Notas iniciais
Desculpem ter demorado um pouco para postar... Minha mãe cismou de viajar, e como boa mãe chata me proibiu de levar o notebook. (Claro, como chata que é, ela levou o computador dela, mas não me esprestou).
Ai está o capítulo novo, não tenho certeza em relação ao tamanho... Mas espero que vocês gostem.

Michelle conseguiu se manter quieta por algum tempo, até Luigi chegar. Nenhum de nós -Michelle, Erik e eu- mencionamos o ocorrido. Erik contou-lhes sobre a transfusão de sangue e eu consegui dormir por algum tempo, com um pouco de esforço. Quando acordei, Erik estava inclinado sobre meu rosto, sentado na sua poltrona, e suas mãos acariciavam meu rosto.

-Oi! — murmurei, como sempre alegre demais — por estar perto dele — mas sonolenta.

-Dormiu bem?

-Sim, não está mais doendo tanto.

-Você parece melhor. Não está pálida. Está linda.

É claro que quando ele disse isso, meu sangue "novo" subiu até as minhas bochechas, fazendo o favor de anunciar sua presença. Que maravilha! Eu sorri, percebendo que Michelle e Luigi não estavam mais lá. Ah, Erik, Erik... Eu só conseguia pensar nele.

-E aí, o que Matt queria? — Erik me tirou de eus pensamentos que -sempre- se direcionavam para ele.

-Ah. Ele queria pedir desculpas, mas eu não tenho certeza de que ele está... Arrependido. Tanto faz, na verdade.

Erik deu um sorrisinho, não me foi possível identificar sua expressão.

-Ele está muito mal?

-Acho que sim. O médico falou quando eu vou poder sair daqui?

-Não, mas ele acha que está melhorando. — Erik pousou a mão sobre a minha testa. -Acho que você está com febre.

-Estou me sentindo perfeitamente bem...

Erik aproximou seu rosto, beijando a minha testa e depois meus lábios.

-Eu te amo, Catherine.

Quando ele disse isso, meu coração começou a bater tão forte que foi quase como ele nunca tivesse batido antes. Eu sabia que já tinha dito isso para Erik antes, e que ele já me dissera o mesmo; mas já fazia tanto tempo.

-Eu te amo, Erik. — eu disse, recolocando meus lábios sobre os dele. Quando eu pudesse me mexer novamente, não sei nem o que aconteceria. Ah, mas quem se importa? Era Erik, afinal, e eu não ligava se fazia as coisas certas ou erradas desde que fosse com ele.

Quandos nós nos separamos, estavamos ofegantes. Eu acariciei seu rosto, morrendo de vontade de tirar a máscara. Era uma pena que não estivessemos completamente sozinhos ali — um médico, ou Michelle e Luigi, podiam chegar a qualquer momento e eu já percebera que não seria legal se eles nos "pegassem". Ah, droga.

Depois, o médico chegou — o nome dele era Richard — e disse que as costas estava melhor, e logo eu poderia me mexer. Ele disse isso rindo, olhando para mim e depois para Erik — obviamente, alguém tinha espiado pelas cortinas. Médicos xeretas. A minha perna teria que ficar engessada por algum tempo, mas ele disse que se eu prometesse usar muletas, eu poderia ir embora naquele dia mesmo.

-Eu uso as muletas, juro que uso. — eu disse, desesperada para sair daquele lugar branco o mais rápido possível.

-Hmm , tudo bem. Vamos esperar seus pais então.

-Não são meus pais.

-São quem então?

-Só duas pessoas.

-São os pais dela. -Erik me interrompeu, rindo, cobrindo minha boca com sua mão. Droga.

-Chamou? — Michelle disse, entrando pela cortina, com Luigi.

-Na verdade, não. — eu disse, segurando a mão de Erik, tirando-a do meu rosto.

-Oi, Catherine. — disse Luigi. Ele era tão quieto, não tinha escutado a voz dele muitas vezes. Sei lá.

-Oi.

-A filha de vocês acaba de ter alta. — Richard disse, ajeitando os óculos. — Ela pode tirar o gesso das costas, mas precisará de muletas. É isso.

Michelle sorriu.

