Amor Por Aluguel
20 ღ Para Eu Cuidar ღ
Notas iniciais
Anastásia Steele
Empurro as portas duplas do hospital e atravesso correndo, o coração acelerado, as mãos tremulas, há suor por toda parte do meu corpo, graças ao meu nervosismo. Avisto um médico conversando com algumas pessoas, enfermeiros eu acho. Corro até ele que me recebe com um olhar desanimador.
—Sra. Grey? —Pergunta o médico, com sua voz rouca.
—Sim. Como ele está? —Pergunto apavorada.
—Sra. Grey, venha, nós podemos conversar melhor. —O médico diz passando o braço pelas minhas costas enquanto caminho para dentro da CTI, paramos em frente a uma janela de vidro e eu me apavoro ao ver Christian deitado em uma cama, completamente entubado.
—Ah, meu Deus! —Exclamo pondo a mão sobre a boca.
—Senhora Grey, bem, ele chegou aqui num estado grave. —Começa o médico. —Nós conseguimos estabilizá-lo, ele nem se quer corre risco.
—É mesmo? —Pergunto sentindo que tem algo a mais.
—Sim, mas ele teve uma lesão nas pernas.
—O que?
—Sra. Grey, seu marido, ele perdeu os movimentos das pernas.
Dou um passo para trás, confusa, talvez atordoada com o que acabei de ouvir. Não... Christian não merece isso, ele não pode passar por isso, ele é um homem forte, ele não pode estar passando por isso. Encaro a janela de vidro, Christian deitado naquela cama, completamente entubado. Tudo é tão confuso.
—Ele tem pais? —O médico pergunta ganhando minha atenção.
—Não... —Sussurro com um soluço preso na garganta. —Apenas... seus irmãos, e eu...
—Certo... Srta. Steele, não é algo grave.
—Como não? Ele está... —Fecho meus olhos tentando conter o choro.
—Ele pode voltar a ter os movimentos, mas depende dele, fisioterapia e tudo mais, ele pode voltar a andar em meses.
—É mesmo? —Pergunto tendo mais esperança.
—É claro que sim, menina. —O médico diz de forma carinhosa e eu sorrio. —Eu vou.... bem, lhe indicar alguns bons médicos que vão ajuda-lo muito, mas é como eu disse, depende dele, somente dele querer.
—Entendo, ele é meio... cabeça dura, mas eu vou tentar convencê-lo disso, muito obrigado doutor.
—Não há de que, agora eu tenho que ir, com licença, me chame se precisar.
—Pode deixar. —Sussurro.
O médico se vai e eu me aproximo mais do vidro, ainda preocupada observo Christian dormindo.
Ah, Christian! Por que você tinha que ser tão... cabeça dura? Se ele não tivesse saído correndo daquela forma, mas também... também a culpa foi minha, se eu não tivesse omitido tantas coisas... tantas... cosias que deveriam ter sido deixadas claras. As crianças, Christian, Elliot e Mia, eles mereciam saber da verdade, eu deveria ter contado tudo, mas o meu medo, a minha covardia estragou tudo, e olha onde estamos agora?
Encosto minha mão no vidro e suspiro.
—Ah, Christian, eu sinto tanto...
ღღღღ
Horas Mais Tarde...
Abro a porta da casa com cuidado, tentando não acordar ninguém, mas quando entro todos estão lá no salão de entrada, braços cruzados e caras super preocupadas.
—Como meu pai está? —Maria pergunta fazendo sua carinha de choro.
—Ei, oi. —Digo pegando Lana que já estava quase chorando. —Querida, o papai... ele está bem.
—Isso soo muito falso. —Katherine diz com os braços cruzados.
—Onde está o Teddy? —Pergunto preocupada.
—Dormindo, e não muda de assunto. —Emma diz revirando os olhos.
—Certo, vamos lá na sala, eu quero conversar com você. —Murmuro já indo em direção a sala. Quando todos se acomodam eu me sento e aconchego Lana. —Bom... o que aconteceu com o Christian, foi sim, um pouco grave.
—Ah, meu Deus! —Mia diz começando a chorar.
—Calma. —Elliot sussurra segurando sua mão.
—Enfim, ele sofreu batidas graves, e ele vai dormir por alguns dias, até... até quando ele quiser acordar. —Sussurro suspirando.
—Então ele não vai acordar nunca. Ele dormia feito pedra. —Lulu diz revirando os olhos e todos acabam rindo.
