Amor Por Aluguel

21 ღ Aviso Para Caminhar ღ


Notas iniciais
Meninaaaaaaaaaas, olá, MDS, eu estava morrendo de saudade, desculpem por não postar, mas eu estive gripada, e eu ainda estou, é meio complicado escrever assim, porque me sinto indisposta, mas eu tirei um tempo hoje e consegui, eu espero muito que vocês gostem desse capítulo, acho que ele vai esclarecer algumas coisas... enfim, perdoem meu atraso, espero que gostem. Um milhão de beijos. Capítulo dedicado a Juliana Monteiro e Hellen Lima, obg por favoritarem ♥ ♥ ♥ Boa noite e boa leitura ♥ ♥

Anteriormente...

Eu tinha esquecido. Eu realmente tinha me esquecido. Aconteceram tantas coisas que isso simplesmente fugiu da minha mente. Pego a carta e me lembro do havia na outra, acho que esse é o momento certo de abrir, então. Caminho até o closet e me sento, ainda enrolada na toalha, abro a carta e só nas primeiras linhas começo a chorar.

Ah, vovó...

Atualmente...

Cara, Anastásia, sei que a vida deveria vir com um manual, não é mesmo? Deveria haver pequenos avisos nas paredes dos caminhos que percorremos, avisos como ‘tome cuidado’, ‘olhe essa pedra’, ‘não, você não deve subir essa escada’, ah meu Deus! Não ponha a mão na fogueira’. A vida deveria ser a coisa mais fácil, porque nós temos apenas que viver, não é? Mas viver não há regras, não há condições, não há mamãe e papai todo o tempo, e nem bolos deliciosos feitos pelas avós.

Deveria ter avisos de quando parar, quando seguir, como quando estamos seguindo com um carro, mas a vida não é como um carro, não há avisos nas paredes, e nem sempre seguimos por onde queremos, ou estamos onde pensamos estar. Eu pedi que você abrisse essa carta hoje, nesse dia que você julga o mais difícil, porque conheço a garota forte que você é, e tem se tornado a cada dia mais. Você foi jogada para a vida, e não houve alguém que te preparasse para isso, então eu vi você, aquela garotinha pequena, se preparar sozinha, lutar pelo que ama sozinha, eu vi você cair, cair da pior forma. Vi você no chão por anos, então eu vi você levantar, e você levantou, forte, decidida e seguiu em frente, mas há algumas que preciso te falar, sobre a vida, sobre a família, sobre casar... sobre ser mãe... sobre o que nunca conversamos.

Um dia você vai ser ver uma menina, brincando de bonecas com a irmã, ou correndo pela casa com um cachorrinho enquanto sua mãe estará ali para beijar todos os seus pequenos machucados e ralados no joelho. Outro dia, você se verá uma bela moça, indecisa entre seguir as regras do colégio, ou lutar pelo que você acredita, nesse mesmo dia, você talvez encontre seu primeiro amor, e, isso te dará dores de cabeça, acredite, o primeiro amor é único, e pode se tornar seu único e verdadeiro amor.

Então... haverá um dia que você está sozinha, sozinha numa casa, com um homem que te ama, mas que as vezes não sabe lidar com você, e vocês brigaram por isso, mas logo se entenderam, acredite, há certas brigas com quem amamos. Você vai se ver mãe, vai ser dona de casa, tendo responsabilidades que nunca imaginou ter. Você vai perceber que os machucados não vão mais estar nos joelhos e nas mãos, mas sim dentro de você, vai perceber que eles vão demorar mais para se curarem, e que você vai preferir chorar sozinha dentro de um banheiro, ou num closet, do que ao lado do homem que você ama, mas não por fraqueza, e sim por vergonha.

Nesse momento você vai lembrar da menina que foi, vai lembrar da mamãe e do papai, ou da vovó que cuidou de você, tio ou tia, não importa, mas você vai querer fugir, fugir correndo para os braços deles, pensar em desistir de tudo, porque o mundo vai estar horrível, assustando você, e você não tem um manual, ou um livro de receitas para seguir. Mas, querida, não fuja. Não fuja porque você é forte, porque seu chefe pode ser chato, mas você vai sim alcançar o seu cargo dos sonhos. Não resolva voltar correndo para casa, só porque sua nota na faculdade saiu baixa, uma nota não define a pessoa maravilhosa que você é, muito menos os seus valores. Não fuja porque as crianças não param de chorar, e você não sabe o que fazer, ser mãe é isso, improvisar, você não nasce mãe, você aprende a ser.