-Que ótimo, Catherine! Vai ficar com a gente?

-Ahm, não, eu acho que não. Desculpe — eu acrescentei as desculpas por ter percebido que ela estava se esforçando para ser menos chata.

-Tudo bem, então o que vai fazer?

-Bom, eu ainda não vou poder ficar me mexendo de um lado pro outro, certo? — eu disse, olhando para o médico.

-Ah, é, é isso mesmo. Quanto mais repouso, melhor. Mas vai ficar mais, er, confortável para você.

Michelle e Luigi chamaram um táxi, enquanto eu ajudava Erik a pegar as minhas coisas. Minhas costas ficaram sem gesso, e realmente não doíam mais. A perna, por outro lado, doía bastante. "Muletas idiotas", pensei, mas logo percebi que eu disse aquilo em voz alta. Erik riu. Eu estava aliviada por poder sair do hospital, e só tinha estado lá por dois dias. Não me aguentei, e dei um tchauzinho maldoso para Matt, que estava olhando feito um idiota. Legal. Entramos no táxi com Luigi e Michelle e seguimos para o Teatro Abeau. A viagem demorou cerca de vinte minutos e me foi o suficiente para saber que eles estavam alugando uma casa no mesmo bairro em que se encontrava o Teatro; Michelle como eu já sabia, tinha vinte e oito anos, Luigi tinha trinta.

Os dois se despediram na porta do meu quarto e foram para a casa deles. Bom, eles não estavam juntos, mas podiam ainda ser bons amigos. Não é? Então, demos uma conferida no quarto, Erik e eu. Lotado. Ah, droga, então eu não ia poder ir para a casa do Lago.

-Quer mesmo ir comigo? — Erik perguntou.

-Quero.

-Muito bem, tem outros jeitos. — ele disse, sorrindo, e eu arregalei os olhos. — Aguenta a viagem?

-É claro.

Erik me conduziu até os subsolos do Teatro, que estavam vazios e escuros. Paramos no terceiro, e ele me guiou até um pequeno espaço entre a bagunça de cenários, apertando um botão — como no meu quarto. Uma passagem se abriu e eu vi que era preciso pular uns dois metros. Nossa. Ele me pegou no colo, jogando as muletas lá embaixo, e pulou comigo. Acho que ele deve realmente ter tido muitos anos para praticar aquilo, pois o pouso foi certeiro. Nós nem sequer precisamos atravessar o Lago. Já estávamos dentro da casa. Peguei as muletas de volta, retomando um pouco da minha independência — apesar de Erik insistir que podia me levar no colo até o seu quarto. Lá fomos nós, de volta ao "quarto preto", como passei a chamá-lo mentalmente. Ele se deitou comigo, tirando a jaqueta de couro, a máscara e os All Star. É. All Star!

-Quantos caminhos mais tem por dentro do Teatro? — eu perguntei.

-É impossível saber todos — ele disse, sorrindo — Quando eles reformaram as ruínas do Populaire, eles não reformaram os subsolos, que estavam inteiros. Nem, obviamente, essa casa. Esse lugar é muito velho, e é o original. — percebi que Erik começara a pensar em voz alta -As vezes, eu acho que deveria ir embora, pois há muitas lembranças ruins pra mim, aqui. Mas as lembranças boas superam todo o resto.

-Christine? — perguntei, um pouco enciumada.

-Sim, Christine, e agora você. Minha Catherine. — ele disse. -Preciso te mostrar uma coisa, Catherine. — Erik se levantou, indo até um lado do quarto oculto por uma cortina.

Eu não tinha reparado muito nesse canto do quarto até então, mas de repente já estava curiosa. Ele abriu a cortina, e eu me sentei, tomando cuidado com a perna. Estava lá, a escultura igual a Christine, como dizia a "lenda", vestida de noiva. É claro que eu só pude ter certeza que era Christine por causa de todas as pinturas que eu já tinha visto dela. Mas o que mais me chocou foi que, ao lado dela, estava eu. Vestida de noiva. Ah. Meu. Deus. Eu simplesmente não pue acreditar no que estava vendo. Estava tendo um mini ataque cardíaco. Erik analisava minha expressão.

