Amor, Loucuras e Muita Diversão
24 Esperança
Notas iniciais
Bella: Você? — Antes de complementar com qualquer outra coisa, apaguei com amente confusa sobre o autor do disparo, pelo menos aliviada por dormir tranquilamente.
Merry Pov
Avistei os meninos e esperei, tentando não atrapalhar a saída dos outros passageiros. Procurei e percebi que eles não iriam sair pelo desembarque que todos saiam, então fiquei olhando em volta. Senti que alguém me observava e dois braços forte me envolveram em um abraço caloroso e conhecido.
Tom: Procurando seu príncipe encantado, donzela? — Senti ele sorrindo com os lábios em meus cabelos.
Merry: E se eu disser que encontrei?
Tom: Sério? Pense bem, eu posso ser tudo, menos isso. — Ele sussurrou em meu ouvido, provocando um arrepio que desceu até o fim de minhas costas.
Merry: Você não me faria mal, certo? — Ele riu e me girou em seus braços, de modo que eu ficasse bem de frente para seu rosto, surpreendente e até perigosamente perto do meu. Seus olhos fitavam os meus, sua boca estava em um sorriso torto adorável e seu hálito fresco batia em meu rosto me fazendo delirar.
Tom: Só se você pedir. — Anulou a distância entre nós e beijou meu lábios tão intensamente, que quando nos afastamos parecíamos ter acabado de sair de uma prova de pentatlo. Ofegantes e sorrindo um para o outro, demos as mãos e cumprimentamos os outros. Confesso que senti pena do Bill, vendo aqueles olhinhos decepcionados e sem foco, com certeza Bella teria muito a explicar quando voltasse.....não está nada normal essa história.
Gustav: Podem ser, pelo menos, mais discretos? Tem fã e repórter pra tudo quanto é lado, tomem cuidado. — Disse impaciente ao lado de Tom. Sorri pra ele e o abracei, sentindo sua surpresa no efeito retardado de sua reação.
Sally: Eles nem se importam, não é? — Raciocinei por um minuto e cheguei na conclusão que dizia "Você escolheu, agora segure firme porque tudo está prestes a mudar.". Olhei para Tom, pedindo-lhe ajuda, e ganhei um sorriso tranquilizante.
Tom: Relaxa, vou fazer de tudo para que sua privacidade seja mantida. Não vê Sally e Georg? Eles namoram há três anos e, eu acho, que nunca tiveram problemas com os paparazzi. — Sorriu no fim da frase e apertou ainda mais os braços em volta da minha cintura.
Gustav: Mas ele não tinha a sua fama, Tom.
Tom: Tem razão.....era pior do que a minha. — Riu e eu gostei dele ter sido tão calmo com o que Gust disse. Normalmente, é algo difícil de se conversar pra nós, mas foi rápido e sem grandes problemas.
Bill: Estou feliz por ver vocês, meninas e Rey, mas onde está Bella? — Perguntou, o olhar mais vazio do que antes, porém com um certo brilho de expectativa pela resposta.
Reynolds: Nós não sabemos, quer dizer, ela foi resolver algo do trabalho e disse que voltava antes de vocês. Resolvemos vir sem ela porque achamos que ela viria depois. — Disse, sendo o único com coragem para falar.
Georg: Quem sabe ela não está em casa? Bella é muito imprevisível....com todo o respeito, Bill. — Ele pegou a mão de Sally e puxou a mala em direção ao carro deles, que já esperava ali com um cara falando ao telefone que parecia me conhecer. Parecia.....
#: Oh, então essa é a bela garota que transformou nosso garoto anti-compromisso? — Ele ria afagando o ombro de Tom com singelos baques de mão aberta.
Tom: Bom, David, esta é Meredith Geller, minha namorada. — Seu peito inflou de orgulho ao dizer aquilo e eu me surpreendi quando descobri quem era o homem na minha frente.
Merry: É um prazer conhecê-lo, senhor Jöst. Creio que conhece minha mãe. — Tentei ao máximo não rir, para seguir com minha diversão sobre seu rubor ao ligar os pontos.
David: Ah, sim. Geller. Então você deve ser a filha que Will tanto falava. Sua mãe deve ter muito orgulho de você, pois ela praticamente só te elogiou. — Sorriu e com um gesto cavalheiro, pegou e beijou minha mão. — Acredito que já saiba, mas,David Jöst.
