Amor Por Aluguel
24 ღ Eu Sempre Cuidarei de Você ღ
Notas iniciais
Christian Grey
Alguns Capítulos Atrás...
Anastásia partirá amanhã, e eu não posso lidar com isso. Não consigo nem pensar na ideia de acordar e não a ter aqui, comigo, dormindo tranquilamente ao meu lado, com Maria e Lana. Não consigo lidar com o fato de saber que eu vou acordar mais cedo, e que eu não vou poder ver ela ainda dormindo, que não vou mais beijá-la ou apreciar seu corpo, esperando que ela não acorde.
Eu não vou mais ter Maria na minha cama, dormindo tranquilamente, não vou ouvi-la cantar escondida, nem mesmo gargalhar. Não haverá Lana... Katherine, Emma, Sophie... ou Lulu. Eu vou perder todas elas, por ser um grande idiota. Mas... e se eu mudar tudo? Eu posso fazer isso. Eu posso pedir para ela ficar. Eu não quero que ela se vá, muito menos as meninas, e ainda há o bebê. Eu quero estar com ele, em todos os momentos.
É isso! Eu vou impedi-la de ir. Eu... eu vou pedir que ela fique, dizer que eu... que eu... que eu a amo! E se ela for, eu não vou ser nada além de um pedaço de lixo desprezível.
Levanto-me rapidamente, decidido a mudar tudo, mas paro quando meu celular começa a tocar. Cogito a ideia de ignorá-lo e correr para ela, mas não o faço, eu atendo.
—Christian, querido. —A voz de Elena do outro lado me faz sentir repulsa.
Há muito tempo nós não nos falamos. Ela insiste em continuar com a amizade, mas desde que Mia descobriu que nós tínhamos algo e que... que eu a engravidei, eu não conseguir seguir com isso. Eu ainda posso me lembrar dos gritos de Mia, de como ela se sentiu traída, e de certa forma, mesmo estando tão distante dela, aquilo acabou comigo. E tudo só piorou quando Elena me contou que havia abortada a criança, num estágio bem avançado da gravidez. Ela fez questão de detalhar tudo. Me dizer que ela ficou observando o bebê, ainda vivo, lutando para viver. Eu não consigo imaginar alguém isso. Isso me fez odiá-la. Eu também não tem a menor ideia por que ela esteve aqui.
—Você está aí? —Ela diz e eu volto a realidade.
—O que diabos você quer? E como conseguiu meu número?
—Querido, eu sempre consigo o que quero.
—Não me encha com suas enrolações. O que diabos você quer?
—Você. —Elena diz soltando uma gargalhada.
—Vá para o inferno! —Grito prestes a desligar.
—Espera. Espera. —Elena sussurra sorrindo. —Eu fiquei sabendo que sua noiva está... indo embora, é verdade? Ela vai te deixar?
—A Anastásia nunca irá me deixar, Elena, eu nunca deixaria isso acontecer.
—Se eu fosse você... eu a deixaria ir.
—Do que você está falando?
—Eu estou falando, que se você não deixar ela ir, eu vou matar... seu querido filho. —Elena diz com a voz tranquilamente ameaçadora.
—Filho? Você ficou maluca? Eu não tenho filhos. —Digo sem paciência.
—É mesmo?
Paro por alguns segundos, confuso, até que uma luz me clareia, mas ela não seria capaz... ela não poderia fazer isso! Não!
—Taylor! —Grito colocando o celular de lado.
—Sr. Grey. —Taylor diz ofegante e acho que correu até aqui. —O que houve?
—Eu quero que você veja os registros hospitalares da Sra. Lincoln, Taylor! Eu quero saber se ela realmente perdeu o bebê!
—Imediatamente, senhor. —Taylor diz correndo para fora do quarto.
—Eu vou te matar! —Grito com Elena e ela ri. —Se meu filho estiver vivo, eu vou acabar com você!
—Você vai ter que me encontrar. —Elena diz rindo. —E, se você for bonzinho, deixando aquela vadia ir, eu posso até deixar você conhecer seu filho.
