encarando-a. —Se eu aceitar isso você vai falar, na primeira oportunidade que você tiver, você vai falar com a sua mãe. Vai dizer que a ama.
—Tudo bem, vovó. —Maria murmura.
—Eu ainda não acho que seja certo, mas eu não quero que sua mãe sofra mais, e talvez... talvez você tenha razão. Fique aqui, eu volto em um minuto.
—Está bem. —Maria murmura.
Saio do quarto e sigo atrás de Katherine.
Maria é uma garota tão especial. Ana a adora, mesmo ela não tendo dito uma palavra desde o acidente. Ana também nunca mais foi a mesma, ela nunca tocou no assunto ‘Christian’, eu lembro do seu alívio quando ela completou dezoito anos, e finalmente ficou livre de Carla. Eu senti pela morte da minha filha, mas ela errou tanto, e teve o que mereceu, e Deus me abençoou com Anastásia e as meninas, elas são minhas filhas de coração.
Eu sei que estou partindo, e não posso deixar as coisas assim. Maria tem razão. Anastásia precisa aceitar. Ela precisa resolver sua vida com Christian. Se ela soubesse... se minha Anastásia soubesse que eu passei os últimos anos procurando por ele, que o encontrei e tenho feito visitas a ele. E ele não sabe se quer, que sou avó de Ana, que ela não morreu. Mas como esse menino é burro, quando eu o incentivei a ir atrás de Anastásia, não era para ele propor algo ridículo, e sim porque pensei que ele iria reconhece-la.
—Vovó, a senhora está bem? —Katherine diz rindo ao me ver parada na porta de seu quarto.
—Querida, você pode cuidas das meninas? Eu preciso levar a Maria ao médico. Dia de vacina.
—Está bem, vovó.
—Obrigada.
Saio do quarto de Katherine e vou chamar Maria. No fim ela tem razão. Ana e Christian juntos podem acabar se reconhecendo, na verdade ela lembra dele, lembra bem, ele apenas não se tocou ainda, e sei que juntar os dois é a única forma. Ana passou tanto tempo abrindo mão de tantas coisas pelas irmãs, por mim, pelas filhas, está na hora de alguém cuidar dela, e sei que Christian fará isso.
—Querida Maria, vamos. —Murmuro e Maria me olha. —Pegue seu casaco, nós temos algumas coisas a resolver.
ღღღღ
Maria encara desconfiada a fachada da corretora quando paramos em frente a mesma, mas ela não me questiona, apenas segue para dentro comigo. Judite, a corretora é uma velha amiga, na verdade ela está mais nova e em melhores condições, mas eu a conheci quando ela era muito pequena.
—Lilian, que prazer, olá Maria. —Judite diz sorrindo.
—Querida, como está? —Pergunto depois de cumprimenta-la.
—Bem, e no que posso ajudar.
—Eu preciso de um favor.
—Maria, você gostar de desenhar? Tem alguns lápis e folhas ali. —Judite diz e Maria balança a cabeça indo para a mesa.
Caminho com Judite até a sua mesa e nós sentamos, mas sei que Maria pode ouvir tudo, e eu quero que ela ouça, se ela ver que Ana não aguenta mais, eu sei que ela vai mudar todas as coisas, eu confio nela.
—Querida, eu sei que é.... absurdo, mas eu preciso de uma ordem de despejo.
—O que? —Judite diz rindo. —Lilian, eu não posso fazer isso. Vocês não têm dívidas com o estado, e aquela casa era de Raymond, ele pagou tudo, não sobrou uma dívida.
—Eu sei, querida. —Murmuro. —Eu... eu sei que o tempo está acabando para mim, e eu não quero deixar minha Anastásia sozinha, eu não quero que você a despeje de verdade, mas quando, quando eu morrer eu quero que você mande uma ordem de despejo, e quando ela sair, apenas pegue a chave e deixe tudo como está. Meu advogado virá pegar a chave depois.
—Lilian, você tem certeza disso? Sua neta não terá para onde ir.
—Ela tem sim, acredite, apenas faça isso por mim.
—Certo, tudo bem, eu posso fazer isso.
—Obrigada, querida. —Sussurro.
—Ei, você sabe que ainda tem muito tempo, não sabe?
—Eu acho que não. —Murmuro levantando-me. —Vamos, Maria. Adeus Judite, obrigada por isso.
