Notas iniciais
O primeiro e o último parágrafo dessa fic ocorrem na luta entre Astaroth e a Grand Chase. Pelos diálogos da missão eu supus que houve algum acontecimento entre a Dahlia e Bardinar(Astaroth) então tudo se baseia nisto.(ok,com certeza vcs já perceberam :P). Enjoy!

Bardinar...

Você não era assim.

Dizia a alma flutuando no ar. Acabara de abandonar seu corpo físico e agora nada mais é do que uma esfera azul-celeste vagando em um cenário de guerra.

Tinha acabado de ser morta pelas mãos de seu amado. Portanto ainda se recordava das lembranças e das memórias daquela que se chamava Dahlia.

"Andando pelos corredores do enorme castelo, uma jovem elfa negra de cabelos longos e azuis estava surpresa e com alegria intensa estampada no rosto. Jamais imaginara que fosse convocada para ser um dos guarda-costas da família real de Calnat.

Maravilhada com a grandeza e o luxo presente no local, a elfa não olhara para frente e acabou esbarrando com uma pessoa. Os dois foram ao chão pelo impacto. Ao se preparar para levantar, a elfa viu uma mão estendida, sem hesitar a segurou.

— Está machucada Lady? — Disse um jovem de cabelos cor de fogo e olhos da mesma cor. A garota ficou surpreendida por ser chamada de lady, afinal nunca fora chamada assim.

— Estou bem sim, obrigada e... Desculpe por isso, não olhei para frente.

— Tudo ok lady, mas precisa de ajuda? Porque você tá com cara de perdida.

— Hã? Sim, estou procurando o rei. Fui convocada para ser a nova guarda-costas.

— Então você é o novato? Wow, não pensei que seria uma garota. Você não me parece tão forte... — Após dizer isto, o jovem sacou uma espada e apontou à azulada. — Vamos testar suas habilidades!

A jovem elfa novamente surpresa, sacou suas garras e ficou em posição de luta. Sua expressão tornou-se séria. O ruivo analisou-a por instantes e guardou a arma.

— Hahaha, calma, calma, só estava brincando! Não sou eu quem avalia os iniciantes! Hehehe! — Coçou a cabeça meio constrangido.

Já a elfa que tinha um pouco de adrenalina em seu cérebro, ficou enfurecida.

— Você é louco?! Eu realmente ia lutar sério!

— Desculpe por te assustar novata, mas mesmo que lute seriamente jamais irá ganhar de mim! Sou veterano por aqui, então exijo mais respeito. — Disse ele provocador.

Indignada com essa resposta arrogante, ela protesta.

— Olha aqui, só por que sou uma novata, você não tem direito de falar isso sem me conhecer. Além disso quem avalia os novatos não é você, certo? Foi o que acabara de dizer.

— Humpf! — Grunhiu o ruivo em resposta. — Está bem. Eu não te conheço, nem ao menos sei seu nome e já que podemos ser colegas do mesmo time, deveria dizê-lo.

— Tudo bem, apesar do certo ser VOCÊ se apresentar primeiro. Sou Dahlia.

— Ok Dahlia, sou Bardinar. Atual líder dos guarda-costas da família real de Calnat, nomeado um dos melhores espadachins de todo o reino, honrado por ser escolhido...

— Será que pode POR FAVOR me mostrar o caminho? — Interrompeu a elfa, frustrada pelo pequeno discurso feito por Bardinar. Este por sua vez, grunhiu pela interrupção e fez um gesto para a garota segui-lo.

...

Atravessando os corredores enormes, Dahlia ficava cada vez mais deslumbrada. Sempre vivera numa região humilde, apesar que a cidade de Karuel também tinha sua beleza. Chegaram a uma sala com três tronos. No da direita estava sentada a rainha de Calnat. No esquerdo seu marido, o rei, e entre eles num trono menor via-se a filha do casal. O cômodo tinha um tapete branco, nas paredes havia cortinas vermelhas, além de quadros enormes com paisagens magníficas. O cômodo parecia ter um toque especial. Ao lado dos aposentos e das portas, se encontravam muitos guardas portando armas e em posição de sentido. Portanto aquela deveria ser a sala dos tronos ou a sala principal do castelo.

— Curvem-se diante de suas majestades! — Ordena um dos guardas. Ambos se curvaram.