Georg: Espera aí. Tá rolando alguma coisa que a gente não ficou sabendo, senhor David? — Perguntou se matando de rir e percebi que havia falado mais que a boca, se isso fosse possível.
David: Apesar de não ser do seu interesse, Georg, conheço a mãe dela a algum tempo e somos bons amigos, mas isso não vem ao caso. Aliás, você devem descansar, essa turnê foi muito cansativa. — Eles obedeceram e seguiram em parte no carro de Sally.
No carro, me sentei perto do Bill, preocupada com seu estado triste. Estiquei o pescoço para chegar em seu rosto sem luz, virado para a janela e totalmente distraído.
Merry: Acho que é a melhor parte de não estar dirigindo o carro. — Ele virou o rosto para mim, sorrindo por educação. — Como se sente?
Bill: De verdade? — Ergui uma sobrancelha em resposta e ele rolou os olhos. — Por que ela faria isso, Merry? Nós dois estávamos ansiosos por essa volta e o que encontro? Nada. Não desprezando você, sei que você me entede, mas a pessoa que eu mais amo não estava lá quando eu queria que estivesse....acho que, quando eu precisava.
Merry: Não fique triste, Bill. Sei que ela tem um bom motivo para isso, acredite, ela parecia contente com a sua volta. Devia ter visto seus olhos quando eu anunciei a volta, e a surpresa então.....desculpe, eu só queria que soubesse o quan....
Bill: Tudo bem, eu entendi. — Ele abraçou meus ombros e beijou o topo de minha cabeça. — Pelo menos, tenho uma grande amiga para me apoiar. — Concordei e me alinhei no seu abraço, lançando um olhar descontraído para Tom, que segurava minha mão em sinal de apoio. Confesso que fiquei com pena de Bill, até chegando a sentir impaciência com Bella, mas acho que logo teríamos a resposta para seu desaparecimento repentino.
Bill Pov
Não tenho certeza de nada nesse momento. Se Bella aparecer, bom...caso contrário, vou ser obrigado a dar um tempo. Claro, qual seria a justificativa para se ausentar em um compromisso confirmado e reconfirmado incansáveis vezes. Merry veio falar comigo e confesso que mudou um pouco o rumo do meu pensamento, mas só espero que Bella esteja bem.
Gustav: Arrumou algum emprego enquanto estive fora, primo?
Reynolds: E não foi só eu. — Comentou em resposta, lançando um olhar suspeito para Merry. Tom, que estava ao seu lado abraçando sua cintura, olhou fixamente para ela e disse.
Tom: Verdade? Que ótimo, onde é? — Perguntou verdadeiramente feliz pela namorada. Não sei, mas aquele ar de novidade para ele, estava sendo ótimo para todos nós. Tom finalmente estava entrando nos eixos e eu presenciaria tudo de perto.
Merry: Bom, me desculpem se não os procurei antes, mas....sou a nova assistente da banda. — Seu sorriso, antes apenas feliz, transpareceu uma enorme ansiosidade, esperando pela nossa reação. — Quer dizer, posso estar com vocês o tempo todo e, sei lá, ser como uma secretária só que menos corretinha profissionalmente.
Bill: Que legal, Merry! Meus parabéns, acho que vai gostar do trabalho, só não garanto sobre o nosso comportamento difícil. — Sorri para ela, realmente feliz por tê-la conosco também no trabalho.
Gustav: Vai ser ótimo ter a Merry com a gente, não acham? Quer dizer, finalmente não teremos que maquinar um plano para tirar aquelas atiradas interesseiras de perto. — Ele riu e abraçou Merry, tirando os braços de Tom, facilmente, de sua volta.
Merry: E você, Tom? Não ficou entusiasmado com a ideia? — Seus olhos estavam tanto preocupados, quanto animados.
Tom: Eu não sei, Merry. Você deveria ter me avisado antes e.... — Quando todos nós estávamos prestes a questioná-lo, seu olhar capturou o de Merry e pudemos ver a felicidade transparecendo dali. — É claro que gostei disso, afinal, você estando feliz é o mesmo para mim.
Bill: Ai, que fofo! Agora podemos abraçar um ursinho de pelúcia e esperar o mocinho pedir a mocinha em casamento? — Murmurei um "Ugh!" e fiz cara de nojo, brincando e despertando, pela primeira vez desde minha volta, a face humorada do meu caráter. Chegando em casa, fui direto ao banheiro para tomar um banho relaxante, tentando aliviar a estranha e dolorosa falta que Bella fazia.
