Amor & Pecado
42 Capítulo 42 - Orações e Preces
Notas iniciais
Vinicius
Meu corpo está dolorido, como se um trator tivesse passado por cima de mim. A ardência latejante, devido ao corte em minha testa, também me incomoda. Meu estômago se revira cada vez que minha mente, teimosa, reprisa o momento em que Marcos desmaia devido ao golpe que levou de um dos capangas. Neste momento “agradeço” meu pai mentalmente, onde quer que ele esteja, por nos colocar nessa situação.
– Está melhor, querido? – A mulher de roupas caras e olhar carinhoso pergunta. Não tenho forças para responder, apenas tento assentir com a cabeça.
Accetti está do outro lado da grande e sofisticada sala de estar, seus olhos estão fechados fortemente e suas duas mãos unidas, como se estivesse fazendo uma prece em frente ao pequeno altar. Os irmãos Deborah e Jonas também estão presentes. Deborah chora silenciosamente, sentada no sofá, enquanto Jonas está de pé, me acusando e condenando através de olhares. A única pessoa que demonstrou certa preocupação comigo, foi Beth. Sr. Lauro se retirou assim que soube da noticia do sequestro de Marcos, não que não tenha dado importância e sim pelo choque ter sido grande.
A campainha toca incessantemente e imagino quem seja.
– Marcos, o que aconteceu com meu filho?! – Vanessa grita ao cair nos braços de Accetti aos prantos. Ele também não consegue conter as lágrimas que acabam brotando dos seus olhos.
– Ele ficará bem Vanessa, eu acredito nisso. – A voz de Accetti é entrecortada pelo nó em sua garganta e soluços.
Abrindo caminho entre Claudio, Letícia e Vanessa, minha mãe entra na mansão aos berros e prantos.
– Vinicius, você está bem? – Ela me abraça. – Você está ferido, precisa ir ao médico.
– Estou bem mãe. – Falo com a entonação baixa.
– Não, você não está bem! Alguém aqui se preocupou com você, pelo menos? – Diane olha ao redor irritada.
– Escuta aqui Diane. – Accetti liberta Vanessa de seus braços, ao começar a falar. – Não ouse dizer que ninguém aqui não se preocupou com Vinicius ou até mesmo com você! Se nos encontramos nessa situação, foi porque Marcos quis apoia-los ao máximo, tanto que estava no local, dia e hora errados. Ele está em perigo por atitudes que não foram tomadas por ele. Então, cale a sua boca e agradeça a Deus por você e seu filho estarem sãos e salvos, enquanto o meu namorado está como refém de uma divida que seu marido fez! – Olhos de Acceti faíscam e seus punhos estão cerrados. As lágrimas rolam pelo seu rosto, enquanto percebo suas pernas tremerem. Todos estão atônitos com a reação dele, isto é um sinal de que há muito tempo não ficava irritado.
– Me desculpe. – Minha mãe abaixa o tom e se acomoda ao meu lado em silêncio.
Claudio e Letícia cumprimentam Accetti e sentam-se com Vanessa em um dos sofás.
– Já avisaram a policia? – Letícia pergunta.
– Acabei de chamar uma viatura até aqui, acredito que irmos até a delegacia não ajudará muito. – Accetti responde.
– Como assim chamou uma viatura?! – Pergunto assustado. – Os sequestradores foram específicos Accetti. Nada de policiais! Você está colocando a vida do Marcos em risco com essa atitude!
– E você acha uma atitude prudente, levar vinte mil reais em dinheiro à uma praça pública da cidade e confiar que Marcos estará lá, Vinicius? Precisamos de garantias! – Accetti me encara.
– Pelo jeito você está mais preocupado com o dinheiro do que com Marcos. – Cuspo as palavras ao me levantar.
– Cale essa sua boca! – Acceti grita e vem em minha direção, Claudio e Jonas o seguram. – Quem tem o dom de ter atitudes irracionais aqui é você Vinicius e foi exatamente por este costume que você perdeu o Marcos. – Accetti me fuzila com os olhos. – A atitude mais sensata é chamar os policiais. – Engulo em seco, não retruco apenas sinto a força das palavras.
Momentos mais tarde dois policiais chegam à mansão. Accetti os recepciona e explica o ocorrido.
– Precisaremos do seu depoimento rapaz. – Um dos policiais diz a mim. – Você irá conosco, enquanto nossa equipe anti-sequestro virá para cá e auxiliará cada um, caso os sequestradores façam contato.
Obedeço à ordem e em minutos já estou na viatura a caminho da delegacia, enquanto os demais permanecem, na mansão, aflitos pelo que está por vir.
