Amor & Pecado
25 Capítulo 25 - 1ª Vez
Notas iniciais
Enquanto falava com os demais, as formas de como eu arrecado donativos para a Igreja, Letícia e Vinicius saem do escritório. Vinicius vai em direção à escada e sobe para o primeiro andar, de cabeça baixa. Letícia sorridente e com um andar cheio de atitude, cochicha algo no ouvido da irmã Márcia e caminha em direção à porta. Após terminar, meu pequeno discurso, Pastor André retoma seu posto. Decido ir atrás de Vinícius, preciso saber o que conversaram.
Abro a porta do quarto.
– Vinicius? – Pergunto ao entrar. Dou uma volta pelo quarto e vejo que está vazio, onde ele se meteu?
– Estou aqui. – Ele aparece, seu semblante é de uma tristeza sem fim e percebe-se que também havia chorado.
– O que foi? – Pergunto ao segura-lo pela gola do colete, carinhosamente.
– Nada demais, só uma repentina dor de cabeça. – Tenta sorrir, mas é inútil.
– Dor de cabeça? De repente? – Pergunto desconfiado.
– Sim, estava com Letícia no escritório e do nada minha cabeça começou a doer. Subi para pegar algum analgésico no banheiro dos meus pais. – Sua voz é baixa, nunca vi Vinicius dessa maneira. Como uma dor de cabeça repentina o deixou assim, tão abatido?
– O que conversaram? – Pergunto preocupado. Essa história de dor de cabeça não está colando.
– Nada de importante, sabe como é a Letícia, sempre me sondando. – Sua feição é de quem está sentindo dor. – Não quero falar dela, quero falar sobre nós.
– Nós? – Pergunto confuso. Tudo está muito estranho essa noite, sinto que algo não está se encaixando, há muito tempo não me sentia tão perdido ao lado de quem conheço. – Vini, é visível a dor que está sentindo, deite e amanhã conversamos. Se essa dor persistir, você deverá ir ao médico. – Tento não forçar a barra.
– Sim, uma dor repentina dessas é muito estranha, mas irá passar, já estou medicado. – Vinicius pega minhas mãos. – Vem comigo.
Vinicius me guia até quarto dos seus pais, que é três vezes maior que o seu. No centro encontra-se uma cama com dossel, sempre achei lindo esse tipo de cama. Ela é feita de madeira pura, na cor tabaco, as cortinas são beges com cordões marrons. O edredom e travesseiros, muito bem postos, são listrados de violeta e branco. O colchão é alto e aparentemente muito confortável. Em ambos os lados, tem uma escrivaninha que combina meticulosamente com o armário, carpete e abajures do quarto. Logo mais a frente a grande janela vitoriana, está aberta, mostrando uma das árvores do jardim da casa. A luz que vem do jardim ilumina muito bem o quarto, sem a necessidade de acender as luzes. Do lado oposto, de onde se encontra o armário, há uma porta que da para um closet e dentro dele, há outra porta que da para uma suíte, com banheira em mármore, balcões em madeira marfim e pias em louças brancas e caras.
– Nossa! Há muito tempo não entro aqui. O quarto ficou muito lindo após a reforma, nem parece que é o mesmo em que brincávamos tanto. – Sorrio.
– Sim, faz tempo que não entramos aqui. – Por um breve momento, vejo um sorriso de nostalgia passar pelos lábios de Vinicius. – Me lembro do dia em que derramamos um vidro de perfume no colchão dos meus pais, minha mãe quis morrer. – Sorri, quase que imperceptivelmente.
– Eu também me lembro. – Tento sorrir, mas minha garganta se fecha. Já passei tanta coisa com esse garoto, que já é um homem, não muito responsável, mas é meu homem. Já brigamos, rimos, fazemos as pazes, brigamos de novo... Como fui capaz de esquecer tudo isso? Como fui capaz de beijar Marcos, sendo que pertenço a Vinicius? – Preciso te contar algo. – Falo quase sem voz. A culpa martela minha consciência como se fosse uma marreta, meu coração está tão apertado. Decido abrir o jogo e falar o que aconteceu entre eu e Marcos, direi também sobre o jantar da semana passada, falarei tudo. Dias atrás Vinicius me disse que um relacionamento tem como base a confiança e já que ele deposita a sua em mim, não devo engana-lo. O amo tanto!