Não sei como, nem porquê, mas o mesmo que senti na noite que antecedeu a festa de despedida, sinto agora e não estou gostando nem um pouco disso.
Bella Pov
Acordei com dor de cabeça...aliás, quando foi que eu dormi? Só me lembro de todo o rolo com a Louis e seus capangas (entre eles o meu tio), a fonte que achei e um rosto familiar me encarando. Tentei me mover, mas um tubo no meu braço esquerdo me chamou atenção.
#: Se eu fosse você, esperaria um pouco para tentar de novo. — Uma voz feminina falou vinda do lado escuro da pequena sala (bem arrumada, aliás), e eu virei a cabeça por instinto.
Bella: Obrigada pelo conselho, mas quem é você? — Perguntei, fazendo uma rápida avaliação sobre o local. Limpo, com um monitor de batimentos cardíacos ao meu lado, a cama ajustável, uma janela grande o bastante para fornecer o sol para quem não sairia dali, como eu, e tudo mais que um paciente precisaria, só que fora do hospital.
#: Acho melhor chamar o seu amigo, não podemos começar sem ele. — Seu rosto não apareceu, mas senti que ela estava sorrindo. Amigo? É isso, o rosto conhecido era do Tyler. Mas, por que ele faria isso? Será que ele estava envolvido com a Louis? Ah meu Deus, eu tenho que sair daqui. Observei cada canto e, com a ponta dos dedos da mão direita (cuja o braço estava engessado por inteiro), retirei o que parecia ser o tubo de soro.
Jogando meu corpo para fora do colchão macio, senti uma leve dor no ombro direito e me lembrei que aquele era o braço detonado pela bala e o carro em cima. Foi quando vi uma silhueta no corredor, sendo revelado o rosto do meu melhor amigo com a luz forte da sala.
Tyler: Bella!!Você não sabe como estou aliviado por te ver bem. — Sua expressão se tornou séria, e eu sabia que o estava por vir não seria nada bom. Ele aproximou sua mão da minha e se assustou quando eu recuei. — O que foi? Vem, eu não vou te fazer mal. O que? Você acha que eu estou envolvido no incidente com a Louis? Bella, por favor, me dê cinco minutos e prometo que poderá tirar suas próprias conclusões e expô-las.
#: Ela tem que aceitar, O'Connor. É isso ou nada. — Ela passou na frente de Tyler e me estendeu a mão, me fazendo vê-la pela primeira vez. Sua pele tinha um tom bronzeado e seu olhos eram de um profundo mel escuro, enquanto que seus cabelos desciam pelas costas em pequenas ondas ruivas. — Sou Lexie Kend, agente especial do FBI.
Bella: Agente especial do FBI? — Questionei confusa, intercalando olhares entre Tyler e Lexie. — Alguém pode me explicar exatamente o que está acontecendo aqui?
Tyler: Creio que seria melhor mostrar, Bella. Mas, antes de tudo, deixo bem claro que você irá escolher e pode muito bem negar, ok? Apenas nos siga. — E fiz como ele sugeriu, concentrando-me no caminho e tentando me lembrar daquele lugar, sem sucesso. Aos poucos, os tons claros e calmos foram dando lugar ao tons mais variados e familiares, me fazendo considerar que ali era uma casa. Adentrando em um corredor não tão extenso, paramos em frente a uma porta parecida com as de varandas, e Tyler a abriu revelando uma sala aconchegante e normal.
Lexie: Bom, Marrinson, você foi peça principal de um pequeno jogo que o FBI planejou contra a nossa querida Louis. — Falou como se aquilo fosse normal. Olhei para ela e ergui uma sobrancelha.
Bella: Pequeno jogo? Minha vida foi posta em risco por causa de um jogo entre policiais e ladrões? Expliquem-se. — Declarei cruzando os braços.
Tyler: Bella, talvez seja melhor você comer alguma coisa antes de começarmos. Ou quem sabe se sentar? — O fuzilei com os olhos e ele se calou, vendo que não teria outra alternativa a não ser se explicar.
Lexie: Acho que me expressei mal, mas a verdade é que tudo aquilo foi um plano meticulosamente elaborado pelos agentes da área de maníacos, Marrinson. Louis Radle é investigada a anos pela agência, e saiba que seu caso não é o único do gênero dessa maníaca sem escrúpulos. — Me surpreendi, mas guardei essa curiosidade para o final.
