Amor Parisiense

3 Capítulo 3- 1°Dia (Parte 2)


Notas iniciais
Feliz 2016!!! Que seja este um ano de felicidades e alegria a todos! Boa Leitura!

–Onde nós vamos almoçar? –pergunto, pelo jeito de Wallace provavelmente ele me levará naqueles puxadinhos franceses que certamente não comerei nada (sou fresco sim ou claro?)

–Vamos almoçar no KGB um dos maiores restaurantes franceses.

–Ummm,quero!

Entramos no carro dele e ele colocou uma musica bem alternativa (e irritante)

–Qual o nome dessa música?

–Name The Band- Summer Lush

–Olha que banda criativa hein, merece palmas, palmas não Tocantins inteiro,nossa que piada bosta...

–Não entendi

–Como não? Você não disse que morou no Brasil?

–Morei até meus 4 anos de idade e vim para cá

–Por que você se mudou?

–Minha mãe é francesa, ela conheceu meu pai em uma viajem que ela fez ao Brasil e tu sabe como são os brasileiros né? Ela amou o jeito dele e decidiu viver no Brasil com ele. Mas nem tudo são flores,após ela me ter eles se casaram e meu pai começou a beber muito e começou a bater em minha mãe e em mim. Minha mãe sempre foi muito feminista

–Ela está certa e ela merece ter direitos

–Hahaha, posso terminar?

–Ops,desculpe. Mas não consigo me segurar sabendo que tem um homem batendo em uma dama.

–Ok, aí no meu aniversário de quatro anos meus pais começaram a brigar na hora de cortar o bolo e meu pai deu um tapa no rosto dela na frente de todos os meus convidados. Eu fiquei em completo estado de choque,não sentia e nem ouvia nada, as lágrimas corriam em meu rosto. Meus pais começaram a gritar na frente de todos,foi então que minha mãe anunciou para todos que ali estavam que ela deixaria meu pai para trás e que me levaria com ela. Meu pai tentou bater ainda mais nela, mas meus tios o seguraram a tempo dela correr para o quarto pegar tudo que era necessário, incluindo um dinheiro que ela juntara naqueles 4 anos para voltar a França comigo. Eu ainda não conseguia falar nada sobre aquilo,tinha tanta vergonha de tudo que estava acontecendo que não sabia o que fazer. Minha mãe passou a mão no meu braço e me carregou para fora de casa, fomos para o aeroporto e minha mãe comprou as passagens para vir aqui para França.

–Nossa, poderia se tornar uma novela sua história.

–Verdade, conversaremos mais dentro do restaurante.

Ele estacionou o carro, e ao sairmos dele eu ainda procurava o tão gigante restaurante que ele falara.

–Cadê o restaurante?

–Está aí a sua frente. Ele não é grande em tamanho mas sim em sabor e variedade.

–Entendo.

Passamos pela pequena porta e um senhor nos recebeu, perguntou se já tínhamos hora marcada, Wallace tirou um cartão do bolso e mostrou ao senhor e na mesma hora ele nos colocou em uma mesa,bem reservada das demais.

–Nossa hein,quanta ostentação. Que cartão mágico você mostrou a ele?

–Meu cartão da empresa – ele deu um sorrisinho tímido

–Meu deus, preciso de um desses. Mas enfim, termine de contar sua história

–Então,minha mãe e eu fomos ao aeroporto e minha mãe comprou as passagens naquela hora mesmo sem agendar e nada. Viemos para cá, moramos com minha avó,fui um adolescente muito rebelde e tive que fazer tratamento psicológico.

–Nossa eu não imaginava que você sofreu tanto.

–Foi difícil chegar onde eu cheguei, mas enfim, falemos de você

–Falar o que de mim? – senti meu rosto esquentar e minhas bochechas ficarem coradas.

–Conte-me sua história.

–Então...deixe-me pensar... Tenho 21, calço 41,tamanho da minha blusa é...

–P, mas não é isso que estou perguntando.

–Como você sabe o meu tamanho?

–Pelo teu corpo, esqueceu que trabalho para a Vogue?

–Tá, sou o irmão mais novo de dois irmãos, meu nome é Andrew Castelo Branco. Decidi me tornar Jornalista desde quando tinha 13 anos, pensei em ser bem sucedido mas nunca consegui. Pensei em trabalhar na CNN e acabei trabalhando com fofocas na Vogue Brasil,se ao menos fosse na Matriz,mas não, consegui apenas no Brasil. Meu pai morreu quando eu tinha seis anos em uma batida de carro,minha mãe também estava lá, mas o trauma foi tanto que tudo foi apagado da memória dela. Mas qual o seu nome inteiro?

–Wallace Cambradet Dechamps

–Lindo nome

–Senhores aqui está o “zors-d’oeuvres” (Prato de entrada do restaurante KGB) –o garçom aparecer sem vermos ele chegando- Hoje na entrada temos carpaccio de carne com legumes.

–Muito obrigado, envie-nos por favor o seu melhor vinho. –Wallace pediu

–Sim,senhor. –e o garçom se retirou da mesma forma que chegou, silencioso e rápido.

–Você vai adorar essa entrada, é deliciosa.

Peguei um pedaço da carne e botei em minha boca e senti um misto de emoções, nunca comi nada tão gostoso.

–O que achou? –Wallace estava com um sorriso, ele sabia que eu gostara.

–Delicioso,adorei

–E essa é só a entrada.

–Você não tem namorada?

–Se aquela mulher pode ser chamada de algo assim eu tenho.

–Que mulher?

–Uma antiga amiga minha de infância, só que ela só pensa no meu dinheiro.

–Então por que você está com ela?

–Por que minha mãe gosta muito dela.

–Você é burro? Vai viver sua vida e ser feliz cara! Se ela te faz mal, ela não te merece

–Como você pode me dizer isso? Está me conhecendo hoje –o rosto dele ficou estranhamente corado.

–Ah cara, pelo seu jeito você parece ser um cara legal. Pessoas legais não merecem sofrer.

Ficamos em silêncio durante um tempo, nem troca de olhares aconteceu

–Senhores com licença, o que vocês vão querer para comer? – graças a deus alguém apareceu para cortar aquele silêncio.

–Tem algum problema se eu pedir o mesmo para nós dois,Andrew?

–Não,não...

–Por favor dois Rouget.

–Sim senhor.

–Por que o silêncio Andrew, algo te inquieta?

–Não,apenas estava pensando.

–Entendo. Então, esse trajeto que fizemos hoje ele é feito por muitos casais franceses. Você já anotou isso?

–Não,ainda não.Na verdade nem estou com fome.

–Vamos patinar?Também estou sem fome

–Ah,então tá, vamos.

–Pega o vinho,por que eu vou pagar.

–Mas e o que acabamos de pedir?

–Eu vou cancelar não se preocupe.

Fomos para a saída do restaurante, Wallace pagou e entramos no carro.

–Você já patinou alguma vez?

–Nunca...na parte do Brasil em que eu vivo não neva...

–Ah,verdade,bobagem minha.

Notas finais
Espero que tenham gostado, muito obrigado por estar acompanhando minha história. Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.