Amor Por Acaso

5 Lembranças e Preparativos


Notas iniciais
Olá ^^ Perdoem-nos pela demora... Inicio de aulas, cursos, compromissos, etc, etc... Chega de delongas, fiquem com o capítulo novo! *-*

*quarta-feira, 19/12/2012*

Kate P.O.V:

– Nossa amor! Que horas são? Por que acordou tão cedo assim? – me despertei ao perceber o barulho que Luiz Fernando fazia ao se arrumar para mais um dia de trabalho.

– É cedo, realmente é muito cedo, mas tenho que chegar na empresa mais cedo hoje, pois vamos ter uma reunião importantíssima e até o presidente da empresa vai estar lá. – disse ele ajeitando a gravata.

– Sim eu sei! Vou preparar o seu café da manhã – disse me levantando, mas ele me impediu, dizendo que não precisava se incomodar que ele comeria uma fruta ou qualquer coisa, que eu tinha que descansar mais por causa da gravidez.

– Amor fique e descanse, está bem? Não precisa já estou de saída, fique e durma mais, você precisa se poupar de qualquer esforço, não se esqueça de que temos mais um herdeiro a caminho! – disse Luiz Fernando se despedindo de mim com um beijo e com um carinho em minha barriga.

Apenas sorri e voltei a deitar, mas não consegui mais dormir, fiquei olhando para o teto, perdida nos meus pensamentos: “Nossa essa reunião é mesmo muito importante, vai definir o futuro do meu marido e de nossas vidas para sempre! Tomara que dê tudo certo. Afinal é como ele disse, tem mais um herdeiro ou herdeira a caminho...” acariciei a minha barriga.

– Mãe! Ouvi um barulho e fui ver se estava tudo bem! Cadê o papai? – Perguntou Isabella entrando no quarto com os pés no chão.

– Minha filha! Ainda é muito cedo, seu pai já foi pra empresa, hoje é um grande dia pra ele, agora volte pra sua cama e a senhorita está descalça! – me sentei na cama

– Ah mãe! Deixe eu ficar aqui só um pouquinho!! – disse enquanto se deitava e se cobria com o edredom.

– Será que dá pra ouvir o neném? – perguntou Isa encostando seu ouvido na barriga.

– É claro que não minha filha! Ele ainda é muito pequeno, do tamanho de um grão de arroz – sorri.

– Nós também queremos ficar ai com vocês – disse Nicole correndo para cama, seguida de Rebecca.

– Mas o que houve com vocês hoje? Estão com formiga em suas camas? – disse surpresa.

– Mamãe a senhora e o papai já decidiram o nome do bebê? – perguntou Nicole ansiosa. – Você já sabe se vai ser menina ou menino? Queria que fosse mais uma menina... Assim poderemos enfeitá-la de princesa, iria ficar tão linda!

– Eu queria ter um irmãozinho... – Disse Isa abraçando o travesseiro.

– Calma maninhas, a barriga da mamãe ainda nem cresceu e outra, não tem como saber ainda o que vai ser. – disse Rebecca deitando no meu ombro e acariciando minha barriga.

– Sim minhas filhas, sua irmã tem razão, ainda nem dá para saber o que vai ser. Está muito cedo ainda. – abracei as três, como se eu fosse uma mãe coruja protegendo sua cria.

Luiz Fernando P.O.V:

Acordei bem cedo completamente ansioso para essa reunião que decidirá o futuro meu e da minha família... Literalmente caí da cama de tanta ansiedade! Fui direto para o banheiro fazer minha higiene pessoal e me arrumei para o trabalho. Coloquei uma roupa bem social, terno preto, uma camisa branca e uma gravata azul escuro.

Sem querer, enquanto eu me arrumava acabei acordando minha esposa, Kate.

– Nossa amor! Que horas são? Por que acordou tão cedo assim? – Perguntou Kate despertando.

– É cedo, realmente é muito cedo, mas tenho que chegar à empresa mais cedo hoje, pois vamos ter uma reunião importantíssima e até o presidente da empresa vai estar presente. – disse enquanto ajeitava a minha gravata.

– Sim eu sei! Vou preparar o seu café da manhã – disse Kate se levantando, no mesmo instante tentei impedi-la, foi difícil, mas consegui convencê-la a deitar mais um pouco... Não quero que Kate se esforce muito por causa da gravidez, ela tem que descansar...

– Amor fique e descanse, está bem? Não precisa já estou de saída, fique e durma mais, você precisa se poupar de qualquer esforço, não se esqueça de que temos mais um herdeiro a caminho! – disse se despedindo dela com um beijo e com um leve carinho em sua barriga.

Literalmente saí correndo de casa, estava tão ansioso para essa reunião... Ela definirá o nosso futuro...

Cheguei a empresa bem cedo, mas não fui o único, praticamente todos os funcionários já estavam presentes... Incluindo o meu diretor Sr.Carlos e alguns gerentes e colaboradores de outros setores, todos aparentavam estar ansiosos e preocupados com o resultado dessa reunião, afinal nem sempre o presidente da empresa participava pessoalmente das reuniões. As secretárias passavam por mim com vários papéis e documentos preparando a sala de reuniões.

Eu trabalho em uma multinacional com várias filiais espalhadas por todo o país e mais três fora do Brasil e está em franca expansão. Comecei na empresa como Analista de Suportes Jr, e me dediquei tanto que cheguei ao cargo de Gerente de Analista de Sistemas Sênior, lutei muito para chegar onde estou hoje...

Aprendi tudo o que eu sei hoje com o meu diretor Sr.Carlos, ele é um homem muito sábio e inteligente que estudou em vários países e coleciona vários certificados na área de tecnologia, ele ama o que faz e ainda no tempo livre administra aulas em algumas universidades, foi onde eu o conheci... Eu era um aluno muito dedicado e ambicioso. Na primeira aula Sr.Carlos percebeu o meu potencial e me convidou para trabalhar na empresa e ser o seu pupilo. Realmente o Sr.Carlos se dedicou muito ao me ensinar tudo o que sabia, pois sempre falava que via em mim um futuro promissor, e ele não estava enganado... Nós dois crescemos na empresa e ele virou o Diretor Geral de Analistas e eu o seu braço direito.

– Bom dia Sr Luiz Fernando! Vejo que também caiu da cama hoje, hein! – disse o Sr Carlos em tom de brincadeira.

– Bom dia Sr Carlos, como vai? Sim! Cai da cama! Estou bastante ansioso por isso. – respondi sorrindo e tentando controlar o meu nervosismo.