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O local é muito frio. Meus olhos estão vendados, portanto não tenho noção alguma das horas, muito menos se é dia ou noite. Tenho a impressão de ter sonhado enquanto estava desacordado. Sonhei com o choro de um bebe e cheguei a formar a imagem do seu rostinho em minha mente. Não sei exatamente a causa do choro, mas ele parecia muito agoniado, me fazendo ficar totalmente desesperado para ajuda-lo. Sinto minhas pernas amarradas nos pés de uma cadeira e minhas mãos atadas para trás, enquanto estou sentado.
O barulho de uma porta sendo aberta, em um rompante, me assusta. Passos lentos e pesados caminham em minha direção. Mãos pesadas, porém macias e grandes passam pelos meus ombros e braços, descendo até minhas coxas e passando rapidamente pela minha genitália. Estremeço e acabo soltando um grunhido de nojo.
– Shh... – A voz masculina ecoa em meu ouvido.
– Por favor, não faça nada comigo. – Minha voz falha e as lágrimas começam a descer pela minha face.
– Não farei nada que você não goste. – A voz grave toma conta do ambiente e uma risada nasalada é dada. – Levantei a sua vida, Marcos Baldo. Filho de pais de classe média baixa, ex-namorado do filho de um Pastor corrupto, o qual me deve, e atual namorado de um empresário, muito bem sucedido, diga-se de passagem, chamado Marcos Accetti, herdeiro de uma inestimável e impressionante fortuna. – Sua mão passa suavemente pelo meu pescoço, enquanto me arrepio. – Já te falaram que você é extremamente delicioso? – A voz penetra em meus tímpanos. O medo e adrenalina tomam conta de mim. Tento me movimentar, porém é inútil e com o intuito de quebrar a cadeira que estou sentado, me jogo para o lado esquerdo com toda minha força, caindo no chão com um baque estrondoso e alto. – Seja bonzinho e eu não te machucarei. – Mais uma vez ouço a voz muito próxima a mim. Sou puxado, para cima, bruscamente pelo braço direito me fazendo gritar de dor.
– Desgraçado! Tire suas mãos imundas de mim! – Grito em plenos pulmões e sou imediatamente calado com um forte e certeiro soco no rosto, me fazendo cair, novamente, no chão e sentir o gosto metálico do sangue em minha boca. Meus gemidos são altos e tenho a sensação de ter quebrado algo. A dor é intensa em minha face, porém não consigo identificar a parte machucada.
– Não me faça ser mau Marcos. – A voz ecoa e chego à conclusão de que estamos em um ambiente vazio. – Eu só quero me divertir um pouco antes de colocar a mão nos dois milhões de reais do seu resgate.
– Dois milhões?! – Pergunto incrédulo. – O resgate era de vinte mil.
– Você disse bem... “Era”, ou você realmente acha que ao saber que Marcos Accetti pagaria o resgate, eu não aumentaria o valor? – Mais uma vez sua risada toma conta do ambiente e sou levantado, juntamente com a cadeira. – Mas isso não vem ao caso, agora vamos nos divertir. – Uma de suas mãos é enterrada em meus fios de cabelo e a outra acaricia minhas pernas. Ainda com o gosto de sangue em minha boca, acumulo o máximo de saliva e cuspo em sua direção. Embora eu esteja vendado, tenho plena consciência de que ele está agachado em minha frente. – Você está indo longe mais. Se você não quer por bem, será por mal. – Mais uma vez sou golpeado fortemente e jogado no chão. A dor inunda minha mente e as lágrimas são cachoeiras em minha face. – Isso vai te acalmar. – Sinto a picada de uma agulha em meu braço direito e o liquido gélido entra pelas minhas veias.
Em questão de segundos sinto-me paralisado. Logo em seguida sinto minhas mãos serem desatadas, juntamente com meus pés. Sou deitado em uma superfície muito fria e dura. Lentamente minha venda é removida e após longos minutos de adaptação dos meus olhos, devido à luz, observo o ambiente. Como previsto, o ambiente está vazio e aparenta ser um quarto, devido ao tamanho. As paredes estão uniformemente texturizadas, pelo jeito a casa é muito luxuosa. Enquanto espero, o que quer que seja, pois o dono da voz aterrorizante sumiu, ouço choros de um bebe. Meus olhos se arregalam. Sei que os bebes choram exatamente igual, mas este choro é muito familiar. É o choro do meu sonho, tenho absoluta certeza. Será minha imaginação ou a realidade? Tento mover qualquer parte do meu corpo, porém ele não me obedece. Começo a ficar apavorado. O que ele fez comigo?!
