Amor Perfeito XV - Versão Kevin
3 Nicolas e Murilo
Notas iniciais
Arthur Narrando
Entender que eu não devia nutrir o ódio pelo meu pai foi um passo importante pra mim. Mas mesmo assim isso não tornava a minha adaptação tão fácil assim.
— Se eu for embora com Rafael você vai ficar bravo? – meu irmão perguntou de um jeito manso. Um jeito que não combinava nada com ele.
— Isso é uma palhaçada Kevin. – olhei meu amigo. – Eu vou ter que quebrar sua cara né?
— Eu não disse nada. É ele que quer ir embora. – deu de ombros como se realmente não tivesse culpa. Os outros chamaram minha atenção e eu olhei Murilo e Ryan fazendo algo engraçado. Dei uma risadinha.
— Ele não tá nem um pouco incomodado com vocês. Dá pra pararem com essa putaria?
— Ei. – Larissa chegou perto de mim. Não a olhei e fiquei vendo que meu irmão e o namorado não estavam a vontade.
— Vão logo. – resmunguei para eles e depois olhei a garota. – Oi. – era estranho. Tudo ficou mal resolvido entre a gente antes do meu sumiço e tentar resolver isso agora era de longe a minha prioridade.
— Queria que soubesse que estou aliviada por te ver em minha frente. Pensei que isso nunca mais voltaria a acontecer. – ficamos nos olhando. Otávia me entregou um copo de alguma coisa. Bebi e continuei olhando Larissa. – Não tem nada a me dizer?
— Tá tudo muito confuso em minha cabeça ainda Lari. Não tenho nem como te dizer alguma coisa.
— Sei que tem que superar isso tudo que aconteceu com você, mas eu gostaria que soubesse que eu ainda quero tudo... Como eu queria antes. – ficou me olhando e deu um sorrisinho, se afastando em seguida. Vi os olhos de Alice em mim.
— Ela não vai parar de te cercar. – minha irmã que estava por perto comentou. – Tá perdidamente apaixonada. – suspirou. – E como é chata.
— Só vai perder tempo. – bebi mais um pouco. – O que é isso?
— Sei lá. Algo com álcool. – riu. – O Murilo e o Alexandre fizeram. – riu mais ainda. – Ele faz tanta falta né? – olhamos nosso primo.
— Muita. – me preparei para grita-lo. – MURILO VEM AQUI.
— O que você não me pede que eu não faço coisa maravilhosa? – perguntou chegando perto da gente. – Aí você se tornou mais poderoso ainda, ressuscitou, eu estaria irritante essas horas se fosse comigo. Shiu! Eu voltei dos mortos. – não aguentei e ri.
— Eu vou falecer com esse garoto aqui. – Otávia comentou entre as gargalhadas. O jeito dele era muito engraçado. Ele se encostou ao meu lado.
— Obrigado. – falei mais baixo. – Se não fosse você não estaria vivendo esse momento com todo mundo.
— Pode gravar? – ele tirou o celular do bolso. Depois o guardou e continuou me olhando. – Ele foi embora? – senti que ele não queria perguntar aquilo. – Ah, tanto faz!
— Foram. É muito interessante uma coisa... – suspirei. – Você não o esqueceu. – o olhei. – E mesmo que ele tenha te esquecido completamente, você tá bem melhor que ele. Você tá feliz, leve, de um jeito que ele não está. E tem mais, sua namorada te vê como alguém que tem sua individualidade. Ela te respeita. Olha isso... – apontei para o local. – Ela está de boa conversando com todos. Não a vi brigando com você. O problema de Kevin e Rafael não é só o passado. É tudo. Eles estão sempre tão inseridos nessa realidade de um precisar tanto do outro que esquecem que a vida vai além disso. Posso estar muito errado, mas sinto que meu irmão deve a ele por ele ter feito com que te esquecesse, entende? E ele nunca vai saber dizer não a Fael. Nunca.
— Minha irmã acha quase a mesma coisa. – ficamos olhando Alice. – E vocês dois hein? Fiquei sabendo que você a tratou extremamente mal.
— Você sabe que ela está saindo com um carinha né?