—Certo, Lulu. —Murmuro rindo, mas logo fico séria. —Crianças, não é só isso.
—Ah, meu Deus! —Agora é Maria quem diz, escondendo o rosto entre as mãos. —O que ele tem?
—Ele... ele perdeu os movimentos das pernas... —Solto depois de alguns segundos.
—Não. —Mia diz apavorada.
—Calma, querida. —Peço levantando a mão. —Olha só, o médico me explicou tudo direitinho, o seu irmão não corre risco, nenhum, ele vai recuperar os movimentos, se ele quiser, se ele aceitar o tratamento.
—Mas ele é tão... cabeça dura! —Elliot diz bravo.
—Mas ele vai fazer isso! Pode ter certeza que vai! —Digo impaciente. —Ele querendo ou não, eu ainda sou a mulher dele, e posso obriga-lo a fazer o que eu quiser.
—Ah, eu vou adorar ver isso! —Katherine diz gargalhando, mas parando quando todos ficam sérios, ou tenta parar. —Ah, qual é? Quando nós morávamos juntos era impossível não rir com as broncas que a Ana dava no Christian, fala sério...
—Eu acho que vou gostar de ver isso. —Mia diz começando a rir. —Isso significa que... que nós somos uma família de novo?
—Acho que sim... —Sussurro sorrindo para as crianças.
—Ah, mamãe. Isso é tão legal. —Maria diz sorrindo, ela corre para abraçar Mia. —Eu estou feliz que vocês vão ficar aqui, titia.
—Ah, meu Deus! Eu vou amar isso. —Mia diz sorrindo amplamente.
—Certo, claro que vai. —Digo rindo, mas finjo estar séria depois.
—O que foi, Ana? —Mia pergunta preocupada.
—Vocês ainda levantam as sete, não é? Eu não vou chamar ninguém, e quero todos na cama as nove. —Digo e todos começam a rir. —Saiam daqui, Katherine, mostre os quartos vagos para Elliot e Mia, eu vou ligar para Taylor.
—Eu quero ficar perto da Emma de novo. —Mia diz e eu acabo rindo.
ღღღღ
Algumas horas depois de ter falado com Taylor, ele está na minha casa, com as coisas de Elliot e Mia, e alguma piada particular, já que não para de rir.
—Taylor, eu vou te bater se você não me falar o que está havendo! —Exclamo impaciente.
—Certo, Srta. Steele...
—Eu ainda sou a Sra. Grey, pelo que descobri Christian nem assinou o divórcio.
—Certo, Sra. Grey, eu aposto que o Sr. Grey vai achar muito engraçado você ameaçando os funcionários dele, dizendo que se eles não mudarem as coisas para cá, você vai matar um por um, depois matar o Sr. Grey.
—Você está duvidando disso, Taylor? —Pergunto e ele gargalha.
—Não senhora. É bom ter você de volta. —Taylor diz rindo.
—Sei. —Murmuro séria. —Meu quarto é no primeiro corredor da direita, as coisas dele podem ficar lá.
—Certo... Sra. Grey. —Taylor diz entrando com os outros funcionários.
—Que bobão, não é Teddy? —Pergunto olhando meu bebê que gargalha. —Por que vocês estão rindo tanto hoje? Quero ver você rindo quando eu deixar você sozinho com seu pai, ele e superchato.
Só espero que ele não me odeie por tomar essa decisão, ele não pareceu que está muito confortável em me ter por perto, mas quem estaria? Depois de esconder tantas coisas? Ah, como eu sou horrível. Não, eu não posso ficar pensando nisso, mesmo que eu tenha errado... eu preciso estar com ele agora, porque ele precisa de mim, e eu não vou deixá-lo, mesmo que ele me odeie depois disso tudo. Eu não vou deixá-lo, não vou.
Entro em casa e coloco Theodoro em seu berço, fico com ele até que ele adormeça, então decido ir ver se Elliot e Mia já se aconchegaram, mas é claro que sim, eles estão no quarto de Katherine com Emma e Sophie, assistindo alguns filmes e fazendo bagunço. Deixo-os lá e vou ver minhas filhas e saber onde Lulu está. Não demoro muito a acha-las. Quando entro no quarto de Maria, encontro Lulu sentada no meio da varanda, as portas estão bem apertas. Ela está usando um vestido branco e uma coroa de flores. Lana também se veste da mesma forma, mas está correndo pelo quarto com Fifi e CG. E para a minha grande surpresa, Maria está em frente a uma de suas telas, fazendo o desenho de Lulu. Ela está com uma de suas camisolas brancas, que ela nunca mais usou.