—Sr. Grey. —Taylor diz voltando ao quarto e eu afasto o telefone. Encaro-o e pelo seu olhar sei que tem algo errado. —A Sra. Lincoln, ela deu entrada ao hospital, no dia 14 de julho, em 2014, em trabalho de parto. Ela teve um filho saudável, e foi para casa com ele, apenas três dias depois... ela mentiu senhor.
Encaro Taylor, completamente frustrado. Percorro minhas mãos pelos cabelos, sem saber o que fazer. Eu tenho um filho? E ele não morreu. Eu não entendo por que você brinca comigo assim, Deus. Eu sou alguém ruim? Alguém que não merece estar perto dos filhos? Eu não entendo... não entendo. Por quê?
—Ouviu só, Christian? —Elena diz ao telefone.
—O que você quer que eu faça? —Pergunto e eu posso sentir que ela sorri.
Eu, eu já perdi pessoas demais. Eu amo Anastásia, e todas aquelas meninas, e eu vou ficar com elas, mas eu preciso salvar meu filho primeiro. Eu não posso deixar que mais alguém morra por mim causa.
—Você vai deixá-la ir, não vai lutar. —Elena murmura. —E eu vou saber se você for atrás dela. Entendeu?
—Sim. —Digo com o ódio me consumindo.
—E eu quero algumas coisinhas.
—Dinheiro?
—Sim.
—Quanto?
—O suficiente para eu sair do país. Depois o melequento é seu, e você pode ir atrás da sua garotinha. —Elena diz com desdém.
—Está bem, mas eu quero provas, de que é ele, caso contrário, você pode morrer, eu não vou me importar.
—Tudo bem. —Elena diz rindo. —O que você quer?
—Uma foto, ele segurando um jornal, com a data. Quero algo que posso me dar o DNA dele. Eu não confio em você.
—Está bem, Christian. Você terá. Eu te ligo em breve.
Elena desliga e eu solto o celular na cama. Ando de um lado para o outro, correndo as mãos pelos cabelos. Taylor me olha, e sei pelo seu olhar, que ele está se culpando, mas não é culpa dele. Ele sempre foi um ótimo funcionário.
—Sr. Grey, eu vou encontra-lo. —Taylor diz com convicção. —Eu vou trazê-lo para o senhor.
—Eu sei que vai, Taylor. —Murmuro balançando a cabeça.
Ele me olha, com pesar, então deixa o quarto. Sento-me na cama, atordoado, sem saber o que fazer, apenas pensando no meu filho. Ele está com três anos agora. Três anos. Mais uma vez eu perdi a vida de um filho, por ser tão estúpido! Mas se eu soubesse, senhor! Eu juro, eu juro que teria estado ao lado dele, cada segundo de cada dia da minha vida. Eu não iria repetir com ele o que fiz com Rose e Mariana. Eu falhei com elas, por ter deixado com que elas morressem, por não ter estado presente na vida delas. Eu deveria ter lutado por elas. Deveria! Eu sei que deveria!
Eu preciso sair... pensar um pouco. Levanto-me e pego minha jaqueta e meu celular. Jogo a chave do carro no bolso e saio do quarto. Passo pelo quarto de Anastásia e posso ouvi-la conversando, talvez com Lana, ou Maria, eu não sei. Eu vou deixá-la. Por mais que não seja certo, eu preciso que ela vá.
Deixo-a e sigo para a saída, mas me deparo com Katherine, sentada no sofá, Elliot também está aqui, segurando firmemente a mão dela. Encaro-os, mas eu não posso, não posso fazer com que ela fique. Eu sei que Elliot adora essa menina, e ela também gosta dele, mas eu não posso fazer com que ela fique.
—Eu sinto muito. —Murmuro indo para o elevador. Soco a parede do mesmo, diversas vezes até chegar ao estacionamento. Meus dedos sangram, mas eu pouco me importo. Entro no meu carro e saio por aí, sem rumo.
Fico dirigindo por horas, sem saber aonde ir, mas acabo parando na minha empresa. Há alguns funcionários que trabalham a noite, eles estão andando por aí e me cumprimentam, dou apenas boa noite e sigo para o elevador, logo para a minha sala. O andar está vazio, e confesso que me sinto mais à vontade com essa situação.