– Sentiu minha falta? – E o momento mais aterrorizante da minha vida acontece. Meus olhos quase saltam da minha face, devido ao susto. Meu cérebro faz o comando para minha boca gritar o mais alto possível, porém ela não obedece. Minhas pernas não se movem. PORRA! ME OBECEÇA! – Penso comigo mesmo. – Aqueles olhos verdes, pele meticulosamente bronzeada, feição máscula, cabelos negros, sorriso torto e extremamente perturbador, me contempla, enquanto estou vulnerável. – Surpresa! – Sua feição maligna me faz tremer.
– VINICIUS PARE! PARE! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! PARE! VINICIUS... – Minha mente grita desesperadamente.
Vinicius gargalha alto e me sinto estúpido por não ter reconhecido sua voz. Mas, como assim?! Ele mandou me sequestrar? Ele está fazendo isso por dinheiro? O porquê de tantas agressões? Isso é um sonho, digo, pesadelo. Só pode! Meu peito está sendo perfurado devido à decepção. MEU DEUS O QUE ESTÁ CONTECENDO?! O QUE?! Suas mãos começam a percorrer meu corpo, tirando cada peça de roupa dele. Estou nu e agora é a vez de Vinicius se despir. Ele está usando roupas diferentes, nada parecido com seu estilo habitual. Seu corpo continua definido e robusto, porém com algumas marcas que jamais havia visto. Seu tórax está com pequenas cicatrizes redondas e seus bíceps com finas marcas, parecidas com cortes de navalha. Agora ele também está nu e seu membro latejante me possui, fazendo com que eu sinta ainda mais dor, se é que isso é possível. Sua respiração é pesada e seu toque está diferente do comum. Minha mente está um turbilhão. Ele fez tudo isso para transar comigo novamente? Ele quer apenas o dinheiro? Ele quer me punir por ter escolhido Marcos ao invés dele? O que ele está fazendo? O que está acontecendo?
– Vou gozar. – Ele fala de forma arrastada em meu ouvido, enquanto permaneço imóvel, como se fosse um boneco de pano, sem vida. Nem ao menos estou excitado, cada toque, olhar e movimento feito por ele me faz ter nojo e repugna por um dia ter me apaixonado por uma pessoa tão baixa. Fecho meu olhos e busco em minha mente os olhos e sorriso de Marcos. Onde você está meu amor?
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Marcos A.
Ave, Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.
Essa é a 52ª Oração feita por mim. Nunca fui crédulo e muito menos seguidor de qualquer crença, porém nas horas de desespero sempre rogamos por uma “força maior”. Seja a Deus, Santo Fulano ou Santo Beltrano. Meus pais sempre foram católicos assíduos, mas nunca me importei em ir a Igreja e seguir qualquer tipo de mandamento. Sinto-me de certa forma culpado por estar aqui rezando e pedindo ajuda e proteção à Marcos, enquanto nunca me importei com nada disso, mas meu coração está extremamente dilacerado sem ele aqui comigo. Preciso de um refúgio, preciso acreditar em algo, pelo menos por agora. Deborah risca um fósforo, ascende uma vela do pequeno altar e me abraça.
– Ele ficará bem. – Lágrimas caem de seus olhos e dos meus também.
– Creio que sim, Deborah. Ele tem que voltar para nós. – Digo entre soluços.
Neste momento nossos pensamentos e preces são interrompidas pelo meu celular, que toca em cima da mesa de centro da sala de estar.
– Atenda Sr. Marcos. – Diz Pedro, um dos policiais da equipe anti-sequestro. – Os telefones fixos e celulares, de todos, estão grampeados, portanto toda e qualquer ligação está sendo monitorada. Tente permanecer na linha por sessenta segundos, assim localizados o local de origem da ligação com mais facilidade.
Corro de forma desesperada até o aparelho e atendo a ligação.
– Alô. – Digo apreensivo, com meu coração martelando nos ouvidos e pernas vacilantes.
– Sr. Accetti. – Coloco a ligação no “Viva Voz”, enquanto todos permanecem em silêncio. – Antes de qualquer coisa, devo lhe dar os parabéns, por ter Marcos Baldo como namorado. Acabei de provar uma de suas habilidades e fiquei extremamente extasiado. – Sua risada é suja e longa. Contenho-me ao máximo para não xinga-lo. – Mas não liguei para isso e sim para avisar que espero você as cinco da tarde na Praça da República, para a entrega de dois milhões de reais.
– Não era vinte mil? – Pergunto assustado.
– Não é mais. – A voz responde e tenho a impressão de conhecê-la. – Coloque a quantia no latão de reutilizáveis, no meio da Praça, onde está escrito “Coleta de Metal” na cor amarela. O garoto será deixado na saída no metrô, após o pagamento. Não estarei sozinho, portanto se a quantia não estiver certa pode ser despedir do seu namoradinho e da sua própria vida. Mais uma coisa: Nada de policiais.
A ligação é finalizada com exatamente quarenta e cinco segundos de duração.