– Horas todos nós estamos muito ansiosos, afinal o presidente da empresa vai estar presente. Desde que comecei a trabalhar aqui eu nunca havia tido o prazer de conhecê-lo pessoalmente. – disse João meu amigo e confidente. Ambos estudamos na mesma faculdade. João sempre foi relaxado nos estudos mas muito inteligente em tecnologia tem o conhecimento de programação correndo pelas veias. Desde muito novo programava no computador antigo de seus pais, fazia coisas bobas de qualquer nerd adolescente, entrou na faculdade por insistência dos pais, mas não levava jeito nos estudos mas sempre tirou notas boas, tudo que ele sabia aprendia assistindo vídeos ou vendo outras pessoas fazendo. Também foi convidado pelo Sr Carlos a fazer parte da empresa, ficou muito feliz, pois ele poderia usar e abusar de tudo que sabia e aprender mais. João agora é Gerente de Programação Sênior.

– Bom dia a todos, por favor se dirijam a sala de reuniões, logo mais o nosso presidente o Sr Walter chegará. – disse a secretária da vice presidente Srª Ana.

Todos se dirigiam a sala de reuniões, percebi que todos estavam muito bem arrumados, elegantes como se fossem ir ao Shakespeare´s Globe Theatre em Londres. Normalmente a maioria se vestiam sem muito glamour, principalmente os programadores, geralmente era calça jeans, camiseta nerd, um tênis surrado e o cabelo bagunçado.

– Em 5 minutos o Sr Walter estará presente, por favor peguem a pasta que se encontra na mesa – disse a Vice Presidente em um tom formal e educado, uma mulher fina e elegante.

Todos se sentaram em volta da grande mesa de reuniões e começaram a folhear o tal documento que estava dentro da pasta. Em exatos 5 minutos o presidente da empresa adentrou seguido de seu secretário e braço direito o Sr Mateus e mais dois seguranças, na qual cada um ficou de um lado na entrada da porta, parecendo dois cães ferozes prestes a atacar qualquer um que fizesse um movimento em falso.

– Muito bom dia senhores! Muito Obrigado por terem vindo à reunião, espero que todos estejam presentes, hoje será um dia importante que definirá o futuro de todos vocês sem exceção e o mais importante: Definirá o futuro da nossa empresa – disse o Sr Walter com uma postura de um verdadeiro líder comandando a sua tropa. Um homem bastante seguro no que diz e faz, começou sua carreira como um simples motoboy entregando jornais e revistas.

Fiquei muito impressionado com os números nas planilhas, realmente a empresa estava expandindo mais ainda.

– Senhor! Desculpe mas se eu não estou enganado, a empresa vai abrir mais uma filial em São Paulo!? – Perguntou surpreso o Diretor Geral da filial de São Paulo, o Sr José.

– O Sr não está enganado Sr José! Sim, iremos abrir mais uma filial em São Paulo e pelos números o senhor pode notar que o crescimento nessa região foi bastante considerável, está de parabéns! – respondeu o Sr Walter bastante satisfeito.

– Muito obrigado Sr Walter pelas palavras, nossa fiquei bastante lisonjeado. – respondeu o Sr José encabulado.

– Alias tenho que parabenizar a todos que estão presentes, pois também fizeram um ótimo trabalho, os números não mentem estou realmente muito orgulhoso de todos vocês – disse o presidente com um ar feliz e satisfeito.

A reunião seguiu por mais algumas horas, foram várias pautas a serem seguidas até chegar o momento tão esperado, as diretrizes da empresa.

– Senhores, como vocês podem perceber, chegou a hora de todos vocês conhecerem os seus futuros cargos e espero que eu tenha escolhido bem a função de todos, afinal fiz pessoalmente, questão de analisar todos vocês. – disse o presidente em um tom mais sério. – Abram o segundo envelope que o Sr Mateus está lhes entregando.

Assim que o Sr.Mateus me entregou o envelope, abri bastante curioso e ansioso, pois nesse simples envelope estava determinado meu novo cargo. Quando vi meu novo cargo fiquei totalmente paralisado, não estava acreditando no que estava escrito...

– Bem senhores espero que todos tenham entendido os seus novos cargos, mas se tiver alguém com alguma dúvida, por favor estou aberto a respondê-los, caso não tenham nenhuma dúvida, estão todos dispensados – disse o Sr Walter com toda calma.

– Senhor... Érr.. Nossa! É um prazer conhecê-lo pessoalmente, todos falam do senhor aqui e eu fiquei bastante curioso em conhecê-lo... – disse receoso.

– Sr Luiz Fernando! O prazer é todo meu! Pude ver que cresceu bastante em nossa empresa, gostei muito da sua atuação neste ano – respondeu o Sr Walter o cumprimentado com um aperto de mão.

– Sr Walter, se me permite o atrevimento, mas... pude ver que a minha função mudou e mudou consideravelmente e tem certeza que é isso mesmo? Não seria prudente o Sr Carlos estar nesse cargo? – perguntei constrangido.

– Ora meu rapaz, o que é isso? Não se diminua! Todos aqui sabem muito bem que você, assim como muitos se dedicou e provou que está pronto para essa nova função – disse o Sr Carlos se aproximando ao ouvir meu comentário. – Aliás, estou feliz que tenha conseguido passar todo o conhecimento à você, meus parabéns Sr Luiz.

– Sim! É verdade – completou o presidente também cumprimentando o Sr Carlos. – Acompanhei o seu crescimento na empresa e sei que tem tudo pra ser um ótimo! Diretor Geral da nossa mais nova filial em São Paulo, não escolheria outro melhor. Não se preocupe, a empresa dará toda a assistência necessária à você e sua família para se mudarem para lá dentro de 6 meses. Sei que sua esposa está esperando mais um herdeiro, parabéns!

– Sr Walter! Não sei o que dizer... Muito Obrigado pela confiança! Vou fazer o meu melhor! Eu prometo – falei todo sem jeito.

– Ahhh eu não tenho dúvidas que fará! Conheço as pessoas que trabalham comigo! Sei que posso confiar – Respondeu o presidente se levantando e indo cumprimentar os demais antes de ir embora.

“Minha nossa!! Que loucura!! Eu o Diretor Geral de uma das filiais da empresa!! E em São Paulo!! Preciso falar com minha esposa e minhas filhas da novidade!! Como será que todas vão reagir com essa noticia? – pensei enquanto lia e relia o conteúdo do envelope desacreditando.

Isabella P.O.V

– Mãe!? Por que está se levantando? Ainda é cedo — disse Rebecca percebendo quando mamãe estava saindo da cama, acordei com a voz dela.

– Não é porque vocês estão de férias que o mundo parou, não é mocinha? Vou preparar o café para você e suas irmãs e depois tenho que ir trabalhar. — disse mamãe indo para banheiro fazer sua higiene pessoal e em seguida foi direto pra cozinha.