– Espere. – Ele caminha até a porta e a tranca. Volta devagar onde estou parado, pega minhas mãos, caminhamos até a cama e sentamos nela. – O que tenho a dizer é mais importante. – Vinicius fixa seus olhos verdes nos meus. – Eu te amo, Marcos Baldo. – Meu rosto está entre suas mãos. Lágrimas brotam em seus olhos, escorrendo até seu queixo másculo. Sua boca abre e fecha rapidamente, como se precisasse de ar e as narinas não fosse o suficiente para a respiração.
– Eu também te amo Vinicius, demais! – Não me contenho e começo a chorar também, por culpa, por consciência pesada, por ter o traído. Não aguento mais, preciso falar tudo independente das consequências, melhor ele saber por mim do que por outra pessoa, tipo, Letícia. Caso ela tenha realmente visto algo, quando me procurou na cafeteria. – Vini, eu...
– Shh... – Vinicius coloca o indicador em meus lábios me interrompendo, — Não fala nada, meu pequeno.
Seus lábios são tão macios e delicados, nunca tinha sido beijado dessa maneira por Vinicius. Nossos beijos são exigentes, frenéticos, como se o mundo fosse acabar, pelo fato de termos pouco tempo a sós e querermos aproveitar cada minuto. Mas agora, seu beijo é tão casto, tão delicado, como se o mundo exterior não existisse e estivéssemos em nosso próprio planeta. Sua língua explora cada canto da minha boca, com uma delicadeza sem fim, seu toque é tão suave, como se estivesse manuseando porcelana. O beijo chega a ser um pouco salgado, devido a nossas lágrimas, que escorrem sem parar. As minhas de culpa e as de Vinicius... Do que são?
– Vinicius, precisamos conversar. – Interrompo o beijo.
– Fique quietinho, aproveite esse momento, por favor, Marcos. – Ele acaricia meu gosto com o polegar da mão direita.
– É importante o que eu tenho a dizer.
– Esse momento também, não me interrompa novamente, por favor. A reunião está longe de acabar e não estou com vontade de ficar lá embaixo. – Sua expressão é tão suplicante que cedo, fico quieto. – Me beije, Marcos. – Lágrimas brotam novamente em seus olhos. Por que Vinicius está assim? Penso quem questiona-lo, mas desisto, ele está tão suplicante de carinho que atendo seu pedido e adio as perguntas.
O puxo pela gola do colete e dou o beijo pedido com tanta ternura. Tento transmitir, pelo beijo, todo meu carinho, admiração e amor que sinto por esse menino homem. Horas com atitudes de homem maduro, horas com atitudes de menino mimado. Percebo que não estamos mais sentados e sim, deitados. Vinicius está por cima, enquanto me afundo entre os travesseiros macios. Meus dedos se emaranham em seus cabelos negros, enquanto o beijo, e suas mãos já estão por dentro da minha camisa. Começo a abrir os botões de seu colete, que ele mesmo joga no chão, juntamente com sua gravata.
Ajoelhado no colchão e sem tirar os olhos dos meus, Vinicius abre lentamente os botões de sua camisa branca. A luz que vem do jardim bate exatamente do pescoço para baixo, do tronco de Vinicius, dando destaque aos seus dedos longos, parte do seu peitoral definido e abdômen trincado, após desabotoa-la, ele a tira. Vinicius me puxa, delicadamente pela mão e abre minha camisa, com a mesma habilidade que fez com a sua. Deitamos e voltamos a nos beijar. Minhas mãos sobem por sua cintura, e passam por cada músculo do seu abdômen e peitoral. Chegando ao pescoço, passo-as pelos seus braços fortes e bíceps trabalhados. Sinto sua ereção contra meu corpo, já que Vinicius está em cima de mim. Estremeço ao senti-lo, não resisto e passo a mão pelo volume. Nesse exato momento, ele morde meu lábio inferior, fazendo com que eu solte um gemido.