– Merda! – Grito e dou um soco na mesa de centro, fazendo o vidro trincar.
– O que esse louco fez com meu filho? – Vanessa chora desesperadamente.
– Se acalme Vanessa, ele não fez nada, foi apenas para assustar. – Claudio está aflito e pela sua feição não acredita muito no que está dizendo.
– Como levarei dois milhões à uma praça? — Pergunto aos policiais. – Já são meio dia e meio, como levantarei um valor desses em tão pouco tempo?
– Daremos um jeito meu filho. – Minha mãe tenta me consolar.
– Tudo por culpa daquele maldito Pastor. – Pego o abajur ao lado do sofá e o arremesso na parede mais próxima.
– Mantenha a calma Sr. Marcos. – Policial Pedro nos interrompe. – O valor solicitado não será entregue. A nossa responsabilidade é ir com o Sr. ao local do resgate, resgatar a vitima e prender a quadrilha. Já que não conseguimos rastrear a ligação, precisamos nos organizar. Irei precisar da cooperação de todos.
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Meus movimentos estão voltando, ainda me encontro deitado no chão frio e meus olhos estão vendados novamente. Ouço vozes, muitas vozes na verdade.
– Iremos mata-lo se necessário. – Reconheço a voz de Vinicius orientando os demais.
– Qual será o valor do resgate? – Outra voz pergunta.
– Vinte mil. – Vinicius responde.
– Só? – Outro pergunta.
– Era o valor que faltava da divida do idiota do André, lembram-se? – Uma voz feminina agora fala.
Por algum motivo Vinicius está mentindo para os demais. O resgate inicialmente era de vinte mil, porém agora são dois milhões. É uma diferença de valores gigantesca. O que ele está tramando?
– Então é isso. – Vinicius complementa. – Estaremos espalhados pela praça, armados e atentos, enquanto colocam o valor no local ordenado. Após eu ter a certeza de que o dinheiro está lá, vocês dois... – Vinicius refere-se a duas pessoas, que não consigo ver. – Libertarão o garoto na saída do metrô.
Todos concordam e a porta do quarto onde estou se fecha. Passos vem em minha direção.
– Hoje ficarei milionário. – A risada de Vinicius é assustadora.
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Vinicius
A hora é agora.
Após meu depoimento, voltei à mansão dos Vaccari. Garantiram-nos que não fomos seguidos e que não há a menor possibilidade dos sequestradores saberem que a policia foi contatada. Eu e Accetti permanecemos em silêncio enquanto seguimos para a Praça da República. A bolsa cheia de notas falsas e jornal está no banco traseiro.
– Então é isso... Você vai entregar o dinheiro, enquanto permaneço na saída do metrô para encontrar Marcos, certo? – Pergunto. – Estou muito apreensivo Accetti.
– Eu também, mas tudo dará certo. A essa altura a equipe de policiais já está à paisana na praça, esperando a nossa chegada.
Após vinte minutos chegamos ao local. Eu e Accetti nos separamos ao descer do carro. Sigo para o outro lado da praça, enquanto ele segue devagar até ao latão de reutilizáveis. São dez pras cinco e parece ser os dez minutos mais longos da minha vida. Mesmo de longe vejo Accetti depositando a bolsa preta no local indicado. Quando ele começa a se afastar do local, uma moça sorridente o para e diz algo. Ele fica pálido e a feição dela continua alegre. De certo ela faz parte da quadrilha. No segundo seguinte um “gari” se aproxima do local onde o dinheiro foi jogado, abre o latão e pega a bolsa. Estou ficando louco ou ele se parece comigo?! Por um breve momento seus olhos brilham, porém sua feição é tomada por um ódio concreto.
– Vinicius?! – Olho agora para a escada da saída do metrô e vejo Marcos, totalmente debilitado e incrédulo, ele para imediatamente quando me vê, enquanto um rapaz que o segue o obriga a andar. – O que está acontecendo?! Seu maldito, o que está fazendo aqui?
– Marcos, venha cá. O que está acontecendo? – Digo assustado.
– Não toque em mim. – Marcos grita e algumas pessoas ao nosso redor se assustam.
Olho para a praça novamente e vejo o “gari” fazer um sinal de “corta” para a mulher ao lado de Accetti. A mesma corre em direção oposta e o celular do rapaz atrás de Marcos toca.
– Marcos venha comigo, AGORA! – Tento pega-lo pelo braço, porém não sou rápido o suficiente. O capanga que o guiou até aqui, saca a arma e dispara um tiro em suas costas, fazendo seu corpo arquear, seus olhos revirarem e seu corpo cair no chão. As pessoas se desesperam com o tiro dado e começam a correr. Ouço mais disparos vindos do meio da praça e vejo corpos de homens e mulheres no chão. Seriam eles policiais ou membros da quadrilha?
