Amor Por Aluguel
26 ღ Irmãos ღ
Notas iniciais
Maria Grey
Viro-me assustada e me abaixo, mas foi só uma coruja. Coruja boba! Levanto-me e continuo caminhando. Eu sei que mamãe e papai irão me matar, isso é ruim, mas eu vou estar com Fifi ao menos, nada melhor do que morrer com sua melhor amiga? Continuo andando e os barulhos me assustam mais, mas eu preciso ser corajosa, como vovó dizia... eu queria que ela estivesse aqui comigo, e sei que nós acharíamos Fifi, juntas.
—Fifi! Onde você está? —Grito caminhando até o rio. Suspiro e tateio meu bolso, conferindo se o celular de mamãe está aqui.
Eu sei que ela também vai ficar brava por eu ter pego seu celular, mas... talvez eu não consigo voltar sozinha. Sinto meu coração disparar e começo a tremer quando ouço um latido. É Fifi! Eu sei que é.
—Fifi! —Grito e depois assovio, como papai ensinou. Continuo chamando e ela aparece do outro lado do rio, sorrio e ela começa a latir e pular. —Cachorra bobinha, eu sabia que ia achar você! Vamos, venha aqui!
Fifi apenas continua latino, pulando e latino, e eu acho que ela quer me mostrar algo. Mamãe vai me matar, porque eu estou usando meus sapatos novos e minhas meias brancas, e eu vou atravessar o rio assim. Essa é a parte mais rasa, a água chega apenas aos meus joelhos, mas ainda tenho medo.
Caminho insegura e quando estou chegando perto Fifi saindo correndo. Droga! Saio do rio rapidamente e escorrego caindo de joelho. Já era minhas meias. Levanto-me e corro atrás de Fifi chamando-a, mas ela ignora tudo o que digo e continua correndo. Ela pode ser pequena, mas que cachorra maluca e rápida.
Continuo correndo até vê-la parada, no meio de um círculo de árvores, e lindo, mas... Fifi não está sozinha. Caminho com cuidado e atravesso o círculo, algo muito bom faz meu coração disparar, e eu não sei por que, mas começo a chorar. Ajoelho-me e vejo que é um garotinho, ele é quase do tamanho de Lana, um pouco maior. Ele está tremendo, e ele tem os olhos do papai.
—Oi. —Sussurro acariciando seu rosto, ele fecha os olhos e sorri, mas não diz nada. —Qual o seu nome?
—Tuntum... —Ele sussurra e eu sinto algo muito forte.
—Tuntum? É seu nome?
—Arthur. —Tuntum diz e eu começo a chorar mais.
—Você está muito gelado. —Digo preocupada. —Você está com frio, não é?
—Sim. —Tuntum diz quase chorando e isso me deixa muito triste. Tiro meu casaco e o cubro, ele me olha e sorrio.
—Mas e você?
—Eu estou bem, Tuntum. —Digo sorrindo. Ele me olha, como Lana faz quando tem algum segredo, e então levanta o braço revelando um gatinho muito pequeno, é branco, mas está muito sujo.
—Eu achei ele, sozinho, eu também estava sozinho. —Tuntum diz começando a chorar.
—Ei, não chore assim. —Murmuro ajudando-o a sentar, então ajeito meu casaco nele. —Qual nome você vai dar para ele?
—Pop... —Tuntum sussurro e eu começo a chorar.
—Você não gostou?
—Eu adorei. —Sussurro recebendo Fifi e suas lambidas.
—Ela e sua?
—Sim, ela fugiu. Como você a encontrou?
—Ela me achou, ontem, e está cuidando de mim. —Tuntum diz sorrindo para Fifi, ele tem o sorriso parecido com o de papai.
Eu acho que não estou doida, vovó diz que crianças não são doidas. Papai disse que o nome do meu irmãozinho era Arthur, e ele parece com papai. Eu acho que achei meu irmãozinho.
—Por que você está sozinho? —Pergunto olhando para ele.
—Eu fugi.
—De quem?
—Da bruxa... ela não queria deixar eu ver o papai.
—Quem é seu papai? —Pergunto sorrindo e ele ri.
—Ele é o papai. —Arthur diz e acho que ele não sabe o nome do papai. —Ele é muito alto, tem os olhos iguais aos meus, e você também tem. E ele tem uma voz muito grossa. —Arthur fala tudo gesticulando com as mãos, e eu acabo rindo. —Não ri de mim. Qual o seu nome?
—Maria.
—Eu gosto de você, Maria.
—Eu também gosto de você, Tuntum. —Digo rindo. —Olha, eu acho que eu sei onde seu papai está?
—Sabe?