Entro na minha sala e sorrio ao ver meus quadros pendurados na parede. Um dos quadros é o desenho que Maria fez quando esteve aqui, outro é uma caixa, uma caixa de vidro com a boneca que Katherine me deu, e os outros, são fotos, em ordem de todas as crianças. Caminho até a minha mesa e me sento olhando para a minha foto com Anastásia, no dia do nosso casamento.
Nós nos casamos na praia, eu apenas me lembro das crianças se enchendo de areia, e depois de ver Anastásia brincando com elas, molhando todo seu vestido, mas ela nunca se importou, não é mesmo? Ela é a pessoa mais doce do mundo, pouco importa roupas, ela só quer fazer as pessoas felizes.
Como eu queria contar tudo a ela, para ela ficar, mas eu não posso fazer isso, não posso. Eu tenho um filho, e não sei do que Elena é capaz. Eu também não posso colocar Ana e as crianças em risco, nem mesmo o bebê que ela está esperando.
ღღღღ
Acordo meio confuso, sem saber onde estou, mas lembro-me de chegar na empresa. Assusto-me ao ver o relógio e saber que perdi a hora. Não, Anastásia. Ela já deve estar indo ao aeroporto. Levanto-me correndo e pego minha jaqueta, saio da minha sala e ouço o gritinho de susto de Andrea dá ao me ver.
—Sr. Grey, eu não sabia que já tinha chegado.
—Tudo bem, Andrea, eu não vou ficar. Mande Ross resolver as coisas, ligue-me se precisar.
Corro para o elevador e logo estou na garagem, quando estou entrando no carro posso ouvir os jornalistas lá fora. Minha separação já foi anunciada, e acho que todos querem saber o porquê, mas isso não é da conta deles. Acelero o carro e corro para fora da empresa, em direção a aeroporto.
Chego em minutos, estaciono o carro e desço correndo. Os jornalistas vêm para cima e tenho que empurrar alguns deles para conseguir entrar no local, corro escada acima e logo avisto eles. Anastásia está parada, perdida em pensamentos enquanto olha algum ponto fixo, e as crianças está se abraçando, todas chorando. Aproximo-me com cuidado, o coração completamente destruído.
—Anastásia... —Sussurro e isso faz acordá-la. Ela me olha e tudo que eu queria nesse momento é abraça-la e implorar para que ela fique, dizer que preciso dela, mas o silêncio fala mais alto. Suspiro e a encaro. —Você sabe que...
—Que? —Ela sussurra enxugando as lágrimas.
Que eu te amo, e não quero que você vá, mas eu sou muito idiota, e estou estragando tudo, e agora você está me deixando.
Respiro fundo e a encaro, com vergonha de mim mesmo.
—Eu depositarei o dinheiro... na sua conta. Como combinado. —Murmuro e sei que ouvir isso a feriu, mas me feriu ainda mais.
—Eu não quero seu dinheiro. —Ela murmura me pegando de surpresa. —Eu estava com você, porque eu te amava, Christian!
Dou um passo para trás, completamente confuso e atordoado. Ela me ama? Essa garota linda que me fez sorrir por tanto tempo, mesmo eu sendo um monstro, me ama? E eu estou deixando-a ir? Por que, Deus? Por que eu sempre tenho que estragar tudo? Eu não quero que ela vá. Não quero. Eu quero dizer que a amo também, que amo elas, suas filhas, todas as crianças.
Olho para as crianças e suspiro, com o peito apertado, corro a mão pelos cabelos e a encaro novamente.
—Eu sinto muito. —Sussurro tentando conter as malditas lágrimas.
—Eu também sinto. Eu acreditei que poderia mudar as coisas. —Anastásia diz.
—Mas você mudou. —Sussurro com sinceridade.
—Eu acho que não. —Ela diz chorando, e vê-la chorar me mata por dentro. —Crianças, nós temos que ir.
Anastásia encara as crianças e eu acabo fazendo mesmo, o que me faz sentir-me como um lixo. Elas estão esperando que eu faça algo, mas eu não faço, eu fico parando, pensando nelas, pensando no meu filho, em Anastásia. Eu... eu não posso deixá-lo, ele precisa de mim.