– SOCORRO! – Grito em plenos pulmões. – SOCORRO!
Abraço Marcos enquanto seu sangue banha os degraus da escada. Os tiros não cessam e agora os sons de bombas tomam conta do lugar. O caos e desespero fazem uma união sinistra e desesperadora.
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“A equipe anti-sequestro da Cidade de São Paulo teve sua primeira falha em anos. O que era para ser uma prisão em flagrante, de uma quadrilha completa, terminou em tiroteio, morte de policiais e pessoas inocentes em plena luz do dia na Praça da República, no Centro. Alguns dos membros da quadrilha também foram mortos no combate e outros capturados, mas a parte mais lamentável do ocorrido é que a vitima, o adolescente Marcos Baldo de apenas dezenove anos está entre a vida e a morte, no Hospital Sírio Libanês, após a tentativa frustrada de resgate. Não temos muitas informações sobre o caso, mas tudo indica que o sequestro do adolescente está ligado à fuga de cinco presidiários, anteontem em um presídio da Capital.” (Noticia dada no Jornal da Noite, horas após o ocorrido).
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Vinicius
– ALGUÉM PODE ME DIZER O QUE ESTÁ ACONTECENDO, PELO AMOR DE DEUS?! ALGUÉM ME EXPLIQUE, POR FAVOR! – Meu grito é o mais alto já dado por mim. Meu desespero não pode ser medido, sentido, tampouco entendido. A sala reservada para nós no Hospital fica extremamente silenciosa após os meus gritos cessarem.
– Vinicius, meu filho, tenha calma. – Minha mãe vem em minha direção com lágrimas nos olhos.
– Calma? – Pergunto incrédulo. – CALMA?! – Grito mais uma vez.
– Eu sei que é difícil de compreender, na verdade, não está sendo difícil apenas para você Vinicius, para mim também. – Minha mãe se desmancha em lágrimas e soluços. – Eu perdi um filho hoje, um filho que eu pensei que estava morto há dezenove anos! – Fico petrificado, não só com o estado em que minha mãe se encontra, mas com a capacidade dela se referir aquele marginal como seu filho e meu irmão.
– CALE A BOCA! ELE NÃO É SEU FILHO! SEU FILHO SOU EU! EU! – Choro desesperadamente. Nós dois permanecemos em silêncio, apenas nossos soluços podem ser ouvidos. Fecho meus olhos com força tentando organizar as ideias em minha cabeça. Meu Deus, esses maus momentos nunca irão acabar?! Nunca?! Já posso ter pecado, ter feito algumas coisas ruins, mas eu não merecia uma punição tão rigorosa. Há pessoas que fazem coisas muito piores e não passaram por um terço de tudo isso.
Claudio entra na sala enxugando as lágrimas que caem dos seus olhos, enquanto tenta manter-se firme.
– Alguma noticia?! – Pergunto.
– Sim. – Claudio respira fundo. – Vamos começar a falar sobre Marcos. – Ele tenta dividir os assuntos em sua mente. – O estado dele é gravíssimo, o artefato está alojado a milímetros da coluna vertebral, mas por sorte não perfurou nenhum órgão como: Pulmão ou coração. Os médicos estão fazendo o que podem, tenho certeza que conseguirão trazê-lo de volta. Já Accetti teve muita sorte por levar apenas um tiro na clavícula, uma vez que ele estava no meio do fogo cruzado. Ele está sedado para melhor recuperação. Vanessa também está sedada para tentar descansar, acredito que amanhã antes da cirurgia de Marcos ela já esteja acordada.
– E sobre o outro, alguma noticia? Além de estar morto. – Pergunto temeroso. Minha mãe ergue o olhar para observar Claudio.
– Seu irmão gêmeo? É dele que você quer saber? – Claudio pergunta receoso.
– É claro Claudio! – Respondo com a voz alterada.
– Pelo que tudo indica, seu pai o deu como pagamento de uma divida, logo após o nascimento de vocês. – Meu susto é grande como o da minha mãe ao ouvir tal declaração.
– Espere um momento... – Balanço minha cabeça de um lado para o outro, como se quisesse ordenar o que seria dito a seguir. – Deixe-me ver se entendi. Desde o começo da gravidez minha mãe sabia que estava grávida de gêmeos univitelinos (Gêmeos idênticos), preparou-se para a chegada dos filhos, porém no parto o mais novo, no caso o que veio dois minutos depois “nasceu morto”. Mas na verdade, meu pai tinha uma divida a ser paga com um dos maiores bandidos da cidade e “vendeu” o próprio filho “morto” em troca da quitação da divida. Eu e ele crescemos na mesma cidade, porém nunca cruzamos o caminho um do outro, muito menos sabíamos da existência um do outro. Minha mãe omitiu este pequeno detalhe da minha da vida, para não ter que reviver a dor de perder um filho, sempre que eu perguntasse sobre isso, fazendo não só o meu pai, como os demais conhecidos jurarem silêncio. É isso mesmo?