Ele começa passar uma de suas mãos pelo meu peito, passando pelo meu abdômen e chegando ao meu cinto. O beijo é interrompido, meu cinto aberto e minha calça tirada. Estou muito excitado e Vinicius solta um sorriso de satisfação por isso. Pelo tecido da cueca, passa sua mão grande em meu membro, duro como pedra. Solto outro gemido, os pelos do meu corpo se eriçam de uma maneira que nunca fizeram. Como o colchão é grande, Vinicius se joga para trás e me puxa pelos braços, fazendo com que ele se deite e eu fique por cima, coloca minha mão em seu cinto e me lança um olhar, do tipo “abra”.
Com as minhas mãos trêmulas, porém determinadas, abro o cinto e tiro sua calça. Vinicius está mais excitado do que eu, sua cueca boxer branca chega estar molhada, devido à lubrificação do seu membro que, diga-se de passagem, é maior que o meu. Quase saindo pela cueca, ele pulsa querendo se libertar. Vinicius é perfeito seminu, ele coloca suas mãos atrás da cabeça, fazendo com que seus bíceps se enrijeçam e seja mais nítida a definição dos seus músculos. Suas coxas e panturrilhas são grossas, cobertas por uma leve camada de pelos negros. Puxa-me pelos cabelos da nuca, deixando meu rosto em sua cueca. Entendo o recado e faço o que deseja.
Tiro lentamente sua cueca, admirando aquele pedaço de carne saltar para fora, com suas veias pulsantes e cabeça “babando”, o agarro e faço o movimento “para baixo” no prepúcio. O coloco na boca e sinto uma enorme satisfação. Vinicius fecha seus olhos e punhos com força, enquanto o engulo por inteiro, o sentindo na garganta. Seu gosto é salgado, devido à lubrificação, começo suga-lo, enquanto “subo e desço” com a boca. Sua respiração acelera, o deixo ofegante devido à intensidade do movimento. Realizo-me vendo seu corpo grande se contorcer com o desejo que estou lhe proporcionando.
– Pare. – Vinicius abre os olhos. – Senão irei gozar. – Com a respiração entrecortada, senta-se e me deita, ficando novamente em cima de mim. Sua mão tem destino certo, quando puxa minha cueca e a joga no chão. Agora é a sua vez, agarra meu membro e o coloca na boca, com o contato da sua língua quente, sinto vontade de gritar de tamanho desejo reprimido. Vinicius faz os movimentos com maestria, sem encostar, uma vez sequer, seus dentes. Sinto a cabeça do meu membro em sua garganta, após tira-lo da boca, lambe delicadamente minhas bolas. Mordo um dos travesseiros, para conter o gemido, que com certeza seria alto, caso o soltasse. Sua língua é rápida e logo encontra meu ponto “G”, localizado entre minhas nádegas. Ele para. Beija-me, agora de forma exigente, como se fosse explodir de desejo.
– Então esse é o “nosso” sabor. – Diz ao terminar o beijo, semicerrar os olhos e morder os lábios vermelhos.
Deposita beijinhos em meu pescoço, descendo até chegar aos meus mamilos, que são envoltos, um de cada vez, pela sua língua quente. Enquanto lambe um mamilo, o outro é massageado pelo dedão e indicador de uma de suas mãos grandes e vice versa. A sensação é agonizante de tão boa. Embora eu sinta que o trabalho “lá embaixo” não tenha acabado. O interrompo, ficando de quatro na cama e olhando para trás com a minha melhor cara de safado. Como para meio entendedor meia palavra basta, Vinicius solta uma risada safada, suja e indecente, passa as mãos pelas minhas nádegas, separando-as e colocando sua língua quente, molhada e aparentemente experiente em meu ânus. Ofego. PUTA QUE PARIU! Que sensação maravilhosa. Vinicius lambe com vontade, o deixando molhado cada vez mais com sua saliva. Estremeço. Arrepio-me. Contenho-me. AH!
Continuo olhando para trás para ver seu rosto. Por um momento ele para o que está fazendo, lambe seu dedo indicador, como se fosse o melhor dos doces e tenta, delicadamente, introduzi-lo em mim. Com muito cuidado entra, e o sinto colocar mais de sua saliva, para ajudar na lubrificação. O “vai e vem” é muito gostoso, quando percebo três dos dedos, da mão dele estão dentro de mim. Quero mais! Preciso de mais!