— Não está não. Desde que você sumiu ela nem viu mais ele. – fiquei sem saber o que dizer. – Kevin não te contou? – me olhou. Depois voltou a olhar pra frente. – Claro. Ele só sabe falar dele e daquele namorado dele.
— Nisso você não está errado. – concordei. – Mas ela não pensou em vê-lo nem agora que eu estou bem? – perguntei com cuidado.
— Não Arthur. Alice recuperou as emoções com a sua “morte”. Foi um choque muito grande pra ela. E com as emoções veio junto todo o sentimento. A culpa. A raiva. Foi difícil ela passar e ainda estar passando por tudo isso. Não vou mentir, ela precisa de você.
— Infelizmente é tarde demais Murilo. Eu me preocupo com ela como prima da forma como sempre preocupei desde novinha... Só que agora é diferente. Não posso parar minha vida para ajudá-la mais.
— Eu entendo. – deu um suspiro pesado. – Também nunca te daria essa responsabilidade.
— Não se preocupe. Kevin sempre vai cuidar dela.
— Estou um pouco preocupado com isso. Ela tá com muita raiva dos dois. Isso já está começando a afetar a relação de amizade que eles têm.
— Não tiro a razão dela. Já conversei com Fael, não adianta Murilo. Kevin e ele tem essa dinâmica. Cada casal funciona de um jeito e o deles é assim, nada vai mudar isso.
— Vocês dois vão ficar de papinho? – resolvemos nos juntar ao pessoal e curtir o resto da noite.
Aos poucos eu deixei o semblante sério de lado e estava rindo o tempo todo. Não dava pra ser diferente com Murilo entre a gente. Foi a melhor decisão que eu tomei estar ali com eles.
Assim que amanheceu chamei Kevin pra ir até a cobertura, nossa conversa não podia ser adiada.
— Quero saber qual é o grande segredo que você tanto ameaça Caleb. – cruzei os braços e mantive o semblante sério.
— Não acredito que me chamou aqui pra isso. – se virou pra ir embora.
— Eu vou te machucar se você passar por essa porta. – ele me olhou e riu.
— Acha que vai conseguir alguma coisa com essa informação? Vai destruir a pessoa errada.
— Você disse o nome da Alice. É por isso que eu quero saber.
— Hum... – ele se aproximou lentamente e se sentou na bancada. Sabia que ele iria brincar comigo. – Isso é interessante. Muito interessante. Então parece que você não a esqueceu mesmo né? – segurou o riso.
— Esqueci. O fato de eu querer saber não tem nada a ver com isso.
— Uma hora nem você vai conseguir sustentar suas mentiras Arthur. – suspirou. – Acredite em mim, é melhor que isso fique em segredo.
— Eles não são irmãos. – arrisquei. – Murilo é filho de Caleb.
— QUE NOJO! – ele se levantou e foi até a janela e a abriu. – Preciso de ar. Você faz umas suposições que me faz querer vomitar.
— É. Isso foi ridículo. Até porque acho bem difícil Raissa ter traído Vinicius, ele é tão...
— Perfeito? – sorriu.
— Ainda mais com um escroto como Caleb. Mas se foi Luna que contou a ele e foi Vinicius que contou a Luna e Alice tem algo a ver com isso... – ele interrompeu meu raciocínio.
— Pode ir parando. Você nunca saberia. É só isso? Vou ir embora. Rafael está me esperando dormindo em minha cama. E eu te odeio por me fazer deixa-lo lá pra vim falar disso.
— Tem a ver apenas com Alice? Ela não seria adotada. É a cara do pai. Tem os olhos dele!
— Você só pensa em paternidade?
— Não fizeram nada com ela né? – fiquei em alerta e nervoso.
— Acha que ela não saberia?
— Ela poderia ser muito nova.
— Acha que eu aguentaria guardar isso numa boa? – pensou um pouco. – É, boa ideia você faz de mim. – se preparou pra sair.
— Kevin. – me olhou. – Você tem que parar com essa idiotice de evitar Murilo.
— Você já me disse isso antes. E eu já disse que eu estou bem assim. – deu um sorriso cínico. Era impossível fazê-lo mudar de ideia.