Quando tudo, tudo mesmo estiver difícil, lembre daquela garotinha que você foi, aquela que sempre sonhou com o amor verdadeiro, que sempre quis ser grande na profissão, que sempre sonhou em mudar o mundo, em ajudar todos a sua volta. A vida não é difícil, querida, a vida é bela, é linda, e nós temos a oportunidade de viver. Chorar, sorrir, sentir dor, alegria, isso faz parte, e é isso que te prepara. Eu levei anos para entender isso. Eu chorei, eu sofri, eu me feri, eu fui por caminhos errados, mas de uma vez, acredite ou não, foram muitas vezes. Eu quis desistir, eu quis sair correndo para os braços da minha mãe e apenas chorar, pedindo para ela não me soltar nunca, mas... todos os caminhos que eu percorri me ensinaram a ser quem sou, todos os caminhos que eu percorri, me levaram até você, a garota mais doce que eu já conheci, então não desista, não desista porque não vale a pena, você é forte, você é bonita, decidida, você vai sim conseguir passar por tudo isso, é apenas mais uma fase, e não importa o que aconteça, não se esqueça, você sempre irá mudar o dia de alguém, e sempre haverá alguém para mudar o seu dia.

Com amor, vovó!

Encosto minha cabeça no guarda-roupa, sorrindo com o rosto repleto de lágrimas, mas não são lágrimas de dor, porque a vida é dolorida sim, e tudo o que está acontecendo, principalmente com Christian, está acabando comigo, mas eu estou chorando porque isso aqui, nessa carta, era tudo o que eu precisava ouvir, e vovó tinha razão, como sempre, há sempre uma pessoa para mudar o nosso dia, e foi ela quem mudou o meu dia hoje. Ela me trouxe forças novamente. E por mais fraca que eu esteja, eu não vou desistir, porque eu já desisti de Christian uma vez, e ele pode me odiar, mas eu não vou cometer esse erro de novo, nunca mais.

Levanto-me, decidida a mudar as coisas, me visto e saio do quarto, quando eu entro na sala, confesso que fico surpresa ao ver todas as crianças acordadas, brincando, eles estão de pijamas, Lana que havia dormido há pouco tempo, está elétrica enquanto fala coisas que faz com que todos riam, até Teddy está entre eles. Eles me olham, rindo e encolhendo os ombros. São eles, eles são a minha motivação, as pessoas que mudam os meus dias, meus amores. Recosto-me sobre o batente da porta e sorrio por alguns segundos, antes de me juntar a toda essa bagunça.

ღღღღ

Flashback On: Anastásia Steele, 9 anos, Texas

Encaro o bolo colorido, a vela acesa, a pequena chama dançando. As pessoas gritando animadamente enquanto cantam, palmas escandalosas. Tudo... curvo-me contra a mesa apoiando meus braços, apoio o queixo sobre os braços e lanço um olhar para minha mãe.

—Vamos, meu bem, assopre a vela e faça seu pedido. —Ela diz sorrindo. Volto a olhar para o bolo e assopro.

—Eu quero o papai de volta... —Sussurro baixo, ninguém ouve.

—Isso. —Mamãe diz sorrindo batendo um foto. —Vamos, corte o bolo.

Levanto-me e encaro todas as pessoas, levanto as mãos e encaro mamãe, ela me olha apavorada quando entende minhas intenções, mas antes do seu grito, apoio as mãos no bolo, apertando-as, todos começam a rir enquanto ela corre desesperada na minha direção. Estraçalho uma pequena parte do bolo.

—Anastásia, não ouse. —Mamãe grita quando ameaço sujar o vestido.

—É Rose! —Grito passando as mãos pelo vestido branco. Puxo a fita amarela do meu cabelo, sujando-o também. —Eu odeio vestidos, essas pessoas, essa festa. Posso me retirar agora?

—Saia. —Mamãe diz fechando os olhos, para não gritar.

—Obrigada. —Digo me virando, mas viro para os convidados. —Obrigada pelos presentes, vocês são ótimas pessoas, mas hoje não foi um bom dia, então... tentem aproveitar o bolo.

Saio da sala ouvindo alguns risos, o de vovó principalmente. Subo as escadas correndo e vou para a janela, sento-me e vejo um carro estacionando. Torço para não ser mais um convidado, mas me desanimo quando uma mulher desce, com um barrigão e uma caixa grande nas mãos. Saio da janela e vou para a minha cama, me jogando sobre a mesma. A campainha toca, mas não me movo.

—Anastásia! Venha aqui, você tem visita. —Mamãe grita.

—Não. Eu não quero ver ninguém. —Grito de volta.

—Querida Rose, você está aí?

Sinto as lágrimas virem, me levanto apavorada, pedindo baixinho para que isso seja verdade, para que seja ele mesmo. Jogo arranco meus sapatos e corro para fora do quarto, do topo da escada posso vê-lo, e ele ainda é o papai mais lindo do mundo, mesmo depois de todos esses anos.

—Olá, querida Rose. —Papai fala me fazendo chorar.

—Papai... —Sussurro ainda parada. Ele dá aquele sorriso lindo e sobe correndo, eu pulo e ele me recebe em seus braços. —Ah, papai, eu senti tanto sua falta. Você me deixou, por que fez isso?

—Querida, não falaremos sobre isso, eu quero muito te apresentar alguém.

Balanço a cabeça, um pouco confusa. Ele me deixou, já faz anos, mas ele não quer falar sobre isso, por mais... por mais que eu saiba que o que o deixa longe é mamãe, desde que ele saiu de casa mamãe não deixa ele fazer visitas. Eu não posso receber suas cartas, mas o que ele faz aqui hoje?

