Amor Por Aluguel

28 ღ Quando o Amor Se Ajusta ღ


Notas iniciais
Meninas, olha só... é com muito, mas muito pesar, que aviso que chegamos a mais um fim. E eu não tenho o que falar, mesmo. Essa foi a história que mais me tocou, mesmo eu sendo a Autora, foi somente graças a vocês que isso aconteceu. Foram 477 comentários até aqui, 172 acompanhamentos, 59 favoritos e 12 lindas recomendações... esses podem parecer apenas alguns números, mas não são apenas isso, são as pessoas que há um ano atrás mudaram a minha vida, muitas que me acompanham desde a primeira história, e outras que entraram no meio do caminho. Eu não tenho palavras para descrever o quanto sou grata a cada uma de vocês, que se esforçam todos os dias para comentar, para ler, mesmo as leitoras fantasmas, vocês mudaram a minha vida, e hoje eu sou a Autora mais satisfeita e feliz do mundo. Obrigada por todo o carinho por mais uma História, e eu tenho certeza que isso é apenas um Até Logo, já, já nós estaremos juntas em uma nova aventura. Muito obrigada por tudo, vocês me motivam a ser melhor a cada dia ♥ ♥ ♥ Capítulo dedicado a Anne... ♥ Meus amores, uma ótima leitura, um grande beijo, e um... até logo ♥ ♥

Anastásia Steele

Um Ano Mais Tarde...

Caminho até o sofá e recebe um sorriso de Christian quando lhe entrego sua xícara com café. Caminho até o outro sofá e me sento aconchegando-me ao lado de CG, Pop e Fifi.

—Sabe o que eu não entendo, querido? —Murmuro ganhando a atenção do meu marido.

—O que? —Ele diz bebericando seu chá.

—A morte da Elena. —Digo pensando. —Sabe, nunca teve provas contra ninguém, nada foi encontrado. E ninguém nunca veio atrás de nós. Eu pensei quem a matou, estava atrás de nós também.

—Isso é verdade. —Christian diz, ele coloca seu chá sobre a mesa de centro e apoia os cotovelos sobre os joelhos. —Taylor ou a policial nunca achou ninguém. Eu realmente queria saber quem causou isso tudo. Mas não vamos pensar sobre isso, querida. O que importa agora é que tudo está bem, tudo está estável, nada de ruim aconteceu, nem vai acontecer. Quem matou a Elena, nos livrou.

—É verdade. —Sussurro sorrindo, mas ainda com pesar. —Como será que o Tuntum está? Eu estou tão preocupada.

—Eu acho que ele vai se sair bem. —Christian murmura rindo.

Hoje foi o primeiro dia de aula de Arthur, a primeira vez dele longe de casa, longe de nós, em contato com tantas pessoas que ele não conhece. Eu estou apavorada. Só de pensar que logo, logo será Lana, e Ted. Isso me apavora. Meus filhos crescerem tão rápido.

—Não fique assim. —Christian diz rindo. —Logo, logo ele vai entrar por essa porta, gritando e dizendo como foi incrível.

—Você acha? —Pergunto sorrindo nervosamente.

—Eu tenho certeza. —Ele afirma voltando a tomar seu chá e ler ser jornal.

Ouço o barulho da porta e logo as vozes de Katherine e Mia, super animadas. Elas entram na sala sorrindo com a felicidade evidente.

—Uh, temos meninas com ótimo humor, por aqui? —Pergunto e elas correm sentando ao meu lado.

—Ana, nós fomos aprovadas, em quatro faculdades diferentes. —Mia diz super animada.

—Ah, que maravilha. —Digo emocionada.

—Vocês estão falando sério? —Christian pergunta sorrindo todo orgulhoso.

—Sim, papai. —Kate diz indo abraça-lo. Ela lhe entrega um papel e ele olha todo orgulhoso.

—E o Elliot? —Pergunto sentindo sua ausência.

—Ele foi aprovado em cinco. —Mia diz revirando os olhos.

—Isso é incrível. —Christian diz super alegre. —Onde ele está?

—Ele foi ver um amigo, algo assim. —Mia diz rindo.

—Mas e aí, vocês já decidiram para qual vão? —Pergunto super temerosa.

—Ah, sim. —Kate diz levantando. Ela me encara e sorri. —Nós vamos, nós três, para a faculdade de Seattle.

—O que? —Pergunto confusa. Levanto-me e ando de um lado para o outro, um pouco indignada. —Vocês podem ir para lugares melhores.

—Sim. —Mia diz também levantando. —Mas... o nosso lugar é aqui.