Tyler: Lexie e os outros agentes foram até a revista buscar informações sobre ela, mas eu fui o único que me interessei pelo motivo da busca. Foi aí que fiquei sabendo tudo sobre aquela moça misteriosa e estranhamente maléfica, temendo por todos nós e quem mais a conhecesse. Então, me comprometi a ajudá-los se isso te livrasse das garras de alguém que, provavelmente, você nem sabia quem era de verdade. — Ele parecia sentir culpa pelo que fez, mas no fundo eu sabia de suas verdadeiras intenções.
Lexie: Quando O'Connor nos contou sobre seu recente desentendimento com a suspeita, o foco foi encontrar uma maneira de fazê-la acreditar que alcançou seu objetivo e preparar um trunfo invetigativo contra ela. Concluímos que a melhor maneira disso, seria forjar sua morte e prosseguir com as investigações, pois ela jamais saiu vitoriosa de todas as suas tentativas de atentados.
Bella: Ah, claro. Por isso eu tenho que aceitar qualquer loucura que vocês acharem que eu possa sair viva. — Debochei e a ruiva concordou para si, enquanto Tyler perdia a calma.
Tyler: BELLA, ESCUTA ALGUÉM PELO MENOS UMA VEZ NA SUA VIDA. EU PASSEI TRÊS DIAS INTEIROS SEM TIRAR O PÉ DAQUELE MALDITO QUARTO QUE ARRUMAMOS COM CUIDADO PRA VOCÊ, ME CULPANDO E DESEJANDO QUE FOSSE EU NO SEU LUGAR. SABE POR QUÊ? Porque eu não aguentava mais saber que se não fosse minha idiotice em te colocar no meio de tudo isso, sem antes checar sua segurança. Você foi forte ali, Bella, não nos intrometemos em nada....a-apesar de ter monitorado tudo, cada corte, cada dor, cada xingamento que você sofreu eu sofri também. — Ele havia agarrado meus braços no momento de raiva e diminuiu a força conforme a voz se acalmava.
Bella: Eu não tive escolha, Tyler. Você entende que não posso prometer algo sobre isso por enquanto? Não é meu orgulho por não ter sido avisada, ou até mesmo o risco que corri, mas minha decepção por ter de deixar para trás uma família que logo acreditará que estou morta. Eu não escolhi isso, mas vou ter que arcar com as consequências, então me digam o que eu posso fazer para dar fim a essa trama logo. — Tirei suas mãos dos meus braços e dei a volta no sofá, encontrando uma cozinha ao lado da sala.
Lexie: Ótimo, começamos com seu café e depois respondemos o que quiser perguntar.
Bella: Tudo? — Perguntei, ansiosa por saber de todos os detalhes da minha falsa morte.
Tyler: Bella, café.....vamos ver isso depois. — Sorriu e me entregou uma caneca, que peguei gentilmente. Eu tenho que ser forte, não sei o que me espera, mas com certeza não será nada fácil.
Bill POV
Há três dias cheguei em casa. Faz três dias que Bella não volta pra casa e, consequentemente, que eu sofro sem ao menos saber o motivo desse sumiço repentino. Procuramos todos que convivem com ela e chamamos a polícia, que só esperou as torturantes vinte e quatro horas antes de iniciar buscas e investigações.
Tom: Bill, nós vamos encontrá-la. — Tentou me animar, sentado na outra ponta do sofá, com Merry abraçada a ele.
Gustav: Serei eu o idiota que dirá que pelas circunstâncias e pelo tempo, a Bella deve estar correndo perigo? — Avancei sobre ele, sem ao menos tocá-lo mas sim seu colarinho, tomado pela raiva que senti com a sugestão.
Bill: Não fale sobre o que você não sabe, Gust. Fique quieto que já ajuda muito mais do que seus comentários negativos. Se quer irritar alguém, pela sua saúde e a minha sanidade mental, que não seja eu. — Larguei seu colarinho e afundei a cabeça nas mãos, tentando encontrar forças para sair vivo ou inteiro daquela situação.
Reynolds: Não o culpe, Bill. Todos nós sabemos que isso está sendo pior para você, mas tenha paciência e calma, afinal ninguém quer ver um de nós vencido pela situação. — Tentou me acalmar, adiantando pouco mas consideravelmente.