Seguro a mão de papai e desço as escadas com ele, encontrando a mulher com barrigão, ela está falando com a vovó e há uma menina ao seu lado, uma menina bem pequena. Ela é loirinha, tem cabelo liso e curto, na verdade ela parece ter tentado cortar sozinha, ele está meio repicado.

—Querida, essa aqui é a Kate. —Papai diz sorrindo. —Sua irmãzinha. Ela tem três anos.

Encaro papai e franzo as sobrancelhas, Kate sorri para mim. Ela é... muito fofa. Está usando um vestido azul, sapatinhos brancos e meia-calça, e ela está mais limpa do que eu. Se bem que eu praticamente passei bolo em mim, ela não tem cara de quem faria isso.

—Minha irmã? —Pergunto olhando para mamãe. Ela apenas revira os olhos e sai andando, então vovó se aproxima.

—Querida, você lembra que o papai esteve casado novamente, essa aqui é a Luiza. —Vovó diz sorrindo para a mulher do barrigão. —Ela é mãe da Kate, e a Kate é sua irmãzinha, filha do seu pai.

—Certo, isso eu entendi. —Murmuro encarando Kate.

—Olá. —Kate diz sorrindo. —Você é linda.

Semicerro os olhos para ela. O que ela quer? Eu estou horrível, meias sujas, vestido sujo, há bolo no meu cabelo. Qual o problema dela? Olha, se ela está tentando me conquistar... ela está conseguindo. Sorrio para Kate, minha irmãzinha Kate.

—Obrigada, você também é linda. —Sussurro olhando para ela.

—Ei, Rose, você sentiu minha falta? —Papai pergunta abaixando ao meu lado.

—Sim, papai, muita. —Sussurro sorrindo.

—Você quer conhecer a Luiza?

—Ela é a Luiza? —Pergunto olhando a mulher que sorri de forma doce.

—Sim.

—Então eu já a conheço. O que tem na sua barriga? —Pergunto olhando Luiza que apenas ri. Ela coloca a mão sobre a barriga, com carinho evidente.

—Querida, aqui dentro há outra irmãzinha. —Luiza diz sorrindo.

—Ah, meu Deus! Então eu tenho duas irmãs? —Pergunto animada, isso parece ótimo.

—Sim, você tem. —Papai diz sorrindo.

Eu acho que não deveria ter destruído o bolo, porque eu pedi para o papai estar aqui, e ele está, e ele me trouxe duas irmãs, esse é o melhor aniversário de todos os aniversários.

Dias Depois...

Caminho novamente até a porta, mas não posso abri-la. Está chovendo lá fora, e eu não posso sair. Mamãe está sentada em frente a lareira fazendo alguns trabalhos, vovó está no sofá, olhando para mim.

—Vovó, por que meu pai ainda não chegou com a Katherine? —Pergunto preocupada.

—Querida... —Vovó me olha preocupada e suspira.

—Seu pai não voltará aqui. —Mamãe diz e eu a olha incrédula.

—Como assim ele não virá? —Grito batendo o pé no chão.

—Sua irmã está nascendo hoje. —Mamãe diz sem humor algum. —Seu pai estará muito ocupado cuidando dela. Eu pedi que ele não voltasse.

—Não, você não pode fazer! —Grito começando a chorar. —É o meu pai, minhas irmãs!

—E você não vai vê-lo novamente, eu sinto muito, Anastásia.

—Rose! —Grito. —Você é má, muito má. Você não quer deixar eu ficar com o meu pai.

—Seu pai não quer ficar com você, acredite.

—Não! Isso é mentira!

—Não, não é. Tente falar com ele, então. —Mamãe diz saindo da sala com seu computador.

Sigo-a com o olhar, até ela subir as escadas, então corro até o telefone e ligo para papai.

—Papai, papai. —Digo quando ele atende.

—Rose... —Papai sussurra.

—Você vai voltar, não vai? Você não pode ir embora, de novo não. —Sussurro implorando.

—Querida, sua mãe não quer me deixar voltar aí... e ela tem sua guardar, eu não posso me aproximar.

—Não, mas você disse que não iria mais embora. E... eu quero conhecer minha nova irmã. —Sussurro chorando. —Você precisa voltar, papai.

—Eu sinto muito, Rose. —Papai diz, no fundo posso ouvir a voz de Kate, e o chorinho de um bebê.

—Você não tem mais tempo para mim, não é?

—Isso não é verdade, eu tenho todo o tempo do mundo. Você precisa me entender.

—Eu entendo. —Digo chorando. —Adeus, papai.

—Rose.

Desligo o telefone e coloco no lugar. Olho para vovó e ela estende os braços, então corro para ela, me escondendo em seus braços. Vovó me aconchega com carinho, como ela sempre faz. Ela sempre cuida de mim, porque mamãe na faz isso, e meu pai... meu pai está indo embora de novo.

Anastásia Steele, 13 anos, Texas

Empurro o prato e encaro a minha mãe.

—Eu disse para você comer. —Ela murmura.

—Eu não estou com fome, Carla, e sua comida é ruim. —Digo me levantando. —Vê se aquele seu namorado nojento quer.