Rebecca apenas olhou sua mãe sair pela porta do quarto e depois voltou a dormir. Sunny nem mexeu um músculo se quer, dormia ouvindo musica, parecia até que estava sorrindo, deveria ser um sonho muito bom e envolvente. Resolvi me levantar, meu sono foi pra o espaço mesmo, pena que não consegui voltar aquele sonho, era um lugar lindo, parecia um campo, haviam vários tipos de flores um em especial que me chamou muito a atenção.

Lembranças do sonho

“ — Que lugar encantador! quantas flores! E o perfume então... ! Onde será que estão papai e mamãe? E as minhas irmãs? Ahhh não sei... só sei que quero ficar aqui! É tão lindo! — pensava enquanto admirava o campo com várias flores ao meu redor, mas uma em especial chamou-me atenção: era branco alvo, se destacava entre as demais... Estava tão longe dela mas dava para ver, pois refletia um brilho pelo raios de sol.

– Vou até lá, ver de perto essa flor! – Comecei a andar pelo campo em direção à flor, mas o estranho era que quanto mais me aproximava, mais a flor se afastava. — Que estranho, estou andando a horas na mesma direção e não consigo chegar perto da flor. E se eu correr? — Comecei a correr em direção da flor, mas não adiantava, parecia que a flor se afastava na mesma velocidade em que eu corria. Foi quando de repente a flor começou a se mexer estranhamente. — Minha nossa! Não era uma flor! E sim uma pessoa vestida de branco! – Me surpreendi parando imediatamente e levando a mão a boca.

– Ei! Você! Espere... Quem é você? Espere! — por mais que chama-se a pessoa, não adiantava, parecia que sua voz não chegava, foi então que eu gritei o mais forte e alto possível e então essa pessoa olhou para traz e num gesto apenas, um aceno e nada mais... Desapareceu.”

... fim do sonho

– Nossa minha filha! Por que não está com suas irmãs dormindo? Ainda é cedo. — disse mamãe me servindo um pouco de café.

– Perdi o sono mamãe! — disse pegando um pedaço de bolo. — A senhora ainda tem que ir trabalhar? Não vai sair de férias? — perguntei

– Preciso ir ainda essa semana. Entrarei de férias daqui a dois dias. — disse mamãe tomando o seu café tranquilamente.

– Quando vamos comprar roupas para o bebê? — Perguntei curiosa.

– Não sei, podemos decidir isso depois das festas de final de ano, assim vai estar tranquilo, o que acha? — perguntou mamãe terminando o seu café e levando os pratos na pia.

– Boa ideia! Assim podemos escolher com calma sem tanta gente empurrando. E onde vamos passar o Natal mamãe? — perguntei enquanto pegava mais um pedaço de bolo.

– Vamos passar o Natal aqui mesmo, seus avós viram pra cá e também seus tios e primos, seu pai achou melhor, assim eu não preciso me esforçar tanto por causa do bebê e suas tias vão me ajudar na ceia. — disse mamãe terminando de se arrumar para ir trabalhar.

– Melhor assim, nós vamos também ajudar, eu e minhas maninhas — respondi enchendo a boca de bolo.

– Ei não coma todo o bolo, eu também quero! — protestou Sunny chegando na cozinha.

– Cadê sua irmã? Ela ainda está dormindo? — perguntou mamãe a Sunny enquanto se despedia de nós.

– Ah ela deve estar no seu vigésimo sono. Nunca vi gostar de dormir tanto. — respondeu Sunny pegando uma generosa fatia de bolo.

– Então deixe um pouco de bolo para ela, suas gulosinhas! — disse mamãe rindo ao fechar a porta.

– Não acredito que Rebecca está ainda dormindo, ela é do tipo que acorda cedo, ela deve estar deitada e escutando musica. – disse indignada. Rebecca não gostava de dormir tanto assim, ela gostava mesmo é de ficar sozinha, ali com seus pensamentos, colocava os seus fones e ficava ouvindo suas musicas enquanto o mundo em sua volta desaparecia. Mas ultimamente, ela estava muito mais recolhida em seu casulo do que o normal... Deve ser por causa daquele moleque. Coitadinha da minha maninha, gostaria de fazer alguma coisa para tirar ela desse estado. Ela diz que está tudo bem, mas eu sei que não está, ai que raiva dele! – Vou lá chamá-la, vamos Sunny? — disse me levantado.

– Não vou, estou morrendo de fome. Já disse, ela está dormindo pesado, antes de sair do quarto, chamei-a mas ela nem me respondeu, virou para o lado e continuou dormindo. — respondeu Sunny.

Fui até o quarto de meus pais e quando estava perto da porta, pude ouvir Rebecca chorar, parei por uns instantes mas resolvi entrar, bati na porta duas vezes e chamei por ela, mas ela não me respondeu. Foi então que cheguei mais perto da cama e chamei-a novamente. Ela apenas resmungou e pediu para deixá-la em paz.

– Maninha vamos, levanta! Vamos tomar café se não vai ficar frio. Levante-se vamos. — disse puxando o seu cobertor.

– Não quero levantar! Não quero sair! Me deixe! — respondeu ela com raiva. — Não quero tomar café! Eu quero morrer!

– Não diga isso maninha!!! Nem por brincadeira!! Está louca!?! – Sentei-me bruscamente na cama e a puxei para ver seu rosto. — Minha nossa maninha!! Você estava chorando! Por quê? Por que estava chorando? Era por causa daquele infeliz? Era por causa do Rafael?

– Maninha! Eu quero morrer!! Me deixe morrer!! — disse Rebecca desesperada aos prantos. — Você não imagina a dor que eu estou sentindo aqui dentro, queria muito arrancar essa dor do meu coração. Por favor, me ajude! Não quero mais sentir isso! É cruel de mais uma pessoa sentir tanta dor assim!! — disse me abraçando com tanta força que quase caímos no chão do quarto.

– Calma maninha! Estou aqui para te ajudar, vou fazer o possível e o impossível para arrancar essa dor do seu coração! Mas por favor, pare de chorar! — disse aos prantos também.

– Sim maninha! Pode contar comigo também! Eu vou te ajudar a superar isso — disse Sunny entrando de repente no quarto e nos abraçando. Ela tinha ouvido tudo pelo visto.