Bill: Eu estou paciente, mas a preocupação é que impede minha calma. — Sentei novamente, dessa vez em um canto destinto da sala. O telefone tocou e, antes que Tom o pegasse, todos nós viramos o rosto para ele.
Tom: Alô? Sim, fui eu mesmo. — Ele parou no lugar e girou nos calcanhares, ficando de frente para nós. — Tem certeza? Um Porsche, sim....e essa placa, mas o que acharam? — Seu rosto ganhou uma expressão gelada e paralisada. — Não há como fazer isso de outro jeito? DNA, fotografia, sei lá? Tudo bem, eu vou. Não, não, não, eu já estou indo para aí. Ah, não? — Ele se virou para George, que estava mais próximo dele, e pediu uma caneta e um papel. — Pode falar. Sei, fica uns quinze minutos daqui. Não vou deixar mais ninguém ir, se é isso que está sugerindo, mas obrigado por avisar. — Ele desligou e correu para onde estavam as chaves de seu carro.
Merry: E aí? — Perguntou ansiosa, assim como eu e todos ali naquela sala.
Tom: Encontraram o carro de Bella no deserto, do lado oposto ao do camping, parece que vão fazer a perícia, mas querem que alguém vá até lá para identificar.
Bill: Por que, se você já confirmou o modelo e a placa do carro? — Minha voz estava trêmula e baixa. Tom olhou para mim como se não quisesse dizer o que viria a dizer, com pena e dor no olhar.
Tom: O-o-o carro,f-foi achado totalmente destruído e caído em um penhasco. Eles não confirmaram nada, mas.......
Merry: Fala logo, Tom! — Gritou o que eu não tive forças para gritar, pois algo em meu coração me avisou o que estava por vir.
Tom: Tem um corpo lá dentro. — Ele pediu desculpas baixinho e saiu apressado, deixando verdadeiros zumbis gelados na sala. Ninguém suportava dizer nada, apenas deixar que a cachoeira de lágrimas tomasse conta de seus rostos.
Tom POV
Eu não sei se sou o mais forte do grupo, mas agora tenho que ser, nem que for pelos poucos segundos que farei o que tem que ser feito. Doeu ainda mais quando vi refletida, nos olhos dos meus amigos e familiares, toda a dor da perda de alguém, como se seu coração fosse espremido ainda dentro do peito e depois tirado sem nenhum cuidado.
Dirigi sem nem ao menos prestar atenção no caminho, implorando para que o que eu ouvi não fosse verdade. Encostei o carro coberta por terra, identificando os tipos dali. Um policial, novato pelo que percebi, desolado com a visão que logo eu também verei, outros três investigadores fotografando e coletando tudo que parecesse não pertencer ao local. Caminhando ainda mais na direção destes, percebi uma mão em meu ombro e me virei, encontrando um homem de meia idade, se apresentando e explicando a situação.
Tom: Então, vocês ainda não sabem ao certo o que aconteceu? — Perguntei, depois de sua explicação.
Garland: Estamos fazendo o possível e o impossível também, senhor Kaulitz, mas é provável que tenha sido um acidente. — Ele olhou para um dos investigadores e pareceu pedir permissão com o olhar, que pelo visto foi concedida. — Está pronto para ir até lá?
Tom: Pronto ninguém está, ainda mais sem saber o que esperar, mas tenho que fazer. — Respondi seguindo o homem para baixo no penhasco. O carro realmente estava detonado, mas para minha surpresa, queimado! Isso não é um bom sinal, apesar de que era de se esperar por uma queda ali.
Garland: Acho difícil identificar traços faciais ou qualquer outra parte do corpo, pois o estado é muito....irreconhecível, mas pode ser que encontre algo semelhante entre os pertences. — Assenti e cheguei mais perto, vendo o corpo queimado e....pequeno, pelo menos dizem que queimado o corpo encolhe. Tampei o nariz e olhei mais de perto, tendo o infeliz instinto de abrir a porta do carro, logo dois enormes cara vieram me parar.
#1: Senhor, entendemos sua curiosidade e vontade de descobrir se é ou não seu parente, mas pedimos que não toque nas evidências. — Murmurou uma mulher que parecia ser especialista em lidar com os conhecidos dos mortos.