—Anastásia, não ouse sair! —Carla grita, mas saio assim mesmo.

Entro na sala e vejo vovó sentada, tricotando. Aproximo-me e sento ao seu lado.

—Olá, querida Rose. —Vovó diz e eu sorrio.

Apenas papai me chamava assim, mas ele foi embora, e vovó me chama assim, acho que para me consolar, mas eu gosto. Ela sempre está comigo. Esteve comigo quando eu tinha três anos e meus pais se separaram, quando meu pai escolheu ficar com Luiza. Vovó diz que ele quis ficar comigo, mas Carla insiste em ter a minha guarda. É confuso, ela nunca está presente na minha vida, apenas fica pegando no meu pé. No meu aniversário de novo anos, papai esteve aqui, ele ficou cerca de dois meses antes de mamãe manda-lo embora novamente, ele veio aqui ainda, trazer Emma, eu a conheci, mamãe não estava em casa, e quando ela chegou, ela até ameaçou chamar a polícia se ele não fosse. Ele nem se quer me liga, mas quem se importa?

—Não pense tanto, querida. —Vovó diz quando percebe minhas mãos fechadas, apertando a calça preta.

—Eu gosto dessas mexas. —Vovó diz alisando minhas mexas azuis. —Combina com os seus olhos.

—A Carla diz que eu estou parecendo uma louca.

—Você sempre foi louca. Isso te torna especial.

Sorrio revirando os olhos e me levanto, corro escada acima e vou para o meu quarto. Eu tenho passado longos dias aqui, desde que decidi estudar em casa. Vovó é quem me dá aulas, ela era professora, mas agora se dedica a cuidar de mim. Eu gosto de ficar com ela, mas gosto de ficar sozinha. Eu passo dias aqui no meu quarto, sozinha. Eu não tenho muitos amigos, e os vizinhos tem medo de mim, e olha que eu nunca tentei morder algum deles.

Mas eu estou acostumada. Acostumada a estar sozinha. Eu estou sozinha há muito tempo.

Deixo os pensamentos de lado e caminho até a janela e me sento pegando meu livro. O barulho dá chuva é ótima, e me deixa muito calma. Abro meu livro na página marcada e começo a ler. Não leio muito, paro assim que vejo um carro parando do outro lado da rua, mas não é isso que me chama a atenção, e sim ver Carla e vovó saindo com guarda-chuvas e indo até o carro. A primeira pessoa que sai de lá é papai. Um grito escapa da minha boca antes de eu correr até a porta do quarto, mas volto e vou até meu closet. Tiro as pulseiras, puxo as pequenas mexas azuis artificiais, tiro rapidamente a roupa preta e pego um vestido que Carla me deu há algum tempo, ele é longo, e branco. Coloco-o o mais rápido que posso e corro até minha cômoda, pego uma bola de algodão e jogo acetona, então tiro todo o esmalte preto das unhas.

Meu pai está aqui, e eu quero que... que ele me veja como eu sou. Eu quero... quero que ele fique feliz em me ver, talvez assim que ele queira ficar. Corro para fora do quarto, paro nas escadas e vejo os guarda-chuvas encostados atrás da porta, corro meus olhos até encontrar papai, próximo as escadas.

—Pai! —Grito e ele se vira sorrindo. Desço as escadas correndo e pulo em seus braços. Ele me tira do chão em um abraço apertado, rodando-me. —Você... veio me ver? Você não vai mais embora, não é papai?

—Ele veio para ficar. —Carla murmura semicerrando os olhos. —Aproveite, Anastásia, seu pai está de volta.

—É verdade? —Pergunto começando a chorar. —Você vai ficar? E as minhas irmãs?

—Sim, querida, eu vou ficar, suas irmãs também.

—Ah, meu Deus! —Grito dando pulinhos. —E a Luiza? Onde ela está?

Carla olha para meu pai e balança a cabeça, ela sai em direção a cozinha e eu não entendo o que isso significa. Papai se senta em um dos degraus, eu me aproximo preocupada e seguro sua mão, então ele começa a chorar, assustando-me completamente.

—Ela se foi, querida, morreu há uma semana. —Papai murmura soluçando.

—Papai, eu sinto muito. —Sussurro abraçando-o.

—Eu preciso que você me ajude. —Papai murmura.

—Com o que?

Carla sai da cozinha, carregando um pequeno embrulho, vovó vem ao seu lado, com um bebê também, de uns dois anos, e no chão, ao lado delas, está Katherine, eu a reconheceria em qualquer lugar, há alguém ao seu lado, Emma, eu acho. Elas estão tão grandes.

—Eu... acho que tenho mais irmãs então... —Sussurro sorrindo.

Todas elas estão com vestidos brancos, e grandes, do jeito que papai gosta. Katherine sorri para mim, e eu sorrio de volta. Eu estou triste por Luiza, mas eu estou feliz que papai e minhas irmãs estão aqui, e eu estou muito animada, eu vou cuidar delas, por Luiza, de todas elas.

Onze Meses Depois...