Saio com Maria e sigo até o emprego de Anastásia, ela está em horário de almoço, então tenho um tempinho para conseguir convencer seu chefe de demiti-la, primeiro ele nega, ele era um grande amigo de Ray, e diz que jamais poderia deixar Anastásia na mão, mas algum tempo depois eu consigo convence-lo a fazer esse favor, e então vou embora antes que Anastásia chegue.
Passo em casa apenas para deixar Maria, depois sigo para outro lugar, onde sou recebida por uma linda moça loira que não me recordo o nome.
—Sra. Adams. —Ela diz sorrindo e lembro seu nome.
—Andrea, certo? —Pergunto e ela sorri.
—Veio ver o Sr. Grey?
—Sim, ele está?
—Um minuto, eu vou chama-lo. —Andrea pega o telefone e disca um dos botões. —Sr. Grey, a Sra. Adams está aqui. Certo. —Andrea desliga o telefone e revira os olhos. —Boa sorte, pode entrar.
—Obrigada, querida. —Murmuro sorrindo.
Caminho até a porta e empurro com cuidado, Christian dá um doce sorriso e se aproxima cumprimentando-me.
—Sente-se, por favor. —Ele diz sorrindo. —Sabe, toda vez que você entra por aquela porta, eu lembro de Rose, vocês são muito parecidas.
—É mesmo? —Murmuro com pesar.
Christian sabe que sou avó de Rose, não que sou avó de Anastásia. Eu queria tanto contar, mas eu acho que eu não devo fazer isso, Anastásia deve, esse é o passado dela.
—Sabe, querido. —Murmuro tossindo. —Eu vim saber se você foi visitar a garota.
—Fui. —Christian diz mudando sua expressão. —Ela é tão... estúpida. Se recusou a aceitar o contrato, é a única coisa que pode salvá-la.
—Christian, eu não entendo como você ficou assim. —Murmuro rindo. —A Rose só me dizia como você era doce.
—Ela morreu, Lilian. —Christian murmura amargamente. —Eu não quero falar sobre isso.
—Certo, eu só... só queria te pedir para tomar cuidado, com essa menina, Anastásia, não é?
—Sim. A mulher mais maluca que já conheci.
—Todas as mulheres são loucas. —Digo rindo. —Apenas... não seja rude com ela, você propôs um acordo maluco, e vai tirá-la da vida que ela está acostumada, apenas seja cuidadoso.
—Eu serei. —Christian diz rindo.
—Eu preciso ir, querida.
—Já? Você não quer um café?
—Não, menino, o tempo está curto, para mim. —Murmuro rindo. —Christian, você é um bom homem, não se esqueça disso, por favor.
—Eu vou tentar. —Christian diz caminhando comigo até a porta.
—Adeus, meu querido.
—Adeus? —Ele pergunta rindo, mas confuso.
—Sim, adeus. —Murmuro cumprimentando-o com um beijo.
Deixo-o em sua sala, olhando-me enquanto caminho para o elevador, depois de me despedir da menina Andrea. Volto para a casa, sabendo que tudo o que fiz hoje, não foi certo, mas mudará a vida de Anastásia, para sempre. Quando estou voltando para casa, já é noite, e a dor e o cansaço que tenho sentindo no peito só está maior. Eu estou a porta quando sinto que não passarei daqui. Minhas pernas fraquejam, meu corpo todo dói, e tudo, tudo que eu consigo pensar é... Anastásia...
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Mariana Steele
Algum Tempo Após A Mudança Para Casa de Christian...
Papai está no meu quarto comigo, juntando as roupas como mamãe pediu. Fifi vive espalhando roupas pela casa, é engraçado, ela é doida, mas eu adoro ela. Eu ainda sinto falta de pop, foi papai que me deu, antes do acidente, mas ele também me deu Fifi.
—No que você tanto pensa? —Papai pergunta e eu apenas sorrio.
Eu gosto de ficar com ele, mas não falo com ele... eu prometi a minha bisavó que falaria com mamãe primeiro, apenas com mamãe. Papai não me pergunta mais nada, apenas terminamos de guardar as roupas e ele desce, eu fico no quarto e desço apenas para jantar, depois voou escovar meus dentes e dormir com papai.
Eu adoro dormir com ele, ele sempre me conta histórias antes de eu pegar no sono, eu gosto disso.
Quando acordo de manhã papai já levantou e Fifi dorme preguiçosamente ao meu lado, levanto-me e corro para procurar papai, mas paro na porta quando ouço ele e mamãe.