Katherine suspira e abraça Elliot e Mia, ela fica abraçada com eles e então me pega de surpresa quando corro e vem me abraçar.
—Eu amo você, Christian. —Katherine sussurra baixinho.
—Eu a você, querida. —Sussurro, seguro seu medalhão e ela sorri. —Eu vou estar com você, sempre.
Kate balança a cabeça e se afasta, dando lugar a Emma, logo uma por uma começa a me abraçar, e eu sinto que todo o ar, toda a vontade de viver está indo embora em cada abraço. Essa é a pior despedida que eu poderia ter feito, é a mesma dor que senti quando perdi meus pais... Rose, Mariana...
As crianças vão abraçar os seguranças, e nesse momento Anastásia me entrega Lana. Olho para a minha bonequinha e ela sorri, coloco-a contra meu peito, embalando-a em um abraço apertado, então novamente meu filho me vem à cabeça... eu preciso salvá-lo.
Anastásia se aproxima e pega Lana, ela me olha por alguns segundos e desvia o olhar rapidamente para Maria... minha Maria. Ela abraça Elliot e Mia, depois Taylor, Sawyer, então ela passa por mim, seu olhar de traição, de dor, acaba comigo, e eu sei que ela não vai me abraçar, e sei como isso seria difícil. Ela... ela é como minha filha, eu não entendo ainda o que sinto por ela, mas ela é a garota mais especial do mundo, exatamente como a mãe.
Anastásia me olha, pela última vez, balanço a cabeça para ela e me viro, encarando Elliot e Mia. Nós começamos a andar, junto com os seguranças, mas o que ouço, faz todo o mundo parar.
—Christian não!
Viro-me sabendo que me chamou, ela me olha, me olha apavorada, e sei que ela está com medo que eu vá, mas eu também estou com medo, muito medo, por que eu não sei como vai ser o mundo sem ela. Abaixo-me, com o coração em pedaços, então ela corre e me abraça, evolvendo os braços no meu pescoço, soltando soluços e lágrimas que me matam mais.
—Não, vai, por favor, não me deixa. Eu falo, eu falo o que você quiser, é só você me pedir que eu falo, só não vá embora, eu preciso de você. —Maria diz chorosa, a voz com a sua dor evidente. Isso me mata, me mata porque eu não quero ir, não quero deixá-la. Nunca.
—Eu sinto muito. —Sussurro abraçando-a, solta-a aos poucos e novamente ela me olha completamente magoada e traída. —É melhor para você...
—Mas eu preciso de você. —Maria diz chorando entre soluços.
Ela precisa de mim, minha menininha precisa de mim.
Encaro-a completamente destruído.
—Nós ainda vamos nos ver, eu prometo, Maria. —Murmuro convicto.
Dou um beijo em sua testa e olho para Anastásia, a dor fica maior, levanto-me e viro-me, completamente destruído, então vou embora, sem lutar, deixando-os para trás.
ღღღღ
Sete Meses Depois...
Ando de um lado para o outro, socando as paredes do meu quarto várias vezes. Faz mais de duas horas que Elliot e eu brigamos, e ele jogou na minha cara que Ana... que Ana é a minha Rose. Não, isso não é verdade. Não pode ser, não pode! Anastásia não me esconderia isso, ela não pode, mas elas são... tão parecidas!
Como eu não pensei nisso antes? O que eu sinto por ela... a sensação de estar ao lado dela, de Maria... Mariana! Como eu fui idiota! Como eu não percebi isso? Como eu pude deixar tudo escapar assim?
Caminho até meu escritório e vou ao cofre, abro-o e pego a pasta com as informações de Anastásia e as meninas, sento-me na mesa e paro, feito um idiota ao ver seu nome... Anastásia Rose Steele. Não! Eu fui um grande idiota! Ela, ela não morreu! Não morreu! Por que ela fez isso comigo? Por quê?