Papai conseguiu me fazer voltar a escola, na verdade, ele conseguiu colocar toda a casa em ordem. É legal tê-lo lá, ele cuida de mim, e eu senti falta disso. Mamãe quase não fica em casa, ela está sempre trabalhando, mas meu pai não se importa, na verdade, eu acho que ele sente falta de Luiza, ela era tão legal.

Paro de pensar quando ouço uma buzina. Viro-me e vejo papai esperando, dentro de seu carro. Sorrio e me levanto, correndo para ele, entro no carro e fecho a porta.

—Coloque o cinto. —Papai diz sorrindo.

—Isso me deixa com coceira. —Falo recusando o cinto.

—Só dessa vez. —Papai diz começando a dirigir.

—Certo. —Murmuro sorrindo. —Minhas irmãs estão em casa?

—Sim, elas chegaram mais cedo. —Papai diz e eu sorrio. —Você gosta delas, não é?

—Muito. —Sussurro sorrindo amplamente.

Papai balança a cabeça sorrindo, ele continha andando, e logo posso ver, da esquina a nossa casa. Olho para o lado rapidamente, então sinto o primeiro impacto. A porta abre e sou jogada para fora do carro. Rolo para o lado, sentindo meu corpo ralar contra o chão. Levanto-me confusa, chorando, chamando por papai. As pessoas começam a se aproximar, gritando coisas que não consigo entender. Eu só quero meu pai.

Vejo um carro, amassado contra o nosso. Grito por papai, então vejo ele, caído no chão. Corro até ele, sentindo algo pingar do meu rosto.

—Papai, não. —Imploro segurando sua mão. —Não me deixa. Por favor.

—Querida Rose. —Papai diz sorrindo, o rosto repleto de dor e machucados. —Eu amo você.

—Não, papai não! —Imploro, apavorada.

—Cuida delas, por favor. —É a última coisa que ele diz antes de fechar os olhos e me deixar.

—Papai... papai... não. Não!

ღღღღ

Alguns meses depois...

Desço as escadas, sem animo algum, mas Katherine insistiu que eu saísse com ela hoje, o que é ridículo.

—Querida. —Vovó diz sorrindo.

—Alguma notícia da Carla? —Pergunto e ela balança a cabeça.

—Entendi. —Sussurro.

Já faz meses que ela se foi, fugiu como uma covarde, o que ela sempre foi. O meu pai morreu, e ela me deixou sozinha, apenas eu e minhas irmãs, e agora eu cuido delas, porque a minha mãe nunca fez isso por mim, mas eu vou fazer pelas minhas irmãs, eu vou dar a minha vida por elas, e eu vou ser a melhor irmã do mundo.

—Eu gosto da sua lente vermelha. —Katherine diz sorrindo ao entrar na sala, sorrio e reviro os olhos.

—Claro, porque se eu raspar a cabeça, você vai me achar linda.

—Sim, porque eu te amo. —Katherine diz sorrindo.

Sorrio e estendo minha mão para ela. Eu faço tudo para ela sorrir, mesmo que eu não queira sair, se for por ela, eu vou. Ela perdeu a mãe, e depois o nosso pai, ela não merece passar por isso, nenhuma deles merecem, eu vou cuidar delas, vou fazê-las sorrir todos os dias.

—Vamos, pirralha. —Digo pegando a mochila. —Eu volto logo, vovó.

—Tudo bem, querida. —Vovó diz sorrindo.

Seguro a mão de Katherine e saio com ela, começamos a caminhar pelas ruas e noto alguns vizinhos olhando. A maioria tem pena de nós, uma é só uma criancinha, perdeu a mãe e o pai, e a outra, sempre viveu com a mãe, e quando o pai morreu, a mãe fugiu. Alguns vizinhos até se oferecem para ajudar com algumas coisas, porque não há ‘homem’ na casa, mas há mulheres, muitas mulheres, que tem forças para conseguir construir a própria vida.

Continuamos andando e eu tenho que pagar um sorvete para Katherine ficar quieta, ela parece um papagaio as vezes, não que eu não goste, mas ela quer falar sobre tudo, absolutamente tudo, com todos. Ela é meio... maluquinha. Chegamos ao parque e eu caminho até o banco, sento-me e Katherine corre por aí. Algumas mães me olham apavoradas, e eu apenas sorrio. Acho que elas não gostam de ver uma adolescente, vestida toda de preto, lentes vermelhas, mexas pelos cabelos, perto das suas crianças. Será que elas imaginam que eu faço algum tipo de bruxaria? Ou vou sequestrar os filhos delas? Mães... tão neuróticas.

—Rô... —Ouço Kate chamar, chorando.

Percorro meus olhos vendo ela vir em minha direção, com os joelhos ralados. Ela se aproxima, mostrando os joelhos, com os olhos vermelhos de tanto chorar.

—Está doendo.

—Tudo bem, deixa eu ver isso. —Sussurro colocando-a sentada ao meu lado, coloco sua perna em cima da minha e observo seu pequeno machucado. —Está tudo bem, é só um ralado.

—Mas nós temos que ir para casa, para a vovó por um remédio. —Kate diz fungando.