Ficamos por algumas horas em silêncio, até que Rebecca parasse de chorar e se acalmar. Nunca pensei que fosse ver minha irmã assim, ela se faz de forte mas no seu intimo ela é tão frágil como uma rosa, tão gentil e amorosa. Não merecia tamanha provação e sofrimento. Sempre fomos unidas, nós três sempre nos ajudávamos uma à outra sempre, nunca existiu rivalidade entre nós, nunca existiu mentiras, sempre fomos confidentes uma da outra. Aquele moleque vai ver só. Ele que se atreva a aparecer novamente aqui.

Fomos para a cozinha, enquanto Rebecca fazia a sua higiene pessoal. Eu estava muito triste e com muita raiva. Como pode existir alguém tão cruel e desumano? Como pode um filho da mãe que não percebeu o quanto Rebecca é delicada e frágil? — os meus pensamentos giravam na minha cabeça, quando Rebecca chegou na cozinha.

– Mamãe deixou o nosso café pronto e foi trabalhar. — disse Sunny servindo Rebecca com um pouco de café. — está tudo delicioso como sempre.

– Sabe maninha, mamãe disse que vamos passar o Natal aqui mesmo, em casa e que os nosso parentes todos virão, vai ser melhor, assim mamãe não precisa se esforçar tanto na viagem, por causa do nosso irmãozinho. — disse querendo distrair Rebecca com outros assuntos, porém, ela se manteve quieta.

Após o café da manhã, Rebecca se trancou novamente no quarto, só que dessa vez foi no dela e ela fechou a porta com a chave impedindo eu e Sunny de entrar no quarto.

– E aí maninha? O que vamos fazer o resto do dia? Já que a Rebecca não quer sair do quarto? — Perguntou Sunny.

– Podemos assistir um filme? Ou Anime? – Sugeri

– Pode ser Anime, vamos assistir algum de colegial? – Perguntou Sunny

– Pode ser, mais tarde vamos tentar convencer a Rebecca a sair do quarto para irmos ao parque?

– Vamos sim!

Ficamos deitadas no sofá enquanto assistia Anime pelo computador, assistimos dois Animes... Tenho que admitir que eu gostei mais de Another. Quando acabamos de assistir já era mais ou menos 15h00min, então subimos as escadas para nos arrumar para ir ao parque... Entrei no meu quarto e fui direto para o banheiro, tomei uma ducha rápida, me enrolei na toalha e fui até o meu guarda roupa, escolher algo para vestir. Peguei um short jeans, um all star de cano alto e uma blusa preta com detalhes em vermelho. Me vesti rápido, penteei meus cabelos e passei um gloss nos lábios e rímel nos olhos, para alongar os cílios.

Assim que saí do quarto dei de cara com Sunny

– Nossa maninha! Você está perfeita – Comentou sorrindo e eu acabei corando.

– Obrigada maninha! Você também está linda – Corou – E ai? Foi conversar com a Rebecca? Ela vai ao parque? – Perguntei em expectativa.

– Obrigada... E não, não consegui convencer ela... Você sabe como ela é né? Super teimosa e arisca.

– Eu sei muito bem, mas tenho certeza que ela vai... Ou eu não me chamo Isabella Mary Lins de Albuquerque.

– E como você vai convencer ela?

– Aguarde e verá! – Deixei um suspense no ar e ela apenas deu de ombros.

– Vou descer, estou te esperando lá embaixo, okay? – Perguntou e eu apenas concordei já me afastando e indo para o quarto de Rebecca.

– Rebecca? Vamos ao parque?

Não!!! –Berrou irritada

– Rebecca!!! Estou perdendo a paciência... Você sabe que eu não vou desistir tão facilmente, não é?

– Não quero sair! Eu quero morrer! Não quero mais sofrer! Eu quero me matar! Me deixa em paz! – Gritou irritada com a voz embargada... Provavelmente os olhos dela estavam completamente vermelhos.

– Maninha? Abre a porta, por favor? – Supliquei pela milionésima vez, mas não estava adiantando e a resposta dela sempre era a mesma.

– Me deixa em paz, vão vocês ao parque! Eu não quero, já disse que eu quero morrer!

– Não diga isso! Eu quero ir ao parque e você vai nem que eu tenha que te arrastar.... – Comentei e acho que surtiu efeito, pois ela acabou abrindo a porta.

– Tudo bem, você venceu! – Comentou se rendendo e levantando os braços – Mas deixo claro que eu só vou, porque você está enchendo o meu saco faz mais de uma hora e eu sei muito bem que você não pararia tão cedo. – Disse sarcástica.

– Você tem razão, eu não te deixaria em paz até você concordar em ir, você sabe muito bem como eu consigo ser persuasiva. – Disse sorrindo – Sunny está esperando lá embaixo, vai se arrumar! Não demore, eu quero ver o pôr do sol no parque! – Comentei.

– Não vou demorar! — Disse entrando novamente no quarto

Desci as escadas e encontrei Sunny digitando no celular e deitada no acolchoado no chão.

– Demorou, mas eu consegui convencer a Rebecca!!! Ela está se arrumando daqui a pouco ela desce. – Comentei enquanto pegava o meu celular e meus fones de ouvido, que estava em cima da mesinha da sala.

– Que bom! Não gosto de ver ela assim.... Desanimada, triste, solitária...

– Nem eu, isso me mata aos poucos. Eu posso estar super animada, mas eu logo fico péssima de ver minha irmã assim... Eu quero esganar o Rafael, ele é um veado imbecíl.

– Eu também! – Disse Sunny com raiva – Eu vou subir para o quarto, quando a Becky estiver pronta me chame, ok? – Perguntou e eu apenas dei um leve aceno com a cabeça.

Comecei a escutar música, quando de repente estava tocando minha música preferida, Na sua estante da Pitty. Eu amo muito essa música, me identifico muito com ela... Mesmo eu tentando superar o Leonardo, eu ainda continuo sofrendo por causa dele... Eu simplesmente não consigo apagar ele da minha mente... Também não se esquece de uma pessoa do dia pra noite... Eu acho que não era amor, mas mesmo assim o sofrimento não diminui.

“Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso da medo
Perdido num mundo que não dá para entrar”

Logo depois que a música terminou, Rebecca desceu as escadas, vestida toda de preto, como se estivesse de luto. Ela estava com uma calça preta, bota de cano alto, blusa preta de uma das bandas preferidas dela e um casaco preto com uma touca cinza que cobria praticamente todo o cabelo e metade do rosto.

Putz! Ferrou! Agora ela vai se esconder atrás de uma touca para não enfrentar o mundo e evitar sofrer novamente... Isso não vai dar muito certo, tenho certeza... Digo isso por experiência própria, quando estava sofrendo por causa do Leonardo agi da mesma forma. Ainda estou sofrendo, mas agora é bem menos... Aprendi a viver sem ele na minha vida – Pensei

– Vou subir e chamar a Sunny! Já volto! – Disse me levantando do sofá e subindo as escadas.