-Catherine?

-Aaaahm? — eu ainda estava olhando, feito uma imbecil, de Christine para mim. Nunca tinha visto as coisas desse jeito, mas ela era realmente parecida comigo, apesar de alguns centímetros mais alta — ao menos eu tinha a desculpa de que ela era dois anos mais velha, na época.

-Foi isso o que eu fiquei fazendo enquanto não podíamos nos ver. — depois ele fechou a cortina e começou a se aproximar, fazendo meus olhos se voltarem para ele — Quer se casar comigo, Catherine?

Meu coração estava batendo mais forte e mais rápido do que nunca, minha respiração estava acelerada e desordenada. Meu Deus. Eu sabia que eu ia mesmo ter que me casar logo e, se não fosse com Erik, seria com Arnaud ou alguma coisa do tipo. Qualquer coisa que não fosse com Erik seria contra a minha vontade. Eu queria me casar com ele, porque de repente eu realmente acreditava em amor. Mesmo.

Ele estava me observando, de pé ao lado da cama, e tudo o que eu tive que fazer foi me arrastar um pouquinho e puxá-lo pra mim. Ele riu, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e me beijando. A língua dele encontrou a minha, e eu — quase — insconscientemente, subi as mãos por debaixo da camiseta dele, sentindo suas costas, barriga — e o tanquinho sobre o qual eu falei antes, que realmente estava lá.

Erik puxou a alça da minha regata para baixo e afastou o meu cabelo, deixando o meu ombro e o pescoço livres. Ele começou a intercalar beijos com mordidinhas e chupões — Michelle me mataria se aquilo ficasse marcado — enquanto eu tombava a cabeça para trás, gemendo um pouco, e arranhava suas costas, tateando por baixo da camiseta branca. Ótimo, eu estava sozinha com um cara gostoso que tinha acabado de me pedir em casamento. Não me achem estúpida, por favor, eu sabia exatamente o que ia acontecer. E eu estava pronta.

As coisas aconteceram rápido demais. Em questão de segundos, eu estava livre dos jeans e da camiseta, assim como Erik. Eu subi as mãos pelo seu pescoço, puxando sua boca para a minha de novo. Ele me beijou, depois desceu a boca pelo meu pescoço, chegando numa proximidade perigosa com o meu sutiã. Suas mãos procuraram pelo fecho da peça, tirando-a. Então, eu estava só de calcinha. Mas não estava nervosa, não muito. "Isso é normal por aqui", pensei, tentando ficar mais calma. E eu sabia, em partes, que apesar da idade de Erik, ele era tão novo naquilo quanto eu. "Vai dar tudo certo." Erik segurou minha cintura, e dessa vez eu comecei a beijá-lo, o pescoço e os ombros largos, enquanto ele tirava a calcinha de mim, ainda tomando cuidado com a minha perna.

Tudo o que eu me lembro depois disso... Tudo bem, admito, eu não me lembrava de quase nada depois daquilo. Lembro de dormir abraçada a Erik. Ele acariciava minhas costas nuas, sussurrando canções no meu ouvido, e eu passei as mãos pelo seu pescoço, apertando-o contra mim, pousando a cabeça em seu peito. E eu sonhei com ele. Não queria ficar longe dele um segundo sequer.

Acordei, e lá estava Erik, dormindo como um anjo. Fiquei olhando para ele feito uma idiota — que é como os apaixonados ficam, bobos -, guardando cada detalhe dele na minha mente. O cheiro, o rosto, o cabelo, a pele quente... O tanquinho, talvez. Não deixei de sorrir com o pensamento. Ele começou a abrir os olhos lentamente.

-Oi, Catherine. — ele disse, com as mãos no meu rosto.

-Oi, anjo. — eu disse, sorrindo.

-Eu te amo.

-Eu te amo, Erik.

Eu o beijei, colocando em meus lábios tudo o que eu sentia por ele. Ele me apertou contra si, e eu coloquei minhas mãos em seu rosto.

-Vai casar comigo?

-Com certeza.

-Quer voltar para o Teatro?

-Nããão, você vai ter que me aguentar aqui por mais um tempo. Quero passar todo o tempo que tiver com você, Erik.