—É verdade, mamãe. —Kate diz. —Nós... queremos ficar perto de casa, de você, do papai, das meninas. Não tem por que irmos para longe.

—Vocês têm certeza disso? —Pergunto emocionada.

—Sim. —Minha irmã/filha diz sorrindo, ela se aproxima e segura minhas mãos. —A vida está começando de verdade agora, para eu, Mia e Elliot. Vocês sempre estiveram conosco, cuidando de tudo. Nós não queremos perder isso. Os piqueniques ao fim de semana.

—As histórias. —Mia diz sorrindo olhando para Christian. —Aqui é o nosso lugar. Nós... queremos, é claro, conhecer o mundo inteiro, mas nós não queremos perder o que temos de melhor, indo para tão longe. A longo... de tudo que nós vivemos, até hoje, eu percebi que conhecimento é tudo, mas estar ao lado de quem se ama, não tem preço.

—Ah, queridas. —Murmuro puxando as duas para um abraço. —Eu estou tão orgulhosa de vocês, meninas.

—Eu também, muito. —Christian diz emotivo.

—Tem mais. —Kate diz sorrindo. —Nós vamos precisar de um lugar para morar, enquanto estivermos na faculdade.

—Sim, e o campus de lá não é a nossa opção. —Mia diz rindo. Ela olha para Christian e sorri ainda mais. —Nós pensamos em ficar no apartamento... no Escala.

—Mas é claro que sim. —Christian diz fazendo as duas comemorarem.

—Ah, meninas, vocês realmente estão crescidinhas. —Murmuro segurando as lágrimas. —Eu não poderia estar mais feliz, mas ainda triste por não ter mais vocês todos os dias.

—Mas é claro que vai ter. —Kate diz revirando os olhos. —Nós vamos ligar todos os dias, para contar tudo, e com certeza vamos estar aqui durante o fim de semana.

—Eu vou amar isso. —Digo abraçando-as novamente.

—O Elliot. —Mia diz ouvindo a voz do irmão.

Elliot entra na sala, conversando empolgadamente com um amigo... eu nunca o vi, eles devem ter a mesma idade.

—Olá. —Elliot murmura sorrindo. —Acho que elas já contaram tudo.

—Sim. —Digo indo abraça-lo. —Eu estou tão orgulhosa de você. Parabéns.

—Obrigada, Ana. —Elliot diz sorrindo. —Olha, esse aqui é meu amigo, Ethan, ele também vai para faculdade de Seattle.

—Muito prazer, Ethan, e meus parabéns. —Digo apertando sua mão.

—O prazer é meu, Sra. Grey, e Sr. Grey. —Ele murmura também apertando a mão de Christian. —O Elliot me falou coisas maravilhosas de vocês.

—Você já morava por aqui? —Christian pergunta quando todos se sentam.

—Não, eu morava na Inglaterra, com meus pais, mas tive ótimas recomendações. —Ethan diz e eu noto Mia olhando-o, e cochichando algo com Kate.

—Então, Ethan, você já sabe onde vai se alojar? —Pergunto encarando Mia que ruboriza e desvia o olhar.

—Eu ainda não sei, eu estou vendo uns apartamentos, e procurando um emprego. —Ethan diz de forma nervosa.

Ah, jovens. Eu ainda posso me lembrar de todo o nervosismo, a ansiedade com a faculdade, o primeiro emprego.

—Ah, com isso não há problemas. —Christian diz me surpreendendo. —Há um ótimo programa de estágio na minha empresa, você pode ir lá amanhã com Elliot. E eu aposto que o apartamento no Escala tem espaço para mais um.

—Isso seria ótimo, Sr. Grey, eu não sei como agradecer. —Ethan diz animado.

—Apenas tire boas notas, e seja alguém bom. —Christian murmura.

—Christian, você é demais. —Elliot diz sorrindo para o irmão. —Bom, vamos Ethan, nós ainda temos que rever algumas coisas. Vocês vêm?

—Claro. —Kate e Mia dizem juntas, elas riem e se levantam, dão um beijo em Christian e em mim e saem com os meninos.

—Ela gostou dele. —Christian diz rindo.

—Gostou mesmo. —Murmuro. Levanto-me e caminho até Christian, sentando sobre sua perna. —Você foi muito generoso com Ethan.

—Ele merece, todos merecem uma chance, não é? —Christian sussurra beijando-me.

—Sim, com certeza, Sr. Grey. —Murmuro beijando-o. —Eu vou ver o Ted.

—Certo, eu vou terminar uns trabalhos, te vejo mais tarde.

—Certo.