—Tuntum, meu papai é muito alto! —Digo imitando seu gesto de levantar as mãos. —Ele tem o olho igual o meu e o seu, e ele tem a voz muito grossa. Eu acho que o seu papai é o meu papai.
—Então... —Arthur para, bate o dedinho no queixo e me encaro. —Eu não sei.
—Ah, Tuntum. —Digo batendo a mão na testa e ele me imita rindo, levanto-me e a o ajudo a levantar. Pego minha mochila no chão e abro tirando uma barrinha de cereal. —Você deve comer, nós vamos andando até o papai.
—Espera. —Arthur diz abrindo a barrinha. —Mas o que significa?
—Nós somos irmãos. —Murmuro rindo. Pego Fifi do chão e coloco ela dentro da mochila, deixando a cabeça para fora. Ponho a mochila nas costas e pego pop de Arthur, colocando no bolso do caso. Tuntum ri, mas logo começa a andar.
Eu não lembro muito bem onde é...., mas eu sei que sei eu chegar ao rio, eu consigo voltar para casa, mas eu não posso me preocupar, como estou fazendo. Eu achei meu irmão e eu preciso leva-lo para casa, para o papai.
—Tuntum, que bruxa? —Pergunto enquanto andamos. Arthur suspira e apenas dá de ombros. —Não falar, não vai ajudar, sabia?
—Ela é a minha mãe, mas ela não gosta de mim. —Arthur diz chateado. Eu não quero deixá-lo mais triste, e não quero mais falar sobre a bruxa. —Ela... me batia e não me dava comida. Eu tinha muito medo dela.
—Por isso você fugiu?
—Sim, e ela não deixava eu ver o papai.
—Sabe... eu posso te emprestar minha mamãe, ela é a mulher mais legal e a mais bonita do mundo.
—Ela é bonita igual a você? —Tuntum pergunta e eu sinto minhas bochechas queimarem.
—Não, ela muito bonita.
—Então ela é muito bonita. —Arthur diz rindo.
—Sim, é. —Sussurro. —E eu acho que ela está brava comigo, porque eu fugi para achar a Fifi.
—Ela é má?
—A mamãe? Claro que não, mas eu fugi e isso não foi legal. Ela deve estar gritando com todo mundo nesse momento.
Arthur ri e balança a cabeça.
ღღღღ
Anastásia Steele
Passo a mão pelo cabelo, antes de fuzilar Christian que está me pedindo calma.
—Não! Vá se ferrar! —Grito. Viro-me e encaro Taylor e o seguranças. —Ela tem sete anos! Sete! Como ela conseguiu fugir de vocês? Como ela saiu sem vocês vissem. Uma cachorrinha eu entendo. Agora uma criança? Vocês se dizem seguranças, mas deixaram isso acontecer.
—Sra. Grey, nós sentimos muito. —Taylor murmuro envergonhado.
—Ana, por favor. —Christian diz.
—É a minha filha que está lá fora! Com a louca da Elena solta. —Grito e as lágrimas começam a cair.
—Ela também é a minha filha, Anastásia. —Christian murmura e eu percebo como estou sendo injusta. Ele segura minha mão e me puxa para seu colo. —Podem sair.
Taylor e os seguranças se retiram e eu fico aqui, abraçada a Christian. Ele está sentando no sofá e recusou sua cadeira, por mais que ele precise se apoiar para se manter em pé, já que alguns músculos das suas pernas ainda estão adormecidos.
—Nós vamos encontrá-la, baby, eu prometo. —Christian sussurra no meu ouvido. —Levante.
—O que você vai fazer? —Pergunto preocupada. Levanto-me e encaro Christian.
Ele se apoia no braço do sofá e começa a levantar, mas cambalear também. Apavoro-me todas as vezes que ele quase cai, mas ele consegue ficar em pé e meu coração simplesmente dispara. Ele dá um passo e cambaleia, e quando tento ajuda-lo ele me reprova com seu olhar. Então ele caminha, passo por passo, com toda dificuldade, mas enfrentando-a e logo chega até a mesa de centro. Ele me olha, sorrindo, com lágrimas e vem caminhando até a minha direção. Estendo os braços, completamente em prantos, então ele dá mais dois passos e segura meus braços.
—Eu estou andando, Ana. —Christian diz chorando.
—Eu estou vendo. —Digo rindo e chorando ao mesmo tempo.
—Sr. Grey. —Taylor diz entrando na sala, correndo. Ele nos olha e parece envergonhada.
—O que houve? —Christian pergunta encarando Taylor.
—Eu achei algo, vocês precisam ver.
—Tudo bem, Taylor, vamos ver.