Abri a porta do quarto dela e a encontrei deitada lendo um livro.

– O que eu disse sobre bater na porta antes de entrar? Eu poderia não estar vestida... – disse Sunny com um olhar mortal

– Ah, não comece... Sei muito bem esse discurso, mas você sabe que eu só bato na porta quando ela está entreaberta e eu sei muito bem que você não estava se vestindo, e que você se troca no banheiro.

– Ok... Ok... Já entendi! Vamos então? Já são quase 17h00minh

– Vamos sim... Não quero perder o por do sol... Você sabe como eu amo observar, eu acho a cena tão linda, e ainda por cima isso me acalma e me faz ter lembranças, boas e algumas ruins...

– Sim, eu sei esse seu discurso do começo ao fim – Comentou Sunny rindo e me abraçando.

Descemos as escadas em silêncio, estávamos nós duas perdidas em pensamento, mas com certeza pensando sobre o mesmo assunto... Não cosigo tirar minha irmã do meu pensamento, sempre fui muito protetora em relação a elas... Mas juro eu ainda vou esganar esse garoto! Não acredito que minha maninha está sofrendo por culpa de um imbecil e vagabundo igual a ele. Eu não desejo mal a ninguém, mas na minha opinião ele devia sofrer por tudo... E sofrer o dobro do que Rebecca está sofrendo...

Encontramos Rebecca na sala, ela estava deitada no sofá com os olhos vermelhos e inchados.

– Becky, não chore! Vamos? Tenho certeza que você irá se sentir melhor de sair um pouco de casa, tomar um ar puro e ver o por do sol... Isso sempre nos faz bem... – Disse Sunny, pensei que ela responderia algo, mas apenas se manteve calada e se levantou indo em direção à porta.

Saímos de casa e mais ou menos 15 minutos depois estávamos no parque, sentei na grama e fiquei simplesmente observando aquela vista maravilhosa que eu tanto amo. Eu me sinto tão bem de estar em contato com a natureza, sempre fico pensativa quando estou aqui, e hoje não foi diferente. Olhando esse por do sol eu tive tantas lembranças dolorosas... Queria tanto ser capaz de apagar isso da minha mente.

Flashback On

Era um dia como outro qualquer, estava a caminho da escola, quando de repente encontro Leonardo. Ele estava segurando uma rosa vermelha na mão direita e um envelope branco na mão esquerda. Assim que me viu deu o seu tão famoso sorriso torto.

– Bom dia Anjo – Desejou Leonardo me abraçando pela cintura e me dando um beijo na bochecha.

– Bom dia Lindo – Retribui o sorriso.

– Eu tenho algo para você, espero que você goste... – Sorriu e me entregou a rosa vermelha e o envelope.
Abri o envelope com um sorriso bobo no rosto...

Isabella,

Não consigo nem definir a minha alegria no dia em que eu te conheci, meu coração disparou e foi um turbilhão de sentimentos e emoções. Você entrou por aquela sala, tão linda e tímida. Com aquele olhar de inocência, com as bochechas coradas por tanta atenção. Você acha mesmo que eu não reparei? Eu fiquei te observando o tempo todo, nenhum movimento seu me passou despercebido. Desde aquele dia eu não consigo te tirar do meu pensamento... Desde o dia que você entrou na minha vida eu descobri sentimentos por você... Me aproximei com medo de me magoar, te evitei, mas não consegui... Minha única alternativa foi ser seu melhor amigo, seu ombro amigo... O único jeito de participar da sua vida, de ser alguém importante para você.
O que eu mais quero é te ter na minha vida, como algo mais do que uma amiga/irmã... Eu te quero como minha namorada, companheira, amiga, conselheira...
Isabella Mary, aceita namorar comigo?

Eu te amo muito, muito mesmo!!!

– Então...?

Não consegui expressar nenhuma reação, fiquei completamente estática, com lágrimas nos olhos. Sem saber o que responder... Como sempre o meu silêncio demonstra o contrário do que eu sempre quis dizer...

– Desculpe! Não queria te incomodar, com certeza você deve estar pensando... Meu deus! Como esse idiota, pode fazer uma coisa tão patética dessa!!! E.... – Coloquei um dedo nos lábios dele tentando impedir de ele falar mais algumas besteiras...

– Não... Quer dizer, sim... Eu aceito ser sua namorada! – Disse sorrindo emocionada... Ele me pegou nos braços e me levantou me beijando.

– Eu te amo bebê!

– Eu gosto muito de você! Muito mesmo!

......

– Parabéns meu amor! – Leonardo falou entre beijos.

– Parabéns para nós!

– Viva um ano de namoro, meu amor!!! Te amo muito

– Também te amo! – Sorri e ficamos em silêncio abraçados... O momento não precisava de palavras, apenas gestos...

......

Estávamos no jardim deitados na grama... Olhando diretamente para as estrelas no céu... Era uma noite agradável...

– Amor? Você se lembra de quando nos conhecemos?

– Claro que eu lembro... Nunca vou me esquecer da garotinha de cabelos castanhos com tranças que entrou na minha vida...

– Eu também me lembro! Nossa impressionante como o tempo passa! Nem parece que nos conhecemos há quatro anos e que estamos namorando há um ano e cinco meses.

– Verdade! Mas o tempo ao seu lado passa voando! Ás vezes eu queria o que o tempo demorasse mais... Eu queria que o tempo fosse infinito, que nunca, por nenhum motivo nos separarmos. Que fosse para sempre! Eu quero a eternidade ao seu lado.

.........

– Eu não acredito que você foi capaz de fazer isso! Seu... Seu desgraçado! Como você pode fazer isso?

– Amor! – Tentou segurar o meu braço e começar a se explicar...

– Me solte! Agora me responda... Porque você fez isso comigo?

– Amor, me desculpe! Não foi minha intenção... Nós tínhamos discutido e eu fiquei super mau e carente... A Caroline estava lá para me consolar e acabou acontecendo... Nunca tivemos a intenção de fazer isso...

– Fale por você, porque eu queria fazer isso há muito tempo! – Disse Caroline cinicamente.

– Cala a boca! Desse jeito você não está ajudando... Amor, por favor! Eu te imploro, me perdoe?

– Eu nunca vou te perdoar... Nunca!

– Por favor... – Implorou e eu apenas ignorei

– E você? Como pode fazer isso? Você era minha melhor amiga!

– Disse bem “era” desde o dia que você começou a namorar o Leonardo eu tenho um ódio mortal de você. Era para ele ter me pedido em namoro e não a você...

– Mas você namora o Scott, porque você o traiu?