#2: Se o caso são os pertences, veja algo intrigante que achamos na mão da vítima. — Ele ergueu um colar meio que já danificado, mas com toda a certeza, tinha uma cruz como pingente. A cruz de Bella. Balancei a cabeça positivamente e falei sobre o colar.
Tom: Isso é da Bella. — Comentei com a voz embargada pelo choro que ameaçava vir. Afastei-me dali e fui fazer algumas perguntas ao Garland, ainda impressionado com a possível revelação.
Garland: E então? — Questionou e me irritei com a sua ineficacia por não perceber a expressão em meu rosto. Não é isso que eles fazem? Observam cada centímetro de testemunhas ou suspeitos, julgando o caráter e envolvimento no crime?
Tom: Não tenho como confirmar pelas características, mas o colar encontrado é dela. — Ele assentiu, afagando meu ombro, e esperou que eu continuasse. — Vocês têm como provar que realmente é ela?
Garland: Nesse tipo de caso é difícil, mas a arcária dentária ou mesmo um pouco do DNA no interior dos ossos pode identificar o dono do gene. Se quiser, pode voltar para sua casa ou prosseguir conosco para o testemunho.
Tom: Ok, vamos então. — Disse e voltei para o carro, seguindo o homem até a delegacia. Chegando lá, comecei a dar as informações que ele ia pedindo, revelando sobre sua saída repentina e o misterioso encontro com alguém de dentro da revista.
Garland: Agradeço pela sua ajuda, senhor Kaulitz. Iremos investigar esse encontro e, quando obtermos novas informações, avisaremos o mais rápido possível. Ah, é bom avisar os familiares.....sinto em dizer isso, mas tudo está apontando para Isabella. Vai ser difícil não ser ela, mas faremos de tudo para confirmar cientificamente. — Senti meu coração gelar, insatisfeito com a ideia, mas continuei sem alterar a voz.
Tom: Tudo bem, também agradeço pela paciência e pelo trabalho. Qualquer coisa que precisar, pode me ligar, senhor Garland. Obrigado por tudo, realmente. — Agradeci e fui embora, triste pela notícia que eu teria que dar. Engraçado, sempre assistimos coisas terríveis acontecer com pessoas desconhecidas de estados, países, culturas diferentes e tudo o que fazemos é lamentar, mas quando é com alguém que faz parte de nosso círculo social, a coisa toda muda de forma impedindo que suportemos simples lamentações ou confortos inúteis. Agora vai ser assim comigo, aliás com todos os que deixei esperando por notícias, desolados pela pequena informação que dei.
Sally: Tom! Você....você está bem? O que aconteceu lá? — A namorada, agora noiva, de Georg perguntou quando me viu na porta de casa. Eu fiz sinal para se juntarem na sala, como se alguém tivesse saído dali desde a minha saída.
Bill: Tom.....obrigado por ter ido até lá, eu sei que deveria ter sido eu, mas você foi muito compreensivo tomando a iniciativa. — Agradeceu antes que eu pudesse dizer algo, claramente abalado. Isso é o que mais me preocupa, eu sei como meu irmão fica quando triste ou revoltado.
Tom: Bom, eu sabia que alguém precisava ir até o local do acidente tomar as devidas providências e.....sempre sobra pro irmão mais velho. — Tentei sorrir, mas nem meus lábios deram conta do trabalho, nem os outros estavam com ânimo para rir. — Antes de dizer o que descobri, um de vocês avisou os pais dela?
Merry: Eu achei melhor esperar você voltar, não tinhamos certeza de nada, então....
Tom:Ok, fez certo. Agora, prestem atenção no que eu vou dizer e já tenham em mente que não tem nada confirmado ainda. — Olhei para cada rosto antes de começar, aumentando minha dor com cada sentimento diferente e intenso que suas expressões me passavam. — O carro estava queimado, explodiu quando colidiu na queda, e havia um corpo dentro.....carbonizado.
Gustav: Fala sério.... — Disse em um tom visivelmente chateado. Dei uma rápida olhada em Bill, que já tinha os olhos marejados e uma expressão congelada.
Tom: Não tinha como reconhecer, nenhum detalhe passou batido pelo fogo exceto o colar de cruz. — Subitamente, Bill girou a cabeça em cento e oitenta graus, ficando de frente para mim.
Bill: O colar.... — Não conseguiu terminar, pois as lágrimas já o impediam de falar algo que eu pudesse entender.
