Amor Onde Menos Se Espera
3 Capítulo 3 - Festa
POV ANA
Não demorou muito para chegarmos à festa, uma vez que a Inês escolheu logo de propósito um restaurante perto da faculdade, fomos todos juntos, eu, o meu amigo Filipe, a Filipa e o namorado. A Inês foi de carro e entrou logo directamente para a festa por ser ex-membro da associação de estudantes, privilégios!!
Chegamos à porta, cada um pagou o seu bilhete, felizmente não estava fila para entrar, pelo que todo o processo foi tranquilo. Lá estavam os típicos seguranças a revistarem-nos e sempre simpáticos como um cão de caça!
Por muito estranho que pareça, chegamos era exactamente meia-noite e para minha surpresa a festa estava quase vazia, tudo bem que tinha estado a chover durante todo o dia, mas mesmo assim era o último dia de festa!
Chegámos os quatro, fomos buscar uma cerveja e logo a Inês veio ter connosco, formámos uma espécie de rodinha e lá ficámos a conversar, sem dar pelo tempo passar.
Estava um ambiente muito agradável, é sempre bom ver aquelas pessoas que só vemos naquelas festas, pessoas com quem não convivemos diariamente.
- Então estás a gostar da festa? – disse o Luís
- Oh não, tu outra vez?!
- Vá lá não sejas assim. Podemos tentar mais uma vez. Eu sou o Luís, prazer. E tu?
Foi impossível não rir com mais uma tentativa de apresentação do Luís, porém desta vez resolvi fazer-lhe a vontade e apresentar-me, podia ser que depois disso ele voltasse para perto dos amigos!
- Ana.
- Queres beber alguma coisa Ana?
- Não obrigado, estou bem.
- E vocês querem beber algo? Desculpem, nem me apresentei. Sou o Luís.
E foi assim que o Luís meteu conversa com os meus amigos, que por incrível que pareça se encantaram logo com ele. Ele foi buscar uma cerveja, e enquanto se ausentou foi impressionante a quantidade de coisas que tive que ouvir. Que ele estava interessado, que ele era giro, que ele era um bom partido, blá blá blá.
Olhei de repente para o lugar onde ele estava, encostado ao bar com a bebida na mão e a falar com os amigos, parecia feliz e tranquilo. Do que será que eles estavam a falar?! Fiquei curiosa!
Mas pelos vistos parece que a minha teoria tinha razão, bastava eu lhe dizer o nome para ele se fartar e ir embora. Ao menos foi cordial e não fugiu logo de mim, ainda ficou um pouco, manteve a conversa fiada e depois saiu de fininho, muito bem senhor Luís.
E parece que falei cedo de mais, qual não foi o meu espanto quando o vejo despedir-se dos amigos e encaminhar-se para onde eu estava, acho que fui apanhada completamente de surpresa, e não consegui conter o sorriso por vê-lo insistir mais uma vez. Gostei.
Ele chegou sorriu para mim, que inevitavelmente sorri de volta. E para minha total surpresa ele chegou-se perto do meu ouvido e sussurrou:
- Estás linda esta noite.
Parece que esta noite seriam só surpresas! A minha única reacção foi sorrir como uma tonta. Meu Deus, o que é que este homem está a fazer comigo afinal?!
A conversa com os meus amigos continuou, falávamos dos cursos, das perspectivas de trabalho, de momentos passados, enfim, falávamos um pouco de tudo. O Filipe está a tirar enfermagem e o Luís também, e não é preciso dizer que passaram uma boa parte do tempo a comentar professores, aulas e estágios! Foi impossível uma parte de mim não ficar feliz por aqueles momentos, era como se inconscientemente o meu amigo tivesse a dar o “sim”, a dizer, vai em frente, eu apoio. O que para mim conta muito, jamais seria capaz de ter algo que os meus amigos não aprovassem, porque afinal já estive várias vezes do outro lado, e sei muito bem que os amigos fazem tudo por nós e querem apenas o nosso bem.