– Aparentemente ele sabia que tinha você como irmão e Diane como mãe, mas a história contada a ele foi diferente. Ele cresceu com a certeza de que Diane e André não o quiseram, optando por você, por algum motivo mal explicado. – Claudio fala. – O chefe da quadrilha e homem que o criou, chamava-se Francisco e morreu há um ano, o deixando no comando. André pagou o valor de sua fuga à ele, pensando que Francisco ainda estivesse vivo. Ele procurou saber quem era André e se surpreendeu ao saber que ele era o seu pai biológico e como forma de se vingar, matou seu pai e veio atrás de você. O intuito dele era que você levasse o dinheiro e logo após te matar, deixando sua mãe sem marido e sem o filho “escolhido”.
– Então deixar o meu pai como o último da fila, na hora da fuga, foi estrategicamente feito para que quando ele passasse pela cerca, ela estivesse ligada? – Pergunto quase sem voz.
– Sim, seu pai pagou para morrer. – Claudio afirma.
– E qual era do nome dele? – Minha mãe pergunta.
– Noah. – Claudio responde com a voz embargada e olhos marejados.
– Noah. – Minha mãe repete e não segura as lágrimas. – É um lindo nome. – O rosto de minha mãe se contorce de dor. – Tenho certeza que se meu Noah tivesse sido criado por mim, ele seria uma pessoa direita e honesta. Tenho certeza.
– A morte foi pouco para o meu pai. – Digo trincando os dentes.
– Ainda tenho um detalhe a contar. – Claudio parece apreensivo. – Noah era pai de uma garota de seis meses chamada Heloísa.
– Uma filha? – O rosto de minha mãe se ilumina. – Eu sou avó? – Ela solta um sorriso involuntário.
– Antes de pensarmos na criança, precisamos entender mais sobre tudo isso, mãe. – Digo com um ódio crescente no peito. Não basta eu ter um desgraçado como irmão, ele tem que ter uma filha que toma conta do coração da minha mãe em segundos. – Para Noah ter sido dado como morto no nascimento, o Hospital mentiu e pelo menos duas pessoas da equipe médica sabia o que estava acontecendo ali.
– Isso é um trabalho para os policiais Vinicius, vamos tentar se adaptar com as informações que temos no momento e pedir a Deus pela recuperação de Marcos. – Claudio suplica ao dizer as últimas palavras.
Enterro meu rosto nas palmas de minhas mãos e peço, fervorosamente, que tudo isso acabe bem.
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Vanessa
Os ponteiros se arrastam e as horas parecem intermináveis. Já faz cinco horas que Marcos está na sala de cirurgia e nenhum tipo de noticia nos foi dada ainda. Estamos no quarto onde Accetti permanece. Graças a Deus ele está bem, apenas com seu braço enfaixado, devido ao ferimento. Mas mesmo assim, encontra forças para manter o terço nas mãos. Eu nunca vi alguém se tornar devoto de algo tão rápido em minha vida. Independente disso, quero que todos os pensamentos positivos ajudem a trazer meu filho de volta. Minha garganta se fecha e as costumeiras lágrimas caem dos meus olhos.
– Tente beber. – Letícia me entrega uma xícara de chá de camomila. Dou dois goles e a deixo de lado. Nada está descendo no momento. Apenas fecho meus olhos e faço minha prece.
“Senhor, todo poderoso. Que seja feita a sua vontade neste momento tão difícil. Sei que o Senhor prepara as coisas da melhor forma e que tudo nessa vida tem um significado, porém o natural não é os pais perderem seu filho e sim o filho perder seus pais. Não me permita sentir dor maior do que essa, já em meu peito. Peço que ajude meu menino se recuperar da melhor forma. Tenho certeza que o Senhor não me desapontará. Amém.”
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Marcos A.
“Oh, Senhor! Sei que não sou digno de estar lhe pedindo nada. Na verdade, tenho muito que lhe agradecer, pois estou vivo e tenho ar em meus pulmões, mas não deixe minha vida prosseguir sem ele. Eu o amo! Marcos é e sempre será minha prioridade. Desde que meu olhar pairou sob aqueles olhos castanhos, eu sobe, eu senti, que pertencíamos um ao outro. Como eu mesmo disse, não sou digno em lhe pedir nada, mas poderia o Senhor negar um pedido tão puro como o meu? Poderia o Senhor tirar uma das pessoas que mais amo nesta vida? Eu imploro. Meu Deus! Traga o meu Marcos de volta. Amém.”
