Amor Perfeito XV - Versão Kevin

12 Origem da deslealdade


Notas iniciais
Versão Kevin sem narração do Kevin, kkk primeira vez que isso acontece. Bom... Agora começam as coisas ruins. E aviso, só estão começando. É ruim, mas, nos enganamos com as pessoas. Boa Leitura ♥

Arthur Narrando

A ideia de Kevin de viajar para voltar e pedir Fael em casamento estava cada vez mais distante. Isso porque o delírio do meu amigo era constante e ele inventava motivos para brigas e mais brigas, invés de aproveitar a presença do namorado e sem nem saber o que ele planejava para os dois.

— Você tá delirando, Rafael. – cheguei lá fora e ouvi meu irmão dizer. Como sempre eu e Kevin conectados no mesmo pensamento. Éramos assim. – Não tem motivo para esse show todo.

Entrei em meu carro com Alice para a levar até uma de suas consultas e fiquei olhando os dois que continuavam brigando. Quando a imagem sumiu pelo retrovisor minha namorada começou a falar.

— Eles não vão dar certo. Por que insistem? Já estão há um ano e sete meses sofrendo com todas essas brigas! – a olhei insatisfeito.

— Se alguém dissesse isso da gente você gostaria de ouvir?

— Não temos esse tempo todo! E não brigamos assim.

— Temos tempo o suficiente Alice. E não brigar e decidir não querer mais é tão ruim quanto.

— Odeio o fato de você guardar rancor. – se virou para frente.

— Não guardo. Só não quero que acabe mais. É pedir muito?

— Sua insegurança é inútil. Eu não vou terminar com você Arthur. – cheguei na clínica e estacionei. Agradeci tanto aos pais dela por me deixarem fazer o papel que era deles. A confiança que eles tinham em mim, principalmente Vinicius que me viu em meu pior momento, era gratificante.

Se eu entrei satisfeito e com um espírito elevado, sai totalmente diferente. A médica de Alice disse que os exames permaneceram os mesmos e que as emoções dela sofreriam oscilações caso houvesse algum acontecimento para ela superar.

Na minha cabeça não tinha como Alice ter esse problema para sempre. E a médica me diz que ela melhorou um pouco, mas não vai passar disso. Nunca passará.

— Você está pior que eu. Por isso queria que minha mãe viesse.

— Era uma consulta importante. Eu queria estar ao seu lado. – falei sem olhar para ela.

— Ei... – ela colocou a mão por cima da minha. – Por que está apertando o volante com tanta força? – relaxei meus músculos. – Arthur... Eu sou assim. Essa sou eu. Danificada. E você sempre soube disso. – eu me encostei ao banco.

— Mas você melhorou tanto Alice. Olha como você era... – segurei o ar.

— Se você não aceitar isso, vai ser difícil dar certo.

— Eu já fui embora alguma vez? – a olhei com firmeza. Ela negou. – Só não acho justo que tenha que passar por isso. A medicina TINHA que ter uma solução. O seu irmão decidiu a vida dele, Alice, ele vai morar na França e você? Você não vai se casar comigo e ficar em casa me esperando, eu sei que não faz o seu tipo. Essa pode ser a minha mãe e tantas mulheres e não tem nada de errado nisso, mas você... Quer mais que isso.

— Posso conseguir Arthur. – sua voz permanecia calma e conformada.

— Ninguém poderá morrer, nada poderá acontecer. Não tem como controlar o mundo a nossa volta.

— Para, por favor. Preciso que seja a minha força e não a minha fraqueza. Se ficar dizendo essas coisas... – não a deixei continuar e a abracei.

— Perdão. Nunca mais vou fazer isso. – falei depois de bons minutos, após me distanciar e olhar em seus olhos. – O quanto é injusto você passar por tudo isso é que me deixa assim.

— Não precisa se justificar. – ela se aninhou em meu peito. – Vamos para casa.

Quando chegamos eu fui atrás de Kevin, eu até queria desabafar, porém, sabia que ele precisaria fazer isso primeiro e com maior urgência que eu.

— Pelo visto não se resolveram. – me sentei na poltrona de seu quarto.

— Se não bastasse, o satã já está aprontando. Caleb ultrapassa os limites com tanta frequência que é difícil perceber.

— O que ele fez? – direcionei toda minha atenção a ele.

— Esquece. – me olhou. – O que foi? Você também não está legal. – contei da consulta. Ele conseguiu me acalmar e me fazer entender que eu precisava apoiar Alice e não ficar desse jeito.

