Amor Por Aluguel

19 ღ A Dor De Amar ღ


Notas iniciais
Meninas, olá! Bem, desculpem pela demora para postar hoje, mas eu realmente estava um pouco cansada. Simone, muito, muito, muito obrigada pela recomendação, eu realmente adorei e fiquei sem palavras, eu não esperava receber mais recomendações, enfim, muuuito obg. Capítulo dedicado a Juh e Amandayumi, obg por favoritarem ♥ Meninas, aqui está o link do meu face para as meninas que pediram, quem quiser chama lá que eu passo o número do whats ^^ , podem mandar mensagem ♥ https://www.facebook.com/BJZaccharo Beijos meus amores, boa noite e boa leitura ♥

Anastásia Steele

Encaro Christian sem saber o que dizer, ele ainda está parado na porta, o olhar mais frio do que antes, um leve cheiro de ruim, e há dor, tanta dor em sua expressão que acaba comigo, porque eu me sinto culpada por toda a dor. Culpada por ter ido embora pela primeira vez, ter deixado ele acreditar que eu havia morrido naquele acidente. Nunca o ter procurado. Ter ido embora novamente e deixá-lo sofrer, eu escolhi não lutar por ele, pelo que sinto, e fiquei magoada quando ele não lutou por mim.

—Anastásia... oi. —Christian murmura e sua voz soa tão... ferida. —Eu... você pode chamar Elliot e Mia?

—Christian, você não acha que nós devemos conversar? —Pergunto preocupada.

—Eu não sei, eu apenas... apenas acho que eu não deveria te incomodar.

—Certo, eu não estou nem aí para o que você acha, nós temos que conversar. —Murmuro cruzando os braços e ele suspira. —Entra.

Christian suspira novamente e continua parado. Ele me olha por alguns segundos e então entra. Fecho a porta e seguro sua mão, o que parece assustá-lo, mas ele não diz nada, conduzo-o até a sala, as crianças se levantam e ficam encarando-o. Lulu está chorando, enquanto CG e Fifi pulam completamente animados, mas Fifi logo perde o interesse e sai, em procura de Maria eu acho.

—Christian... —Lulu diz chorando, enquanto bate o pé nervosamente no chão. Ela está com o queixinho tremendo.

Eu me sinto tão mal nesse momento, porque... porque eu disse que ele poderia vir ver as crianças, e então ele simplesmente esteve longe, elas adoram ele, e sentiram tanta falta dele. Elas sofreram tanto, tiveram que se reconstruir, e aqui está ele novamente, mas mesmo assim minhas meninas se sentem tão inseguras.

—Ei... —Christian sussurra com emoção. Ele se abaixa e faz um gesto com a mão. Lulu sai detrás de Emma e anda até ele, jogando-se em seus braços. —Me perdoa, por favor.

—Não vá mais embora, Christian, por favor. Eu senti tanto a sua falta. —Lulu implora chorando fervorosamente.

—Eu estou aqui, querida, me desculpe. —Christian implora.

Lulu o solta e balança a cabeça, agora sorrindo, ela olha para Katherine, mas Kate não parece dar muita atenção, ela está magoada com Christian, e.... bem, ela simplesmente quer se manter forte, forte porque ela sabe que ele pode ir embora novamente.

Sophie fica encarando Christian, assim como Emma, mas elas não sabem o que fazer. Elas ficam apenas me encarando, esperando que eu faça algo, mas quem faz é Lana, ela dá um grito do colo de Elliot para ganhar a atenção de Christian. Ele a olha, surpreso e bobo.

—Ei, mocinha, você cresceu. —Christian murmura e Lana sorri.

—Papai? —Lana pergunta para Elliot que apenas ri balançando a cabeça, ele põe Lana no chão e ela se aproxima de Christian, para em sua frente e levanta a mão alcançando sua barba. Christian fecha os olhos, mas é possível ver algumas lágrimas caindo. —Papai.

Lana dá alguns gritinhos e gargalhadas antes de abraçar Christian, ele a recebe, a recebe num abraço desesperado, a recebe com lágrimas e ficam minutos abraçado a ela, enquanto ela insiste em chama-lo de papai, e ele não se importa.

—Ei, meus amores, porque vocês não vão lá em cima mostrar a sala de jogos para a Mia e o Elliot? —Sugiro encarando Katherine, ela balança a cabeça e se aproxima de Christian pega Lana que resmunga algo que não entendemos.