Dou um outro beijo em Christian e me levanto indo para as escadas. Enquanto subo, como pensar em tudo. Tudo. O que me faz lembrar em tudo que vovó fez, senão fosse ela, se ela não tivesse feito tudo aquilo com Maria, eu nunca estaria com Christian, e hoje nós estamos aqui, casados, com quatro filhos maravilhosos, nossos irmãos. A vida não poderia estar mais perfeita.

Eu sou tão apaixonada pelo tempo, e tudo que ele traz. Sou apaixonada pela vida, pela forma como ela leva as coisas. Não que não tenha tido momentos ruins, teve. A separação dos meus pais, a partida de papai, mais de uma vez, todas as vezes que ele voltou, então quando ele se foi mesmo, naquele acidente. Depois a partida de Christian. Sabe... eu acho que ainda não era tempo, de Christian e eu estarmos juntos, e então tudo mudou e voltou a se encaixar, e eu sinto que não poderia estar mais encaixado do que isso.

Mesmo com todo sofrimento, todas as vezes que eu chorei, sozinha, com medo do mundo e de perder as pessoas que eu tenho, se eu pudesse voltar, eu não mudaria nada.

—Mamãe. —Ted diz sorrindo quando entro em seu quarto.

Absolutamente nada.

ღღღღ

—E que tal essa cor? —Pergunto levantando o azul. Lana e Ted observam, se entreolham e fazem caretas.

É claro! Eles são as crianças mais parecidas do mundo, os mesmos gostos, as mesmas caretas, fases parecidas. Tudo. Eu tenho até medo deles dois juntos, e Ted só vai fazer dois anos.

Nós estamos no quarto dos brinquedos, usando as nossas mãos e tinhas para fazer um desenho de parabéns para Elliot, Mia e Kate.

—Eu gosto do amarelo. —Lana diz tranquilamente, enquanto joga mais tinta em sua mão. —E você, Ted?

—Eu gosto. —Ted diz levantando as mãos.

—Certo. —Digo rindo. —Amarelo.

—Mamãe... você acha que... que vai ser ruim quando eu entrar na escolinha? —Lana diz confusa. —Sabe, eu não quero ir embora como meus tios.

—Ah, querida, você não vai ir. Não tão cedo. —Digo sorrindo. —Você vai ficar apenas algumas horas, como seus irmãos. E então todo dia você vai voltar para casa.

—Mas eu vou para faculdade algum dia? —Ela pergunta pensativa.

—Ah, vai sim, se você quiser. Mas isso ainda vai demorar, ok? Por enquanto... apenas seja essa menina linda e inteligente que a mamãe ama tanto.

—Está bem, mamãe. —Lana diz sorrindo e logo se distraí.

Ah, minha querida. Eu... encontrei Paul há alguns dias, eu estava com Lana, voltando de uma consulta, e eu não pude acreditar que ele está casado, e que ele terá uma filha. Isso... é maravilhoso. Eu não sei se Lana entende que ele é pai dela, mas ela sabe a verdade, mesmo sendo nova ela sabe que Christian não é seu pai. Mas isso não importa. Se um dia, Paul mudar de ideia, e quiser estar na vida de Lana, isso não será um problema, Christian concorda comigo. Nenhum pai merece estar longe de filhos. Depois de tudo que ele passou, ele sabe bem disso. Mesmo Lana sendo sua garotinha, assim como Maria.

Maria, minha Maria. Minha menininha. Eu ainda não entendo, até hoje, como ela tem... uma força. É inexplicável, mas quando Maria nasceu, ela mudou minha vida. Ela mudou meus dias, e ela... ela me trouxe aqui, com toda sua esperteza, com a sua força. Seu jeito. Aquela garotinha pode não entender, mas ela mudou a minha vida, e eu sou a mãe mais grata do mundo. Deus não poderia ter me dado ela em momento melhor. Minha Maria. Minha força.

—Mamãe, nós chegamos. —Maria grita do andar de baixo e eu sorrio.

—Mamãe, onde você está? —Agora é Arthur que grita.

—Ei, vamos lá ver seus irmãos? —Murmuro para Lana e Ted, eles concordam e eu começo a limpar as mãos deles.

Levanto-me e pego Ted no colo e ofereço minha mão para Lana, quando chego no andar de baixo, Ted está muito animado falando com Christian e as meninas estão no sofá rindo muito, menos Emma.

—Olá, meus amores. —Digo pondo Ted no chão.

—Mamãe, mamãe. —Arthur diz vindo me abraçar. —Eu amei a minha escola. Eu quero ir de novo amanhã, e depois e todos os dias.