— Então você vai mesmo voltar para a capital usando o nosso pai como desculpa? – me olhou de um jeito feio. Dei uma risada.

— Vai valer a pena. Quando eu voltar e Rafael for surpreendido, tudo vai valer a pena. – suspirei com sua positividade. Era bom que ele pensasse assim.

Kevin havia ido fechar sua matrícula, segundo ele a mando de Caleb. Tudo mentira. Ele só se afastou mesmo do namorado, para o deixar irritado, com saudades e dar motivos suficientes para ele ficar ainda mais impressionado quando fosse pedido em casamento. Se iria dar certo? Ninguém sabia. Porém, eu, o dono da ideia, apostava todas as fichas que sim.

Rafael Narrando

Mesmo que eu detestasse brigar com Kevin, não iria me acertar com ele rapidamente apenas para acabar com a indisposição entre a gente. Ele sabia muito bem que eu era ciumento e explosivo, não sei porque agir igual a um pavão se abrindo todo e se exibindo. Não era ele o reservado? Quando se tratava de ego, não.

— Esqueceu de trocar? – perguntou se referindo a senha do meu quarto. Não respondi e ele continuou entrando, mesmo tendo noção que era melhor não conversarmos mais hoje.

Ficou um tempo parado em silêncio apenas me observando. Não sei o que isso queria dizer, mas eu já estava incomodado.

— Pare antes que eu precise mandar. – falei e voltei minha atenção a televisão.

— Já está mandando. – respirou fundo de um jeito irritante.

— Sai daqui Kevin. – ele não se moveu. – Anda.

— Já percebeu que você só sabe mandar em mim? – meu rosto ficou ainda mais carrancudo.

— Se não precisasse eu não faria. – reclamei quase rangendo os dentes.

Vi seu corpo se movimentar rapidamente para o outro lado do quarto e ele fechar as mãos uma ao lado da outra, as colocando contra os olhos. Se ele decidisse me bater ele iria apanhar, pois, eu estava com muita raiva. Senti um aperto no peito e toda raiva se foi quando vi que ele não estava pensando em vir para cima de mim e sim chorava.

— Está tentando me fragilizar? Não vai conseguir. – menti, mantendo a voz dura. Ele continuou com os olhos tampados e sua respiração cada vez mais descompassada.

— Quem está fragilizado aqui sou eu e odeio mais que tudo estar assim. – me olhou e notei seus olhos vermelhos. – Quero saber se você ainda é meu namorado. Vim te dar satisfação e nem sei mais se precisa.

— Eu me lembro do exato momento que te vi pela primeira vez. Você se lembra quando me viu? – ele deu uma leve risada, agora com o rosto sem lágrimas.

— Claro. Um loiro dos olhos azuis com jeitinho de folgado e que era irritante. Difícil de esquecer.

— Não tem como não ser seu namorado Kevin. Você sabe disso.

— Também não tem como me tratar assim Rafael. Não faço nada de errado, eu te respeito mais que qualquer um poderia respeitar, você tá nervoso apenas com meu jeito de ser.

— Tenta entender que para mim, é complicado ver todos admirando você... Babando por você... Isso me torna igual aos outros.

— Que idiotice! – se sentou de frente para mim. – Você nunca vai ser igual a ninguém. Você é a pessoa que eu amo Rafael. – não o deixei continuar falando e o abracei forte. Toda vez que ele dizia que me amava eu fazia isso, apenas por serem poucas às vezes que isso acontecia. – Está me sufocando. – resmungou quase sem ar.

— Estava pensando... – me afastei e olhei em seus olhos. Ele soltou toda sua respiração sabendo ser alguma neurose minha. – Existe uma circunstância diferente agora. Nicolas. Alguém pode realmente conquistar Murilo. Não seria um desses relacionamentos superficiais dele e você sabe disso. Você pensa no que pode acontecer?

— Não penso Rafael, pois eu não ligo para o passado. Só penso que você está ao meu lado. E que você estará se continuar se tratando conseguindo resolver seus problemas internos. Nós dois precisamos muito disso.

Ele realmente não parecia preocupado. Aquilo me deixou contente. E talvez até aliviado. Depois ele veio com um papo de ter que ir para capital, insisti para ir junto e ele não quis. Se for mentira para ir atrás do Murilo, mesmo eu deixando claro que ele poderia ir, eu iria terminar. Muita mentira e traição de confiança.