Ajudo Christian a caminhar até a sala de segurança onde Taylor nos encaminha até a mesa. Christian se senta e eu fico em pé ao seu lado, então Taylor deixa um vídeo da câmera de segurança rodar. É um vídeo do portão dos fundos.
—Quem é esse? —Christian pergunta olhando na imagem.
Há um garoto, eu acho, é uma criança. Ela está dormindo encostada numa árvore, do outro lado do portão está Fifi, latindo eu acho. Taylor adianta a fita para dois dias depois, a criança não está mais lá, mas Fifi sim, pulando no portão, até que ela consegue abrir e sair correndo.
—Ela saiu sozinha? —Pergunto chocada.
—Sim, saiu. —Taylor murmura pausando o vídeo.
—Mas quem era essa criança? —Pergunto confusa.
—Meu filho. —Christian murmura encarando a imagem.
—O que? —Murmuro escondendo a boca com a mão.
—Sim, esse é seu filho. —Taylor diz encarando Christian. —A Sra. Lincoln estava perto daqui, há alguns quilômetros, mas eu acho que ela nem sabia que vocês estavam aqui, moravam aqui. Ela não se aproximou. Ela estava se escondendo em uma casa abandonada.
—Ela não está mais? —Pergunto. Taylor suspira e encara Christian, depois me encara.
—Os policias chegaram a essa casa hoje, ela foi morta, há três dias. O menino fugiu nesse mesmo dia. Nós estamos procurando ele e a Maria pelo bosque inteiro.
—Taylor, como ela morreu? —Christian pergunta preocupado.
—Ela teve a traqueia afetada, provavelmente levou uma boa pancada, depois enfiaram algodão no nariz dela. —Taylor murmura confuso. —Ela estava pendura, de cabeça para baixo. Ela perdeu todo o ar até morrer.
—Meu Deus! —Exclamo apavorada, ainda mais preocupada com a minha filha. —Quem faria isso?
—Nós não sabemos, senhora. E não sabemos se é mais seguro ficar aqui. Eu aconselho vocês saírem, ainda hoje.
—Eu não saio daqui sem a minha filha! —Digo brava.
—Nem eu. —Christian murmura me pegando de surpresa. —O Arthur também está lá. Se vocês não fizerem algo, nós vamos fazer.
—Ah, meu Deus! —Taylor exclama, apavorado. —Senhor Grey, até o senhor?
—São os nossos filhos. —Christian diz segurando minha mão. —Nós vamos mandar as crianças, para o Escala, você vai deixar os melhores homens com eles, depois, quando meus filhos estiverem aqui, nós saímos.
—Tudo bem.
Taylor balança a cabeça e sai da sala, falando algo em seu rádio. Olho para Christian e suspiro, pelo seu olhar, e sua insistência em ficar aqui, eu sei que as coisas estão ruins. Muito ruim.
ღღღღ
Caminho até a minivan e com toda dor do mundo coloco Teddy na cadeirinha. Eu não quero ficar longe dele, mas não vou deixá-lo aqui no meio do perigo. Eu só... só quero encontrar a Maria, e tudo vai ficar bem. Dou um beijo na testa de Teddy e me viro encarando as crianças.
—Vamos lá, tudo vai ficar bem. —Murmuro tentando convencer.
—Vamos. —Katherine murmura.
Sophie e Lulu correm na frente e me abraçam.
—Mamãe, encontra a Maria. —Lulu diz chorosa.
—Eu vou encontrar. —Sussurro.
As entram na van e vão para os bancos do fundo. Emma torce os lábios antes de vir me abraçar e ficar grudada por alguns segundos. Ela me olha, e sei que está preocupada. Dou um beijo em sua testa e ela entra, indo para perto de Teddy. Katherine suspira e me encara, ela se aproxima e me abraçar.
—Ana, eu não quero outra mudança. —Ela diz cansada. —Quando tudo ficar bem, nós vamos vir para cá, não é?
—Eu não sei. —Sussurro e ela suspira. Ela me solta e entra, então Elliot e Mia também entram.
Christian se aproxima, agora usando a muleta, Lana está ao seu lado, ela está chorando desde que acordou e não viu Maria. Pego minha menina no colo e tento acalmá-la um pouco antes de entrega-la a Elliot.
—Já foram todos. —Murmuro encarando Christian.
—Sim... —Ele sussurra e vai falar algo mais, mas Sophie grita calando-o.
—CG, não! —Ela grita antes de CG pular para fora da van e correr para dentro de casa.
Reviro os olhos e sem pensar corro atrás dele, ignorando os chamados de Christian. Entro em casa e caminho atrás do cachorro, que corre para as portas francesas da cozinha e atravessa, vou atrás e sinto meu coração parar com a cena que vejo. Caio de joelhos no chão e as lágrimas me tomam, mesmo um sorriso se formando. Ah, Maria!