Como queríamos aproveitar a presença do nosso primo e também a minha volta, fomos todos para uma boate a noite. Meu irmão Nicolas, que estava em sua cidade prestando vestibular, chegou e foi com a gente.
Entrei em meu carro pela primeira vez. Todas as lembranças daquele dia vieram. Fechei os olhos e respirei fundo. Ainda iria superar isso. Fiquei de buscar Alice, Murilo e a namorada, porque segundo ele não iria nem pegar o carro do pai para poder beber muito. Acho que a namorada dele iria passar um pouquinho de raiva. Estacionei em frente a casa e esperei os três. Vinicius veio com eles e perguntou se eu estava bem, respondi que sim e ele pareceu se convencer. Depois ele fez recomendações necessárias e eu não acreditei quando vi Alice com um vestido preto colado e um salto enorme.
— Cuida dela, por favor. – pediu bem preocupado. Não era pra menos.
— Tudo bem. – eles entraram e eu dei partida. Em silêncio. Mas claro que Murilo não calaria a boca.
— Yuri mandou mensagem. Tá levando Otávia, Soph, Lari e Alê. Parece que o casalzinho tá levando o Ryan, aquele garoto escroto idiota acho que chama Danilo né? E o seu irmão novo... Que história bizarra né?
— Ele é legal. Antes de tudo acontecer saiamos direto. – senti os olhos de Alice em mim.
— E quem está levando Giovana? – ela perguntou após alguns minutos.
— Ela não vai. Está com gripes. – dei uma risada.
— Por que gripes no plural Murilo? – o olhei pelo retrovisor.
— Nossa ela tá espirrando tanto que não pode ser só uma gripe. – dei uma risada.
Assim que chegamos ele pulou do carro e beijou a namorada. Fiquei olhando os dois. Diria até que eram fofos. Se eu não soubesse que ele amava meu irmão. Depois vi o carro de Kevin estacionando. Olhei Alice.
— Não é perigoso você estar com essa sandália? – perguntei não sei por qual motivo.
— Não. – ela respondeu apenas e ficou em silêncio. – Não sabe que voltei ao normal?
— O seu normal é não ter emoções, reflexos e defesa. Por isso estou perguntando. – respondi seco e sério. Todos se juntaram a gente.
— Esse é o famoso Murilo? – Nic perguntou olhando meu primo.
— Famoso por que? – ele realmente estranhou a pergunta.
— Todos falam de você. Contam caso, Murilo isso, Murilo aquilo... Não sabe o quanto é querido?
— PELO AMOR DE DEUS NICOLAS, NÃO INFLA O EGO DELE! – Soph gritou assustando a todos. – Ele já se acha demais.
— Vocês dão motivo pra isso meu amor. – Murilo afirmou presunçoso.
— Vamos entrar? – Kevin perguntou impaciente. Eu tinha muita vontade de quebrar o pescoço dele por estar sendo tão desagradável. Isso era quase ele no passado. E agora ainda havia uma pitada de constrangimento.
Assim que entramos no local uma música com um toque sensual se fez presente em nossos ouvidos. Era muito intenso se você parasse para prestar atenção, mas acho que não faríamos isso. Fomos ao bar pedir algo. Assim que o recipiente cheio de bebidas chegou até nossa mesa nos servimos e eu notei Nicolas e Murilo conversando. Não sei se era sobre Paris. Ou sobre eles. Ou... Eu não sei. Mas eles pareciam se dar muito bem. Troquei olhares com Kevin. Fiz sinal para irmos ao banheiro.
— Você sabia? – perguntou inquieto.
— Sobre o que? – resolvi brincar com ele, como ele gostava de fazer comigo.
— Vai pro inferno Arthur. – virou o rosto e encarou o espelho. Arrumei meu cabelo.
— Foi você que conheceu ele primeiro. Sabe dele mais que eu.
— Ele sempre disse que... – respirou fundo. – Talvez ele esteja curioso. E o Murilo... Aquela boca.
— Ou talvez ele esteja apenas interessado em Murilo como primo sem interesse maior nenhum.
— Eu nasci ontem? – me olhou nos olhos. – Nicolas é desinteressado. Ele tá encantado com Murilo.
— E me diz... O que isso importa mesmo?