— Obrigado por trazê-la aqui Bardinar. — Agradeceu o rei, Bardinar apenas acenou com a cabeça. — E você deve ser Dahlia, da cidade de Karuel, lar dos elfos negros. Diga-me, sabe o porquê a chamei?

— Sim, para ser uma guarda-costas de vossa família.

— Está certo, mas ao mesmo tempo não está. — Dahlia o olhou confusa.

— É verdade que te convoquei para ser guarda-costas, porém uma guarda-costas pessoal de minha filha Mari Ming Onnete. — Após dizer isso, ele fez um carinho nos cabelos da menina ao lado. Dahlia observou e percebeu que ela tinha madeixas azuis e olhos heterocromáticos. Um azul e o outro vermelho. — Enfim senhorita Dahlia, para ser digna de tal honra, terá de passar por um teste... Quero que mostre sua força em um duelo contra Bardinar. Se acertar pelo menos três golpes nele, vencerá. Se for derrotada, retornará para suas terras. Você aceita?

Dahlia ficou surpresa, teria que lutar de verdade com o ruivo agora. Surpreendeu-a ainda mais o fato de ter de acertar só três golpes. Será que ele era tão forte assim? Pensava a elfa.

— Eu aceito. — Respondeu.

— Muito bem, terá quinze minutos pra se preparar. Poderá usar quantas armas quiser, desejo-lhe boa sorte.

...

O duelo ia acontecer nos jardins. Dahlia e Bardinar estavam frente a frente. Apertaram as mãos.

— Dessa vez não é uma brincadeira, não vou pegar leve com você! Ah, talvez o fato de nós dois lutarmos deve ser o destino, não acha? — Deu um sorrisinho maroto, uma piscadela e se afastou. Dahlia não entendeu essa atitude. Somente pensou que ele devia ser mais um idiota.

— Preparados, comecem! — Um guarda deu início. Bardinar sacou sua espada e avançou rapidamente. Deu um ataque frontal e quase acerta Dahlia se não tivesse usado suas garras em defesa. Em seguida o rapaz fez um giro com golpe, que novamente foi defendido. Assim ele iniciou uma sequência de vários ataques, cortes rápidos, chutes, investidas. Bardinar não parava de atacar, não deixando espaço para a elfa revidar ou escapar. Além disso, seus golpes eram todos aleatórios. A única coisa que Dahlia podia fazer era defender, entretanto ficava cada vez mais difícil.

— Droga! Ele não dá um tempo! O que faço? — Pensou até surgir-lhe uma ideia inusitada. — Já sei!

Bardinar fazia outra investida. Desta vez a elfa fez uma posição de defesa. Porém deixou ser atingida de propósito e foi jogada para longe.

O rapaz correu para atingi-la, mas Dahlia se levantou em um segundo, executou um teleporte para as costas dele e o golpeou com a garra. Ia desferir outro golpe, mas Bardinar esquivou e deu-lhe uma rasteira. A elfa caiu de cara na terra, que fez seu cérebro funcionar novamente. O ruivo já se preparava para iniciar outra série de golpes quando Dahlia apanhou um bocado de terra e jogou nos olhos dele.

Atordoado com a irritação, Dahlia desferiu um golpe em seu estômago e em seguida uma rasteira. Caído no chão, ele viu a garota apontar sua garra com um sorriso triunfante.

— Fim de jogo Bardinar! — Dizia Dahlia dando uma piscadela.

Uma salva de palmas foi ouvida. O rei que a tudo assistia, levantou-se indo em direção a ela.

— Suas habilidades e estratégias são incríveis senhorita Dahlia. Você é uma das poucas pessoas que conseguiu vencer Bardinar. Por isso acaba de passar no teste e agora mesmo é uma das guarda-costas de minha filha. Meus parabéns.

...

Após ser avaliada e aprovada no teste, Dahlia passou a ser uma integrante da guarda real de Calnat. Cuidar da segurança da herdeira do trono não era trabalhoso, visto que a mesma era calma. Mas vivia fazendo todo o tipo de experimentos científicos, estudos, pesquisas. Era muito inteligente e sabia controlar magia e tecnologia, o que a fazia ser uma tecnomaga.

A elfa gastava mais tempo na verdade, com seus dois companheiros: Bardinar e Caxias Grandiel outro elfo. Porém diferente de Dahlia, não um elfo negro. Grandiel era inteligente, responsável, gentil e levava as coisas a sério.

