Amor Por Aluguel
13 ღ Irmãs ღ
Notas iniciais
Christian Grey
Suspiro pesadamente e tento conter minha raiva enquanto ouço tudo o que o médico diz sobre Anastásia. Ela me encara, envergonhada, mas não diz nada, apenas fica torcendo os dedos.
—Certo, Sr. Grey, é apenas isso. —O médico diz calmamente e sorri para Anastásia. —Se cuide, certo?
—Certo. —Ana murmura ainda me olhando.
—Adeus, querida.
—Adeus, Dr. Robert. —Anastásia sussurra timidamente.
O médico de Anastásia se levanta e vem em minha direção, ele aperta minha e acena a cabeça, depois sai dizendo que sabe o caminho da porta, e que eu posso cuidar da minha ‘noiva’, mas tudo o que eu quero fazer com a minha ‘noiva’, poderia me mandar para a cadeia.
—Hã... —Anastásia encolhe os ombros e sorri de forma falsa.
—Levante. —Ordeno e ela o faz. Aproximo-me e seguro seu rosto, seus olhos estão brilhando, e ela não diz nada. —Como isso aconteceu, Anastásia?
—Ah, Christian, pare! Você sabe como e quando.
—Mas... —Sussurro perdido. —Eu não posso.
—Você não precisa. —Anastásia diz calmamente, ela sorri e segura meu rosto e eu não consigo entende-la, mas ela nota isso, nota minha confusão. —Christian, ele vai ser meu, assim como a Maria e a Lana são, nós não temos nada de real.
—Mas e isso. —Digo olhando para a sua barriga.
—Foi... um erro. —Anastásia diz se afastando.
Olho-a sem entender. O que ela quer dizer? Que foi um erro nós termos feito sexo, ou que foi um erro ela estar grávida de um filho meu? Eu... não entendo. Ela não quer isso? Ela não quer o nosso bebê? E eu? Eu não sei se quero isso, mas... é Anastásia, e é o nosso filho, nosso erro. Não, ele não é um erro, eu sei que não. Se ele for um erro, talvez seja o erro mais bem cometido que eu já tive.
—O bebê? —Pergunto temendo sua resposta.
—Não. —Anastásia dispondo as mãos sobre a barriga. —O que aconteceu entre nós. Não vai acontecer de novo, certo? Foi só um momento de carência.
—Acho que você não pensava nisso no momento.
—É, acho que ninguém pensa isso, nem você. —Ela murmura num tom desafiador com uma leve arqueada de sobrancelha.
—O que você pretende fazer? Com ele.
—Nós não sabemos se é ele, mas, isso não importante, o médico disse que eu estou com apenas uma semana. Quando nosso ‘contrato’ acabar, eu ainda vou estar com oito meses, você nem vai saber dele.
—Mas ele é meu filho. —Digo ofendido. —O que te faz pensar que eu não quero saber dele?
—Você quer? É isso? Você quer um filho? Quer a responsabilidade? Quer mais fama? Mais pessoas em cima de você, quer lidar com cada noite sem dormir, com todas as fraldas sujas, os tempos ruins, você quer um filho, Christian? Você está pronto para ter um?
—Eu sei ser pai, Anastásia. —Murmuro pegando-a de surpresa.
—Você já teve um filho, Christian? —Anastásia pergunta, ela me olha profundamente, parecendo me desafiar.
Eu quero dizer que sim, quero que ela saiba, mas ela não tem nada a ver com isso. Sim, eu fui um pai, um pai de merda, e perdi ela, perdi minha menininha, por ser tão imprudente. Ela morreu por minha causa. Mas ao certo, eu nunca fui pai, eu nunca tive responsabilidades.
—Responda, Christian, você vai ser um bom pai? —Anastásia insiste.
—Não, Anastásia, eu nunca serei um bom pai. —Murmuro com pesar. —Você tem razão. Eu não estou pronto para isso. Nunca vou estar. Só me diga o que vai acontecer a ele?
—Eu não sei. —Anastásia murmura me olhando, agora acho que com pena. —Você pode...
—Não, eu não quero conhecê-lo. —Murmuro fechando-me. —Apenas cuide bem dele, e se um dia... ele precisar de algo. Apenas me avise.
—Certo, Christian. Mas e se ele precisar de um pai, de você? O que eu digo.
—O mesmo que você diz a Maria, que ela só precisa de você. Você é o suficiente. Esse bebê não vai precisar de alguém como eu.
—É o que você acha?
—Eu tenho certeza disso. —Sussurro olhando sua barriga. —Eu, preciso sair. As crianças vão chegar mais tarde, não fique sem comer, por favor, você precisa cuidar do nosso... do seu filho.
—Ele também é seu. —Anastásia murmura arrependida por algo.