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Letícia
“Meu Deus, de forças ao meu irmão. Nestes últimos dias descobri um enorme amor entre nós. Nada como o perdão para nos fazer enxergar e sentir coisas maravilhosas. Não permita que nosso tempo seja tão breve. Marcos é forte e tenho certeza que o Senhor o ajudará. O amo como o ser de tamanha pureza que carrego dentro de mim. Peço-lhe mais uma vez. O proteja. Amém.”
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Claudio
“Peço-lhe mais uma vez perdão pelos meus atos Senhor. Porém, estou aqui para pedir pelo meu amado e estimado filho, com quem já fui muito injusto. Apenas me de a oportunidade de ser o pai que não consegui ser nestes últimos meses. Marcos é como se fosse uma parte de mim. Se algo acontecer a ele, também me acontece. O abençoe. Amém.”
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Lauro, Beth, Deborah e Jonas
“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Abençoe e proteja nosso Marcos. Amém.”
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Vinicius
“Oh, Deus de misericórdia. Ouça minha prece e deixe-me mostrar como me sinto. Estou com o coração em migalhas, estou com meu peito dilacerado e mente carregada de culpa por não ter conseguido fazer nada além de chorar sob seu corpo imóvel e banhado de sangue. O amo mais que a mim mesmo. O amo como o sol é necessário para o dia e a lua para a noite. Por tudo que é mais sagrado, meu Deus! Faça-o voltar ao convívio dos seus amados e eu prometo, com todas as minhas forças, jamais toca-lo novamente. Prefiro sofrer por não tê-lo, do que sofrer por não vê-lo vivo. O traga para nós Senhor! Amém.”
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Recomponho meus sentidos lentamente, sinto-me como se estivesse submerso por intermináveis segundos em águas turvas, sem respirar e finalmente estivesse voltando à superfície. Sinto o ar entrar em meus pulmões, fazendo o oxigênio circular por cada parte do meu corpo. Meus olhos estão se adaptando a luz que entra pela janela, porém não me incomodo. Estive mergulhado na escuridão por tanto tempo, que ser agraciado com a claridade não poderia ser melhor. Consigo mexer os dedos das minhas mãos e pés, braços e pernas normalmente. Claro que minha velocidade para tais movimentos é muito reduzida, mas estou feliz. Olho para os lados e percebo Marcos sentado na poltrona ao lado da cama. Minha boca se prepara para chamar seu nome, porém seus olhos cor de mel se abrem no momento que tomo tal decisão.
– Meu a-amor... – Marcos gagueja e não consegue falar mais nada. Suas lágrimas caem sob mim e seu sorriso é largo e triunfante.
Não posso dizer nada, apenas sentir. Sou grato por ter tido a oportunidade de estar vivo e desfrutar de tamanha felicidade, tenho absoluta certeza de que este é o momento mais feliz da minha vida. Suas mãos grandes e trêmulas encontram as minhas e em um ato, talvez imprudente, seus lábios encontram os meus da forma mais casta e pura possível. Como se o elixir da vida estivesse neles, me trazendo de volta.
– M-marcos... – Gaguejo involuntariamente.
– Se acalme meu amor. Teremos muito tempo para conversar. – Ele fala carinhosamente.
– O b-bebe... – Meus olhos transbordam ao me lembrar do choro.
– Ele está bem. – Marcos continua sorrindo. – Agora se acalme. Fique aqui por um minuto meu amor, já volto. – Um beijo é depositado em minha testa e ele se retira do quarto.
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Marcos A.
Nossas preces foram atendidas e eu não poderia estar mais feliz. Após sete dias da mais pura e dolorosa agonia, Marcos acordou e está bem. Aviso o doutor que está de plantão. Logo em seguida aviso a todos, principalmente Vanessa. Nosso Marcos está de volta!
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– Receio que você não poderá vê-lo Vinicius, pelo menos, por agora. – Digo com um tom cuidadoso.
– Por quê?! – Os olhos verdes me fuzilam instantaneamente.
– Ele ainda pensa que você é Noah, ele não entenderá de imediato, por favor, tenha paciência. – Suplico.
– Tudo bem Accetti. – Vinicius suspira pesarosamente e fica ao lado de fora do quarto, enquanto eu e os demais entramos.
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Uma semana depois...