ღღღღ
Maria Grey
Sorrio ao ouvir o barulho da água e ver que estamos perto do rio.
—Maria, eu estou cansado. —Arthur murmura.
—Pare de ser tão chato, nós estamos chegando. —Sussurro caminhando até o rio, mas Arthur para. —Vamos, o que foi?
—Eu tenho medo. —Ele diz inseguro.
—Não precisa ter medo, seu bobinho. Vem. —Digo estendendo minha mão. Ele sorri e segura minha mão.
Entro na água primeiro, e vou sempre parando para ter certeza que ele está bem, então atravessamos, e eu provo ao meu irmãozinho que não precisa ter medo. Eu só espero que Ted seja menos dramático que Arthur. Continuamos caminhando e eu começo a não lembrar o caminho, então eu acho que preciso ligar para alguém.
—Espera, Tuntum. —Murmuro encostando numa árvore.
—O que foi, Maria? —Tuntum pergunta.
—Nada. —Sussurro para não o preocupar. Coloco Fifi no chão e tiro agua e mais barrinha da bolsa, para dar a Arthur. —Come, está bem?
—Está bem. —Ele diz tomando água.
Afasto-me um pouco e tento ligar para papai, mas ele não atende, então tento para Taylor, que também não atende. Por que eles têm celular mesmo? Suspiro frustrada e guardo o celular, encaro Arthur e depois Fifi, que do nada dá um pulo e começa a latir. Isso não é bom.
Corro até Arthur e pego a garrafa de água da sua mão, guardando na mochila. Pego seu gatinho e ponho no bolso do seu casaco, ou meu casaco, eu não sei.
—O que foi? —Ele pergunta assustado.
—Tem algo vindo, enche a boca com isso logo. —Ordeno e ele obedece.
Uau, se eu falasse assim com Lana ela iria tentar me bater, ou gritar comigo.
Balanço a cabeça e ajudo Arthur a levantar. Pego a coleira de Fifi e prendo-a.
—Nós vamos ter que correr, e não fazer barulho. —Sussurro para Arthur. Olho para Fifi e ela me encara. —Você vai levar a gente para casa agora, certo?
Fifi late e começa a abanar o rabo, e eu acho que isso foi um sim, então ela começa a me puxar. Seguro a mão de Arthur e nós saímos dali rapidamente, em direção a minha... a nossa casa.
Andamos bastante, e eu me sinto muito feliz quando vejo o portão dos fundos. Olho para Arthur e sorrio amplamente.
—Nós chegamos, Tuntum, na nossa casa. —Sussurro apertando sua mão.
—Maria... eles vão gostar de mim? —Arthur pergunta fazendo beicinho.
—É claro que vão, seu bobo. —Digo rindo.
Puxo sua mão e nós vamos em direção ao portão, ele está aberto e há seguranças aqui.
—Maria. —Taylor suspira aliviado. —Onde você esteve.
—Ah, tio, Taylor, é uma longa história. —Digo olhando para Arthur. Taylor sorri e me encara.
—Sua mãe vai te matar.
Abro a boca para falar, mas paro quando Fifi sai correndo, viro-me e vejo CG vindo na direção dela, latino feito um louco, e atrás... está a mulher mais linda do mundo. Mamãe para e ajoelha, ela está chorando e sorrindo, não acho que ela vá me matar.
—Maria! —Mamãe grita.
—Mamãe. —Grito soltando a mão de Arthur. Corro para abraça-la e ela começa a me encher de beijos.
—Eu vou matar você! —Mamãe exclama rindo.
—Maria?
Solto mamãe e olho para a porta. É meu pai. Ele... ele está andando.
—Papai! —Grito chorando. Ele me olha e começa a chorar, então deixa sua muleta cair.
Papai se aproxima, de vagar, ele abaixa na minha frente e acaricia meu rosto, chorando muito. Abraço-o apertado e puxo mamãe também. Eu não quero que eles chorem, eu quero que eles vejam que eu estou bem, que eu estou aqui.
—Por que você fez isso, filha? —Papai pergunta segurando meu rosto.
—Papai, eu explico o que você quiser, mas antes... eu quero que você conheça alguém.
—Quem? —Papai pergunta confuso.
Afasto-me e olho para trás, para Tuntum. Estendo minha mão e ele fica me olhando, depois de alguns segundos começa a se aproximar e segura a minha mão, quando olho para meus pais, eles estão chorando ainda mais.
—Papai... eu encontrei meu irmãozinho. —Sussurro olhando para Tuntum que sorri, igualzinho a papai.
Arthur e Mini Pop

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