Maria... minha Mariana! Não pode ser. Não pode! Levanto-me! O rosto repleto de lágrimas, então soco a mesa, deixando tudo cair, toda a dor, tudo o que tenho guardo. Todos esses anos. Anastásia não morreu, e ela é a minha Rose. Minha garota que eu tanto amo.
Pego meu celular. Eu vou ligar para ela. Eu vou dizer que a amo! Eu não posso mais viver longe dela! Longe da minha filha. Eu preciso delas, preciso que ela saiba que eu... que eu a quero de volta. Meu celular começa a tocar, e eu sinto meu peito se apertar ao ver que é Elena.
Ela não mentiu... meu filho, meu pequeno garotinho está vivo. Ela tem mantido ele fora do pais. Seu nome é Arthur, e... ele é a cara da Mariana... Maria... minha filha.
Esfrego meu rosto e decido atender.
—Olá, Christian! —Elena diz gargalhando e posso ouvir um choro de fundo.
—Meu filho... —Sussurro com o coração apertado.
—Acertou. —Ela diz gargalhando. —Venha aqui, Arthur, venha falar com o papai.
—Papai... papai...
Sua voz faz meu coração explodir de amor, mesmo em meio ao mar de escuridão. Meu filho, meu garotinho. Isso me faz pensar em Anastásia, nosso bebê. Eu me senti a pior pessoa do mundo quando fui procura-la e descobri que ela havia perdido nosso, nosso pequeno bebê.
—Papai... você vai vir me buscar? —Arthur diz do outro lado.
É a primeira vez que ouço a sua voz...
—Eu vou meu filho. —Digo chorando. —O papai vai encontrar você, eu prometo.
—Chega de melação. —Elena diz e posso ouvir o choro novamente.
—Você disse que eram só alguns meses, você disse que ia me entregá-lo.
—E eu vou. Eu cumpro o que falo, ok? Você acha que eu quero esse menino me atrapalhando? É claro que não!
—E quando você vai cumprir isso?
—Querido, você precisa ter calma, a polícia está atrás de mim, eu vou sair do país, em um mês, e você pode precisar dele, mas antes, você sabe o que fazer.
—Quanto você precisa?
—Dois milhões. Então ele será seu.
—Está bem, Elena! Eu vou te dar o dinheiro, não se preocupe!
ღღღღ
Eu não entendo, não entendo como o universo sempre conspira para me manter longe dos meus filhos, e sempre achar que eles estão mortos. Hoje, quando eu reencontrei Anastásia, ela estava tão linda, e na hora que eu a olhei, eu apenas tive certeza que ela... que ela era a minha Rose, a minha querida Rose. Eu quis gritar e abraça-la, dizer que sabia de tudo, que eu não tenho raiva. Eu nunca poderia ter raiva dela.
Rever ela, as crianças e.... conhecer meu filho, me trouxeram de volta a vida, mas enquanto eu abraçava Theodore, meu pequeno homenzinho com a cara de Anastásia, eu sabia que não estaria completo sem Arthur, e por mais que eu quisesse dizer para Anastásia, Maria, e todos os outros que tudo ia ficar bem, que nós podemos ser uma família, eu recebi uma ligação, que fez tudo mudar, era Elena, aos fundos eu conseguia ouvir os gritos de Arthur, me chamando, pedindo que eu fosse socorrê-lo. Elena deixou bem claro que sabia onde eu estava, e eu não pude ficar...
Sair correndo foi insensato, eu sei, mas era a vida de Arthur, e então... o acidente!
ღღღღ
Dias Atuais...
Eu me sinto um completo inútil em relação a tudo que tem acontecido. Tudo tem estado tão confuso. Taylor e a polícia estavam quase pegando Elena, faltou tão pouco, mas ela acabou descobrindo tudo, e então fugiu com Arthur, e sabe lá onde ela está com ele agora. Todos estão procurando. Eu deveria estar também, mas estou aqui, feito um idiota.
Todos estão com raiva de mim, achando que eu rejeitei Maria, mas Deus sabe como eu amo essa garota, ela é minha filha. Eu simplesmente não sei por que agi daquela forma, mas quando eu a vi, quando eu a olhei, eu só pensava em Arthur, e como eu ele precisava de mim. Ela está magoada comigo, Anastásia está, todos estão. E eu não sei o que fazer.