O dia a dia de Dahlia se transformou, agora ela tinha se mudado para o castelo. Isso tornava as coisas mais interessantes. No começo se sentiu muito desconfortável e sozinha, afinal estava longe de casa. Aos poucos ela se estabilizou e todos a tratavam carinhosamente, como um membro da família.

Bardinar infernizava a elfa todos os dias. Sempre aparecia em momentos inesperados com piadas e brincadeiras infantis e sempre nas horas erradas. Na maioria das vezes o ruivo acabava espancado ou xingado.

— Bardinar! — Gritava Dahlia após receber uma forte palmada atrás.

— Até que você tem um traseiro atraente elfinha! — E desatou a correr, Dahlia foi atrás. Algum tempo depois de perseguição, ela o alcançou e deu-lhe um belo soco no estômago.

...

— Bardinar, qual é o seu problema? Me diga. — Dizia para o ruivo que não parava de brincar com as orelhas élficas de Dahlia, ele as mexia para cima e para baixo.

— Hum... Não sei, talvez sejam vários. É engraçado como suas orelhas se parecem com asinhas assim, não é? Haha!

— Você é um completo retardado!

...

— Quer parar de palhaçada e me soltar? — Dahlia pediu.

— Qual é, vamos nadar um pouco, aquele lago tá fresquinho! — Respondeu Bardinar, que segurava a elfa no colo.

— Temos responsabilidades a cumprir! Então me solte e vamos acabar com isso logo!

— Você quer que eu te solte? — Perguntou ele com um tom sapeca.

— Me solte agora! — Ordenou ela.

— Ok, você que pediu. — Bardinar saiu correndo com a garota nos braços em direção do lago e a jogou sem dó dentro dele. A elfa negra saía toda encharcada e em plena fúria, andou em direção do ruivo. Ele pegou algumas flores tentando amansá-la, porém o que recebeu foi um soco no rosto. Grandiel assistia a cena.

— Esses dois idiotas nunca vão mudar. — Deu um pequeno sorriso voltando a ler um livro que carregava.

...

— Vamos lá Grandiel, Dalinha, vim pra escoltar vocês! Vamos que a festa não vem até aqui! — Bardinar chamava os companheiros.

Com muito esforço e insistência, ele conseguiu levar os dois ao salão de festas. Dahlia trajava um vestido azul marinho, as bordas eram prateadas. O decote em formato v, um pouco justo e tinha uma abertura lateral. Nos pés, calçava um salto não muito alto de cor preta. Os cabelos soltos com apenas algumas mechas prendidas em uma trança grega. Pra finalizar alguns acessórios, como um colar simples e uma pulseira.

Sua timidez era visível, ela não se sentia muito à vontade com esse tipo de traje.

Dahlia avistou seus dois companheiros e foi de encontro a eles. Percebendo a presença dela, viraram para recebê-la. Grandiel cumprimentou-a normalmente, porém Bardinar apenas olhava a elfa fixamente sem dizer nada, aquele olhar a incomodava.

— Tá olhando o quê? — Questionou ela arrogante.

— N-nada. — O ruivo gaguejou e Dahlia teve a impressão de ver as bochechas dele corarem.

A noite se passava e os três comiam, conversavam e bebiam. Até que a hora do baile chegou. Vários casais foram ao centro do salão, dançando ao ritmo de uma música lenta. Não esperando que fosse dançar, a elfa negra sentou-se.

Então algo inesperado ocorreu. Um cavalheiro convidou-a para dançar. Dahlia ficou alguns segundos sem saber o que fazer, até que surpreendentemente Bardinar a puxou.

— Desculpe camarada, mas esta lady é minha acompanhante. — Disse ao cavalheiro que se retirou. Ela virou para encarar o ruivo, pronta pra perguntar o que diabos tinha sido aquilo. Entretanto, ele esticou uma de suas mãos. — Quer dançar?

— Eu não sei dançar. — Surpresa com seus atos, Dahlia respondia nervosamente. Na verdade entretanto, era que ela teve uma súbita vontade de dizer sim à oferta.

— Que isso, é claro que sabe! E se não souber eu te ensino!

Após suas insistências a elfa aceitou, o ruivo abriu um sorriso de orelha a orelha e levou-a ao centro. Ficaram de frente um para o outro. Ela colocou uma mão em seu ombro e ele rodeou a cintura dela com um braço a puxando para mais perto. Este simples ato causou uma sensação de nervosismo e ansiedade nela. E então começaram a dançar, um passo pra cá, outro pra lá...