Nós dois sorrimos. Erik se levantou um pouquinho, enconstando as costas na cabeceira da cama, me aninhando em seu peito.

-Nunca pensei que a vida pudesse ser tão boa. — ele disse, deslizando os dedos pelo meu cabelo.

-Nem eu — eu sussurrei contra seu peito.

-Você vai ficar linda com aquele vestido.

-Você vai ficar lindo. Sempre. — eu disse, rindo, levantando a cabeça para olhar em seus olhos.

-Ah, Catherine! A vida foi dura comigo, as pessoas. Mas valeu a pena ter aguentado tudo por tantos anos. De outro jeito, eu não teria te conhecido.

— Fico feliz que você tenha feito isso. Não consigo mais me imaginar sem você, Erik.

Nós dois, bobos e apaixonados, estávamos chorando enquanto nos abraçavamos.

Ah, Erik! Eu tinha certeza absoluta dos meus sentimentos por ele. Nós íamos nos casar. Legal, isso realmente nunca soara tão bom aos meus ouvidos. Há alguns meses atrás, se me dissessem que Catherine Daaè se casaria aos catorze anos, eu riria. Eu me mataria de tanto rir. Agora, porém, eu estava noiva, e feliz como nunca estive antes.

Passei todo o tempo possível com Erik. Foram dias, se não semanas. Eu perdia a noção do tempo perto dele. Felizmente, eu tinha esquecido meu celular no quarto que dividia com as garotas, antes de ir para o hospital, então ninguém me aborreceu por um longo período de tempo. Nos casávamos dali a um mês. Mas eu tinha mesmo que subir uma hora, então em meio a beijos e abraços, eu voltei para o Teatro.

-Por Deus, Catherine, onde esteve? — perguntou Audrey.

-Ahm, ... — estava bolando alguma resposta na minha mente.

-Não tudo bem, me deixe adivinhar. Erik. — ela disse, com um sorriso malicioso.

Confirmei com a cabeça, sorrindo pra ela e depois para o anel.

-Você não é mais, bem,... Virgem, certo?

-Er... Não. Não sou.

Audrey deu alguns pulinhos de alegria e me abraçou. Não acreditei que ela estava feliz. Meu Deus, ela era louca. Mas era parte da família para mim.

-Ainda bem, Catherine. Estou feliz por você. Mirelle acha que com todos os garotos dando em cima de você, se você continuasse ignorando todos teria que virar freira!

-É, eu sei. — eu disse rindo da cara dela.

-Seus pais estão aqui. Estavam te procurando.

-Certo, vou procurar eles.

Nem precisei. Os dois entraram no quarto rapidinho, sem nem bater na porta.

-Filha! — Luigi disse, vindo me dar um abraço.

-Oi, Luigi. — eu disse, felizinha.

-Oi, Catherine. — Michelle disse, ao pé da porta, dando um "oizinho" com a mão. — Onde esteve na última semana?

-Eu... — não sabia o que falar. Então resolvi dizer a verdade. — Estava com Erik.

-Na casa dele, você quer dizer?

-Sim.

-Onde fica?

-Aqui por perto. — eu falei, envergonhada. Se eles me perguntassem mais do que isso ou resolvessem ir até lá, eu não sei o que faria.

-Certo. Tudo bem. — Michele parecia estar falando mais pra ela do que para mim. -Catherine, quero que me escute. Você e o Erik...?

-Transaram? — Luigi completou a frase para ela. Os dois estavam parados bem à minha frente.

Ah, meu Deus, eu não podia ter essa conversa com eles. Era ridículo. Mas mentir não ajudaria em nada, certo? Resolvi continuar a técnica que começara, contando a verdade.

-Sim.

-Nós sabemos que em Paris isso é normal, mas estamos preocupados. Eu fiquei grávida com a sua idade, e isso causou muitos problemas, tanto para seu pai e eu, quanto para você. Queremos que você tome muito cuidado. — Michelle estava sendo legal, dentro de seus padrões. Eu estava esperando por uma "Catherine Daaè, eu sou sua mãe" e coisas do tipo, mas a atitude dela foi compreensiva.

-Tudo bem.