— Estou deprimido só de entrar nessa cobertura. – Yuri resmungou e eu reclamei quase o chutando, querendo continuar meu jogo. – Tá todo mundo lá na casa da vó, o que você tá fazendo aqui?

— Acabei de chegar do trabalho. Talvez julho seja um mês só de férias da faculdade para mim.

— E daí? Toma um banho e vamos pra lá. – pausei o jogo e o olhei com raiva. – Tem quantos dias que você tá usando o mesmo moletom? – continuei olhando pra ele. – Kevin foi resolver uma coisinha boba que deu problema, não terminou com você. Não sei qual o motivo dessa tristeza toda.

— Falo com ele diariamente, sei que ele tá lá, já até vi a universidade, mas... Algo dentro de mim me diz que ele tá escondendo algo.

— Deve ser o algo chamado “sou neurótico”. – fui bater nele e ele correu. – Anda Fael, vai se trocar pelo menos e vamos.

— Não. – deixei o console de lado. – Vou tomar banho. – me levantei. – E nós vamos é sair. – me olhou e os seus olhos estavam quase arregalados.

— A ideia não era bem essa... – ele andava se aquietando por conta de estar cada dia mais afim de Larissa, mas essa noite isso não era prioridade.

— Hoje preciso beber e me divertir, você vai sair comigo. – finalizei o assunto.

Era pedir demais que ele não arrastasse a priminha que ele tanto queria e a amiga dela. Tinha certeza que dessa vez não seria tão bom quanto da outra.

Cheguei até a casa noturna e virei para entrar no estacionamento. O manobrista passou pela frente do meu carro rapidamente e logo saímos.

— Não entendi a urgência dele. – Giovana comentou com inocência.

— Rafael arrasa corações. – a outra me provocou.

— Não é nada disso Lari... – revirei os olhos bufando. – Poder.

— Como assim? – encarei os dois com preguiça antes de entrarmos.

— É babaca dizer isso, mas a SUV dele... – o cortei.

— Você paga a minha entrada. Riquinho desgraçado. – resmunguei e entrei a frente para passar meus dados. Quando entrei os três ficaram lá e o trouxa do Yuri pagando. Dane-se, ele tinha tanto dinheiro quanto Kevin e Arthur. Também era filho de Caleb.

Ao entrar meus olhos cruzaram com o de uma moça... Ela tinha um olhar fixo, provocante e que me fez pegar meus óculos escuros e coloca-los. Apenas para olhar para ela.

— Vamos. – meu cunhado bateu em minhas costas me assustando tremendamente. – O que foi?

— Nada. Só tá cheio aqui. Vamos. – sentamos no sofá de couro preto e eu fiquei observando aquela morena há metros de distância.

— Por que tá de óculos? – uma das meninas perguntou sem segurar a curiosidade.

— A meta é sair daqui ao amanhecer, por isso eu vim com ele. Pensei em adiantar as coisas.

— Doente. – ela riu e então pedimos os combos e alguma coisa para consumirmos.

Chegaram nossas bebidas e depois os petiscos. Enquanto conversávamos o som parecia se animar cada vez mais e eu não conseguia parar de olhar aquela desconhecida misteriosa que não parava de dançar praticamente para mim.

— Vou ir para pista, vamos? – Lari levantou e arrastou o Yuri e Giovana. Fiquei por lá mesmo sozinho. Após beber mais um pouco vi a moça fazendo um sinal discreto com a cabeça para encontra-la no banheiro. Já estava levemente corajoso e curioso desde que cheguei. Fui.

Eu me atentei ao pessoal e eles estavam animados dançando sem nem notar meu movimento. Entrei vagarosamente no local todo preto e espelhado e notei que além de impecavelmente limpo, estava vazio. Isso era a vantagem de uma casa noturna de luxo, muitos banheiros. Fechei a porta, já que eu sabia o que rolaria ali.

Vi seu corpo encostado na parede sedento por minhas mãos. Queria começar uma conversa, porém, não saiu nada. Que merda eu estava fazendo? Encostei de costas na pia e abaixei a cabeça. Ela não deixou que minha crise de consciência a afetasse e se juntou a mim, pegou meu rosto com brutalidade. Suas unhas pontudas me causaram medo e espanto, fazia tempo que eu não via uma assim tão perto.

Não dissemos nada. Ao sentir seu cheiro de perfume francês lembrei alguém e levei minha mão por trás de suas coxas e a sentei na pia. Nos beijávamos enquanto eu acariciava sua perna com mais carinho que necessidade.