Katherine saí primeiro da sala, depois Emma sai com Elliot e Mia, e então Sophie se abaixa e pega CG, e enfim Lulu saí, olhando com medo para Christian, medo que ele vá. Christian se levanta, enxugando as lágrimas, eu o conduzo até o sofá e ele se sente. Sua expressão é tão cansada, tão... destruído. Eu... eu cuidava dele, e eu o deixei sozinho. Isso é tão horrível.

Enquanto sento ao seu lado, e permaneço em silêncio, eu tento conter as lágrimas, mas o silêncio só se estende.

—Sabe... —Christian diz depois de algum tempo. —Elliot, ele acha que você é a Rose, a minha Rose.

—É mesmo? —Digo tentando me manter forte.

—Mas, você não é, é? Ana? —Christian se vira um pouco e me olha, tão atordoado, tão ferido. Então eu choro, choro por enganá-lo, por feri-lo mais. Ele está chorando, como um homem... tão vulnerável. —Porque você me diria, Ana, você me diria, você não iria me esconder isso.

—É claro que não! —Exclamo sem pensar, sem pensar em nada. Aproximo-me e seguro seu rosto encostando minha testa na sua. —Eu não mentiria para você.

—Sabe, Ana, eu sou tão fraco, porque quando você entrou naquele avião, tudo que eu queria era parar o mundo e pedir para você ficar, mas eu não fiz, porque eu tive medo. —Christian sussurra chorando e agora todas as mágoas parecem tão bobas. —Eu, fui covarde, eu poderia ter lutado, porque eu nunca vou encontrar alguém como você.

—Está tudo bem, Christian. —Sussurro secando suas lágrimas. —Não pense nisso.

—Eu penso, porque eu não consigo ser forte, e dizer tudo. —Christian murmura soluçando. —Eu... eu deixei você quando você precisou de mim, quando nosso filho se foi e....

—Christian, espera. —Sussurro me afastando.

Ele me olha, tudo que eu vejo no seu olhar, me dói tanto, porque, sabe? A única pessoa que pode me impedir de fazer algo, sou eu mesma. E quando, quando eu quis estar com Christian, eu escondi tudo o que sentia para o último momento, eu esperei por ele, mas ele poderia estar esperando por mim também. Eu sei que o amor não é simplesmente feito só de esperança, ele é feito de atitudes, atitudes de ambas as partes, porque o amor é como uma balança, e eu não esteva tentando equilibrar nenhum lado. Eu estava com tanto medo de ele não me aceitar, que eu quis ser a Rose novamente, eu quis que ele me visse como Rose, para ser mais fácil, mas não foi, e eu o culpei por isso. Eu fui fraca, fui covarde, eu fugi, e eu também não o procurei.

Suspiro jogando a cabeça para traz. Levanto-me e peço um minuto correndo para fora da sala. Vou até o meu quarto e vejo Theodore chorando no berço, aproximo-me e ele para de chorar sorrindo. Curvo-me o pego colocando contra meu peito, as lágrimas ainda escorrem do meu rosto.

—Ei, Teddy, você quer conhecer o papai? —Sussurro e Teddy sorri coçando os olhinhos.

Ajeito-o em sua cobertinha e caminho para fora do quarto, eu estou nervosa, e feliz, feliz porque Christian vai conhecer seu filho, e eu não vou estar afastando-o de Teddy como eu o afastei de Maria. Entro na sala com cuidada e vejo Christian de costas, olhando os quadros na parede, especificamente as fotos de Maria nas aulas de balé.

—Ela está tão linda. —Christian murmura e noto seu choro. —Ela deve me odiar.

Nem se ela quisesse... murmura minha inconsciência despertando depois de tantos anos dormindo.

—Christian, eu... eu quero que você conheça alguém. —Sussurro e Christian se vira. Ele me olha e olha o pontinho em meus braços, nosso pontinho. —Eu, eu não tenho a menor ideia do porquê você achar que ele está morto, mas ele não está, Christian, esse é o nosso filho, nosso Theodore.

Christian para incrédulo, as lágrimas escorrendo, ele cai de joelhos no chão, enterra o rosto entre as mãos e começa a chorar, chorar mesmo. Aproximo-me com Teddy e ajoelho em sua frente. Christian levanta a cabeça e me olha, agora com gratidão, ele coloca a mão na minha nuca e puxa meu rosto, encostando sua testa na minha enquanto ele olha para Teddy. É claro, o bebê sorri amplamente para o papai dele, fazendo biquinhos e tentando dizer algo.

—Oi. —Christian diz sorrindo e Teddy sorri mostrando a gengiva toda. Levanto-o um pouco e lhe entrego para o pai. Christian sorri, ele se afasta e levanta o filho aproximando-o do seu rosto. —Oi, filho, meu filho.