-Mesmo?

-É.

-Tem mais uma coisa...

-Pode falar.

-Você precisa se casar.

-Eu sei! — falei animada, pensando que eles tinham entendido tudo o que estava se passando pela minha cabeça

-Ah, mocinha, não se esqueça que você só está podendo ver Erik porque Brigitte Giry não está aqui. Ela é sua responsável legal, e você só pode se casar com o consentimento dela.

-O que significa que não pode se casar com Erik. — Luigi falou, sério.

-Eu não quero me casar com ninguém, só com ele. Vocês não podem dizer simplesmente que eu preciso me casar e depois me dizer que não pode ser com ele. É idiotice. Ou eu caso com ele, ou não caso.

-Então, querida, você vai ser uma freira. — Michelle disse, rindo da minha reação. Ela era insuportável.

-Ah, nem me venha com essa ideias ridículas, Michelle.

-Não é uma ideia, é a verdade. Arnaud Monteg e Bertràn Dontelle estão loucos para se casar com você. Além disso, têm alguns outros, tem Marc, Jean Luc, Teodore...

-Eu estou louca para me casar com Erik. Só com Erik. Não posso viver ao lado de alguém que não gosto.

-Claro que pode.

— De um jeito ou de outro vou ficar com ele, você sabe. Pode me obrigar a casar, se quiser, mas vou fazer da vida de qualquer um que não seja Erik, um inferno. Pode ter certeza que eu sei como fazer isso. E existem divórcios. E eu vou voltar pra ele, sempre.

Michelle me olhou, mas ela não estava brava. Estava um pouco irritada, é claro, por estar perdendo a discussão — se tem uma coisa que se aprende bem quando se é órfão, é a discutir — mas eu pude ver algo como compaixão e compreensão perdido em seu olhar.

-Luigi, pode nos deixar a sós por um momento? Audrey, você também, por favor. — eu já tinha me esquecido que havia outras duas pessoas ali.

Quando estávamos as duas sozinhas, nós nos sentamos na minha cama e eu atirei as muletas longe.

-Catherine, como conseguiu se apaixonar tanto por esse homem, o Erik? O que ele fez pra você? Ele não está te forçando a nada, está?

-Não! Não, Michelle, ele não seria capaz de qualquer coisa assim. Eu o amo, mas eu não sei a razão. Você consegue explicar por que as pessoas se amam? Todo mundo acha Arnaud lindo, por exemplo, e ele sempre gostou de mim. Acho que eu nunca vi nada de bom nele porque ele não tem um cérebro funcionando dentro daquela cabeça gigante. Erik é a pessoa mais doce que eu já conheci na minha vida inteira, a mais inteligente e gentil, e sensível. Ah, por favor, não me faça chorar. Mas eu não quero ficar longe dele. Só isso.

Eu já estava chorando. Muito. Eu estava chorando tanto que Michelle chegou a se assustar, mas a ideia de ter que passar minha vida com outro — criar uma família com outro — que não fosse Erik; nunca mais sentir seu cheiro, seu calor, seu toque, seus beijos... Aquilo doía tanto que eu pensei que meu coração já não estava mais inteiro. Ele estava em frangalhos, para ser sincera.

-Catherine, eu vou ser sincera. Erik é bom para você, apesar de eu ainda não simpatizar muito com ele. Mas eu não posso fazer nada, porque quem tem sua guarda é Brigitte, e ela se recusa em passá-la para mim, que sou sua mãe. Entendo sua tristeza, mas por outro lado é inadmissivel que fique solteira por muito mais tempo.

-Erik me pediu em casamento. Não há porque recusar o pedido. Eu já aceitei, inclusive. Me recuso a voltar atrás.

-Você precisa se casar com alguém que possa lhe dar um bom futuro, Catherine. Alguém com dinheiro, posição social e que seja atraente.

-Michelle, por favor, entenda. Eu não fui criada para isso. A verdade é que eu não fui criada sequer. A ideia de ter que zelar por um nome, ser dona de casa, abaixando a cabeça para tudo que um homem qualquer dizer é horrivel. Prefiro morrer, Michelle... Olhe para mim, estou falando sério... Prefiro mil vezes morrer a ter que me separar de Erik.