Tom: Estava na mão do cadáver e eu disse que era dela. Depois, fizeram perguntas sobre ela e os últimos acontecimentos, acabei falando sobre o tal encontro e eles disseram que qualquer coisa me avisam. Bill, eu só queria que soubesse que.....que não é certeza sobre ser ela. Perguntei e tem como descobrir, mas pode ser que não seja a Bella....assim como pode ser que seja. — Nessa última parte ele atravessou a sala em passadas rápidas e pesadas, praticamente arrancando as chaves do suporte e saindo sem dizer uma palavra.
Georg: D-devemos ir atrás dele? — Perguntou, a voz quase sumindo na garganta. Sally escondia o rosto em seu peito, ensopando sua camisa com lágrimas.
Tom: Ele não vai muito longe, mas é bom ir daqui a pouco. Façamos o seguinte, ligaremos para os familiares e em seguida buscamos o Bill, ok?
Merry: Você conhece mais ele do que todos nós aqui, então faremos o que disser para fazer. — Aconcheguei-a em meus braços e beijei o topo de sua cabeça, passando a mão pela trilha de lágrimas que escorria pelo seu lindo rosto.
Tom: Eu estou aqui, Merry. Você vai ver, tudo ficará bem no final. — Encostei o queixo, gentilmente, na sua cabeça e fiquei ninando ela até terminarmos de dar a notícia terrível.
Bill Pov
Ah, como eu fui injusto considerando terminar com Bella sem pensar que ela corria perigo. Como eu pude ser tão infantil e frio? Eu sabia que aquela sensação estranha não era por nada, devia ter ficado aqui....protegendo ela.
Peguei as chaves do carro e passei em lugares aleatórios, sem pensar, me culpando e desejando estar no lugar dela. Bella, a pessoa que me faz querer viver mais e mais, aquela que eu amo mais do que minha própria vida. Sem perceber, eu estava passando nos locais que me faziam lembrar dela, os mesmos onde muitas vezes estávamos juntos.
Entrei em um bar qualquer e pedi a bebida mais forte que tinham ali. A garçonete me olhou assustada, mas buscou o pedido. Uma placa de metal pendurada em seu uniforme dizia que seu nome era Mandy.
Mandy : Escuta....você é o Bill Kaulitz, não é? O vocalista bonitão, que também dublou um filme e é modelo. Você é daquela banda alemã, qual era mesmo o nome? — A garota ficou estalando os dedos, como se estivesse remoendo as memórias para chegar na resposta de sua pergunta. Ergui o olhar, e respondi educamente.
Bill: Tokio Hotel. E sim, sou eu. — Ela sorriu para mim e voltou ao que estava fazendo. Bebi todo o conteúdo do copo em um só gole, o que possibilitou a queimação na garganta quando o líquido passou por ela. Olhei no relógio do celular e aproveitei para rejeitar uma chamada do Tom, pois nem que eu quisesse atender seria possível. Aquilo era demais para minha cabeça, eu nem sequer tive muito tempo para passar com ela.....e a festa, então? Fui idiota o suficiente, bebendo pelos meus medos ao invés de simplesmente ficar ao lado dela, aproveitando antes da viagem.
#: Meu rapaz, você não deveria beber tanto assim. — Um senhor, já quase idoso, alertou quando se sentou ao meu lado.
Bill: E o senhor não deveria dar palpite onde nem sabe o que acontece. — Me virei, tomado pela culpa e ainda prezando a educação que minha mãe deu, e continuei. — Desculpa, senhor, mas eu não estou nada bem.
#: Percebi, pela quantida que já bebeu. — Comentou rindo e pediu algo para Mandy, a garçonete que descaradamente me paquerava.
Bill: Espera aí, você estava me vigiando? Quem foi que te mandou? Minha mãe? Algum paparazzi chato, que me viu entrando aqui e resolveu mandar um velhinho para tirar informações minhas?
#: Não, amigo, sou apenas um cliente daqui. Estava sentado em uma das mesas lá atrás e vi você bebendo uma seguida da outra. Seu fígado deve ser forte, ein? — Cutucou-me com o cotovelo, rindo como se fosse uma piada. Bebi o restante que tinha no copo e pedi outra. — Ok, eu só estou falando, mas e você? Por que bebe tanto? É "normal" ou algum problema recente?
Bill: Segunda opção. — Disse, não querendo dar outras informações para alguém que nem conheço.
