Amor Perdido
1 Sem alma
Notas iniciais
Há muitas eras os Sem Alma vivem na floresta, escondido de todos os outros seres. Mas, estes, tornam – se humanos uma vez em suas vidas, mulheres com quinze anos e homens com dezoito. Cada um aproveita a sua humanidade como quer e depois voltam ao seu mundo falando suas aventuras.
Heren, uma jovem Sem Alma de apenas catorze primaveras com cabelos negros e pele pálida além de olhos de cor muito azul, está prestes a completar sua décima quinta primavera.
Ao completar a lua, a mesma é transformada em humana pelo xamã da aldeia. Heren corre feliz pelas matas, sabendo que tem até a meia noite do dia seguinte para ser uma humana.
Sua primeira ideia de coisas humanas à fazer foi ir à um festival folclórico que estava tendo a alguns quilômetros daquela floresta.
A mesma correu e não se importou com o cansaço, chegando a festa a jovem sem alma sentiu algo que nunca tinha sentido em toda sua vida. Alguns metros adiante uma jovem loira passeava entre os transeuntes.
A loira era de uma rara beleza e Heren percebeu isso. Sentindo uma dor como nunca tinha sentido, queria aquela mulher.
Aproximou – se da loira cujo nome descobriu ser Elize. As duas se conheceram melhor e em menos tempo do que parecia tornaram – se amigas.
Mas a meia noite do dia seguinte chegou rápido e Heren não poderia mais ver a sua amada. Correu para o xamã, pedindo – o uma poção que a deixasse ser humana por mais tempo para conquistar o seu amor.
O xamã deu a poção, explicando a moça que aquele liquido iria deixá – la humana por sete dias sendo que, a cada dia que não conseguisse conquistar o seu amor a sem alma iria se quebrar.
Mas ela não ligou para isso, simplesmente aceitou crente de que iria conquistar o amor da garota loira. Não tardou a encontrar o seu amor.
Quando Heren estava com Elize sentia o seu coração bater cem vezes mais forte e uma sensação estranha na barriga.
Mas os dias foram passando e já chegava o quinto dia da poção e nada de Heren conseguir o amor de sua amiga. Todavia o destino foi ainda mais cruel, em um de seus passeios pela mata – quando Elize estava ocupada a moça de pele pálida caminhava pelas trilhas – Heren avistou sua amada abraçando e beijando um homem desconhecido. Aquele era o homem que estava roubando a sua mulher. O ódio subiu a cabeça de Heren, que já sentia a parte esquerda de seu peito rachar para em seguida despedaçar, um liquido negro escorria junto com os cacos.
Permaneceu um dia desaparecida para reaparecer no sétimo e último dia de sua vida. Assim que viu a loira chamou – a com um sorriso psicótico. Segurava um machado com firmeza, tinha certeza do que iria fazer.
– Heren! Por que você despareceu deste jeito!? Pensei que estava perdida ou tinha fugido de mim – falava em tom de brincadeira – Queria que você conhecesse uma pessoa, a pessoa que eu amo.
– Não precisa... – em um segundo levantara o seu machado e o posicionou mirando na cabeça daquela que amava, acertando – a em seguida – Você nunca mais irá vê – lo. – escutava só os estalos do crânio se quebrando cada vez que acertava o seu machado.
Sequer deu alguma chance da sua amada de se defender ou gritar.
Arrastou o mesmo até a margem de um lago, de onde se jogou. Já sentia suas pernas rachadas prestes a quebrar, seus braços e rosto. Olhou para o seu reflexo na água, apenas via o liquido negro no lugar das suas lágrimas, sim estava chorando.
Olhou para a lua, estava cheia. Heren escondeu o seu rosto com as duas mãos que já começavam a quebrar. Sentiu que aqueles eram seus últimos minutos de vida. Pôs seu corpo todo dentro da água com o fim de terminar logo com aquela dor. Estava dando certo, com as pernas quebradas não conseguia nadar. O sangue negro que saia de seu corpo mesclava com a água e seus longos cabelos negros, sendo assim a Sem Alma somente via o escuro.
Quando chegara ao final de sua vida, em uma última tentativa que seu corpo fez de respirar. Ela apenas lembrou – se de sua família e da dor que sentira ao conhecer Elize.
Estava morrendo, estava quebrada, mas pelo menos teve o dom de amar
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