Michelle estava com os olhos arregalados, e ela parecia estar quase desmaiando.

-Você não faria isso.

-Se você me forçar a qualquer coisa, se eu tiver que ficar longe de Erik, em breve não será só um pensamento... Mas um fato.

-Escute, Catherine, não sabia que tudo isso tinha chegado a esse ponto. Se é assim, vou tentar te ajudar no que diz respeito a Brigitte, mas não sei o que posso fazer. Só... Por favor, tenha juízo.

-Tudo bem.

Ela se levantou, e foi saindo do quarto dando lugar a Audrey, Adrienne e Matilde, que se sentaram na cama dessa última, de frente para mim.

-Quer dizer o que aconteceu? — Matilde perguntou, se assustando um pouco com as lágrimas que saíam em desespero dos meus olhos.

-Ahm, é Erik. Minha mãe não quer que eu me case com ele. Na verdade, que não quer é Brigitte. — eu estava tentando, todo esse tempo, evitar dizer que Michelle era minha mãe, mas todo mundo já sabia e eu já estava até aceitando melhor a ideia.

-Ele te pediu em casamento? — Adrienne estava falando agora.

-É.

-O que você disse? A Michelle, quero dizer.

-Disse que não vou me casar com ninguém, a não ser por Erik. Ela disse que vai me ajudar a convencer Brigitte. Mas eu, na verdade, não acho que ela vá mudar de ideia.

As três se juntaram ao meu redor para um "abraço grupal".

-Vai dar tudo certo. — Matilde sussurrou enquanto Audrey dava tapinhas nas minhas costas. — Se precisar de nossa ajuda também, pode falar.

-Obrigada. — eu disse, sorrindo em meio à lágrimas.

Fiquei alguns dias em depressão, admito. Michelle estava querendo saber quantos dias eu conseguia ficar sem Erik, mas no segundo dia de testes eu já estava desesperada, rastejando e implorando para ela me deixar ir vê-lo. No quarto dia, ela acabou cedendo.

Usei a passagem do espelho no quarto, assim que as meninas saíram para os ensaios matinais. Erik parecia ter chorado bastante ultimamente, também. Eu me sentia incrivelmente mal por ele. Mas tudo ficava melhor quando eu podia estar em seus braços. Assim que o vi atrás do espelho, eu corri para abraçá-lo, me livrando das muletas, esquecendo que minha perna doía. Na verdade, ao colocá-la no chão eu percebi que não doía mais.

-Erik! Senti sua falta!

O queixo dele estava apoiado em cima da minha cabeça, e ele cheirou meu cabelo, beijando-os.

-Ah, Catherine, eu senti sua falta também. Senti tanto... Sua perna não dói mais?

-Não, acho que não — eu disse rindo. Encarei Erik, ficando mais séria — Eu te amo.

-Eu te amo, Catherine.

Nós nos beijamos, e depois fomos seguindo para a casa do Lago. Ah, meu Deus, estava com tantas saudades dele , será que seria sempre assim? As pessoas nos separavam, tentando fazer com que eu parasse de gostar dele, e quando eu podia vê-lo eu percebia que estava ainda mais apaixonada. Ficamos na sala, e eu comecei a desengessar minha perna, sentada de frente para uma mesinha de centro.

-Querem nos separar de novo, não é? E para sempre, dessa vez. — Erik disse, baixinho, como se tivesse medo de adiantar as coisas falando em alto e bom som.

-Sim. Mas... Elas não vão, certo?

-É. Acho que não. Para sempre, não. Talvez algum tempo, mas para sempre...

-Erik! — ralhei com ele, mas depois me acalmei -Não podemos deixar. Temos que ter alguma ideia.

Erik apoiou o rosto mascarado entre as mãos, franzindo um pouco o cenho, encarando fixamente uma vela que estava em cima da mesa. De repente, os seus olhos azuis brilharam, como jóias.