– Não sei, foi um momento passageiro... Um desejo incontrolável...

– Sua víbora! Eu nunca vou perdoar você e o Leonardo! Você nunca mais será minha amiga! Você é cruel!

– Como se eu quisesse o seu perdão...

Flashback Off

Saí do meu transe com lágrimas nos olhos e pelas minhas irmãs que me cutucavam com os olhos preocupados...

– Maninha? Você está bem?

– Estou sim! Apenas entrei em transe, e lembrei tudo o que eu vivi com o Leonardo... Vamos dizer que essas lembranças foram apenas uma despedida... Eu nunca mais quero ver ele na minha frente, nem pintado de ouro...

– Fico feliz, que você está superando! Aquele veado não merece suas lágrimas... Muito menos a puta da Caroline. – Comentou Sunny me abraçando e Becky apenas concordou.

– Porque você continua vindo aqui? Sendo que toda vez você tem lembranças dolorosas? – Perguntou Becky

– Porque mesmo que eu sofra o meu amor pela natureza é ainda maior... Eu amo observar a cachoeira do parque, o por do sol, ouvir os pássaros cantando, deitar na grama... Não é por causa de um idiota que não soube me valorizar que eu vou evitar lugares que me lembre dele. – Enxuguei as lágrimas que teimavam escorrer, e jurei nunca mais chorar por causa dele...

– Falou tudo Isa – Disse Sunny

– Queria ser tão forte quanto você é... – Disse Becky

– Você é forte... Apenas sofreu muito e parou de acreditar em si mesma, na força que você pode ter... – Comentei e a abracei... – Manas, vamos logo embora, nossos pais devem estar preocupados. – Avisei e elas apenas concordaram e começamos a andar para fora do parque.

Andávamos as três em silêncio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. Fiquei pensando novamente sobre todas as lembranças que eu tive... Lembranças incrivelmente dolorosas... Ainda não entendo como ele pode ser tão sínico! Como tudo o que vivemos em quase dois anos foi apenas promessas... Promessas que jamais serão cumpridas... Ele me prometeu que nunca iria deixar de me amar, mas não foi assim... Na primeira oportunidade ele me traiu... Eu estava vivendo uma história de conto de fadas, mas a realidade é muito pior... Depois dessa dor, acabei a desacreditar no amor... Acho que nasci para sofrer, não é possível! Será que ninguém nunca irá me amar? Será que sempre irei sofrer? A dor que eu senti é lacerante... Não desejo isso a ninguém...

É por isso que eu decidi uma coisa... Nunca mais irei me apaixonar novamente... Quem ama sofre e eu não estou disposta a sentir na pele essa dor novamente... É terrível... Meu coração sangra diante dessa dor... – E com esse pensamento cheguei em casa...

– Olá minhas filhas! Onde as senhoritas estavam, posso saber?

– Pergunte a Isabella! Foi ideia dela! – Disse Sunny

– Já vi tudo... Vocês foram novamente ao parque né? – Mamãe perguntou com o rosto preocupado e eu apenas acenei com a cabeça em concordância... – Filha... Esqueça tudo o que aconteceu, não fique remoendo acontecimentos que nunca mais iram existir... Não quero te ver triste, eu quero ver felicidade transbordando pelos seus olhos... E tenho certeza, que caso você não esqueça... Você vai continuar sofrendo ainda mais... – Alertou mamãe me abraçando carinhosamente

– Eu sei mãe... Mas... Eu simplesmente não consigo evitar de lembrar... Mas pode ter certeza, eu estou disposta a esquecer, mas não me impeça de ir ao parque, é o que eu mais gosto de fazer...

– Eu entendo minha filha... Agora vá descansar um pouco, estou terminando de preparar o jantar, daqui a pouco o pai de vocês está chegando... – Comentou e eu apenas concordei.

Subi as escadas com as minhas irmãs ao meu encalço e cada uma se trancou em seu próprio quarto... Tomei um banho para relaxar e após ao banho acabei deitando na cama e peguei no sono.

Sunny P.O.V

Não aguento mais ver minhas irmãs sofrendo! A Becky sofre por causa daquele idiota do Rafael e a Isa sofre por causa daquele estúpido... Porque o Leonardo teve que fazer isso com a minha irmã? Está certo que eu nunca fui com a cara dele, ele sempre aprontava de tudo com a Isa e ela sempre perdoava... O que minhas irmãs fizeram para sofrer tanto assim? E ainda por cima, por pessoas que não valem uma lágrima sequer delas...

Eu vi muito bem como a Isa ficou relembrando de todos os momentos, enquanto observava aquele por do sol... Não entendo porque ela faz questão de ir lá, sendo que ela vai acabar sofrendo e relembrando momentos dolorosos... Eu ainda tenho uma vontade imensa de esganar aquele garoto...

E também tem a Becky, que mesmo estando sentada naquela grama, é como se ela não estivesse... Já que ela estava em outro mundo... Pensando no que deu errado... No porque o Rafael não gosta dela... Eu fico triste ao ver o estado em que elas estão... E é por esse motivo que eu nunca! Nunca na minha vida inteira, irei me apaixonar...

– Nossa filha! Não aguento as ver sofrer! Isso é uma facada no meu coração... – Comentou mamãe

– Sim, não quero ver elas assim... Mas tenho certeza que ainda vou matar esses moleques... E se caso mais alguém as fazer sofrer, essa pessoa pode se considerar morto...

– Sim, ainda não compreendo porque eles fizeram isso... Eles demonstravam muito gostar delas... – Mamãe comentou

– Foi pura falsidade! – Comentei com uma voz amarga...

Vitor P.O.V

Hoje é quarta feira, estamos quase chegando à semana do Natal... Não posso demonstrar que estou animado, porque eu não estou... E uma coisa que eu não consigo, é ser falso... E não é agora que eu tentarei...

E ainda tem essa dor no peito... Como se algo de ruim estivesse acontecendo, mas até agora nada... Esses sonhos malucos... Porque será que eu estou tendo esses sonhos? Quem será aquela garota que sempre está correndo naquele jardim?

Minha família continua muito preocupada comigo, eles acham que a qualquer momento eu irei entrar em depressão por causa da Luíza... Não posso dizer que eu não cheguei perto, pois eu cheguei... Fiquei dias trancado no quarto, sem me alimentar... Mas eu me lembrei do meu filho... Ele é minha razão de viver, é por ele que eu ainda me mantenho firme e forte... É por ele que eu estou lutando contra essa dor...

Não desejo essa dor a ninguém, ela é horrível... Eu nunca mais irei me apaixonar... Farei de tudo para evitar o amor, irei me esconder... Mas não quero e não vou me apaixonar... Não estou disposto a sofrer novamente...