—Não precisa estragar a brincadeira.

Viro-me e vejo um homem, ele é... uau. Lindo! Absolutamente lindo. Cabelos bagunçados, cor de cobre. Olhos lindos e cinza. Ele se levanta e abaixa na frente de Katherine, estendendo um curativo.

—Você pode por isso. —Ele diz sorrindo.

—Obrigada. —Murmuro encarando-o. Ele apenas sorri, antes de pôr o curativo em Kate.

—Qual o seu nome? —Pergunta para Katherine.

—Minha irmã me chama de Bravinha. —Katherine diz revirando os olhos. —Mas eu também gosto de Kiki.

—Certo, Bravinha. Eu sou Christian. —Christian diz sorrindo amplamente. —E qual é o nome da sua irmã, meio... vampira.

—É Rose. —Katherine diz rindo.

—Muito prazer, Rose, eu vou Christian. —Ele diz estendendo sua mão, seguro-a e sorrio, sentindo uma pequena corrente atravessar meu corpo.

—Muito prazer... Christian. —Sussurro.

—Você está sozinho? —Kate pergunta curiosa.

—Não, eu estou com a minha irmãzinha, você pode brincar com ela. —Christian diz olhando para uma garotinha que sorri, acenando para ele.

Katherine balança a cabeça e pula do banco, dando espaço para Christian sentar ao meu lado, ela corre em direção a menina e logo começa a conversar.

—Ela via torturar sua irmãzinha. —Murmuro rindo.

—Bem... eu acho que Mia pode ser cruel também. —Christian diz rindo.

Ela me olha e sorri, e eu acabo sorrindo. Tem algo de especial nele, muito especial.

ღღღღ

Onze Meses Mais Tarde...

Levanto-me, completamente frustrada e cansada, caminho para fora do quarto pensando em como a minha vida mudou em onze meses. Eu... eu acabei saindo com Christian, por dois meses antes de engravidar. Vovó se desesperou quando eu contei... e o pior, Carla, ela voltou. Ela... ela está fazendo da minha vida um inferno, ameaçou várias vezes tirar meu bebê e minhas irmãs de mim, e me disse como sou irresponsável, principalmente por ter saído com um cara anos mais velho, que nem mora por aqui. Christian mora em Seattle, e agora que seus pais morreram... ele vem pouco aqui. Ele está cuidando dos seus irmãos, pelo que entendi. Mas ele tenta, ele tenta vir aqui, mas o problema é Carla, ela o odeia por ter me engravido, e faz de tudo para nos manter distantes.

Desço as escadas e entro na cozinha, vendo vovó pôr a mesa.

—Querida, você parece cansada. —Vovó murmura.

—A Mariana teve cólica essa noite. —Sussurro sentando-me, ela me oferece uma xícara de chá e eu beberico um pouco. —Obrigada. E a Carla?

—Saiu...

—É mesmo?

—Sim... —Vovó sussurra. Ela se senta e sorri para mim. —E seu namorado?

—Ah, vovó. —Murmuro fechando os olhos. —O Christian está passando por momentos ruins, ele não pode vir muito aqui, ele trabalha muito, e cuida dos irmãos. Eu o entendo bem. E a mamãe... ela o odeia.

—Entendo, você decidiu o que vai fazer?

—Por hora? Eu preciso arrumar um emprego, e achar alguém para cuidar das meninas.

—Eu posso fazer isso.

—Mesmo?

—Claro que sim. —Vovó diz sorrindo. —Eu sei que sua mãe não ficará muito tempo. As coisas vão melhorar, você vai ver.

—É, eu espero que sim. —Sussurro sorrindo, mas meu sorriso se desfaz com o choro de Mariana.

—Vai sim. —Vovó diz rindo.

ღღღღ

Algum tempo mais tarde...

Eu realmente acreditei que as coisas fosse melhorar, mas tudo parece só piorar. Carla está fazendo da minha vida um inferno, ela fica em casa agora, e as meninas... tirando Katherine, acham que ela é nossa mãe. Isso é horrível, eu não desejaria uma mãe como Carla para ninguém. Ela vive me ameaçando, ameaçando tirar Mariana de mim, e Christian, eu não o vejo há muito tempo. Nossa filha sente falta dele, e toda vez que ele está longe, ela se recusa a fazer muitas coisas, inclusive falar.

Eu pensei muitas vezes em fugir, mas... eu tenho tanto medo, medo que ela machuque as minhas irmãs. Eu não posso deixá-las para trás, mas eu estou tão cansada. Eu tenho estudado e trabalhado, passo o dia quase todo fora, e quando estou aqui, cuido das meninas. Vovó sempre me ajuda, mas Carla fica em cima, atrapalhando tudo.

Hoje o dia foi péssima, Carla trouxe alguém aqui, um maldito bêbado, ele apenas... apenas gritou com Katherine, então eu surtei e joguei um vaso nele, e Carla virou um monstro, senão fosse vovó, eu acho que ela realmente teria feito algo comigo, ela saiu a tarde e disse que iria voltar apenas amanhã. Eu me sinto tão mal, porque tudo que eu queria fazer era ir embora com as minhas irmãs, mas eu não posso, porque ainda sou menor de idade, e ela tem a guarda das meninas.