—Ah, meu filho. —Sussurro emocionada. Abaixo em sua frente e lhe dou um beijo. —Eu estou tão feliz por você. Eu quero saber de tudo depois, está bem?

—Sim, mamãe. —Arthur diz indo para Christian.

—Onde está a Emma? —Pergunto para as meninas.

—Ela foi para o quarto. —Maria diz encolhendo os ombros.

—Certo. —Murmuro. —Eu já volto.

Caminho novamente para as escadas e sigo para o quarto de Emma. Bato na porta e ouço um entre, então empurro a porta e a encontro jogada na cama, encarando o teto, aproximo-me e deito ao seu lado.

—Mãe... por que a Kate tem que ir para a faculdade? —Ela diz e entendo tudo. —Sabe... ela não pode ficar longe de nós.

—Ah, querida. —Murmuro sentando-me, Emma se senta e me encara. —Você sabe que ela sempre sonhou com isso, e ela não vai estar longe.

—Mas eu vou sentir falta dela. —Emma diz deixando uma lágrima cair.

—Ah, meu amor. Você não vai nem ter tempo para sentir saudade. Você vai poder falar com ela todos os dias, e vê-la todo fim de semana.

—Você acha? Será que ela não vai se incomodar?

—Claro que não, meu amor, e eu acho que ela iria adorar que você fosse dormir lá as vezes, ela ama você.

—Eu também amo a Kate.

—Ei, posso entrar? —Kate diz parada na porta do quarto.

—Eu vou deixar vocês conversarem. —Murmuro dando um beijo na testa de Emma. Passo por Kate e ela sorri.

Saio do quarto e tranco a porta e quando vou me virar vejo Maria subindo as escadas, ela sorri e se aproxima, abraçando minha cintura.

—Oi. —Maria diz me encarando.

—Oi.

—Mamãe, eu preciso saber de algo. —Maria diz rindo.

—Pode perguntar. —Digo rindo.

—Uma vez... a vovó falou que eu poderia ficar tranquila quando você estivesse muito feliz, e que quando isso acontecesse, eu deveria enviar uma carta para Deus, para entregar a ela, e dizer que tudo está bem agora. Você está feliz mamãe?

—Ah, meu amor, é claro que eu estou. —Murmuro completamente emocionada.

—Então, você entrega para Ele, mamãe?

—Eu posso tentar.

—Obrigada. —Maria diz sorrindo, ela me solta e corre animadamente para o quarto.

Desço as escadas e encontro as crianças subindo.

—Onde vocês vão? —Pergunto encarando-os.

—Nós vamos trocar de roupa, para brincar lá fora com a Fifi, o CG e o Pop. —Sophie explica enquanto segura a mão de Ted.

—Certo, cuidado com as escadas. —Murmuro acariciando a cabeça de Ted.

—Está bem, mamãe. —Sophie diz e eles continuam a subir.

Termino de descer as escadas e entro na sala, mas me preocupe ao encontrar Christian, super sério falando ao telefone. Aproximo-me com um pouco de temor, ele me olha e balança a cabeça, então já espero o pior. Fico alguns minutos esperando até ele desligar o telefone e me encarar.

—Meu amor, o que houve? —Pergunto preocupada.

—Pegaram o assassino da Elena, querida. —Christian murmura pegando-me completamente de surpresa.

—Meu Deus! Quem foi?

—A Sra. Gold. —Christian diz completamente perdido.

—Sra. Gold... espera! Você está falando da ex-diretora das meninas? Aquela que você... —Sinto um embrulho no estomago ao lembrar.

—Sim, essa mesma. —Christian diz parecendo estar horrorizado.

—Como eles pegaram ela?

—Na verdade... eles não pegaram, ela está morta. —Christian diz confundindo-me ainda mais. —Um dos guardas-florestais estava fazendo patrulhamento de rotina, ele acabou entrando na cabana onde acharam a Elena, e o corpo dela estava lá. Ela teve uma overdose.

—Ah, meu Deus! —Digo horrorizada. —Mas como eles sabem que foi ela?

—Eles compararam as digitais do assassino, eles acharam documentos com ela, como transferências bancárias, fotos, coisas que ela usava para chantagear a Elena.

—Oh. —Murmuro incrédula. —Mas o que ela queria com tudo isso?

—Eu não sei, Ana... —Christian confessa perdido.

—Ei. —Aproximo-me e seguro seu rosto, ele me encara e parece tão confuso. —Isso importa agora? Ela... está morta.

—Está. —Christian sussurra. —Não, não importa. O importante é que ninguém nunca mais vai nos machucar.