—Sr. Grey, você sente isso? —A fisioterapeuta pergunta apertando meu joelho.
—Sim. —Murmuro impaciente.
—Certo, Sr. Grey, eu não acho que você vai precisar ficar passando por tanta coisa. —Ela murmura me olhando. —Você sente os toques, e consegue mexer os dedos dos pés, o que é confuso, já que você não consegue andar. Então, eu acho que pode ser temporário, talvez seus músculos, das pernas, tenham apenas adormecido com a batida.
—O que isso significa?
—Que ou eles vão voltar em dias, semanas... ou você precisa de uma razão para levantar. —Ela diz e por algum motivo eu olho para a porta, vendo Maria parada. Ela ainda está magoada, seu olhar não nega. —Olá, lindinha.
Maria olha para a fisioterapeuta e sorri educadamente.
—Ela é sua filha? Vocês são parecidos. —Pergunta a fisioterapeuta, e eu vejo Maria me olhar com expectativa.
—Sim, ela é minha filha. —Murmuro com orgulho.
Minha filha, minha Maria. Minha pequena garotinha.
—Você quer ajudar o papai, lindinha? —Maria me olha, e tenho certeza que ela vai me dizer não, mas ela balança a cabeça e entra no quarto. Ela se aproxima e para ao lado da cama. —Nós vamos levantá-lo, você consegue?
—Ele pesa como um elefante. —Maria diz fazendo a mulher rir.
—Que engraçado. —Murmuro me sentando.
—Acho que puxei o seu péssimo senso se humor. —Maria diz, e posso notar o quanto ela está brava.
—Você fala como sua mãe.
—Ainda bem, já imaginou se eu falasse como você?
—Está tudo bem entre vocês? —A fisioterapeuta pergunta rindo, enquanto ajeita minhas pernas. Ela puxa as barras e coloca em frente a cama, para eu me apoiar.
—Sim, é só que esse homem, é um grande cabeça dura! —Maria diz revirando os olhos.
—Tudo bem. —Ela diz rindo. —Vamos lá, Sr. Grey, se levante.
Reviro os olhos e me apoio nas barras, completamente frustrado por não conseguir me equilibrar sozinho, mas fico em pé com apoio.
—Vamos lá, tente mover as pernas. —Pede a fisioterapeuta.
—Tudo bem. —Digo revirando os olhos.
ღღღღ
Anastásia Steele
Entro na sala e avisto Katherine e Elliot conversando.
—Ei, vocês viram a Maria? Eu não encontro ela.
—Não. —Katherine murmura.
—Certo, me avisem se encontrá-la. —Murmuro ao ouvir Teddy chorando.
Caminho em direção ao quarto e vejo a porta de Christian aberta, mas não chego perto, apenas entro no meu quarto e pego Teddy que para de chorar rapidamente. Saio do meu quarto e fico surpresa ao ouvir Maria, do... quarto de Christian. Caminho até lá e encosto na porta comprovando que ela está lá. Eu realmente estou surpresa, porque eu pensei que Maria estava brava com ele, e que ele não a queria por perto, mas eu acho muito difícil Christian conseguir manter Maria longe.
Christian está em pé, segurando nas barras. A fisioterapeuta está ao seu lado e Maria está na outra ponta da barra, chamando Christian como se ele fosse um cachorrinho, e eu tento conter o riso com isso.
—Você era um amorzinho quando não falava. —Christian murmura conseguindo dar um passo, o que faz meu coração disparar.
—E você um amorzinho quando andava! —Maria diz revirando os olhos. —Mas agora é chato, rabugento, dramático... quer mais?
—Está bem assim! —Christian diz dando outro passo.
—Você está indo muito bem, sua filha é uma ótima motivação. —A fisioterapeuta diz sorrindo para Maria.
—Ah, não diga isso, ele não sabe que sou filha dele. —Maria diz provocando.
—Maria, quando eu chegar aí, eu vou te matar! —Christian murmura ficando bravo.
—Se você chegar aqui! —Maria diz cruzando os braços.