-Eu tenho uma ideia. Na verdade, eu tenho várias, mas vou te contar a melhor. Você, é claro, pode se casar com outra pessoa se quiser, e depois se divorciar... Se não quiser criar grandes confusões na sua família. Mas a minha ideia é outra. Na verdade é muito simples. Você não vai voltar para lá. Vai ficar aqui, até eles desistirem dessa ideia. E o Fantasma da Ópera vai voltar. — Erik estava obviamente feliz com sua ideia -E vai lhes assegurar que você está bem. Aos seus pais, eu quero dizer, e a todos que possam sentir sua falta. Todos no Teatro.

-Não é uma má ideia, eu acho. Mas você não pretende criar grandes... catástrofes, né? Por favor. E ninguém conhece o caminho para chegar aqui?

-Não vai acontecer nada de extremamente perigoso. E não, não acho que alguém conheça o caminho.

A ideia era boa, e eu estava feliz por não ter que me casar com ninguém contra minha vontade e por poder ficar por bastante tempo com Erik. Mas algo estava me incomodando. Eu podia ver o brilho perigoso nos olhos dele. De repente, ele se parecia um pouco mais com o Fantasma, o Fantasma da Ópera, um assassino. Erik não tinha me garantido que não ia fazer nenhum estrago, tinha? "Nada de extremamente perigoso", ele disse. Resolvi afastar o pensamento e tentar enxergar ao máximo o Erik, o meu Erik.

-Certo. Tudo bem, só espero que dê certo.

-Vai dar. — ele parecia uma criança animada por ter pregado uma peça em alguém. Um sorriso de triunfo ainda queimava em seus lábios.

-Erik, pare de fazer isso.

-Isso o quê?

-Esse sorrisinho malvado, está me assustando. — eu disse.

Erik retomou a expressão comum, que me fazia ficar mais apaixonada. Os olhos, azuis como dois pedaços de céu apanhados por cílios negros, ficaram intensos, e de repente ele estava de volta. Ele era Erik, e não o Fantasma, e eu o amava. Ele franziu o cenho.

-É, me desculpe. Acontece às vezes. Acho que ainda não sou de todo bom, afinal.

A tristeza em seu rosto era quase tangível. Eu queria pegá-la, esmagá-la, tirá-la dali, de perto de Erik. Me ajoelhei na sua frente, tomando seu rosto em minhas mãos. Ele estava tão incrivelmente angustiado, de uma hora para outra. Eu julgava nunca ter visto alguém tão triste.

-Erik. Erik, eu também não gosto quando você faz isso. Não gosto de te ver triste. Me machuca também.

Erik olhou para mim em meio as lágrimas que escorriam de seus olhos azuis, como as primeiras gotas de uma chuva que cai do céu ainda azul. Ele deu um sorriso triste, que partiu ainda mais o meu coração.

-Do que você gosta, Catherine?

-Eu gosto de você, Erik! Gosto quando você me abraça, quando você faz carinho no meu rosto, quando fica sem a máscara, gosto quando você dorme comigo, quando você me pega no colo e gosto quando você me beija.

-Eu também gosto de você, Catherine. Gosto de tudo em você. Eu te amo. Pra sempre.

-Pra sempre. — eu disse, aliviada, abraçando-o.

O medo passara. Porque Erik me amava. Ele não me machucaria. Ele estava bem ali, e eu não desperdiçaria nem um segundo sequer enquanto estivesse perto dele. Nunca.

Com a minha perna desengessada, eu pude andar bem mais rápido. Isso me deixou ainda mais feliz. Mas ela estava cheia de hematomas, não era uma visão muito agradável. Fui até o meu quarto — o quarto branco — e peguei um jeans branco. Precisava esconder aquilo. Erik chegou por trás de mim enquanto eu guardava minha saia no armário, já vestida, pegando a minha cintura e virando meu corpo para si. Ah, Erik! Erik... Eu não conseguia pensar em outra coisa! Só esperava não ter que ver aquele brilho assassino nos olhos dele de novo.

Passei os dedos pelo pescoço de Erik, descendo-os até os ombros largos, e o beijei. Ele puxou meu corpo mais para perto. Era tão bom estar com ele. Era o paraíso. E eu o amava.

Notas finais
Acho que ficou meio curto :|
Vamos ter POV Erik... Estou ansiosa
Deixem reviews
Beijos,
Luna :*