Ela não deveria se arrepender. O que eu pensei, que só porque eu a engravidei ela iria me amar? Que só porque eu a aluguei para casar comigo, ela ia levar tudo a sério e não querer partir? Que só porque tantas mulheres estão atrás de mim, ela também estaria? Ela é diferente, sempre foi. Eu deveria saber disso quando ela me expulsou da sua casa.
ღღღღ
Anastásia Steele
Christian me olha com pesar, olhos transpassando sua confusão. Como eu pude ser tão cruel com ele? Droga! Idiota! Ele se vira e sai do quarto sem dizer mais nada. Merda! Mas que merda! Por que eu fiz isso? Por que eu fui tão dura? Ele... ele tem tanto caminho ainda a percorrer, e no que eu ajudei? Ele seria um ótimo pai, eu sei disso. Mas o que eu estou pensando? Que ele iria me amar só porque temos um bebê? É claro que não! Alguém como Christian Grey jamais poderia me amar, jamais poderia se casar com alguém como eu por amor. Ele não é assim, ele... ele só está comigo pela própria imagem, porque ele precisa de mim, e não porque me ama. Ele nunca vai me amar.
Sento-me no chão sentindo as lágrimas escorrerem, acaricio minha barriga e abaixo a cabeça para observar.
—O que você fez, pequeno intruso? —Murmuro para a barriga e agora a ficha cai.
Ah, meu Deus! Eu vou ser mãe? Um bebê novo. Um bebê de Christian! Como ele será? Será que ele vai ter os mesmos olhos? E os cabelos? Ah, não! Não. Isso não poderia ter acontecido. O que eu vou fazer? O que eu vou fazer com sete crianças. Quando eu partir eu vou estar sozinha. Como eu vou me virar? Como eu vou fazer para trabalhar tendo um bebê para cuidar? E as crianças? Não! Deus, isso não poderia ter acontecido.
Como eu fui burra!
Droga!
Encaro o berço de Lana com a respiração acelerada. Ela está acordada, me encarando ainda deitada. Minha bebê sorri para mim, e mesmo a amando muito, eu sei bem o quanto sofri sem o pai dela. Não que eu precisasse daquele idiota! Não, eu nunca precisei. E nunca vou precisar, mas cada noite que eu passei sozinha, sentindo dor, cansaço, azia, quando ela nasceu eu estava sozinha, ninguém ficou ao meu lado, ninguém segurou minha mão e disse que tudo ficaria bem, que nós estaríamos juntos. Quando ela chorou nos primeiros meses, com cólicas, febres, não houve ninguém além de mim, e não há. Todos os dias, desde que papai se foi, tudo que eu faço é cuidar de um monte de crianças. Eu estou sozinha, e quando esse bebê nascer, tudo vai acontecer de novo!
Levanto-me e corro até o berço, Lana sorri quando a olho, mas fica séria quando eu começo a chorar em sua frente. Pego-a em meus braços e a coloco contra meu peito, juntinho de mim, tentando acalmá-la. Eu posso estar sozinha, mas valeu a pena. Valeu a pena cada dor que eu senti, cada noite que eu chorei escondido. Valeu a pena por tê-la aqui comigo. Eu... eu não estou sozinha. Ela, Maria e agora esse pontinho estão comigo. Eu não estou sozinha. Não estou.
ღღღღ
Saio do banheiro com Lana e caminho até a cama, deito-a de bruços e começo a massagear suas costas. Ela encosta o rosto na cama e sorri sonolenta. Vou apertando suas dobrinhas devagar enquanto ela começa a pegar no sono. Minha filha. Minha menininha. Eu vou ser uma boa mãe, não vou? Eu sei que a situação vai ser difícil, mas eu nunca vou abandonar minhas filhas. Nunca.
Lana está dormindo quando saio dos meus devaneios, então eu a troco e fico com ela nos braços, apenas sentindo o cheirinho incomparável que ela tem. Minha Lana. Caminho até o berço e ela coloco deitada, ela resmunga um pouco, mas quando começo a cantar baixinho, minha bebê pega no sono rapidamente. Acaricio seu rosto e depois me afasto em direção ao interruptor, diminuo a luz e saio do quarto, deixando-a dormir. Na sala as crianças já me esperam, todas sentadas no sofá, curiosas, menos Katherine que parece extremamente furioso.
—Oi... —Sussurro me sentando no braço do sofá.
—Ana, você está melhor? O que o médico disse? —Emma pergunta preocupada.
—Que a nossa irmã é uma sonsa, e nunca se alimenta. —Katherine supõe. Suspiro e a encaro.
—Isso foi uma das coisas. —Digo encolhendo os ombros.
—Eu sabia! De novo isso, por que você não pode simplesmente comer direito? —Katherine pergunta chateada e todos os outros ficam em silêncio. —Se algo acontecer a você, como nós ficamos?