Não consigo conter a emoção enquanto Christian abraça o filho e o enche de carinho. Sinto o olhar de alguém sobre nós, é Maria, ela está na porta, olhando para nós com os olhos repletos de lágrimas. Christian levanta a cabeça e a olha, ele fica sério e não diz completamente nada, como ela. Ele está pensando que ela o odeia, mesmo ela falando dele vinte e quatros horas por dia.

—Maria... —Christian murmura, mas ela balança a cabeça.

—Não, Christian. —Maria diz chorando. —Não magoe o Teddy. Não deixe ele, ele precisa de você. Você disse que ficaria comigo, e você foi embora, e eu falei, eu pedi para você ficar, mas você me deixou.

—Maria... —Christian sussurra chorando. Pego Teddy de seus braços e me levanto. Ele se levanta também, mas Maria recua. —Me perdoa.

—Não, Christian. —Maria sussurra dando solavancos, e Christian está da mesma forma, ele está soluçando, ambos estão. —Não me magoa mais.

—Maria, eu sou um idiota. —Christian sussurra se aproximando, Maria tenta correr, mas ele a segura, ela grita e eu me apavoro, mas Christian ajoelha no chão com ela, abraçando-a firmemente. —Me perdoa, por favor, eu sou um idiota. Eu amo você, Maria.

—Não, papai, não me deixa mais. —Maria implora entre soluços, agora se rendendo ao abraço de Christian. —Eu amo você, papai, não me deixa, não me deixa, por favor.

—Eu não vou, nunca mais, eu juro. —Christian murmura sem soltá-la.

Deixo os dois sozinhos para tentar me acalmar, isso é demais para mim. Eu não posso, não pode negar a verdade a ele, ele precisa saber que Maria é filha dele. Paro no meio do salão de entrada e encaro Theodore, ele sorri amplamente e eu acabo rindo.

—Certo, filho, o que a sua mamãe faz agora? —Pergunto e Teddy ri. —Acho que eu não posso apenas rir, ele não vai entender isso.

Fico alguns minutos parada até ouvir Maria rir, volto a sala, sem coragem alguma de dizer a verdade, mas eu sei que tenho que dizer, principalmente quando vejo Christian rindo, ainda com lágrimas enquanto abraça Maria que já parece ter superado todas as mágoas.

—Deixa eu segurar meu filho. —Christian pede sorrindo. Sorrio e me aproximo lhe entregando Theodore que volta a sorrir.

—Olha, ele tem os seus olhos. —Maria murmura sorrindo, mas ela também tem os olhos dele.

Encosto-me na porta e continuo observando Christian se entreter com a tagarela e o bebê sorridente, mas isso muda quando seu celular toca, ele franze a testa ao atender e não diz nada, apenas escuta, logo depois desliga e fica com o olhar perdido, por minuto. Só se ouve a chuva lá fora.

—Eu tenho que ir embora. —Christian murmura um pouco perdido.

—O que? —Maria pergunta preocupada. —Não, você não pode ir, você acabou de voltar.

—Eu sinto tanto, Maria. —Christian sussurra, quase chorando. Ele se levanta deixando Maria no sofá e me entrega Theodore rapidamente, então praticamente corre para fora.

—Maria, fica aqui. —Murmuro entregando Theodore a ela. —Cuida do seu irmãozinho.

—Mamãe, o que está havendo? —Maria pergunta chorando.

Não lhe respondo, apenas corro atrás de Christian, ele deixou a porta aberta, e quando corro para fora, sou tomada pela chuva, assim como ele que está indo em direção ao carro.

—O que você está fazendo? —Pergunto ignorando a chuva.

—Eu sinto muito, Anastásia, eu não posso fazer isso. —Christian diz.

—Não, você não pode voltar, fazer tudo o que acabou de fazer e ir embora. Nosso filho está lá dentro. Nossos filhos estão! —Grito chorando.

—Ela não é minha filha, você disse isso. —Christian sussurra deixando algumas lágrimas se misturarem na chuva. —Não é? Não é que ela não é minha filha?

—Eu menti! —Grito em uma explosão de sentimentos e sobrepeso. —Eu menti, ok?

—Do que você está falando? —Christian pergunta, extremamente confuso.

Suspiro, quebrada por dentro. Eu guardei tantas coisas, mas..., mas eu não posso continuar com isso. Eu não posso mentir a mim mesma, a ele. Agir como se tudo não fosse real, porque é! E eu estou cansada de mentir.

—Quando eu tinha 16 anos, eu odiava que me chamasse de Anastásia... —Sussurro e Christian parece surpreso. —Então eu usava meu segundo nome.