— Ele vai se machucar Arthur. A gente sabe que além de ter namorada ele tem alguém que ele ama. – dei uma risada alta.
— Você é tão ridículo Kevin. Tá mesmo preocupado com Nicolas?
— É lógico que eu estou seu idiota.
— Pois ele não demonstrou até hoje ser alguém que se apaixona fácil. Deixa os dois. Talvez Murilo só esteja precisando de um sexo intenso com o irmão do cara que ele ama. – pisquei e bati em seu ombro saindo do banheiro em seguida. Se Kevin esqueceu mesmo Murilo como ele demonstrava o tempo todo, eu ainda descobriria o motivo dele estar com ciúme dele. Mas isso não era importante agora.
Depois de um tempo notei Alice dançando de uma forma muito provocativa. Cheguei atrás dela.
— Dá pra parar com isso? – ela continuou dançando. – Alice. É sério. – seu quadril estava perto demais. Peguei sua cintura com força.
— Eu sinto dor, sabia? – ela reclamou parando de dançar.
— Também sinto. E dói ver você dançando assim. – confessei de uma forma dócil.
— Por que? – ela se virou me encarando.
— Só para.
— Eu quero entender. – ela puxou meu braço antes que eu saísse.
— Os caras estão te olhando como um pedaço de carne. Com muito desejo. Não sexualize tanto a imagem que eu tenho de você.
— A imagem que você tem mim? Da prima problemática? Ou da ex namorada que não deu certo?
— Nenhuma das duas. – fiz carinho em seu rosto. – Da doce Alice. – tirei minha mão rápido. – Vai parar?
— Pra que? Também tenho que ver as garotas te olhando assim. E você nem precisa fazer nada já que sua aparência é algo sublime que ultrapassa o comum. Bom... Pelo menos é o que elas acham. E elas tem razão.
— Mas você é diferente... Demorou dezesseis anos pra você ter essa percepção, lembra? E você não se importa com isso. E também não foi isso que nos aproximou.
— Acho que eu me importo sim pelo menos um pouco. Se não eu conseguiria parar de olhar pra você. – me esforcei para não sorrir.
— Alice... – queria encerrar aquela conversa. Ela percebeu e se agarrou a mim.
— Senti sua falta. Queria que você estivesse aqui a cada nova emoção que eu sentia. E foi tudo por sua causa. Só pensei em você todo esse tempo. E parece que você nem se importa. – tentei tira-la, mas seus braços continuaram firmes. Segurei seu rosto e o levantei, olhando para baixo para encara-la.
— Vem comigo. Vamos sair daqui e ver um filme ou apenas ficar juntos?
— Claro. – ela deu o sorriso involuntário dela que eu não via há muito tempo. Soltei o sorriso que eu estava segurando.
Só havia um problema. Murilo e Patrícia. Se eu pedisse Kevin para voltar e levar os dois eu levaria um olhar homicida e um insulto assustador. Pedir algum carro era fora da realidade. Pensei um pouco.
— Você é a porra do meu melhor amigo ou não? – perguntei chegando perto de Rafael.
— Depende. Quando você toma partido do seu priminho não. Mas na maioria das vezes sim. Por que? – me olhou.
— Vamos comigo até Torres e você volta no seu carro. – ele riu.
— Tá vendo isso? – me mostrou seu copo. – Não quero perder meu carro e nem passar a noite em uma delegacia.
— Quero ir embora com a Alice, o que eu vou fazer?
— Nicolas. Ele tem carteira. Se não quiser deixar seu carro na mão dele pode pegar o meu.
— Vai perder seu carro do mesmo jeito, ele tá bebendo. – fiquei olhando pra ele. – Você é um escroto. Prefere que apreendam seu carro para que aconteça de talvez os dois... – respirei fundo. – Rafael é sério. Se você não se tratar eu vou começar a ser contra esse namoro.
— Ah, qual é Arthur, tá na cara que os dois tão se querendo. E eu devia quebrar a cara do seu irmão porque ele percebeu isso e tá estranho a noite toda. – vi Kevin voltando do bar.
— Você vem comigo e Alice até Torres e volta no meu carro? – perguntei a ele. Ele tomou seu refrigerante e ficou me olhando.