—Querida, nada vai acontecer. —Murmuro tentando acalmá-la. —Eu estou bem.
—É mesmo? Até quando? Você só... só importa em ficar nos mandando fazer isso e aquilo, mas e você? Você não se alimenta, você não dorme direito, você não receber cuidado nenhum, e o Christian que deveria te ajudar, sempre está irritado e brigando por algo.
—Kate, nada vai me acontecer. —Digo sem muita paciência. —O que eu posso fazer? Você acha que eu não tento? É difícil para mim, eu cuido de vocês desde que a mamãe e o papai morreram.
—Não! Você cuida de nós desde que o papai morreu! —Katherine grita me pegando de surpresa. —Você só cuida de nós porque a mamãe nos abandonou, e você escondeu isso da gente!
—O que? —Lulu diz começando a chorar. —Isso é verdade, Ana. É verdade? A mamãe nos abandonou.
—Lulu isso não é...
—Você vai mentir? —Katherine me corta.
Fico em silêncio, sem saber o que dizer. Por que tudo vem à tona no momento errado? Elas não deveriam saber disso. Não deveriam!
—Você sempre disse que a mamãe era uma mulher boa, mas ela não era! —Katherine grita, com o rosto repleto de lágrimas.
—Isso não é verdade! —Emma diz se levantando. Ele encara Katherine com raiva. —A mamãe era uma ótima pessoa, e amava a gente.
—Não, Emma, ela não era. —Katherine grita me encarando. —Conta para elas, senão eu conto.
—Katherine, já chega. —Elliot diz se levantando, mas Katherine o empurra.
—Cuida da sua vida, Elliot. —Katherine grita. —Vocês não sabem, mas eu vou dizer. Sabe por que ela sempre se tranca e fica chorando por horas, ela ficou com depressão após a mamãe fugir com outro homem.
—Não! —Sophie grita apavorada. —Isso não é verdade. A mamãe não faria isso!
—Mas ela fez. Ela abandonou a gente. —Katherine grita. —Ela nunca quis a gente. Não quis porque só a Anastásia é filha dela, e nós não!
—Katherine não! —Murmuro apavorada.
—Nós não somos filhas dela, não somos, o papai tinha outra família, a nossa família. A nossa mãe de verdade não podia cuidar da gente porque estava doente, e ela morreu, por isso vocês não se lembram, vocês eram pequenas. O papai já tinha ela, já tinha outra filha, ele nos levou para morar com a Carla, mas ela não é nossa mãe! Ela não nos aguentava, por isso fugiu com outro homem.
—Já chega! —Grito fazendo Katherine parar. —É isso que você queria, torturar suas irmãs?
—Pelo menos eu não menti para elas. Não menti sobre o papai ser uma ótima pessoa, não menti sobre a mamãe ter morrido a sete anos, sendo que só faz cinco meses que ela morreu. Você disse que eles eram boas pessoas, mas eles não eram, eles não passavam de dois mentirosos, como você. A culpa é toda sua. Se não fosse por sua causa, nós estaríamos com a nossa mãe, e o papai ainda estaria vivo.
—Sai da minha frente, agora! —Grito dando um tapa no rosto de Katherine. Ela me olha com medo, apavorada talvez, e acho que agora caiu em si. —Sai da minha frente.
Katherine me empurra e sai correndo para as escadas, Mia se levanta e vai rapidamente atrás dela. Encaro minhas irmãs, sem ter o que dizer. Sem ter o que falar. Elas não mereciam isso. Não mereciam nada disso. Elas são só crianças, não mereciam passar por essas coisas, saber que foram rejeitadas, rejeitadas por alguém que nem era mãe delas. E sim minha! Minha mãe era um monstro, e quando eu precisei dela ela me deixou, deixou sozinha.
—Isso tudo é verdade, Ana? Tudo que a Katherine falou? —Emma pergunta chorando.
—Claro que não, sua irmã está blefando. —Elliot diz vendo minha confusão.
—Não, já chega de mentiras. —Sussurro olhando com pesar para elas. Encaro Maria e ela de alguma forma me encoraja, segurando minha mão. —Sentem, vocês merecem a verdade.
As meninas se sentam, Emma, Sophie e Luiza, uma segurando a mão da outra, olhando-me com medo, mas eu também tenho medo. Tenho medo porque eu nunca achei que elas precisassem saber disso. E agora elas souberam, da pior forma possível. Sento-me e pego Maria em meus braços, Elliot se levanta e fica ao meu lado, com a mão no meu ombro.