Isabella P.O.V

*Duas horas depois*

Exatamente na hora do jantar, papai chegou em casa muito animado, com os olhos brilhando de felicidade e expectativa.

– Olá família! – disse ele sorridente

– Papai! – Sunny abraçou-o

– Tenho uma ótima notícia. Quero que vocês fiquem calmas, primeiramente.

– Amor? O que houve?

– Calma! É uma ótima notícia, pelo menos em partes! Tenho medo de saber como vocês iram reagir em relação a isso...

– Pai, desse jeito você está me deixando ansiosa... Fale logo, eu odeio suspense... – Comentei irritada com a hesitação dele em dizer...

– Calma minha filha! Como todos já sabem, eu tive uma reunião hoje com o Presidente da empresa e os funcionários, e que nessa reunião iriam definir o novo cargo de todos... – Ele fez uma pausa e logo depois continuou – Então... Eu consegui o cargo de Diretor Geral de uma das filiais que vai inaugurar... – Mamãe interrompeu

– Meu deus! Isso é ótimo! Parabéns amor! – Disse completamente animada e abraçou papai.

– Calma, eu ainda não terminei! – Suspirou – Agora vem o pior! Acho que vocês vão surtar...!

– Como assim? – Perguntei confusa

– Nós iremos nos mudar para São Paulo dentro de seis meses... Já que a Filial que vai inaugurar fica lá.

O que?!?!? – Perguntou todo mundo ao mesmo tempo

– Sabia que vocês iriam reagir assim, eu também fiquei em estado de choque quando soube...

– Pai, eu não quero me mudar! – Disse Sunny choramingando.

– Eu também não quero, mas se foi para o bem de todos... Eu até topo! – Disse minha opinião.

– Para mim tanto faz! – Disse Becky sem animação nenhuma.

– Amor? E você? O que acha? Você ainda não deu sua opinião.

– Como se adiantasse nossa opinião... Você apenas está comunicando... – Comentei

– Isabella! Não é assim!

– É assim sim! – Disse Sunny

– Eu não me importo de me mudar! Será bom viver em um lugar diferente! E para as meninas será maravilhoso... Elas precisam mesmo sair um pouco daqui, para conseguir esquecer o passado...

– Sim, foi o que eu pensei quando recebi o cargo... Ok, vamos dizer que pensei nisso depois que saí do choque. E tenho que admitir, demorou muito... – Comentou rindo e pela primeira vez no dia acabei rindo junto com todos, menos Rebecca...

Logo após o jantar, resolvi assistir um filme no computador... Assisti 47 Ronins, gostei muito do filme... Quando acabou coloquei pijama e fui dormir pensando na frase que fala no final do filme...

“ Procurarei por você em mil mundos e por dez mil vidas até eu te encontrar”

Jonathan P.O.V:

Estou muito nervoso... Hoje que vou pedir a Juliana em namoro, depois de um mês ficando... Que ansiedade! Eu realmente a amo! Ela é... Ela é tudo para mim... Não consigo parar de tremer de nervosismo!

Aqui estou, no parque Trianon, Paulista. O lugar do nosso primeiro encontro. O pôr-do-sol me ajudará no clima romântico... Agora... Onde está você...? Já são 18h21...

– Jonathan? – sua voz suave me fez arrepiar. Me virei, e a vi sorridente.

– Juliana! – sorri para ela e a abracei

– Eu estava ansiosa! Você não adiantou o assunto...

– Ju... – suspirei e segurei em suas mãos, por um momento, eu achei que a minha voz iria falhar – Você aceita namorar comigo?

Por um momento, seus olhos brilharam intensamente, era um olhar tão belo...

– É claro que aceito meu amor! – ela me abraçou e me beijou logo em seguida.

Naquele momento, me senti a pessoa mais feliz do mundo, com o melhor presente de Natal da minha vida... Eu finalmente estou ao lado da minha pequena...

(Compras de Natal)

*Sexta-feira 21/12/2012*

Isabella P.O.V

Estou muito animada! Enfim o Natal está chegando... Não vejo a hora de reunir todos os nossos familiares, tenho certeza que isso seria perfeito, claro se a Becky não estivesse deprimida, como ela está... Odeio a ver triste desse jeito, pelo menos nossos primos e primas provavelmente iram vir, talvez eles consigam animar a Becky... Eles sempre são bons nas piadas e a Becky sempre se deu muito bem com eles, principalmente com Megan e Roberta...

Vitor P.O.V:

O Natal já está chegando... Acho melhor comprar as coisas...

... Sonho Vitor

– Veja filho! Quantas flores bonitas que tem aqui! Sinta o perfume! — falei com o pequeno Anthony enquanto apontava para as flores. — Que lugar lindo! Um campo florido, o céu azul sem uma nuvem. Me sinto tão bem aqui. — disse enquanto caminhava com o meu pequeno. De repente vejo o pequeno Anthony apontar com o seu dedinho em uma direção, eu não pude ver o que era ou quem era. Mas ele estava insistindo para que fosse naquela direção. Mal andava e ele me puxava com tanta força e determinação. — calma filho, entendi, vamos então andar até lá. — disse ao pequeno. Não entendi o por que ele insistir tanto, mas fiz sua vontade, caminhamos e caminhamos, mas não chegávamos a lugar algum, era como se não saísse do lugar. Foi então que de repente vi uma pessoa de longe acenando e eu acenei de volta.

... fim do sonho

Acordei assustado, olhei para o relógio era muito cedo. Fiquei alguns minutos na cama pensando sobre o sonho.

– Nossa que lugar incrível! Que lugar lindo! Um campo florido! Jurava que podia até sentir o cheiro das flores. Mas quem era aquela pessoa? Não consegui ver seu rosto novamente, sei que era uma mulher, seu vestido rosa não se confundia com as flores. Engraçado era eu estar todo de branco, afinal faz muito tempo que não uso uma peça branca. — pensei alto olhando para o teto.

Rebecca P.O.V:

Não consegui dormir... Fiquei perdida em meus pensamentos por horas e horas... Tentando me localizar... Tentando saber o que eu faria... Por quê? Por que dói tanto? Sentimento idiota... Amor é um sentimento idiota... Não quero saber de romance, isso me enjoa!

Fiquei lembrando dos momentos bons que tive ao lado de Rafael, ele era meu melhor amigo, afinal das contas.

– Idiota... – a dor que sinto... É como se não tivesse mais nada dentro de mim, como se meu coração estivesse sido arrancado.

Levantei-me e comecei a mexer no computador, já que eu estava sem sono.

“Bem que o mundo pudesse ter acabado hoje, não é mesmo?” pensei comigo mesma.