— Quer uma massagem e um serviço de quarto também não?
— Kevin é sério!
— E quem vai voltar com aqueles dois depois.
— Murilo. Não tem polícia tão tarde.
— Você quer matar o seu primo? Dá um tiro na cabeça dele é mais fácil.
— Desisto. — afirmei desanimado.
— Eu volto e os deixo em casa. Pode ir. – não acreditei quando ouvi aquilo. Olhei Rafael inconformado.
— Agora acho que não somos tão amigos assim. – comentei debochadamente. Depois encarei meu irmão. – Muito obrigado. – queria até me sentir culpado por causa um atrito entre eles, mas não conseguia. Estar agora com Alice fora dali e resolver isso dentro de mim era muito mais importante.
Kevin Narrando
Rafael fez um show por um favor que fiz a Arthur e trocou de lugar com Sophia indo embora com Yuri. Deixaria sua raiva passar e tentaria conversar com ele depois. Mexer nisso agora com os nervos a flor da pele seria pior. Voltei para pegar o casal e passamos o caminho em silêncio. Ela estava quase dormindo.
— Obrigado. – ele agradeceu assim que chegamos. Eu não conseguia dizer nada. Mas precisava.
— Murilo... Queria conversar com você. – ele me olhou enquanto tirava a namorada do carro.
— Você me espera aqui? Vou só coloca-la na cama. – concordei. Eu o esperava e percebi que estava inquieto, o que mais uma vez... Era anormal.
— Demorei? – perguntou ao entrar. Fiquei olhando pra ele. Não conseguia responder. Ele se mostrou a vontade e deitou o banco. – Ah desculpa. – ele o levantou novamente. – Esqueci que você tem um namorado que é quase uma mulher ciumenta.
— Não. Ele é bem pior que uma mulher ciumenta. – respirei fundo. – Não sei onde fui me meter.
— Sempre dá para seguir outro caminho. – comentou e sorriu pequeno. – E ai, o que quer me dizer?
— Não faz isso. – engoli seco. – Não fica com ele. – ele ficou calado. – Se está esperando um motivo para te convencer... Eu só tenho medo de você fazê-lo sofrer.
— É... Porque eu faço mesmo as pessoas sofrerem. – me olhou.
— Você não pode corresponde-lo Murilo.
— De onde você tirou que eu trairia minha namorada? – perguntou sério. Tentei responder e não consegui. – É sério. O que passa na sua cabeça? Você me conhece tão pouco assim? Se você não me conhece então observa pelo menos os pais que eu tenho. Eles me ensinaram o mínimo que eu preciso saber sobre um relacionamento.
— Você tá com alguém que não ama. Isso é tudo o que eu preciso saber. – ele deu uma risadinha.
— Você não sabe nada sobre a gente Kevin. Não pense que é um relacionamento superficial e fraco. Amar você talvez seja parte de um castigo por tudo que já fiz na vida. Mas ela... – sorriu. – Ela é com toda certeza a minha metade. É o amor que eu devo aprender a amar. – fiquei em silêncio. – Se é só isso que queria falar... Pode ficar tranquilo. Não vai acontecer. Seu irmão só estava sendo gentil. Entendo que sua criação foi difícil e cheia de maldade, mas nem todas as pessoas são assim. – ficamos nos olhando e ele desviou o olhar. – Posso ir?
— Tá mentindo! Havia um clima entre vocês dois! – me exaltei. Ele ficou me olhando me deixando sem graça.
— Posso ir Kevin? – perguntou com calma.
— Por que você é assim? – fiquei ainda mais nervoso.
— Quer ter a última palavra e ter razão? É isso? – se encostou no assento com o rosto virado pra mim e deu um sorrisinho. Meu coração acelerou. Eu o beijaria aquela hora. – Nunca pensei que isso fosse acontecer. – achei que ele havia percebido meu desejo. Mas felizmente não. – Eu e você dentro de um carro. – riu. – Era apenas um abrigo. E só.
— É. – lembrei aquilo. Fiquei bastante tempo em silêncio. Apenas repassando todas as lembranças.