#: Uma moça. Já sei, ela te deixou. — O velho esperou minha resposta, ansioso por esta. Olhei em volta e murmurei o que ele queria ouvir.
Bill: Pode-se dizer que sim, mas não por pura e espontânea vontade. — A garçonete trouxe a bebida, não perdendo a oportunidade de tocar no meu braço quando sussurrou um " me liga", ao deixar um papel dobrado perto da minha mão.
#: Por pura e espontânea pressão, então? — Olhei, quase rindo, o velho erguer a sobrancelha.
Bill: Como assim? — Perguntei divertido, virando a bebida de uma vez e a deixando de lado, interessado no que o homem iria responder.
#: Ora, vai dizer que não existem tantas outras atrás de você? Pelo que ouvi da garçonete, você é um cantor famoso, bonito, rico e, antes, indisponível. — Fiz sinal para ele continuar. — Quem garante que uma de suas pretendentes não ameaçou sua bela namorada para o caminho ficar livre? — Foi minha vez de erguer uma sobrancelha, terminando o papo besta.
Bill: Ela está morta, tá legal? Quer dizer, não confirmam nada, mas também não desmentem. Entende agora o porquê de eu estar bebendo tanto? É o suficiente, não acha? Beber para esquecer e depois morrer para curar.
#: E quem é que disse isso? A vida é boa demais para ser desperdiçada, rapaz, e como você mesmo disse, há uma chance dela estar viva. Por que não mantém o pensamento firme nela viva e espera o resultado? — Como ele ainda estava ali, depois da saia justa em que o coloquei? Deve ser um daqueles velhos que não morrem nunca e adoram dizer que a vida é bela......até a página dois.
Bill: Eu não posso, vai que o resultado é justamente o que eu não queria? Quem garante que é ou não verdade? Você é algum deus para mudar um fato que já aconteceu? Conhece algum fato que mudou pelo pensamento positivo?
#: Sim, meu jovem, conheço. — O olhar dele foi de mim até o outro lado da rua, onde percebi a floricultura da Bianca Fiori, a senhorinha simpática que conversou comigo quando fui comprar flores para Bella. — Bianca e eu acreditávamos que não poderíamos ter filhos, foram anos tentando e nada. Consideramos tudo, desde in vitro até barriga de aluguel, ela chegou a sugerir que eu não a amasse por isso, o que foi algo terrível para o nosso casamento. Quase nos separamos, mas vimos que tudo o que fizemos desde o começo foi acreditar que não conseguiríamos.
Bill: E o que aconteceu? — Perguntei sério.
#: Ela engravidou um mês depois que começamos a acreditar que daria certo e hoje temos um filho de quarenta e dois anos saudável e atencioso. Por isso você não deve ficar assim, lembre-se disso rapaz....a desistência foi feita para os fracos, e se você não se considera fraco, trate de erguer a cabeça e seguir em frente. Mesmo que aconteçam coisas ruins conosco, as coisas boas sempre estão lá para nos alegrar. Eu sei que é difícil, mas você é forte, meu rapaz, acredite e verá.
Nisso, o velhinho se levantou e pagou a conta, olhando para a entrada do bar e balançando a cabeça. Ao fundo tocava "Snuff" do Slipknot, e o conteúdo da letra me fez lembrar de Bella, mesmo que não fosse a mesma história.
Bill: O senhor já vai? Não quer que eu pague algo para o senhor? Nem sei o seu nome ainda.
#: Obrigado, jovem, mas tenho que ir. Quanto ao meu nome, pode me chamar de Joey, e lembre-se que nem tudo o que parece ser bom, é. Acredite no que quer, seja um pouco egoísta quanto a isso, mas jamais deixe de lutar pelo o que quer. — Com isso ele deixou o estabelecimento e eu fiquei para trás, já tonto pelo efeito que o álcool tinha sobre mim. Depois de um tempo sem fazer nada, pedi um café forte e a conta.
Mandy: Já vai? Pensei que poderia ficar até meu expediente acabar, quem sabe não saimos e nos divertimos? — Piscou e eu neguei, agradecendo gentilmente.
Bill: Não estou bem para isso hoje, mas agradeço pela oferta. — Ela murmurou algo e saiu, deixando o café para mim.
#: Sozinho em um bar, Bill? O que foi, Bella deixou de te divertir? — De repente, com a voz, sinto uma mão em meu ombro direito e me viro para ver quem é.
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