Fiquei procurando música para escutar, resolvi escutar Super Junior. Afinal, era meu grupo favorito. Fiquei escutando as músicas e é como se eles estivessem me confortando. Acabei adormecendo na cadeira de tanto ouvir.

Sonho modo on

Eu estava em um campo, parecia estar um tanto seco, não possuía flores, nem nada. De repente, avistei uma pessoa no meio da plantação seca, era alguém muito alto, por um momento, pensei que fosse meu integrante favorito do Super Junior, mas... O rapaz que eu via diante de mim não era nem um pouco semelhante, pelo menos, não de longe... O rapaz estava chorando muito. Cada vez que eu me aproximava, mais distante eu ficava do misterioso garoto. Ele era incrivelmente alto... Fiquei encarando ele, queria ver o rosto dele para ver quem era ele.

– Ei! – exclamei. Nesse instante, ele virou o rosto, porém, foi justamente na hora que acordei.

Sonho modo off

– Rebecca, acorde. – mamãe me acordou. Eu estava ainda na cadeira com os meus fones, porém, o computador havia desligado... Talvez porque os vídeos pararam de exibir, e o computador sempre faz isso.

– Era um sonho... – sussurrei

– Está tudo bem, meu anjo?

– Sim mamãe. As minhas irmãs já levantaram?

– Sim, e elas estão animadas para comprarmos as coisas de Natal.

Os dias passaram tão rapidamente que nem percebi que já estávamos perto do Natal. Pra ser sincera, não quero nem saber em comemorar nada.

– Entendi... – suspirei – Mamãe... Eu não quero sair... Eu não quero viver mais!

– Filha, não diga besteiras! Eu tenho sorte por ter você como filha! Quero que entenda uma coisa... Só porque o Rafael agiu dessa maneira, não significa que outros caras vão agir da mesma maneira! Sei que encontrará uma pessoa digna, você ainda é jovem.

– Eu não quero ninguém, apenas a mim mesma e ao Super Junior... Eu quero ir pra Coréia, Japão, sei lá!

– Você ainda vai mudar de opinião... E sei que você encontrará a pessoa certa, agora... Saia com as suas irmãs e com o seu pai, aproveite passar o tempo com elas, assim você vai se distrair um pouco, você precisa ver outras pessoas.

– Tá bom mamãe... Eu vou sair... – levantei-me

– Agora, coma um pouco e se troque.

Saí do quarto e fui para o banheiro. Fiquei me encarando no espelho, me xinguei mentalmente de feia, de escrota, de qualquer nome que veio em minha mente. Preferia não me olhar mais.

Isabella P.O.V:

Sunny, papai e eu estávamos esperando por Rebecca na cozinha para fazermos compras para a Ceia de Natal. Mamãe nos disse que iria tentar convencê-la a sair conosco, por isso, já estávamos trocadas. Coloquei uma bata e um short, Sunny resolveu usar vestido, com um shortinho por baixo.

– Acha que a Rebecca vai? Já são 10 horas! – exclamou Sunny impaciente

– Ela vai sim, a mamãe sempre consegue convencê-la. – respondeu papai sorridente.

Fiquei pensativa no meu sonho. Queria saber o que aconteceu... O que era tudo aquilo que vi?? Fiquei tão assustada, porém, tão curiosa...

Meu raciocínio foi cortado quando escutei alguns passos. Era Rebecca. Ela puxou a cadeira e se sentou enquanto mexia no celular. Ela estava com uma bermuda... E com um moletom. Moletom no verão?? Sério isso?!

– Bom dia Rebecca, você está bem? – perguntei preocupada

– Estou... – ela forçou um sorriso enquanto cobria a cabeça com o capuz

– Becky, tá muito quente lá fora, tire esse casaco! Você vai ficar com febre! – papai se preocupou também.

– Já tiro...

– Nãnãnão! Você vai tirar isso agora! – Sunny se levantou e tentou tirar o casaco de Rebecca, já suando.

Depois de tanta teimosia, ela tirou o moletom, ficando com uma regata preta com um desenho de caveira. Assim que ela terminou o café, e escovar os dentes, fomos para o mercado, porém, assim que dobramos a esquina, levamos o maior susto de nossas vidas, quase fomos atropeladas por uma bicicleta.

Olha por onde anda! – gritei, junto com Sunny. Rebecca se segurou no braço de papai.

– Desculpe. – era Rafael. Ele e Rebecca se encaravam, como nunca vi antes, parecia um olhar mais forte, mais pesado. – Oi, Milena.

Milena era como Rafael a chamava, antes de começar a amizade deles, ele dizia que esse nome não era a cara dela, mesmo sendo o nome composto. E ele a chamava assim porque ele não tinha intimidade com ela, depois passou por Rebecca e por fim, Becky. Mas agora...

– Oi Ferreira. – disse Rebecca, quase com a voz falha. Nunca a vi chamar pelo sobrenome.

Os dois não esboçaram sorrisos e ele foi embora, sem dizer mais nada.

– Que menino idiota... – disse Sunny

– Sim... – cruzei os braços – Eu nunca pensei que ele fosse assim tão insensível! Não sei como eu não dei uma bofetada na cara dele!

– Fiquem calmas, ele já foi embora. – disse papai abraçando Rebecca

– Adeus... – sussurrou Rebecca – Acho que nunca amarei alguém como eu o amei...

– Não diga besteira. Vamos. – disse Sunny andando na frente

Fomos para o mercado, lá, apenas Sunny e eu falávamos, Rebecca se manteve quieta e de cabeça baixa, sem se soltar do nosso pai. Naquele momento, senti meu sangue ferver. Se ele cruzar de novo o nosso caminho, eu juro que minha mão fará uma marca naquela cara pálida!

Compramos muitas coisas... Muitas coisas mesmo! Papai levou as coisas mais pesadas. Eram sacolas e mais sacolas... Ahh! Que peso!

Quando chegamos em casa, mamãe ficou extremamente surpresa ao ver a quantidade de sacolas.

– Vocês compraram o mercado inteiro, foi? – ela começou a rir

– Praticamente – brincou papai

Esse Natal será um dos melhores das nossas vidas, quem sabe isso possa alegrar a Becky...

Assim que penso nisso, escuto a porta do quarto dela bater bruscamente.

– O que houve?! – perguntou mamãe preocupada

– Rafael. – respondeu Sunny bufando – Encontramos com ele andando de bicicleta, aquele veado quase nos atropelou!

Preciso realmente de alguma coisa para poder alegrá-la... E tem que ser algo muito forte.

O que posso fazer...? O que nós poderíamos fazer para vê-la bem novamente?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.