– Quero você! – Rosno de tanto desejo.
Vinicius abre a escrivaninha ao lado da cama, pega preservativos e um tubo de lubrificante. A possibilidade dos objetos serem de seus pais, me deixa extremamente envergonhado. Decoro cada movimento que ele faz, desde abrir o preservativo, até coloca-lo em seu membro, grande, grosso e pulsante. Vinicius me deita, deixando-me de “barriga pra cima” e apoia minhas pernas em seus ombros. Sinto a refrescância do gel em meu ânus. Sinto a presença dos seus dedos novamente, um, dois, três. Não estou aguentando mais! O quero dentro de mim! AGORA!
– Me come, por favor. – Suplico.
– Seu desejo é uma ordem. – Vinicius sorri.
Sinto a cabeça do seu membro pedindo passagem. Vinicius passa mais lubrificante sobre ele e tenta novamente. Como dói! Vejo estrelas, mas a cabeça entra.
– Se eu estiver te machucando, me avise, por favor.
– Sim, eu lhe aviso.
Vinicius o empurra para dentro lentamente, e com muito esforço, entra tudo. Sei disso, pois sinto seus pelos pubianos em minhas nádegas. Ficamos imóveis por um ou dois minutos. Meu ânus se contrai, envolta do seu membro grande e grosso.
– Posso continuar? – Vinicius pergunta.
– Sim.
Aos poucos ele retira seu membro e o coloca novamente, uma, duas, três vezes. Conforme os movimentos acontecem, vou relaxando e me acostumando. Os movimentos deixam de ser doloridos e passam a serem prazerosos, muito prazerosos, na verdade. Vinicius pega velocidade, “entrando e saindo”, cada vez mais rápido e indo cada vez mais fundo. Vejo sua mandíbula tensa, pelo visto está fechando-a para não emitir nenhum som. Reparo que o suor começa a escorrer pelo seu corpo. Descem gotas de seus cabelos até seu queixo, e do seu pescoço até o umbigo. Isso o deixa mais gostoso, mais tesudo e mais desejável do que nunca. Começo a passar minhas próprias mãos pelo meu corpo, minha pele está muito sensível, a sensação é maravilhosa. Encontro o meu membro e o agarro. Começo a me masturbar, enquanto Vinicius está dentro de mim. PUTA MERDA! Meu corpo está de um jeito que nunca esteve. Minha respiração acelera, junto à de Vinicius. Os movimentos estão perfeitos. Minha mão “sobe e desce” e Vinicius “entra e sai”.
– Espere. – Vinicius para, me fazendo parar também. – Quero gozar em outra posição.
Vinicius me põe de lado e fica atrás de mim, também de lado. Ergue uma das minhas pernas para facilitar a penetração e me possui, com seu membro, novamente. Um de seus braços sustenta o peso da minha perna, no alto, e o outro passa por debaixo do meu pescoço, prendendo-me a ele. Seu tórax e abdômen suado estão grudados em minhas costas, o “entra e sai” agora é rápido, brusco, forte e extremamente delicioso. Minha masturbação também está mais rápida, sinto que estamos perto do clímax. Vinicius lambe meu pescoço, provocando mais arrepios e gemidos.
– Eu... – Não termino a frase, minha voz falha.
– Goza pra mim. – Vinicius sussurra em meu ouvido. Obedeço.
Meu esperma escorre entre meus dedos, em uma quantidade nunca vista, sujando o lençol. Meu corpo amolece, como se eu não tivesse mais forças. Enquanto Vinicius está “quase lá”. Seu corpo treme e o sinto me preencher por dentro, com seu esperma. É quente e delicioso. Ele me aperta contra si, gemendo em meu ouvido. Após toda a sua descarga de desejo, seu corpo também enfraquece e ficamos ali por alguns minutos.
– Foi bom pra você? – Vinicius pergunta.
– Foi perfeito. – Sussurro ainda sem acreditar no que acabamos de fazer.– E pra você?
– Foi à realização de um sonho. Nada melhor do que fazer amor, com a pessoa que mais amamos. – A voz de Vinicius é fraca. – Sempre irei te amar, Marcos. – E mais lágrimas aparecem em seu rosto.