A cena me deixa muito emocionada, e eu sei que tudo isso é pela volta de Christian, ela não... não pintava a tanto tempo.
—Você gosta, mamãe? —Maria pergunta e eu sorrio, tentando prender as lágrimas. —Lulu, não se mexa.
—Ah, isso é muito chato. —Lulu diz revirando os olhos.
—Está lindo, queridas. —Sussurro e as duas sorriem. —Lulu, que tal você ir brincar um pouco? Eu tenho que falar com a Maria.
—Ah, graças a Deus! Essa menina é maluca. —Lulu diz correndo para fora do quarto.
—Essas modelos de hoje em dia. —Maria diz revirando os olhos, ela coloca seus pincéis na água e vai para a varanda, se escondendo atrás das cortinas.
—Meu amorzinho, nós temos que conversar. —Sussurro me sentando na cama, Lana sorri e corre para o meu colo.
—Sobre o papai? —Maria pergunta se virando um pouco para me olhar.
—Sim... —Sussurro encarando-a.
Seu olhar está um pouco duro, assim como Christian faz quando algo o chateia. Ela me olha por alguns minutos, séria, e continua assim, séria. É como se ela estivesse não falando novamente, durante muitas horas, mas só se passam minutos, longos minutos sobre seu olhar infantil e tão... cheio de marcas.

Maria suspira e começa a andar em minha direção, ela se senta e me olha atentamente.
—Eu sinto muito. —Sussurro pegando-a de surpresa.
—Pelo o que, mamãe?
—Por tudo... por ter tirado o papai de você, quando você era apenas um bebê. Você precisava dele, e eu não entendi isso. Eu sinto tanto por tudo que aconteceu. E agora, agora eu prometo que eu não vou deixar nada separar vocês dois, nunca mais. Você, o Teddy e até mesmo a Lana, podem ficar com ele sempre que quiserem.
Maria sorri jogando a cabeça para o lado. Ela balança a cabeça depois de algum tempo pensando, então se ajoelha sobre a cama e me abraça, pegando-me de surpresa. Lana também se envolve no abraço, gargalhando à toa. Ah, Deus, por que mesmo eu sendo tão... tão falha, o Senhor ainda me deu as melhores coisas do mundo?
—Nós podemos ter panquecas no jantar? —Maria pergunta e eu gargalho.
—Eu vou pensar sobre isso. —Murmuro beijando sua testa. Levanto-me e pego Lana. —Vamos dormir um pouco, tagarela?
—Sim. —Lana diz levantando os braços.
—Te vejo depois. —Sussurro para Maria que sorri.
Saio do quarto de Maria e caminho até o quarto de Lana, coloco-a no chão e ela corre para a sua cama começando a pula sobre ela. Reviro os olhos e caminho pegando-a em um de seus pulos, ela gargalha quando a coloco deitada, mas sorrio ofegante e começa a bocejar.
—Mamãe, cadê o papai? —Lana pergunta e eu sorrio meio emocionada.
—Ele logo estará conosco, querida. —Sussurro acariciando seu rosto. Ela boceja e vira para o lado fechando os olhinhos.
Espero que ela durma, então saio do quarto para ir preparar o jantar. No caminho até a cozinha, decido tomar um banho, e quando estou no banheiro, me perco em pensamentos, pensamentos sobre Christian, sobre o nosso passado, quantas coisas eu poderia ter feito para mudar tudo, e eu não fiz... eu nunca fiz. Eu deixei o medo de vencer, como sempre.
Saio do banheiro e caminho até a minha cama, sento-me e fico algum tempo perdida em pensamentos, até que noto uma caixa em cima da cômoda, eu sei que ela já estava lá, só não lembro o que tem dentro. Levanto-me e caminho até lá, pego a caixa e sorrio ao abrir e ver que são os álbuns da família. Começo a folhear alguns e me surpreendo ao ver que a carta que vovó me escreveu está aqui.
Eu tinha esquecido. Eu realmente tinha me esquecido. Aconteceram tantas coisas que isso simplesmente fugiu da minha mente. Pego a carta e me lembro do que havia na outra, acho que esse é o momento certo de abrir, então. Caminho até o meu closet e me sento, ainda enrolada na toalha, abro e carta e só nas primeiras linhas já começo a chorar.
Ah, vovó...
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