—Isso não é fácil... eu não queria contar porque eu sei que vocês não merecem passar por algo assim. —Sussurro fungando. —Eu tinha só 13 anos quando conheci vocês. Quando meu pai foi embora, eu tinha só cinco anos, ele foi embora porque ele tinha engravidado outra mulher, e minha mãe não quis perdoá-lo. Então... ele se foi, eu nunca mais o vi, e pensei que não o veria. Mas quando eu fiz nove anos, ele veio no meu aniversário, e ele trouxe a Katherine junto, e mamãe de vocês. Eu... fiquei muito feliz. Era confuso ter uma irmãzinha de outra mãe, mas eu fiquei feliz. E, ela já estava esperando você, Emma.
—Eu? —Emma diz chorando.
—Sim. —Murmuro sorrindo. —Eu estava tão feliz naquele diz, eu brinquei tanto com a Katherine, e eu falei tanto com a barriga da Luiza.
—É o meu nome. —Lulu diz enxugando as lágrimas.
—Sim, querida, você tem o nome da sua mãe. —Digo sorrindo. —Depois daquele dia, eu via meu pai com frequência, ele me levava para sair, com a Katherine, e ele nos comprava presente iguais. Eu adorava aquilo, então você nasceu. Eu vi você uma vez, uma única vez, e depois eu nunca mais vi o papai.
—Ele tinha te deixado de novo?
—Sim. —Sussurro sorrindo em meios as lágrimas. —Mas não era culpa dele, ele queria ficar comigo, e eu ia adorar isso, mas a mamãe, ela não deixava. Eu também não a via muito, a vovó sempre cuidou de mim. Quando eu tinha 13 anos... era um dia bem chuvoso, eu adorava dias assim, eu estava lendo, então eu vi um carro parando em frente à nossa casa. Ninguém tinha me preparado para isso, mas pela janela eu pude ver a mamãe a vovó irem até esse carro, com guarda-chuvas, então o papai saiu de lá. Eu fiquei tão feliz, eu corri até meu armário e coloquei minha roupa mais bonita, e aí, quando eu estava no topo da escada, eu vi ele entrando, segurando a mão da Katherine com a Emma no colo. A vovó estava com você no colo, Sophie, e você era tão linda, e nos braços da minha mãe, estava a Lulu.
Enxugo as lágrimas, sorrindo, porque de todos os momentos ruins, em meio a partida do meu pai, a ausência da minha mãe, ver meu pai entrando em casa com as minhas irmãs, foi o melhor dia da minha vida.
—Então, o papai me olhou, e ele sorrio, sorrio de forma estonteante. Eu desci as escadas correndo e eu o abracei, e eu implorei chorando para ele nunca me deixar. E ele disse que tudo bem, que ele estava ali e não iria mais embora. Quase um ano depois... ele tinha ido me buscar na escola, o dia era lindo, chovei pouco saia sol. Nós estávamos virando a esquina de casa quando um motorista bêbado bateu no nosso carro. A minha porta se abriu, e eu fui jogada para fora do carro, mas eu levantei, e eu estava cheia de sangue, eu levantei e corri até ele, implorando para ele não me deixar, e eu segurei a mão dele, e ele me pediu para cuidar de vocês. Duas semanas depois minha mãe fugiu, com outro homem, ela disse que não poderia cuidar de vocês, que era muito trabalho. Então, há cinco meses eu descobri que ela morreu, também em um acidente.
—Mas você cuidou de nós. —Emma diz se levantando, ela enxuga as lágrimas e me olha. —Mesmo... mesmo o nosso pai tendo ido embora, você cuidou de nós. Mesmo sua mãe tendo ido embora. Por que você fez isso, Ana?
—Porque vocês são tudo que eu tenho, e eu não vejo a minha vida sem vocês. —Murmuro chorando. Maria se vira e me olha, ela acaricia meu rosto e desce do meu colo, vai até Emma e puxa a mão da tia, colocando-a em minha frente. —Querida, me desculpe, eu deveria ter...
—Eu amo você, Anastásia. —Emma diz me abraçando. Aperto meus braços ao seu redor, e logo sinto Sophie e Lulu.
Ah, Deus. Eu fiquei com tanto medo. Tanto medo delas me odiarem por causa disso, por causa de tudo que eu escondi delas, mas elas não me odeiam. Abraço minhas irmãs. De forma forte e protetora, e mesmo com todo o desespero, todo o medo, eu percebo que todo medo era sobre perde-las, todo o desespera era sobre não ser boa o suficiente para elas. Mas elas me amam. Eu sou a irmã mais feliz do mundo.
Fico abraçada com as minhas irmãs por um bom tempo, Elliot ainda está do meu lado, com a mão no meu ombro, e eu agradeço por isso, é ótimo ter um apoio.
Tudo está em paz, que poderia durar para sempre, mas os gritos de Katherine e Mia provam ao contrário. Merda!
Fale com o autor