—Qual? —Ele pergunta fechando os olhos.

—Rose... —Murmuro e posso sentir a dor em sua expressão. —Eu... eu tinha cabelos loiros, abaixo dos quadris, adorava roupas pretas e botinhas, e, eu só usava lentes vermelhas. Eu aceitei fugir com um cara que pouco via, porque ele me amava, e ele era o único que me trazia segurança. Eu tive uma filha com esse cara, e pouco antes de ela fazer dois anos, nós sofremos um acidente, e ele acreditou que eu estava morta! Mas eu não estava! Sou eu, Christian. Rose... a sua Rose.

—Você mentiu... —Christian sussurra sem me olhar, desviando seu olhar para um lugar qualquer.

—Christian, olha para mim. —Imploro aproximando-me, mas ele se afasta. —Por favor...

—Eu sofri, sofri todos esses anos, eu deixei vocês partirem, e... você nunca me disse nada. —Christian acusa, a dor pulsa em cada uma das suas palavras. —Você sabia, sabia o quanto eu estava sofrendo, e você não me disse nada. Eu... eu te amo, Anastásia! Eu te amei desde aquele momento na escola.

—O que? —Pergunto apavorada.

—Eu sofri meses sem você, e eu deixei você porque eu pensei que você queria isso, você... você sempre me manteve longe, colocando o contrato acima de tudo, mas esse contrato, ele nunca existiu de verdade. Você me enganou todos esses anos, como você pode fazer isso, comigo? Com a Maria? Ela sempre soube que eu era pai dela, e você me privou disso.

—Christian, não... não foi minha culpa. —Sussurro chorando, apavorada. —Minha mãe...

—O que? Sua mãe te impediu? Sua mãe de proibiu? Porque aquela garota que eu conheci, você era ela, e você sempre fez o que achou melhor, e então você aceitou tudo que ela dizia?

—Você não está sendo justo comigo...

—E você foi comigo, Anastásia?

Não respondo sua pergunta, porque ele tem razão. Eu não fui sincera. Eu fui covarde, eu tive medo. Eu sempre passei por tudo que minha mãe dizia, mas quando ela disse que eu não poderia mais vê-lo, que ele achava que eu tinha morrido, eu aceitei isso... porque... porque eu achava que era o certo, mas não era, no fundo eu sabia que não.

—Apenas cuide de Mia e Elliot, por hoje. —Christian murmura entrando em seu carro.

—Christian, não. —Imploro, mas ele acelera sobre a chuva forte, os faróis acesos iluminam o caminho que ele faz.

Ele está indo embora. Me deixando. Caio de joelhos no chão, atordoada, cansada. Cansada de todo o passado, de todo o segredo, de tudo que eu tive que manter, sozinha, sem ninguém me apoiando ou ajudando. Eu estava sozinha, eu sempre estive... e eu nunca tentei mudar isso, nunca... é tudo minha culpa.

—Ana! —É Katherine. Ela corre até onde estou, Elliot está com ela, eles me ajudam a levantar. —O que houve?

—Eu... eu preciso ficar sozinha... —Sussurro empurrando-os.

Olho para a noite vazia de luz, o caminho por onde ele se foi, novamente... então eu sinto toda dor ali, naquele pequeno pedaço de terra, mas a dor parece tão grande. Respiro fundo, mas não há como me recompor agora, eu apenas me viro e entro, vendo Mia e as crianças no salão de entrada; eu os ignoro, viro o corredor e vou para o meu quarto, fechando a porta, então me jogo sobre a cama, expondo em cada lágrima cada coisa que eu tive que manter sozinha, durante anos, cada peso, cada mentira. Tudo... e novamente eu estou sozinha.

ღღღღ

Acordo confusa, com a cabeça doendo, posso ouvir Theodore e Lana chorando, mas não consigo me mexer, apenas abro meus olhos e fico encarando o teto, relembrando toda dor que estou sentindo, pensando em quantas oportunidades eu tive para mudar as coisas, e mesmo assim deixei o medo falar mais forte, e agora... agora... eu...

Meus pensamentos são interrompidos pelo toque do celular. Pego-o de cima do criado e vejo ‘número desconhecido’ aparecer na tela, eu não costumo atender ligações assim, mas essa eu atendo.

—Sra. Grey? —Alguém sussurra do outro lado.

—Sim? —Respondo automaticamente.

—Sra. Grey, eu preciso que a senhora comparece ao hospital Santa Lúcia. —A mulher diz do outro lado.

—O que? Como assim?

—Sra. Grey, seu marido, ele sofreu um acidente na estrada, ele está internado e correndo risco de vida.

Notas finais
^^