- Vamos para ali dançar um pouco. – claro que só podia ser a Inês a dizer isto
Seguimo-la como cordeirinhos, não que dançar fizesse muito o meu género, prefiro ficar em sítios onde posso conversar sem ser aos berros, mas vá, vamos lá dançar um pouco! Então lá fomos todos, o Luís incluindo, que não saía do meu lado. E para meu espanto enquanto fomos para dentro da tenda colocou a mão no fundo da minha coluna.
O pior de tudo é que eu não estou a conseguir pensar direito, estou há tanto tempo sozinha que qualquer atenção me faz sentir a mulher mais feliz do mundo. Credo. Como é que eu consegui chegar a este ponto. Mas isso não me pode desarmar hoje, não vou trata-lo mal, claro que não, mas também não vou virar oferecida. Calma, tudo com muita calma!
A música era interessante, dançávamos, ríamos, e ainda tentávamos conversar entre os acordes mais baixos das músicas. Sentia a mão do Luís sempre no mesmo sítio, não se mexia, era como se ele tivesse a tentar dizer, não se aproximem!!
Acendi um cigarro, fumava, dançava e bebia. A noite estava a tornar-se muito muito boa. Quando ia a meio do meu cigarro o Luís não faz mais nada e tira-mo da boca para fumar, não sei explicar o que senti naquele momento, mas acho que o seu simples gesto me fez querer ataca-lo ali, naquele exato momento!
- Vamos lá para fora. – algum deles disse, e eu vergonhosamente não fui capaz de perceber quem o disse, só reparei quando começaram a andar. Estava completamente perdida nos meus pensamentos.
Fomos ao bar buscar qualquer coisa para beber e continuamos em rodinha todos na conversa. Era fantástico ver como o Luís os conseguiu cativar a todos, inclusive a mim. Parece que ele fazia parte do grupo desde sempre!!
- Bem se calhar vamos embora não? – perguntou a Filipa, que não tem a mínima paciência para estas festas, muito já aguentou ela esta noite!!
- Pois, já está a ficar tarde. Tou cansado – disse o Filipe
E nesse momento eu pensei, pronto, lá se foi a minha noite! Ao menos foi diferente. Adorava conhecer melhor o Luís, mas não lhe vou pedir uma coisa dessas.
- Ana espera. Também tens que ir?
- Desculpa Luís, mas estou de boleia com o Filipe. Tenho mesmo que ir com ele.
- Então dá-me o teu número de telemóvel por favor.
- Luís não sei …
- Vá lá, nem te peço para responderes às minhas mensagens. Só te peço o número, e quem sabe …
- Tudo bem, venceste. Aqui tens o número.
Despedimo-nos com um beijo na cara, que pegou fogo! Não sei se ele sentiu o mesmo, mas eu sei que senti uma enorme vontade de o beijar.
Despedimo-nos da Inês que ia ficar na festa até ser dia! E viemos embora, os quatro.
- Então alguém ficou apanhadinho por ti esta noite!!! – Disse a Filipa
- Nem sonhes. São coisas da tua cabeça baby!
- Bem então sonhámos todos com isso, porque eu também reparei!
- Também tu Filipe? Estou fodida com vocês!
- Olha eu gostei dele. – disse a Filipa
- Eu também! Deixou os amigos para estar connosco, esteve a noite inteira, conseguiu ter conversas como se fosse do nosso grupinho desde sempre e isto já para não falar dos olhares que te lançava e da mãozinha sempre nas tuas costas, ou pensas que eu não reparei!
- Concordo Filipe, ele ficou caidinho por ela! – respondeu a Filipa
Eu mantive-me calada, a observar a situação. Observar os meus amigos a empurrarem para um “estranho” e a falarem dele como se fosse o meu ken.
Sorri com este pensamento. A verdade é que há muito tempo que sonho com o meu ken particular, mas já aprendi que ele não existe. E tenho medo, medo de me magoar, de me iludir novamente e acima de tudo, de ficar na merda outra vez por causa de um homem.
Mas por outro lado, acho que ele conquistou-me esta noite, com os seus pequenos gestos. As suas investidas, porque foram investidas discretas, nada forçado e muito menos ordinário.
Quem sabe isto ainda venha a dar frutos…
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