Amor & Pecado

10 Capítulo 10 - O Acordo: Narrado por Vinicius


Notas iniciais
Espero que gostem... ;)

Ela está para chegar. Eu deveria estar com a consciência pesada pelo que irei fazer, mas não estou. Marcos anda muito sistemático nestes últimos tempos e me proibiu de ir à casa dele pelo o que aconteceu ontem. Qual é! A mãe dele não percebeu nada, fomos para a Igreja normalmente, fiquei um pouco receoso, mas logo percebi que estava tudo bem, como sempre. Ofereci-me para busca-lo hoje no trabalho e recusou minha carona, disse que não poderia me ver hoje, que está pensando em muitas coisas.

Certo! Preciso manter Marcos longe dos meus pensamentos por enquanto, agora estou focado em como surpreender meu pai com as mudanças que ele me propôs. Disse que preciso trabalhar e bla, bla, bla. Ok! Darei meu jeito. A companhia toca.

– Boa Tarde! – Digo ao abrir o meu melhor sorriso. Estou usando propositalmente uma camisa gola V branca e justa, acho que me trará bons resultados.

– Oi, boa tarde! – Letícia fala já passando seus braços em meu pescoço, me dando um beijo no rosto. Vai ser mais fácil do que pensei. Fecho a porta.

– Sente-se Letícia, fique a vontade. Quer algo para beber ou comer?

– Um copo d’água seria ótimo Vini. – Fala cruzando as pernas. Leticia está usando um vestido branco com detalhes azul claro na barra. Está linda, seus cabelos loiros muito bem penteados e levemente ondulados, unhas bem feitas e salto alto. Seu perfume é doce, mas nem um pouco enjoativo. Seus olhos verdes, mais escuros que os meus, se destacam sob uma maquiagem discreta e bem feita e seus lábios finos estão parecendo cerejas com esse gloss super sedutor.

– Ok. Já lhe trago.

Vou à cozinha e pego água gelada, na própria porta da geladeira. Coloco o copo em uma bandeja, juntamente com alguns biscoitos amanteigados, quero ser o mais cavalheiro possível.

– Prontinho! – Coloco a bandeja na mesa de centro.

– Obrigada! – Responde ao pegar o copo e dar um gole. – Então... – Ela me instiga com o olhar. – Você disse que precisa de um favor, qual seria ele?

– Bem... – Sento despojadamente na poltrona que da de frente ao sofá que ela está sentada. – Preciso de um emprego e acho que você poderia me ajudar.

– Posso te ajudar de diversas maneiras Vinicius. – Ela ri e sinto a malícia emanar até mim através do riso. – Mas te arrumar um emprego, não sei se serei capaz.

– Para Letícia! Sua avó tem uma Delicatessen e sei que o Diego pediu para sair e tem uma vaga de repositor em aberto. Me ajuda vai! – Mordo meu lábio inferior e logo Marcos vem a minha mente, adoro quando ele morde os lábios. Mas por que me lembrei dele? Foco garoto.

– Você quis dizer irmão Diego. Sim ele pediu para sair e realmente há uma vaga em aberto. Mas creio que você não tenha o perfil para preenchê-la. – Ela me lança um olhar de desdém e seus lábios se curvam em um sorriso sarcástico.

– Eu não tenho o perfil para preenchê-la? – Ergo uma sobrancelha. – A vaga é de repositor, trabalho braçal e acho que eu não teria problemas com isso. – Flexiono meu bíceps direito e lanço meu melhor olhar sedutor a ela.

– Talvez você esteja certo. – Letícia pega um biscoito e leva a boca. – Mas não estou entendendo, como soube da vaga e por que quer trabalhar? Você tem tudo! – Ela diz “tudo” apontando para a sala de estar a nossa volta.

– Não posso revelar minha fonte de informações, minha cara. E não sou eu quem tem “tudo” e sim meus pais. Acho que já está na hora de eu ter as coisas por merecer.

Letícia começa a rir desesperadamente. Sua risada é verdadeira, daquelas que se pode prolongar até a barriga doer. Fico um pouco irritado por ela estar rindo da minha cara, mas aguardo.

– “Acho que já está na hora de eu ter as coisas por merecer.” – Ela me imita. – Corta essa Vinicius, isso não faz parte da sua personalidade. Você é o tipo de garoto santo na Igreja e filho da puta na rua.

– Olha como você fala garota, tenho uma reputação a zelar. – Sorrio.

– Somos farinha do mesmo saco meu querido, qual é o real motivo para você estar procurando emprego?

– Meu pai disse que está na hora de eu criar responsabilidades e o resto você pode imaginar.

– Isso ai! Pastor André "botando" ordem no rebanho. – Letícia bate palma e ri. Estou me surpreendendo com ela, ao mesmo tempo em que a imagino como aliada em alguma circunstância a vejo também como uma rival.

– Da pra parar de palhaçada. Vai me ajudar ou não? – Me irrito.

– Calma, bad boy! Você acha mesmo que vou te ajudar sem nada em troca?

– Claro que não! Imaginei que você iria me propor algo.

Letícia se levanta e vem em minha direção, senta em meu colo e passa suas mãos envolta do meu pescoço novamente.

– Sabe Vinicius, você é muito gostoso, inteligente e sedutor. Ficaria com você facilmente, mas sinto que ainda não é a hora.

– HÁ! – Falo como se estivesse rindo. — Como você é engraçada garota. Nunca ficaremos juntos, nossa relação é extremamente profissional. Por isso me fala logo qual é o seu preço para me ajudar.

– Nunca diga nunca, já ouviu essa frase? – Ela fala enquanto passa o indicador direito pelo meu queixo. – Não quero dinheiro, até porque você não tem, afinal você está me pedindo um emprego. – Ri levemente. – Portanto quero um encontro.

– As loiras tem fama de serem burras, não surdas. Que parte do “nunca ficaremos juntos” você não entendeu?

– Como você é pretensioso. O encontro não é com você.

– E com quem mais seria? – Pergunto curioso.

– Com o virgem mais lindo daquela Igreja e confesso, pra você, que arrasto um caminhão por ele.

– Meu Deus! Tenha piedade dessa mente ninfomaníaca. – Rio. – Ok, quem é o “sortudo”?

– Isso vai ficar somente entre nós, certo? Pois se sair daqui, juro que desmoralizo você na frente de todos.

– Tudo bem. – Reviro os olhos. – Te arrumo o encontro para desvirginar o pobre garoto e o emprego é meu, certo?

– Certo! Emprego garantido e com carteira assinada.

– Ótimo! – Sorrio. – Agora me fala quem é o virgenzinho que você deseja deflorar.

– Nosso irmãozinho, super lindo, Marcos Baldo.

Sinto como se estivesse levando um soco no estômago. Marcos Baldo? Tem que ser justamente o meu Marcos? Meu pequeno? MERDA!