Tenho que sair de perto para poder rir. Já faz alguns dias que Christian está aqui, normalmente ele fica em seu quarto, sai apenas para as refeições, e recebe apenas a fisioterapeuta. As crianças não costumam ficar por perto, já que ainda estão achando estranho ele estar por aqui novamente, e eu... bem, eu não falo com ele, nós não trocamos uma palavra desde a última briga. Ele não disse mais sobre querer ir embora, na verdade ele não disse nada.
Eu sei que ele está com raiva de mim, só não entendo o porquê, porque na verdade eu sinto que tem algo a mais, mas ainda não sei o que é. Enfim, é de Christian que estamos falando, tudo em relação a ele de um ‘algo a mais’.
—Sra. Grey? Atrapalho?
—Não. —Murmuro sorrindo para a fisioterapeuta. —Como foi?
—Ótimo. Eu não acho que o Sr. Grey vá precisar da cadeira por muito tempo, se ele continuar com esse progresso, logo podermos passar para uma bengala apenas, para ele se acostumar.
—É mesmo? Isso é ótimo.
—Sim, e a sua filha, ela foi um ótimo incentivo. —Ela diz rindo, nesse momento posso ouvir uma gargalhada de Maria. —Eu preciso ir, te vejo amanhã, senhora Grey.
—Está bem. —Sussurro.
Ele vai embora e eu decido voltar ao quarto, mas não entro apenas fico observando, sem ser notada. Christian está sentado na pontinha da cama, com os pés no chão. Maria está no seu colo, sendo torturada com cócegas. Eu realmente fico feliz. Ela... precisa dele, e eu sei que ele precisa dela, tudo bem se ele me odiar, eu só quero ver ele feliz.
—Maria, não. —Christian diz quando Maria corre, e na tentativa de segurá-la e ela acaba caindo. Maria grita e eu penso em entrar, mas não me movo.
—Papai... —Maria diz fazendo beicinho, quase chorando.
—Eu estou bem. —Christian diz se ajeitando no chão, ele se encosta na cama e encara Maria, sorrindo. —Eu... amo quando você me chama de papai.
—Mas você é meu pai. —Maria murmura, ainda se mantendo distante.
—Maria... você me odeia?
Maria encara Christian, um pouco confusa. Eu acho impossível ela dizer que sim, não acho que ela conheça o ódio, é um sentimento horrível, e acho que Maria seria incapaz de sentir, principalmente por ele.
—Eu não te odeio. —Ela diz se aproximando, então senta em sua frente. —Eu apenas... fiquei magoada por você me rejeitar.
—Eu não quis fazer aquilo.
—Não? —Maria pergunta confusa.
—Não... eu amo você, querida, e amo sua mãe.
Sinto meu coração disparar e as lágrimas tomarem meus olhos, então dou um passo para trás, atordoada, encosto-me na parede e abraço Teddy, que já está dormindo... ele... Christian, ele me ama?
—Você ama a mamãe? —Maria pergunta.
—Sim, eu só estou confuso com tudo. Eu não quero que vocês me odeiam, mas há tantas coisas.
—Coisas ruins?
—Algumas, sim, outras não. É complicado.
—Então você, não me rejeita, papai?
—Não, querida, nunca, você... você e a sua mãe, são as melhores coisas que já me aconteceram.
O silêncio se estende por um tempo, e eu ainda não consigo me mover, fico parada sem saber o que fazer. Ele acabou de dizer que me ama. Christian... me ama. Ele não está com raiva, então? É tão... confuso.
—Você também foi a melhor coisa que já aconteceu, papai. —Ouço Maria dizer. —Eu amo você, também.
Nesse momento eu me afasto, completamente atordoada, entro no meu quarto e ponho Theodore no berço, caminho até a minha cama e me sento deixando as lágrimas caírem livremente pelo meu rosto. Eu não entendo, se ele me ama, por que ele está agindo assim?
—Anastásia? —Viro-me confusa ao ouvir a voz de Christian, ele está parado, em sua cadeira na porta do meu quarto. Enxugo as lágrimas rapidamente e o encaro. —Nós podemos conversar?
—Claro... —Sussurro temendo essa conversa.
Fale com o autor