Suspiro pesadamente e caminho até a cama de Mariana, colocando ela deitada, ela se vira e logo começa a ressonar baixinho, dou um beijo em sua testa e me sento um pouquinho na frente cama. Ela está tão grande, e graças a louca da minha mãe, Christian não pode vê-la, ela sente falta dele, e ela a dela, eu fico mal por isso, mas fora sair escondido para eles se verem, eu não posso fazer nada.

Eu já cogitei entrega-la a ele, para eles viverem juntos, mas o que eu seria sem a minha filha?

Suspiro e me levanto ao ouvir o telefone tocar.

—Rose? —Christian diz do outro lado quando atendo.

—Ah, meu Deus! Christian. —Digo animada ao ouvir sua voz.

É meio confuso, eu gosto dele, muito, mas... não da forma que ele gosta de mim, ele faria tudo por mim, e eu não sei se faria o mesmo. Eu o vejo como um refúgio, todas as vezes que as coisas estão difíceis, ele está lá, mas eu quase nunca estou por ele, e mesmo assim ele sempre diz me amar, eu já disse que o amo, algumas vezes, mas é tão difícil saber se eu sei amar, tudo que... tudo que vivi me faz duvidar um pouco do amor de qualquer pessoa.

—Foge comigo. —Christian diz me pegando de surpresa.

—O que? —Digo rindo. —Ficou maluco?

—Não. Eu amo você, e eu quero você e a nossa filha. Eu estou aqui, na praça. Venha para cá, com a nossa filha. Eu vou cuidar de você, Rose, eu vou cuidar de você todos os dias.

—Você está maluco.

—Não, sua mãe não vai achar a agente, vamos ser nós três.

—E seus irmãos?

—Eu dou um jeito.

—Christian.... Eu não posso.

—Pode sim. Vamos, querida.

—Me espera... eu vou te ver.

—Traga a nossa filha. —Christian diz antes de desligar.

Deus... o que eu faço? Eu não posso fugir com ele, mas eu não posso mais viver assim, e se eu for... eu vou ter que deixar as meninas para trás. O que elas vão pensar de mim? Eu...

—Quem era, querida? —Vovó pergunta entrando no quarto.

—Vovó... —Sussurro ofegante pelo susto. —Ninguém...

—Christian? —Ela diz sentando-se na minha cama.

—Sim. —Sussurro indo para o seu lado. —Vovó... ele quer que eu fuja com ele.

—Você deveria ir.

—Você ficou louca? —Pergunto e ela ri.

—Querida, você já sofreu tanto, se sacrifica tanto, por todos, você precisa ter uma boa vida.

—Eu não posso deixar você, nem as minhas irmãs.

—Eu vou cuidar delas, você sabe que eu não tenho medo da sua mãe. Eu posso cuidar das meninas, até você fazer 18, você volta para busca-las.

—Vovó, isso é loucura.

—Não, querida, e você sabe. Essa é sua chance. —Vovó se levanta e encara Mariana. —Não deixe sua filha sofrer como você sofreu, ela precisa de você, e do pai dela.

Vovó sorri e sai do quarto, me deixando em lágrimas. Eu não posso fugir, mas não posso deixar Mariana longe do pai, ela o ama... e eu posso aprender a amá-lo. Eu adoro o Christian, ele é o único que consegue me deixar feliz, bem. Se eu fugir... eu posso voltar, como vovó disse, eu pego as minhas irmãs e elas vão ser felizes, como... como eu fui.

Levanto-me e corro até o closet, pego uma mochila e começo a enfiar algumas roupas da minha filha, e outras minhas. Visto-me com uma calça e uma blusa de frio grande, coloco meu tênis e corro até minha filha, puxo-a de sua cama e vejo pop dormindo, ele se espreguiça e me encara.

—Sinto muito... eu não posso levar você. —Sussurro para ele.

Enrolo Mariana em uma coberta e coloco a mochila sobre as costas, ajeito minha filha nos meus braços e corro para fora do quarto, não olho para trás, porque se eu fizer isso sei que vou desistir, eu não posso simplesmente partir, mas eu preciso fazer isso. Eu vou voltar, e pegar as minhas irmãs, eu juro.

ღღღღ

Christian sorri quando me vê chegando, Mariana está acordada e já vai para o colo do pai que começa a brincar com ela, ele me puxa para um abraço sem jeito e me dá um beijo demorado.

—Eu senti sua falta.

—E eu a sua. —Sussurro com sinceridade. —É melhor nós irmos. Eu não quero que minha mãe... encontre a gente.

—Ela não vai, eu prometo. —Christian sorri e me dá mais um beijo, depois ele corre até o carro e coloca Mariana na cadeirinha. Ele fecha a porta e me olha. —Eu vou cuidar de você, Rose, vou te dar uma boa vida.

—Eu sei que vai... —Sussurro deixando uma lágrima rola.