— Tá mais calmo? – o olhei. Era apenas uma tática dele para me acalmar. E ele conseguiu. Ele sabia o que fazer e isso de alguma forma só fez com que o meu desejo aumentasse.
— Você... – passei a língua entre meus lábios. Que garoto perfeito. – Sai do meu carro agora Murilo.
— Isso foi interessante... – ele disse após abrir a porta.
— O que? – perguntei franzindo a testa.
— Saber que ainda mexo com as suas emoções. Fica tranquilo, eu não deixaria você cometer tal ato. Sei que se mataria em seguida. – sorriu. – Boa noite Kevin. Espero que se resolva com ele.
Não conseguiria dormir depois disso. Fui pra cobertura. Minha intenção era me acertar com o meu namorado da melhor forma... Mas... Ouvi uma música baixa vindo do quarto de Arthur. Abri e vi uma cena que imaginei que nunca fosse ver. Assoviei baixinho e ele me olhou me questionando o que eu queria com a cabeça. Fiz sinal para ele vim até a mim.
— Você tem noção que o pai daquela garota pesa quase cem kg de puro músculo e que o irmão dela é totalmente descontrolado quando se trata dela? E eles só gostam de você porque você a respeita. O que vocês dois estão fazendo nus em uma cama? Não me diz Arthur. Eu não quero ouvir.
— Se você não quer ouvir eu não digo. – ele foi pra cozinha e pegou água.
— Ela estava bêbada? – fiquei bem tenso.
— Quer que eu te jogue daqui de cima? – seu nervosismo me fez recuar.
— Ah, não sei Arthur. Por que ela fez isso?
— Por que parece tão impossível? – se sentiu ofendido.
— É a Alice! Ela é estranha. Nem parece irmã do Murilo.
— Ela não é estranha, se priva um pouco ao contrário de vocês dois que pareciam dois cachorros se pegando por aquele abrigo. Só foi legal a parte que o Caleb trombou com o Murilo com seu pau na mão. – olhei a porta do quarto de Rafael. – Ah pronto, não posso falar mais nada agora.
— Não é isso. Eu quero te falar uma coisa. – baixei mais ainda o tom de voz.
— Se pegaram. – arregalou os olhos. – E a menina?
— Eu jamais faria isso Arthur! – fechei a cara. Depois fiquei sem graça. – Mas tive vontade. E estou morrendo por isso.
— E o que você quer de mim? Minha ex namorada acabou de transar comigo pela primeira vez e está nua em minha cama dormindo. Não acho que seria legal ela acordar e não me ver lá.
— Ex? Você não vai usa-la! Eu ligo pro Murilo e conto tudo a ele.
— Ah claro. E aproveita e conta que quer usa-lo também. – riu.
— Isso não tem graça. – fiquei sério. – Não devia acontecer. Não tem sentido.
— Claro que tem. Murilo é um cara atraente. Se eu gostasse de caras também iria quere-lo, sossega. – bateu em minhas costas.
— Acha que devo ser sincero e contar ao Rafael?
— De preferência quando tiverem transando pra ele te machucar feio. Que ideia ridícula Kevin. Só esquece isso. Daqui poucos dias ele vai embora, você volta pra capital e pronto. Seu namoro tá a salvo e tudo volta ao normal.
— Não vou conseguir ficar com isso na cabeça Arthur.
— Nossa! Sua honestidade me deixa até tonto. Faz o seguinte, chega nele e diz que é um estúpido, que fez errado em dar a carona e se arrependeu. Que não devia nunca ter feito isso, que ele estava certo e que daqui pra frente não vai mais passar por cima de nenhuma vontade dele. Coisa que você já faz normalmente mesmo. E pedindo essa desculpa tão sofrida e cheia culpa, você vai se libertar desse sentimento dentro de você. – pensei um pouco.
— Você é inteligente. — o olhei admirado.
— Ouço isso há anos. Agora posso voltar pra minha ex? – falou só pra me provocar.
— É sério essa porra, se você não voltar pra ela – ele me interrompeu.
— Se eu não voltasse pra ela depois de hoje eu mesmo me agrediria. – mandou um beijou e foi para o quarto. Agora eu tinha a missão de encarar Rafael, por mais difícil que fosse. Era melhor que deixar pra amanhã.
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