Dahlia mantinha o olhar ao chão o tempo todo, não se atrevia a encará-lo. A sensação de ter o corpo do ruivo tão colado ao seu; a posição em que estavam; seus olhos pousados nela, que pareciam analisá-la...

Tudo isto ao mesmo tempo a deixava estranha e desconfortável. Somente Bardinar a fazia ficar assim.

— Por que está tão vermelhinha, Dahlia? — A voz dele chamou atenção dela.

— N-não sei! Você também está! — Respondeu nervosa.

— É porque você está mais linda hoje! — A elfa corou dos pés à cabeça com essas palavras. Bardinar levantou seu queixo forçando-a a olhá-lo. — Principalmente coradinha.

— Você gosta de me deixar desse jeito né? — Falou irônica.

— Claro! É o meu hobby. — Ambos deram risadas.

...

Depois da dança, foram ao jardim tomar ar fresco. A lua estava radiante no céu. Ambos estavam num silêncio incômodo à alguns minutos. Desde que vieram, a elfa ainda podia sentir as sensações anteriores.

— Sabe Dalinha... — Bardinar quebrou o silêncio. — Acho que gosto de você. — Sua frase soou curta e direta deixando Dahlia boquiaberta. — O que me diz sobre isso?

— Não tenho certeza... É cedo demais pra afirmar algo assim. — O ruivo abaixou a cabeça ao ouvir as palavras dela. Em seu rosto formou-se uma expressão decepcionada e triste. — Mas... Acho que também gosto de você Bardinar. — O ruivo abriu um belo sorriso de surpresa.

— É s-sério?

— Como eu disse, não tenho total certeza, mas, sim.

— Então, tudo bem se eu continuar gostando de você mesmo assim?

— Claro! — A elfa responde encarando seu rosto alegre.

— Obrigado Dalinha! — Bardinar partiu para cima de Dahlia abraçando-a. — Que mulher incrível por quem fui me apaixonar!

...

Caída no chão ensanguentado... Uma espada perfurava seu estômago. À sua frente, o homem que ela amava tinha um sorriso maldoso nos lábios. Estava diferente, irreconhecível. Não era o mesmo de antes.

— Bardinar... Por quê? — Pergunta Dahlia tossindo litros de sangue e agonizando de dor.

— Empecilhos como você devem ser exterminados de meu caminho! Agora ninguém mais irá me impedir. Conquistarei cada canto de Ernas, serei reconhecido e temido por todas as criaturas existentes. Me tornarei o novo deus criador e moldarei este mundo como quero! Nenhum homem jamais terá tanto poder como eu! Hahahaha!

Sim, Bardinar se transformou nesta horrível criatura. À alguns meses atrás, ele, Grandiel e Dahlia começaram uma pesquisa importante. Ela envolvia a criação de Ernas. À cada dia eles se empenharam a estudar mais e mais sobre o assunto e descobriram fatos inéditos. Sobre as três grandes deusas; bíblia da revelação; pedra das almas; o martelo de Ernasis; as essências demoníacas; entre muitas coisas.

Bardinar ficara fascinado e obcecado. Uma estranha energia se apoderava de seu espírito. Dia e noite ele se dedicara somente a isso bem mais do que os outros dois. Deixara de lutar, de cumprir seus deveres, abandonou a tudo e todos. As trevas o consumiram de uma maneira assombrosa. Sua mente, corpo e alma não eram os mesmos. Bardinar se fora para sempre enterrado nas profundezas de seu próprio ser, dando lugar a uma criatura sem sentimentos, cruel e que não se importava com mais nada além de seus interesses, cego e sucumbido pela sede de poder.

— Bardinar... — Chamou Dahlia uma última vez com esperança de trazê-lo de volta como era.

— A partir de hoje, meu nome é Astaroth. O novo deus criador. — O homem se virou e foi embora. Os olhos da elfa se encheram de lágrimas, mas antes que pudessem sequer caírem, a vista de Dahlia escureceu e ela já não via e sentia mais nada."

...

A esfera azul que um dia havia sido uma criatura com vida, agora era apenas um espírito sofrido e incompleto. Assistia uma cena de batalha, a que definiria o destino de Ernas. Enquanto isto acontecia, a esfera cintilante apenas aguardaria o momento em que ela e seu amado ficariam juntos novamente.

Notas finais
Obrigada por ler! ;) Beijos e Abraços - See Ya!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!