Amor & Pecado

22 Capítulo 22 - Comprando Mercadorias


– Obrigado e volte sempre!

A hora se arrasta, passei o dia evitando Marcos. Não posso repetir o erro de ontem e se eu não precisasse tanto do emprego, pediria demissão. Não quero colocar em risco minha relação com Vinicius, nunca mais.

– Marcos, Sr. Accetti pediu que comparecesse a sua sala. – Diz Mariana.

– Para que?

– Não faço ideia, se eu fosse você iria logo, não devemos deixar o nosso novo patrão esperando. – Ela da uma risadinha safada.

– Você o achou bonito, né? – A cutuco de leve.

– É óbvio! Vai falar que você não o achou também? – Mariana deixa a cabeça de lado e franze o cenho. Congelo. Ninguém nunca me colocou em uma situação como essa. – Desculpe se fui grosseira, mas vi você saindo de mãos dadas com um rapaz ontem.

– Tudo bem, Mari. Sou gay, porém reservado. – Gay. Acho que nunca falei essa palavra em voz alta, tampouco me classifiquei como um. Sinto-me leve, como se pela primeira vez na vida eu estivesse sendo verdadeiro comigo mesmo e com os demais.

– Eu já imaginava, quer dizer, a maioria aqui imaginava. Mas relaxa, adoramos você viu. Nada mudou e pelo menos eu, respeito muito o seu jeito de ser.

– Obrigado. – Sorrio. Mariana me pegou desprevenido, meus olhos enchem d’água.

– Engole esse choro garoto. – Ela ri suavemente, passando a mão em meu ombro. – Corre, não deixe o patrão esperando e, por favor, repare na calça que ele está usando hoje, ela deixa aquela bundinha linda, bem destacada.

– Boba, pode deixar, irei reparar. – Pisco para ela antes de subir as escadas.

Entro no escritório que se encontra vazio. Sento-me em uma das poltronas para esperar. Reparo que, na antiga estante do Sr. Lauro, antes cheia de livros, agora estão diversos retratos. Levanto-me para observar. No primeiro está Marcos em uma rua de paralelepípedo, cheia de casinhas charmosas e alaranjadas de teto vermelho, com certeza esse foi tirado na Itália. No seguinte, é um garotinho de cabelos loiros, em formato de tigela, com um lindo par de olhos cor de mel, segurando um diploma. De certo é Marcos com uns dez anos. No terceiro, para o meu espanto, ele está abraçado com o Sr. Lauro, antigo administrador da cafeteria e uma mulher de meia idade, muito elegante. Será que são seus pais? Viro-me para voltar ao meu lugar.

– HÁ! – Marcos grita. Levo um susto.

– Idiota! – Falo impulsivamente e me dou conta da besteira que acabei de falar. – Me desculpe, por favor.

– Chamando o seu próprio patrão de idiota? Que coisa feia. – Marcos se diverte.

– Me desculpe, não foi minha intenção, mas odeio levar susto.

– Tudo bem. Gostou das fotos?

– Muito bonitas. Reconheci o Sr. Lauro em uma delas.

– Sim, ele é meu padrasto.

– Padrasto?

– Sim, meu pai biológico faleceu quando eu tinha dois anos de idade, a única coisa que tenho dele é o sobrenome. Lauro me criou e tenho imenso amor e admiração por ele, sou o único filho da minha mãe com meu pai, após seu casamento com Lauro ganhei um irmão e uma irmã. Não sou associado a Lauro como filho, pois sou o único com o sobrenome Accetti. Até minha mãe se desfez do sobrenome após seu segundo casamento.

– Me desculpe, por ser tão indelicado e inconveniente.

– Para com isso, você é um poço de educação e nunca será inconveniente. – Marcos sorri e sua feição é da mais pura ternura.

– Já que não estou sendo inconveniente, me responda uma pergunta. Por que o Sr. Lauro largou a administração da cafeteria?

– Um dos negócios mais rentáveis da família são as franquias da Starbucks. Lauro tem três em Seattle há cinco anos e mais duas aqui no Brasil, essa aqui em São Paulo e outra no Rio. Eu vim administrar essa e ele foi para o Rio com a minha mãe, as três em Seattle estão nas mãos de dois dos meus tios, irmãos de Lauro. Já meus irmãos mais novos, cuidam de um restaurante Italiano, aqui na cidade. Aliás, você já esteve nele.

– Jantamos em seu próprio restaurante? – Pergunto incrédulo.

– Meu não, dos meus irmãos. De tudo que te falei, não obtenho lucro de nada. Tenho meu próprio dinheiro, deixado pelo meu pai. E sim, jantamos nesse restaurante.

– Você não acha que está passando muita informação para mim? Posso ser um bandido, prestes a te roubar ou sequestrar. – Rio.

Marcos se aproxima e pega minhas mãos.

– Sim, você realmente é um bandido, afinal de contas roubou meu coração. – Marcos consegue ser tão piegas às vezes, mas não deixa de ser fofo. – Confio em você, sei que não me faria mal algum.

– Ok. Fale o que quer, larguei tudo lá embaixo porque Mariana disse que você havia me chamado. – Mudo rapidamente de assunto.

– Ah, claro! Quero que venha comigo comprar alguns produtos em falta. Devemos nos apressar, quero estar de volta antes de acabar o seu expediente, vi como seu namorado fica impaciente ao te esperar.

– Ele não virá me buscar hoje, deve estar muito ocupado ajudando o pai. Mas não quero voltar tarde, vamos logo. – Concordo em ir, porém estou morrendo de medo de acabar não me contendo em alguma situação.

Descemos a escada e quando passo por Mariana, faço um sinal positivo com ambas às mãos, ela sorri entendendo o meu recado sobre a calça de Marcos. Entramos em seu Mitsubishi e fico encantado com o luxo do carro. Lindo e elegante, como o dono. Colocamos os cintos de segurança e seguimos viagem. Para a minha surpresa, após passarmos por três quarteirões, Marcos estaciona o carro em uma vaga.

– Já chegamos? – Pergunto confuso.

– Sim, quer dizer não. – Marcos solta seu cinto. – Isso foi uma desculpa para ficarmos a sós. Preciso que saiba que não consigo parar de pensar em você e no nosso beijo, estou muito afim de você Marcos.

– Mas eu tenho namorado, é tão difícil de entender? Ontem minha consciência pesou por ter te beijado. E outra coisa, Vinicius não só percebeu que algo estava errado, como te viu escondido no prédio, no dia que nos conhecemos.

– Ele me viu? Como?

– Não sei e, por favor, vamos voltar para a cafeteria. Não deixe a situação pior do que já está.

– Não quero piorar nada, só quero te conquistar de alguma forma. – Marcos passa as costas de sua mão direita na maçã do meu rosto. Envolvido pelo seu olhar pidonho e carente, nos beijamos. Solto meu cinto para ficar mais próximo a ele, e pouco me importando se alguém consegue nos ver do lado de fora, retribuo o beijo.