—Quem era? —Papai pergunta quando mamãe desliga o telefone.
—Ninguém de importante. —Mamãe sussurra indo para detrás do balcão e começa a preparar meu café.
—Onde estão os outros? —Papai pergunta ao ver apenas Lulu e Sophie na mesa.
—Eu não sei, Christian. Se arrumando. —Mamãe diz encolhendo os ombros e sei que ela está ficando brava.
—Mas está na hora do café. —Papai diz sério, com sua cara brava.
—Desde quando você liga? —Mamãe pergunta colocando um prato para papai.
—Mas é claro que eu ligo. —Murmura papai, ele parece surpreso com suas palavras. —Quem era no telefone?
—Christian, isso não é da sua conta, ok? —Mamãe diz começando a ficar mais brava, então Luiza e Sophie saem correndo para o andar de cima.
—Claro que é! Você é a minha noiva! —Exclama papai impaciente, isso me faz sorrir um pouco.
—De mentirinha. —Ela murmura e eu sinto vontade de rir, mas fico triste por isso também. —Agora não venha com seu estresse para cima de mim, enche a boca de comida e me deixa em paz.
—Não me dê as costas, Anastásia! —Papai grita quando mamãe vem na direção dos quartos, então eu me viro e corro para o quarto dela.
—Oi, querida. —Mamãe diz e eu sorrio, tentando fingir que está tudo bem. —Eu preciso te contar uma coisa.
Arqueio as sobrancelhas e encaro mamãe atentamente. Ela senta ao meu lado e parece animada.
—O advogado da vovó me ligou. —Mamãe murmura. —Ele disse que ela deixou muito dinheiro para nós, e que a casa que era do meu pai, também é minha, assim como outras coisas, isso não é ótimo?
Mas eu já sabia disso.
Sorrio e balanço a cabeça, mas estou confusa, será que mamãe quer ir embora? Não, ela não pode fazer isso, eu preciso... preciso fazer algo. Dou um beijo na minha mãe e corro para fora do seu quarto fazendo-a rir, passo pela sala e me surpreendo ao ver papai conversando com todos, então resolvo parar para ouvir também.
...
—Isso vale para a Maria também? —Sophie diz ajeitando seu boné.
Papai não notou que estou aqui, mas Sophie sim, por que ele está brigando com todos? Eu não entendo. Eu pensei que ele gostasse de ficar conosco agora.
—Sim, vale para todos. Principalmente Maria. Ela não é diferente de vocês. —Murmuro, mesmo sabendo que isso não seja verdade. Aproximo-me de Sophie e tiro seu boné.
—Ei. Não. —Ela diz com os olhos marejados.
—Você sabe que não pode usar bonés para o café, nem colégio.
—Você é tão mandão! Eu não sei como acreditamos que você poderia mudar. —Katherine diz se levantando. Ela puxa o boné de Sophie da minha mão e me fuzila. —Eu tenho pena da Maria, ela te venera tanto, mesmo sabendo o monstro que você é. Não volte a nos dar ordens, e nem pense em encostar em uma de nós de novo.
Sinto algumas lágrimas escorrem, por que ele está fazendo isso? Por que ele disse essas coisas? Eu não entendo, ele foi mal com Sophie, e ela não fez nada. Vovó dizia sempre que papai era um bom homem, mas ele nem sempre age assim, ele está sendo mal com as minhas tias. Por que?
Sinto alguém tocar meu ombro e me viro vendo que é mamãe, então papai nos nota, ele diz meu nome, mas não quero falar com ele, apenas corro para o meu quarto, tranco a porta e caminho até minha gaveta pegando a carta que vovó escreveu para mamãe. Ela disse que assim que seu advogado ligasse, eu deveria colocar as cartas no correio, acho que está na hora então.
Espero algum tempo e depois saio do quarto em silêncio, desço as escadas e olho para ver se mamãe está aqui, mas ela não está, então corro para o elevador e desço, quando chegou ao salão de entrado do prédio, corro em direção ao portão.
—Ei, Srta. Steele. —Chama o recepcionista. —Sua irmã sabe que você está aqui?
Viro-me e fuzilo. Por que ele acha que ela é minha irmã? Ignoro-o e corro para fora do prédio, vou correndo para a caixa de correio, ponho as cartas e depois volto para casa, sem ser pega... acho que vovó ficaria orgulhosa. Mamãe me mataria, sem dúvidas.
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