– Não chore. – Viro-me para ele. – O que está acontecendo Vinicius?
– Eu sei de tudo Marcos. – Congelo. Agora não é apenas uma onda de culpa e sim uma avalanche, um Tsunami. Meu coração volta a ficar apertado e o fato de ter transado na cama do Pastor com seu filho, começa a me deixar desesperado.
– Tudo o que Vinicius? – Pergunto já chorando também.
– Você e seu patrão. – Vinicius me solta, se levanta e soluça de tanto chorar.
Fico zonzo, como se tivesse levado um choque, ponho-me de pé e o seguro pelo braço e pela primeira vez nessa noite, Vinicius recusa meu toque.
– Vinicius eu posso explicar, eu iria te contar.
– Só me ajude a limpar o quarto, daqui a pouco a reunião acaba. Há lençóis na segunda gaveta, da primeira porta do armário. – Seu rosto está molhado de tantas lágrimas. Obedeço. Me visto e vou a procura do lençol e por sorte, encontro um igual ao que está na cama.
– Tentei te falar antes de transarmos, mas você não deixou. Estou muitíssimo arrependido Vinicius.
– Não quero ouvir nada. – Me lança um olhar angustiado.
Vinicius também se veste e recolhe as embalagens de preservativos do chão. Arrumo a cama do jeito que ela estava, quando chegamos. Vinicius destranca a porta e vai em direção ao seu quarto, o sigo.
– Vinicius, me perdoe. Por favor. Fui tomado pelo momento e não me controlei, segunda feira peço demissão, se você quiser. Não sinto nada por ele. Deixe-me falar o que aconteceu.
– Aconteceu que você me traiu!– Vinicius fala ao levantar as mãos para o alto.
– Vinicius, me ouça, por favor. – Suplico. – Há alguns dias atrás, antes mesmo deu descobrir que ele era meu novo patrão, o encontrei no parque aqui perto de casa, por acaso. – Vinicius para de chorar e começa a me ouvir. – Eu estava vulnerável, estava chateado com você e com o ocorrido em minha casa, quando quase fomos pegos.
– Então a culpa e minha? – Vinicius me interrompe.
– Não, a culpa não é sua. Deixe-me terminar. – Procuro palavras para explicar, mas não há explicação, eu o traí. – Nesse mesmo dia Marcos me enviou flores na cafeteria e me convidou para um jantar, como amigos, e acabei aceitando. Juro por tudo, nada aconteceu. No outro dia, eu e você, fizemos as pazes e não havia duvidas, ele não se compara a você. – Vinicius permanece quieto, ouvindo atentamente cada palavra, como se estivesse esperando o momento exato para atacar. – No outro dia acabei descobrindo que ele era o meu novo patrão. Ele me sondou e acabou me beijando, logo após você chegou para me buscar.
– Quer dizer, que quando cheguei à cafeteria e vi vocês descendo a escada, o beijo já tinha acontecido? Essa era a reunião que você estava tendo? – Vinicius semicerra os olhos.
– Sim. – Respondo sem jeito. – E hoje, acabamos nos beijando novamente, dentro do carro dele. Ele me chamou, para comprar algumas mercadorias que estavam em falta, e três quarteirões, à frente, da cafeteria, estacionou e me beijou.
– E você sabe quem viu essa cena épica? Letícia! – Vinicius rosna de raiva. – Não só viu, como fotografou a sua traição. Sua falta de caráter para comigo. – Vinicius passa as mãos, impacientemente pelos cabelos. — Já que você está abrindo o jogo, falando tudo, farei igual. Sabe como consegui o emprego na Delicatessen? Eu lhe “vendi” à Letícia.
– Como? – Pergunto confuso.
– Pelo que você me contou, nosso acordo foi selado, no dia em que você jantou com seu patrão. Já que você havia recusado me ajudar e meu pai estava me pressionado a trabalhar, pedi ajuda a Letícia em segredo e consegui o emprego, com uma condição. Que ela tivesse um encontro romântico com você e tirasse sua virgindade.
– O que?! – Eu aqui me humilhando por ter beijado Marcos e Vinicius me “vende” para aquela vadia loira? – Não acredito no que estou ouvindo.