Christian se aproxima e me abraça, abraçar apertado, e nesse abraço eu me sinto segura, segura como me sentia com papai, então eu acredito nele, nesse momento eu acredito que nada poderá nos machucar, nunca. Ele vai cuidar de mim, e eu vou ser muito feliz.

Entro no carro e Christian também, coloco o cinto e ele começa a dirigir, para longe daqui, longe das minhas irmãs, longe de tudo que me feriu. Fecho meus olhos e começo a pegar no sono, esquecendo da dor por alguns minutos, nada pode me ferir.

Eu tenho um sonho estranho quando durmo, é algo confuso, uma batida forte, barulhos de sirenes, Christian gritando meu nome, é tudo tão confuso. Sinto minha cabeça doer um pouco, e levo alguns minutos para abrir os olhos, e quando o faço, me apavoro ao ver que estou em um quarto de hospital... não foi um sonho.

—Christian... —Chamo chorando, mas ele não vem.

—Shii... —Ouço alguém sussurra, percorro meus olhos pelo quarto e vejo Carla sentada, ela se levanta e eu me apavoro. —Olá, querida.

—Onde está o Christian? O que aconteceu?

—Você sofreu um acidente, está dormindo há três dias. —Carla sussurra.

—Não. Não. Minha filha...

—Ela está bem, graças a cadeirinha, já está em casa com a suas irmãs.

—E o Christian? —Pergunto chorando.

—Ele foi embora, Anastásia. Voltou para a casa dele.

—Não, ele não ia me deixar. —Digo chorando.

—Ele não poderia ficar com uma garota morta.

—O que você fez?

—O melhor para você! —Carla exclama impaciente. —Seu namoradinho acha que você e sua filha estão mortas, e assim vai ficar.

—Não, eu não vou deixar.

—Ah, vai sim. E se você não deixar, eu vou mandar cada uma das suas irmãs para um lugar diferente, incluindo sua filha chorona.

—Não, por favor, não.

—Eu te avisei, Anastásia. Eu te disse muitas vezes. Eu espero que você se contente com isso. Você nunca mais vai ver o Christian, se tentar, eu tiro suas irmãs de você.

Carla me olha por alguns segundos, com ódio, e eu não consigo entender isso.

—Por que você está fazendo isso comigo?

—Porque você fez o mesmo comigo, eu odiei ter você, você foi a pior coisa que me aconteceu, e agora você vai sofrer, como eu sofri. —Carla sussurra deixando-me sozinha.

Explodo em lágrimas, sozinha. Ah, Christian. Eu... eu sinto tanto, mas eu sabia que não daria certo. Eu nunca vou poder ficar com você. Nunca. E eu sinto muito por isso, você merece mais... foi até melhor ele ter acreditado que eu estou morta, porque ele pode encontrar alguém melhor, alguém que tenha um futuro com ele. Ele vai ser feliz sem mim. Muito mais feliz.

Cinco Meses Depois...

Vovó está inquieta hoje, muito. Ela tem andado de um lado para o outro, o que me deixa confusa, mas eu não quero incomodá-la, ou talvez eu tenha feito isso. Ontem eu... eu cortei meu cabelo e o pintei, na verdade eu apenas deixei ele castanho, como era antes. Eu joguei minhas lentes coloridas foras, as roupas pretas, tudo... eu não quero mais ser a Rose, eu... eu quero apenas ser uma nova pessoa, sem sofrer pelo passado.

—Rose, querida. —Vovó sussurra ganhando minha atenção.

—Vovó, eu gosto de Anastásia. —Sussurro sentando-me ao seu lado. —Não é pela Carla, eu só quero... ser feliz, entende?

—Sim, querida. —Vovó sussurra. Ela me olha e sorri. —Eu estou feliz por isso, sabia? Pela sua mudança. Eu me sinto culpada por tudo... Christian agora acha que...

—Eu sei, mas não tem problema, eu... eu aposto que ele vai ser muito feliz, que vai encontrar alguém legal.

—Querida, você sabe que a Carla não aparece há dois meses.

—Sim, um alívio.

—Querida, sua mãe foi presa...

—O que? —Pergunto surpresa.

—Sim, ela se envolveu com... com aquele cara e ele acabou levando ela para a cadeia.

—Vovó... eu sinto muito.

—Eu não. Sua mãe mereceu isso, ela precisa de uma boa lição.

—É, acho que sim. —Digo rindo.

—Sabe, querida, seu pai... ele deixou algumas coisas para vocês, uma casa em Seattle. O que você acha? Nós podemos ir morar lá, começar de novo.

—Você acha vovó? —Pergunto um pouco nervosa.

—Sim. Ele vivia lá com a Luiza, e... vai ser bom para você, as meninas.

—Você tem razão... —Sussurro sorrindo. —Seattle parece ser ótimo.

Eu estou empolgada, e nervosa, mas eu não posso mais ficar chorando pelo passado, nem por Christian, eu vou mudar as coisas, Carla não vai mais nos atrapalhar, eu vou cuidar das minhas irmãs, da minha filha, e, nós vamos ser muito felizes, mesmo que seja em Seattle, a vida está difícil, mas..., mas eu sei que consigo.

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