O que acabo de ouvir é extremamente perturbador e surreal. Tudo está interligado. Meu sequestro foi consequência da divida de André, com o irmão gêmeo de Vinicius, que foi criado por um bandido e dado como morto no dia do seu nascimento. O mesmo foi criado, pensando ter sido rejeitado pelos pais biológicos e quando teve a oportunidade, não pensou duas vezes em matar o pai verdadeiro e ir atrás de Vinicius. Como bônus, o ex-namorado do irmão, no caso eu, é capturado e como parte de sua vingança resolve o estuprar. Os choros ouvidos por mim, eram reais e pertenciam a uma menina, de apenas seis meses de vida, filha de Noah, neta de Diane e sobrinha de Vinicius, que a essa altura encontra-se com o conselho tutelar na espera da Justiça dar a guarda à Diane. Quanto aos cúmplices de André, referente ao falso óbito de Noah, todos foram localizados e já estão sob prisão temporária. A quadrilha foi desmanchada e outros crimes como, tráfico, lavagem de dinheiro e prostituição foram descobertos.
– Há uma pessoa que deseja te ver. – Marcos diz sorridente.
– Peça para entrar, por favor. – Digo com meu coração acelerado e mãos suando. Vinicius entra de forma cautelosa no quarto e seu olhos verdes (e tímidos?!) encontram os meus. Como puder pensar que Vinicius faria aquilo comigo?! COMO?!
– Olá. – Ele diz ao se aproximar.
– Olá, meu herói. – Sorrio.
– Herói? Quem estava em meio ao fogo cruzado por você era Accetti. – Vinicius fala com a voz baixa.
– Mas foram seus braços que me seguraram quando fui atingido. – Fala com os olhos marejados e voz embargada.
– Por favor, não faça me lembrar disso. – Vinicius suplica.
– Tudo bem. – Faço um gesto com meus braços, pedindo para que Vinicius me abrace e ele entende. – Amo vocês dois. Com toda certeza, vocês são os homens da minha vida. – Beijo o rosto de Vinicius e seguro a mão de Marcos ao nosso lado.
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Vinicius
Meu peito está transbordando gratidão e felicidade. Obrigado meu Deus, por nos dar mais uma chance. Caminho até a saída do Hospital e percebo o tráfego intenso da avenida. Sigo para o meio fio e faço sinal para que um táxi pare. Preciso voltar ao trabalho com certa urgência, ainda estou em período de experiência e não posso perder essa oportunidade.
– Olá! Boa Tarde, por favor, posso dividir o táxi com você? – Um rapaz ruivo, alto e esguio dirige-se a mim. – Aqui é muito difícil conseguir táxi a esse horário, por favor, me ajude.
– Ok amigo. Eu divido. – Sorrio. – A propósito, me chamo Vinicius. – Estendo a mão.
– E eu Bernardo. – O aperto de mão é retribuído por ele. – Muito obrigado, você está sendo o meu herói. – Gargalha.
Herói?! É possível ser chamado desta maneira duas vezes no mesmo dia? Se sim, isso quer dizer que estou fazendo algo muito certo.
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Meses depois...
– Saiam da minha frente! O sobrinho é meu! – Corro ao subir as escadas da casa de minha mãe e entrar no meu antigo quarto, que agora está totalmente decorado em azul e branco. – Cadê o bebe mais lindo desse mundo? – Pergunto a Letícia, enquanto a beijo no rosto.
– Está no berço. – Ela sorri, enquanto permanece sentada em uma poltrona ao lado da cama.
– Ele está lindo! – Meus olhos brilham para a criaturinha pequena e frágil deitada em minha frente. Seus olhinhos estão levemente abertos e já se mostram verdes, como os dos pais. O pego cuidadosamente e o aconchego em meus braços.
– Solte o meu filho, seu babão. – Vinicius sai do banheiro e segue em minha direção.
– Vai pra lá, Vini. – Digo com um falso tom ignorante. – Guilherme é meu agora, você já passou o dia todo com ele.
– Estou brincando. – Vinicius gargalha. – Afinal de contas, cheguei mais cedo aqui, pois daqui a pouco tenho um encontro.
– Hmm... – Eu e Letícia falamos em uníssono com feições e olhares maliciosos.
– Como vocês são bestas. – Vinicius revira os olhos.
– Oi Letícia e Vinicius. – Marcos abre a porta cuidadosamente.
– Olá! – Ambos respondem.
– Vinicius, o Rony Weasley já está a sua espera lá embaixo. – Marcos diz ao gargalhar. Eu e Letícia entendemos a piada e o acompanhamos.
– Eita que o Rony vai brincar muito com a varinha do Harry hoje. – Letícia não se contém e ri alto.
– Que piadinha mais infame. – Vinicius revira os olhos.
– Temos culpa que o Bernardo se parece com ele?! – Marcos ainda ri.
– Ok, pessoal. Tchau! Cuidem bem do meu filho, seus desnaturados. – Vinicius se despede.
– Tchau. – Respondemos em uníssono.
Nunca imaginei todos nós tão felizes e unidos. Como o velho ditado diz: “Há males que vem para o bem.” E eu estou adorando, cada dia mais tudo isso.
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