Dois ou três beijos e ela saiu andando. Deixando meu corpo na vontade. Não valia a pena. Tentei ir atrás dela, mas ao abrir a porta me dei conta do risco. Na verdade, só agora minha ficha caiu quanto a tudo que eu fiz. Perderia o Kevin pra sempre. Não, isso não iria acontecer. Eu sei que é errado, mas eu manteria segredo.

Lavei o rosto por diversas vezes e chequei minha aparência no espelho. Tirei o batom borrado ao lado dos meus lábios com o papel toalha e me sequei. Você nunca sabe do que é capaz até fazer. Viveria com isso me martirizando.

— Você tá estranho. – Yuri comentou me olhando. – Estava todo ranzinza, agora tá triste.

— Quero ir embora. – ajeitei meus óculos.

— Não iria ficar até amanhecer?

— Desisti. – tentei não entregar nada em minha voz.

— Rafa o Kevin não está fazendo nada de errado. – meus olhos se umedeceram por trás do óculos. Yuri era tão puro, na verdade, mesmo que cada um com sua personalidade, os três eram. Eu não merecia estar naquela família. Sai dali antes que as lágrimas caíssem.

Mudei de ideia. O plano atual era contar a ele assim que chegasse. Sei que isso era um risco a minha vida e tudo que construí ali, mas eu confiava que o amor dele fosse maior para ele me perdoar. Não deu tempo. Fui surpreendido com um pedido de casamento. Era para ser lindo. Foi trágico, pois eu só sabia chorar. Como contar agora? Após ele se expor para todos e demonstrar o quanto me amava. Seria mil vezes pior.

Sophia Narrando

Já superaram o fato de eu ter traído Yuri. Pelo menos eu acreditava que sim. E um novo assunto tomava conta das rodas de conversa. O lindo pedido de casamento de Kevin para Rafael. Ele simplesmente apareceu do nada com um buquê de rosas vermelhas imenso que devia ter dado até trabalho para carregar e se ajoelhou abrindo a caixinha com a aliança. E que aliança. Isso nunca aconteceria comigo. Enquanto as meninas suspiravam os garotos desacreditavam no quanto ele era romântico.

— Não acredito que vão mesmo fazer isso. – vó Isa disse animada e abraçou os dois. – São tão novos.

— Nem tanto. Eu tenho vinte e o Kevin dezenove. – o mais novo o olhou.

— Apesar de parecer que eu tenho vinte e você doze. – todos riram e fiquei os olhando admirada.

— Boa sorte e cuidado, cuidem um do outro a partir de agora. – Mark aconselhou me fazendo sorrir.

— Então você não vai mesmo ser da minha família. – Vinícius brincou ao chegar, apertando o ombro de Kevin, que riu.

— Está errando rudemente duas vezes. Uma em quase me deixar aleijado me machucando desse jeito e duas em tocar nesse assunto.

— Desculpe, estou ficando velho e perdendo a noção. – todos riram, claro. Os outros adultos deram os parabéns a eles. Até a chata da Luna ficou contente.

Mais tarde saímos todos para a choperia para comemorarmos. Apesar de o clima estar bom e nos divertimos muito, notei que o novo noivo estava um pouco tenso. A mudança de status devia causar isso. Eu costumava ser a mais bocuda de todos, mas hoje e em relação a isso, ficaria caladinha.

— Quero que passe logo agosto a começo de dezembro. – Arthur disse agarrando sua namorada de lado. Olhei minha irmã certa de que ela havia realmente superado. Seu olhar agora tinha outra direção, Yuri. Era inacreditável que os dois se envolvessem. Mas isso logo aconteceria.

— Alguém notou que Sophia está calada há mais de dez minutos? – Alexandre perguntou me fazendo o encarar com os olhos fervendo de raiva. – Milagres acontecem.

— Alguém notou que você é chato? Ah é... Isso ninguém precisa notar. Está nítido.

— Hum... Implicância assim é amor enrustido hein? – Kevin disse e riu.

— Vocês dois implicavam um com o outro né?! – confirmei e bufei. – Não é nosso caso. Aliás, não vai ser. – corrigi minha fala a tempo.

— Você não sabe. – ele continuou me provocando.

— Melhor parar antes que ela te bata. – Yuri aconselhou. – Ela é bem brava, eu sei o que estou falando.

— Vai dar em cima da minha irmã e me esquece. – mandei baixo e de forma contida.

— Trai meu irmão e ainda se acha no direito de falar assim com ele. – Otávia defendeu o garoto, como na maioria das vezes.