—Isso mesmo, graças a você, você protegeu a nossa família, como você disse que faria.

—Ah, Ana.

Christian me puxa para seus braços, apertando-me em um abraço sufocante, e nisso, tudo que consigo sentir é o amor que tenho por ele, o mesmo amor que está entre nós. O mesmo amor que superou anos de separação, toda a dor da perda, o amor que nos manteve vivos, e que nos trouxe de volta para perto um do outro.

—Eu amo você, entende isso garota? —Christian diz segurando meu rosto.

—Ah, eu entendo sim. Porque eu te amo. —Digo sorrindo e fico na ponta dos pés para beijá-lo. Seus lábios se movem de forma perfeita contra os meus, e eu tenho a mesma sensação de sempre, coração disparado, pernas bambas, borboletas no estomago... e que o mundo tudo parou.

ღღღღ

Sento-me ao lado de Christian e ele sorrio para mim, mas sua total atenção é para Arthur e Lana que estão conversando animadamente com ele sobre o projeto da casa na árvore. Dou uma olhadinha rápida pela mesa e vejo toda a minha vida aqui, toda a minha história, as partes de quem eu sou estão aqui, cada uma sentadinha em uma cadeira, uns estão formando seus próprios caminhos, outros estão começando a entender como a vida é; e uns, se preocupam apenas em ser crianças.

Essas crianças, e Christian, eles são... as pessoas que mudaram a minha vida. Como vovó dizia em sua carta... você sempre mudará o dia de alguém, e sempre haverá alguém para mudar o meu dia. E eles são as pessoas que mudam o meu dia.

—Mamãe, isso é para você. —Maria diz se aproximando, ela me entrega um papel e sorri. —Eu não sei como você vai entregar para Deus, mas... diz que eu amo Ele por tudo isso. —Ela olha em volta e sorri, depois corre e vai se sentar para continuar jantando.

Sorrio para ela e para todos, então decido abrir sua carta e começar a ler.

Olá, Deus, meu nome é Maria, mas eu acho que você já me conhece, eu sempre falei com o Senhor, desde que eu era muito pequena. A vovó Lilian sempre me ensinou que o Senhor é quem manda, e é o mesmo que faz tudo acontecer. Então eu precisava dizer algumas coisas, para você e a vovó, espero que leia isso com ela.

Nós estamos bem hoje. A Kate, o Elliot e a Mia, vão para a faculdade, eu vou sentir falta dos meus tios, mas sei que eles sempre virão nos visitar. A Emma está indo muito bem nas aulas de violino, e eu adoro vê-la tocar, pelo que tudo indica, ela vai estar se apresentando num teatro muito grande, por favor, Deus, esteja com ela, ela tem estado muito nervosa.

Sophie está muito feliz, ela ganhou mais uma medalha, agora de ouro, papai tem praticado com ela todos os dias, e eu fico horas vendo eles jogarem futebol, mas eu prefiro meus desenhos.

Lulu está muito terrível, eu não sei se posso falar essa palavra com o Senhor, mas ela está, ela aprendeu pegadinhas novas, e ela está me ensinando tudo, mas eu estou com medo disso, ela é minha melhor amiga, e eu estou feliz que ela esteja feliz, ela também está craque no boxe, e nenhum garoto se mete com a gente na escola.

Arthur, Lana e Ted estão crescendo e eu gosto de brincar com eles, a vovó não conheceu o Ted e o Arthur, mas eu sei que ela iria amá-los, eles são irmãos lindos, e eu adoro brincar com eles.

Ah, e tem mais, a mamãe e o papai estão juntos, muito juntos, eles ficam o tempo todo juntos e a mamãe sorri toda hora. Deus, obrigado por isso, eu acho que o Senhor ficou com dor de cabeça de tanto que eu pedi para eles ficarem juntos, mas o Senhor fez isso acontecer, então obrigado.

Obrigado porque hoje a vida é muito legal, eu amo a casa nova, amo meus tios, minha irmã e meus irmãos, mesmo que eles peguem no meu pé. Eu entendi que o Senhor faz umas coisas diferentes do que pedimos, eu fiquei brava muitas vezes, confesso, e me desculpe, Deus, mas eu também entendi que quando o Senhor faz, tudo sai perfeito.

Obrigado por me escutar Deus, a vovó tinha razão, sempre haverá alguém para mudar os nossos dias, e o Senhor... mudou a nossa vida.

Abaixo a carta, com lágrimas nos olhos e então encaro todos, todos distraídos, brincando, conversando enquanto jantam. Ah, Deus. Obrigada por mudar os meus dias.

Notas finais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!