– Porém, eu NUNCA a deixaria tocar um dedo em você! – Vinicius para na minha frente, deixando nossos rostos, separados por centímetros. – De certa forma eu estava tranquilo, pois você não se sente atraído por mulheres, ela não conseguiria o que pediu e eu teria meu emprego.
– Como você é baixo Vinicius! – Falo, com meu sangue fervendo.
– Não fui eu que traí meu namorado. – Vinicius rebate. – E ainda por cima, flagrado pela inimiga. A considero uma, a partir de hoje, já que ela ameaçou jogar as fotos pela Igreja e falar que temos um caso.
– Como assim?! Como ela soube do nosso namoro? – Arregalo os olhos.
– Ela deduziu devido a minha reação ao ver as fotos. – Vinicius fala tenso. – Comecei a chorar, praticamente me entreguei.
– Merda! Olha a situação em que você nos colocou Vinicius!
– Você também é culpado Marcos!
– Afinal de contas, o que essa garota foi fazer na cafeteria hoje?
– Tínhamos combinado ontem na Igreja, de te pegar após o expediente e sairmos para beber. Quando estivéssemos alterados, eu cairia fora e ela teria a parte do acordo com você. Mas eu não deixaria isso acontecer, tanto que concordei em te levar para algum lugar, para fazermos o que acabamos de fazer. Mas tudo foi por água abaixo, quando me lembrei dessa reunião aqui em casa. E Letícia como não aceita “não” como resposta, decidiu fazer as coisas a sua maneira e acabou te flagrando.
– Meu Deus! O que está acontecendo? – Estamos sendo manipulados por uma garota sem escrúpulos, descubro que sou objeto de chantagem e a culpa de trair Vinicius ainda me consome profundamente. – E porque você decidiu transar comigo logo hoje Vinicius? Era para ser em um dia especial!
– Não queria que o “tal” Marcos fosse mais rápido do que eu e acabasse sendo seu primeiro. – Vinicius suspira, pesarosamente.
– Vinicius, você sempre será o meu único amor. Nunca teria coragem de me entregar a outro. – O seguro pela camisa.
– Chega Marcos! – Vinicius tira minhas mãos de sua roupa. – Acabamos aqui e já sei como consertar as coisas.
– Como assim, acabamos aqui?! – Pergunto incrédulo. – Como você vai deter aquela vaca?
– Não é da sua conta, fiz o que achei certo essa noite.
– Transar na cama dos seus pais, foi certo?
– Como você mesmo diz: “Me deixei levar pelo momento.” – Vinicius debocha. – Vai embora Marcos. – Aponta a porta. – Espero que essa dor no peito, também vá embora um dia.
– Não vou! Você não é o único que está sofrendo. Estamos no mesmo barco. – Vinicius me puxa pelo braço, desta vez dói e me põe para fora do quarto.
– Irei resolver essa situação, confie em mim pelo menos uma vez em sua vida. Manteremos distância a partir de hoje.
– Vini... – A porta se fecha.
Toda a esperança de um futuro com Vinicius começa a se dissolver, meu mundo está arruinado, pelas minhas atitudes, pelas de Vinicius e pelas de Letícia. Minha intuição não falha e sempre soube que essa garota representava perigo. Não aguento mais ficar nessa casa, decido ir embora. Ao descer as escadas, Diane me para.
– Onde você e Vinicius se meteram? – Pergunta brava. – Perderam toda a reunião.
– Ele está com dor de cabeça e fiz companhia a ele.
– Você poderia ter ficado um pouco lá em cima e ter descido. Vinicius não morreria em ficar sozinho.
Nem me dou ao trabalho de retrucar, dou as costas a ela e sigo em direção à porta.
– Marcos! – Meu pai me chama, sua expressão é muito séria. – Onde esteve?
– Me deixe em paz! – Digo ao passar batido por ele e sair pela porta.
Quero desaparecer! Meu mundo está de cabeça para baixo. Vou para casa a pé e sozinho. Após essa noite desastrosa (e prazerosa), preciso de um banho e uma boa noite de sono.
Sinceramente... Não sei o que será daqui para frente e isso realmente me assusta.
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