— Não entende que ele não precisa de você o defendendo o tempo todo? Deixe-o se virar.

— Nossa Sophia! Você é mesmo insuportável. – ela saiu da mesa dando chilique.

— Precisa? – Ryan me questionou sério.

— Não vai desistir dela nunca? – devolvi com outra pergunta.

— Hoje é dia dez, ela está de tpm, está sensível... Tinha que ter mais jeito com ela. Vem você e sua língua que é uma metralhadora. – ele saiu certamente indo atrás da garota.

— Amiga não me ataque. – Giovana disse com os olhos amedrontados. Eu era assim tão chata? Sai da mesa e fui rumo a minha casa. Andava rápido, mas ainda assim ele me alcançou.

— Sophia é perigoso. Mesmo que seja perto e Torres pequeno, ainda existem ladrões e loucos. – olhei o dono da sala. – Você pensou que seria Yuri que viria né? Ou até Arthur que resolveu sempre tudo.

— Obrigada. – o abracei. – Não sei o motivo pelo qual veio, se alguém pediu, mas... – me separei e o olhei. – Muito obrigada!

— Ninguém pediu. Vim porque eu quis. Boba. Calma. – secou minha lágrima teimosa que caiu sem eu querer. – Não te acham insuportável. Você é a mais animada, legal, doidinha... – sorriu. – Só... Fala demais às vezes. E as pessoas não estão preparadas para ouvir demais.

— Não é óbvio que a Otávia trata o Yuri como um bebê?

— Não só ela, como Arthur e até Kevin. Porém, dizermos isso é indelicado Sophia. É assunto deles. Eles são irmãos. Ninguém se mete na forma como se relaciona com Larissa. – parei para pensar.

— Você está certo.

— Já parou para analisar que eles podem ser assim com ele devido a Caleb? Pelo garoto não ter nenhum amor do pai, eles tentam dar mais amor e assim acabam exagerando às vezes?

— Você não é só um idiota que faz piadas idiotas. – franzi a testa bastante impressionada.

— Não. – riu alto. – Mas gosto de ser aquele Alexandre. Me faz bem. Faz com que eu viva de um jeito mais leve, mais pacífica e que as coisas fluam melhor. Entende? – concordei gestualmente. – E então, quer ir para casa e eu te acompanho ou quer voltar?

— O mais certo é voltar e pedir desculpas né? – ele sorriu sem concordar.

— Boa garota. – pegou minha mão me fazendo estremecer por não esperar o ato. – Vamos.

Ao voltarmos Alê entrou e eu fui procurar Otávia e Yuri lá fora, mas quem encontrei foi outra pessoa. Rafael estava fumando encostado em uma das paredes laterais, não havia quase ninguém ali. Ele mexia em seu celular e levou um susto ao me ver.

— Não estava fazendo nada de errado né? – perguntei curiosa.

— Seu mal é esse. – resmungou e entrou. Cocei minha cabeça de forma impaciente. Já estava eu me intrometendo aonde não era da minha conta.

Encontrei a garota e pedi desculpas, ela aceitou e tudo seguiu normal o resto da noite. Quer dizer... Só a parte da choperia, ao chegarmos na casa da vó Isa para um after, não acreditei quando ouvi os gemidos vindo da biblioteca.

— Isso é inusitado. – Alê disse ao trazer o copo de água pra mim que eu havia pedido.

— É Yuri e Lari? – Alice perguntou me surpreendendo pela sua curiosidade.

— Eu estou aqui. – o garoto levantou o braço ainda beijando minha irmã.

— Kevin e Rafael? – Arthur discordou da pergunta de Alexandre, contando que o irmão havia ido para a cobertura com o amigo.

— Giovana e Ryan. – o mais velho contou e eu olhei na hora para Otávia.

— AI MEU DEUS! – não aguentei segurar a reação.

— Vou ir dormir. – ela se levantou e foi para o quarto.

— Não entendo. Ela não quer o garoto e fica assim quando ele come alguém.

— SOPHIA! – minha irmã gritou. – Tenha modos.

— Ih. Vai ser engolida pela boca enorme do Yuri garota. – o meu modo discreta deu tchau.

Entramos todos em um debate sobre o quanto era incomum dividirmos os mesmos garotos, entretanto, ela jurava que estar com o Yuri agora nada tinha a ver com o episódio do Murilo no passado. Por mim, estava tudo bem e era isso que importava.

Notas finais
É triste. Volto mais rápido possível (tenho vindo todo fim de semana né? talvez venha antes) ♥